Relatório inspeção

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    13-Apr-2015

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<p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>PODER JUDICIRIO DO ESTADO DO PIAU CORREGEDORIA GERAL DE JUSTIA</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>TERESINA-PIAU 1Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>SETEMBRO/2012</p> <p>PODER JUDICIRIO DO ESTADO DO PIAU CORREGEDORIA GERAL DE JUSTIA</p> <p>APRESENTAO</p> <p>O modelo poltico-jurdico, plasmado na nova ordem constitucional, rejeita o poder que oculta e o poder que se oculta. Com essa vedao, pretendeu o constituinte legitimar, em face dos destinatrios do poder, a prtica das instituies do Estado. (STF, RHD n228/DF, rel. p/ o AC. Min. CELSO DE MELO, j. 19-09-91, D.J. 01.09.95)</p> <p>A Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, cumpre, mais uma vez, com o dever institucional de tornar pblica a inspeo judicial que procedeu no sistema cartorrio piauiense, para cumprir determinao da CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIA, formalizada na deciso do CNJ, tomada unanimidade nos autos do CUMPRDEC Proc. n 0200511-29.2009.2.00.0000.</p> <p>Esta inspeo judicial est prevista, inclusive, no Plano de Gesto para 2012/2014, da Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, como realizao de diagnstico estratgico das atividades judiciais e extrajudiciais da justia estadual de primeiro grau, dentro do propsito inarredvel de modernizao da primeira instncia do Poder Judicirio piauiense, na extenso de suas atividades judiciais e extrajudiciais. 2Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>As equipes de inspeo da Corregedoria Geral de Justia que percorreram, em tempo recorde, 17.000 Km (dezessete mil quilmetros), visitaram as 150 (cento e cinqenta) serventias extrajudiciais existentes no Estado do Piau, e, nesse mister, produziram 2.400 (duas mil e quatrocentas) fotos sobre a realidade cartorria piauiense, que se encontra neste relatrio.</p> <p>O relatrio concluiu, com base no que foi visto e mensurado pelas equipes de inspeo, que o sistema cartorrio piauiense est instalado em meio a um verdadeiro caos administrativo, que se manifesta, muitas vezes, como caos registral, alm de se encontrar na pr-histria da informatizao dos servios cartorrios, no obstante a existncia de serventias que esto bem estruturadas tcnica e administrativamente, mas, ainda assim, sofrendo os reflexos das deficincias estruturais dos servios notariais e de registro no Estado do Piau.</p> <p> preciso ressaltar que a Corregedoria Geral de Justia est totalmente despreparada no somente para abordar, em todos os seus aspectos, a realidade cartorria, no Estado do Piau, como, tambm, para empreender a modificao dela, que, pela sua importncia, tem fundas implicaes econmicas, polticas e sociais, alm daquelas de natureza jurdica.</p> <p>Pode-se dizer, sem medo de errar, que a realidade institucional dos cartrios piauienses, afrontosa no somente dignidade dos registros pblicos, como atentatria s instituies notariais e de registro, e prpria cidadania, na medida em que afeta a f pblica registral, que indispensvel segurana dos negcios jurdicos e estabilidade fundiria requerida pelas relaes jurdicas de direito real.</p> <p>Sem que a Corregedoria Geral de Justia se estruture e se capacite, em termos tcnicos e financeiros, esse quadro estarrecedor de desorganizao e</p> <p>3Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>atraso tender a se agravar com conseqncias imprevisveis para todos os destinatrios do poder pblico.</p> <p>A inspeo judicial que, como o relatrio, foca exclusivamente problemas estruturais do sistema cartorrio piauiense, e, por isso mesmo, trata-se de trabalho impessoal, no atribui m gesto de quem quer que seja a responsabilidade por essa situao, que, no obstante isso, falta de providncias sistemticas e concretas, vem se agravando ao longo dos anos no Estado do Piau.</p> <p>Assim, no h responsabilidade individual, ou de grupos, pelos problemas estruturais dos cartrios pblicos e privados no Estado do Piau, que so fruto de um conjunto de circunstncias desfavorveis, que no cabe Corregedoria Geral de Justia ponderar para explicar o porqu desse lamentvel estado de coisas.</p> <p>O que cabe, agora, reunir-se foras para a modificao dessa realidade cartorria que envergonha o sistema registral brasileiro.</p> <p>No cabe Corregedoria Geral de Justia negar ou ocultar essa realidade, pois, afinal, como j decidiu o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em r. Acrdo da lavra do Ministro CELSO DE MELO, o poder que oculta e o poder que se oculta foi rejeitado pela nova ordem constitucional, que garante a todos, indistintamente, o acesso s informaes.</p> <p>Alis, essa uma realidade inescondvel, porquanto se coloca, objetivamente, luz do sol, diante do olhar de todos os interessados.</p> <p>E como essa realidade no foi modificada, ao longo dos anos, pelo poder pblico, ela foi banalizada pelos seus observadores, que perderam, assim, a capacidade de se indignar diante dela, e, a partir da, prover meios para a sua modificao. 4Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>A indignao pela procura do que melhor para as instituies sempre saudvel, na medida em que obriga os responsveis pela coisa pblica deixar para trs velhos paradigmas sem valia na administrao estatal.</p> <p>Existe um novo paradigma para as serventias extrajudiciais a modernizao dos servios cartorrios que so indispensveis cidadania, como estabilizao das relaes fundirias, no somente na rea jurdica, mas, tambm, nos campos econmicos, poltico e social.</p> <p>Nesta perspectiva, as equipes de inspeo da Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, chefiadas pelo Dr. ALBERTO FRANKLIN DE ALENCAR MILFONT, Dr. RAIMUNDO JOS GOMES, juzes auxiliares da Corregedoria, e pela Dra. NBIA FONTENELE DE CARVALHO CORDEIRO, Secretria Geral da Corregedoria, secretariados por LUCIANA COSTA CARVALHO, STAINI ALVES BORGES e ADO FERREIRA DE ARAJO NETO, realizaram com esprito pblico e invencvel capacidade de trabalho o levantamento da realidade cartorria piauiense, propondo solues estruturais de suas graves questes.</p> <p>De minha parte, no esmorecerei no trabalho exigente de dar resposta aos desafios ou quando no aos prprios enigmas da realidade cartorria piauiense, de modo transparente, aos olhos de todos, para cumprir o mandamento de que a nova ordem constitucional rejeita o poder que oculta as suas deficincias e mazelas e o poder que se oculta com medo de que todos tomem conhecimento delas.</p> <p>Teresina, 28 de setembro de 2012.</p> <p>5Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>Des. Francisco Antnio Paes Landim Filho Corregedor Geral da Justia</p> <p>PODER JUDICIRIO DO ESTADO DO PIAU CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIA</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p> imoral pretender que uma coisa desejada serealize magicamente, simplesmente porque a desejamos. S moral o desejo acompanhado da severa vontade de prover os meios da sua execuo.</p> <p>Jos Ortega y Gasset</p> <p>I. A RAZO DA INSPEO NO SISTEMA CARTORRIO.</p> <p>As serventias extrajudiciais, no Estado do Piau, compem-se de cartrios pblicos e de cartrios privados.</p> <p>Os</p> <p>cartrios</p> <p>pblicos</p> <p>so</p> <p>constitudos</p> <p>por</p> <p>serventias</p> <p>oficializadas, que se encontram sob a administrao direta do Poder Judicirio, no Estado do Piau, e, em razo disso, alm de se encontrarem instalados nos prdios da justia estadual, os responsveis por essas6Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>serventias, designados por ato do diretor do frum da comarca, so remunerados pelos cofres pblicos.</p> <p>Os cartrios privados so dirigidos, na forma da lei, por particulares, que exercem suas funes por delegao do poder pblico, mas que, no obstante, so remunerados pelos emolumentos cobrados pela prtica dos atos cartorrios. De qualquer sorte, cartrios pblicos e cartrios privados, por fora de lei, so fiscalizados pelo Poder Judicirio estadual, atravs da Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau.</p> <p>Por essa razo, tantos os cartrios pblicos, representados pelas serventias oficializadas, como os cartrios privados, dirigidos, por delegao do poder pblico, por particulares, foram inspecionados pela Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, com o objetivo de proceder-se ao diagnstico estratgico da situao em que se encontram atualmente as serventias extrajudiciais, no Estado do Piau.</p> <p>Assim, deu-se cumprimento ao primeiro item do Plano de Gesto da Corregedoria do Tribunal de Justia do Piau, traado para o binio 2012/2014.</p> <p>II. O DESPREPARO DA CGJ/PI PARA A FISCALIZAO DO SISTEMA CARTORRIO.</p> <p>O que se primeiro constatou, ao decidir-se por essas inspees cartorrias, foi que a Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, no tem estrutura orgnica adequada, assim como quadro de pessoal capacitado, nem to pouco instrumentos especializados para desempenhar o cumprimento do dever institucional de fiscalizar as serventias extrajudiciais, no Estado do Piau.7Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>Ao longo de anos indefinidos, a Corregedoria Geral de Justia preparou-se, e, ainda assim, limitadamente, de maneira precria, para fiscalizar varas e juizados especiais, descuidando-se, por inteiro, da fiscalizao das serventias extrajudiciais, em todo o Estado do Piau, mesmo daquelas que so administradas diretamente pelo Poder Judicirio estadual.</p> <p>Na preservao da impessoalidade deste relatrio, assinale-se, de logo, que a falta de preparo tcnico da Corregedoria Geral de Justia para desempenhar a misso institucional de fiscalizar o sistema cartorrio no Estado do Piau, decorreu da prevalncia do paradigma de que os cartrios, como antigas capitanias hereditrias, que passavam de pai para filho, constituam-se em verdadeiras propriedades privadas, administrados por particulares, aos quais, o Poder Judicirio se limitava a impor uma tabela de preos para a cobrana pela prestao de seus servios.</p> <p>Esse paradigma foi quebrado pela Constituio Federal de 1988 ao estabelecer que os servios notariais e de registro, ainda que exercidos em cartrios privados, constituem delegao do poder pblico aos particulares, e, em razo disso, impe ao Poder Judicirio a fiscalizao dos servios prestados populao, alm da fiscalizao de notrios, oficiais de registro e de seus prepostos, para fins de sua responsabilizao disciplinar, civil e criminal.</p> <p>No obstante o imperativo constitucional de fiscalizao dos cartrios pelo Poder Judicirio, a Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, no conseguiu desvencilhar-se, culturalmente, da inrcia que lhe impunha o antigo paradigma, que fazia dos cartrios propriedades privadas de particulares, colocados fora das atividades fiscalizatrias do Poder Judicirio, e, em razo disso, no se preparou a tempo e a modo para exercer, j depois da Constituio Federal de 1988, o relevante papel institucional de fiscalizao do sistema cartorrio no Piau.</p> <p>8Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>Isto , a Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, no se capacitou, institucionalmente, para fiscalizar no somente os serventurios dos cartrios, sejam eles notrios, oficiais de registro, ou seus prepostos, como, tambm, no se qualificou para a fiscalizao dos atos praticados por esses delegados do poder pblico, nem para avaliar, ainda minimamente, a qualidade dos servios prestados pelas serventias extrajudiciais, no Estado do Piau.</p> <p>A atividade fiscalizatria da Corregedoria Geral de Justia, em relao s serventias extrajudiciais, no Estado do Piau, tornou-se mais complexa ainda a partir da Emenda Constitucional n 45/2004, quando ento se estabeleceu que as custas e emolumentos se destinavam, exclusivamente, ao custeio dos servios afetos s atividades especficas da justia, cabendo Corregedoria fiscalizar tambm a arrecadao de custas e emolumentos pelas serventias extrajudiciais, sejam elas pblicas ou privadas. Para isso tambm no se capacitou gerencialmente a Corregedoria Geral de Justia, que no exerce, at hoje, nenhuma atividade fiscalizatria sobre a arrecadao dos cartrios pblicos ou privados, no dispondo de quadro nem de instrumentos hbeis ao levantamento e controle desses valores devidos ao fundo constitucional de</p> <p>modernizao do Poder Judicirio estadual.</p> <p>Portanto, a Corregedoria Geral de Justia, por razes puramente conjunturais, no se preparou, ao longo dos anos, para a fiscalizao do sistema cartorrio, no Estado do Piau, com srias conseqncias para a organizao e a prestao desses servios populao piauiense.</p> <p>Ainda assim, enfrentando todas essas deficincias estruturais, as equipes de inspeo da Corregedoria Geral de Justia, no se recusou a vistoriar, em tempo recorde, as 150 (cento e cinqenta) serventias extrajudiciais, no Estado do Piau, percorrendo, para este fim, quase 17.000 Km (dezessete mil quilmetros), e, assim, com esse esforo hercleo,9Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia</p> <p>RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU</p> <p>elaborou relatrio para cada uma dessas serventias, e produziu nesse mister 2.400 (duas mil e quatrocentas) fotos, que retratam a imagem institucional da situao dos cartrios, e constituem os representativos anexos deste Relatrio.</p> <p>No se trata de um relatrio completo sobre a realidade cartorria, no Estado do Piau, at porque, pelo despreparo da Corregedoria Geral de Justia para proceder fiscalizao das serventias extrajudiciais, faltaram quadros e instrumentos especializados para a abordagem completa e o levantamento da problemtica do sistema cartorrio piauiense.</p> <p>De todo modo, trata-se de um diagnstico valioso, srio e idneo, questionador da situao de caos e abandono em que se encontram o conjunto das serventias cartorrias no Estado do Piau.</p> <p>III. O PERFIL DO SISTEMA CARTORRIO PIAUIENSE.</p> <p>Os dados e os registros fotogrficos que compem este relatrio mostram que o sistema cartorrio piauiense se encontra instalado em meio a um verdadeiro caos administrativo, que se manifesta, por vezes, em caos registral, ao lado de uma nota de abandono pelo poder pblico, e outra de atraso vergonhoso na rea de informatizao dos servios cartorrios, no obstante a existncia, nesse conjunto, de serventias notariais e de registro com notvel organizao tcnica e administrativa, mas que, ainda assim, sofrem o reflexo dessa situao catica.</p> <p>Nesse quadro de caos e abandono, o estado de m conservao dos livros cartorrios no passou despercebido das equipes de inspeo.</p> <p>A determinao legal de conservao dos livros no pode ser entendida seno que, pela sua importncia,...</p>