Relacao Patogeno Hospedeiro Ambiente

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Relacao Patogeno Hospedeiro Ambiente

Text of Relacao Patogeno Hospedeiro Ambiente

  • 13

    1 PRINCPIOS E CONCEITOS EM FITOPATOLOGIA

    1.2 Ciclo das Relaes Patgeno-hospedeiro

    A ocorrncia de uma doena precedida por uma sequncia de eventos entre o

    patgeno e o hospedeiro, conhecido como ciclo das relaes patgeno-hospedeiro. Cada

    fase apresenta caractersticas prprias e funo definida. Na Figura 7 encontram-se as fases

    do ciclo das relaes patgeno-hospedeiro e onde atuam os princpios de controle de

    Whetzel.

    Figura 7. Fases do ciclo das relaes patgeno-hospedeiro e onde atuam os princpios de

    controle de Whetzel.

    O desenvolvimento de uma doena inicia-se pela presena do patgeno, do

    hospedeiro suscetvel e das condies climticas favorveis. O patgeno pode estar

  • 14

    presente de vrias formas: em restos culturais em forma de estruturas de reproduo ou de

    resistncia, miclio, vindo pela semente, pelo vento, chuva, vetores, dentre outras formas de

    sobrevivncia. disseminado numa dessas formas, atinge o tecido do hospedeiro, ocorre a

    infeco e posterior colonizao do tecido e sua reproduo, fechando-se o ciclo primrio

    da doena.

    A primeira gerao do patgeno na cultura corresponde ao ciclo primrio das

    relaes patgeno-hospedeiro e as geraes subsequentes no mesmo ciclo da cultura so os

    ciclos secundrios. importante que se conhea essa diferena para a orientao de

    medidas de manejo. Quando o inculo produzido fora da rea de cultivo, o controle

    feito atravs de medidas de proteo e imunizao (por exemplo, uso de cultivares

    resistentes a doenas) e quando produzido na prpria rea, a recomendao o uso de

    proteo e sanitizao (por exemplo, cultivares resistentes e rotao de culturas)

    Sobrevivncia

    A sobrevivncia do patgeno, que se constituir em inculo, a fase onde o

    patgeno dever superar condies adversas para garantir sua perpetuao. Ocorre em

    condies climticas desfavorveis ou na ausncia do hospedeiro. Fungos, oomicetos e

    nematoides apresentam estruturas de resistncia compostas, principalmente, por suas

    formas reprodutivas. Algumas estruturas de reproduo de fungos, como os teliosporos das

    ferrugens podem apresentar auto-inibidores de germinao em condies adversas.

    Osporos de patgenos dos gneros Pythium e Phytophthora so estruturas de resistncia

    capazes de sobreviver a altas e baixas temperaturas e condies de baixa umidade.

    Apresentam parede celular espessa que responsvel por essa resistncia.

    Alguns patgenos habitantes de solo desenvolveram estruturas de resistncia

    denominadas esclerdios, que so agregados de hifas somticas formando estruturas

    compactas, arredondadas, irregulares, que sobrevivem at 10 anos no solo. Diversos

    gneros de fungos apresentam essas estruturas: Slerotium, Macrophomina, Verticillium,

    Rhizoctonia, Botrytis e outros. Condies de alta umidade podem diminuir a longevidade

    de esclerdios. Algumas doenas podem ser controladas pelo uso de alagamento de solos

    infestados, como por exemplo, doenas causadas por Sclerotium rolfsii e Verticillium

    dahliae.

  • 15

    Outra estrutura de resistncia presente em fungos fitopatognicos o clamidsporo,

    que se constitui em uma nica clula com citoplasma condensado e uma parede celular

    espessa. a principal forma de sobrevivncia de Fusarium spp.

    H uma grande variabilidade no tempo de sobrevivncia das estruturas de

    resistncia dos patgenos, o que implica diretamente no mtodo de controle das doenas.

    Quanto maior o tempo de sobrevivncia da estrutura de resistncia de um determinado

    patgeno, maior o tempo de rotao de culturas necessrio para seu controle. A tabela

    mostra o tempo necessrio de rotao para o controle de alguns patgenos.

    Tabela 2. Estruturas e perodo de sobrevivncia de alguns fungos e oomicetos e perodo

    de rotao de culturas necessrio para seu controle.

    Gneros de fungos e

    oomicetos

    Estruturas de

    sobrevivncia

    Perodo de

    sobrevivncia

    Tempo de rotao

    (anos)

    Fusarium Clamidsporos 5 a 15 4 a 6

    Phytophthora Osporos 2 a 8 4 a 6

    Pythium Osporos 5 2 a 3

    Rhizoctonia Esclerdios 5 2 a 3

    Verticillium Esclerdios 5 a 15 5 a 6

    Muitos patgenos podem sobreviver colonizando restos de cultura e outros

    utilizando nutrientes da soluo do solo. Exemplos de patgenos capazes de sobreviver

    sobre restos de cultura: Fusarium spp., Rhizoctonia spp., Colletotrichum spp., Cercospora

    spp., etc. Exemplos de patgenos que utilizam nutrientes da soluo do solo para

    sobrevivncia: Ralstonia solanacearum, Pseudomonas spp, Xanthomonas spp..

    Agentes fitopatognicos parasitas obrigatrios no conseguem sobreviver na

    ausncia de seu hospedeiro. o caso das ferrugens, odos, mldios, algumas bactrias,

    vrus, fitoplasmas, espiroplasmas e virides. Alguns apresentam hospedeiros secundrios

    como plantas daninhas.

    Disseminao

    Todos os patgenos produzem um grande nmero de propgulos que sero

    disseminados de vrias formas, contribuindo para o aumento das doenas nos campos de

    cultivo.

  • 16

    O ar um meio de transporte que leva os esporos de alguns patgenos a longas

    distncias. A disseminao feita por ventos fortes na camada conectiva da atmosfera. Os

    casos mais conhecidos so os de disperso dos agentes causais das ferrugens do trigo e da

    soja na Amrica do Norte.

    A gua um agente importante na disperso, a curtas distncias, de propgulos de

    fungos e bactrias, principalmente aqueles que se encontram envoltos por mucilagem. A

    disperso pela chuva ocorre pelos respingos formados pelas gotas que atingem os

    propgulos.

    Outro agente muito importante na disseminao de patgenos o homem, atravs

    de tratos culturais com uso de mquinas e equipamentos. Ocorre tambm disseminao a

    longas distncias, quando transporta material propagativo como sementes e mudas

    contaminadas.

    Os insetos tambm so bastante eficientes na disseminao de alguns patgenos,

    principalmente os vrus e algumas bactrias.

    Infeco

    Infeco o processo de estabelecimento das relaes parasitrias entre patgenos e

    hospedeiro e ocorre aps o contato dos propgulos com o hospedeiro,

    Os patgenos tm especializaes que resultam na penetrao dos patgenos nos

    hospedeiros. Alguns veiculados pelo solo como bactrias e Oomicetos, apresentam

    propgulos com flagelos que se movimentam em direo s razes das plantas, atrados

    pelos exsudatos produzidos por elas. Agentes patognicos de parte area desenvolvem-se

    na superfcie dos hospedeiros e podem produzir estruturas especializadas para penetrao

    denominadas apressrios, que so inchaos de uma hifa ou tubo germinativo, capazes de

    aderir firmemente no hospedeiro, germinar e nele penetrar.

    Para iniciar a germinao, os esporos necessitam de condies climticas adequadas

    como alta umidade e especficas de temperatura para cada espcie.

    A penetrao dos patgenos nos hospedeiros pode ocorrer diretamente pela

    superfcie da planta, atravs de aberturas naturais ou ferimentos. Bactrias, vrus, virides e

    fitoplasmas no penetram diretamente no hospedeiro, por no apresentarem estruturas

    especializadas de penetrao.

    Os fungos podem penetrar no hospedeiro atravs da superfcie intacta, vencendo

    barreiras como cutcula e epiderme na parte area ou periderme em razes e ramos

  • 17

    lenhosos, atravs de produo de apressrios em adio de uma ao qumica de

    degradao de enzimas sobre a superfcie do hospedeiro.

    Outras formas de penetrao de patgenos ocorrem atravs de aberturas naturais

    presentes em vrios rgos dos hospedeiros. Essas aberturas so a principal via de acesso

    de muitos fungos, principalmente os causadores de ferrugens, e de bactrias

    fitopatognicas. As principais aberturas naturais utilizadas por esses agentes patognicos

    so estmatos e hidatdios presentes nas folhas, estigmas e nectrios nas flores e lenticelas

    em rgos suberificados.

    A penetrao tambm pode ocorrer atravs de ferimentos. Esses ferimentos podem

    ser causados por picadas de insetos, vento, prticas culturais como poda e desbrota, etc.

    Aps a fase de penetrao ocorre a colonizao do hospedeiro pelo patgeno. Tem

    incio o parasitismo, com a retirada de nutrientes da planta pelo agente patognico. Nessa

    fase pode ocorrer uma reao no interior da planta que impede o estabelecimento do agente

    patognico. Algumas formas de resistncia da planta interferem no estabelecimento do

    patgeno na planta, impedindo que a doena se estabelea.

    Colonizao

    A colonizao representada pela retirada de nutrientes do hospedeiro pelo

    patgeno, que pode ser biotrfico, quando as fontes de nutrientes so tecidos vivos do

    hospedeiro, necrotrfico, quando as fontes de nutrientes so tecidos mortos e

    hemibiotrfico, que inicia a infeco como biotrfico e coloniza o hospedeiro como

    necrotrfico. Todos os vrus, virides, fitoplasmas, fungos causadores de ferrugens,

    carves, odios e mldios, alm de algumas bactrias so patgenos biotrficos. So

    exemplos de patgenos hemibiotrficos os fungos do gnero Colletotrichum e de

    necrotrficos os do gnero Sclerotinia, Penicillium e Aspergillus.

    Os patgenos necrotrficos distribuem-se na planta apenas ao redor do ponto de

    infeco, aps a morte dos tecidos. Os biotrficos e hemibiotrficos podem apresentar

    distribuio sistmica, atravs dos vasos do floema (principalmente vrus, virides,

    fitoplasmas e espiroplasmas) ou do xilema (exemplos: Fusarium oxysporum, Verticillium

    albo-atrum,