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Nº 3 | Março | 2012 DIREITO À PARENTALIDADE | DIREITO AO TRATAMENTO | DIREITOS SEM PRECONCEITOS e os Direitos Humanos VIH/SIDA em Portugal A face do estigma Os princípios de Denver Recomendações e direitos

Revista ABRAÇO| Nº 3 | Março 2012

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Artigos neste número: A face do estigma em Portugal, VIH/SIDA e os Direitos Humanos, Os Princípos de Denver, Direiro à Parentalidade, Direito ao Tratamento, Direitos sem Preconceitos.

Text of Revista ABRAÇO| Nº 3 | Março 2012

  • N 3 | M

    aro | 20

    12

    DIREITO PARENTALIDADE | DIREITO AO TRATAMENTO | DIREITOS SEM PRECONCEITOS

    e os Direitos HumanosVIH/SIDA

    em PortugalA face do estigma

    Os princpios de Denver Recomendaes e direitos

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    Edio e PropriedadeABRAOSede: Largo Jos LuisChampalimaud, 4-A1600-110 LISBOAPORTUGAL

    Conselho EditorialDaniel SampaioFrancisco Teixeira da MotaKamal Mansinho

    Nuno ViegasSlvia OuakininSusana MacedoWilton Fonseca

    DiretorAgncia Abrao([email protected])

    Editora-executivaEthel Feldman

    Colaboradores textoAntnio GuaritaCatarina SousaGonalo LoboLeonor ChavesLuis SPedro Silvrio Marques

    Design Grfico e PaginaoPeppermint CommunicationPublicidade, design e eventos, Lda.

    ([email protected])([email protected])

    TraduoAntnio Guarita

    ProduoAgncia Abrao

    DistribuioJornal Pblico;Agncia Abrao

    Depsito Legal104216/96

    ImpressoMirandelaArtes Grficas, SA

    Tiragem65.000 exemplares

    EDITORIAL

    4 a 7O que que a SIDA tem a ver com os direitos humanos

    8 a 13Algo vai mal no reino da Dinamarca

    14 a 17Direito ao tratamento

    18 a 21Direito de sermos pais

    22 a 25A face do estigma

    26 a 29Direitos sem preconceitos

    NDICE

    FICHA TCNICA

    Apoio: Gilead Sciences, Lda. | Jornal Pblico | Bristol Meyers-Squibb

    30 a 33Princpios de Denver

    Desde o incio da epidemia de SIDA, o estigma e a discriminao fomentaram a transmisso do VIH e aumentaram o impacto negativo associado epidemia.

    Em todos os pases e regies do mundo, o estigma e a discriminao associados ao VIH criam barreiras importantes preveno de novas infeces, atenuao do impacto e ao fornecimento de cuidados adequados, apoio e tratamento.

    Em todos os pases existem casos bem documentados de pessoas vivendo com o VIH a quem foi recusado o direito a, entre outros, cuidados de sade, trabalho, educao e liberdade de movimentos.

    Portugal no excepo. Ao longo de 20 anos, o Gabinete Jurdico da Abrao, vem fazendo o acompanhamento e acon-selhamento da pessoa discriminada ou lesada pela sua condio de portador de VIH/Sida. O estigma e a discriminao so ainda factores de presso impeditivos da denncia destas situaes.

    Em 1994, a ABRAO declarava: (...) a histria das prticas sociais diz-nos que a resoluo dos problemas e das dificul-dades das pessoas com VIH/SIDA no passa apenas pela existncia de Direitos que lhes so consagrados, mas essencial-mente pela garantia de que esses Direitos lhes so reconhecidos.

    Continua a ser assim.

  • O que queos direitos

    humanostm a ver como VIH e a SIDA?Os direitos humanos esto intimamente ligados propagao e ao impacto do VIH em indivduos e comunidades de todo o mun-do. A falta de respeito pelos direitos humanos alimenta a propa-gao e agrava o impacto da doena, enquanto, em simultneo, o VIH prejudica o progresso na observncia dos direitos humanos.

    Fonte: ONUSIDATraduo e adaptao: Antnio Guarita

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    A aparente ligao na incidncia desproporcionada e a pro-pagao da doena no seio de certos grupos que, depen-dendo da natureza da epidemia e das condies prevalen-tes em termos sociais, legais e econmicas, inclui mulheres e crianas e, em particular, os que vivem na pobreza. Tam-bm evidente o fardo enorme da epidemia de hoje em dia no que representa em termos de custos pelos pases em desenvolvimento. A SIDA e a pobreza j esto a reforar as foras negativas em muitos pases em desenvolvimento.

    A RELAO ENTRE O VIH/SIDA E OS DIREITOS HUMANOS CENTRA-SE EM TRS REAS:

    Vulnerabilidade aumentada: Certos grupos so mais vulnerveis em contrarem o vrus do VIH, porque no tm conhecimento dos seus direitos civis, polticos, eco-nmicos, sociais e culturais. Por exemplo, os indivduos a quem recusado o direito liberdade de associao e de acesso informao podem ser proibidos de discu-tirem questes relacionadas com o VIH, de participarem em organizaes que prestam servios na rea da SIDA e em grupos de autoajuda, e ainda de tomarem outras medidas preventivas para se protegerem a si mesmos da infeo do VIH. As mulheres, e em particular as jovens, so mais vulnerveis infeo se no tiverem acesso in-formao, educao e aos servios necessrios para ga-rantir a sade sexual e reprodutiva e a preveno da infeo. O estatuto desigual das mulheres na comunidade significa tambm que a sua capacidade de negociar no contexto da atividade sexual seriamente prejudicada. As pessoas que vivem na pobreza no tm muitas vezes o acesso aos cui-dados e ao tratamento do VIH, incluindo os antirretrovi-rais e outros medicamentos para as infees oportunistas.

    Discriminao e estigma: Os direitos das pessoas sero-positivas por VIH so frequentemente violados, devido ao seu presumvel ou conhecido estatuto de seropositivida-de, causando-lhes sofrimento, tanto pelo fardo da doena como pela consequente perda de outros direitos. A estig-matizao e a discriminao podem ser um obstculo ao acesso ao tratamento e pode afetar o seu direito ao em-prego, a alojamento, bem como outros direitos. Isto, por sua vez, contribui para a vulnerabilidade de outros infe-o, uma vez que o estigma e a discriminao relacionados com o VIH desmotiva os indivduos infetados e afetados pelo VIH a contactarem os servios de sade e sociais. O resultado que os que necessitam mais de informao,

    de educao e de aconselhamento no vo sequer be-neficiar dos locais onde esses servios esto disponveis.

    Impedimento a uma resposta eficaz: As estratgias que lidam com a epidemia esto ocultas num ambiente em que os direitos humanos no so respeitados. Por exem-plo, a discriminao e a estigmatizao dos grupos vul-nerveis, tais como os utilizadores de drogas injetveis, os trabalhadores do sexo e os homens que tm sexo com homens levam estas comunidades clandestinida-de. Isto inibe a capacidade de chegar a estas populaes com esforos de preveno e, assim, aumenta a sua vul-nerabilidade ao VIH. De igual modo, a falha de facultar o acesso educao e informao sobre o VIH, ou ain-da os servios de tratamento, cuidados e apoio alimen-ta ainda mais a epidemia da SIDA. Estes elementos so componentes essenciais de uma resposta eficaz SIDA, o que fica oculto se estes direitos no so respeitados.

    O QUE UMA ABORDAGEM DE DIREITOS HUMA-NOS NUM CONTEXTO DE VIH E SIDA?

    Nos locais onde os indivduos e comunidades conseguem ver os seus direitos respeitados - na educao, na asso-ciao livre, na informao e, acima de tudo, a no dis-criminao os impactos pessoais e societais do VIH e da SIDA so reduzidos. Nos locais onde existe um ambiente aberto e de apoio aos que esto infetados por VIH; nos lo-cais onde so protegidos da discriminao, tratados com dignidade e lhes facultado o acesso ao tratamento, aos cuidados e ao apoio; e nos locais onde a SIDA no es-tigmatizada, mais provvel que as pessoas procurem os testes de rastreio de forma a conhecerem o seu estatuto (de seropositividade ou no). Por seu turno, aquelas pes-soas que so seropositivas para o VIH podem lidar mais eficazmente com o seu estado, procurando e receben-do tratamento e apoio psicossocial, e tomando medidas para prevenir a transmisso a outros, reduzindo, assim, o impacto do VIH sobre eles prprios e sobre os outros.

    A proteo e a promoo dos direitos humanos so, por-tanto, essenciais na preveno da propagao do VIH e na mitigao do impacto social e econmico da pandemia. As razes disto so trs. Primeiro, a promoo e a proteo dos direitos humanos reduz a vulnerabilidade infeo do VIH ao lidar-se com as suas causas subjacentes. O impacto adverso sobre o que esto infetados e afetados pelo VIH

    DIREITOS HUMANOS

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    menor. Em terceiro lugar, os indivduos e as comunida-des tm uma maior capacidade de resposta pandemia. Uma resposta internacional eficaz pandemia deve, as-sim, ter como base o respeito por todos os direitos civis, culturais, econmicos, polticos, econmicos e sociais, e os direitos ao desenvolvimento, em linha com os padres internacionais dos direitos humanos, normas e princpios.

    As obrigaes dos estados, de promover e proteger os di-reitos humanos relacionados com o VIH, esto definidas nos tratados internacionais existentes. Os direitos huma-nos relacionados com o VIH e a SIDA, incluindo o direito vida, o direito liberdade e segurana da pessoa, o di-reito ao padro alcanvel mais elevado da sade mental e fsica, o direito no discriminao, proteo equitati-va e igualdade perante a lei, o direito liberdade de mo-vimentos, o direito de procurar asilo e de o desfrutar, o direito privacidade, o direito liberdade de expresso e opinio e o direito a divulgar e a receber informao, o direito de liberdade de associao, o direito ao casamen-to e constituio de famlia, o direito ao trabalho, o direito de igualdade de acesso educao, o direito a um padro de vida adequado, o direito segurana social, assistn-cia e ao bem-estar; o direito partilha dos avanos cient-ficos e dos seus benefcios, o direito de participar na vida pblica e cultural, e o direito a viver sem tortura e outro tratamento ou punio cruel, desumana ou degradante.

    Os instrumentos e mecanismos dos direitos humanos das Naes Unidas facultam o quadro legal normativo, bem como as ferramentas necessrias para garantir a implemen-tao dos direitos relacionados com o VIH. Atravs da sua considerao dos relatrios, observaes conclusivas e re-comendaes, e ainda comentrios gerais dos Estados, os organismos de monitorizao dos tratados da ONU facul-tam orientao e assistncia aos Estados na implementao dos direitos relacionados com o VIH. Os Procedimentos Especiais do Conselho dos Direitos Humanos, incluindo os representantes especiais, os relatores temticos e na-cionais e os grupos de trabalho esto tambm em posio de monitorizar o respeito pelos direitos relacionados com o VIH. O Conselho dos Direitos Humanos pede tambm ao Secretrio-geral que solicite comentrios por parte dos Governos, dos organismos das Naes Unidas, programas e agncias especializadas e internacionais, e ONGs sobre as medidas que tomaram para promover e implementar, onde tal for possvel, programas que lidem urgentemente com os direitos humanos relacionados com o VIH das mu-lheres, das crianas e dos grupos vulnerveis, no contexto da preveno, dos cuidados e do acesso ao tratamento.

    DIREITOS HUMANOS

  • VIH e Discriminao em Portugal - Enquadramento legal

    Por: Pedro Silvrio Marques Centro Anti-Discriminao(http://www.seeufosseseropositivo.com)

    Dinamarca...Algo vai malno reino da

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    DIREITOS HUMANOS

    S com a aprovao da Lei 46/20061 comearam, en-tre ns, a ser consideradas como prticas discrimi-natrias contra pessoas com deficincia as aces ou omisses, dolosas ou negligentes, que, em razo da de-ficincia, violem o princpio constitucional da igualdade.

    Embora o articulado desta Lei refira sempre apenas pessoas com deficincia, de acordo com o nmero 2 do seu artigo 1., tudo o que nela est disposto aplica-se tambm a pessoas com risco agravado de sade2.

    Essas prticas esto tipificadas, para alm das espe-cficas relativas ao trabalho e emprego, como segue:

    a)A recusa de fornecimento ou o impedimento de fruio de bens ou servios; b)O impedimento ou a limitao ao acesso e exerccio normal de uma actividade econmica; c)A recusa ou o condicionamento de venda, arren-damento ou subarrendamento de imveis, bem como o acesso ao crdito bancrio para compra de habitao, as-sim como a recusa ou penalizao na celebrao de con-tratos de seguros; d)A recusa ou o impedimento da utilizao e divulga-o da lngua gestual; e)A recusa ou a limitao de acesso ao meio edificado ou a locais pblicos ou abertos ao pblico;

    f)A recusa ou a limitao de acesso aos transportes p-blicos, quer sejam areos, terrestres ou martimos; g)A recusa ou a limitao de acesso aos cuidados de sade prestados em estabelecimentos de sade pblicos ou privados; h)A recusa ou a limitao de acesso a estabelecimen-tos de ensino, pblicos ou privados, assim como a qual-quer meio de compensao/apoio adequado s necessi-dades especficas dos alunos com deficincia; i)A constituio de turmas ou a adopo de outras medidas de organizao interna nos estabelecimentos de ensino pblico ou privado, segundo critrios de dis-criminao em razo da deficincia, salvo se tais critrios forem justificados pelos objectivos referidos no n. 2 do artigo 2.; j)A adopo de prtica ou medida por parte de qual-quer empresa, entidade, rgo, servio, funcionrio ou agente da administrao directa ou indirecta do Estado, das Regies Autnomas ou das autarquias locais, que condicione ou limite a prtica do exerccio de qualquer direito; l) A adopo de acto em que, publicamente ou com inteno de ampla divulgao, pessoa singular ou colecti-va, pblica ou privada, emita uma declarao ou transmita uma informao em virtude da qual um grupo de pessoas seja ameaado, insultado ou aviltado por motivos de dis-criminao em razo da deficincia; m)A adopo de medidas que limitem o acesso s no-vas tecnologias.

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    DIREITOS HUMANOS

    Em relao ao trabalho e emprego, para alm do disposto no Cdigo do Trabalho consideram-se prticas discrimi-natrias:

    a)A adopo de procedimento, medida ou critrio, directamente pelo empregador ou atravs de instrues dadas aos seus trabalhadores ou a agncia de emprego, que subordine a factores de natureza fsica, sensorial ou mental a oferta de emprego, a cessao de contrato de tra-balho ou a recusa de contratao; b)A produo ou difuso de anncios de ofertas de emprego, ou outras formas de publicidade ligada pr--seleco ou ao recrutamento, que contenham, directa ou indirectamente, qualquer especificao ou preferncia baseada em factores de discriminao em razo da defi-cincia; c)A adopo pelo empregador de prtica ou medida que no mbito da relao laboral discrimine um trabalha-dor ao seu servio.

    Ainda nos termos desta lei foram reconhecidos s asso-ciaes de pessoas portadoras de deficincia3 bem como a todas as outras organizaes cujo escopo principal seja a representao, a defesa e a promoo dos direitos e inte-resses das pessoas com deficincia, ou a prestao de ser-vios s pessoas com deficincia e suas famlias, direitos processuais, tendo-lhes sido atribuda legitimidade para intervir, em representao ou em apoio do interessado e com a aprovao deste, nos respectivos processos juris-dicionais, de acompanharem o processo contra-ordena-cional pela prtica de qualquer acto discriminatrio e de se constiturem como assistentes nos respectivos processos-crime.

    De notar ainda que a Lei inverte o nus da prova, incum-bindo parte denunciada provar que as diferenas de tra-tamento no assentam em discriminao e ao queixoso apenas apresentar os elementos de facto susceptveis de a indiciarem e probe despedir, aplicar sanes ou prejudi-car por qualquer outro meio o trabalhador com deficin-cia por motivo do exerccio de direito ou de aco judicial contra prtica discriminatria.

    DADOSDASITUAOACTUAL

    Nos termos do Decreto-Lei n. 34/2007 de 15 de Feve-reiro, que regulamenta a lei n. 46/2006 qualquer pessoa singular ou colectiva que tenha conhecimento de situao susceptvel de ser considerada contra-ordenao deve comunic-la a uma das seguintes entidades:

    a)Membro do Governo que tenha a seu cargo a rea da deficincia; b)Instituto Nacional para a Reabilitao, I. P.; c)Conselho Nacional para a Reabilitao e Integrao das Pessoas com Deficincia4; d)Entidade competente para a instruo do processo de contra-ordenao.

    [1] Lei n. 46/2006, de 28 de Agosto Probe e pune a discriminao em razo da deficincia e da existncia de risco agravado de sade;[2] Pessoas que sofrem de toda e qualquer patologia que determine uma alterao orgnica ou funcional irreversvel, de longa durao, evolutiva, potencialmente incapacitante, sem perspectiva de remisso completa e que altere a qualidade de vida do portador a nvel fsico, mental, emocional, social e econmico e seja causa potencial de invalidez precoce ou de significativa reduo de esperana de vida;[3] Previstas na Lei n. 127/99, de 20 de Agosto;[4] Entretanto em extino

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    DIREITOS HUMANOS

    Compete ao Instituto Nacional para a Reabilitao (INR), quando tome conhecimento de factos susceptveis de constiturem contra-ordenao, enviar o processo enti-dade competente para a sua instruo, e informar o quei-xoso sobre todas as diligncias procedimentais efectuadas.

    Compete-lhe ainda emitir parecer obrigatrio no vincu-lativo em todos os processos de inqurito, disciplinares e sindicncias instaurados pela Administrao Pblica por actos proibidos pela presente lei e praticados por titula-res de rgos, funcionrios e agentes da Administrao Pblica e apresentar ao Governo um relatrio anual que incluir obrigatoriamente uma meno informao re-colhida sobre prtica de actos discriminatrios e sanes eventualmente aplicadas.

    Dos relatrios at agora divulgados (2007,2008,2009 e

    2010) regista-se, desde logo, um reduzido nmero de queixas apresentadas (308 em quatro anos) e o arquivo por improcedncia da maioria delas (70%).

    Outro dado significativo o peso irrisrio das queixas re-lacionadas com os servios de sade (3,25% do total 10 queixas em 4 anos).

    J a discriminao no acesso a seguros representa mais de metade das queixas mas, com uma nica excepo, foram TODAS arquivadas (representando quase 72% dos arqui-vamentos).

    O que estes dados vm demonstrar que nem as pessoas discriminadas nem as associaes que as representam e de-fendem os seus direitos tm estado a fazer o que podiam, deviam e lhes competia para denunciar a discriminao.

    Queixas Assunto 2007 2008 2009 2010 Total recebidas INR Todos 37 31,09% 13 17,57% 6 12,77% 8 11,76% 64 20,78% Seguros 14 11,76% 8 10,81% 2 4,26% 1 1,47% 25 8,12% Cuidados 1 0 1 de Sade OI Todos 82 68,91% 61 82,43% 41 87,23% 60 88,24% 244 79,22% Seguros 8 6,72% 5 6,76% 0 0,00% 0 0,00% 13 4,22% Cuidados 6 5,04% 2 2,70% 0 0,00% 1 1,47% 9 2,92% de Sade ISP Seguros 33 27,73% 29 39,19% 29 61,70% 26 38,24% 117 37,99% Total Todos 119 100,00% 74 100,00% 47 100,00% 68 100,00% 308 100,00% Seguros 55 46,22% 42 56,76% 31 65,96% 27 39,71% 155 50,32% Cuidados 6 5,04% 3 4,05% 0 0,00% 1 1,47% 10 3,25% de Sade

    Queixas Assunto 2007 2008 2009 2010 Total arquivadas ISP Seguros 55 82,09% 42 62,69% 31 83,78% 26 60,47% 154 71,96% Todas Total 67 56,30% 67 90,54% 37 78,72% 43 63,24% 214 69,48% Instituto INR Nacional para a Reabilitao OI Outras Instituies Instituto ISP de Seguros de Portugal

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    DIREITOS HUMANOS

    De resto o prprio INR se queixa, nos seus Relatrios, da falta de conhecimento, formao ou sensibilizao das pessoas com deficincia ou risco agravado de sade e/ou dos seus representantes, e de todas as entidades envolvi-das, para os instrumentos legais ao seu alcance; da falta de informao de qualquer aco judicial interposta, ou de qualquer dado no que se refere aplicao desta Lei nos Tribunais, por no haver recurso a este mecanismo, mais dispendioso para a pessoa com deficincia ou risco agravado de sade, sem que haja um sistema de protec-o jurdica eficaz que tenha em conta as especificidades destas pessoas e da dificuldade na definio concreta de discriminao com base na deficincia ou risco agravado de sade, bem como na sua prova, que continua a gerar,

    a no instruo de procedimentos de contra-ordenao;

    O CENTRO ANTI-DISCRIMINAO face a esta enorme contradio entre os nmeros de de-nncias reportadas, as alegaes de casos de discrimina-o de todas as associaes na rea da sida e do nosso pr-prio conhecimento da realidade que se justifica a criao do Centro projecto da SER+ e do GAT que lembre-se, ainda em 2009 foi recusado pela CNVHISida pelo que tendo iniciado a sua actividade em Janeiro de 2010, s em 2011 teve existncia legal.

    Nestes dois anos os casos recebidos e tratados podem ca-racterizar-se pelos quadros seguintes:

    Os nmeros apresentados contrastam fortemente com os do relatrio do INR no nmero de casos, na distribuio por causas de discriminao e nas solues.

    De notar que todos os casos arquivados se devem a desis-tncia dos queixosos e que apenas um caso nos foi refe-renciado por associaes da rea do VIH que no o GAT ou a SER+.

    Algo vai mal no reino da Dinamarca

    Cascais, 19 de Janeiro de 2012

    Queixa Casos de Trabalho Medicina Servios Seguros Devassa Ensino recebidas discriminao trabalho de sade vida privada 2010 26 22 4 2 7 4 4 1 11 2 1 1 4 3 2011 26 22 4 2 4 2 6 4 Total 52 44 8 4 11 6 10 5 100% 18% 9% 25% 14% 23% 11%

    Casos Arquivados Resolvidos Entidade Aguardam discriminao Reguladora documentao 2010 22 5 12 1 4

    2011 22 4 7 3 8 Total 44 9 19 4 12 100% 20% 43% 9% 27%

  • O direitotratamento

    a0

    Por: Catarina SousaAssistente Social | Coordenadora do CAAP ABRAO

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    O DIREITO AO TRATAMENTO

    O direito ao tratamento que acorre s pessoas seroposi-tivas , por si s, uma questo primordial na interveno desenvolvida face ao VIH/SIDA, sendo um tema que apela conjugao de reas de saber to diversas como a sade, a economia, as cincias farmacuticas, o direi-to, a poltica, as cincias sociais e humanas, entre outras. Tendo conscincia da impossibilidade de analisar todas as perspectivas relacionadas com esta temtica, optou-se por enquadrar sumariamente as disposies legais que consubstanciam o direito ao tratamento em Portu-gal, destacando o papel e relevncia do tratamento e, de algum modo, interrogando a sua concretizao prtica.

    Analisar o direito ao tratamento que assiste s pessoas que vivem com VIH tem tanto de fundamental como de con-troverso.

    Fundamental na medida em que este direito se funde, an-tes de mais, no direito sade e no direito ao bem-estar, assistncia e segurana social, que se consubstanciam em instrumentos internacionais assumidos por Portugal, tais como a prpria Declarao Universal dos Direitos Huma-nos (1948), a Conveno Europeia dos Direitos Humanos (1950), entre outros.

    ainda um direito corroborado pela Constituio da Re-pblica Portuguesa, onde no seu Artigo 64, ponto 1 se pode ler o seguinte: Todos tm direito proteco da sade e o dever de a defender e promover.

    Fundamental ainda pelo facto da teraputica anti-retrovi-ral (TARV) reduzir de forma muito significativa a morbili-dade e mortalidade das pessoas que vivem com VIH. Est-se, portanto, a falar da qualidade de vida e da sobrevivncia dos doentes seropositivos, bem como da possibilidade de minimizar a disseminao do vrus, uma vez que as pes-soas que vivem com VIH quando medicadas apresentam, geralmente, nveis controlados de carga virca e, como tal, so menos infecciosas. Para este facto deve ainda con-tribuir a implementao de mecanismos que promovam o diagnstico precoce e, como tal, admitam probabilida-des de tratamento mais bem sucedidas.

    Salienta-se, neste sentido, que em Portugal as pessoas seropositivas tm legalmente acesso a consultas, meios complementares de diagnstico e teraputica, o que at Novembro de 2011 acontecia sob iseno de pagamento

    das taxas moderadoras referentes aos mesmos. No entan-to, apesar das alteraes provenientes da implementao do Decreto-Lei N 113/2011, de 29 de Novembro, consta-ta-se que as pessoas que vivem com VIH deixaram de estar isentas, passando agora a encontrar-se dispensadas das ta-xas moderadoras no mbito das consultas e actos comple-mentares, o que tambm as escusa apresentao de todos os meios de prova a que as pessoas que requerem iseno do pagamento de taxas moderadoras esto sujeitas, con-forme Artigo 8, alnea b), do mencionado Decreto-Lei.

    Controverso, no sentido deste ser um direito de todos (devido s medidas tomadas pelo governo, nomeada-mente por meio do Despacho do Ministro da Sade n25.360/2001, que faculta aos cidados estrangeiros que residam legalmente em Portugal o acesso, em igualdade de tratamento ao dos beneficirios do Servio Nacional de Sade (SNS), aos cuidados de sade e de assistncia me-dicamentosa prestados pelas instituies e servios que constituem o SNS), mas no para todos - conforme bar-reiras frequentemente colocadas populao imigrante, especialmente aos que esto em situao irregular. Con-tudo, o Despacho do Ministro da Sade anteriormente mencionado, confere aos cidados estrangeiros que no se encontrem em situao regular o acesso aos servios e estabelecimentos do SNS, mediante a apresentao junto dos servios de sade da sua rea de residncia de um ates-tado de residncia emitido pelas juntas de freguesia que ateste que se encontram em Portugal h mais de 90 dias.

    Controverso ainda pela tendncia que a crise financeira que atravessamos vem imprimindo na elevao dos obs-tculo colocados no acesso aos servios de sade e na manuteno dos cuidados e assistncia medicamentosa s pessoas seropositivas.

    Sabe-se que os doentes infectados pelo VIH so dos que implicam um maior esforo financeiro ao sistema de sade, o que coloca algumas incertezas perante o actual contexto scio-econmico no que respeita manuten-o dos nveis de concretizao do acesso ao tratamento.

    Na prtica que diariamente a ABRAO desenvolve junto de pessoas que vivem com VIH, ultimamente e no mbito da crise financeira vigente, chegam-nos relatos da substi-tuio da TARV para medicamentos genricos, acompa-nhamos tambm, com frequncia muito superior dese-

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    O DIREITO AO TRATAMENTO

    jvel, situaes de pessoas imigradas no nosso pas que tm, de facto, muita dificuldade em aceder ao Servio Na-cional de Sade e, como tal, a todo o seguimento clnico que a referenciao da seropositividade requer. Assistiu-se tambm ao corte substancial do financiamento de pro-jectos ao abrigo do Programa ADIS dirigido pela CNVIH. Fica a interrogao e naturalmente a inquietao quanto aos constrangimentos que adicionalmente a rea do VIH/SIDA ir sentir neste contexto.

    Convm no entanto no limitar a anlise aqui desenvolvida ao acesso a consultas, meios complementares de diagns-tico e teraputica, importa tambm enaltecer a relevncia do trabalho desenvolvido quanto adeso teraputica, destacando, a este propsito, a imprescindibilidade de intervenes multidisciplinares que permitam analisar de forma holstica a singularidade do doente em tratamento e assim optimizar a promoo da adeso do mesmo. De fac-to, s um trabalho de verdadeira complementaridade, no s entre equipas que trabalhem em meio hospitalar, mas tambm entre estas e as organizaes da sociedade civil a operar na rea do VIH, pode alavancar estratgias de pro-moo da adeso s consultas e teraputica mais eficazes e ajustadas especificidade da pessoa em tratamento e, deste modo, combater cenrios de dificuldade de adeso e de desenvolvimento de resistncias.

  • O direitode sermos

  • pais Por: Gonalo LoboPsiclogo Clnico, Diretor Tcnico ABRAO

    Referncias Bibliogrficas:- Constituio da Repblica Portuguesa- Entidade Reguladora de Sade Recomendao n. R/02/ERS/2005- Associao para o Planeamento Familiar Direitos Sexuais e Reprodutivos - Direco Geral de Sade Circular Normativa n. 23/DSR de 29 de Dezembro de 2009- EngenderHealth Sade Sexual e Reprodutiva das Mulheres e Adolescentes Vivendo com HIV (2006)

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    PARENTALIDADE

    Na Constituio da Repblica Portuguesa, no seu Artigo 13. - Princpio da Igualdade, podemos ler todos os cida-dos tm a mesma dignidade social e so iguais perante a lei e ningum pode ser privilegiado, beneficiado, preju-dicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razo de ascendncia, sexo, raa, lngua, terri-trio de origem, religio, convices polticas ou ideol-gicas, instruo, situao econmica, condio social ou orientao sexual, mais adiante no mesmo documento, no Artigo 36. - Famlia, casamento e filiao, encontra-se consagrado que todos tm o direito de constituir famlia e de contrair casamento em condies de plena igualdade.

    Este princpio e direito per si fariam dispensvel a escrita de um artigo sobre o direito de sermos pais, pois perante a Constituio Portuguesa e o Sistema, um direito que nas-ce connosco, cabendo a ns usufruir do mesmo, ou no.

    No entanto na prtica as questes pragmticas e objectivas tornam-se complexas, retorcidas e por vezes so perver-tidas, impregnadas por um preconceito retardado e pejo-rativo que causam sofrimento, sem razo seja ela de que

    ndole, sobre populaes j por si vulnerveis excluso social e marginalizao.

    No caso especfico da pessoa que vive com o VIH, que dada s complicaes clnicas inerentes ao vrus necessita de algum tipo de tcnica de procriao medicamente as-sistida (ex. inseminao artificial, fertilizao in vitro, en-tre outras) para ver o seu desejo de ser pai concretizado, relembrado de como a sociedade, considerada moderna, o caracteriza como pouco digno, como que se de uma incompatibilidade se tratasse. Algum que rotulado como sendo seropositivo/a e entenda-se aqui rotulado como um conceito sociolgico, de uma viso altamente estigmatizante de culpabilizao pelo seu estado de sade, pela percepo de uma baixa esperana de vida e caracte-rizado tambm por um estilo de vida socialmente censura-do, que consideramos no corresponder realidade.

    Como poderemos empatizar, ser submetido a um proces-so de procriao medicamente assistida um confronto com a condio de infeco ao VIH para qualquer pessoa que vive com o vrus, e com revolta que assistimos que

  • 021

    PARENTALIDADE

    em pleno sculo XXI tcnicos superiores operantes na rea da sade ainda continuam a discriminar apesar do VIH no constituir risco de infeco se todas as normas de higiene e segurana forem cumpridas. Como num caso especfico exposto em 2005 pela ABRAO Entidade Reguladora de Sade, onde uma mulher seropositiva viu o seu pedido e desejo de ser me desmoronar por a Unidade de Sade alegar no ter as condies necessrias para concretizar o seu anseio, tendo sido sugerido recorrer a uma clnica privada.A recomendao n. R/02/ERS/2005 daqui pro-ferida referente s tcnicas de procriao medicamente assistida devido negao de assistncia mdica num ser-vio pblico, alude que todos os utentes so iguais perante o sistema de sade segundo o Direito do Utente dos Ser-vios de Sade, consagrado tambm atravs da lei funda-mental pelo princpio da igualdade, devendo a entidade pblica, em caso de limites de recursos humanos, mate-riais e tecnolgicos, dotar os respectivos servios destes mtodos, sem prejuzo da assistncia mdica preconizada. Parece-nos demasiado fcil descartar a responsabilidade de respeitar o sonho de algum, alegando que os servios no tm os recursos necessrios, devendo-se sim aceitar

    que existem receios perante s situaes e que iremos reu-nir toda a informao e meios necessrios para tomar uma deciso consciente, cientifica e eticamente responsvel.

    Gostaramos tambm aqui fazer referncia circular normativa n. 23/DSR de 29 de Dezembro de 2009 da Direco-Geral da Sade, em especial para todas as mes ou futuras mes com condio de infeco ao VIH, onde consta que dever ser assegurada s mes com infeco ao VIH/SIDA, de forma sistemtica, aceitvel, exequvel, acessvel, sustentvel e segura o acesso gratuito frmula para lactentes durante o 1. ano de vida da criana, sen-do a distribuio efectuada na farmcia hospitalar onde a criana acompanhada e mediante prescrio mdica que dever cobrir em quantidade suficiente a frmula para lac-tentes at prxima consulta hospitalar, visto a amamen-tao natural ser uma forma de transmisso de me-filho.

    Vivemos numa era que postulam a igualdade e a integra-o como algo presente e actual, quando na prtica o que experienciamos nos lembra que, apesar dos avanos, ain-da h muito por fazer.

  • Em Janeiro de 2009, no Hospital Joaquim Urbano, foi formada uma equipa en-carregada de estudar a forma de ajudar os utentes que apresentassem formas mais severas de lipoatrofia facial. Do grupo de 30 doentes, propostos para tra-tamento entre 2009/2010, todos foram tratados.

    A face do estigmaReconstruofacialda Lipoatrofia(Recuperar a auto-estima/ afastar a excluso)

    Por: Leonor ChavesEnf. especialista em Sade Mental e PsiquiatriaChefe do servio de internamento do CHP-Unidade Joaquim Urbano

  • 024

    A FACE DO ESTIGMA

    O desenvolvimento de frmacos eficazes para o VIH levou a um melhor controlo deste vrus mas provocou tambm alguns problemas. Em cerca de trs dcadas foi possvel identificar e caracterizar uma infeco desconhecida, bem como investigar e desenvolver teraputicas que, ac-tualmente, oferecem eficcia, segurana e simplicidade, transformando uma infeco fatal numa condio cada vez mais prxima da cronicidade. No obstante estes ex-traordinrios avanos, existem ainda desafios importantes em relao aos impactos da infeco e do seu tratamento.

    A lipodistrofia continua a representar um importante de-safio da infeco VIH, em virtude das alteraes metab-licas e morfolgicas. Caracterizada por uma anormal dis-tribuio da gordura corporal, o impacto da lipodistrofia constitui um desafio significativo para a pessoa que vive com VIH na medida em que, para alm do impacto na sade, apresenta tambm relevncia para a auto-estima e para eventual discriminao dadas as alteraes do as-pecto corporal que podem traduzir-se por acumulao excessiva de gordura em determinadas zonas corporais (lipohipertrofia) ou a sua perda anormal noutras zonas (li-poatrofia) ou com um padro misto.

    Para alm do impacto do prprio VIH, estima-se que tam-bm a prpria teraputica antirretrovrica contribua para o desenvolvimento da lipodistrofia, em particular se con-sideradas as primeira e escassas opes disponveis no in-cio da infeco VIH.

    Tendo presente o impacto fsico, emocional e social des-tas alteraes corporais, o Hospital Joaquim Urbano pro-curou desenvolver iniciativas que minimizem e corrijam as modificaes associadas lipodistrofia. Tendo presente o estigma relacionado sobretudo com alteraes ao nvel facial, foram disponibilizados cuidados especficos que passaram pela avaliao clnica da lipodistrofia e, nos casos recomendados, pela interveno cirrgica.

    PROJETO DESENVOLVIDO NO HJU ENTRE 2009/2011

    Tal como acontece noutros hospitais que tratam pessoas com VIH, os doentes do HJU manifestaram, por diversas vezes, junto dos seus mdicos e enfermeiros assistentes, que era cada vez mais difcil para eles viver com a aparn-cia fsica que foram adquirindo ao logo do tratamento.

    Eram diversas as histrias de vida relacionadas com esta problemtica, desde o abandono da teraputica, a pedidos de reforma antecipada por receio de discriminao no lo-cal de trabalho, ou a consultas permanentes de psiquiatria com pedidos de ajuda para conseguir minimizar os efeitos psicolgicos da alterao da imagem corporal.

    Os doentes temiam tambm que a lipodistrofia significas-se evoluo da infeco por VIH.

    Em Janeiro de 2009 uma utente, que veio consulta de rotina pediu sua mdica para falar com o Director do Ser-vio porque no passado ele tinha sido o seu mdico e sem-pre a ajudou nos momentos mais difceis, mesmo quando pensou pr termo vida quando descobriu que fora infe-tada pelo namorado com VIH e o vrus da hepatite C.

    Neste dia foi formada uma equipa encarregada de estudar o problema e tentar arranjar solues para a resoluo da lipoatrofia facial dos nossos utentes que apresentassem formas mais severas.

    O aspecto da face , sem dvida, o que mais preocupa os utentes. A CARA NO ANDA VESTIDA, como referiu um nosso doente.

    Depois de termos tentado obter resposta para o problema junto de entidades pblicas (servios de cirurgia plstica de hospitais de Porto, Coimbra e Lisboa), ficamos a saber que em nenhuma destas instituies havia algum tipo de programa financiado pelo estado para tratar esta patologia.

    Como os pedidos de ajuda continuavam, e a ns tcnicos que compete arranjar as solues, partiu-se para a soluo de arranjar ajuda privada, quer para implementar a tcnica de correco quer para a financiar.

    O Director do Servio decidiu pedir a todas as empresas farmacuticas que forneciam antirretrovricos ao Hospital de Joaquim Urbano uma colaborao monetria. Nem to-das colaboraram mas, mesmo assim foi possvel recolher uma verba que permitiu o pagamento da correco facial de vinte e trs situaes graves.

    Dado que no grupo inicial havia ainda mais trs doentes a tratar a Associao dos mdicos do Servio deu o dinheiro restante para estes tratamentos.

  • 025

    A FACE DO ESTIGMA

    Foram ainda tratados de forma gratuita pela equipa me-dica mais quatro doentes que tinham lipoatrofia marcada e que apresentavam sintomas de depresso marcada, de-vido a esta situao.

    Foi elaborado um protocolo de tratamento, em que, para alm do local para registos relacionados com a histria clnica, teraputicas anteriores e actuais, dados analticos, dados pessoais, etc., foram includos os critrios de selec-o para efectuar o tratamento, a informao ao utente de toda a tcnica e o respectivo consentimento informado, que todos assinaram depois de esclarecer todas as dvidas.

    Os tratamentos estiveram a cargo do Dr. Cludio Martinez, mdico renomado na sua especialidade que trabalha em parceria com o cirurgio plstico Dr. Francisco Campos.

    Este mdico tinha j uma larga experincia em tratamen-tos efectuados em Espanha a doentes com VIH e acedeu prontamente a colaborar com o projeto. A tcnica utiliza-da, foi a do preenchimento facial em trs a quatro sees conforme a gravidade do caso, sem recurso a anestesia e com efeitos secundrios praticamente inexistentes.

    Resultados: Do grupo de 30 doentes com lipoatro-fia facial marcada, propostos para tratamento entre 2009/2010, foram todos totalmente tratados. Destes; 14,3% eram do sexo feminino e 85,7% do sexo masculino e a mdia de idades era de 47anos (39-61). Estes doentes usavam teraputica ARV, em mdia, h 12,7 anos (7-20) e tinham feito, em mdia, 4,5 (3-7) esquemas teraputi-cos. Todos os tratamentos foram documentados com fo-tografias (antes e ps tratamento) onde possvel verifi-car a melhoria significativa da evoluo da imagem facial.

    Concluso: Para alm da melhoria do aspecto fsi-co, a obteno de altos ndices de satisfao relatados verbalmente e por escrito por alguns doentes e a re-cuperao da auto-estima, foi, sem dvida, um est-mulo importante para os doentes e um prmio que muito satisfez os tcnicos envolvidos neste processo.

    Se estas pessoas viram a sua situao resolvida e le-vam hoje uma vida bem mais feliz, uma lista extensa de outras, continua h espera de ter a mesma sorte, mas os recursos so cada vez mais difceis de obter!

  • Direitospreconceitos!

    semO efeito Viena 2010 em Portugal (Direitos AQUI e AGORA) perdeu-se? Afinal quais foram os efeitos prticos no nosso pas? No vimos medidas conclusi-vas. Apesar de sermos uma enorme massa silenciosa e invisvel (aparentemen-te despreocupada) , alguns de ns, esto bastante atentos aos seus direitos.Por: Luis S

    REDE POSITIVO PT*

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    DIREITOS SEM PRECONCEITOS

    COMO PODE ALGO SER DESMISTIFICADO E COMBATIDO, SEM SER MENCIONADO?

    Cremos que particularmente necessrio, desenvolver polticas de preveno que integrem realmente uma pers-pectiva de direitos humanos e um enfoque de gnero para encorajar uma mudana nos padres de comportamento e evitar comportamentos de risco que facilitam a transmis-so do VIH.

    Para fazer isso, essencial analisar cuidadosamente os efeitos reais das polticas pblicas e programas implemen-tados at agora para prevenir a transmisso do VIH. En-quanto estratgias de VIH-SIDA, alguns grupos especfi-cos que se supe mais vulnerveis infeco tm sido alvo de abordagem especiais, mas necessrio compreender e analisar os programas, tais como as prticas de risco que incorrem mais alm de seus prprios membros no setor da populao e desenvolver campanhas com o pragmatismo e incidncia necessria.

    Para atingir este objectivo so necessrias polticas que evitem esteretipos e que tomem em conta a diversida-de sexual, considerando-se acima de tudo o respeito pe-los direitos humanos e de gnero, fatores crticos para o xito do desenvolvimento de uma poltica pblica que pode realmente eficaz na preveno que tem sido nos l-timos anos o maior problema mundial de sade pblica.

    O estado portugus tem por isso a obrigao de imple-mentar polticas progressistas e de abertura para garan-tir a preveno com uma maior qualidade aos utentes do servio nacional de sade e aos cidados portugueses em geral no mbito da sexualidade para garantir a eficcia no contolo da epidemia no VIH. Existe a falta de uma poltica efectiva para o entendimento da sexualidade por parte da populao portuguesa, como um assunto que no pode ser encarado como tabu pela realidade desta epidemia e dos comportamentos de risco.

    importante, quer pelo lado da orientao sexual, esma-gada pelo conservadorismo e pela incapacidade das orga-nizaes GBLT de se organizarem e se fazerem ouvir com agentes de presso e de mudana.

    A LEI E AS ESTRUTURAS DE SUPORTE COMO FATOR DE MUDANA

    Igualmente importante para o sucesso ao acesso aos di-reitos dos seropositivos, seriam as campanhas suportadas neste domnio e uma srie de apoios refletidos em diplo-mas legais menos conservadores que descendessem da Lei Fundamental do pas , refletindo assim o que a U.E. de resto manifesta como regra h anos com sucesso para as Pessoas que Vivem com VIH-SIDA nos respetivos pases, onde esta orientao respeitada.

    O prprio eixo das ONGs na rea do VIH-SIDA v-se a braos com uma Coordenao que durante anos no conseguiu melhor que planos plurianuais neste domnio, como se tivesse sido esperado que de quatro em quatro anos, os nossos direitos se extinguissem, ou perdessem a necessidade de fundos pelo advento da cura.

    A prpria existncia da REDE POSITIVO foi-nos negada como direito pela antiga Cordenao de Luta Contra a SIDA por no existir enquadramento nesse sentido (nunca tivemos uma reunio com o orgo que coordena esta rea, apesar de a termos solicitado).

    Existimos como organizao privada de seropositivos e merc o nosso prprio esforo e provamos o quanto afinal as pessoas que trabalham para ns podem afinal estar er-radas no destino dos fundos para servir os nossos direitos at mesmo a mitigar a nossa solido e acesso informao.

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    DIREITOS SEM PRECONCEITOS

    RESPEITO PELOS NOSSOS DIREITOS, AQUI E AGORA!

    A REDE POSITIVO constatou em Dezembro 2010 que a sua traduo dos Princpios de Denver, ter sido a primeira em 30 anos, mas est em tudo atual.

    A pergunta que diferencia o seropositivo do doente de cancro insulto dignidade da condio do doente: Como que contrau o VIH ? um hbito julgarem-nos por aqui...por isto mesmo.

    Um fumador inveterado, um alcolico, um/a marato-nista sexual...

    Todos (mesmo os que no se colocam em risco ativo, da mesma forma que o VIH pode ser contrdo passivamente) podem adquirir cancro (pulmo, fgado, HPV), mas rara-mente lhe colocam essa pergunta com a frequncia ou o preconceito com que surge a uma pessoa infectada com VIH.

    Tudo quanto continuamos a pedir tratamento universal e nos cuidados de sade e em conscincia a todos que trabalham e vivem connosco, exigimos... RESPEITO!

    Isso afinal o que algum, que padece de uma doena crnica pode esperar ter de todos, no verdade?

    No entanto, somos ainda olhados como algum que tem que se satisfazer com um dia de memria (que mais pare-ce um circo meditico) por ano e 364 de invisbilidade face populao em geral.

    A dignidade no entanto requer-se todos os dias e a me-mria dela tambm. Pelos cados e pelos que padecem ainda e que so esquecidos. Os direitos estaro em cima da mesa, quando pudermos marchar sem medo de perdermos empregos, famlias e amigos. At l temos um longo caminho a percorrer. Algum duvida disso?

    *REDE POSITIVOViver e Conviver Positivamente com o VIHRede Social destinada a seropositivos e a todos aqueles que se preocupam e que de algum modo se relacionam com os assuntos que lhes dizem respeito: ChatFruns, Blogues, Debates e Informao VIH/SIDA e Co-Infeceswww.redepositivo.org | Facebook/Orkut/Blogger/GNP+/Aidsspaces (ONUSIDA)

  • PrincpiosdeDenver

    Declarao do Comit Consultivo de Pessoas com SIDA (1983)

  • Fonte: http://www.poz.com/articles/the_denver_principles_2267_15780.shtml Traduo Luis S | REDE POSITIVO PT

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    PRINCPIOS DE DENVER

    Denunciamos a tentativa de rotular-nos como vtimas, um termo que implica a derrota, pois ns estamos apenas ocasionalmente na situao de pacientes, um termo que implica passividade, impotncia e dependncia dos cuida-dos de outros. Somos pessoas com VIH.

    RECOMENDAES PARA OS PROFISSIONAIS DE SADE 1. Afirmarem-se, especialmente para os pacientes que tiverem SIDA.

    2. Identificar sempre e claramente, discutindo a teoria que advoguem em nome da causa da SIDA, uma vez que esse vis afecta os tratamentos e conselhos que nos do.

    3. Entrar em contato com seus sentimentos (por exem-plo, medos, angstias, esperanas, etc) sobre a SIDA e no apenas com o facto de lidaram com a SIDA do ponto de vista intelectual.

    4. Fazerem um inventrio exaustivo pessoal e identifi-car e examinar os seus prprios interesses volta da ques-to da SIDA.

    5. Tratarem as pessoas com SIDA como pessoas in-teiras, abordando as questes psicolgicas, bem como as biofsicas.

    6. Abordar a questo da sexualidade em pessoas com SIDA especificamente, com sensibilidade e com informa-o sobre a sexualidade dos homossexuais e em geral, da sexualidade das pessoas com SIDA, em particular.

    RECOMENDAES PARA TODOS OS POVOS 1. Suporte e Aderncia em a nossa luta contra todos aqueles que nos despedirem de nossos trabalhos, expul-sarem-nos de nossas casas, que se recusam toca-nos ou que tentem separar-nos dos nossos entes queridos, co-munidades ou de nossos pares, uma vez que os elemento disponveis no apoiem a viso de que a SIDA no pode ser transmitido pelo contato casual, ou social.

    2. As pessoas com SIDA no podem ser um bode ex-piatrio, ou serem culpados pela epidemia ou ainda alvo de generalizaes sobre os nossos estilos de vida.

    RECOMENDAES PARA PESSOAS COM SIDA 1. Formarem agrupamentos e escolher os seus prprios representantes, para lidar com os media, para escolher as suas prprias agendas e planear as suas prprias estrat-gias.

    2. Estar envolvido em todos os nveis da tomada de de-ciso e, especificamente, actuar no conselho de adminis-trao dos seus provedores e organizaes.

    3. Ser includo em todos os fruns SIDA com credibili-dade igual a outros participantes, no sentido de comparti-lhar suas experincias e conhecimentos.

    4. Substituir os seus comportamentos sexuais, por ou-tros de baixo risco para que no possam prejudicar a si ou seus parceiros, pois sentimos que as pessoas com SIDA tm a responsabilidade tica de informar os seus parceiros em potencial do seu estado de sade.

    DIREITOS DAS PESSOAS COM SIDA 1. Viver um plena e satisfatria vida emocional e sexual como qualquer outra pessoa.

    2. Receber um tratamento mdico de qualidade e uma prestao de servios de qualidade social, sem qualquer forma de discriminao, incluindo a orientao sexual, sexo, diagnstico, status econmico ou raa.

    3. Obter explicaes completas de todos os procedi-mentos mdicos e riscos, no sentido de poder escolher ou recusar as respectivas modalidades de tratamento, ou de se recusar a participar em pesquisas sem comprometer o seu tratamento e para que lhes seja assim possvel, tomar decises informadas sobre as suas vidas.

    4. Garantir a privacidade e confidencialidade dos re-gistos mdicos, para receber o respeito humano e o direito de escolher quem so os seus outros significantes para si.

    5. Morrer - e VIVER - com dignidade.

  • 033

    PRINCPIOS DE DENVER

    Nota: Este documento consagra os direitos primordiais das PVVIH (pessoas que vivem com VIH). Ns preferimos actualmente a verso de pessoas portadoras de VIH a pes-soas com SIDA (fase da Doena, cuja realidade era outra altura). A questo da confidencialidade um dado que se mistura neste contexto emergente dum quadro particu-larmente dramtico dos primeiros anos do estigma, pouco reflectido ainda, ainda um reflexo do quadro sintomtico da crise de preconceito que vivemos no Mundo todo.

    A UNAIDS/ONUSIDA validou este documento em:http://www.unaids.org/es/KnowledgeCentre/Resources/FeatureStories/archi-ve/2007/20070330_GIPA_Policy_Brief.asp

    Mais Info em: http://www.worldlingo.com/ma/enwiki/pt/People_With_AIDSFonte: http://www.poz.com/articles/the_denver_principles_2267_15780.shtml

    Mais Info em: http://www.worldlingo.com/ma/enwiki/pt/People_With_AIDS

  • 034

    CONTACTOS

    CONTACTOS GERAIS ABRAOLISBOALargo Jos Lus Champalimaud, n 4 A1600-110 LISBOATel: (+351) 21 799 75 00Fax: (+351) 21 799 75 09/21 799 75 99Email: [email protected]: www.abraco.org.ptRECEPO9h30-18h30Email: [email protected] ADMIN. E FINANCEIROSEmail: [email protected]: [email protected]: [email protected]: [email protected] E INFORMAOScios: [email protected]/Scios: [email protected]: [email protected] NACIONALEmail: [email protected]: [email protected], INFORMAO E COOPERAO INTERNACIONALEmail: [email protected]: [email protected]

    PROJECTOS ABRAOLISBOACENTRO DE ATENDIMENTO E APOIOPSICOSSOCIAL10h-13h e 14h-19hEmail: [email protected]: [email protected] e 14h-19hEmail: [email protected] DE AUTO AJUDAEmail: [email protected] JURDICOEmail: [email protected] PSICOLGICO10h-13h e 14h-19hEmail: [email protected] MDICO-DENTRIO10h-13h e 14h-19hEmail: [email protected] DE APOIO DOMICILIRIOEmail: [email protected]

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    MADEIRAPROJETO CASA SER CRIANARua de Santa Maria, 1119060-291 FUNCHALTel: (+351) 291 236 700 - Fax: (+351) 291 235 8002 a 5 feira - 9h30-19h, 6 feira - 9h30-18hEmail: [email protected] CENTRO DE APOIO AO UTENTE2, 3 e 5 feira -10h-19h, 4 feira -10h-15h, 6 feira -10h-18hEmail: [email protected]

    CONTACTOS TEISLINHA SIDATel.: 800 266 666*(10h-20h, exceto domingos)LINHA LGBT - ILGA PORTUGALTel: 21 887 39 22(De 4 feira a sbado, entre as 20h e as 23h)PANTERAS ROSA - FRENTE DE COMBATE LESBIGAYTRANSFOBIAEC Arroios, 1009-001 LISBOASite: http://www.panterasrosa.comEmail (Lisboa): [email protected] (Porto): [email protected] AVEIROCentro de Sade de AveiroPr. Rainha D. Leonor3810 AVEIRO2: 13h30 -19h30, 3 e 5: 14h-17hTel.: 234 891 170

    CAD CASTELO BRANCOC. Sade de S. MiguelAv. Europa6000-491 Castelo Branco3: 9h-13h; 14h30-17h30Tel.: 272 340 150CAD COIMBRAEdifcio BCGAv. Bissaia Barreto3000 076 CoimbraDiariamente: 12h-17hTel.: 239 487 400PROJECTO STOP SIDA CENTROLAURA AYRESR. Padre Antnio Vieira, n 123000 CoimbraTestes annimos e gratuitos: 17h-20h30Aconselhamento e encaminhamento: 21h-23h30Tel.: 239 828 771CAD PORTOR. da Constituio, n 16564250169 Porto2, 14h-21h3 a 5: 9h-19h6: 9h-14hTel.: 22 041 22 50CAD FAROFixo Ext. Centro de SadeRua Brites de Almeida, n6-3 esq.8000-234 Faro2, 4 e 5: 9h-12h e 14h-17h303: 9h-17h306: 9h-12hCAD MvelTel.: 289 812 528CAD LEIRIALaboratrio de Sade Pblica Centro de SadeGorjo HenriquesR. General Norton de Matos 2410272 LEIRIA2: 9h-13h | 3: 14h-17h | 4: 9h-13h, 14h-17h5: 9h-13h |Tel.: 244 816 488CAD LISBOAFundao N. Senhora do Bom SucessoAv. Dr. Mrio Moutinho (ao Restelo) 1400136 LISBOA2 a 6: 9h30-14hTel.: 21 303 14 27CRA - CENTRO DE RASTREIO ANNIMODE INFEO VIHCentro de Sade da LapaR. de So Ciro, n 36, 1200831 LISBOA2 e 4: 12h-18h30 | 3, 5 e 6: 10h-16h30Tel.: 21 393 01 51/2CHECKPOINT LX (HSH)Trav. Monte do Carmo, n21200-277 LISBOA (Prncipe Real)2 a 6: 12h-20hTel.: 91 069 31 58

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  • Rev003AF001Rev003AF002Rev003AF003Rev003AF004Rev003AF005Rev003AF006Rev003AF007Rev003AF008Rev003AF009Rev003AF010Rev003AF011Rev003AF012Rev003AF013Rev003AF014Rev003AF015Rev003AF016Rev003AF017Rev003AF018Rev003AF019Rev003AF020Rev003AF021Rev003AF022Rev003AF023Rev003AF024Rev003AF025Rev003AF026Rev003AF027Rev003AF028Rev003AF029Rev003AF030Rev003AF031Rev003AF032Rev003AF033Rev003AF034Rev003AF035Rev003AF036