Retiro Diocesanas

  • View
    226

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

espiritualidad

Text of Retiro Diocesanas

26 de Abril de 20141 Dia: Introduo 1. A vida espiritual como um processo: as etapas da vida espiritual; o homem interior como ser caminho. A vida espiritual como movimento do corao: sstole e distole; interior e exterior; inspirar e expirar; entrar e sair; xtase e nstase; palavra e silncio, converso e testemunho. So os ritmos da natureza: vivemos neles (noite e dia, calor e frio, hmido e seco, vida e morte...); no podemos escolher viver doutra maneira. A orao realiza-se naturalmente, como o movimento da vida... a tentao mais forte das nossas vidas permanecer fora, no barulho, na palavra. preciso parar, entrar dentro, fazer silncio, entrar no deserto, na solido... Os SS Padres ensinavam a orar com o corao e com a respirao: a cada bater, a cada inspirar, podemos tomar conscincia da presena de Deus nas nossas vidas. O processo: acolher a Boa Nova da libertao (escutar, abrir o corao, reconhecer a Palavra como a Palavra que d sentido minha vida); converter-se (Metanoia, mudar a mente e o corao, deixar que o dom da Salvao se apodere de ns e nos transforme); testemunhar (anunciar a salvao recebida, com o exemplo da prpria vida e com a palavra). Este movimento: acolhimento, converso e testemunho, repete-se constantemente porque a obra do Esprito em ns. A vida espiritual est caracterizada por duas foras: um movimento da vida toda que procura uma transformao fundamental, que pretende conduzir-nos a uma opo fundamental (primeiro a opo de vida crist como vocao e depois a consagrao especfica); e um movimento constante, no quotidiano, que pretende fazer-nos viver a salvao a cada momento da nossa vida, e o Esprito que caminha conosco.

2. A vida espiritual como tarefa pedaggica e mistaggica: como aprendizagem e como iniciao. H sempre uma converso primeira, a que fizemos quando conhecemos por vez primeira o caminho de Jesus; mas esta converso continua, cada vez mais profunda na medida em que vamos compreendendo mais e aprofundando mais na nossa F; quanto mais compreendemos, maior a exigncia da nossa converso... Por isso o Esprito para ns um mestre, um pedagogo, aquele que nos introduz nos seus mistrios.

3. Este caminho e esta tarefa perseguem um mesmo objectivo: conduzir-nos at a opo fundamental das nossas vidas. Sem vida interior no possvel penetrar em ns, e por tanto tambm no possvel a opo fundamental. A opo fundamental[footnoteRef:1] caracteriza-se por trs aspectos: livre e consciente (no influenciada), compromete totalmente a nossa existncia (tudo o que nos constitui como pessoas fica implicado), identifica uma etapa decisiva da nossa vida (marca um antes e um depois da nossa vida; a vida toda fica referida a essa opo tomada). A vida crist uma opo fundamental das nossas vidas, exige de ns plena liberdade, integra todas as dimenses da nossa vida e transforma radicalmente o nosso viver e agir. [1: Optar significa decidir-se, comprometer-se, por algo que nos oferecido. A opo fundamental deciso livre e generosa para acolher um dom, o dom de Deus. A opo no depende puramente da nossa escolha, no uma obra nossa, depende da generosidade da resposta ao dom acolhido. A vida crist, a vocao, so dons de Deus que nos so oferecidos; optar pela vida crist e pela vocao significa chegar a perceber que estas so o sentido mais profundo da nossa vida, que nos oferecido gratuitamente e que ns podemos acolher pobremente; de ns apenas depende o acolhimento e a generosidade para responder; o dom acolhido no fruto do nosso esforo, no obra nossa, por isso, como dom de Deus, ele prprio se realizar, porque no depende de ns, depende de Deus; Deus quem faz a sua obra em ns. ]

4. Alguns aspectos pedaggicos do retiro: O silncio: esvaziado totalmente para que Deus possa encher de si o teu copo; silncio tomar conscincia da prpria pobreza: ficar nu, espiritual, pobre, diante de Deus; permanecer aberto para receber o dom; orar no consiste em pensar, em reflectir, mas em esvaziar o copo... O mais importante duma casa o seu vazio (Tao). Fazer-se pobre, esvaziar-se, ser uma conscincia pobre e aberta, eis o segredo da orao, para que a orao se faa em ns e seja verdadeira orao do Espirito. O que impede a orao a dificuldade para ficar pobres, humildes, diante de Deus; somos orgulhosos e auto-suficientes, e assim no abrimos a nossa vida ao amor. Com as janelas fechadas da nossa casa, o sol no entra. As preocupaes impedem-nos ficar pobres, nus; orar implica abandonar todo esforo pessoal, renunciar a pensar, a reflectir... Eis o verdadeiro silncio. A solido: entra totalmente, permanece sozinho, sai diferente. Este tambm movimento da nossa natureza; comunidade e pessoa vivem em tenso; permanecer sempre na comunidade, nos outros, sem solido, impede o encontro mais profundo consigo mesmo. A experincia espiritual uma das experincias mais marcantes da nossa vida: mas s acontece quando somos capazes de viver sozinhos: como o nosso nascimento ou a nossa morte, acontecem quando estamos sozinhos; para morrer e nascer espiritualmente tambm devemos ficar sozinhos.

A permanncia: permanece no teu inferno e no desesperes. Permanecer significa enfrentar o absurdo e o sem sentido; estar, permanecer, mesmo sem sentir, nem ver, nem saber nada. So Joo da Cruz dizia: entrei-me onde no soube, fiquei-me no sabendo, toda a cincia transcendendo; um dos segredos da vida espiritual apreende-se na contemplao da natureza: meditar como uma montanha (permanecer sentado como uma montanha, enraizar, descender dentro de si mesmo e ficar assim, para ser como a pedra sobre a qual Jesus possa edificar a sua Igreja), meditar como uma rvore (permanecer orientado para a luz, para o sol, flexvel aos ventos e humilde), meditar como o mar (na respirao constante das suas ondas, em movimento exterior, mas na calma interior); meditar como um pssaro (em constante murmrio do nome de Jesus)[footnoteRef:2]. [2: Cfr J.Y.Leloup, La montaa en el ocano, 31ss]

A humildade: diante de Deus, nada temos, nada somos, nada podemos, nada merecemos... Na nossa histria em Deus, Ele o importante. Ficamos sem perceber Deus quando achamos que somos autosuficientes. Tambm So Joo da Cruz dir: quanto mais ter quis, tanto menos achei; quanto mais procurei, tanto menos achei; quando j mais nada quis, achei-o tudo sem querer; quando menos eu quis, tudo achei sem querer.... Humildade significa ser terra: dispor-se a receber tudo de fora, a chuva, o sol, a semente, a enxada, os ps, o vento...

27 de Abril de 20142 Dia: A primeira liberdade: decidir-se a caminhar. A primeira liberdade: pr-se caminho: a quem iremos? S Tu tens palavras de vida Eterna. Descobrir a necessidade de orientar a vida, de tomar decises e comear um caminho de realizao. Desde as perguntas mais profundas do nosso interior: que devo fazer com a minha vida? Para que vivo? Para onde vou? Qual o sentido da minha existncia?... Pr-se a caminho significa decidir-se por um projecto de realizao: que ou quem pode conduzir-me a esta realizao? A tarefa fundamental da vida comea pelo discernimento dos caminhos; quais so os caminhos que eu j conheo? Qual a experincia que tenho deles?[footnoteRef:3] Quais so os caminhos da minha vida que me podem conduzir plenitude? Porqu?... Vejamos o esquema dos dois caminhos na luz do Deut 30,11ss [3: O mesmo Jesus orienta-nos neste discernimento; samaritana ele diz: aquele que bebe desta gua ter sede novamente, mas quem beber da gua que eu lhe darei nunca mais ter sede (Jo 4,13-14)]

Uma olhada de amor e misericrdia sobre a minha vida: como estou? Como me sinto? Qual a minha situao pessoal, social, espiritual? Aceitar humildemente a minha realidade debilitada, pobre, pecadora, mas tambm abenoada por Deus, marcada com uma promessa de felicidade e um desejo de vida e de plenitude. No julgar nem condenar nada de mim. Sentir o abrao de Deus. Tudo o que sou e vivo amado por Deus, amor incondicional. Escutar a voz profunda do meu interior, a voz do amor: (texto: Nouwen, Tu es o meu amado): Tu e eu no temos porqu destruir-nos a ns mesmos. Somos amados. Fomos amados intimamente muito antes de que os nossos pais, professores, esposos, filhos e amigos nos amaram ou nos feriram. Esta a autntica verdade das nossas vidas. a verdade que eu quero que procures para ti. a verdade dita pela voz que proclama: Tu es meu amado. Escutando a voz com a maior ateno interior oio no mais ntimo de mim mesmo palavras que dizem: desde o comeo chamei-te pelo teu nome. Es meu e eu sou teu. Es o meu amado, em ti me comprazo (Mc 1, 11). Formei-te nas entranhas da terra, entreteci-te no ventre da tua me. Levei-te nas palmas das minhas mos, amparai-te na sombra do meu abrao. Olhei-te com infinita ternura e cuidei-te mais intimamente que uma me faz com o seu filho. Contei todos os cabelos da tua cabea e guiei todos os teus passos. Onde quiser que fores, eu estou contigo, vigio sempre o teu descanso. Dar-te-ei um alimento que saciar totalmente tua fome, e uma bebida que apagar a tua sede. Nunca vou te ocultar meu rosto. Conheces-me como propriedade tua, conheo-te como propriedade minha. Pertences-me. Sou teu pai, tua me, teu irmo, tua irm, teu amante e teu esposo. At, teu filho. Serei tudo aquilo que tu sejas. Nada nos separar. Somos um... Sempre que ouvires dentro de ti com grande ateno a voz que te chama amado, descobrirs o desejo de escuta-la intensamente e para sempre. como achar um poo num deserto, quando descobres a humidade da terra seguirs cavando mais profundamente Podemos passar o nosso retiro s com estas palavras: experimentando esse Deus-Amor que nos fala assim, a cada um, porque somos seus filhos muito amados: descobrir esta verdade profunda conduzir-nos- ao compromisso mais profundo e radical da nossa vida. Mas no suficiente com saber esta verdade, preciso experimenta-la. A vida interior no se explica com teorias, questo de experincia. Sem experincia no h nada... Vejamos os smbolos do caminho espiritual que nos revela a Palavra de Deus: (textos bblicos...) O mar: