Renata de Oliveira Mascarenhas

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  • Universidade Estadual do Cear

    Renata de Oliveira Mascarenhas

    O AUTO DA COMPADECIDA EM TRANSMUTAO: a relao entre os gneros circo e auto traduzida

    para o sistema audiovisual

    Fortaleza Cear 2006

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    Universidade Estadual do Cear

    Renata de Oliveira Mascarenhas

    O AUTO DA COMPADECIDA EM TRANSMUTAO: a relao entre os gneros circo e auto traduzida

    para o sistema audiovisual

    Dissertao apresentada ao Curso de Mestrado Acadmico em Lingstica Aplicada do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Cear, como requisito parcial para obteno do grau de mestre em Lingstica Aplicada. rea de concentrao: Traduo e Ensino-Aprendizagem de L2/ LE. Linha de pesquisa: Traduo, Lexicologia e Processamento da Linguagem. Orientadora: Profa. Dra. Vera Lcia Santiago Arajo.

    Fortaleza Cear 2006

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    Universidade Estadual do Cear

    Curso de Mestrado Acadmico em Lingstica Aplicada

    Ttulo do trabalho: O Auto da Compadecida em transmutao: a relao entre os

    gneros circo e auto traduzida para o sistema audiovisual

    Autora: Renata de Oliveira Mascarenhas

    Defesa em: 28/ 04/ 2006 Conceito obtido: _________

    Banca Examinadora

    __________________________________

    Vera Lcia Santiago Arajo, Profa. Dra.

    _______________________________ _______________________________

    Dcio Torres Cruz, Prof. Dr. Irensia Torres de Oliveira, Profa. Dra.

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    AGRADECIMENTOS

    Profa. Dra. Vera Lcia Santiago Arajo, pela orientao rigorosa e atenta, pela

    amizade e, principalmente, por ser figura sempre presente nas minhas conquistas

    acadmicas, uma vez que, desde a graduao, ajuda-me a descobrir o fascinante

    universo da pesquisa.

    s professoras Soraya Alves e Irensia Oliveira, pelas valiosas contribuies durante

    o Exame de Qualificao.

    Aos amigos do grupo de pesquisa Traduo para a mdia, pelas colaboraes em

    todos os momentos, pelas importantes reflexes sobre Traduo, Cinema e

    Literatura e pelas conversas informais que foram imprescindveis para o

    amadurecimento desta pesquisa.

    Aos amigos do CMLA, dentre os quais incluo todos os professores, pelas produtivas

    discusses em sala de aula no campo da Lingstica, da Traduo, da Anlise do

    Discurso e da Literatura.

    Ao amigo Carlos Augusto Viana da Silva, pelo enorme apoio ao longo da minha

    jornada acadmica.

    CAPES, pelo apoio financeiro que tornou possvel a concretizao deste trabalho.

    Aos amigos e familiares, pelo incentivo, em especial a meus pais e irmos, pelo

    apoio incondicional.

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    RESUMO

    A traduo de qualquer gnero literrio para o sistema audiovisual requer um

    processo criativo. Tomamos como exemplo, o Auto da Compadecida de Suassuna,

    que inspirou trs filmes - A Compadecida (Jonas, 1969), Os Trapalhes no Auto da

    Compadecida (Farias, 1987) e O Auto da Compadecida (Arraes, 2000) - e a

    microssrie O Auto da Compadecida (Arraes, 1999). A pea se destaca por sua

    estrutura tcnica caracterizada por uma representao (auto) dentro de outra (circo).

    Objetivamos, nesta pesquisa, investigar como a estrutura da pea foi traduzida para

    o sistema audiovisual. Fundamentamos nossa anlise, basicamente, em alguns

    tericos de traduo, em crticos da obra de Suassuna e em estudiosos da

    linguagem cinematogrfica. Verificamos que Jonas e Farias recriam uma estrutura

    simblica constituda por uma representao (auto) dentro de outra (circo) e esta,

    por sua vez, encontra-se dentro de outra (filme). Arraes, entretanto, substitui a

    representao do circo popular por uma audiovisual (o filme A Paixo de Cristo

    dentro da microssrie e do filme Auto da Compadecida). Conclumos que Jonas

    agrega ao seu texto elementos tpicos das manifestaes artsticas populares,

    reescrevendo um universo e uma linguagem mais mtica e fincada no imaginrio

    sertanejo. Farias cria um filme mais comercial, mesclando elementos da pea ao

    contexto da indstria cultural, a partir da comicidade dos Trapalhes. Arraes

    transporta para suas tradues a tecnologia da linguagem cinematogrfica de seu

    tempo, reescrevendo o imaginrio sertanejo na perspectiva dos meios de

    comunicao de massa.

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    ABSTRACT

    The translation of any literary work into the audiovisual system requires a creative

    process. We took as an example, the play Auto da Compadecida by Suassuna that

    inspired three films - A Compadecida (Jonas, 1969), Os Trapalhes no Auto da

    Compadecida (Farias, 1987) and O Auto da Compadecida (Arraes, 2000) and a

    microseries - O Auto da Compadecida (Arraes, 1999). The play is remarkable for its

    technical structure characterized by a representation (auto a mixture of morality

    play and farce) within another (circus). This research aims at investigating how this

    technical structure was translated into the audiovisual system. Our analysis was

    based mainly on some translation researchers, on Suassunas literary critics and on

    film theorists. We observed that Jonas and Farias recreate a symbolic structure

    formed by a representation (auto) within another (circus) and the circus within

    another one (film). Arraes, however, replaces the popular circus representation by an

    audiovisual one (the film The Passion of Christ inside the microseries and the film O

    Auto da Compadecida). We conclude that Jonas adds typical elements of popular

    artistical manifestations, recreating a more mythical universe and language, based

    on the country mans imaginary in the northeast of Brazil. Farias creates a rather

    commercial film, mixing elements of the play with the cultural industry context, by

    casting TV comedians called the Trapalhes. Arraes brings to his translations the

    cinematic language technology of his time, rewriting the country mans imaginary

    from the mass media point of view.

  • 7

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1: Apresentao do espetculo pelo palhao ................................................71

    Figura 2: Bandeira do Circo da Ona Malhada .......................................................72

    Figura 3: Apresentaes artsticas populares ...........................................................75

    Figura 4: Atriz cavalgando no circo ...........................................................................77

    Figura 5: Malabaristas ...............................................................................................78

    Figura 6: Ataque dos cangaceiros .............................................................................78

    Figura 7: Apresentao do enredo do espetculo .....................................................79

    Figura 8: Palhao autor ..........................................................................................81

    Figura 9: Relao entre humano e divino .................................................................83

    Figura 10: Chic lamenta a morte de Joo Grilo .......................................................85

    Figura 11: Transio da histria da terra para o julgamento celeste .....................87

    Figura 12: Cenrio do julgamento .............................................................................89

    Figura 13: Relao entre os autos Bumba-meu-boi e A Compadecida ....................90

    Figura 14: Chegada do circo .....................................................................................94

    Figura 15: Mscaras dos palhaos de Jonas e Farias ..............................................96

    Figura 16: Divulgao do espetculo circense ..........................................................98

    Figura 17: Palhao encerra o espetculo ................................................................101

    Figura 18: Palhao cumprimenta o Bispo ................................................................102

    Figura 19: Cenografia do julgamento ......................................................................104

    Figura 20: Palhao anuncia o julgamento ...............................................................105

    Figura 21: Relao entre humano e divino ..............................................................108

    Figura 22: Manuel revela ser o Frade .....................................................................109

    Figura 23: Manuel homem e Deus .......................................................................110

    Figura 24: Divulgao do filme A Paixo de Cristo .................................................113

    Figura 25: Relao entre A Paixo de Cristo e O Auto da Compadecida ...............116

    Figura 26: O simbolismo da cruz nos crditos da microssrie ................................118

    Figura 27: Chic filosofa sobre a morte ...................................................................119

    Figura 28: Joo Grilo aclamado pela populao ..................................................122

    Figura 29: A Compadecida roga pelos pecadores ..................................................123

    Figura 30: Padre e Bispo reproduzem a orao de Cristo por seus carrascos .......124

    Figura 31: A Compadecida intercede por Joo Grilo ..............................................125

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    Figura 32: O mundanismo da igreja na microssrie ................................................128

    Figura 33: Vinhetas dos quatro episdios ......................................