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Questionário - Proficiência Clínica Área: Parasitologia Rodada: Mar/2015 Página 1 de 3 Tema: CONTROLE DE QUALIDADE EM PARASITOLOGIA Elaborador: Vera Lucia Pagliusi Castilho. Médica Patologista Clinica, Doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Diretor Técnico de Saúde I - Laboratório Clínico do Instituto de Infectologia Emilio Ribas. Médica-chefe do Laboratório de Parasitologia Clínica da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médica Assistente do Laboratório Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Texto Introdutório O Laboratório de Parasitologia Clinica, diferentes das outras áreas do Laboratório Clínico, utiliza métodos caseiros e próprios, adaptados através de comparabilidade entre eles, introduzindo e realizando em sua rotina, aqueles que melhor se adaptam ao cliente atendido. As diferentes metodologias utilizadas devem ter controle de qualidade interno em todas as fases da rotina, além do controle de qualidade externo. Para os controles de qualidade interno e externo são utilizadas amostras positivas ou não, com parasitas intestinais ou hemoparasitas e que habitualmente são identificados pelo Laboratório, por seus colaboradores treinados e motivados. Amostras biológicas para o controle de qualidade em parasitologia podem ser armazenadas e guardadas de forma adequada, com substâncias conservadoras, homegeinizando as amostras biológicas (fezes, escarro, líquidos de derrames cavitários, lavados bronco-alveolar, de punção medular), e outros onde podemos encontrar os parasitas. Os avanços em técnicas imunológicas e moleculares podem dar suporte aos métodos tradicionais e as colorações permanentes, como Tricrômio, Hematoxilina férrica, Giensa, Leishman, que ajudam a fornecer um bom diagnóstico de parasitas. Ter amostras com um único parasita para que o laboratório o identifique ou não, tem sido o objetivo para medir o conhecimento na microscopia. Sabemos que muitos parasitas que aparecem nas lâminas, podem não ser identificados e passam como “sujeira”. A nossa preocupação é identificar corretamente os parasitas habituais e não habituais e isto deve ser a meta e faz parte do aprendizado. Já o controle de qualidade interno praticado pelo laboratório deve seguir padronizações estabelecidas pelo gestor do processo e da direção. Ter bons controles e analisá-los corretamente significa ter bons resultados. Esta forma de atuação e o estabelecimento das regras permite um melhor controle em todos os níveis de processo. O controle de qualidade interno é necessário e o funcionário deve se comprometer a realizá-lo, analisá-lo e divulgá-lo. Esta análise e divulgação dos resultados com a tomada de decisões permitem a melhoria contínua. Os controles e o planejamento devem ser feitos em todas as fases do processo: pré- analítico, analítico e pós-analítico. O atual questionário tem por finalidade relembrar os itens que devem ser desenvolvidos para que o exame no laboratório de Parasitologia Clínica tenha os padrões de qualidade interno e externo publicados e exigidos na RDC302/2005 e pelos responsáveis de laboratórios clínicos. Questão 1 O controle de qualidade interno serve para controlar todas as fases do exame, e deve ser monitorado nas diferentes fases do processo. Através dele pode-se avaliar o funcionamento confiável e eficiente dos procedimentos laboratoriais, fornecendo resultados válidos, que possam contribuir de forma eficaz no diagnóstico. Na fase pré-analítica, abordando a coleta, armazenamento e transporte da amostra biológica, qual dos quesitos abaixo é fundamental: 1. Manual de procedimento para o método direto das fezes frescas com salina; 2. Procedimento padrão de realização do exame; 3. Instruções detalhadas de coleta e armazenamento da amostra fornecida ao paciente; 4. Instruções de preparo dos corantes utilizados na coloração pelo Kinyoun. Questão 2 As amostras diarreicas de fezes não podem ser recusadas pelo laboratório para a realização do exame protoparasitológico, elas devem ser recebidas. Isto deve estar escrito nas instruções de coleta que são entregues ao paciente que recebem orientações para este tipo de coleta. Nestas amostras podem ser encontrados com maior frequência protozoários sob a forma morfológica de: 1. Cistos; 2. Trofozoitos; 3. Larvas; 4. Os protozoários não são encontrados nestas amostras, apenas bactérias e vírus.

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Questionário - Proficiência Clínica Área: Parasitologia

Rodada: Mar/2015

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Tema: CONTROLE DE QUALIDADE EM PARASITOLOGIA

Elaborador: Vera Lucia Pagliusi Castilho. Médica Patologista Clinica, Doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Diretor Técnico de Saúde I - Laboratório Clínico do Instituto de Infectologia Emilio Ribas. Médica-chefe do Laboratório de Parasitologia Clínica da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médica Assistente do Laboratório Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Texto Introdutório O Laboratório de Parasitologia Clinica, diferentes das outras áreas do Laboratório Clínico, utiliza métodos caseiros e próprios, adaptados através de comparabilidade entre eles, introduzindo e realizando em sua rotina, aqueles que melhor se adaptam ao cliente atendido. As diferentes metodologias utilizadas devem ter controle de qualidade interno em todas as fases da rotina, além do controle de qualidade externo.

Para os controles de qualidade interno e externo são utilizadas amostras positivas ou não, com parasitas intestinais ou hemoparasitas e que habitualmente são identificados pelo Laboratório, por seus colaboradores treinados e motivados. Amostras biológicas para o controle de qualidade em parasitologia podem ser armazenadas e guardadas de forma adequada, com substâncias conservadoras, homegeinizando as amostras biológicas (fezes, escarro, líquidos de derrames cavitários, lavados bronco-alveolar, de punção medular), e outros onde podemos encontrar os parasitas. Os avanços em técnicas imunológicas e moleculares podem dar suporte aos métodos tradicionais e as colorações permanentes, como Tricrômio, Hematoxilina férrica, Giensa, Leishman, que ajudam a fornecer um bom diagnóstico de parasitas. Ter amostras com um único parasita para que o laboratório o identifique ou não, tem sido o objetivo para medir o conhecimento na microscopia. Sabemos que muitos parasitas que aparecem nas lâminas, podem não ser identificados e passam como “sujeira”. A nossa preocupação é identificar corretamente os parasitas habituais e não habituais e isto deve ser a meta e faz parte do aprendizado.

Já o controle de qualidade interno praticado pelo laboratório deve seguir padronizações estabelecidas pelo gestor do processo e da direção. Ter bons controles e analisá-los corretamente significa ter bons resultados. Esta forma de atuação e o estabelecimento das regras permite um melhor controle em todos os níveis de processo. O controle de qualidade interno é necessário e o funcionário deve se comprometer a realizá-lo, analisá-lo e divulgá-lo. Esta análise e divulgação dos resultados com a tomada de decisões permitem a melhoria contínua. Os controles e o planejamento devem ser feitos em todas as fases do processo: pré-analítico, analítico e pós-analítico.

O atual questionário tem por finalidade relembrar os itens que devem ser desenvolvidos para que o exame no laboratório de Parasitologia Clínica tenha os padrões de qualidade interno e externo publicados e exigidos na RDC302/2005 e pelos responsáveis de laboratórios clínicos.

Questão 1 O controle de qualidade interno serve para controlar todas as fases do exame, e deve ser monitorado nas diferentes fases do processo. Através dele pode-se avaliar o funcionamento confiável e eficiente dos procedimentos laboratoriais, fornecendo resultados válidos, que possam contribuir de forma eficaz no diagnóstico.

Na fase pré-analítica, abordando a coleta, armazenamento e transporte da amostra biológica, qual dos quesitos abaixo é fundamental:

1. Manual de procedimento para o método direto das fezes frescas com salina;

2. Procedimento padrão de realização do exame;

3. Instruções detalhadas de coleta e armazenamento da amostra fornecida ao paciente;

4. Instruções de preparo dos corantes utilizados na coloração pelo Kinyoun.

Questão 2 As amostras diarreicas de fezes não podem ser recusadas pelo laboratório para a realização do exame protoparasitológico, elas devem ser recebidas. Isto deve estar escrito nas instruções de coleta que são entregues ao paciente que recebem orientações para este tipo de coleta. Nestas amostras podem ser encontrados com maior frequência protozoários sob a forma morfológica de:

1. Cistos;

2. Trofozoitos;

3. Larvas;

4. Os protozoários não são encontrados nestas amostras, apenas bactérias e vírus.

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Rodada: Mar/2015

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Questão 3 Quais as alterações mais frequentes ocorrem nas amostras biológicas para a realização do exame protoparasitológico quando há demora na entrega e processamento das mesmas?

1. Deterioração de estruturas dos parasitas, aumento de bactérias e fungos com inconsistência de resultado;

2. Apenas aumento de bactérias, o fator tempo não é importante para este tipo de coleta domiciliar;

3. As amostras de fezes diarreicas não se deterioram independentes do tempo da coleta;

4. O cisto de Entamoeba coli não é detectado em fezes após 24h da coleta.

Questão 4 As instruções de coleta escritas e entregues aos pacientes para coleta de fezes fazem parte do controle de qualidade interno da fase pré-analítica e nestas instruções devem ser colocados os medicamentos ou substâncias que interferem no exame da amostra fecal e alguns deles são:

1. Medicamentos em geral;

2. Medicamentos antidepressivos e alimentos gordurosos e carboidratos;

3. Medicações antiparasitárias, contrastes radiológicos (bário, bismuto), antibióticos e antiácidos;

4. Apenas antibióticos interferem no exame protoparasitológico.

Questão 5 Para a fase analítica, o laboratório precisa dos controles em todos os processos, tanto no preparo de reagentes, soluções, corantes, ácidos, álcoois e também no preparo da amostra biológica, bem como água e quais interferirem no resultado do exame. Os controles de qualidade interno são comerciais ou caseiros e devem ser estabelecidos no serviço, conforme a necessidade e a rotina. Dentre os controles internos caseiros temos alguns tipos como: duplo-cego, simples-cego, não cegos e de dupla leitura. O controle duplo–cego é:

1. Amostra fecal da rotina é realizada e identificada com a mesma identificação 2 vezes;

2. Várias amostras de fezes da rotina são processadas sem a identificação;

3. Duas amostras são processadas na rotina e o resultado é liberado sem conhecimento do colaborador;

4. Amostra fecal da rotina é realizada e identificada com identificações diferentes 2 vezes, mas sem o conhecimento dos colaboradores que realizarão o exame.

Questão 6 O laboratório deve armazenar as amostras positivas de fezes em liquido conservador. Estas amostras serão controles internos caseiros ou material para validação de novos métodos ou podem servir para treinamento de novos funcionários ou mesmo para programas de reciclagem. Qual liquido conservador é indicado para este fim?

1. MIF;

2. Formol 10%;

3. SAF;

4. Todos podem ser usados.

Questão 7 Uma amostra positiva e não-cega contendo cistos de Giardia lamblia pode ser usada para a validação do método de:

1. Coloração pelo Kinyoun;

2. Faust e cols;

3. Baerman/Rugai;

4. Coloração pelo Leishman

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Rodada: Mar/2015

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Questão 8 O controle de qualidade interno com amostra simples-cego pode ser colocado na rotina e na periodicidade determinada. Esta amostra simples-cego é:

1. Amostra fecal sabidamente positiva inserida na rotina, com o conhecimento do colaborador que fará a leitura microscópica, conforme cronograma estabelecido pelo laboratório;

2. Amostra fecal com solução preservadora, não identificada, colocada na rotina e processada, sendo os resultados colocados em planilha;

3. Amostra fecal dividida em alíquotas, conservada e armazenada, identificada como controle e com o nome do parasita, sem o nome do paciente, inserida na rotina conforme cronograma do laboratório e assegura a repetibilidade do colaborador;

4. Amostra fecal da rotina feita em duplicata e com o conhecimento do colaborador, para comparar resultados.

Questão 9 O controle de qualidade externo, que é o ensaio de proficiência, é fornecido comercialmente e no laboratório de parasitologia é utilizado para:

1. Avaliação da fase analítica;

2. Avaliação da fase pós-analítica;

3. Avaliação de todas as fases;

4. Avaliação da fase pré-analítica.

Questão 10 Uma amostra positiva não-cega contendo ovos de Schistosoma mansoni, pode ser colocada como um controle de validação do método de:

1. Faust e cols;

2. Coloração de Tricrômio;

3. Lutz/Hoffman, Pons e Janner;

4. Baerman ou Rugai.

Questão 11 No controle de qualidade interno duplo-cego para a pesquisa de hematozoários o melhor a ser introduzido na rotina é:

1. Sangue com anticoagulante com 2 identificações diferentes sem conhecimento do colaborador;

2. Uma lâmina corada;

3. Uma lâmina sem coloração e outra com coloração;

4. Sangue com anticoagulante com 2 identificações iguais.

Questão 12 O resultado do exame protoparasitológico tem variabilidade devido aociclo de eliminação dos parasitas não ocorrer para a realização do exame protoparasitológico de forma homogênea. Por isso, a orientação é para a coleta de 3 amostras de fezes de preferência em dias alternados, ou de 2 em 2 dias. Com isto, aumenta a possibilidade de detecção dos parasitas. No entanto, o fato de muitos clínicos orientarem o tratamento de parasitose, independente de haver ou não a mesma, ocasiona muitos exames falso-negativos. Qual a alternativa correta?

1. A eliminação dos cistos de Giardia lamblia obedece a uma curva de Gauss e dura em torno de 10 dias, com o pico de eliminação máxima em 5 a 7 dias;

2. O ovo de Enterobius vermicularis não costuma ser detectado pelo método de Rugai, mas sim pelo método da fita adesiva transparente ou Swab Anal;

3. As larvas de Strongyloides stercoralis são melhor detectadas no método de Baerman/Rugai;

4. Todas estão corretas.

Questão 13 O resultado da dupla leitura microscópica da lâmina preparada no exame protoparasitológico, processada através do preparo da amostra de fezes por um método de concentração, cuja microscopia é feita por 2 diferentes colaboradores, fornece:

1. Nível de treinamento dos colaboradores em microscopia;

2. Se a coleta realizada pelo paciente foi adequada;

3. Se os reagentes utilizados foram preparados de forma adequada;

4. O nível de treinamento para recepcionar a amostra.

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Rodada: Mar/2015

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Questão 14 Uma amostra não-cega contendo oocistos de Cryptosporidium spp, pode ser colocada como um controle de validação para o método de:

1. Método de Kato-Katz;

2. Coloração de Kinyoun;

3. Baerman ou Rugai;

4. Coloração de Tricromio.

Questão 15 O laudo do exame protoparasitológico deve estar inserido no controle de qualidade interno da fase pós-analítica e os principais itens que deverão ser verificados e constar no laudo são:

1. Nome do paciente, nome do médico solicitante, amostra recebida, métodos realizados, resultados encontrados e valores de referência;

2. Identificação do Laboratório, identificação do paciente, amostra recebida, métodos realizados, resultados obtidos e valores de referência;

3. Nome do médico solicitante, nome do paciente, amostra recebida, método realizado, resultados e valores de referência;

4. Identificação do Laboratório, identificação do responsável técnico, identificação do paciente, identificação da amostra analisada, datas e horários: coleta, análise e liberação, métodos utilizados, resultados encontrados e valores de referência.

Referências Bibliográficas:

• Gonçalves, EMN; Castilho, VLP. Controle de Qualidade em Parasitologia Clínica. In: Parasitologia Clínica – Seleção de Métodos e Técnicas de Laboratório para o Diagnóstico das Parasitoses Humanas. 2ª edição. Editora Atheneu, São Paulo. 2007.

• Gonçalves, EMN; Castilho, VLP. Capítulo 4 – Controle de Processo em Parasitologia. ”In” Oliveira, CA; Mendes, ME. Gestão da fase analítica do laboratório: como assegurar a qualidade na pratica. Volume III. 1a edição. Rio de Janeiro: ControlLab. 2012. p. 73-95. Disponível em: http://www.controllab.com.br Acesso em 20 de maio de 2012. 40.

• Garcia, LS. Diagnostic Medical Parasitology. 5th ed. Washington DC.:ASM Press.

• Pessoa, SB. Parasitologia Médica.11ªed. Editora Guanabara Koogan pgs.498, 479,608,668