Relatório inspeção

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RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU

PODER JUDICIRIO DO ESTADO DO PIAU CORREGEDORIA GERAL DE JUSTIA

RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU

TERESINA-PIAU 1Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

RELATRIO FINAL DAS INSPEES NAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DO ESTADO DO PIAU

SETEMBRO/2012

PODER JUDICIRIO DO ESTADO DO PIAU CORREGEDORIA GERAL DE JUSTIA

APRESENTAO

O modelo poltico-jurdico, plasmado na nova ordem constitucional, rejeita o poder que oculta e o poder que se oculta. Com essa vedao, pretendeu o constituinte legitimar, em face dos destinatrios do poder, a prtica das instituies do Estado. (STF, RHD n228/DF, rel. p/ o AC. Min. CELSO DE MELO, j. 19-09-91, D.J. 01.09.95)

A Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, cumpre, mais uma vez, com o dever institucional de tornar pblica a inspeo judicial que procedeu no sistema cartorrio piauiense, para cumprir determinao da CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIA, formalizada na deciso do CNJ, tomada unanimidade nos autos do CUMPRDEC Proc. n 0200511-29.2009.2.00.0000.

Esta inspeo judicial est prevista, inclusive, no Plano de Gesto para 2012/2014, da Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, como realizao de diagnstico estratgico das atividades judiciais e extrajudiciais da justia estadual de primeiro grau, dentro do propsito inarredvel de modernizao da primeira instncia do Poder Judicirio piauiense, na extenso de suas atividades judiciais e extrajudiciais. 2Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

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As equipes de inspeo da Corregedoria Geral de Justia que percorreram, em tempo recorde, 17.000 Km (dezessete mil quilmetros), visitaram as 150 (cento e cinqenta) serventias extrajudiciais existentes no Estado do Piau, e, nesse mister, produziram 2.400 (duas mil e quatrocentas) fotos sobre a realidade cartorria piauiense, que se encontra neste relatrio.

O relatrio concluiu, com base no que foi visto e mensurado pelas equipes de inspeo, que o sistema cartorrio piauiense est instalado em meio a um verdadeiro caos administrativo, que se manifesta, muitas vezes, como caos registral, alm de se encontrar na pr-histria da informatizao dos servios cartorrios, no obstante a existncia de serventias que esto bem estruturadas tcnica e administrativamente, mas, ainda assim, sofrendo os reflexos das deficincias estruturais dos servios notariais e de registro no Estado do Piau.

preciso ressaltar que a Corregedoria Geral de Justia est totalmente despreparada no somente para abordar, em todos os seus aspectos, a realidade cartorria, no Estado do Piau, como, tambm, para empreender a modificao dela, que, pela sua importncia, tem fundas implicaes econmicas, polticas e sociais, alm daquelas de natureza jurdica.

Pode-se dizer, sem medo de errar, que a realidade institucional dos cartrios piauienses, afrontosa no somente dignidade dos registros pblicos, como atentatria s instituies notariais e de registro, e prpria cidadania, na medida em que afeta a f pblica registral, que indispensvel segurana dos negcios jurdicos e estabilidade fundiria requerida pelas relaes jurdicas de direito real.

Sem que a Corregedoria Geral de Justia se estruture e se capacite, em termos tcnicos e financeiros, esse quadro estarrecedor de desorganizao e

3Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

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atraso tender a se agravar com conseqncias imprevisveis para todos os destinatrios do poder pblico.

A inspeo judicial que, como o relatrio, foca exclusivamente problemas estruturais do sistema cartorrio piauiense, e, por isso mesmo, trata-se de trabalho impessoal, no atribui m gesto de quem quer que seja a responsabilidade por essa situao, que, no obstante isso, falta de providncias sistemticas e concretas, vem se agravando ao longo dos anos no Estado do Piau.

Assim, no h responsabilidade individual, ou de grupos, pelos problemas estruturais dos cartrios pblicos e privados no Estado do Piau, que so fruto de um conjunto de circunstncias desfavorveis, que no cabe Corregedoria Geral de Justia ponderar para explicar o porqu desse lamentvel estado de coisas.

O que cabe, agora, reunir-se foras para a modificao dessa realidade cartorria que envergonha o sistema registral brasileiro.

No cabe Corregedoria Geral de Justia negar ou ocultar essa realidade, pois, afinal, como j decidiu o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em r. Acrdo da lavra do Ministro CELSO DE MELO, o poder que oculta e o poder que se oculta foi rejeitado pela nova ordem constitucional, que garante a todos, indistintamente, o acesso s informaes.

Alis, essa uma realidade inescondvel, porquanto se coloca, objetivamente, luz do sol, diante do olhar de todos os interessados.

E como essa realidade no foi modificada, ao longo dos anos, pelo poder pblico, ela foi banalizada pelos seus observadores, que perderam, assim, a capacidade de se indignar diante dela, e, a partir da, prover meios para a sua modificao. 4Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

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A indignao pela procura do que melhor para as instituies sempre saudvel, na medida em que obriga os responsveis pela coisa pblica deixar para trs velhos paradigmas sem valia na administrao estatal.

Existe um novo paradigma para as serventias extrajudiciais a modernizao dos servios cartorrios que so indispensveis cidadania, como estabilizao das relaes fundirias, no somente na rea jurdica, mas, tambm, nos campos econmicos, poltico e social.

Nesta perspectiva, as equipes de inspeo da Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, chefiadas pelo Dr. ALBERTO FRANKLIN DE ALENCAR MILFONT, Dr. RAIMUNDO JOS GOMES, juzes auxiliares da Corregedoria, e pela Dra. NBIA FONTENELE DE CARVALHO CORDEIRO, Secretria Geral da Corregedoria, secretariados por LUCIANA COSTA CARVALHO, STAINI ALVES BORGES e ADO FERREIRA DE ARAJO NETO, realizaram com esprito pblico e invencvel capacidade de trabalho o levantamento da realidade cartorria piauiense, propondo solues estruturais de suas graves questes.

De minha parte, no esmorecerei no trabalho exigente de dar resposta aos desafios ou quando no aos prprios enigmas da realidade cartorria piauiense, de modo transparente, aos olhos de todos, para cumprir o mandamento de que a nova ordem constitucional rejeita o poder que oculta as suas deficincias e mazelas e o poder que se oculta com medo de que todos tomem conhecimento delas.

Teresina, 28 de setembro de 2012.

5Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

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Des. Francisco Antnio Paes Landim Filho Corregedor Geral da Justia

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imoral pretender que uma coisa desejada serealize magicamente, simplesmente porque a desejamos. S moral o desejo acompanhado da severa vontade de prover os meios da sua execuo.

Jos Ortega y Gasset

I. A RAZO DA INSPEO NO SISTEMA CARTORRIO.

As serventias extrajudiciais, no Estado do Piau, compem-se de cartrios pblicos e de cartrios privados.

Os

cartrios

pblicos

so

constitudos

por

serventias

oficializadas, que se encontram sob a administrao direta do Poder Judicirio, no Estado do Piau, e, em razo disso, alm de se encontrarem instalados nos prdios da justia estadual, os responsveis por essas6Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

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serventias, designados por ato do diretor do frum da comarca, so remunerados pelos cofres pblicos.

Os cartrios privados so dirigidos, na forma da lei, por particulares, que exercem suas funes por delegao do poder pblico, mas que, no obstante, so remunerados pelos emolumentos cobrados pela prtica dos atos cartorrios. De qualquer sorte, cartrios pblicos e cartrios privados, por fora de lei, so fiscalizados pelo Poder Judicirio estadual, atravs da Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau.

Por essa razo, tantos os cartrios pblicos, representados pelas serventias oficializadas, como os cartrios privados, dirigidos, por delegao do poder pblico, por particulares, foram inspecionados pela Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, com o objetivo de proceder-se ao diagnstico estratgico da situao em que se encontram atualmente as serventias extrajudiciais, no Estado do Piau.

Assim, deu-se cumprimento ao primeiro item do Plano de Gesto da Corregedoria do Tribunal de Justia do Piau, traado para o binio 2012/2014.

II. O DESPREPARO DA CGJ/PI PARA A FISCALIZAO DO SISTEMA CARTORRIO.

O que se primeiro constatou, ao decidir-se por essas inspees cartorrias, foi que a Corregedoria Geral de Justia, no Estado do Piau, no tem estrutura orgnica adequada, assim como quadro de pessoal capacitado, nem to pouco instrumentos especializados para desempenhar o cumprimento do dever institucional de fiscalizar as serventias extrajudiciais, no Estado do Piau.7Tribunal de Justia Corregedoria Geral da Justia

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Ao longo de anos indefinidos, a Corregedoria Geral de Justia preparou-se, e, ainda assim, limitadamente, de maneira precria, para fiscalizar varas e juizados especiais, descuidando-se, por inteiro, da fiscalizao das serventias extrajudiciais, em todo o Estado do Piau, mesmo daquelas que so a

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