Reorganização dos Sistemas de - .“Um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e

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  • Mdulo Poltico Gestor

    Reorganizao dos Sistemas de Sade: Promoo da Sade e Ateno Primria Sade

    Marcelo Marcos Piva Demarzo

  • MDULO POLTICO GESTOR REORGANIZAO DOS SISTEMAS DE SADE

    Presidenta da RepblicaDilma Vana Rousseff

    Vice-PresidenteMichel Miguel Elias Temer Lulia

    Ministro da EducaoFernando Haddad

    Ministro da SadeAlexandre Padilha

    Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao em Sade (SGTES)

    Secretrio: Milton Arruda

    Departamento de Gesto da Educao em Sade (DEGES)

    Diretor: Sigisfredo Lus Brenelli

    Secretaria de Estado da Sade de So Paulo (SES-SP)

    Secretrio: Giovanni Guido Cerri

    Conselho de Secretrios Municipais de Sade do Estado de So Paulo (COSEMS)

    Presidente: Maria do Carmo Cabral Carpintro

    Organizao Pan-Americana da Sade (OPAS)

    Diretora: Mirta Roses Periago

    Rede Universidade Aberta do Sus (UnA-SUS)

    Secretrio Executivo: Francisco Eduardo de CamposCoordenador: Vincius de Araujo Oliveira

    Sociedade Brasileira de Medicina da Famlia e Comunidade (SBMFC)

    Presidente: Gustavo Diniz Ferreira Gusso

    Fundao de Apoio Universidade Federal de So Paulo (FapUNIFESP)

    Diretor Presidente: Durval Rosa Borges

    Universidade Federal de So Paulo (UNIFESP)

    Reitor: Walter Manna AlbertoniVice-Reitor: Ricardo Luiz SmithPr-Reitora de Extenso: Eleonora Menicucci de Oliveira

    Coordenao Geral do Projeto UnA-SUS (UNIFESP)

    Eleonora Menicucci de OliveiraCoordenao Adjunta/Executiva

    Alberto CebukinCoordenao Pedaggica

    Las Helena Domingues RamosDaniel Almeida GonalvesRita Maria Lino Tarcia

    Coordenao de Educao a DistnciaMonica Parente RamosGisele Grinevicius Garbe

    Coordenao de TecnologiaDaniel Lico dos Anjos Afonso

    ProduoAdriana Mitsue MatsudaAntonio Aleixo da SilvaEduardo Eiji OnoFelipe Vieira PachecoReinaldo GimenezSilvana Solange Ferreira Xavier GimenezSilvia Carvalho de AlmeidaTiago Paes de LiraValria Gomes Bastos

    Edio, Distribuio e InformaesUniversidade Federal de So Paulo - Pr-Reitoria de Extenso

    Rua Pedro de Toledo, 650, 2 andar - Vila Clementino - CEP 04039-032 - SPhttp://www.unasus.unifesp.br

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    Somente ser permitida a reproduo parcial ou total desta publicao, desde que citada a fonte.

    UNA SUSSUSUniversidade Aberta do SUS

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  • MDULO POLTICO GESTOR REORGANIZAO DOS SISTEMAS DE SADE

    Sumrio

    Reorganizao dos Sistemas de Sade: Promoo da Sade e Ateno Primria Sade ..................................................................... 3Introduo .......................................................................................... 7

    O que Sade? .................................................................................... 8

    O que seria ento a Ateno Sade? ................................................ 10Ateno ou assistncia? .............................................................................. 10

    Aes da Ateno Sade .......................................................................... 10

    Programas de Ateno Sade .................................................................. 11

    Promoo da Sade ........................................................................... 12Promoo da Sade e Nveis de Preveno ................................................. 12

    O Movimento Moderno da Promoo da Sade ........................................ 13

    Promoo da Sade X Preveno de Doenas ............................................ 18

    Conceito de Preveno Quaternria ........................................................... 18

    Promoo da Sade no Brasil .................................................................... 19

    Ateno Primria Sade .................................................................. 20Antecedentes Histricos ............................................................................ 20

    Princpios Modernos da APS ..................................................................... 23

    Concluso ......................................................................................... 24

    Referncias ........................................................................................ 25

    SAUDEE S P E C I A L I Z A O E M

    da F A M I L I A

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  • REORGANIZAO DOS SISTEMAS DE SADE

    Especializao em Sade da Famlia 7

    Introduo

    Os sistemas de sade em todo o mundo esto em constante processo de construo e desenvolvimento, a fim de prover um melhor estado de sade para as suas populaes. Consequentemente, os sistemas no so estticos, pois devem acompanhar as necessidades e mudanas sociais e culturais que acompanham o desenvolvimento de qualquer sociedade. Entretanto, algumas questes so comuns a todos eles e perpassam o tempo:

    Como melhorar o acesso ao sistema para todas as pessoas da comunidade ou pas?

    Como prover aes e atividades de forma integral, equitativa, participativa, democrtica e contextualizada?

    Como trabalhar com recursos financeiros limitados e ainda prover um sistema de qualidade adequada?

    Mas, podemos nos perguntar: o que , afinal, um sistema de sade?

    Segundo a autora Silvia Takeda (2004, p. 78), um sistema de sade um conjunto articulado de recursos e conhecimentos, organizado para responder s necessidades de sade da populao de um local, municpio, estado ou pas. A mesma autora defende a ideia de que os sistemas devem ser conformados em redes interligadas, articuladas e integradas de equipamentos e aes, para gesto e resultados mais efetivos.

    Desde a metade do ltimo sculo, principalmente, alguns movimentos e iniciativas vm discutindo a (re)organizao dos sistemas de sade internacionalmente. Vamos destacar aqui dois que consideramos fundamentais, e que tm influncia direta no sistema de sade brasileiro: o movimento moderno da Promoo da Sade e a Ateno Primria Sade.

    Antes, porm, importante comearmos pela pactuao do que entendemos como sade e ateno sade, ou seja, o referencial terico e poltico com o qual estamos trabalhando.

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    O que Sade?

    Segundo o conceito de 1947 da Organizao Mundial da Sade (OMS), com ampla divulgao e conhecimento em nossa rea, a sade definida como:

    Um estado de completo bem-estar fsico, mental e social, e no apenas a ausncia de doena ou enfermidade.

    Essa definio vlida oficialmente at os dias de hoje, e tem recebido, desde sua formulao, crticas e reflexes de muitos profissionais, pesquisadores e outros protagonistas da rea da sade. Esses profissionais, de modo geral, classificam-na como utpica e no-operacional; caracterizando-a mais como uma declarao do que propriamente como uma definio (NARVAI, 2008).

    Dentre diversas outras abordagens possveis para se entender o conceito de sade, apresentaremos uma que nos parece mais til nossa discusso, e que tem sido defendida por alguns autores (NARVAI, 2008). Pode-se ento descrever a condio de sade, didaticamente, segundo a soma de trs planos: sub individual, individual e coletivo, apresentados a seguir.

    O plano sub individual seria o correspondente ao nvel biolgico e orgnico, fisiolgico ou fisiopatolgico. Nesse plano, o processo sade-adoecimento (PSa) seria definido pelo equilbrio dinmico entre a normalidade - anormalidade / funcionalidade - disfunes. Assim, quando a balana pender para o lado da anormalidade - disfuno podem ocorrer basicamente duas situaes: a enfermidade e a doena.

    Saiba MaiS...

    A enfermidade seria a condio percebida pela pessoa ou paciente, caracterizando-a como queda de nimo, algum sintoma fsico, ou mesmo como dor. A doena seria a condio detectada pelo profissional de sade, com quadro clnico definido e enquadrada como uma entidade ou classificao nosolgica (NARVAI, 2008).

    O plano individual entende que as disfunes e anormalidades ocorrem em indivduos que so seres biolgicos e sociais ao mesmo tempo. Portanto, as alteraes no PSa resultam no apenas de aspectos biolgicos, mas tambm das condies gerais da existncia dos indivduos, grupos e classes sociais, ou seja, teria dimenses individuais e coletivas. Segundo essa concepo,

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    Especializao em Sade da Famlia 9

    a condio de sade poderia variar entre um extremo de mais perfeito bem-estar at o extremo da morte, com uma srie de processos e eventos intermedirios entre os dois (NARVAI, 2008).

    O plano coletivo expande ainda mais o entendimento sobre o PSa, que encarado no como a simples soma das condies orgnicas e sociais de cada indivduo isoladamente, mas sim como a expresso de um processo social mais amplo, que resulta de uma complexa trama de fatores e relaes, representados por determinantes do fenmeno nos vrios nveis de anlise:

    Famlia, domiclio, micro rea, bairro, municpio, regio, pas, continente etc. (NARVAI, 2008). Nessa linha, fica mais fcil compreender a definio de Minayo (1994) (apud NARVAI, 2008) sobre sade: fenmeno clnico e sociolgico vivido culturalmente.

    Enxergando-se a condio de sade segundo esses trs planos, compreendemos melhor porque somente em situaes muito especficas a sade resulta apenas da disponibilidade e do acesso aos servios de sade. Assim, o direito sade deveria ser entendido de forma mais abrangente do que apenas o direito ao acesso aos servios de sade (NARVAI, 2008). Nossa prpria Constituio Federal de 1988, em sua seo da sade Art. 196 define-a nos seguintes termos (grifos do autor):

    A sade um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante polticas sociais e econmicas que visem reduo do risco de doenas e outros agravos e ao acesso universal e igualitrio s aes e servios para sua promoo, proteo e recupera