resquícios da antiga narrativa em vila dos confins de mário palmério

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JOS GERALDO DA SILVA

RESQUCIOS DA ANTIGA NARRATIVA EM VILA DOS CONFINS DE

MRIO PALMRIO

Porto Velho

2015

FUNDAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDNIA UNIR

JOS GERALDO DA SILVA

RESQUCIOS DA ANTIGA NARRATIVA EM VILA DOS CONFINS DE

MRIO PALMRIO

Dissertao apresentada ao Programa de Ps-graduao,

do Departamento de Lnguas Vernculas, Mestrado

Acadmico em Estudos Literrios, da Fundao

Universidade Federal de Rondnia Unir , como

requisito parcial para a obteno do grau de Mestre em

Estudos Literrios.

Linha de Pesquisa: Literatura, outros Saberes e outras

Artes.

Orientadora:

Profa. Dra. Heloisa Helena Siqueira Correia

Porto Velho

2015

FICHA CATALOGRFICA

Bibliotecria Miri S. Veiga CRB N.11/898

Si381r Silva, Jos Geraldo da.

Resqucios da antiga narrativa em Vila dos Confins de Mrio

Palmrio / Jos Geraldo da Silva. - - Porto Velho: UNIR/ MEL, 2015.

104f.

Orientadora: Profa. Dra. Heloisa Helena S. Correia.

Dissertao (Mestrado) Universidade Federal de Rondnia (UNIR),

Mestrado Acadmico em Estudos Literrios (MEL).

Bibliografia: p.101-104.

1. Narrativa antiga. 2. Imaginrio popular. 3. Tradio. 4. Memria

I. Heloisa Helena Siqueira Correia. II Ttulo.

CDD 801.95 869

Francisco de Assis, Bernarda Btler, Ruth,

Mria e Geraldo Murilo, marcos histricos

importantssimos na minha histria.

AGRADECIMENTOS

Ao Divino Pai Eterno, Trindade Santa da F e do Amor: pela Graa Divina!

Aos meus pais, Geraldo (in memorian) e Zelma: pelo exemplo de vida!

minha esposa Ruth, minha filha Mria e meu filho Geraldo Murilo.

Aos meus irmos e irms.

Aos cunhados e cunhadas.

Aos meus sobrinhos, sobrinhas e demais familiares: somos todos uma grande famlia, mesmo

em terras longnquas.

minha orientadora e professora do mestrado, Profa. Dra. Helosa Helena Siqueira Correia, a

gratido: pela orientao, pelas palavras, pela firmeza, pelos questionamentos e,

principalmente, por transmitir segurana.

Aos grandes professores e doutores do mestrado, Miguel Nenev, Osvaldo Copertino, o

incansvel Hlio Rocha, questionadora Vany Sampaio.

Aos colegas do mestrado, Renato, Julie, Odete, Suzi, Elizabeth, Joo Paulo, Zeno, Claudete,

Naiara, Carlos Pereira...

Aos colegas de trabalho do Instituto Federal de Rondnia.

Um agradecimento especial banca, pelas observaes e pelos desafios lanados: Prof. Dr.

Paulo Petronilio Correia, Prof. Dr. Hlio Rodrigues da Rocha e Prof. Dr. Miguel Nenev.

A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contriburam para que eu pudesse realizar este

percurso.

Dia comprido, o dia de quem madruga. Eito rendoso de

servio para o povo da roa, acostumado a acordar com

as galinhas. Depois, vinha o hbito - todo o mundo fora

de casa ainda com o escurinho da madrugada, a zanzar

pelas ruas do povoado, a esperar que as vendas se

abrissem: as mesmas rodinhas ao quenta-sol, a prosinha

preguiosa ao cigarrar cheiroso do fumo capoeira. Diz-

que-diz-que,futricas, novidades... (PALMRIO, 1997, p.

270).

RESUMO

Walter Benjamin (1987), ao iniciar seu estudo acerca do narrador, indica que por mais

familiar que este termo seja, ele no est presente na atualidade, pois, a figura do narrador a

de algum que se afastou e a cada dia se afasta mais da atualidade. Com esse distanciamento a

arte de narrar e a narrativa em geral perdeu seu poder de passar uma experincia e um saber

coletivo. Sucedendo ao distanciamento do narrador se impe o romance moderno, que ao

contrrio da antiga narrativa individualista e prescinde da experincia e da sabedoria. No

intento de demonstrar que em Vila dos Confins do escritor Mrio Palmrio, h resqucios da

antiga narrativa e que esses, encontram-se espalhados no romance, que este trabalho se fez.

Assim, em Vila dos Confins encontram-se referncias a lendas, provrbios, ditos, casos e

histrias da tradio popular. Seguindo a metodologia terico-crtica-analtica, prioriza-se a

pesquisa bibliogrfica no intuito de explicar o problema a partir de referncias publicadas e

analisar as contribuies sobre a temtica abordada. No referencial terico-crtico da pesquisa,

considera-se a abordagem proposta por Antonio Candido (2006); Walter Benjamin (1997),

Barthes (1979), Afrnio Coutinho (1997); Paul Ricouer (1994); Cmara Cascudo (2006),

dentre outros. Como resultado, espera-se apontar as contribuies e a atualidade do escritor

Mrio Palmrio e sua obra Vila dos Confins para a compreenso de que resqucios da antiga

narrativa se fazem presente nos dias atuais na arte de contar histrias.

Palavras-chave: narrativa antiga; imaginrio popular; tradio; memria.

ABSTRACT

Walter Benjamin (1987), to start his study of narrator indicates that as familiar as this term is,

it is not present today, is someone who moved away and every day moves further today. With

this distance the art of narration and the overall narrative has lost its power to spend an

experience and a collective knowledge. Succeeding the narrator's distance imposes the

modern novel, which unlike the old narrative is individualistic and it lacks the experience and

wisdom. In an attempt to demonstrate that in Vila dos Confins writers Mario Palmrio, there

are remnants of the ancient narrative and such, are spread on the novel, is that this work was

done. So in Vila dos Confins there are references to legends, proverbs, sayings, cases and

stories of popular tradition. Following the footsteps of theoretical and critical-analytical

research, we are going to literature in order to explain the problem from published references

to analyze the contributions on the theme. In theoretical and critical framework of research, it

is considered the approach proposed by Antonio Candido (2006); Walter Benjamin (1997),

Barthes (1979), Afrnio Coutinho (1997); Ricouer Paul (1994); Cascudo (2006), among

others. As a result, it is expected to point out the contributions and the present writer Mario

Palmrio and his work Vila dos Confins to the realization that remnants of the old narrative

make this and storytellers to do this today, keeping the art to tell stories alive and active.

Keywords: ancient narrative; popular imagination; tradition; memory.

SUMRIO

1 VOU LHES CONTAR UM CASO... ................................................................................ 11

CAPTULO 1 AS CERCANIAS DO SERTO EM VILA DOS CONFINS: NARRATIVA E

SOCIEDADE ........................................................................................................................... 17

1.1 Vila dos Confins: situando a obra ....................................................................................... 17

1.2 Narrativa antiga (concepo) .............................................................................................. 23

1.3 O Regionalismo em Vila dos Confins: Literatura e Sociedade .......................................... 25

1.4 O jeito de narrar em Mrio Palmrio: Narrativa e Oralidade ............................................. 32

CAPTULO 2 O SERTO DOS CONFINS, UM RETRATO DO BRASIL: NARRATIVA

E POLTICA ............................................................................................................................ 39

2.1 A herana patrimonialista: a poltica e o poltico em Vila dos Confins ............................. 43

2.2 A metfora: Vila e Confins ................................................................................................. 46

2.2.1 O processo de construo e desconstruo histrica da viso do caboclo ...................... 48

2.3 Quem manda no serto ....................................................................................................... 52

CAPTULO 3 A NARRATIVA EM VILA DOS CONFINS: O SERTO GANHA ARES . 57

3.1 Serto bruto mesmo, um ermo! .......................................................................................... 61

3.2 Narrativas que ensinam: personagens humanas e animais ................................................. 63

3.3 Outros animais do serto: um dilogo de Palmrio com Guimares Rosa ........................ 70

3.3.1 Animais e saber aplicado vida ...................................................................................... 70

3.4 A experincia e a sabedoria: resqucios .............................................................................. 81

4 UMA BELEZA, O SERTO DOS CONFINS... .............................................................. 97

5 REFERNCIAS .................................................................................................................. 101

11

1 VOU LHES CONTAR UM CASO...

O Serto dos Confins um mundo de cho arenoso e branco, que principia na

Serra dos Ferreiro