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ANO V / Nº 29 / MAR-ABR 2012 Nó no desenvolvimento Veja o que emperra os negócios criativos e aprenda a se livrar dos obstáculos Meca da tecnologia Aproveite os benefícios dos parques tecnológicos para desenvolver seu negócio Cidades criativas Prefeituras do Estado implantam gestão que destaca a economia criativa Mundo em evolução Países como Estados Unidos, Nova Zelândia e Alemanha subsidiam projetos de inovação Fazer diferente Saiba como utilizar a economia criativa para garantir o sucesso do seu negócio

Revista Conexão - Edição 29 - Março/Abril 2012

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Galeria das ruas Entrevista com o artista e muralista, Eduardo Kobra, sobre a criatividade a serviço das cidades e como a arte de rua atinge públicos diferentes (páginas 6 a 9). Criatividade, um bem que fez história Matéria com cases internacionais sobre polos de inovação e como se tornaram referência (páginas 20 a 23).

Text of Revista Conexão - Edição 29 - Março/Abril 2012

  • vANO V / N 29 / MAR-ABR 2012

    N no desenvolvimentoVeja o que emperra

    os negcios criativos e aprenda a se livrar dos obstculos

    Meca da tecnologiaAproveite os benefcios

    dos parques tecnolgicos para desenvolver seu negcio

    Cidades criativasPrefeituras do Estado

    implantam gesto que destaca a economia criativa

    Mundo em evoluoPases como Estados Unidos, Nova Zelndia e Alemanha

    subsidiam projetos de inovao

    Fazer diferente

    Saiba como utilizar a economia criativa para garantir o sucesso do seu negcio

  • 2 Conexo

    Conecte-se e Compartilhe!

    0800 570 0800 www.sebraesp.com.br twitter.com/sebraesp facebook.com/sebraesp youtube.com/sebraesaopaulo

    Faa parteSe voc pesquisador de instituio

    de ensino superior ou de entidade que visem o empreendedorismo e a educao empreendedora, conecte-se na R.e.d.e.!

    Contatowww.estudoemrede.com.br [email protected]/estudoemredetwitter: @estudoemrede

    O que A R.e.d.e. uma conexo de pesquisadores que visa fomentar a produo de conhecimento colaborativo e individual sobre empreendedorismo e educao empreendedora.

    desde 2010, a R.e.d.e vem se configurando atravs da parceria do SeBRAe-SP com importantes

    entidades de ensino do estado de So Paulo, e conta atualmente com 186 pesquisa-dores cadastrados no site, representantes de 78 instituies. A ideia ampliar gradativa-

    mente a quantidade de pesquisadores e de entidades envolvidas, de

    forma a colaborar cada vez mais com os debates sobre empreendedorismo.

    Histrico

  • Conexo 3

    PPalavra do Presidenteodos sabem que o mundo vem passando por uma (r)evoluo gigante. Por conta das mudanas tecnolgicas, em todos os cam-pos, avanamos, em curtssimo prazo, o que

    levaramos dcadas para alcanar. Quem imaginaria, h 20 anos, ter disposio ferramentas de comunica-o e interao to potentes e to disseminadas como as que utilizamos hoje.

    Estas mudanas no se aplicam apenas no campo das comunicaes e interaes virtuais. Esto impactando fortemente nos modelos de desenvolvimento social, econmico, poltico. Modelos estes que contemplam as formas de interrelao num mundo extremamente conectado e interligado.

    Um dos aspectos que surgiram por conta deste admi-rvel mundo novo foi a economia criativa, tema prin-cipal desta edio da revista Conexo Sebrae-SP.

    O Relatrio de Economia Criativa 2010, produzido pela Unctad, mostrou que os servios e bens da economia criativa cresceram at 14% em 2008, apesar da queda de 12% no comrcio global no mesmo perodo.

    Entendemos economia criativa como o processo que engloba criao, produo e distribuio de produtos e servios que usam a criatividade, o conhecimento e o ativo intelectual. Enquadram-se nesta cadeia produ-tiva os setores do cinema, msica, design, animao, jogos, moda, gastronomia, TV e rdio, publicidade, ar-quitetura, mercado editorial, artes visuais, artes cni-cas, cultura digital, tradicional e expresses populares.

    Por conta do potencial desta atividade, o Governo Fe-deral implementou em janeiro de 2011, no mbito do Ministrio da Cultura, a Secretaria da Economia Criati-va. O BNDES, por sua vez, comea a analisar a melhor maneira de fomentar a economia criativa, por meio de suas polticas de financiamento.

    So iniciativas muito bem-vindas. Entretanto, pre-ciso focar em algo essencial para o fortalecimento e a consolidao desta nova forma de economia, cuja base atender as demandas por produtos e servi-os criativos e inovadores, sem prejudicar e com-prometer as geraes futuras. No h como atingir patamares sustentveis com os atuais marcos regu-latrios nos campos tributrio, trabalhista e buro-crtico, elaborados para atender uma realidade que j no mais a que vivemos.

    impensvel que o brasileiro tenha que trabalhar 149 dias por ano para pagar seus tributos (a carga tribut-ria brasileira de 34,5%) e que o futuro empreendedor leve, em mdia, 80 dias para abrir sua empresa.

    Por isso no nos surpreende estar entre os ltimos no ranking do Banco Mundial, entidade que produz um estudo sobre os pases mais fceis para abertura de empresas (Doing Business): de 183 pases pesquisados, o Brasil ficou na 126 posio.

    Mas no podemos nos calar diante desta situao. Te-mos tudo que necessrio para o Brasil figurar entre as naes mais desenvolvidas do mundo, ainda mais com o incremento da economia criativa.

    Criatividade sem amarras

    T

    Conexo 3

    Alencar Burti, Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP

  • 4 Conexo

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    Conselho Deliberativo do Sebrae-SPAssociao Comercial de So Paulo (ACSP)Alencar Burti - Presidente

    Associao Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei)Celso Antonio Barbosa

    Banco do BrasilDiretoria de Distribuio So PauloAntonio Maurcio Maurano (interino)

    Federao da Agricultura e Pecuria do Estado de So Paulo (Faesp)Fbio de Salles Meirelles - Presidente

    Federao do Comrcio de Bens, Servios e Turismo do Estado de So Paulo (Fecomercio)Abram Szajman - Presidente

    Federao das Indstras do Estado de So Paulo (Fiesp)Paulo Antonio Skaf - Presidente

    Fundao Parque Tecnolgico de So Carlos (Parqtec)Sylvio Goulart Rosa Jnior - Presidente

    Instituto de Pesquisas Tecnolgicas (IPT) Joo Fernando Gomes de Oliveira - Presidente

    Nossa Caixa DesenvolvimentoMilton Luiz de Melo Santos - Presidente

    Secretaria do Estado de Desenvolvimento Econ-mico, Cincia e Tecnologia.Paulo Alexandre Barbosa

    Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)Carlos Alberto Silva

    Sindicato dos Bancos de Estado de So Paulo (Sindibancos)Wilson Roberto Levorato

    Superintendncia Estadual da Caixa Econmica Federal (CEF)Paulo Jos Galli

    DiretoriaDiretor-superintendente - Bruno CaetanoDiretor Tcnico - Ricardo TortorellaDiretora de Administrao e Finanas - Regina Bartolomei

    RedaoGerente do projeto - Eduardo Pugnali MarcosEditora responsvel - Paola Bello - MTB SC03022 JPProduo e CoordenaoFischer2 Indstria Criativa Ltda. Coordenador do projeto Jander Ramon - MTB 29.269Editores Assistentes - Andr Rocha e Selma PanazzoReportagem - Andrea Ramos Bueno, Enzo Bertolini, Gabriel Pelosi, Raphael Ferrari, Thiago RufinoFotos - Agncia Luz, Olcio Pelosi e Patricia Cruz

    Arte [email protected]u.com.br

    Editores de arte Maria Clara Voegeli e Demian RussoChefe de arte - Juliana Azevedo Designers - ngela Bacon e Cristina SanoProduo grfica - Clayton Cerigatto

    Servio de Apoios Micro e PequenasEmpresas do Estado de So Paulo

    Impresso - Grfica Bandeirantes Bimestral / 50 mil exemplaresCartas para: Comunicao Social Rua Vergueiro, 1.117, 8 andar,Paraso, So Paulo, SP, CEP 01504-001 - Fax (11) [email protected]

    PanoramaO empreendedor da rea de moda, Paulo Borges, fala sobre criatividade aplicada nos negcios

    Entraves

    Excesso da burocracia e falta de financiamento inibem EmPrEsas criativas

    Agricultura

    Propriedades rurais adotam gesto inovadora para produo de alimentos puros

    Poder pblicoPrefeituras paulistas implantam gesto diferenciada, aumentando o bem-estar da populao

    Micro E Pequenas

    Entrevista

    Capa

    O grafiteiro e artista plstico Eduardo Kobra fala de artE E nEgciOs

    conhea as iniciativas e novidades do sebrae-sP

    a eCONOmia Criativa se eXPaNde no campo, na indstria e no setor de servios agregando valor

    Internacionais

    vriOs PasEs incentivam o desenvolvimento de inovao pelas empresas

    Tecnologia

    Empresas de pequeno porte se beneficiam de estruturas de incuBaDOras

    24

    2012

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  • Conexo 5

    maginao, criatividade e inovao so palavras que sintetizam a essncia da economia criativa, tema da edio da Revista Conexo Sebrae-SP que voc, leitor, tem em mos. No por acaso,

    so palavras que definem, tambm, o empreendedo-res de sucesso e donos de micro e pequenos negcios em todo o Brasil.

    A economia criativa tem como foco a capaci-dade intelectual, a criatividade e a inovao capazes de gerar produtos, servios e renda. So novidades que vo alm dos setores conhecidamente criativos, como a arte e a moda, nesta edio representadas por Eduardo Kobra e Paulo Borges. Esto tambm na agricultura, no desenvolvimento de servios inova-dores, em produtos da indstria que fazem a dife-rena na vida do consumidor.

    A criatividade nos negcios, liderada hoje por EUA, Nova Zelndia, Israel e Alemanha, est forte no Brasil e, em especial, no Estado e na cidade de So Paulo. E, neste cenrio, as MPEs esto cada vez mais participantes.

    Estudo encomendado pela Prefeitura do Munic-pio de So Paulo mostra que a economia criativa no s tem ganhado destaque, mas tem gerado empregos. Hoje, 1,87% dos empregos formais do Brasil, 2,21% da Regio Sudeste, 2,46% do Estado de So Paulo e 3,47% dos empregos do Municpio de So Paulo esto ligados diretamente economia criativa. So nmeros que mostram que o empresrio est despertando para a qualidade de seus produtos e servios e pela busca de diferenciais no mercado.

    J se percebem a necessidade de consumo e as preferncias na escolha feita pelo consumidor, mas ainda h a carncia de servios que apoiem o empre-endedor quando o assunto a criatividade. neste cenrio que o Sebrae-SP, em trabalho conjunto com parceiros, busca promover capacitao e conheci-mento. Exemplo so as incubadoras de empresas e os parques tecnolgicos, com servios essenciais para o nascimento e desenvolvimento de ideias ino-vadoras, de produtos e servios que proporcionem bem-estar da populao e crescimento da nao.

    Com boas ideias, informao e conhecimento, a economia criativa gera o estmulo para os mais dife-rentes setores econmicos, que crescem e se desenvol-vem incluindo o ser humano, suas percepes e pre-ferncias, no leque de demandas a serem atendidas.

    Foi assim na revoluo tecnolgica de Israel, no Estado da Baviera, na Alemanha; na revoluo cine-matogrfica da Nova Zelndia; e no exemplo mais robusto de todos: o Vale do Silcio estadunidense. Es-ses so os destaques da matria de capa desta revis-ta, ricamente complementada por exemplos que se multiplicam em grandes centros e em pequenos mu-nicpios, na tecnologia de ponta e em solues simples da agricultura. So iniciativas que requerem muito ou pouco investimento, mas que tm em comum a inova-o e a criatividade aliadas ao desejo de sucesso.

    So ideias, sonhos e sentimentos que suscitam nas empresas a necessidade de investir em capital social, em meio ambiente, em responsabilidades por si e por seu entorno. neste sentimento que alguns governantes despertam para a diminuio das buro-cracias e aumento dos investimentos, iniciativas que fomentam a indstria criativa de milhares de micro e pequenas empresas em todo o Pas.

    neste cenrio que voc recebe esta edio da Revista Conexo Sebrae-SP. E neste cenrio que o Sebrae-SP tem buscado fazer a diferena, dia aps dia, no apoio ao desenvolvimento do empreendedo-rismo competente, responsvel, inovador e criativo.

    emPreeNdedOrismO CriativO

    I

    Mensagem da Diretoriam

    A Diretoria

    Bruno CaetanoDiretor-Superintendente

    Ricardo Tortorella Diretor Tcnico

    Regina BartolomeiDiretora de Administraoe Finanas

  • 6 Conexo

    Entrevistae

    galeria das ruasARTISTA NASCIDO E CRIADO NO BAIRRO MARTINICA, NA REGIO DO CAMPO

    LIMPO, EM SO PAULO, EDUARDO KOBRA TEM OS MUROS DE SO PAULO COMO UMA GRANDE TELA. O GRANDE BARATO DE PINTAR NA RUA QUE VOC EST

    COLOCANDO A ARTE AO ACESSO DE TODOS OS TIPOS DE PESSOAS, DESDE UM GARI, QUE TALVEZ NUNCA TENHA ENTRADO EM UMA GALERIA, AT UM ExECUTIVO, AFIRMOU KOBRA DURANTE A ENTREVISTA QUE A REPORTAGEM DE Conexo

    REALIZOU COM ELE EM SEU MURAL IMIGRANTES ITALIANOS.

    Por Enzo Bertolini

  • Conexo 7

    com o que fao. Acreditava mais nisso do que trabalhar em uma agncia bancria ou coisa do tipo. Abandonei tudo para fazer isso. Apesar de dizer que sou au-todidata, isso no significa que no tive que pesquisar muito, vi-sitar muitas galerias e museus. Minha vida toda voltada para isso. Precisei me profissionalizar ao longo do tempo. Hoje presto servio para diversas agncias de todo Brasil e fao trabalhos no Brasil e no exterior. Ano pas-sado, fiquei sete meses fora do Brasil, pintamos em diferentes pases (Inglaterra, Estados Uni-

    Primeiro, gostaria que voc contasse um pouco da sua histria, como e onde comeou a pintar?Eduardo Kobra - Sou de um bairro chamado Martinica, na regio do Campo Limpo. Come-cei pichando muros em 1987 e fiz isso por quatro anos na ci-dade toda. Em 1991, me envolvi com grupos de brake e hip-hop, e descobri a possibilidade de fazer desenhos e grafites em muros. Sou autodidata e sem-pre busquei uma caracters-tica prpria no meu trabalho, uma linguagem, alguma coisa que trouxesse identidade. Esse painel da praa Panamericana, por exemplo, faz parte do pro-jeto Muro das Memrias.

    Quando o painel da Praa Panamericana foi pintado e como comeou o projeto Muro das Memrias?Kobra - Esse painel foi feito em maro de 2011 e retrata imi-grantes italianos que estavam chegando a So Paulo no co-meo do sculo passado. Sem-pre passo pela regio e vi esse muro disposio. Entrei em contato com o proprietrio, que autorizou a pintura. Foram 20 dias pintando, junto com a mi-nha equipe. Tenho oito artistas que trabalham comigo e mui-tos deles vieram trabalhar por causa do meu trabalho com o Muro das Memrias. So ex-pi-chadores e grafiteiros que no tinham muitas possibilidades e oportunidades de trabalhar com esse tipo de arte. Infeliz-mente , ainda difcil trabalhar com arte sob qualquer aspecto, principalmente arte de rua.

    Como foi o processo migratrio da pichao para o grafite at se

    tornar o artista reconhecido que hoje?Kobra - Sofri muito preconcei-to da minha famlia no comeo por causa da pichao, mas foi uma evoluo natural. Estuda-va e trabalhava em uma agn-cia bancria, mas chegou um momento que abandonei tudo isso para fazer o que acredita-va: pintar os muros da rua. At hoje, muita gente que pinta na rua sofre preconceito. No sofro mais porque j estou h mais de 20 anos trabalhando com isso. As pessoas se acostuma-ram a ver meu trabalho e hoje

    Para mim tudo aconteceu muito naturalmente. sou um emPreendedor Porque acreditei no meu trabalho e batalhei Por aquilo que acreditava e queria fazer embora no houvesse nenhuma Porta aberta, nenhuma Possibilidade de se viver com o que fao

    elas compreendem melhor. No passado, fui detido trs vezes por pichao. A discriminao no veio s quando pichava, mas quando grafitava tambm. As pessoas levaram um tempo para compreender.

    Como transformar a cria-tividade em um negcio? Kobra - Para mim, tudo acon-teceu muito naturalmente. Sou um empreendedor porque acre-ditei no meu trabalho e batalhei por aquilo que acreditava e que-ria fazer, embora no houvesse nenhuma porta aberta, nenhu-ma possibilidade de se viver

    dos, Frana entre outros) e em abril e maio ns vamos fazer quatro pases (Frana, Lba-no, Estados Unidos e Emirados rabes Unidos). Para que isso acontecesse, precisei abrir uma empresa, formar uma equipe, emitir nota fiscal e, acima de tudo, tenho pessoas que traba-lham comigo, h uma estrutura por trs disso, para que os tra-balhos aconteam. No d para ser um artista como as pessoas imaginam, s na boemia, fes-tas. Para conseguir fazer com que tudo isso acontea, existe um pensamento empresarial, um planejamento.

  • 8 Conexo

    Quando voc conseguiu ganhar dinheiro pela pri-meira vez com a sua arte?Kobra - Primeiro, quero dizer que fao isso porque gosto, porque amo. Por morar na pe-riferia, s fui ter acesso a uma galeria de artes com 25 anos. Nem imaginava que algum pu-desse pagar alguma coisa para voc pintar um muro ou vender uma tela. No tinha essa noo. A primeira oportunidade que tive foi na poca que trabalhava com grafite hip-hop e o pessoal me chamava para grafitar loja de roupa, de skate. Trocava meu servio por roupa, skates e tal. Mas a primeira oportunidade real de trabalho foi em 94, quan-do participei em um projeto no Playcenter [parque de diverses localizado na Zona Oeste de So Paulo]. Quatro agncias de pu-blicidade estavam disputando para ver quem conseguia ser contratado para pintar quatro painis atrs dos brinquedos. Apresentei meus projetos por meio de uma agncia e peguei esses trabalhos.

    Hoje, todo o seu trabalho remunerado?Kobra - Vale dizer que 90% dos murais que fao na rua so mu-rais que no tenho nenhum tipo de apoio ou patrocnio para fa-zer. Fao como um projeto de street art na cidade. Banco esses murais com outros projetos que fao. Presto servios nos trs principais parques de diverses do Brasil: Beto Carrero World [na cidade de Penha, em Santa Ca-tarina], Playcenter [na capital] e Hopi Hari [em Vinhedo, interior de So Paulo]. Parte da grana que ganho com esses trabalhos invisto nos murais que fao pela cidade e fora do Pas tambm. [A mdia das obras do Eduardo Kobra so de US$ 40 mil, sendo

    que a mais cara at hoje custou R$ 500 mil.]

    Como voc lidou com a parte burocrtica?Kobra - At hoje tenho dificul-dade, acho super chato, no gosto e, se pudesse pular isso, pularia. Contratei uma conta-dora para organizar essas coi-sas, porque, se depender de mim no rolaria. Mas no tem como voc prestar servios hoje em dia se voc no tiver tudo certo. Por isso que tem muitas pessoas que trabalham com arte que acabam no conse-guindo fazer trabalhos para de-terminadas empresas, porque elas no conseguem correspon-der com toda a documentao

    necessria. Quando voc vai fazer trabalhos para uma em-presa grande, h uma srie de coisas que precisam ser feitas por todos que vo trabalhar.

    Como precificar uma obra? O que voc analisa ao de-terminar um valor?Kobra - Tenho algumas telas em galerias, tenho trabalhos encomendados por algumas empresas e tem os murais que fao na rua. Existe uma m-dia que cobrada por metro quadrado em relao ao meu trabalho. O valor por metro

    quadrado foi definido por um crtico de arte que conhece minha histria e chegou a um determinado valor. Hoje, optei por fazer poucos trabalhos en-comendados e invisto mais nos murais na cidade. O dinheiro que vem das obras, estou in-vestindo nos muros.

    Alm das vendas das telas, voc recebe por licenciamentos de obras para produtos e por tem-po de exposio?Kobra - Sempre pedem para uti-lizar meus trabalhos em cader-nos, capas de notebooks, malas etc, mas optei por no fazer li-cenciamentos dos meus traba-lhos em uma srie de produtos.

    Fiz isso em respeito s pessoas que esto comprando minhas obras em galerias e para que minha arte no seja um produ-to simplesmente. A arte envolve muitas coisas que esses produ-tos no captariam.

    A pintura um processo criativo que demanda ta-lento, dedicao e inspira-o. Como se proteger de aproveitadores que copiam sua arte e tcnica?Kobra - Quando voc est na rua, voc est exposto a todo tipo de situao. Gosto de colo-

    existe uma mdia que cobrada Por metro quadrado em relao ao meu trabalho. o valor foi definido Por um crtico de arte que conhece a minha histria e chegou a um determinado valor

  • Conexo 9

    car meu trabalho na rua, uma prioridade da minha vida. Meu trabalho surgiu na rua e quero manter assim. Muitas pessoas me perguntam no s sobre cpias, mas ao fato de estar dentro de gale-rias. Quando o artista comea na rua, abandona a rua e parte pra galeria e fica s l, ele est perdendo as origens. Resolvi fi-car na rua. Na rua, todo mun-do pode ver o seu trabalho, algum pode pichar, copiar, s que o que fao hoje foi cons-trudo ao longo de anos, no foi ao acaso. Cada detalhe que acrescento ao meu trabalho foi fruto de pesquisa, levei tempo para chegar nisso. Quando al-gum v uma obra e opta por copiar, nunca vai conseguir destaque no que faz. Arte uma coisa muito pessoal.

    Quais lies voc pode en-sinar aos empreendedores de pequeno porte?Kobra - As mesmas lies que apliquei na minha vida. Acre-dito muito na sensibilidade, em respeito ao cliente, em apresentar sempre o teu me-lhor trabalho e colocar pessoas altamente qualificadas, que te completem, em reas que voc possui deficincia. Tambm preciso ter esprito de equipe, pois ningum vai a lugar ne-nhum sozinho. Consigo ir mui-to bem nos trabalhos que fao porque tenho uma equipe de suporte e artistas atrs de mim que so muito bons. No existe frmula mgica, voc tem que acreditar realmente e dedicar sua vida naquilo que voc quer fazer. Essa a nica maneira que vejo. Se hoje no continuar me dedicando como me dedi-co, minhas coisas vo desapa-recer. Sempre soube o que quis fazer, e no desisti.

  • Micro e PequenasMicro e Pequenas

    retratO DO FUTURO Em fevereiro, o Sebrae-SP lanou a Pesquisa Cenrios 2020 para ajudar empreendedores na identificao de potenciais negcios. De acordo com o trabalho, So Paulo ter uma empresa a cada 17 habitantes. A maioria delas ser de empresas de servios. Os segmentos de alimentao e habitao lideram as oportunidades de negcios para as empresas de pequeno porte. No perodo, a participao das mulheres nas atividades empreendedoras aumentar.

    Prmio MULHERO Sebrae-SP realizou, no dia 8 de fevereiro, a etapa paulista do Prmio Sebrae Mulher de Negcios. Florentina Kera, proprietria do laboratrio de anlises clnicas LAC, e Branca de Carvalho e Silva, fundadora da cooperativa Arte & Ofcio, foram as vencedoras nas categorias Pequenos Negcios e Negcios Coletivos, respectivamente. As duas concorreram final nacional do Prmio, que aconteceu dia 8 de maro em Braslia, conquistando o trofu de bronze e o de prata, respectivamente.

    crescimento IMPORTANTEO total de empresas registradas no Estado de So Paulo cresceu 27% em 2011, saltando de 348,9 mil empresas, em 2010, para 444,6 mil. Conforme dados da Junta Comercial do Estado de So Paulo (Jucesp), foram registrados 241,8 mil novos Empreendedores Individuais, um incremento de 58% em relao a 2010. O salto no total de empreendimentos tambm foi acompanhado por um impulso de 3,8% no faturamento das micro e pequenas empresas entre 2010 e 2011. De acordo com a pesquisa Indicadores, do Sebrae-SP, o aquecimento do mercado interno foi o principal motivo para o bom desempenho das empresas dos setores de comrcio e servios, que registraram impulso de 3,3% e 7,5%, respectivamente, no faturamento do perodo. Segundo o diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano, as Micro e Pequenas empresas geraram R$ 336,6 bilhes em receita no Estado em 2011.

    Micro e Pequenasm

  • DVIDAS ParceladasO Simples Nacional j conta com mais de seis milhes de empresas. A marca foi alcanada em fevereiro, aps cerca de 500 mil negcios em dbito com Unio, estados e municpios se beneficiarem do programa de parcelamento conhecido como Refis da crise. As empresas que integram o programa podem pagar suas dvidas em at 60 parcelas mensais, sendo que o valor mnimo de cada parcela de R$ 500. Alm disso, as empresas inscritas no Refis da Crise podem voltar para o Simples Nacional.

    EMPREENDEDOR vitorioso

    O programa Sebrae 2014 apresentou estudo que aponta 456 oportunidades de negcios que surgiro

    no Estado devido realizao da Copa do Mundo. De acordo com o estudo, encomendado Fundao Getulio Vargas (FGV), o setor de turismo e as produes associadas a ele concentram 139 dessas oportunidades, o setor de TI, 80, e o agronegcio, 75. Para possibilitar que os pequenos empreendedores se beneficiem dessas oportunidades, o programa Sebrae 2014 ir investir R$ 80 milhes em programas de consultoria, inovao e capacitao, de forma geral. Um desses programas o Taxista Nota 10, que oferece a esses profissionais cursos distncia de gesto de negcios, ingls e espanhol.

    GOL NOs NEGCIOS

    Vitor Lippi, prefeito de Sorocaba, o vencedor da disputa estadual da 7 edio (2011/12) do Prmio Sebrae de Prefeito Empreendedor, que incentiva o desenvolvimento municipal com base nas micro e pequenas empresas. Os projetos de So Sebastio da Grama, municpio na divisa com Minas Gerais, e de Mogi das Cruzes terminaram em 2 e 3 lugar, respectivamente. Os projetos de Presidente Prudente, So Jos dos Campos, Cubato, Conchas, Andradina, Marlia e So Paulo foram os vencedores dos sete destaques temticos. Est prevista para maio a fase nacional do Prmio.

    A HORA do leo O Sebrae-SP, a Federao das Associaes Comerciais (Facesp) e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) realizaram, entre os dias 27 de fevereiro e 10 de maro, no Largo So Bento, em So Paulo, um mutiro para promover a formalizao de pequenos negcios e auxiliar Empreendedores Individuais (EIs) no preenchimento da declarao do Imposto de Renda (IR). No total, foram trs mil atendimentos realizados.

  • Por Raphael Ferrari

    riatividade e inovao no mercado arts-tico so valores comuns a grandes obras. Igualmente no ambiente empresarial, esse caminho de sucesso pode ser alcan-

    ado por meio da Economia Criativa. Criada nos anos de 1990, o conceito pressupe um modelo econmico inovador que agregue valor aos neg-cios e ganhe a empatia de consumidores.

    Para a criatividade no h amarras, nem pare-des que a isolem. Ela transita de ideias simples, que ganham pela originalidade, at projetos tecnolgi-cos de alta complexidade. Ela habita, sem distino, o campo, a indstria e os servios. Na economia criativa os processos tambm so relevantes para alcanar um resultado positivo e diferenciado.

    Gerir com o olhar clnico da criatividade acaba por exigir um constante crescimento das organiza-es, sejam de que porte forem, privadas ou pblicas. Na ponta final, o consumidor, surpreendido pelo dife-rente, exercer seu poder de compra, tornando o ne-gcio rentvel e bem colocado dentro do mercado.

    C As fontes inspiradoras de projetos inovado-res vem tanto de pases como Estados Unidos, Nova Zelndia e Alemanha, como de administra-es municipais do Estado. H um trabalho rico sendo desenvolvido nas incubadoras e parques tecnolgicos que logo sero comercializados para uma clientela que rene uma nova, poderosa e exigente classe mdia.

    A trajetria da economia criativa sofre com entraves, como o excesso de burocracia e a falta de linhas de financiamento para projetos inova-dores, que leva conscientizao da necessidade de se reverter essa toada. Mas o n pode ser des-feito se considerarmos a criatividade dos empre-endedores do Pas.

    Nas reportagens a seguir, Conexo mostra iniciativas vitoriosas nos setores da agricultura, indstria, servios e poder pblico. So histrias de empreendedores que inovaram e consagra-ram a economia criativa como modelo de desen-volvimento sustentvel.

    CapaC

    12 Conexo

    DiFErEnciaDOum caminho

    CDIGO COMERCIAL CENTENRIO PRECISA SER MODERNIZADO PARA REGULAR AS RELAES COMERCIAIS DE MANEIRA EFICIENTE NO SCULO 21

  • 14 Conexo

    CapaC

    DESCUBRA O QUE ECONOMIA CRIATIVA E COMO SE BENEFICIAR DE SEUS CONCEITOS PARA CONSOLIDAR NEGCIOS DIFERENCIADOS E MAIS RENTVEIS

    Por Raphael Ferrari

    a Palavra de ordem inovar

    14 Conexo

  • Conexo 15

    riatividade e inovao. Os dois conceitos de f-cil compreenso, mas de difcil aplicao no

    dia a dia das empresas, so o eixo do que o mercado tem, des-de 1990, chamado de economia criativa. O termo, contudo, gera mais dvidas do que esclareci-mentos e mesmo os pesquisa-dores do assunto discordam na hora de responder, afinal, o que a economia criativa?.

    Os mais conservadores afirmam que ela a movimen-tao proporcionada pelas in-dstrias criativas aquelas com origem na criatividade, compe-tncia e talentos individuais, que transformam a cultura em valor econmico e, geralmente, pertencem ao setor das artes ou comunicao , que impul-sionam outros mercados. O carnaval, por exemplo, um produto da indstria criativa que movimenta o comrcio de

    C

    alimentos, hospedagem, turis-mo etc., aquecendo a economia como um todo, exemplifica Laura Pansarella, pesquisadora do Centro de Empreendedoris-mo e Novos Negcios (Cenn) da Fundao Getulio Vargas (FGV).

    J Ary Scapin, consultor do Sebrae-SP, defende que essa liga-o com a cultura no um ele-mento intrnseco da economia criativa. Para ele, estar inserido na economia criativa traba-lhar formas criativas e inovado-ras de se posicionar no merca-do, aproximando o produto das necessidades do consumidor e introduzindo inovao dentro de um processo produtivo com o ob-jetivo de gerar lucro para a em-presa. Falar de criatividade em setores em que isso j inerente, como aqueles ligados cultura, muito fcil. A economia criativa mais ampla, defende.

    O mesmo raciocnio se-guido pelo presidente do Ins-tituto Brasileiro de Economia Criativa e do Conselho de Criati-vidade e Inovao da Federao do Comrcio de Bens, Servios e Turismo do Estado de So Paulo (FecomercioSP), Adolfo Melito, que afirma que o fundamento da economia criativa desen-volver inovaes que gerem re-torno para a empresa. Se voc cria ou adiciona um elemento novo em um produto e algum se dispe a compr-lo por essa inovao, voc faz parte da eco-nomia criativa, resume Melito.

    O certo que o conceito de economia criativa pode ser aplicado em todas as empresas. Principalmente, para as micro e pequenas uma forma de so-brevivncia no mercado. A em-presria Roberta Caruso um exemplo de que simplicidade e criatividade podem andar jun-tas com o desenvolvimento. Ar-

    quiteta, Roberta criou, em 2006, uma empresa de hospedagem com acomodaes que podem ser montadas e desmontadas sem deixar rastros. A Overland emprega comunidades locais para montar as acomodaes com equipamentos de cam-ping e hotelaria, misturando, por exemplo, barracas e camas. um mercado que est come-ando a crescer, conta Roberta. Hoje, j forneo acomodaes para eventos como o Rally dos Sertes, o SWU e a Festa do Peo de Barretos, completa.

    Para os empresrios inte-ressados em introduzir o concei-to de economia criativa no dia a dia de sua empresa, o Sebrae--SP oferece, por meio de seu site (www.sebraesp.com.br), cursos de Educao Distncia (EAD), que podem ser feitos a qual-quer hora, de Inovao, Design e Criatividade, que estimulam o empresrio a se posicionar no mercado de forma diferenciada.

    Contudo, antes de fazer um desses, Scapin recomenda que os empresrios faam os cursos de gesto mais tradicional, que ensinam a gerir a empresa e a estruturar um plano de neg-cios. No d para uma empresa pensar em ser inovadora se no conseguir fazer um plano de ne-gcios bem elaborado, que apon-te um norte para suas aes, opina. O Empretec uma tima opo para todos os empres-rios. Mesmo para os que preten-dem se dedicar somente a parte criativa e contratar um adminis-trador, importante entender do assunto para se proteger, concorda Laura.

    A Carbono Zero Courrier, empresa de pequeno porte com menos de dois anos de ativida-de, um exemplo da importn-cia que um plano de negcios

    Conexo 15

  • 16 Conexo

    tem para, entre outros pontos, definir qual ser o papel da em-presa no mercado. Danilo Mam-bretti, criador da empresa, con-ta que sempre teve vontade de empreender, mas que o sonho s virou realidade quando pro-curou o Sebrae-SP para estrutu-rar a ideia. Usei muitos recur-sos do site para criar um plano de negcios, ento, chamei meu irmo e, juntos, reunimos os re-cursos para investir, relembra. O negcio deu certo. Hoje, a em-presa conta com 23 bike boys, 16 com carteira assinada e sete em perodo de experincia, que entregam em todo o municpio de So Paulo. At o fim de 2012, Mambretti calcula que a empre-sa crescer mais 50%, chegando o ano com 35 funcionrios e R$ 60 mil de faturamento.

    O empresrio tambm pen-sa em formar uma escola de courriers, j que tem dificulda-de para encontrar funcionrios capacitados a fazer o servio, mesmo dando oportunidade para jovens que esto comean-do agora, mulheres e ex-presi-dirios. Mambretti conta que

    CapaC

    o maior diferencial da Carbono Zero Courrier, alm do preo, que menor do que o de um mo-toboy, o rastreamento de car-bono. A cada entrega, compu-tamos o carbono que teria sido emitido caso o servio fosse feito por um motoboy com uma moto de 125 cilindradas, explica.

    Outro ponto importante a se trabalhar a cooperao. Scapin afirma que as grandes empresas de setores pouco criativos podem, e devem, bus-car parceiros entre as micro e pequenas empresas para in-troduzir inovaes em seu ne-gcio. J que, segundo ele, as empresas de menor porte tm mais agilidade e capacidade de percepo do mercado do que as grandes empresas, por uma questo de estrutura.

    Por outro lado, Laura, do Cenn/FGV, pondera que esta uma questo que pode ser tra-balhada nos dois sentidos. Um artista pode contribuir para uma grande empresa, asso-ciando seu nome e sua arte a um produto, aponta. No sen-tido oposto, uma pequena ou

    mdia empresa que venda ca-misetas pode se beneficiar da criatividade de uma grande em-presa, como a Disney, licencian-do personagens para estampar seus produtos, completa. Lau-ra afirma que esta a grande vantagem da indstria criativa, agregar valor aos produtos que deixam de ser simplesmente materiais e adquirem um valor imaterial, devido ao trabalho de um artista.

    E quando as empresas so do mesmo ramo, a cooperao deve ser maior ainda. Os em-presrios no devem entender as empresas concorrentes como inimigas, mas, sim, como parcei-ras, ensina Scapin. O consultor acredita que formar grupos para discutir inovao e debater o mercado acelera a evoluo das empresas, a expanso e a mo-dernizao do mercado.

    O empreendedor precisa ter a cabea aberta e proativa, precisa ter tempo de respirar informao, e no ficar restrito a atividade de apagar incndios do dia a dia. O empresrio pre-cisa estar atento ao mercado.

    estar inserido na economia

    criativa tra-balhar formas inovadoras de

    se Posicionar no mercado,

    aProximando o Produto da

    necessidade do consumidor

    Ary Scapin, consultor do Sebrae-SP

  • Conexo 17

    Um exemplo disso o cresci-mento da sorveteria Ice by Nice.

    Sediada em Jaboticabal, a cerca de 50 quilmetros de Ribei-ro Preto, no interior de So Pau-lo, a sorveteria Ice by Nice, que hoje conta com mais de 10 lojas, foi criada por Ricardo Ferreira em 1989. Em um bairro afastado do centro comercial, Ferreira se viu obrigado a procurar meios cria-tivos de atrair os consumidores. Desde o incio, o foco foi inovao. Pegvamos o gancho de um even-to de agronomia da Unesp (Uni-versidade do Estado de So Paulo), por exemplo, e fazamos degus-tao de um sorvete com leite de cabra ou de amendoim, relem-bra. s vezes, o sabor no era to bom, mas era algo diferente, que chamava a ateno, conta.

    A grande ideia de Ferreira foi inovar nas taas e na forma de servir o sorvete. Fizemos um sor-vete em forma de feijoada, usando um creminho de chocolate, gotas de chocolate lembrando feijo e salame de chocolate parecido com linguia. Depois foi o espague-

    te, que era um sorvete de creme prensado em uma mquina para lembrar os fios da massa, des-creve. Ferreira explica que sem-pre pesquisou o que poderia fazer diferente do que j existia. Na poca foi difcil, mas, hoje, com a internet, mais fcil acompanhar o que acontece no mercado, nas sorveterias do mundo todo.

    A disposio de acompanhar as novidades do mercado ao redor do globo continua rendendo fru-tos. Em maro, Ferreira inaugura-rou um novo conceito de sorvete-ria no Pas. Parti de um modelo que vi na Itlia e em Nova York e estou aprimorando, buscando explorar com mais qualidade e mais brasilidade, revela Ferreira.

    a grande ideia foi inovar nas

    taas e no jeito de servir.

    fizemos um sorvete em for-ma de feijoada,

    usando um cre-minho, gotas e

    salame, tudo de chocolate

    Ricardo Ferreira, proprietrio da Ice by Nice

  • 18 Conexo

    CapaC

    A inovao e a criatividade, cada vez mais buscadas pelas em-presas, tambm tm alterado o co-tidiano das pessoas. Apesar de ser um exemplo comum, quem ima-gina sua vida sem celular? Alis, sem um smartphone?

    Outro exemplo de inovao a utilizao de vdeo games para a realizao de terapia. Fabio Na-varro Cyrillo, professor do curso de Fisioterapia da Universidade Cidade de So Paulo (Unicid), o responsvel por instituir a ativida-de no centro de terapia da Unicid. Em 2007, fiz um estgio em uma universidade do Canad que uti-lizava jogos do Wii (da Nintendo) nos processos de reabilitao, conta. Quando voltei, institui a atividade aqui.

    Cyrillo salienta que o jogo no substitui a terapia tradicional, mas funciona como um exerccio adi-cional, com o benefcio de aumen-tar a motivao dos pacientes. Os pacientes ficam mais animados

    com esses exerccios, o que signifi-ca mais empenho no tratamento e, consequentemente, menor tempo na reabilitao, destaca.

    A terapeuta ocupacional, Da-niela Carraro, que desde 2008 de-senvolve tratamentos com vdeo game na Associao de Assistncia Criana Deficiente (AACD), pon-tua que, durante o jogo, o paciente realiza movimentos que no faria durante a terapia tradicional. A criana faz com prazer, se divertin-do, no pensa no movimento que est fazendo, explica Daniela.

    Alm do Wii, os dois centros utilizam o xbox 360 com Kinect, da Microsoft um sistema que permi-te jogar sem a utilizao de contro-les, somente com o movimento do corpo, e que, justamente por isso, tem possibilitado novos avanos. O diferencial do Kinect a mobi-lidade, resume Cyrillo. Podemos trabalhar com deslocamento, mo-vimentao dos membros inferio-res e equilbrio, completa.

    tEcnOlOgia aplicada nos negcios

    18 Conexo

  • Conexo 19

    O diferencial da empresa, en-tretanto, so os encontros com os funcionrios e a famlia, no qual so propostos desafios esportivos, como corridas de bicicleta, raf-ting e tirolesa. Alm da interao, aproveitamos esse momento para avaliar como o funcionrio lida com gerenciamento de risco e de equipe e sua capacidade de liderar e tomar decises, revela Machado. Aliamos o lazer ao comprometi-mento com o time.

    A economia criativa um universo sem fim de possibilida-des para agregar valor e eficin-cia aos bens, aos servios e aos processos das empresas, geran-do retorno econmico para elas. Certo mesmo, s que a inovao e a criatividade so elementos cruciais para o futuro das empre-sas, de qualquer tamanho.

    em abril, o Sebrae-SP lana o Programa de economia Criati-va. Composto por quatro cursos gratuitos de educao Distn-cia, destinado a donos de micro e pequenas empresas. Capacite-se em http://sebr.ae/sp/ead

    A ideia deixar mais de 40 sabores de picol expostos, sem embala-gem, para que o consumidor esco-lha. Depois, possvel completar o sorvete com cobertura, castanhas, nozes etc. A finalizao ser feita por um atendente que confere ao picol sabor e designs nicos, ex-plica. Tambm teremos sabores diferentes, como whisky e caipiri-nha, conta. O novo modelo j tem nome, Nicebar. Se o produto for bem aceito, Ferreira afirma que, at abril, ter uma loja trabalhan-do com o novo conceito em Uber-lndia (MG), e depois comear a transformar o modelo em franquia.

    Mas fazer parte da econo-mia criativa no s inovar na forma de apresentar o produto fi-nal ou criar novos bens e servios. Organizar a empresa com criati-vidade, focando a preservao de talentos e ampliando a produtivi-dade da empresa tambm conta, e muito. Se os funcionrios pro-duzirem mais devido estrutura diferenciada de trabalho, voc est adotando elementos da eco-nomia criativa, aponta Melito.

    Alis, na opinio do presidente do Instituto Brasileiro de Economia Criativa, este deve ser o primeiro cuidado que as micro e pequenas empresas devem tomar aps es-truturar seu plano de negcios. Atraia boas pessoas, cuide de seus talentos e de autonomia aos profissionais, Melito recomen-da. No possvel exercer uma atividade criativa monitorada. A pessoa precisa estar vontade para evoluir, conclui.

    A Trust Sign, uma das trs empresas capacitadas a emitir cer-tificado digital no Brasil, um caso a ser observado. Segundo o gerente de operaes, Ivo Machado, a em-presa tem programa de meditao para os funcionrios, no cobra o horrio de entrada ou sada (so-mente os resultados), permite que os funcionrios trabalhem de casa e d bolsas para faculdades e cur-sos de ingls. No momento, por exemplo, estamos pagando para uma funcionria passar quatro meses nos Estados Unidos para aperfeioar seu domnio do ingls, explica Machado.

    j forneo acomodaes Para eventos como o rally dos sertes,

    o sWu e a festa do Peo

    de barretos. um mercado

    que est comeando

    a crescerRoberta Caruso,

    proprietria da Overland

  • 20 Conexo

    um bem que fez a histria

    m 387 a.C., o filsofo e matemtico grego Plato fundou a Academia, primeira ins-tituio de educao superior do mundo ocidental. Discpulo de Scrates e men-

    tor de Aristteles, o filsofo grego colaborou para construir os fundamentos da filosofia natural, da cincia e da filosofia ocidental e sempre lembrado pela Teoria das Ideias. A ele, atribuda a mxima: A necessidade me da inovao.

    Sendo ele o autor ou no da frase, o concei-to pode ser comprovado com diversos exemplos ao

    Internacionaisi

    ECONHEA UM POUCO DAS ExPERINCIAS DE POLOS INTERNACIONAIS DE INOVAO

    E ENTENDA COMO ELES SE TORNARAM REFERNCIA

    Por Enzo Bertolini

    longo da histria. Na Nova Zelndia, na dcada de 30, o fazendeiro William Gallagher enfrentava pro-blemas com um cavalo que se esfregava constan-temente em seu carro. Ele desenvolveu ento uma cerca eltrica, que impediu que o cavalo circulasse por onde no deveria. A soluo de Gallagher per-mitiu que os fazendeiros kiwis (sinnimo de neo-zelandeses) gerenciassem suas pastagens com um custo menor do que o empregado com as cercas normais. A tecnologia nascida com o propsito de controlar um cavalo hoje utilizada em segurana

    Marcelo nakagawa: os governos devem subsidiar os projetos de inovao

    Criatividade,

  • Conexo 21

    e a empresa j desenvolveu no-vas tecnologias para as reas de combustveis e minerao.

    Avanando um pouco no tempo, no final da dcada de 80 o mundo passava por uma grande transformao geopo-ltica com a queda do Muro de Berlim na Alemanha e o fim da Unio das Repblicas Socialistas Soviticas (URSS). Por ocasio desses eventos, muitos judeus

    ca e Gesto Tecnolgica da Uni-versidade de So Paulo (USP).

    A indstria de comunicaes israelense se caracteriza pelo ele-vado nvel de inovao gerador de mudanas radicais que se traduz em sucessos comerciais. Valem destacar a telefonia baseada em IP, tecnologias Disc on Key (utili-zada em pen drives), os conheci-dos arquivos Zip e o programa de mensagens instantneas ICQ.

    BMW, Audi, Siemens, Allianz, Adi-das e Puma. Mas nem sempre foi assim. Por muito tempo, a Bavie-ra foi uma regio pobre com uma economia majoritariamente agr-ria. Hoje, a regio uma das mais ricas da Alemanha e da Europa. Como se deu essa transforma-o? A regio possui vrios clusters (concentrao de empresas que possuem caractersticas seme-lhantes e coabitam prximas) nos setores de engenharia, mquinas e automotivo, aeronutico, espa-cial, defesa, nanotecnologia na rea humana e meio ambiente, tecnologia ambiental e energia re-novvel, informao e telecomu-nicao e mdias.

    Langewellpott explica que 90% das empresas da Baviera so pequenas e mdias, com taxas de exportao superiores a 80%, na maioria delas. Mesmo em cida-des pequenas h empresas lde-res de algum tipo de mercado. O representante da Baviera no Brasil conta que o fato do mer-cado interno alemo e europeu estarem saturados, as empresas so obrigadas a apresentar voca-o para exportar desde o incio. Cerca de 50% do PIB da Baviera vem da exportao. H procura por novos mercados nos BRICS (Brasil, Rssia, ndia, China e frica do Sul), principalmente o Brasil, que recebeu 50 novas em-presas Bvaras no ltimo ano.

    Os ambientes de inovao na Baviera nasceram graas aos incentivos do Governo. Segun-do Langewellpott, h um cluster speaker que coordena as aes dos centros de pesquisa para os prximos anos e organiza participao em feiras no ex-terior. Alm do apoio financei-ro e estratgico do Governo, as startups alems tm o apoio das universidades e de empresas de grande porte em busca de novos produtos e solues.

    O pas tambm conhecido na rea de equipamentos mdicos. O nmero de patentes registrado por Israel no setor de cincias da vida est entre os mais altos do mundo, tanto em farmacutica (setores especficos) quanto em equipamento mdico.

    Conhecida como o Japo do ocidente, por seu pragmatismo e capacidade de se reerguer, a Ale-manha mais um exemplo de um ambiente de inovao que surgiu da necessidade. Ns no temos muitas matrias-primas como o Brasil. A riqueza da Ale-manha precisa ser produzida por meio das tecnologias, inovao e criatividade, afirma Martin Langewellpott, representante do Estado da Baviera no Brasil na Cmara de Comrcio e Indstria Brasil-Alemanha.

    O estado da Baviera bero de empresas multinacionais, como

    o modelo insPiracional dos jovens de Palo alto so os emPreendedores. ter uma StArtuP muito bem visto, enquanto trabalhar em uma emPresa como funcionrio no bem aceito l Marcelo Nakagawa, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper

    emigraram para Israel em bus-ca de melhores oportunidades de vida. A chegada de um afluxo muito grande de pessoas e a difi-culdade de absoro dessa mas-sa pelo Estado, ento o principal empregador, gerou uma poltica de incubao de empresas em 1991 com a finalidade de com-plementar a capacitao tcnica da grande quantidade de profis-sionais da rea tecnolgica alia-da ao empreendedorismo e ca-pacidade de gesto. A partir da se criaram um conjunto de incu-badoras que foram responsveis pelo surgimento de um ambien-te de inovao para novas em-presas de base tecnolgica. Por Israel ser um pas de pequenas dimenses, essas empresas j nasceram com foco no mercado externo, o conhecido born global, explica Guilherme Ary Plonski, coordenador do Ncleo de Politi-

  • 22 Conexo

    Famosa por sua tecnologia de ponta na rea agrcola e pela excelncia no rugby, a Nova Ze-lndia tambm reconhecida por sua indstria cinematogrfica. Dono de paisagens exuberantes e variadas, que vo desde mon-tanhas de gelo a grandes vales, alm de pntanos e vulces, o pas foi cenrio das filmagens da trilogia Senhor dos Anis, do primeiro filme das Crnicas de Nrnia: o Leo, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de dois filmes da srie Matrix e j recebe a equipe de filmagem do consagrado dire-tor Peter Jackson, que est diri-gindo o filme O Hobbit.

    Mais do que cenrios natu-rais e ambientes perfeitos para a filmagem, a Nova Zelndia tam-bm possui tecnologia de ponta para filmagens. Em Wellington, ca-pital do pas, est a Park Road Post Production, estdio de ps-produ-o onde sucessos de Hollywood foram finalizados. O campeo

    mundial em bilheteria Avatar teve os seus efeitos em 3D realiza-da pela Weta Digital, lder mundial em todas as reas de produo de efeitos visuais.

    Charlotte Simcock, relaes pblicas da rea de negcios da Embaixada da Nova Zelndia, diz que as empresas de seu pas pos-suem um apoio importante do Governo para o desenvolvimento de suas incubadoras tecnolgicas por meio do Ministrio de Cincia e Inovao (MSI). Na dcada pas-sada o MSI investiu mais de U$ 310 milhes em mais de 4.500 negcios para encorajar o desenvolvimento de pesquisa e tornar as empresas mais competitivas globalmente, afirma. Entre 2001 e 2011, 257 em-presas se graduaram das incuba-doras, 69% conseguiram investi-mentos externos e 57% exportam.

    Voc deve estar se pergun-tando: Como possvel falar de ambiente de inovao e no falar do Vale do Silcio? Bom, a

    maior referncia mundial em polo de negcios foi deixada por ltimo porque, segundo Gui-lherme Ary Plonski, coordena-dor do Ncleo de Poltica e Ges-to Tecnolgica da USP, o Vale do Silcio muito singular, um mega ambiente de inovao.

    H diferentes verses sobre a origem do ambiente de inovao em Palo Alto, na Califrnia. A mais aceita est ligada a William Sho-ckley, prmio Nobel em fsica, que dava aulas no Massachusetts Ins-titute of Technology (MIT) quando a me dele, que morava em Palo Alto, ficou doente e ele se mudou para a cidade para cuidar dela. Shockley foi dar aulas na univer-sidade de Stanford, que at ento era incipiente e no tinha voca-o tecnolgica. Como ele era um prmio Nobel, conseguiu atrair di-nheiro do Governo para pesquisas em tecnologia, especificamente na rea de transistores, do qual foi inventor.

    Em 1957, oito dos pesquisa-dores de Shockley optaram por deixar o Shockley Semiconductor Laboratory, criado por ele, e mon-taram a Fairchild Semiconductor, junto com Sherman Fairchild. Al-guns anos depois, os engenheiros Robert Noyce e Gordon E. Moore saram da Fairchild Semiconduc-tor e formaram a Intel. Nos 20 anos seguintes, dos oito primeiros empregados de Shockley surgi-ram 65 novas companhias e essas empresas formaram o ncleo do que se tornou o Vale do Silcio.

    Outra pessoa que colaborou para o surgimento do Vale do Si-lcio foi o especialista em rdio-engenharia e eletrnica. Frederick Terman, que dava aula na facul-dade de engenharia de Stanford, junto com Shockley. Terman teve como alunos Willian Hewlett and David Packard (fundadores da HP) e incentivava seus alunos a criarem companhias e serem em-

    na dcada Passada o msi investiu mais de u$ 310 mi em mais de 4.500 negcios Para encorajar o desenvolvimen-to de Pesquisa e tornar as emPresas mais comPetitivas globalmente Charlotte Simcock, relaes pblicas da rea de negcios da Embaixada da Nova Zelndia

  • Conexo 23

    ns no temos muitas matrias-Primas como o brasil. a riqueza da alemanha Precisa ser Produzida Por meio das tecnologias, inovao e criatividade Martin Langewellpott, representante do Estado da Baviera

    no Brasil na Cmara de Comrcio e Indstria Brasil-Alemanha.

    presrios, inclusive apoiando-os financeiramente. O modelo ins-piracional dos jovens de Palo Alto so os empreendedores. Ter uma startup muito bem visto e dese-jado, enquanto trabalhar em uma empresa como funcionrio no bem aceito l, explica Marcelo Nakagawa, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper.

    Alm do histrico de inova-o, o governo americano tambm desempenhou papel importante no surgimento de novas empresas por meio do Small Business Invest-ment Company (SPIC), Companhia de Investimento em Pequenos Negcios (em traduo livre), fun-do de investimento criado aps a Segunda Guerra Mundial. Foram criados escritrios de investimento em todo o pas que faziam inves-timentos de capital em pequenos negcios com chances de cresci-mento. Hoje, o Governo incentiva os negcios pela compra de alta tecnologia, principalmente na par-te de defesa. Esse modelo tambm

    seguido por Israel, Coreia do Sul e Canad, completa Nakagawa.

    O investimento em tecnologia de ponta desde os primrdios tam-bm estimulou a capacidade em-preendedora dos americanos. Essa combinao de cultura empreen-dedora, alta tecnologia e investido-res dispostos a correr risco um su-cesso, refora Nakagawa. Somente no escritrio coletivo Plug and Play Tech Center h mais de 300 startups de todas as partes do mundo em um ambiente de apoio mtuo com o suporte de 170 investidores.

    Outro ponto importante o mercado de patentes bem desen-volvido que protegem a proprie-dade intelectual. Muitas empresas no focadas em tecnologia surgi-ram no Vale do Silcio, como a Po-werbar, Victoria Secret e Nike, to-das criadas por alunos de Stanford.

    A questo da inovao le-vada ao extremo nos EUA. Para superar barreiras de imigrao um grupo de empresrios do Vale do Silcio est tornando

    mais fcil para os seus empre-endedores estrangeiros fazerem e manterem relaes comerciais por meio de um navio ancorado em guas internacionais, po-rm prximo o suficiente para que seja possvel fazer visitas frequentes ao Vale do Silcio. O Blueseed j tem mais de 100 star-tups interessadas na oportunida-de. A prxima onda em Palo Alto so as empresas de biotecnolo-gia, energia renovvel e de ali-mentos orgnicos. O que surgir de l ningum sabe, mas todos esperam algo grandioso.

    H muitos ambientes de inovao espalhados pelo mun-do, como Kista (Sucia), Turku Science Park e Lahti Science and Business Park (Finlndia), entre outros, cada um com sua parti-cularidade e especialidade. Mas uma coisa certa: em todos eles, a criatividade e a inovao nas-cem de um ambiente onde o sen-so de comunidade forte e gran-de aliado do sucesso.

  • 24 Conexo

    Estado de So Paulo tem, pelo menos, trs bons exemplos que ambicionam res-gatar a autoestima da cidade, por meio de aes criativas e inovadoras.

    Comecemos por Cubato, a pequena cidade da Baixada Santista que se sentiu, durante anos, pre-judicada econmica e ambientalmente pela locali-zao e, contraditoriamente, tambm por conta do que se tornou sua vocao.

    A 47 quilmetros da capital paulista e a pou-cos minutos de cidades tursticas do litoral sul paulista, o municpio tinha apenas o polo pe-troqumico como destaque. Trabalhadores com baixa qualificao profissional eram trazidos de diversas partes do Pas para a construo das in-dstrias, mas quando o trabalho era finalizado, o desemprego disparava, o que fazia aumentar o nmero de favelas.

    O comrcio, que essencial para o cresci-mento de uma cidade, era decadente, relembra a atual prefeita de Cubato, Mrcia Mendona Silva (PT), que usou os limites da Lei de Responsabi-

    Olidade Fiscal (LRF) para alavancar as vendas do comrcio e diminuir os 53,8% do Oramento do municpio comprometidos com a folha de paga-mento (a LRF permite que sejam 54%).

    Diante desse cenrio, a prefeitura implantou o Carto Servidor Cidado. O funcionrio que aderir a ele deixa de receber um abono mensal de R$ 300 para ter R$ 500 em crditos, que podem ser gastos no comrcio e em servios na cidade. A contraparti-da do servidor o desconto de 5% nos vencimentos.

    Alm disso, foi feita uma licitao entre ope-radoras de cartes, com taxa limite de 3% e com destinao de 2% de todo o faturamento da ad-ministradora, para o Fundo de Assistncia Social. Hoje, o dinheiro repassado possibilita a distribui-o mensal de R$ 120 a 500 mulheres pobres da

    Por Andrea Ramos Bueno

    Poder pblicoPGesto pblica inovadoraA CRIAtIvIdAdE E A INOvAO tAMBM EStO PRESENtES EM AdMINIStRAES PBLICAS dO EStAdO dE SO PAuLO, REvERtENdO EM AES quE BENEFICIAM OS CIdAdOS

  • Conexo 25

    quem aderir ao carto

    servidor cidado deixa de receber um

    abono todo ms de r$ 300 Para

    ter r$ 500 em crditos

    Mrcia Mendona Silva, prefeita de Cubato ( direita)

    cidade para que elas consumam no comrcio local.

    O empresrio tambm tem um compromisso com o Governo Municipal. Quem aceita o carto precisa contratar mo de obra lo-cal, mulheres e dar oportunidade para o primeiro emprego.

    Alm da populao e do co-mrcio, a indstria, responsvel por R$ 12 milhes em IPTU, tam-bm foi beneficiada, com a criao do IPTU do Bom Empreendedor. O desconto pode chegar a at 10%.

    Outra pequena cidade que padece por sua posio geogrfica Andradina. Ao noroeste do Esta-do, com 56.505 habitantes, distante 620 km da capital paulista, tem um vizinho bastante incmodo: o Mato Grosso do Sul, que oferece isenes fiscais que fazem com que o em-preendedor no pense duas vezes em investir no Estado.

    Para driblar a falta de atrati-vos fiscais, j que o Estado de So Paulo no pratica essa poltica, a prefeitura de Andradina criou uma srie de aes para atrair empre-endedores. No incio da atual ges-to, a prioridade foi restabelecer o relacionamento da prefeitura com rgos e entidades que pudes-sem auxiliar no desenvolvimento

    econmico e social, como Sebrae, Sesc, Sesi e Senai. Feito isso, em 2010, aps um ano do incio da administrao, foi inaugurado o Posto de Atendimento ao Empre-endedor (PAE). Antes, houve uma enxurrada de palestras, oficinas e consultorias que o Sebrae fez com setores da prefeitura, conta o pre-feito Jamil Akio Ono (PT). Em 2009 e em 2010, o municpio foi o que registrou os maiores emprstimos entre as cidades de 50 mil a 100 mil habitantes.

    Outra medida emergencial foi melhoria no asfalto das vias urba-nas, recuperao de todas as vici-nais e da rodovia Marechal Rondon, alm do recapeamento da rodovia Euclides de Figueiredo, estradas que do acesso ao municpio.

    No centro do Estado, a 240 km de So Paulo e em situao bastan-te diferente, So Carlos a capital brasileira da tecnologia. A cida-de sedia grandes indstrias como Volkswagen, Faber Castell e Elec-trolux, e um comrcio que atende tambm as cidades vizinhas.

    Mas o que falta a So Carlos para que o prefeito Oswaldo Bap-tista Duarte Filho (PT) queira am-pliar a atual vocao da cidade? Para ele, a tecnologia ligada sa-

    de pode ter maior destaque, apro-veitando a vocao do municpio.

    Ex-reitor da Universidade Federal de So Carlos (Ufscar) por dois mandatos, Duarte Fi-lho v a possibilidade de produ-zir e baratear equipamentos e frmacos. O Centro de Cincia, Inovao e Tecnologia em Sa-de de So Carlos (Citesc), ser um distrito industrial, que con-tar com recursos do Gover-no Federal, que privilegiar empresas que trabalhem com setores ligados sade que atuem em parceria com a USP e a Ufscar, explica.

    So Carlos tambm conta com o Hospital Escola (o maior hospital pblico do Estado), que h seis anos abriu o curso de medicina, com nfase na for-mao de mdicos generalistas, ampliando o nmero de profis-sionais que possam atuar como mdicos de famlia.

    Coincidncia ou no, os trs prefeitos destacam as parcerias com os Governos Federal e Esta-dual, alm de instituies que j possuem know-how para trans-formar pesquisa em produto tan-gvel que contribui para a melho-ra da vida das pessoas.

  • 26 Conexo

    Parques tecnolgicosP

    novao: aquilo que novo, novidade. Cria-tividade: inventividade e talento para inven-tar. As definies so muitas, mas a gerao e difuso do conhecimento por meio de fer-

    ramentas inovadoras e criativas so fundamentais para o crescimento econmico e a solidificao de empresas no mercado. No primeiro momento, a inovao nos negcios aparenta estar ligada ape-nas a produtos de alta tecnologia, criados com a fi-nalidade de atender demandas especficas. Porm, esse conceito no empreendedorismo mais abran-gente e se estende desde a criao de novos itens at a melhoria dos processos de uma organizao.

    Ser criativo e inovador so caractersticas que devem, obrigatoriamente, fazer parte da gesto do empreendedor moderno. Hoje, empresa que no inova est fora do mercado, opina a consultora do Sebrae-SP, Evelin Astolpho. Segundo ela, o consu-midor sempre tende a buscar novidades no merca-do, seja em produtos ou servios. Apesar disso, boa parte dos gestores de empresas de pequeno porte ainda no se sensibilizou perante o tema. Mui-tos empresrios acham que inovao s para as

    I grandes empresas. E, geralmente, eles no conse-guem relacionar as melhorias ocorridas como ino-vao, exemplifica Evelin.Para ajudar os empresrios a atuar de forma mais precisa nesses quesitos, o programa Sebraetec permite a empresas de micro e pequeno porte aces-so capacitao, a fim de aprimorar seus procedi-mentos e produtos com subsdio de at 90% dos cus-tos. Buscamos orientar o empresrio que a inovao no modismo. isso o que o torna competitivo e capaz de se sustentar no mercado, afirma a subco-ordenadora do Sebraetec, Magaly Albuquerque.

    Com incio das atividades em janeiro de 2011, o Sebraetec oferece consultoria e elabora com o em-presrio um plano de ao para suprir suas neces-sidades. Outra frente de atuao do Sebrae, volta-da para a inovao, foi o convnio com o Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod) por meio do projeto Contextualizar na Moda. Essa parceria vem para oferecer aos empresrios de micro e peque-nas empresas opes para conhecer este ambiente de alto valor agregado, explica a coordenadora do convnio pelo Sebrae, Juliana Borges.

    O CONCEITO VEM SENDO DIFUNDIDO NO BRASIL POR MEIO DE PARQUES TECNOLGICOS, ESPECIALIZAES E FORA DE VONTADE DOS EMPREENDEDORES

    Por Thiago Rufino

    inovar ...

  • Conexo 27

    de uma ampla rede de contatos. Estar aqui, mergulhado nessas atividades, muito bom para o empreendedor, ainda mais pelo networking, garante o diretor--executivo do Cietec, Srgio Risola. Para ele, as empresas que j ini-ciaram suas atividades tambm podem receber apoio do Cietec por meio de planos de negcios, alm dos servios oferecidos nas reas de gesto e tecnologia.

    Em um evento de tecnologia, o que no falta inovao. Na l-tima edio da Campus Party, que ocorreu na capital paulista entre 6 e 12 de fevereiro, um dos destaques foi o Iron Man criado pelo Empre-endedor Individual, Alexandre de Souza. O personagem se tornou o corpo do computador de Souza pela tcnica conhecida como ani-matronic conceito que utiliza ele-trnica e robtica para dar impres-so mais realista s peas.

    Para desenvolver mais ani-matronics, h sete meses Souza comeou o projeto Case Monstro, que est em processo de avalia-o em uma incubadora na regio de Mogi das Cruzes, onde reside. Fora do Brasil, h empresas que realizam esse tipo de personaliza-o para ser exibido em eventos. Quero trazer o mercado para o Pas e atender demanda, afirma. A exposio durante a Campus Party deste ano j rendeu frutos. Sa do evento com trs propostas para negociar a produo de pro-dutos exclusivos, comemora.

    Apesar de a unio entre ino-vao e criatividade ainda no es-tar completamente associada ao dia a dia dos negcios, ambos de-vem ser disseminados dentro das corporaes e no ficar limitados criao de um produto ou de uma soluo. O objetivo do empreende-dor trazer resultados concretos. Afinal, de nada adianta ser criativo e inovador se isso no resultar na sobrevivncia do negcio.

    Juliana explica que o objetivo do acordo oferecer aos envolvi-dos oportunidades de conquistar novos mercados, fortalecer parce-rias e estimular o empreendedo-rismo. Dessa forma, as empresas ficam aptas a fornecer materiais para grifes ou tero condies de concorrer com as grandes mar-cas, afirma. O nosso interesse voltado para as empresas de micro e pequeno porte, por ser um elo importante na cadeia de produo de moda, complementa Juliana. Inovao na prticaIncentivar o empreendedorismo, a inovao e apoiar a criao,

    fortalecimento e consolidao de empresas inovadoras de base tecnolgica so os conceitos que norteiam o Centro de Inovao, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), fundado em convnio en-tre Sebrae-SP, Universidade de So Paulo (USP) e Secretaria de De-senvolvimento do Estado de So Paulo. Hoje, o parque tecnolgico tem 150 empresas desenvolvendo projetos nas reas de TI, medicina e sade, sustentabilidade e eletr-nica, entre outras.

    H uma srie de vantagens para negcios que surgem a par-tir desses centros de inovao, como o apoio oferecido por meio

    fora do brasil h emPresas que realizam esse tiPo de

    Personalizao Para exibio em eventos. quero trazer

    o mercado Para o Pas e atender a demanda

    Alexandre Souza, empreendedor individual

  • 28 Conexo

    temas de produo e afins o Sebraetec. Man-temos parceria com o Senac [Servio Nacional de Aprendizagem Comercial], o IPT [Instituto de Pesquisas Tecnolgicas] e outras instituies de desenvolvimento tecnolgico para que o empre-srio s precise bancar 20% dos custos dessas operaes, afirma Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae-SP.

    Institutos de pesquisa e incubadoras como, o Programa de Apoio Pesquisa em Parceria para Inovao Tecnolgica (Pite), da Fundao de Am-paro Pesquisa do Estado de So Paulo (Fapesp), o Projeto de Unidades Mveis (Prumo) e o Programa de Apoio Tecnolgico Exportao (Progex), am-bos do IPT, tambm podem contar com recursos da Secretaria de Desenvolvimento Econmico, Ci-ncia e Tecnologia do Estado de So Paulo. E para as empresas instaladas nessas incubadoras, h benefcios tributrios concedidos pelos Governos Municipais como iseno do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

    Dsire Zouain, coordenadora de Cincia e Tecnologia da Secretaria, afirma que o rgo tambm apoia bancos de fomento, como o Nossa Caixa Desenvolvimento, e mantm, por meio da

    Entraves tributriose

    atividade empresarial no Pas , infeliz-mente, marcada por burocracia, tributa-o excessiva e elevadas taxas de juros para quem busca financiamento, entre

    outros fatores que compem o Custo Brasil. Tantas dificuldades fazem com que o empresrio brasileiro atue, a maior parte do tempo, como um bombeiro, apagando incndios. Inovar, modernizar a produo ou os produtos, portanto, naturalmente uma tare-fa rdua, e mesmo para quem tem DNA criativo, os entraves no so poucos.

    Na opinio do coordenador do Centro de Em-preendedorismo e Novos Negcios (Cenn) da Fun-dao Getulio Vargas (FGV), Tales Andreassi, gerir a prpria empresa e traar um plano de negcios eficiente o primeiro obstculo a ser superado pe-los empreendedores. A inovao acaba ficando em segundo plano. J para aqueles que conseguem es-truturar um plano de desenvolvimento e tm uma boa ideia, a grande dificuldade conseguir financia-mento. O crdito muito caro no Brasil, mesmo as linhas especficas para inovao tm juros muito altos, critica Andreassi.

    Uma boa alternativa para o empresrio que busca aperfeioar ou desenvolver mquinas, sis-

    A

    BUROCRACIA E FALTA DE LINHAS DE FINANCIAMENTO INIBEM

    O CRESCIMENTO DE EMPRESAS CRIATIVAS

    Por Raphael Ferrari

    entraves inovao

  • Conexo 29

    Fapesp, o Fundo Estadual de De-senvolvimento Cientifico e Tec-nolgico (Funcet), com linhas de crdito voltadas especifica-mente para as pequenas e micro empresas. O Funcet disponibi-liza at R$ 200 mil por empre-sa, que podem ser usados para desenvolver um produto novo, inovao incremental, etc., com 24 meses de carncia, 36 meses de amortizao e taxa de juros de 6% ao ano, enumera. An-dreassi. Entretanto, ele pondera que muito difcil ter acesso ao crdito do Funcet. H muitas exigncias e burocracia para as pequenas, critica.

    Para as empresas e pesso-as que trabalham com novos produtos, outra dificuldade re-gistrar a patente. Antes de co-mercializar um novo produto ou equipamento, preciso se res-guardar com uma patente, que a licena de explorao daquele bem, explica Sandra. Pedir o re-gistro de uma patente, contudo, tambm um obstculo. Pri-meiro preciso verificar se h algum produto semelhante no mercado, o que feito no prprio Instituto Nacional da Proprieda-de Industrial (INPI). Em seguida, deve-se definir se a patente de uma inveno ou de modelo de

    utilidade, caso em que se melho-ra um produto j existente.

    O ideal, segundo o presi-dente da Associao Nacional dos Inventores (ANI), Carlos Ma-zzei, que o inventor procure um escritrio de patentes para o auxiliar. O servio, que tam-bm prestado pela ANI, cus-ta entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. O processo de registro de patente demora, em mdia, sete anos, exceto para remdios, que le-vam 12 anos para ter a patente expedida. O problema que as pessoas acham que s podem comercializar a patente depois de finalizado o processo, mas isso pode ser feito a partir do momento que o INPI deferir o pedido, explica Sandra.

    Uma vez com a patente, recomendvel que o inventor no tente produzir o prprio produto, a menos que j tenha experin-cia na rea. O melhor procurar uma empresa j consolidada que tenha estrutura para produzir seu invento. preciso ter muito capital de giro para produzir sozi-nho, recomenda Mazzei.

    Antes de vender ou alugar uma patente, preciso que o in-ventor, pessoa fsica ou jurdica, tome alguns cuidados. O Sebrae--SP orienta na formatao do contrato de licenciamento e ofe-rece palestras sobre a formao de marcas e desenho industrial, que o grfico do produto, ele-mento que tambm deve ser pa-tenteado para evitar que outras empresas o utilize. Alm disso, Sandra recomenda que, ao apre-sentar o projeto para um po-tencial investidor, seja feito um contrato com clausula de sigilo, para evitar que informaes so-bre o produto se espalhem antes mesmo dele comear a ser pro-duzido. O segredo ser paciente e cuidadoso, afinal, calma nunca fez mal a algum.

    o melhor Procurar uma emPresa j consolidada, que tenha estrutura, Para Produzir seu invento. Preciso ter muito caPital de giro Para Produzir sozinho Carlos Mazzei, presidente da Associao Nacional dos Inventores

  • 30 Conexo

    problemas com mnimo impacto ao ambiente em todas as atividades realizadas no campo.

    Na Fazenda Monte Alto, localizada no mu-nicpio de Dourado, regio central do Estado de So Paulo, o manejo sustentvel e integrado tem feito a diferena na lavoura de caf, onde so cul-tivadas diferentes espcies do produto. Segundo Maria Helena Monteiro, proprietria da fazenda e da empresa Caf Helena, onde se produz os mais variados tipos da bebida, a criatividade uma das receitas de sucesso de sua produo. Na fazen-da, ns tentamos aperfeioar o trabalho, o ma-nejo e todo o sistema de produo para termos um produto de qualidade com um preo justo. Eliminamos todos os intermedirios, achatamos a pirmide, modernizamos o manejo, fizemos a integrao das agriculturas. Tudo para baixar os custos, conseguirmos aumentar a liquidez e ter

    oje, um mundo de oportunidades se abre a cada inovao no campo. E a eco-nomia criativa faz da lavoura um neg-cio atrativo e inovador, assim como uma

    empresa que administra os seus recursos com ma-estria. O tempo em que simplesmente seguir um manual tcnico era garantia de bons resultados no agronegcio ficou para trs.

    Quando se fala em economia criativa no agro-negcio, saber manipular os recursos que possui e produzir algo incomum, til, rentvel e sustentvel so a chave do castelo em que habita a combinao da reduo dos custos, escoamento da produo e, por fim, a garantia de uma boa rentabilidade.

    Um dos termos chave na agricultura funcio-nal e criativa o que chamamos de manejo inte-grado, o que no agronegcio representa uma es-tratgia que enfoca a preveno ou supresso de

    H

    Agriculturaa

    EMPREENDEDORES RURAIS INOVAM NAS TCNICAS DE PLANTIO COLHENDO SAFRA RENTVEL E MAIS PURA

    Por Gabriel Pelosi

    Lavoura inteligente colher bem e barato

    Maria Helena Monteiro: integrao das agriculturas

    ajuda a baixar custos

  • Conexo 31

    A ideia fazer da proprieda-de uma grande empresa. A gente emprega toda a tecnologia dispo-nvel no setor para a produo do leite. Para obter essa tecnologia, que no barata, primeiro ns apostamos em uma excelente gesto, depois investimos em ou-tras fontes de renda. Vendemos alguns animais e vendemos os embries das vacas que j esto consagradas na produo. Des-sa maneira conseguimos reunir recursos para investir em tecno-logia e realizar uma ordenha de qualidade, revela Adacir Jos da Mota, proprietrio do local que referncia nacional em pecuria familiar e j recebeu o Prmio Se-brae de Superao Empresarial.

    Conforme indica Paula Or-nelas, analista do Sebrae-SP e co-ordenadora da cadeia de leite do Estado de So Paulo, a entidade pode ajudar de diversas formas o produtor rural a aprimorar o seu sistema de produo, tornando-o eficiente e rentvel. Com base em uma anlise feita na proprieda-de do pecuarista, o Sebrae-SP faz um levantamento da forma como ele produz e passa as orientaes. A gente costuma recomendar a produo do leite pasto, que o manejo mais utilizado em So Paulo, com pasto irrigado, pois tem um baixo custo e uma boa eficincia de produo. Na par-te de tecnologia da produo, o produtor recebe visitas mensais por meio do projeto Sebraetec, no qual um consultor faz o diagnsti-co, v onde esto as falhas e indi-ca a melhoria no sistema de pro-duo, explica a analista. Para o produtor que deseja uma consul-toria do Sebrae-SP, basta procurar o escritrio mais prximo de sua cidade. O site www.sebraesp.com.br disponibiliza o endereo e tele-fone de contato de todos os seus escritrios regionais, tambm lis-tados nas pginas a seguir.

    uma rentabilidade maior, ex-plica Maria Helena, vencedora do Prmio Sebrae Mulher de Ne-gcios em 2006.

    Em torno da lavoura com-posta por cerca de 500 mil ps de caf, foram plantadas rvores de sanso do campo intercaladas com bananeiras. A ao conteve um problema que resultava na perda de parte da produo. As r-vores em torno da lavoura servem como protetoras naturais da plan-tao ao conter as fortes rajadas de vento que atingem a regio.

    Como uma parte da Fazenda Monte Alto ocupada por uma granja de corte, a possibilidade de integrao entre as culturas fica ainda mais evidente. So utiliza-das as palhas das folhas do cafe-zal na granja, que depois retorna para o cafezal em forma de adu-bo. Como eu tenho uma granja de corte, eu uso a palha do caf na cama do frango. Depois eu uso essa palha para adubar o caf. Alm de ser uma economia cria-tiva manejo bem sustentvel, ressalta a agricultora, que est trabalhando para implantar no-vas aes inovadoras na fazenda.

    Alm de medidas prticas aplicadas diretamente na lavou-ra, a economia criativa, no caso da cafeicultura, tambm pode

    ser aplicada de outras maneiras. Uma delas, segundo explica Fer-nando Gonalves Freire da Silva, coordenador estadual de cafei-cultura do Sebrae-SP, a inovao pode ser aplicada separando o caf pela qualidade. As caracte-rsticas do caf dependem tan-to do local onde ele produzido, como altitude, tipo de planta e cli-ma. No final, se o cafeicultor jun-tar toda a sua produo ele tem um caf mdio, se ele separar o caf ele consegue um produto de alta qualidade. Pode agregar valo-res sensoriais e tambm com cer-tificao socioambiental. A o pro-dutor pode estabelecer relaes com clientes que valorizam essa diferenciao que ele promoveu no produto, indica o consultor.

    Do caf ao leiteA Estncia Encantada de pecu-ria leiteira outro exemplo de como o agronegcio pode se apro-priar da economia criativa para conquistar bons resultados no final da produo. Criada h pou-co mais de dez anos, em apenas dois alqueires de terra no distrito de Talhados, regio de So Jos do Rio Preto, a estncia vem dando saltos de crescimento em produ-tividade e qualidade, baseadas na economia criativa.

    ns tentamos aPerfeioar o trabalho, o manejo e todo o sistema de Produo Para termos um Produto de qualidade com um Preo justo. eliminamos os intermedirios, achatamos a Pirmide, modernizamos o manejoMaria Helena Monteiro Alves Bastos, proprietria da fazenda e da empresa Caf Helena

  • 32 Conexo

    SEDE

    eDifCio Mario CovaS R. Vergueiro, 1117 Paraso CEP: 01504-001 Tel.: 11 3177.4500

    CAPITAL

    CenTroR. Vergueiro, 1.071 Paraso CEP: 01504001 Tel.: 11 3177.4635 Fax: 11 3177.4672

    LeSTe i R. Monte Serrat, 427 Tatuap CEP: 03312-000 Tel.: 11 2225.2177 Fax: 11 2225.2177

    LeSTe ii R. Vitorio Santim, 57 Itaquera CEP: 08290-000 Tel.: 11 2074.6601 Fax: 11 2074.6601

    norTe R. Duarte de Azevedo, 280/282 Santana CEP: 02036-021 Tel.: 11 2976.2988 Fax: 11 2976.2988 oeSTe R. Cllia, 336/344 Perdizes CEP: 05042-000 Tel.: 11 3832.5210 Fax: 11 3832.5210

    SUL Av. Adolfo Pinheiro, 712 Santo Amaro CEP: 04734-001Tel.: 11 5522.0500 Fax: 11 5522.0500

    REGIO METROPOLITANA

    aLTo TieT Av. Francisco Ferreira Lopes, 345 Vila Lavnia Mogi das Cruzes CEP: 08735-200 Tel.: 11 4722.8244 Fax: 11 4722.9108

    BaixaDa SanTiSTa Av. Dona Ana Costa, 416/418 Gonzaga CEP: 11060-002 Tel.: 13 3289.5818 Fax: 13 3289.4644

    GranDe aBC R. Cel. Fernando Prestes, 47 Centro Santo Andr CEP: 09020-110 Tel.: 11 4990.1911 Fax: 11 4990.1911

    GUarULHoS Av. Esperana, 176 Centro CEP: 07095-005 Tel.: 11 2440.1009 Fax: 11 2440.1009

    oSaSCoR. Primitiva Vianco, 640 Centro CEP: 06016-004 Tel.:11 3682.7100 Fax: 11 3682.7100

    INTERIOR DO ESTADO araaTUBa R. Cussy de Almeida Jnior, 1167 Higienpolis CEP: 16010-400 Tel.: 18 3622.4426 Fax: 18 3622.2116 araraqUara Av. Maria Antonia Camargo de Oliveira, 2903 - Vila Ferroviria Araraquara CEP: 14802-330 Tel.:16 3332.3590 Fax: 16 3332.3566

    BarreToS R. 14, n 735 Centro CEP: 14780-040 Tel.: 17 3323.2899 Fax: 17 3323.2899

    BaUrU Av. Duque de Caxias, 16-8 Vila Cardia CEP: 17011-066 Tel.: 14 3234.1499 Fax: 14 3234.2012

    BoTUCaTU R. Dr. Costa Leite, 1570 - Centro CEP: 18602-110 Fone:14 3815.9020 Fax: 14 3815.9020

    CaMPinaS Av. Andrade Neves, 1811 Jardim Chapado Campinas CEP: 13070-000 Tel.: 19 3243.0277 Fax: 19 3242.6997

    franCa Av. Dr. Ismael Alonso y Alonso, 789 Centro CEP: 14400770 Tel.:16 3723.4188 Fax: 16 3723.4483

    GUaraTinGUeT R. Duque de Caxias, 100 Centro CEP: 12501-030 Tel.:12 3132.6777 Fax: 12 3132.2740

    JUnDiai R. Sua, 149 Jardim Cica CEP: 13206-792 Tel.:11 4587.3540 Fax: 11 4587.3554

    MarLia Av. Brasil, 412 Centro CEP: 17509-052 Tel.: 14 3422.5111 Fax: 14 3413.3698

    oUrinHoS R. dos Expedicionrios, 651 Centro CEP: 19900-041 Tel.:14 3326.4413 Fax: 14 3326.4413

    PiraCiCaBa Av. Independncia, 527 Bairro Alto CEP: 13419160 Tel.:19 3434.0600 Fax: 19 3434.0880

    PreSiDenTe PrUDenTe R. Major Felcio Tarabay, 408 Centro CEP: 19010-051 Tel.:18 3222.6891 Fax: 18 3221.0377

    riBeiro PreTo R. Incio Luiz Pinto, 280 Alto da Boa Vista CEP: 14025-680 Tel.:16 3621.4050 Fax: 16 3620.8241

    So CarLoS R. 15 de Novembro, 1677 Centro CEP: 13560-240 Tel.:16 3372.9503 Fax: 16 3372.9503

    So Joo Da Boa viSTa R. Getlio Vargas, 507 Centro CEP: 13870-100 Tel.:19 3622.3166 Fax: 19 3622.3209

    So JoS Do rio PreTo R. Dr. Presciliano Pinto, 3184 Jd. Alto Rio Preto CEP: 15020-000 Tel.:17 3222.2777 Fax: 17 3222.2999

    So JoS DoS CaMPoS R. Santa Clara, 690 Vila Ady anna CEP: 12243-630 Tel.: 12 3922.2977 Fax: 12 3922.9165

    SoroCaBa Av. General Carneiro, 919 Cerrado CEP: 18043-003 Tel.:15 3224.4342 Fax: 15 3224.4435

    SUDoeSTe PaULiSTa R. Ariovaldo Queiroz Marques, 100 Centro Itapeva CEP: 18400-560 Tel.:15 3522.4444 Fax: 15 3522.4120

    vaLe Do riBeira R. Jos Antonio de Campos, 297 Centro Registro CEP: 11900-000 Tel.:13 3821.7111

    voTUPoranGa Av. Wilson de Souza Foz, 5137 Vila Residencial Esther CEP: 15502-052 Tel.: 17 3421.8366 Fax: 17 3421.5353

    esCritriOs reGiONais dO seBrae-sP

    SO CARLOS

    ARARAQUARA

    CAMPINAS

    JUNDIA

    Pas Pontos de Atendimento ao Empreendedor

    Brasilndia Rua Parapu, 491 Tel.: 11 3991.4848 [email protected] Campo Limpo Rua Mario Neme, 16/22 Tel.: 11 5842.2373 [email protected] ademar Av. Cupec, 2861 Tel.: 11 5562.9312 [email protected]

    itaim Paulista R. Manoel Bueno da Fonseca, 129 Tel.:11 2568.5086 [email protected] Rua Friedrich Von Voith, 142 Tel.:11 3943.1103 [email protected] Pequeno Av. Rio Pequeno, 155 Tel.: 11 3719.2311 [email protected]

    So Mateus Rua Felice Buscaglia, 348 Tel.: 11 2015.6366 [email protected] Av. Sapopemba, 2824 Tel.: 11 2021.1110 [email protected] Av. Maria Amlia L. de Azevedo, 241 Tel.: 11 2267.1003 [email protected]

  • Conexo 33

    Paes Postos Sebrae-SP de Atendimento ao Empreendedor

    ALTO TIETferraz de vasconcelos: R. Bruno Altafin, 26 Centro CEP: 08501-160 Tel.: 11 4675.4407itaquaquecetuba: R. Valinhos, 52 Monte Belo CEP: 08577-010 Tel.: 11 4642.2121 Suzano: R.Gal. Francisco Glicrio, 1334 Centro CEP: 08674-002 Tel.: 11 4747.5189

    ARAATUBABirigui: R. Roberto Clarck, 460 Centro CEP: 16200-043 Tel.: 18 3641.5053andradina: R. Paes Lemes, 1280 Centro CEP: 16901-010 Tel.: 18 3723.5411ilha Solteira: R. Rio Tapajs, 185 Zona Norte CEP: 15385-000 Tel.: 18 3742.4918Penpolis: R. Ramalho Franco, 340 Centro CEP:16300-000 Tel.: 18 3652.1918

    ARARAQUARAibitinga: R. Quintino Bocaiva, 498 Centro CEP: 14940-000 Tel.: 16 3342.7194 ou 3342.7198itpolis: R. Odilon Negro,570 Centro CEP: 14900-000 Tel.: 16 3262.1534

    BAIXADA SANTISTACubato: R. Padre Nivaldo Vicente dos Santos, 41 Centro CEP: 11510-261 - Tel.:13 3362.6025

    BARRETOS Bebedouro: Praa Jos Stamato Sobrinho, 51 Centro CEP: 14700-050 Tel.:17 3343.8420 ou 17 3343.8395

    BAURULenis Paulista: R. Cel. Joaquim Gabriel, 11 Centro CEP: 18680-091 Tel.:14 3264.3955Lins: R. Floriano Peixoto, 1093 - Centro CEP: 16400-101 Tel.: 14 3523.7597

    BOTUCATULaranjal Paulista: Rua Baro do Rio Branco, 107 Centro CEP: 18500-001 Tel.:3383.9127

    CAMPINAS/JUNDIAarthur nogueira: R. Duque de Caxias, 2204 Jd. Santa Rosa CEP: 13160-000 Tel.: 19 3877.2727 ou 19 3877.2729Bragana Paulista: Em fase de mu-dana (endereo antigo: Av. Antonio Pires Pimentel, 653) o PAE ir para a Secretaria de Desenvolvimento da Prefeitura de Bragana PaulistaHolambra: Av. das Tulipas, 103 Centro CEP: 13825-000 Tel.: 19 3802.2020Hortolndia: R. Luis Camilo de Camargo, 918, 1 andar Remanso Campineiro CEP: 13184-420 Tel.: 19 3897.9993 ou 19 3897.9994itatiba: R. Coronel Camilo Pires, 225 Centro CEP: 13250-270 Tel.: 11 4534.7893 ou 11 4534.7896indaiatuba: Av. Eng. Fbio Roberto

    Barnab, 2800 - Jd. Esplanada II - Secretaria de Desenvolvimento de Indaiatuba - CEP: 13331-900 Tel.: 19 3834.9272Jaguarina: R. Candido Bueno, 843 sala 06 e 07 - Centro CEP: 13820-000 - Tel.: 19 3867.1477 Paulnia: Av. Pres. Getlio Vargas, 527 - CEP: 13140-000 Tel.:19 3874.9976Sumar: Praa da Repblica 203 Centro - CEP: 13170-160 Tel.: 19 3828.4003 ou 19 3903.4224 valinhos: Av. Invernada, 595 - Vera Cruz - CEP: 13271-450 Tel.: 19 3829.4019 ou 19 3512.4944

    GUARATINGUETCruzeiro: R. Capito Neco,118 - Centro CEP: 12701-350 - Tel.: 12 3141.1107Pindamonhangaba: R. Albuquerque Lins,138 - Centro - CEP: 12410-030 Tel.: 12 3642.9744Campos do Jordo: Av. Janurio Mirglia, 1330 - CEP: 12460-000 Tel.:12 3664.2631

    GUARULHOSaruj: R. Adhemar de Barros, 60 - Centro - CEP: 07400-000 Tel.: 11 4653.3521Mairipor: Avenida Tabelio Passa-rela, 348 Centro - CEP: 07600-000 Tel.: 11 4419.5790

    ITAPEvA Capo Bonito: R. Cel. Ernestino, 550 Centro - CEP: 18300-492 Tel.: 15 3542.4053itarar: R. Sete de Setembro, 412 Centro - CEP: 18460-000 Tel.: 15 3532.1162

    MARLIAParagua Paulista: R. Santos Du-mont, 600 - Centro - CEP: 19700-000 Tel.:18 3361.6899 Pompia: Av. Expedicionrio de Pompia, 217 - CEP: 17580-000 Tel.:14 3452.1288 Tup: Av. Tapuias, 907 - Sl. 5 - Centro CEP: 17600-260 - Tel.:14 3441.3887

    OSASCOemb: R. Siqueira Campos, 100 - Centro - CEP: 06803-320 Tel.: 11 4241.7305 itapecerica da Serra: R. Treze de Maio, 100 - Centro - CEP: 06850-840 Tel.: 11 4668.2455 Santana de Parnaba: Av. Tenente Marques, 5405 - Fazendinha CEP: 06502-250 - Tel.: 11 4156.4524Taboo da Serra: R. Cesrio Dau, 535 Jd. Maria Rosa - CEP:06763-080 Tel.: 11 4788.7888

    OURINHOSCerqueira Csar: R. Jos Joaquim Esteves, quiosque 2 - Centro 18760-000 - Tel.:14 3714.4266 Piraj: R. Treze de Maio, 500 - Centro CEP: 18800-000 - Tel.:14 3351.3579Santa Cruz do rio Pardo: Pa. Dep. Lenidas Camarinha, 316 - Centro - CEP: 18900-000 - Tel.:14 3332.5900

    PIRACICABACapivari: R. Pe. Fabiano, 560 Centro CEP: 13360-000 Tel.: 19 3491.3649Limeira: R. Prefeito Dr. Alberto Fer-reira, 179 Centro CEP: 13480-074 Tel.: 19 3404.9838Santa Brbara Doeste: R. Riachue-lo, 739 Centro CEP: 13450-020 Tel.: 19 3499.1012 ou 3499.1013

    PRESIDENTE PRUDENTEadamantina: Alameda Ferno Dias, 396, Centro CEP:17800-000 Tel.: 18 3521.1831Dracena: R. Brasil, 1420 Centro CEP: 17900-000 Tel.: 18 3822.4493Martinpolis: Pa. Getlio Vargas, s/n. (Ptio da Fepasa) Centro CEP: 19500-000 Tel: 18 3275.4661 Presidente epitcio: R. Paran, 262 Centro CEP: 19470-000 Tel.: 18 3281.1710 rancharia: Av. Dom Pedro II, 484 Centro CEP: 19600-000 Tel.: 18 3265.3133

    RIBEIRO PRETO altinpolis: R. Major Garcia, 376 Centro CEP: 14350-000 Tel.: 16 3665.9549Cravinhos: R. Dr. Jos Eduardo Vieira Palma, 52 Centro CEP: 14140-000 Tel.: 16 3951.7351 Jaboticabal: Esplanada do Lago, 160 CEP: 14871-450 Tel.: 16 3203.3398Jardinpolis: R. Dr. Artur Costa Curta, 550 - rea Industrial - CEP: 14680-000 Tel.: 16 3663.7906 orlndia: R. Dez, 340 Centro CEP: 14620-000 Tel.: 16 3826.3935ribeiro Preto: Av. Dom Pedro I, 642 CEP: 14100-000 Tel.: 16 3514.9697Santa rosa de viterbo: Av. So Paulo, 100 CEP: 14270-001 Tel.: 16 3954.1832Sertozinho: Av. Marg. Adamo Meloni, 3563 CEP: 14175-300 Tel.: 16 3945.5422 Av. Afonso Trigo, 1588 Jd. 5 de Dezembro CEP: 14160-100 Tel.: 16 3945.1080

    SO CARLOSDescalvado: Rua Jos Quirino Ribeiro, 55 CEP: 13690-000 Tel.: 19 3594.1109 ou 19 3594.1100Leme: Av. Carlo Bonfanti, 106 Centro CEP: 13610-238 Tel.: 19 3573.7100Porto ferreira: R. Dona Balbina, 923 Centro CEP: 13660-000 Tel.: 19 3589.2376rio Claro: R. Trs, 1431 Centro CEP: 13500-161 Tel.: 19 3526.5058 e 19 3526.5057araras: R. Tiradentes 1316, Centro CEP: 13600-970 Tel.: 19 3543.7212Pirassununga: R. Galcio Del Nero, 51 Centro CEP: 13630-900 Tel.: 19 3562.1541

    SO JOO DA BOA vISTASo Jos do rio Pardo: R. Jos An-dreoli, 132 Centro CEP: 13720-000 Tel.: 19 3682.9344 ou 19 3682.9343Mogi Mirim: Av. Luiz G. de Amoedo

    Campos, 500, Nova Mogi Nas dependncias da Associao Comer-cial e Industrial de Mogi Mirim CEP: 13801-372 Tel.: 19 3814.5760 Ramais: 5781 e 5789 So Sebastio da Grama: Pa. das guas, 100 - Jd. So Domingos Nas dependncias da Prefeitura Municipal CEP: 13790-000 Tel.: 19 3646.9956

    SO JOS DO RIO PRETOCatanduva: R. So Paulo, 777 Higienpolis CEP: 15804-000 Tel.: 17 3531.5313Jos Bonifcio: R. Vinte e um de Abril, 420 Centro CEP: 15200-000 Tel.: 17 3245.3561Mirassol: R. Sete de Setembro, 1855 Fundos Centro CEP: 15130-001 Tel.: 17 3253.3434novo Horizonte: R. Jornalista Paulo Falzeta 1 Vila Paty CEP: 14960-000 Tel.: 17 3542.7701olmpia: Pa. Rui Barbosa, 117 Centro CEP: 15400-001 Tel.: 17 3279.7390

    SO JOS DOS CAMPOSCaraguatatuba: R. Taubate, 90 Sumar CEP: 11661-060 Tel.: 12 3882.3854ilhabela: Pa. Vereador Jos Leite dos Passos, 14 B. Velha CEP: 11630-000 Tel.: 12 3895.7220So Sebastio: Av. Expedicionrio Brasileiro, 207 Centro CEP: 11600-000 Tel.: 12 3892.1549Taubat: R. Armando de Sales Oli-veira, 457 Centro CEP: 12030-080 Tel.: 12 3621.5223Ubatuba: R. Dr. Esteves da Silva, 51 Centro CEP: 11680-000 Tel.: 12 3834.1445Jacare: Rua Lamartine Dellama-re,153 Centro CEP: 12327-010 Tel.: 12 3952.7362

    SOROCABA itapetininga: R. Campo Salles, 230 Centro CEP: 18200-005 Tel.: 15 3272.9218 ou 15 3272.9210 Boituva: Joo Leite, 370 Centro CEP:18550-000 Tel.: 15 3263.1413itu: R. do Patrocionio, 419 Centro CEP:13300-200 Tel.: 11 4023.6104Salto de Pirapora: Praa Antonio Leme dos Santos, 2 Centro CEP:18160-000 Tel.: 15 3244.3071Piedade: Pa. da Bandeira, 81 Centro CEP: 18170-000 Tel.: 15 3244.3071Porto feliz: R. Ademar de Barros, 340 Centro CEP: 18540-000 Tel.: 15 3261.9047Salto: R. Nove de Julho, 403 Centro CEP: 13320-005 Tel.: 11 4602.6765So roque: R. Rui Barbosa, 693 Centro CEP: 18130-440 Tel.: 11 4784.1383Tatu: R. xV de Novembro, 491 Centro CEP: 18270-310 Tel.: 15 3305.4832

    vOTUPORANGASanta f do Sul: Av. Grandes Lagos, 141 Distrito Industrial II CEP: 15775-000 Tel.: 17 3631.6145

  • PanoramaP

    reunir inteligncias para dar um salto qualitati-vo. No existe economia criativa sem cultura, co-nhecimento e criatividade.

    Projeto de 30 anos, o SPFW, que teve sua pri-meira edio em 1996, sempre acreditou em plane-jamento. Primeiro se estabeleceu um calendrio de moda, se implantou uma cultura de moda no Pas.

    E justamente por inovar e integrar meios cul-turais e criativos da economia, o SPFW considera-do, em vrios pases, como um caso de referncia de economia criativa. A ONU destacou o evento na Expo xangai em 2010, colocando-o como exemplo ao utilizar questes intangveis - como articulao, novos modelos, marca, ideias e estratgias - para transformar o tangvel. E aqui importante desta-car que, em mdia, 75% do valor de um produto proporcionado por ativos intangveis.

    O Movimento Hot Spot, que ser lanado bre-vemente, um projeto revolucionrio. Levou quatro anos para ser planejado e formatado. um prmio nacional para jovens talentos criativos do Brasil, com idade a partir dos 18 anos.

    Agora abranger 11 reas criativas alm de moda, msica, fotografia, arquitetura, vdeo, ar-tes plsticas, beleza, entre outras. Ter a durao de 18 meses, passar por 18 cidades (oito delas capitais). Os inscritos tero seus trabalhos ana-lisados por um grupo de curadores e sero pre-parados para o mercado de trabalho. Entre trs e sete finalistas de cada categoria iro para uma grande final em So Paulo.

    Com o SPFW e, agora, o Movimento Hot Spot, consolidamos uma viso de futuro em torno de princpios bem estabelecidos da economia criativa voltada para o desenvolvimento. Estamos atuando em um Pas diferenciado, multicultural. o Brasil do design, da inovao e da tecnologia junto com o Brasil da vocao, do talento e da diversidade.

    a eCONOmia da diversidade e da traNsFOrmaOPaulo Borges, produtor de eventos, entre os quais So Paulo Fash