respira§£o e embocadura flauta transversal 511

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    Copyright 2000 by Svio Arajo. All rights reserved.

    Aspectos fsicos da emisso sonora.A embocadura e a respirao na qualidade do som.

    por Svio ArajoProfessor de Flauta DM/IA/UNICAMP

    CONSIDERAO TCNICA PARA EXECUO MUSICAL

    Para a realizao musical, como para todas as outras manifestaesartsticas, a abordagem de diversos elementos, simultaneamente, se faz necessria

    para que se possa atingir o ponto mximo de expresso dessa arte. Para o msico,no incomum o fato de ele ter que associar elementos do teatro, da dana, atmesmo imagens em sua performance, com o objetivo de ressaltar suas qualidades eprojetar sua arte.

    A execuo de um instrumento musical, seja ele de que famlia for, envolvediferentes abordagens tcnicas para se conseguir os resultados desejados. No casoda produo do som em especial, diferentes meios so usados, dependendo doinstrumento. Por exemplo, nos instrumentos de cordas, o executante faz uso de umarco; este, ao ser friccionado contra a corda do instrumento, coloca-a em vibrao.Este evento depende da relao entre a velocidade e a presso do arco sobre a

    corda. Com os instrumentos de sopro, a produo do som d-se a partir domomento em que uma coluna de ar, dentro de um tubo, colocada em movimentoatravs da emisso de ar por parte do executante.

    No caso dos instrumentistas de cordas, a habilidade a ser desenvolvida parase obter o controle do movimento do arco, est relacionada com a capacidade doinstrumentista de colocar em ao uma srie de elementos que combinam osmovimentos do brao (msculos posteriores), do antebrao, a rotao do cotovelo,movimentos do pulso, alm da correta utilizao dos dedos polegar, indicador emnimo. J para os instrumentistas de sopro, dentre as qualidades e habilidadestcnicas necessrias para uma correta produo do som, a mais importante, sem

    dvida, o controle da respirao. Este controle exerce uma importante ao nopadro de respirao desenvolvido pelo instrumentista. Este padro constitui-se deuma inspirao curta seguida de uma expirao prolongada, que no s dependente da presso e do fluxo de ar exigidos pelo instrumento, mas tambmdepende da necessidade de ventilao dos pulmes.

    Alm da habilidade de controlar voluntariamente a respirao dentro de umpadro definido, o instrumentista deve desenvolver uma significativa capacidadepulmonar. Esta grande capacidade pulmonar importante porque, se oinstrumentista consegue trabalhar suas necessidades respiratrias a partir da poromdia de sua capacidade pulmonar, prximo ao ponto de equilbrio entre as forasque comandam seu sistema respiratrio, este msico ter um desempenho tcnico-musical mais aprimorado, com menor esforo e com maior naturalidade na emisso

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    da coluna de ar, se comparado queles que no tem esta capacidade desenvolvida.Segundo D. W. Stauffer (1968), a ao muscular ocorre com maior intensidade naporo mdia de sua esfera de ao e no nos extremos da contrao ourelaxamento.

    este o elemento principal deste tema: o controle voluntrio sobre arespirao para a emisso da coluna de ar na produo do som.

    Antes de prosseguirmos com a apresentao do objeto de estudo desteprojeto, faz-se necessrio alguns esclarecimentos sobre o funcionamento doaparelho respiratrio. O estudo do professor Johan Sundberg, The Science of theSinging Voice ser a base de referncia para estes esclarecimentos.

    FUNCIONAMENTO DO APARELHO RESPIRATRIO

    Para podermos comear a pensar e considerar a maneira pela qual o sistemarespiratrio funciona, precisamos inicialmente considerar o que realmente presso.Por presso, segundo definio do termo, entendemos o ato de comprimir ouapertar; fisicamente, significa a atuao de uma fora constante sobre umadeterminada superfcie. Consideremos o caso de um balo de borracha. Se um gscomo o ar for comprimido dentro de um balo, a presso no interior desteaumentar. Esta presso exercer uma fora na superfcie do balo, fazendo-oexpandir. Ao darmos vazo ao ar atravs da abertura do balo, a presso internaexpelir o ar de seu interior; e este fluxo de ar ser to forte e duradouro enquanto a

    presso dentro do balo for elevada.

    Esta considerao nos mostra um caso onde a presso interna maior doque a presso atmosfrica. H casos onde essa presso pode ser menor do que apresso atmosfrica: se succionamos o ar de dentro de um recipiente de paredesrgidas, a presso dentro desde recipiente reduzida e uma presso negativa gerada; ao abrirmos o recipiente, o ar entrar dentro do mesmo a uma razo que proporcional esta presso negativa.

    Para se tocar um instrumento de sopro, ou mesmo no canto ou na fala, o quese requer do aparelho respiratrio que este gere uma certa presso no ar contidonos pulmes. Esta presso obtida atravs da contrao de alguns msculos ougrupo de msculos que expandem ou comprimem os pulmes.

    Os pulmes constituem-se de uma estruturaesponjosa e que est sempre em processo de encolhimentodentro da caixa torcica. Se retirssemos os pulmes docorpo e suspendessemos ao ar livre, eles iriam encolherdrasticamente. No entanto, dentro da caixa torcica, istono ocorre devido ao vcuo que os circunda. Quandocheios, os pulmes tentam expelir o ar com uma certa fora

    que determinada pelo volume de ar em seu interior. Istosignifica que os pulmes uma estrutura elstica

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    semelhante a um balo de borracha exercem uma fora expiratria inteiramentepassiva que aumenta de acordo com a quantidade de ar inspirada.

    Outro sistema elstico que tem importante participao na gerao da

    presso do ar a caixa torcica, com dois importantes grupos musculares quecomprimem e expandem os pulmes: os dois msculos que unem as costelas,chamados msculos intercostais, e os msculos da parede abdominale o diafragma.

    Os msculos intercostais so de dois tipos:os intercostais inspiratrios e os intercostaisexpiratrios. Atravs da contrao dos msculosintercostais inspiratrios, o volume da caixatorcica aumentado; estes so os msculosusados numa respirao normal. Quando estaatividade dos intercostais inspiratrios cessa, a

    caixa torcica tende a retornar a seu estado inicial(de volume no expandido), gerando uma foraexpiratria passiva, no muscular. Por outro lado,os msculos intercostais expiratrios tem porfuno a diminuio do volume da caixa torcica;

    se os usarmos para a expirao, produzimos uma fora inspiratria passiva.

    Um msculo muito importante na respirao o diafragma quando relaxado, tem um formatoparecido com o de uma tigela invertida, com suasbordas inseridas na parte de baixo da caixa

    torcica. Quando o diafragma contrai, sua forma,ento, passa a ser plana, como a de um prato.Desta maneira, a base da caixa torcica rebaixada, fazendo com que seu volume aumente e,consequentemente, permita a expanso do volumedos pulmes. Esta ao do diafragma faz com que a presso nos pulmes decaia,permitindo assim que um fluxo de ar penetre nos pulmes, desde que as vias areasestejam livres. Como todo este evento acontece devido contrao do diafragma,conclui-se que o diafragma um msculo especfico da inspirao.

    Atravs de sua contrao, o diafragma pressiona ocontedo abdominal para baixo, o que, por sua vez,empurra a parede abdominal para fora. No entanto, odiafragma s poder voltar a sua posio original (relaxado)atravs da ao dos msculos da parede abdominal. Coma contrao destes msculos, o contedo abdominal empurrado de volta, para dentro da caixa torcica,movendo desta forma o diafragma para cima, o que acabapor provocar a diminuio do volume dos pulmes.Portanto, podemos concluir que os msculos abdominaisso msculos expiratrios.

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    Os msculos abdominais e o diafragma constituem um conjunto de msculosatravs dos quais podemos inspirar e expirar. O outro grupo de msculos, osintercostais, podem auxiliar ou at mesmo substituir o diafragma e o abdmen emsuas tarefas respiratrias.

    Podemos concluir ento que temos um conjunto de msculos expiratriosassim como foras elsticas passivas que afetam o volume pulmonar e,consequentemente, a presso do ar em seu interior. Como vimos, o diafragma e osmsculos da parede abdominal desempenham um papel de extrema importncia noato respiratrio, mas a fora passiva de retrao dos pulmes e da caixa torcica(recoil forces) so tambm relevantes. No entanto, a magnitude desta fora deretrao depende da quantidade de ar contida nos pulmes, ou do volume pulmonar(LC).

    A atividade muscular exigida para se manter uma presso de ar constante

    depende da capacidade pulmonar. Isto ocorre porque as foras elsticasdesenvolvidas pelos pulmes e pela caixa torcica elevam ou diminuem a pressodentro dos pulmes, dependendo se o volume pulmonar for maior ou menor do queo Resduo da Capacidade Funcional (FRC). Este Resduo da Capacidade Funcional um valor da capacidade pulmonar para o mecanismo respiratrio, onde as foraselsticas inspiratrias e expiratrias so iguais.

    Quando os pulmes esto cheios, comuma grande quantidade de ar, a fora expiratriapassiva grande; portanto, uma pressoelevada gerada. Entretanto, se esta presso

    do ar for demasiadamente alta para a emissoda coluna de ar desejada, esta pode serreduzida atravs de uma contrao dosmsculos inspiratrios. A necessidade destainterveno por parte dos msculos inspiratriosdiminui a medida que diminui o volume de arnos pulmes, sendo ento extinta por completonum ponto onde o volume de ar est poucoacima do Resduo da CapacidadeFuncional (FRC),