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Revista ASA 50 anos

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Text of Revista ASA 50 anos

  • Tecendo a rede

    de aes sociais

    com a cultura

    da solidariedade

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  • Tecendo a rede de aes sociais

    com a cultura da solidariedade

    Edio Especial - Novembro de 2010

  • 4ExpEdiENtE

    ASA Ao Social Arquidiocesana

    DiretoriaPresidente: Dom Murilo Sebastio Ramos KriegerVice-Presidente: Dicono Jos Neri de SouzaSecretrio: Leda Cassol Vendrsculo

    Equipe Executiva Carla Cristiane de Oliveira Guimares Fernando Ansio BatistaIns Jalcira de SouzaMaria Antonia Carioni CarstenMarlete Duarte Ramos

    Conselho Fiscal Osny Machado de Souza FilhoHenrique Jos GazanigaAugusto Jeremias dos SantosSuplentes: Hamilton Vieira de Melo Olindair Fonseca Carvalho Darcy Steill da Silva

    Revista 50 anos

    Colaboradores: Sandra Schilisting Dalila Maria Pedrini Representantes das Aes SociaisEdio, textos, projeto grfico e diagramao: Letra Editorial

    Novembro de 2010

    Arquidiocese de FlorianpolisRua Esteves Jnior, 447 Centro88015-130 Florianpolis - SC

  • 5ApRESENtAo

    ASA: muitas histrias para

    contar

    Lemos na Bblia: Contars sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos, o que dar quarenta e nove anos. Ento fars soar a trombeta no dia dez do stimo ms. (...) Declarareis santo o quinquagsimo ano... Ser para vs um jubileu (Lv 25,8-10). Quando institudos no Antigo Testamento, os jubileus serviam para recordar que Deus o Senhor de tudo; que os bens deste mundo so para todos, e no apenas para alguns; e que preciso converter-se, para viver em plenitude o plano de Deus. O termo jubileu indica j-bilo, alegria; no apenas jbilo interior, mas alegria que se manifesta exteriormente (Joo Paulo II, TMA, 16).

    Neste ano da graa de 2010, a Ao Social Arquidiocesana (ASA) celebra 50 anos de existncia isto , celebra seu jubileu. Essa celebrao um dom, pois nos possibilita recordar as graas que Deus derramou sobre inmeras pessoas, atravs da atuao dessa associao. Quando me refiro s pessoas beneficiadas, no penso apenas nas que, direta ou indiretamente, foram atendidas ou promovidas. Penso, tambm, nos prprios funcionrios e voluntrios que, servindo irmos necessitados, descobriram o alcance da afirmao do apstolo Paulo em Mileto: Em tudo vos mostrei que, trabalhando desse modo, se deve ajudar aos fracos, recordando as palavras o Senhor Jesus, que disse: H mais felicidade em dar do que em receber (At 20,35).

    A celebrao jubilar , tambm, a renovao de um compromisso assumido pela ASA: lembrar Arquidiocese de Florianpolis que a natureza ntima da Igreja se exprime num trplice dever: anncio da Palavra de Deus, celebrao dos sacramentos e servio da caridade. So deveres que se reclamam mutuamente, no podendo um ser separado dos outros. Para a Igreja, a caridade no uma espcie de atividade de assistncia social que se poderia mesmo deixar a outro, mas pertence sua natureza, expresso irrenuncivel de sua prpria essncia (Bento XVI, Deus caritas est, 25).

    tempo, pois, de jbilo e de ao de graas. tempo de recordar as muitas histrias que a ASA tem para contar. tempo de cantar, com Maria: A minha alma engrandece o Senhor e se alegrou o meu esprito em Deus, meu Salvador... O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo o seu nome!... De bens saciou os famintos... (Lc 1,46.49.53).

    Florianpolis, 17 de novembro de 2010.

    Dom Murilo S.R. Krieger, scjArcebispo de Florianpolis

  • 6A Ao Social Arquidiocesana ASA comemora seus 50 anos de caminhada e com muita alegria lanamos uma Revista Comemorativa que traz a sua histria e a sua insero na poltica de Assistncia Social.

    No primeiro momento apresentamos a trajetria da Assistncia Social no Brasil, para que possamos compreender a im-portncia das entidades sociais na cons-truo da Poltica de Assistncia Social, e como, a partir desse caminhar, a atuao se fortalece na busca de uma sociedade mais justa, fraterna e solidria.

    Na sequncia, apresentamos a hist-ria da ASA e o desenvolvimento dos seus trabalhos nesses 50 anos. Historicamente sua atuao est relacionada ao contexto social e pela opo pelos pobres. No pe-rodo de 1960 a 1977 executa o Programa Aliana para o Progresso. Na dcada de 70, passa a atuar no campo da promo-o humana a partir de qualificao de mo-de-obra e cria o Projeto Mensageiro da Caridade. Com o movimento consti-tuinte, na dcada de 80, atua fortemente na luta pelos direitos sociais, juntamente com outras organizaes sociais. J na dcada de 90 redefine seu trabalho a partir de linhas de atuao, priorizando sua interveno na defesa e promoo de direitos sociais e polticas pblicas.

    Finalizando apresentamos o momento atual, destacando os novos desafios para o trabalho, tais como: reordenamento das aes sociais, desenvolvimento solidrio e sustentvel, economia popular solidria, organizao comunitria e atuao em rede. Destaque-se que a ASA compos-ta por uma Rede de Aes Sociais, que atua diretamente nas comunidades com programas e projetos. As Aes Sociais Paroquiais contam tambm sua histria, pois so parte destes 50 anos.

    Boa leitura!

    iNtRoduo

  • 7A prtica da assistncia social no Brasil sempre esteve muito ligada s instituies beneficentes, ante-riormente denominadas de filantrpicas e irmandades religiosas. A interferncia do governo comeou a partir de 1930, com a criao do Conselho Nacional de Servio Social (CNSS) e a Legio Brasileira de Assistncia (LBA), durante o governo do presidente Getlio Vargas. A relao da assistncia social com o governo federal no campo assistencial, no entanto, acontecia diretamente nas instituies sem qualquer controle social ou participao dos gover-nos estaduais e municipais.

    Na poca, a transferncia destes recur-sos no obedecia nenhum planejamento e tampouco se baseava em diagnsticos sociais capazes de informar sobre as aes que deveriam ter prioridade no repasse dos recursos. As pessoas amparadas pelas enti-dades sociais eram vistas como incapazes de afirmar seus prprios interesses e de se organizar politicamente.

    A partir de 1946 a LBA se espalhou pelo Brasil com a criao das comisses muni-cipais, que estimulavam o voluntariado feminino e a ao das primeiras-damas. De

    acordo com a doutora em servio social, Dalila Maria Pedrini, as diferenas regio-nais no eram levadas em conta. Os avan-os tcnicos e metodolgicos s comeam a surgir a partir dos conhecimentos produ-zidos pela implantao das faculdades de Servio Social. Nesse perodo, os estados e municpios, inspirados nas leis federais, incentivaram a criao de instituies beneficentes pela sociedade civil.

    Com isso, os servios sociais acabaram sendo descentralizados, mas os governos no se preocuparam em organizar estas aes em torno de um objetivo comum. As aes governamentais e da sociedade civil funcionavam muitas vezes em car-ter de emergncia, sem compromisso de continuidade. Essa falta de coordenao das aes acabou gerando desperdcio de esforos e recursos. Com o golpe militar de

    Assistncia social histricamente ligada s

    instituies beneficientes

  • 81964 qualquer forma de reivindicao e manifestao popular ou partidria era considerada subversiva e tinha como resposta a represso dos organismos militares.

    Segundo informaes da cartilha do Sistema nico de Assistncia Social, (SUAS) do Conselho Nacional de Assistncia Social, entre 1964 e 1985, as aes nas reas de assistncia social foram se burocratizando por meio de criao de regras, normas tcnicas e critrios de atendimentos da populao cada vez mais rigoro-sos e excludentes. Havia uma mistura da imagem do pobre com a do suspeito. Essa viso s foi superada com a aprovao da Poltica Nacional de Assistncia Social (PNAS), em 2004, fazendo valer dos princpios fundamentados na Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS), em 1993. Hoje, a poltica pblica de assistncia social vista como parte importante da proteo social, devendo trabalhar nas interfaces e em parceria com as demais polticas sociais.

  • 9o incio dos trabalhos sociais da Arquidiocese

    Em 17 de novembro de 1960, a Arquidiocese de Florianpolis aprov o u em su a A ssem bl i a de Pastoral a criao da Ao Social Arquidiocesana (ASA), com o objeti-vo de coordenar as obras sociais da Arquidiocese; de educao de base e de promoo humana. Embora criada em 1960, a ASA adquiriu personalidade jur-dica em 17 novembro de 1966 e seu pri-meiro presidente foi Dom Afonso Niehues, Arcebispo de Florianpolis desde 1965.

    Nesta poca eram poucas as parquias com trabalhos sociais organizados, desta-cando-se a Ao Social So Luiz Gonzaga de Brusque (1949), a Assistncia Social So Luiz da Agronmica (1950) e a Ao Social da Trindade (1955). Com a criao da ASA essas entidades potencializaram seus trabalhos a partir da assessoria, do apoio tcnico e de organizao interna.

    Apesar de ser o incio de uma organi-zao social arquidiocesana, j existia h uma presena forte de trabalhos sociais que eram assumidos pelas congregaes religiosas no mbito da Arquidiocese. Essas iniciativas eram basicamente de am-paro aos menores abandonados e crianas rfs, em sistema de internato.

    No incio dos seus trabalhos, a ASA

    assumiu o Programa Aliana para o Progresso, que no Brasil era executado pela Critas Brasileira, organizao da Igreja Catlica Apostlica Romana de mbito internacional, que, no Brasil, faz parte da Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Tratava-se, ento de organizar a distribuio de alimentos provenientes dos Estados Unidos, que por temer um avano do comunismo na Amrica Latina aps a Revoluo Cubana, buscava diminuir a misria nos pases subdesenvolvidos.

    Ainda neste perodo, foi firmado um convnio com a Legio Brasileira

    de Assistncia (LBA), rgo do governo federal, que oferecia recursos para a ma-nuteno dos cursos de educao de base. Sendo assim, foram criados grupos sociais nas Obras Sociais Filiadas