Relatorio de analise do orcamento 2009 2012 vfinal

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Relatório de análise do orçamento municipal da cidade de Ilhabela, feito pelo GOPI - Grupo de Trabalho de Orçamento Público e Indicadores, do Instituto Ilhabela Sustentável

Text of Relatorio de analise do orcamento 2009 2012 vfinal

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    Elaborao Instituto Ilhabela Sustentvel GOPI Grupo de Acompanhamento do Oramento Participativo e Indicadores Membros do GOPI lvaro Sandoval Rodrigues Carlos Roberto Nunes Eunice Lacava Kwasnicka Pablo Federico Melero Osvaldo Julio

    Colaboradores: Georges Henry Grego

    Gilda Helena Lencio Nunes

    Ilhabela, 24 de Outubro de 2013.

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    APRESENTAO O presente Relatrio edio 2013, uma anlise efetuada basicamente sobre o oramento no perodo 2009-2012, desenvolvido pelo Instituto Ilhabela Sustentvel. Gostaramos de enfatizar a importncia da participao cidad no processo oramentrio e o entendimento sobre o Oramento Pblico. Iniciamos esse relatrio relembrando a importncia da participao cidad, especificamente no tema aqui apresentado, que a anlise oramentria do perodo 2009-2012, e a importncia de se conhecer o Oramento Pblico. Para nos dar inspirao, fomos buscar novamente o manifesto lido por nosso representante caiara, o Marcelo Caiara Batista, no lanamento do Instituto Ilhabela Sustentvel e do Movimento Nossa Ilha Mais Bela, em 2007. Manifesto Nossa Ilha Mais Bela O municpio-arquiplago de Ilhabela ostenta com orgulho o ttulo de cidade com maior ndice de preservao da Mata Atlntica no Brasil. Com orgulho, como se tal ttulo se devesse exclusivamente civilidade de seus habitantes, ao trabalho do poder pblico ou ao respeito que cidade devotam os que aqui vm buscar turismo e lazer. Entretanto, quem conhece a histria local e percorre nossas ruas, praias, rios e florestas, sabe que a responsabilidade por esses oitenta e poucos por cento de preservao se deve geografia majestosa dessa Ilha, com suas montanhas agressivamente altas, ao profundo canal que a separa do continente e criao do Parque Estadual, que evitaram que Ilhabela se transformasse em mais um aglomerado de concreto entupido de automveis, como tantas outras cidades do litoral brasileiro. Ironicamente, as mesmas caractersticas geolgicas e geogrficas que at aqui vm protegendo este local, agora o colocam na lista dos parasos em vias de extino. A primeira ameaa vem de nossa localizao a duas horas de So Paulo, metrpole que sofre um verdadeiro xodo de moradores que fogem da violncia, do trnsito, do estresse e da poluio. Regies mais pobres do pas, como o interior de Minas e da Bahia, tambm so a origem de migrantes em busca de trabalho e condies mais dignas de vida. No por outro motivo que h alguns anos Ilhabela vem registrando um dos maiores ndices de crescimento populacional do Brasil. A segunda ameaa vem das prprias belezas naturais, que atraem um fluxo de turistas cada vez mais descontrolado, com picos sazonais que na alta comprometem a qualidade de vida e na baixa penalizam a organizao turstica e a economia local. A terceira ameaa est na potencialidade porturia do canal de So Sebastio, que promete transformar nossa regio de vocao eminentemente turstica em um frentico corredor de exportao. E por ltimo, mas no menos ameaadoras, esto as imensas jazidas de gs e petrleo em nossa plataforma continental, que aliadas ao terminal martimo de So Sebastio, por onde corre metade do petrleo consumido no Brasil, nos transformam na bola da vez de uma matriz energtica baseada em combustveis fsseis causadores do aquecimento global, com todos os desdobramentos conhecidos em termos de desastres ambientais. Combinados, esses movimentos exercem uma presso que comea a se tornar insuportvel em um municpio que no recebe investimentos em infra-estrutura nem possui planejamento de longo prazo para fazer face a todas essas ameaas simultaneamente. O resultado tem sido a ocupao desordenada das reas de preservao, o aumento das mortes no trnsito, os congestionamentos em frias e feriados, a falta de saneamento bsico, a poluio dos rios e das praias, a barulheira que compromete a paz, as crises polticas e a falta de participao

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    popular nas decises do poder pbico, alm da ausncia de civilidade no relacionamento cotidiano entre moradores e turistas. Por outro lado, no podemos esquecer que Ilhabela possui excelentes recursos humanos e sociais, alm de imensas riquezas naturais ainda intocadas. verdade que temos mais de 80% de Mata Atlntica preservada. Temos um manancial de gua doce que ser um tesouro incalculvel em um planeta assolado pelo aquecimento global. Temos um imenso e ainda inexplorado potencial turstico, em escala nacional e internacional. Temos nossa tradio nos esportes nuticos, com particular nfase para a vela. Temos uma rede de pessoas altamente influentes, que aqui construram casas de veraneio ou mesmo se mudaram com suas famlias, e se mostram prontas a auxiliar os esforos em prol de Ilhabela com seu peso poltico e financeiro. Temos uma enorme presena na mdia, onde ecoam ao mesmo tempo nossos problemas e nossas belezas naturais. E temos ainda a fora da centenria cultura caiara, que alm de enraizar todos os que aqui nasceram, pode servir de amlgama para criar uma comunidade digna do sculo 21, ao mesmo tempo coesa e aberta, integrando migrantes de todas as partes do pas e do exterior, beneficiando-se simultaneamente da determinao dos paulistas, da fora dos mineiros, da alegria dos baianos e da sabedoria dos estrangeiros que escolheram nossa Ilha como lar. Ns que fazemos parte do Movimento Nossa Ilha Mais Bela acreditamos que a nica maneira de extrair o mximo de nossas potencialidades, promovendo o desenvolvimento sustentvel e garantindo a qualidade de vida em Ilhabela, estimular a mais ampla mobilizao da sociedade civil. Para isso fundamental recuperar a confiana da populao nos processos polticos e valorizar a democracia participativa. Somente atravs dessa mobilizao poderemos reunir foras polticas, sociais e econmicas capazes de comprometer a sociedade e sucessivos governos do arquiplago com objetivos claros, materializados em um conjunto de indicadores e metas de curto, mdio e longo prazo. Movimentos como o nosso j foram lanados em metrpoles brasileiras como o Rio e So Paulo. Com eles aprendemos e trocamos idias e experincias. Entretanto, dadas as caractersticas e o tamanho de nossa cidade, acreditamos que o sucesso de Nossa Ilha Mais Bela pode servir de inspirao para milhares de pequenas cidades em todo o pas, lanando as sementes de um Brasil sustentvel. Um pas que combine de forma harmoniosa o desenvolvimento econmico, o desenvolvimento social e proteo ambiental.

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    Acompanhamento do Oramento Pblico Participativo O Instituto Ilhabela Sustentvel - IIS - uma OSCIP - Organizao Social de Interesse Pblico, criada em 2007 por um grupo de moradores, ambientalistas, empresrios, representantes de entidades e veranistas de Ilhabela. Atravs do Movimento Nossa Ilha Mais Bela, tm o objetivo de estimular a participao popular no dilogo com o poder pblico e desenvolver programas de educao cidad. O Movimento no tem partido, no tem candidato, no tem cor e no tem religio. No de rejeio do poder pblico, pelo contrrio para fortalec-lo. Suas aes so norteadas por 3 dimenses:

    1. GESTO PBLICA, cujo desafio buscar uma gesto pblica municipal que seja profissional, participativa e transparente;

    2. MOBILIZAO DA SOCIEDADE CIVIL, cujo desafio transformar a Sociedade Civil de

    Ilhabela em um ator organizado, engajado, participativo, cidado, na vida do municpio e ativo no controle social;

    3. INFLUNCIA EM POLTICAS PBLICAS E OBRAS REGIONAIS, cujo desafio propor um Plano Estratgico para Ilhabela bem como para Regio Metropolitana e Litoral Norte com forte participao da sociedade civil na sua elaborao e monitoramento.

    O Instituto possui Grupos de Trabalho, sendo alguns de carter permanente como GAC Grupo de Acompanhamento da Cmara de Vereadores, o GOPI Grupo de Oramento Pblico e Indicadores, bem como outros criados sob demanda. Ciclo Oramentrio: Para melhor compreenso do relatrio ora elaborado, vamos resumidamente discorrer sobre as peas oramentrias. So trs as peas que compe o ciclo oramentrio pblico:

    Plano Plurianual (PPA) Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO) Lei Oramentria Anual (LOA).

    Dados Importantes do nosso oramento pblico municipal e que o cidado deveria conhecer: 1. O PPA Plano Plurianual um instrumento de planejamento que todas prefeituras - alm de estados e unio - devem elaborar no primeiro ano em que assumem o mandato e cujo objetivo fazer um planejamento com antecedncia, projetando para os 4 anos seguintes, para que possa oferecer bens e servios, realizar obras e manter programas sociais. (O PPA sempre defasado em 1 ano em relao ao mandato do executivo. Por exemplo: o perodo de mandato da gesto pblica anterior foi 2009-2012. O PPA refere-se a 2010-2013, ou seja, o prefeito eleito para a gesto 2009-2012, em seu primeiro ano de governo utiliza-se do planejamento feito pela gesto anterior)

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    Para isso devem ser feitas audincias pblicas para organizar as prioridades. com base no PPA que os governantes orientam as outras duas leis que compem o ciclo oramentrio pblico a LDO e a LOA. O PPA definido pela prefeitura e, posteriormente, avaliado, complementado e aprovado pela cmara de vereadores. Assim, ao final do ano, ele se transforma em uma lei que ir orientar o conjunto das polticas e, principalmente, o oramento do municpio nos prximos quatro anos. A lei que estabelece o PPA deve apresentar, de forma muito clara, quais so as diretrizes, os objetivos, os indicadores, os programas, as aes e as metas da administrao pblica, de modo a atender ao projeto de desenvolvimento que o governo considera adequado para cumprir as promessas feitas na campanha eleitoral. Nenhuma ao oramentria pode acontecer se no estiver prevista no PPA, sendo portanto um norteador para execuo das polticas pblicas e que determina que uma poltica pblica tenha alocao de recursos pblicos nos prximos quatro anos. 2. A LDO Lei de Diretrizes Oramentrias,