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www.embalagemmarca.com.br FALSIF AÇÃO C I Os piratas não dão sossego às marcas. Saiba como as embalagens podem combatê-los ENTREVISTA: Presidente da Abimaq fala dos problemas e dos projetos do setor de máquinas MARCAS PRÓPRIAS Cosméticos do Pão de Açúcar apostam em visual sofisticado BISNAGAS Selagens diferentes podem mudar a cara do mercado

Revista EmbalagemMarca 108 - Agosto 2008

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Edição de agosto de 2008 da revista EmbalagemMarca. Visite o site oficial da revista http://www.embalagemmarca.com.br e o blog http://embalagemmarca.blogspot.com

Text of Revista EmbalagemMarca 108 - Agosto 2008

www.embalagemmarca.com.br

FALSIF IC AOOs piratas no do sossego s marcas. Saiba como as embalagens podem combat-los

MARCAS PRPRIASCosmticos do Po de Acar apostam em visual sofisticado

BISNAGASSelagens diferentes podem mudar a cara do mercado

ENTREVISTA: Presidente da Abimaq fala dos problemas e dos projetos do setor de mquinas

eDITorIal

}}} A

ESSNCIA DA EDIO DO MS, NAS PALAVRAS DO EDITOR

Coisas que fazem a diferenaa fase de encerramento dos trabalhos da presente edio da revista, fazendo um balano preliminar do andamento do PrmIO EmbalagEmmarca graNDES caSES DE EmbalagEm, cujo encerramento de inscries ficou estabelecido para 22 de agosto, tivemos mais um motivo para acreditar em nosso trabalho. Embora a data final para inscries ainda estivesse distante, o nmero de cases apresentados era muito expressivo. Parece ser uma agradvel tendncia, que vai na mo contrria do velho hbito brasileiro de deixar as coisas para a ltima hora. Ainda que sejamos daquele tipo de otimistas que levam ao p da letra a mxima de que cautela e caldo de galinha no fazem mal a ningum, permitimonos acreditar que esta edio do Prmio superar o xito da edio inaugural. Dadas as consultas que vm recebendo, os organizadores do evento prevem que o amplo auditrio da Fecomercio, em So Paulo, ser completamente ocupado pelos interessados em assistir apresentao dos cases escolhidos pelos jurados. Para que a festa no se limite cerimnia de premiao, ao coquetel e ao jantar, esto tomando providncias para que ela seja uma reunio o mais produtiva possvel entre empresrios e profissionais da cadeia produtiva de embalagem.

N

A inteno que fornecedores, transformadores e usurios de embalagens troquem experincias e informaes, num clima ameno e festivo. A fim de que tal objetivo seja alcanado, atraes artsticas no entram na programao. Entendemos que o tempo de todos curto e, por isso, procuramos otimiz-lo, promovendo uma celebrao focalizada efetivamente na homenagem e no incentivo ao fortalecimento do packaging brasileiro. O Prmio hoje uma importante ferramenta na misso de transformar informao em conhecimento, que a Bloco de Comunicao se imps j em sua fundao, 21 anos atrs. Outro instrumento desse alvo so os Seminrios Estratgicos integrantes do cIclO DE cONHEcImENTO, do qual o prximo, em 14 de outubro, ser o de Sustentabilidade em Embalagens. Trabalhar pelo fortalecimento dessa cadeia, no custa reiterar, um dos compromissos a que dedicamos o melhor de nosso empenho nos ltimos dois decnios. Assim, embora sendo EmbalagEmmarca a mais nova e mais inovadora das revistas da rea, o corpo jornalstico da editora o que h mais tempo atua efetivamente na especialidade. uma experincia acumulada que, acreditamos, tambm contribui para fazer a diferena. At setembro.

Wilson PalharesWilson Palhares | [email protected] Adilson Augusto | [email protected] Flvio Palhares | [email protected] Guilherme Kamio | [email protected] Marcella Freitas | [email protected]: [email protected] Diretor de Redao:

Levamos ao p da letra a mxima de que cautela e caldo de galinha no fazem mal a ningum, mas acreditamos que esta edio do PRMIO EMBALAGEMMARCA superar o xito da edio inauguralPblico-AlvoEMBALAGEMMARCA dirigida a profissionais que ocupam cargos de direo, gerncia e superviso em empresas integrantes da cadeia de embalagem. So profissionais envolvidos com o desenvolvimento de embalagens e com poder de deciso colocados principalmente nas indstrias de bens de consumo, tais como alimentos, bebidas, cosmticos e medicamentos. O contedo editorial de EMBALAGEMMARCA resguardado por direitos autorais. No permitida a reproduo de matrias editoriais publicadas nesta revista sem autorizao da Bloco de Comunicao Ltda. Opinies expressas em matrias assinadas no refletem necessariamente a opinio da revista.

EMBALAGEMMARCA uma publicao mensal da Bloco de Comunicao Ltda. Rua Arclio Martins, 53 CEP 04718-040 So Paulo, SP Tel.: (11) 5181-6533 Fax: (11) 5182-9463 www.embalagemmarca.com.br Filiada ao

Diretor de arte: Carlos Gustavo Curado | [email protected] assistente de arte: Jos Hiroshi Taniguti | [email protected] Eunice Fruet | [email protected] Marcos Palhares | [email protected] Comercial: [email protected] Administrao:

Departamento de arte: [email protected]

Filiada

Joo Tichauer | [email protected] Juliana Lenz | [email protected] Karin Trojan | [email protected] Wagner Ferreira | [email protected] e Assinaturas (Assinatura anual: R$ 99,00):

[email protected]

Ivan Darghan | [email protected]

Ciclo de Conhecimento:

FOTO dE CAPA: STudIO AG ANdr GOdOy

sumrio }}} N 108 }}} agosto 2008

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Cinco perguntas paraKaroline Lankoski, modelo e apresentadora de programa ambiental que criou uma linha de cosmticos naturais e chs

Higiene Pessoal

14 22

A linha de lenos de papel Kleenex estria caixas que servem tambm como porta-retratos

Artigo

16 30Cervejas

Reportagem de capa: Pirataria

Para Sterling Anthony, embalagem o componente mais tangvel da Budweiser, comprada pela InBev

Enquanto a pirataria se globaliza, tambm se acentuam os avanos nos mtodos antifalsificao de embalagens, para proteger as marcas

Prmio EmbalagEmmarca

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Entrevista: Luiz Aubert Neto

Segunda edio do prmio concedido aos grandes cases de embalagem ultrapassa as 170 inscries

Presidente da Abimaq, do setor de mquinas, questiona a sobrevivncia da indstria nacional de bens de capital

40 52 66

Com garrafa retornvel de 1 litro, Skol busca avanar no consumo domstico

Higiene pessoal e beleza

48 62Ciclo de ConhecimentoApontar caminhos, o objetivo do Seminrio Estratgico de Sustentabilidade na rea de Embalagem, preparado para outubro

Embalagens de nova linha infantil da Natura se transformam em brinquedos ecologicamente corretos

Cada vez mais diferenciado, o corte das selagens vem dar personalidade s bisnagas

Plsticas Marcas prpriasA Taeq, do grupo Po de Acar, lana uma linha de beleza com frmulas exticas e embalagens exclusivas

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Lynn DornblaserPesquisadora do Mintel pina exemplos de apresentaes inovadoras

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Internacional

InternacionalInovao inglesa para leite junta garrafa feita com polpa de papel reciclado e bolsa biodegradvel

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Garrafa de PET para azeite procura imitar garrafa de vidro

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EditorialA essncia da edio do ms, nas palavras do editor

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Espao abertoOpinies, crticas e sugestes de nossos leitores

S na web

8 44 56 74

O que a seo de notcias de www.embalagemmarca.com.br e a e-newsletter semanal levam aos internautas

Panorama

Movimentao do mundo das embalagens e das marcas

Painel grfico

Produtos e processos da rea grfica para a produo de rtulos e embalagens

Display

Lanamentos e novidades e seus sistemas de embalagens

Almanaque

82www.embalagemmarca.com.br

Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens

espao aberTo

}}} OPINIES,

CRTICAS E SUGESTES DE NOSSOS LEITORES

Robs

Com relao ao artigo A lgica versus a

Sou espanhol, de Barcelona, e trabalho para a empresa norte-americana RAM Mechanical Inc. Fabricamos linhas de produo automatizadas principalmente para a indstria de engarrafamento. Utilizamos os robs para as aplicaes de paletes de garrafas. Leio EmbalagEmmarca mensalmente e desejo parabeniz-los pela reportagem de capa da edio 107 (A lgica versus a situao). Excelente! Gervasio Lpez Barcelona, Espanha

situao, gostaramos de informar que a Pavax pioneira na distribuio oficial dos robs Fuji-Ace para o Brasil. A Fuji no trabalha com representantes exclusivos, e temos um contrato de distribuio assinado com eles desde 2007. Diferentemente de outros no mercado, a Fuji somente fabrica os robs, no fazendo integrao. Somos responsveis tecnicamente pelos sistemas, inclusive desenvolvendo atuadores e transportadores na maioria dos casos. Marcos V. X. da Silveira Diretor Pavax Barueri, SP

no varejo comeou com o lanamento, pela AmBev, do pack de 18 latas da Skol em 2007. Na verdade, o processo teve inicio no segundo semestre de 2006. A Ladal (fornecendo o filme) e a BR Ind. e Com. de Embalagens Plsticas Ltda. (co-packer) possibilitaram o projeto que, naquele momento, consistiu em proporcionar ao cliente que mensurasse os resultados sem nenhuma alterao em suas linhas de produo. Alis, naquela ocasio a AmBev lanou simultaneamente packs de 15 e de 18 latas, todos feitos por Ladal e BR. De acordo com a receptividade do consumidor, a AmBev optou por promover adaptaes nas suas linhas para o item com 18 unidades. Ou seja, foi um tiro certeiro, conforme mostrou a matria da edio de julho. Roberto A. Lacerda Diretor Ladal Plsticos e Embalagens Ltda. Rio Claro, SP

Amrica Latina. Sigam em frente. Natalia Diaz Rochester, Nova York (EUA)

Design de Chronos

A reportagem intitulada Com travas

Viajar impreciso

pe de redao e edio da Revista Embasobre a excelente matria publicada na reportagem de capa da edio 106 (junho 2008) com o ttulo Viajar Impreciso Embalagens compactas de produtos de higiene pessoal e beleza tm amplo espao para crescer no Brasil. A equipe da C-Pack parabeniza a revista por sua postura transparente, focando o mercado e seus fornecedores em geral. Janice Minef da Silveira Assessora Executiva de Marketing C-Pack Creative Packaging S.A. So Jos, SClagEmmarca

Vimos, por meio desta, agradecer equi-

mveis, sobre a linha Chronos, Flavonides de Passiflora, da Natura (EmbalagEmmarca n 106, junho de 2008), traz a informao inverdica de que a N Design foi quem criou o design da embalagem. Na verdade, essa agncia no participou de nenhuma fase do projeto. O design da embalagem e a soluo tcnica foram 100% desenvolvidos pela Natura, em parceria com a Incom. Isso se trata de uma apropriao indevida dos crditos de criao. Gostaria de saber como esta informao chegou a vocs. Rmulo Zamberlan Coordenador de Inovao em Embalagens Natura Cajamar, SP Na reportagem est dito que o mrito do desenvolvimento da embalagem dividido entre a agncia e a empresa. Literalmente: O projeto da embalagem foi criado pela N Design em conjunto com a Natura. A informao de que a N Design teria participado do desenvolvimento foi obtida no site daquela empresa (www.nodesign. com.br).

Vitacartaostamos muito da reportagem Fcil de guardar e de visualizar, publicada na edio nmero 107 de EmbalagEmmarca. As novas embalagens dos cereais matinais Kellness ficaram bonitas, com sistema de fechamento criativo e eficiente. O papel carto utilizado nas embalagens o Vitacarta 350g/m, da Papirus Indstria de Papel S/A. Na reportagem o produto saiu com o nome de Vidacarta. Solicito a correo. Amando Varella Diretor Comercial Papirus Indstria de Papel S/A So Paulo, SP

G

Sempre atualou venezuelana e vivo em Rochester, Nova York. Escrevo para felicit-los pela revista EmbalagEmmarca, que leio desde que publicada a verso em espanhol. Trabalho em uma indstria de embalagens e sou gerente de produo. A revista muito didtica e muito informativa. algo com que hoje no posso deixar de contar para poder me atualizar sobre o que acontece no mercado de embalagens do Brasil e da

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Multipacksuero parabenizar a revista pela matria sobre multipacks econmicas para cervejas e fazer uma observao. Foi citado que a inovao no sistema de venda de cerveja

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s na webUma amostra do que a seo diria de notcias de www.embalagemmarca.com.br e a e-newsletter semanal da revista levam aos internautasinternacional

Garrafas temticas de alumnioA Coca-Cola, uma das empresas patrocinadoras das Olimpadas, apresenta uma srie limitada de embalagens em comemorao aos Jogos Olmpicos. A novidade, batizada de WE8 Unio de Dois Mundos, composta por oito garrafas de alumnio com os temas Felicidade, Perseverana, Paz Mundial, Momentos Alegres, Otimismo, Mundo Saudvel, Harmonia Global e Solidariedade. Cada verso circula em um pas. O Brasil recebe a variante Harmonia Global, com design da chinesa Xiao Xue. Leia mais em www.embalagemmarca.com.br/we8 Normas Display

Eleg lana polpa de frutasA Eleg apresenta ao mercado a Polpa Eleg nos sabores mix de mamo com laranja com morango e ameixa e morango. O design das embalagens da Packing Design. As bandejas de poliestireno (PE) so fornecidas pela PLM Plsticos e os selos de alumnio pela Graffo Paranaense. Leia mais em

Anvisa discute corantes em embalagensA Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) abriu consulta pblica para atualizao de resoluo que estabelece os critrios para os corantes utilizados em embalagens e equipamentos plsticos que entram em contato com alimentos. As contribuies para a consulta pblica podem ser enviadas at o dia 20 de outubro pelo e-mail [email protected] Leia mais em

www.embalagemmarca.com.br/elegepolpa

www.embalagemmarca.com.br/anvisacorantes

Panorama

Polo Films estria novo siteA Polo Films, empresa fabricante de filme de polipropileno biorientado (BOPP), estria novo site (www.polofilms.com.br). A empresa, que faz parte da Unigel Qumica S/A, possui duas unidades fabris e a nica produtora de BOPP na Amrica Latina a dominar duas tecnologias de produo, tubular e plana. Leia mais em www.embalagemmarca.com.br/novositepolo

RECEBA A E-NEWSLETTER SEMANAL DE EMBALAGEMMARCAVisite www.embalagemmarca.com.br/newsletter e cadastre seu e-mail. Nosso boletim eletrnico, gratuito, publicado todas as quintas-feiras.

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perguntaspara Karoline Iankoski cerca de quatro anos, o xito e a relativa fama que vinha obtendo como modelo fotogrfico da agncia Mega abriu para a jovem Karoline Iankoski a oportunidade de tornar-se apresentadora do programa sobre ecologia e esportes radicais Eco Brasil, gravado pela TV Sul em Florianpolis e transmitido para os Estados do Sul do pas. Na tev Karoline ia igualmente bem, mas o acmulo de duas carreiras obrigou-a a trancar matrcula no curso de Arquitetura da Universidade Unisul, quando se encontrava a um ano e meio da concluso. A inclinao natural que tinha por conhecer temas relacionados ao bem estar, acentuada nas entrevistas do programa ambiental e no obrigatrio contato com produtos de beleza em viagens como modelo pelo Brasil e pelo exterior, aguou-se quando conheceu mais a fundo as propriedades cosmticas da soja. Isso se deu quando conheceu aquele que hoje seu marido, o empresrio Rodolfo Rohr Neto, diretor da SSoja, uma produtora de leite e alimentos derivados daquela leguminosa, localizada em Caldas Novas, Gois. No demorou para que Karoline, com o auxlio de cientistas e especialistas da rea de cosmticos, decidisse desenvolver produtos no mnimo semelhantes queles que tinha de usar para posar para as fotos ou para maquiar-se ao enfrentar as cmeras da TV Sul. Recentemente ela lanou a marca Clini, iniciando com uma linha de cuidados pessoais (cremes, xampus e condicionadores) e acaba de lanar uma linha de chs, todos produzidos de forma terceirizada pela Naturelle. Aqui ela diz fazer questo de acentuar que o Brasil um pas de empreendedores porque um pas de oportunidades. Com base em sua experincia, Karoline diz que vale a pena ousar.

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FOTO: STudIO AG ANdr GOdOy

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o que a leva a apostar no sucesso dos produtos Clini?

a falta de oferta no mercado de produtos que realmente funcionem. Trabalhei como modelo. Quando uma modelo vai fazer um comercial, passam aquela chapinha, aquela escova, aqueles sprays que detonam o cabelo. Depois disso necessrio algo para hidratar. Sempre fui apaixonada por cosmticos. Nas minhas viagens, sempre compro os melhores produtos, mas muitas vezes eles no funcionam, no mudam nada. A partir da disse para mim mesma: Vou atrs; nem que demore um tempo para ficar pronto, vou ter meu produto, mas tem de ser uma coisa que eu possa usar.

complementos, e pronto. Nos meus produtos tem leo de macadmia, leo de soja, protena hidrolisada de soja, tem vitamina E, ou seja, um produto consistente, bem forte, que funciona. Quem usa sente a maciez e o brilho na pele ou no cabelo.

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Alm dos ingredientes, existe algum ponto forte que a leve a acreditar tanto em seus produtos?

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o que observou l fora serviu de base para a elaborao dos produtos que est lanando? ou voc procura fazer produtos diferentes tanto das marcas internacionais quanto das nacionais?

Basicamente, procuro fazer diferente. A maioria das marcas foca s em um ingrediente por exemplo, um creme base de leo de macadmia, onde colocam apenas aquilo, uns

Sim. a embalagem. Com a ajuda da Sara (de Paula Souza), da Hi Design, escolhi uma bisnaga standard, porque ela pode me atender tanto para o xampu quanto para o condicionador, com rtulo auto-adesivo no-label look aquele que simula a impresso feita diretamente sobre a superfcie da embalagem e detalhe em hot stamping. Como a Clini comea com a produo de lotes reduzidos em cada linha, at porque ainda no bem conhecida no mercado, houve um problema no fornecimento, pois os lotes eram pequenos. Assim, ou pagava um pouco mais caro ou fazia um lote maior. Preferi pagar um pouco mais caro, mas lanar um produto bom em um lote menor. Conseguimos fazer uma embalagem bonita, que transmite qualidade, a idia de um bom produto. A aceitao do pblico est sendo muito boa.

Preferi pagar um poucomais caro, mas lanar um produto bom em um lote menor. Conseguimos fazer uma embalagem bonita, que transmite qualidade, a idia de um bom produto. A aceitao do pblico est sendo muito boa.www.embalagemmarca.com.br

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onde os produtos esto sendo colocados?

Por enquanto, no Museu da Soja, uma estrutura que fica no mesmo terreno da fbrica da SSoja. O Museu da Soja tornou-se um ponto turstico da cidade de Caldas Novas. Passam por l de 300 a 700 pessoas por dia. um ponto no qual realmente pude fazer um teste e teve aceitao. As pessoas voltam e esto pedindo por telefone e por e-mail.Voc est lanando uma linha de chs e j anunciou que pretende lanar uma linha de tratamento corporal, para prevenir o envelhecimento e as rugas e tambm um creme para celulite, base de leo de caf. Alm do princpio dos ingredientes naturais, que atributos destacaria nesses produtos?

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As embalagens. O que busquei foi que tivessem a propriedade de agregar valor sem, necessariamente, aumentar muito o preo unitrio para o consumidor final. Sem boas embalagens no adianta oferecer o melhor produto do mundo.

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Se voc se preocupa com a sade do planeta e dos negcios, no pode ficar de fora.

Seminrio Estratgico de Sustentabilidade na rea de Embalagem.

O que ser Sustentvel no mundo corporativoEm um futuro bem prximo no haver lugar para empresas e negcios isolados dos conceitos de sustentabilidade, de preocupao com os grupos de interesse e dos conceitos bsicos de sustentao da governana. A cadeia de embalagens no foge a essa nova realidade. A presso vinda de vrias fontes consumidores, organizaes no-governamentais e rgos oficiais faz com que a adoo de prticas sustentveis nos negcios seja uma necessidade, e no mais um conceito abstrato. A pergunta muda de quando para como trabalhar com essa nova realidade. O seminrio apresentar formas de abordar a sustentabilidade, na indstria de embalagens, como elemento de gerao de negcios, mostrando que aes que usam o assunto meramente como elemento de comunicao hoje so, na verdade, insustentveis.

Dia 14 de outubro de 2008, na Amcham Brasil, em So Paulo.Palestrantes confirmados: Martin Bunce, designer da TinHorse Design Limited Paulo Pompilio, diretor de responsabilidade scio-ambiental do Grupo Po de Acar Victor Fernandes, diretor de desenvolvimento da Natura Eduardo Vaz, diretor industrial da Bertin Higiene & Beleza Programao08h00 - 08h45 - Credenciamento e Welcome Coffee 08h45 - 09h00 - Abertura 09h00 - 10h00 - O que ser sustentvel no mundo corporativo 10h00 - 10h30 - Coffee Break 10h30 - 11h30 - Varejo: Presses sobre as embalagens 11h30 - 12h30 - A Sustentabilidade, a empresa e o consumidor 12h30 - 14h00 - Almoo 14h00 - 15h00 - Case de coleta e reciclagem 15h00 - 16h00 - Ecodesign e inovao no desenvolvimento de embalagens 16h00 - 16h30 - Coffee Break 16h30 - 17h30 - Painel de Usurios - A sustentabilidade na cadeia de suprimentos

www.embalagemmarca.com.br/cicloInformaes sobre Palestras e palestrantes Como patrocinar o evento Como participar do seminrio [email protected]

O Ciclo de Conhecimento um programa abrangente e permanente de anlise, estudo e difuso de informaes relacionadas cadeia de embalagens, desde o fornecimento de matrias-primas at a indstria usuria e o varejo. Trata-se de uma ao contnua para promover eventos que podem ser classificados como de transformao. Sua misso contribuir para o desenvolvimento de profissionais e empresas do setor. O que oferecemos ao setor mais informao com valor agregado.

Apoio

Realizao

}}} HiGieNe pessoAl

Lenos e lembranasKleenex tem coleo de embalagens que funcionam como porta-retratos

H quatro opes de cubos com espao para fotos: trs com desenhos para jovens e adultos e uma para as crianas ( esquerda)

eriodicamente a linha de lenos de papel Kleenex, da Kimberly-Clark, estria novas embalagens. O destaque agora fica com a variante cubo, que recebeu uma janela para ser usada tambm como porta-retrato. A idia de se criar uma embalagem que tambm fosse um porta-retratos foi de um funcionrio da empresa, que a incluiu no programa interno Caadores de Oportunidades, em que os trabalhadores do sugestes de novos produtos. O processo de criao dos cubos porta-retratos Kleenex foi conduzido em estreita relao entre a DBox Design, a Kimberly-Clark e a grfica Ibratec, conta Andr Ianni, diretor de criao da DBox. A idia foi aproveitar ao mximo o conceito de um produto personalizvel, com grande apelo decorativo e compatvel custo de produo, e isso exigiu uma grande pesquisa conceitual e testes para aplicao destes conceitos aos diversos pblicos do produto, relata Ianni. O desenvolvimento do projeto demandou trs meses. Idealizadas para serem colocadas em mesas, escri-

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vaninhas e criados-mudos, as caixas produzidas em papel carto com verniz pela Ibratec acondicionam 100 lenos duplos. Em uma das faces h uma janela onde pode ser encaixada uma foto. Basta o consumidor inserir a fotografia por um vo na aresta superior e a embalagem torna-se uma moldura para a imagem. So trs modelos com orifcios quadrados de 7,2 x 7,2 centmetros e um o infantil com formato oval. Queramos fazer da embalagem algo ainda mais atrativo, bonito de expor e personalizado, comenta Mario Loor, diretor da diviso de Cuidados com a Famlia da Kimberly-Clark. A empresa espera que as novas embalagens aumentem as vendas em aproximadamente 5%. As embalagens que tm como pblico-alvo as crianas tm o rosa como cor predominante. Os cubos dirigidos aos jovens apostam no contraste do fundo branco com cores vibrantes das estampas. A idia foi aproveitar ao mximo o conceito de um produto personalizvel, com grande apelo decorativo e compatvel com o custo de produo, assinala Ianni, da DBox. (MF)

DBox Design (11) 3721-4509 www.dboxdesign.com.br Ibratec (11) 4772-8277 www.ibratecgrafica.com.br

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ARTIGO }}} STERLING ANTHONY

Esta Bud nossaA compra da Anheuser-Busch pela InBev alerta novamente a indstria de bens de consumo sobre as realidades do mercado globaltrono da Rainha das Cervejas (1) foi transferido para a Europa, onde a realeza bem-recebida h sculos. A Rainha foi comprada. Longa vida Rainha. A aquisio da Anheuser-Busch pela cervejaria belgo-brasileira InBev cria a quarta (talvez terceira) maior empresa de bens de consumo do mundo. O negcio, visto em seu escopo, uma mina de ouro para anlise e reflexo que extrapolam as partes envolvidas. E, como sempre que se fala de indstrias de bens de consumo, a embalagem constitui uma rica inspirao. O que a InBev desejava era a marca Budweiser. Independentemente de como se queira definir o que marca, no h um

O

Por Sterling Anthony*

componente seu que seja mais tangvel que a embalagem. Em muitas instncias, as diferenas funcionais entre produtos concorrentes no grande, e a embalagem o fator diferenciador. A embalagem apresenta e representa, fisicamente, aspectos que a marca cria na mente dos consumidores. A embalagem uma construidora de marcas e, por isso, deve ser um fator a ser considerado pela parte interessada numa estratgia de aquisio. Isso igualmente verdadeiro na estratgia ps-aquisio, considerando-se que as aquisies so efetuadas para transformar sinergias em crescimento e lucros. Estratgias importantes para conseguir isso incluem foco no mercado global, no mercado local ou na criao de marca, cada um cons-

O que a InBev desejava era a marca Budweiser, da qual no h um componente mais tangvel que a embalagem

(1) Em ingls, King of Beers, ou o Rei das Cervejas.

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tituindo uma reao a influncias culturais, polticas e econmicas.

Mercado globalUm produto com marca internacional distribudo, sem alteraes em sua essncia, em vrios mercados ao redor do mundo. Isso significa que um consumidor acostumado com aquela determinada marca a reconhecer por sua aparncia e funo em qualquer parte do globo. A Coca-Cola aquela da frmula universal e secreta o exemplo clssico. Mas o fato de um produto no passar por mudanas substantivas de lugar para lugar no diminui a importncia de todas as variveis especficas que impactam a embalagem em mercados especficos. A infra-estrutura de transporte, por exemplo, pode requerer que a embalagem seja mais reforada. Essa maior proteo deve estar na embalagem primria, na secundria, na terciria, ou distribuda entre as trs? Fatores relacionados ao uso/consumo de um produto com marca global podem variar em cada mercado, afetando questes fundamentais como o tamanho das embalagens e a viabilidade do uso de multipacks. No so necessrios muitos exemplos para mostrar que o conceito de produtos globais relativo, e que variaes nas embalagens no podem ser totalmente descartadas. Uma discusso envolvendo estratgias globais de marca e de embalagem precisa obrigatoriamente ao menos aludir questo da sustentabilidade. E por um bom motivo. Por mais diversos ou similares que sejam os mercados ao redor do mundo, o mesmo mundo. Esse fato, bem como as suas implicaes, faz da embalagem sustentvel um dos maiores desafios/oportunidades de hoje. As regulamentaes sobre embalagens sustentveis variam de pas para pas, indo das mais restritivas s inexistentes, assim como mudam os focos relativos colocados em reduo, reciclagem e reutilizao. Mas a questo mais complexa do que obedecer s vrias regulamentaes e tentar minimizar

seus efeitos fragmentadores sobre uma estratgia global de marca. Alm disso, o dono da marca no deve se expor a desgastes explorando mercados onde a legislao frouxa. Ao contrrio, a estratgia global de marca deve mostrar um compromisso forte e consistente com a sustentabilidade das embalagens, ainda que a implantao especfica possa ter de variar entre mercados.

Mercado localTambm ocorre, freqentemente, de os donos de marca precisarem modificar o produto, mas no a embalagem; depois, a embalagem precisa desempenhar todas as suas funes de proteo, comunicao e utilidade. Todos os McDonalds ao redor do mundo so instantaneamente reconhecveis, apesar de a mesma uniformidade no ser aplicvel aos cardpios. No que se refere s embalagens, a tarefa como manter certos componentes constantes, mais notadamente o nome da marca e o logotipo, enquanto se mexe em outros componentes para atender as demandas do mercado. Um em particular, a cor, pode ter conotaes e associaes diferentes em funo de normas sociais. Normas culturais podem tambm interferir na forma com que o produto mostrado na embalagem, e tambm quando se vai retratar pessoas, caso o gnero faa diferena. Textos promocionais tambm podem ser afetados, pois culturas diferentes podem interferir na pertinncia das mensagens. Alm disso, um fator como o nvel mdio de educao impacta na compreenso de instrues, bem como no equilbrio entre palavras e smbolos.

O fato de um produto no passar por mudanas substantivas de lugar para lugar no diminui a importncia de todas as variveis que impactam a embalagem em mercados especficos

Criao da marcas vezes, o melhor se no o nico recurso criar uma nova marca para um mercado especfico. Apesar de, obviamente, tomar o nome da marca como ponto de partida, a nova marca pode ser parecida ou completamente diferente da original, conforme as circunstncias especficas indicarem. Qualquer que seja o grau de semelhana, contudo, a embalagem

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precisa incorpor-la efetivamente. Uma condio que pode justificar a estratgia de criao de uma nova marca o idioma. O nome original pode ser de difcil pronncia. Ou o nome traduz uma idia na melhor das hipteses cmica ou ridcula basta lembrar o desastre da Chevrolet com o Nova nos mercados sul-americanos, onde no va, em espanhol, significa no anda. Ou, ainda, o mercado local utiliza um alfabeto diferente. Ou a marca no est disponvel, pois foi registrada por outra empresa. Qualquer que seja o motivo, nenhuma transferncia no atacado deve ser feita para a embalagem, sem que se considerem as circunstncias de mercado mencionadas acima.

pode recair desproporcionalmente sobre a embalagem.

um mundo pequeno, afinalAquisies, grandes ou pequenas, envolvendo partes internacionais, so manifestaes da globalizao: compras, produo, marketing e distribuio de produtos feitos com base nas vantagens comparativas de vrios pases. Nenhuma companhia de capital aberto pode se blindar a isso, seja como parte compradora ou comprada. H uma ironia intrnseca no fato de que, quanto mais bem-sucedida for uma marca, mais atraente ela ser para aquisies, e mais bem-posicionada estar para adquirir outras marcas. E, como mencionado no incio, marca, produto e embalagem esto intimamente ligados. Profissionais de embalagem precisam ter conhecimento pelo menos conceitual sobre mercados globais e globalizao. Por isso, visitar feiras internacionais, tais como a Interpack (Dsseldorf, Alemanha) e a Pack Expo (Chicago e Las Vegas, Estados Unidos), um investimento proveitoso. A anlise final que uma aquisio como um casamento, com o sucesso estando ligado ao tipo correto de pensamento e julgamento durante o namoro, e, depois, combinao de personalidades individuais e fuga daquelas assustadoras diferenas irreconciliveis. Podem, ento, duas gigantes do mercado de cerveja encontrarem o amor verdadeiro? Teremos de esperar para ver o que est por vir. * O americano Sterling Anthony consultor em embalagem, tendo trabalhado em grandes empresas de alimentos, sade e do mercado automobilstico. Tambm lecionou packaging em universidades nos Estados Unidos. Seu e-mail [email protected], e seu site o www.pkgconsultant.com.COPyrIGHT 2008 SuMMIT PuBLISHING COMPANy. TOdOS OS dIrEITOS rESErvAdOS. ESSE ArTIGO, PuBLICAdO OrIGINALMENTE EM 25 dE JuLHO dE 2008 NA NEWSLETTEr PACKAGING INSIGHTS, dA PACKAGING WORLD (WWW.PACKWOrLd. COM), rEPrOduZIdO COM AuTOrIZAO dA SuMMIT PuBLISHING COMPANy. PACKAGING WORLD uMA MArCA rEGISTrAdA dA SuMMIT PuBLISHING COMPANy.

H uma ironia no fato de que, quanto mais bem-sucedida for uma marca, mais atraente ela ser para aquisies, e mais bemposicionada estar para adquirir outras marcas

No aposte em ufanismosA maior parte das aquisies de marcas americanas por empresas estrangeiras recebeu bem menos ateno que a cobertura do negcio entre a InBev e a A-B. A compra da Miller Brewery Company pela South Africa Brewery foi bem menos alardeada. Na verdade, algumas marcas tradicionais nos lares americanos so estrangeiras. Entre elas esto Gerber, Woolite, Ben & Jerrys e Clearasil. Apesar disso, prudente que marcas domsticas e estrangeiras considerem se, e como, uma aquisio vai afetar o mercado domstico. A marca to intrincada no mercado local que se pode mensurar o nmero de consumidores que sentiro algum conflito entre a lealdade marca e patriotismo? AA-B, definitivamente, um caso desses, e possivelmente h outros. Trazendo a discusso para embalagens, como se deve proceder se, por exemplo, os consumidores comearem a imaginar alteraes numa marca adquirida? Num cenrio desses, uma campanha de comunicao pode ser necessria; porm aquisies geralmente so acompanhadas por cortes para eliminar custos. Portanto, se propaganda, relaespblicas e outros componentes do mix de comunicao ficarem espremidos, a obrigao de comunicar percepes equivocadas

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}}} reportAGem de CApA

Proteger para noA indstria da pirataria encontra cada vez mais facilidade para copiar produtos. Para as marcas fortes, a boa notcia que existem avanadas tecnologias para combat-laPor Guilherme Kamioglobalizao expandiu admiravelmente as oportunidades de negcios para as indstrias. Mas, numa de suas facetas mais amargas, tambm fortaleceu a pirataria. O contrabando e a contrafao so atividades cada vez mais poderosas na economia mundial. Produtos falsificados j chegam a gerar um prejuzo anual da ordem de 630 bilhes de dlares s marcas genunas, calcula o jornalista venezuelano Moiss Nam em seu livro Ilcito o Ataque da Pirataria, da Lavagem de Dinheiro e do Trfico Economia Global. Com essa cifra, a indstria da falsificao ocuparia um destacado 61 lugar no ranking do Fundo Monetrio Internacional (FMI) que avalia os PIBs de 180 naes. Rplicas de baixa qualidade, caricatas, facilmente identificveis, so definitivamente coisas do passado. Dinmico e emancipado do controle dos Estados como nunca, o comrcio internacional garante fcil acesso a sofisticadas tecnologias de falsificao, dedicadas em amplo grau reproduo de embalagens o que no surpreende, na medida em que elas so as personificaes dos produtos (para no dizer que elas so os produtos). Persuadido por embalagens falsas, o consumidor pode adquirir bens de consumo cuja qualidade fatalmente deixa a desejar. Mas, no caso de alimentos e, principalmente, de medicamentos, os embustes podem ocasionar problemas de sade pblica, ameaa intitulada nos Estados Unidos de terrorismo de varejo.

A

Resultado: perdas que extrapolam a sangria imediata dos caixas, j que colocam em risco as reputaes das marcas. Se a noo de que as marcas so bens valiosssimos j est largamente assimilada pelas empresas, nem tanto est a de que, como qualquer patrimnio, elas devem ser protegidas, diz Jack Walsh, gerente de marketing da diviso de Solues de Proteo de Marcas (Brand Protection Solutions) da americana Videojet, fabricante de equipamentos para codificao e marcao de embalagens. De acordo com Walsh, a codificao pode ser uma aliada no combate pirataria, pois, ao contrrio do que ocorria at a dcada de 90, quando somente permitia identificar lotes, hoje permite o controle unitrio de produtos. Para legitimar produtos, uma das propostas da Videojet a aplicao de cdigos invisveis nas embalagens, gravados por codificadoras inkjet com tinta ultravioleta (UV), identificvel somente por leitores especiais. H diversas opes de dispositivos anticpia ocultos para embalagens, apenas detectveis por filtros, leitores ou anlises laboratoriais. A Innovapack, por exemplo, comea a disponibilizar no Brasil papis carto para a produo de invlucros dotados de impresses digitais. A tecnologia, chamada Authentica, permite a autenticao do material com o uso de scanners. Um dos leitores tem forma de caneta, para facilitar as inspees de campo, como as feitas em ambiente

Tecnologia Authentica esconde marcas de originalidade em cartuchos

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remediar

de varejo, comenta Helio Kikuchi, da rea de marketing e vendas da Innovapack. Outra soluo, recm-lanada pela alem Microglyph, prope cdigos camuflados, integrados a elementos do design grfico das embalagens. A soluo j utilizada nas embalagens

plsticas flexveis do chocolate Milka, da Kraft Foods, na Europa.

Nas mos do consumidorAlm das tecnologias furtivas, outra grande categoria de sistemas de segurana para embalagens aquela dos mecanismos de segurana visveis, como hologramas e tintas reativas. Os mais populares artefatos desse gnero so os selos de segurana conhecidos como OVDs ou dispositivos pticos variveis, vertendo-se do ingls os componentes da sigla. Referncia mundial nessa rea, a alem Kurz lanou recentemente uma nova coleo de sofisticados efeitos para seus selos Trustseal, a fim de evitar replicaes por falsrios. As principais novidades so selos com imagens de finssima resoluo, somente perceptveis com lupas especiais, e efeitos de figuras superpostas sobre hologramas que aparecem em movimento sob determinado ngulo, detalha

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Fernando Mota, gerente da diviso de segurana da Kurz para a Amrica Latina. Dispositivos de segurana visveis geralmente so frutos de tecnologias complexas, guardadas a sete chaves, e certamente podem formar uma barreira falsificao. No entanto, eles se baseiam na autenticao pelos consumidores, que muitas vezes no sabem distinguir se os hologramas ou tintas nas embalagens so legtimos. Isso acaba facilitando o trnsito dos produtos piratas. Infelizmente, muitos clientes que investem em dispositivos de segurana no fazem campanhas de informao ao pblico, admite Mota. Os sistemas de proteo ocultos, por sua vez, dependem de programas de confidencialidade e muitas vezes so desconsiderados por aquilo que,

Microglyph prope cdigos camuflados nos designs de embalagem. As reas contendo cdigos so destacadas na foto ao lado

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em teoria, seria uma blindagem contra os piratas: o custo de adoo. A Suzano Papel e Celulose, por exemplo, desenvolveu recentemente um papel carto antipirataria com fibras especiais e outros elementos escamoteados formadores de uma espcie de DNA, mas o projeto, pelo o que se sabe extra-oficialmente, foi engavetado por baixo interesse do mercado. O fato que, como no poderia deixar de ser, cada sistema antipirataria tem seus pontos fortes e fracos. Por isso, a cada dia ganha fora a recomendao de colocar nas embalagens sistemas antipirataria complementares e at redundantes, isto , mltiplas camadas de proteo. Na Drupa, feira do setor grfico realizada na Alemanha entre o fim de maio e o incio de junho deste ano, uma aliana entre empresas de diferentes competncias (a provedora austraca de sistemas de autenticao Jura JSP, a fabricante de vernizes Weilburger Graphics, a Kurz, a fabricante de impressoras offset MAN Roland e as produtoras de tintas grficas Merck e Sun Chemical)

apresentou o conceito de um cartucho de papel carto para medicamentos com seis (!) elementos de segurana integrados (veja a reproduo na prxima pgina). Esse approach est se consolidando na Europa, mas no Brasil as empresas ainda costumam empregar uma tecnologia em detrimento de outra, sob alegadas questes de inviabilidade de custo, comenta Mota, da Kurz.

RFID uma promessaUma outra classe de elementos de segurana para embalagens compreende os sistemas de serializao, como os cdigos de barras. Nesse ramo, a grande aposta a tecnologia de identificao por radiofreqncia (RFID), na forma de etiquetas inteligentes, dotadas de chips capazes de armazenar dados. A grande finalidade do RFID auxiliar a logstica da cadeia de suprimentos, mas suas possibilidades se desdobram e incluem a segurana contra a pirataria, j que a velocidade na captura de informaes permite verificar a autenticidade de um produto sem nem sequer

Tecnologia da Kurz permite a superposio de imagens em selos de segurana: barreira contra cpias

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abrir sua caixa, explica Roberto Matsubayashi, gerente de solues da GS1 Brasil (Associao Brasileira de Automao). Mais que atestar a originalidade de produtos, funcionando como um pedigree eletrnico (ou e-pedigree, como j se convencionou chamar l fora), o RFID tambm pode, quando operado com homologaes ao longo de todos os estgios antecessores ao ponto-de-venda, denunciar culpados por eventuais desvios de produtos de suas malhas oficiais de distribuio. Uma soluo com essas virtudes, alicerada em etiquetas RFID no s capazes de serem validadas in-loco, por leitores, mas tambm atravs da conferncia de cdigos na internet, acaba de ser proposta pela empresa franco-americana eProvenance para proteger vinhos de primeira linha das ameaas das falsificaes e do mercado negro (veja EmbalagEmmarca n 106, junho de 2008). Mas, no obstante seja promissora, essa modalidade avanada de codificao ainda no deslanchou. Motivo: o alto custo de implantao e de monitorao em grau unitrio. Cabe registrar, porm, que o preo vem caindo bastante, assinala Wagner Bernardes, diretor de marketing e vendas da Seal Sistemas, especializada em processos de automao com cdigo de barras, redes sem fio e RFID. Uma etiqueta que em 2005 custava 1,50 real hoje chega a custar 50 centavos. Na vanguarda dessa tendncia de rastreamento unitrio de produtos com RFID est a Pfizer, que aplica etiquetas inteligentes em cada um dos cartuchos de seu medicamento contra disfuno ertil Viagra mas, por enquanto, s nos Estados

Marcador invisvel de segurana

Detalhe em cold foil hologrfico aplicado em linha Selo OVD (dispositivo ptico varivel)

Tinta com pigmento reativo

Tinta com elemento oculto Aliana de empresas de diferentes competncias apresentou, na Drupa, embalagem conceito com seis de segurana integrados

Unidos, informa Joo Fittipaldi, diretor mdico do brao nacional do laboratrio. No Brasil, ele detalha, a segurana das embalagens das famosas plulas azuis do produto fica a cargo de um dispositivo de autenticao friccional com tinta reativa (vulgarmente conhecido como raspadinha) e de um selo hologrfico trocado periodicamente (o atual foi adotado no fim de 2007).

Validao por quem compraParalelamente ao RFID e aos sistemas hbridos, tambm so promissoras na luta contra a pirataria as ferramentas que buscam transformar o consumidor em parte crucial da validao de produtos. A Bosch, por exemplo, vem utilizando nas caixas de suas ferramentas comercializadas na Europa um sistema desenvolvido pela alem Schreiner que, atravs de cdigos impressos em selos de segurana, permite rpida aferio da

Sistema eProvenance utiliza etiquetas RFID para proteo e possibilidade de rastreamento

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Caixa do Viagra tem RFID nos EUA. Aqui, selo hologrfico e raspadinha

legitimidade dos itens num espao dedicado de seu portal na internet. As consultas so gravadas num banco de dados de modo a impedir validaes duplicadas. J a fabricante americana de cartuchos de papel carto Chesapeake Corporation lanou h cerca de dois meses uma tecnologia chamada Pro-tex que permite verificar a autenticidade de suas embalagens atravs do servio de mensagens de texto dos telefones celulares. Ao enviar um torpedo com o cdigo alfanumrico estampado na embalagem, o consumidor recebe, como texto de resposta, um endosso, caso a embalagem seja original e conste do banco de dados da empresa, ou um alerta, caso o cdigo seja inverdico. Ainda incomuns, mas engenhosas para se coibir a pirataria e os desvios para o mercado negro, so as embalagens j projetadas com dispositivos de segurana. No Brasil, um exemplo o do frasco criado pela 3D Modeling para uma vacina veterinria da Fort Dodge. O molde da embalagem foi criado de modo a incorporar um elemento intercambivel: uma cara estilizada de boi, postia, que pode ser trocada a qualquer momento para evitar um fcil padro de cpia. Esse tipo de trabalho ainda raro, diz Reginal-

Selo das ferramentas da Bosch: validao pela internet

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do Miranda, gerente de projetos da 3D Modeling. Pelo custo envolvido, mais fcil de ser adotado por indstrias verticalizadas, que fabricam suas prprias embalagens. O caso da Fort Dodge evidencia um recado que pode ser estendido a qualquer empresa preocupada com a pirataria de seus produtos: quanto mais utilizado um atributo de segurana, mais atraente ele se torna para o falsrio tentar burllo. No existe panacia, uma soluo mgica, para o problema da contrafao, alerta Moiss Nam em seu livro sobre pirataria. s empresas, resta nunca deixar a guarda baixa.(Colaborou Adilson Augusto)

Frasco da Fort Dodge: elemento cambivel

3D Modeling (11) 5031-4500 www.3dmodeling.com.br GS1 Brasil (11) 3068-6229 www.gs1brasil.org.br Innovapack (11) 4646-4466 www.innovapack.com.br Jura JSC www.jura.at Kurz (11) 3871-7340 www.kurz.com.br MAN Roland (11) 5522-5999 www.manroland.com Merck 0800 727 7292 www.merck.com.br Microglyph www.microglyphs.com Weilburger www.weilburger-graphics.de Seal (11) 2134-3829 www.seal.com.br Sun Chemical (11) 6462-2500 www.sunchemical.com Videojet (11) 4869-8800 www.videojet.com

Sistema da Chesapeake: autenticao pelo celular

Os principais dispositivos antipirataria para embalagensSistemas aparentesDispositivos visveis a olho nu que comprovam a originalidade das embalagens. Os mais comuns so os selos hologrficos e os chamados dispositivos pticos variveis (OVD, na sigla em ingls). So baseados em tecnologias de custo acessvel e com variada oferta, mas alguns selos so fceis de replicar e muitas vezes o consumidor no sabe distinguir os autnticos dos falsos.

Sistemas ocultosDispositivos escondidos nas embalagens, que dependem de filtros, leitores eletrnicos ou anlises laboratoriais para serem detectados. Os mais comuns so gerados com tintas invisveis (reativas), desenhos com padres microscpicos (impresses digitais ou DNA) e marcadores qumicos. virtualmente impossvel replic-los a no ser quando a cadeia de fornecimento possui vazamentos. No garantem autenticao pelo consumidor final.

Codificao inteligenteDesignao de identidades nicas para cada embalagem unitria, de modo a poder rastre-las com preciso ao longo da cadeia de abastecimento. O sistema mais conhecido nessa rea o de cdigos de barras, mas suas possibilidades so limitadas. Uma promessa a identificao por radiofreqncia (RFID), segura, porm ainda cara para a implantao em nvel unitrio.

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}}} prmio emBAlAGemmArCA

O sucesso explicadoCredibilidade, visibilidade e diferenciao estimulam inscriesaris vale uma inscrio mas outros bons motivos alm das atraes da Cidade-Luz contriburam para que o nmero de concorrentes ao PrmIO EmbalagEmmarca graNDES caSES DE EmbalagEm ultrapassasse, em sua segunda edio, o expressivo nmero de 170. Consultados informalmente, responsveis pelas inscries nas empresas responderam ter sido fortemente motivados pelas seguintes razes: a maneira diferenciada, abrangente, com que os cases so analisados pelo jri; ou seja, considerando os resultados que o conjunto dos atributos da embalagem propiciam ao bom desempenho dos produtos, dos pontos de vista industrial, ambiental, logstico, mercadolgico, do design, da inovao etc. a visibilidade oferecida na forma de ampla cobertura sem custos dada por EmbalagEmmarca, pelo site e pela newsletter eletrnica da revista, e ainda pela exposio dos cases vencedores no Centro Universitrio Belas Artes de So Paulo (e, a partir desta edio, em eventos relacionados com a cadeia produtiva de embalagem) A credibilidade da premiao

P

Outro estmulo citado para as inscries foi o sorteio de uma passagem de ida e volta a Paris entre os ganhadores, mais hospedagem por quatro noites e ingressos para o Emballage, uma das mais importantes feiras mundiais de embalagem, a realizar-se entre 17 e 21 de novembro na capital francesa. Esse pacote, um brinde oferecido pelo Emballage atravs de seu escritrio de representao no Brasil, o Promosalons, tem um atrativo adicional: o sorteio do case d direito empresa usuria ou que fez a inscrio, em deciso por comum acordo, de apresent-lo no Pack.Vision. Este evento um simpsio internacional de tendncias e novidades em embalagem organizado pelos responsveis pela feira e ao qual comparecem profissionais, scholars e empresrios ligados ao campo da embalagem no mundo inteiro. O brinde, na verdade, compreende o sorteio de dois pacotes. Como o salo Emballage ocorre a cada dois anos, e o PrmIO EmbalagEmmarca, anualmente, o patrocinador decidiu sortear um a cada edio. Na primeira, a empresa escolhida foi a Amazon Comrcio Importao e Exportao, com o case da tampa Massucap para potepatrocnio master

patrocnio premium

patrocnio especial

organizao

Apoio operacional

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de vidro, do Palmito Equador. A apresentao no Pack.Vision ser feita por representantes do fabricante da tampa, a Massucato (veja esse e os demais cases vencedores em EmbalagEmmarca n 98, outubro de 2007). Razes semelhantes, reforadas pela ampla visibilidade que oferecida aos parceiros apoiadores do Prmio, igualmente contriburam para estimular os patrocnios iniciativa. Assim, em agosto adquiriram cotas a P. E. Latina Labelers (Patrocnio Mster), a Rotatek e a Suzano Papel e Celulose (Patrocnios Especiais). No entendimento dos organizadores do Prmio, esse suporte adensa a confiabilidade que j vinha sendo propiciada ao Prmio pelos patrocnios da Quattor (Premium), do Programa Embala, do Salo Emballage (Mster), da Brasilcote e da Tupahue (Especiais), alm do apoio operacional do Centro Universitrio Belas Artes. A coroao de tudo isso ocorrer na cerimnia de premiao, dia 1 de outubro prximo, no Centro Fecomercio de Eventos, em So Paulo.

Aproximar a cadeia o nosso objetivoNs trabalhamos no incio da cadeia produtiva, mas entendemos que temos de cuidar no apenas dos nossos clientes diretos. Se no nos preocuparmos com o que a indstria usuria de embalagens precisa, entendendo as suas reais necessidades, no conseguiremos atender adequadamente os convertedores, que so nossos clientes diretos. Como a revista EmbalagemMarca tem boa penetrao entre usurios e fabricantes de embalagens, vimos no patrocnio ao Prmio EmbalagemMarca - Grandes Cases de Embalagem uma tima oportunidade para estreitarmos relaes com toda a cadeia. Nesse sentido, acreditamos que os objetivos do Prmio esto bastante alinhados com os nossos.

Srgio Quemel Diretor Tupahue Tintas

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ENtREVIsta }}} luiZ AuBert Neto

Ou investe ou fica para trsLuiz Aubert Neto, presidente da Associao Brasileira da Indstria de Mquinas e Equipamentos (Abimaq), diz que a desonerao total de investimentos e a inovao tecnolgica so fundamentais para a sobrevivncia da indstria nacional de bens de capitala dcada de 80, a indstria brasileira de bens de capital ocupava o quinto posto no ranking mundial. Hoje est em 14o lugar. Luiz Aubert Neto, presidente da Associao Brasileira da Indstria de Mquinas e Equipamentos (Abimaq), atribui esse desabamento a trs fatores. O primeiro a estagnao do PIB brasileiro por mais de vinte anos, resultando na baixa demanda de bens de capital. O segundo a queda acentuada de formao bruta de capital fixo: caiu de 24% em 1980 para cerca de 17% em 2007, com investimentos do governo federal reduzidos a menos de 1% doFOTO: dIvuLGAO

N

PIB. Por ltimo, mas no menos grave, Aubert cita o processo de desindustrializao ocorrido em vrios segmentos da indstria na dcada de 1990, sobretudo no perodo de valorizao do real a partir de 1995. Esse fato, segundo ele, levou a uma queda expressiva da participao da indstria de transformao no PIB, de quase 36% em 1985 para cerca de 18% em 2006. A cadeia produtiva de embalagem est includa nesse imbrglio. Tal quadro pouco animador agravado pelo expressivo aumento da importao de mquinas e insumos, a maioria dos quais apenas substitui a produo nacional, enfraquecendo a

cadeia produtiva do setor no pas. Luiz Aubert Neto se alinha com aqueles que no se encantam com as perspectivas das vastas jazidas de petrleo em solo brasileiro. Ao contrrio, ele ressalta que todos os pases que baseiam suas exportaes em commodities, com destaque para o petrleo, so pases pobres e onde a distribuio de renda pssima. A exceo a Noruega, que aplicou os ganhos com petrleo em educao e na indstria. Vale dizer que o recado claro: se o Brasil no investir em educao e tecnologia, para poder exportar produtos com valor agregado, vai ficar cada vez mais para trs.

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Em recente artigo o senhor disse que somente o Brasil pratica o absurdo tributrio que onerar bens de capital com impostos. Ao anunciar a Poltica de Desenvolvimento Produtivo (PDP), o governo acenou com a compreenso de que isso precisaria ser corrigido. De l para c houve algum passo concreto nesse sentido? Em qualquer pas do mundo, fora o Brasil, quem produz bens de capital no tem tributao, muito pelo contrrio. Os pases incentivam a indstria a comprar mquina, porque assim h gerao de empregos e de competitividade, a rentabilidade das empresas aumenta, o faturamento cresce e o governo arrecada mais. Ento, tornar um investimento caro uma poltica que podemos chamar, no mnimo, de no inteligente. Voltemos um pouco no tempo. Na dcada de 80 ramos o quinto maior fabricante de bens de capital do mundo, hoje somos o 14. Por isso ns e quando digo ns me refiro tanto ao setor industrial quanto ao governo lanamos o projeto Abimaq 2022. Esse projeto indica o que devemos fazer para que at l possamos estar novamente na primeira diviso do setor de fabricao de bens de capital. Na quinta posio novamente? Na quinta no chegaremos mais. Achamos possvel chegar talvez at a stima. Para a quinta a distncia est grande. Alm disso entraram em cena players que no estavam presentes, como a China... No s a China, mas todos os pases asiticos. Tem a Coria e o Vietn, que no existiam. lgico que a China de maior peso, mas h outros pases que esto nos passando, como a ndia e a Rssia. Ns estamos patinando. Agora, o que o governo fez de l para c? Soltou algumas medidas pontuais que acenam para a desonerao do setor, mas s em parte. Houve o lanamento da PDP, houve a depreciao acelerada de bens de capital. Antes se fazia a depreciao de mquinas em cinco anos, hoje possvel fazer isso em at dois. um grande benefcio para quem trabalha no lucro real, porque se abate do Imposto de Renda a pagar e sobra mais para investir. Mas isso no beneficia

Na dcada de 80 ramos o quinto maior fabricante de bens de capital do mundo. Hoje, somos o 14

em nada quem trabalha no lucro presumido, que a grande parte quase 80% da pequena e mdia empresa. Outro benefcio pontual que veio foi a compensao do PIS e da COFINS, que incidiam sobre a compra de bens de capital em 24 meses e agora se pode fazer em doze. De todas as mudanas, a principal no est tanto na parte tributria, mas na linha de financiamento via Finame (Financiamento de Mquinas e Empresas) em dez anos dois de carncia e oito para pagar. Antes eram no mximo cinco anos, ou seja, dobrou o prazo. S que h um grande entrave, que a necessidade da Certido Negativa de Dbitos (CND): 70% das empresas tm problema com isso. So dbitos de impostos, tanto municipais quanto estaduais ou federais. A nova poltica industrial do governo promete incentivos inovao tecnolgica. Isso suscita uma dvida: na indstria existe uma queixa quanto baixa qualificao da mo-de-obra. Na rea grfica esse problema seria uma barreira ao avano da tecnologia de impresso. Isso se aplica aos bens de capital em geral? As barreiras tecnolgicas e educacionais so os maiores entraves que temos. Peguemos a Alemanha como exemplo: em mquinas grficas, ela dispensa comentrios. a maior fabricante de bens de capital do mundo e em mquinas grficas a melhor. A mgica do alemo para se manter nesse negcio inovao tecnolgica. Veja-se o que se investe em inovao tecnolgica, em pesquisa, em desenvolvimento. Na Alemanha, 80% dos pesquisadores esto dentro das indstrias, 20% esto no meio acadmico. No Brasil o contrrio, 20% esto nas empresas. Em que n estamos! Precisamos inverter isso. Especificamente na preparao da mo-deobra, qual a dimenso do problema? Qualquer pessoa hoje precisa ter, no mnimo, conhecimento de informtica, ter cursado at a oitava srie. Quando se faz uma anlise para uma contratao, a primeira coisa que se observa o conhecimento bsico que a pessoa tem. Quem no sabe usar computador, no sabe o que Word, Excel, nem contratado. Nmeros apresentados em Davos mostram que, de 134

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pases pesquisados, o Brasil ficou na ltima posio em investimento do PIB na educao. de doer na alma. Os nmeros da indstria de mquinas evidenciam um crescimento forte e constante. Hoje o grande problema no nosso setor no capacidade instalada, pois as empresas esto comprando mquinas. O grande gargalo a mo-de-obra qualificada para operar essas mquinas. A grande dificuldade encontrar esse pessoal. Isso reflexo do baixssimo investimento na educao. Os problemas, de fato, so muitos. Recentemente, a Associao de Comrcio Exterior do Brasil (AEB) informou que cerca de 65% das receitas das exportaes brasileiras hoje so provenientes de commodities. Pela primeira vez desde 1980 a fatia dos produtos manufaturados na balana comercial inferior a 50%. O vicepresidente da entidade, Jos Augusto de Castro, disse na ocasio que estamos voltando ao passado. O senhor concorda com essa opinio? No s concordo como acho que ele foi at otimista. Se pegarmos os pases que tm petrleo, tm minrio, todas as suas exportaes so baseadas nessas commodities. So pases pobres onde a distribuio de renda pssima. A nica exceo a Noruega. O que fez a Noruega? Toda a receita do petrleo foi investida em educao e na indstria. A Noruega no quer exportar minrio de ferro ou petrleo, quer exportar produtos com valor agregado. O Brasil est se concentrando somente em commodities. Tivemos uma bolha, porque os preos das commodities subiram muito, mas agora esto caindo. Peguemos o setor de mquinas: o dficit este ano vai bater a casa dos 10, 12 bilhes de dlares; ano passado foi de 4,5 bilhes e em 2006 foi quase zero. Todos os setores que tm inovao tecnolgica e mo-de-obra agregada esto passando por isso. Se no corrermos nos prximos trs ou quatro anos, no haver saldo comercial que consiga pagar isso. Mas h uma corrente de pensamento segundo a qual o crescimento das importaes, por compreenderem significativamente bens de capital, contribui para aumentar a competitividade da

Com o dlar do jeito que est, o risco que corremos de substituir fabricantes nacionais por produtos importados enorme

indstria brasileira. O argumento bsico de se est importando tecnologia de ponta embutida nas mquinas. Como a Abimaq v essa corrente de pensamento? A Abimaq no contra a importao de mquinas. Quando se importa uma mquina que vem da Alemanha, dos Estados Unidos, do Japo e ela traz aumento de produtividade, competitividade, rentabilidade e, principalmente, se tiver isonomia, caso haja fabricante nacional, no somos contra. O que somos contra, e que est provocando estrago para ns, so as importaes da China a preos de 7, 8, 9, 10 dlares o quilo de uma mquina. Hoje o imposto mdio de importao do nosso setor est inferior a 8%. Com o dlar do jeito que est, o risco que corremos de se substituir fabricantes nacionais por produtos importados enorme. Temos vrios exemplos aqui na Abimaq de empresas que h dez anos tinham 100% da fabricao feita no Brasil e que hoje importam da China. Elas mantm somente o nome e revendem no Brasil. Como combater essa concorrncia, que podemos chamar de desleal? Sabemos que a causa no pode ser imputada somente ao concorrente. H outros fatores que contribuem para isso, como a tributao elevada, que o senhor citou. Como combater ou reverter essa situao? Isso est dentro do Plano Abimaq 2022, que tem quatro alicerces: um a inovao tecnolgica, de que acabamos de falar e que fundamental. No possvel falar no resto sem inovao tecnolgica. O segundo ponto a desonerao total do investimento. O Brasil o nico pas do mundo que comete a insanidade de tributar mquinas. O terceiro pilar desse projeto so linhas de financiamento. O setor de bens de capital perde competitividade se no existirem linhas de financiamentos de longo prazo. Uma mquina tem de se pagar. O Brasil no tem linhas de longo prazo, e as taxas de juros so piores do que as de agiotas russos. As nicas linhas salvadoras so as do BNDES, e mesmo assim so linhas com juros reais. Aqui, pelo BNDES, os juros podem variar de 12% a 16% ao ano. O que queremos so armas iguais, isonomia. Como podemos competir

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com alemo, japons, americano, quando eles vm com linhas de financiamento de at dez anos, com juros que chegam no mximo a 5% ao ano, e com o dlar do jeito que est? briga de Rambo contra Mazzaropi. A desigualdade de ferramentas brutal. O ltimo ponto do Abimaq 2022 exportao. A volto a falar dos pases do Primeiro Mundo. As exportaes deles esto em produtos com valor agregado. A Alemanha no produz um gro de caf e o maior exportador de caf industrializado. O Brasil e a Colmbia exportam o caf para depois import-lo torrado e modo. No h conta que feche. Qual a importncia das exportaes para o setor de mquinas? Historicamente o nosso setor tem 33%, 35% do faturamento na exportao. Somos o setor que mais exporta em valor agregado. Este ano o valor foi de 22% do faturamento. Pode-se calcular o estrago que isso representa para o pas. Estamos perdendo mercado l fora em produtos de valor agregado. Dentro desses valores, 50%, 60% das exportaes de mquinas vo para pases de Primeiro Mundo, o que mostra que o nosso setor competitivo e tem tecnologia. A Abimaq reconhece que, em muitos setores, h um nmero excessivo de empresas. So empresas que talvez sejam familiares, talvez no estejam atualizadas tecnologicamente, e isso dificulta as condies competitivas dessas empresas. O projeto Abimaq 2022 prev medidas para incentivar a reestruturao do setor? O que precisamos fazer para as pequenas e mdias empresas, para de alguma forma aumentar a competitividade delas, melhorar a gesto. A idade mdia das mquinas instaladas no Brasil de dezenove anos. As mquinas mais antigas esto na pequena e mdia empresa, porque as grandes sempre se atualizam. Se a mdia dezenove, na pequena e mdia temos mquinas com 25, 30 anos. O que precisamos dar condies para que essas empresas possam trocar as mquinas e os equipamentos. Outra coisa que estamos fazendo na Abimaq facilitar o acesso da pequena e mdia empresa a softwares de

No Brasil o cmbio est baixo, na China est alto. Isso j d uma diferena de 70% ou 80% de competitividade, fora os custos que uma empresa na China tem

gesto. Temos parceria com uma empresa que fornece software para engenharia, para projetos, que pode ser pago em at doze vezes, com 25% de reduo. Criamos tambm o FIDC Abimaq (Fundo de Investimentos de Recebveis), que um fundo de direitos creditrios. Esse fundo est comeando com 200 milhes de reais e o BNDES est entrando com 25% das cotas subordinadas, ou seja, avalizando. As vantagens so que no h IOF, a taxa mdia de juros est em 1,35% ao ms e no impacta o crdito junto ao sistema financeiro, porque uma operao feita em bolsa. Outra coisa: no h necessidade de reciprocidade. Hoje, quando descontado um ttulo no banco, no dia seguinte o gerente liga e vende um seguro, ou seja, o custo financeiro sobe. Precisa ter o que eles chamam de reciprocidade. Aqui no, a nica reciprocidade ser scio da Abimaq. O senhor j qualificou como importaes do mal a compra de mquinas a preo baixo, mas sem tecnologia para a produo de bens competitivos. Seriam mquinas que resolvem um problema, mas a mdio e longo prazo podem agrav-lo, pela baixa qualidade. No entanto, parte delas tem desempenho de alta qualidade. Como conseguem concorrer a preos favorveis com os equipamentos brasileiros? O bsico o cmbio. No Brasil o cmbio est baixo, na China est alto. Isso j d uma diferena de 70% ou 80% de competitividade, fora os custos que uma empresa na China tem. Eles no tm 13 salrio, FGTS, o custo do ao baixo. Isso tem data para acabar, mas a verdade que a China est desenvolvendo alta tecnologia. Podemos lembrar do Japo. H trinta anos os carros da Toyota e da Honda eram lixo. Hoje dominam e j esto passando at a GM. Acredito que em relao China, neste primeiro momento, podemos falar de qualidade, de assistncia tcnica. Mas daqui a dez anos a histria vai comear a mudar. O problema muito maior do que imaginamos hoje. Hoje o problema de qualidade e assistncia tcnica e ainda podemos cutucar isso. Mas se no mudar de atitude com agilidade o Brasil vai perder a corrida.

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}}} CerVejAs

Para a famlia e para os amigosCom garrafa de 1 litro retornvel, Skol mira no consumo domsticoe olho no crescimento do consumo de cerveja em casa apresentado em algumas regies do pas, a Skol colocou no mercado, no comeo de agosto, a Skol Litro, cerveja em garrafa de vidro de 1 litro retornvel produzida pela Saint-Gobain e pela Owens-Illinois. Nada melhor do que uma cerveja grande para ocasies como churrascos e festas. Por isso decidimos atender essa demanda oferecendo aos consumidores uma embalagem mais econmica de 1 litro retornvel, diz a gerente de inovaes da Skol, Carolina Faria. Fruto de quase um ano de pesquisas pela cervejaria, a Skol Litro chega para atender demanda de um mercado promissor. De acordo com a gerente da AmBev, observa-se uma forte tendncia de crescimento do consumo de cervejas em embalagem de 1 litro na Amrica Latina. Segundo estudo da Nielsen, na Repblica Dominicana, por exemplo, as garrafas de 1 litro retornveis representam 33% do mercado de cerveja, e na Guatemala esse nmero chega 36%. Em pases do Cone Sul, como Argentina e Uruguai, comum o envase de cerveja

D

Diferena vetadaCade restringe circulao de garrafas de 630 mililitros da AmBevA AmBev est proibida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econmica (Cade) de estender para o restante do pas o uso de suas garrafas personalizadas retornveis de 630 mililitros utilizadas nos Estados do Rio de Janeiro, com a Skol, e do Rio Grande do Sul, com a Bohemia. A deciso impede que a garrafa seja usada por outras marcas da AmBev. Alm disso, o Cade determinou que a cervejaria adote um sistema de troca de vasilhames com seus concorrentes. Os concorrentes da AmBev alegam que a nova garrafa quebra o sistema de compartilhamento de vasilhames. O descumprimento da deciso implica multa diria de 50 mil reais. O Cade imps as condies ao julgar medida preventiva adotada pela Secretaria de Direito Econmico (SDE) em maio deste ano, que suspendia o uso das novas garrafas e determinava o recolhimento dos vasilhames em circulao. A AmBev no comentou a deciso.

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em garrafas de 960 mililitros retornveis. A AmBev j vem testando desde o incio de 2007 essas embalagens no mercado, com as marcas uruguaias Patrcia, Nortea e Pielsen. Temos bastante confiana no imenso potencial do produto, afirma Carolina Faria.

Owens-Illinois (11) 2542-8000 www.oidobrasil.com.br Propack (11) 4785-3700 www.propack.com.br Saint-Gobain (11) 2246-7214 www.sgembalagens.com.br Wassmann +49 (0)2303 962 042 www.wassmann.com

Economia na trocaO principal atrativo da Skol Litro a economia feita pelo consumidor: o preo sugerido para a garrafa de 3,99 reais para a compra sem o vasilhame. Na recompra, com a devoluo da garrafa, o consumidor pagar 2,99 reais, o que representa um custo por litro bem inferior s outras embalagens das outras marcas e at da prpria Skol. A garrafa de 1 litro chega ao varejo dos Estados do Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, alm do interior de So Paulo e do sul de Minas Gerais. (FP)

Cerveja de 1 litro no novidade no BrasilPequenas cervejarias j utilizam a embalagemabadessa e slava, da Cervejaria Abadessa, de Porto Alegre. Garrafas de 1 e 2 litros so produzidas pela empresa Wassmann da Alemanha

coruja, da Cervejaria Coruja, Teutnia (RS). Empresa no informou quem fornece a embalagem

schmitt big ale, da Cervejaria gacha Schmitt. Garrafas da Saint-Gobain so retornveis

chopp belco, da cervejaria Belco, de So Manuel (SP). Embalagem de PET com rtulo termoencolhvel da Propack

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panoraMaFLEXVEIS

}}} MOVIMENTAO

NO MUNDO DAS EMBALAGENS E DAS MARCAS

Duas novas fontes de stand-up pouchesArco Convert e Grand Pack passam a oferecer flexveis que ficam em p O mercado conta com dois novos fornecedores de stand-up pouches (SUPs), as bolsas plsticas capazes de ficar em p: a Arco Convert e a Grand Pack. Aps a aquisio de uma mquina formadora SUP 750, da Hudson Sharp, a Arco Convert (www.arco.ind.br) passa a produzir pouches para as mais diferentes aplicaes inclusive aqueles do tipo retortable, que possibilitam a esterilizao de alimentos por autoclave, dispensando a distribuio refrigerada. A aposta numa curva acentuada de crescimento dos SUPs pela economia de matria-prima que eles proporcionam (e conseqentes redues de custo, peso e volume de descarte) e por sua ampla superfcie impressa, que lhe d visibilidade na gndola e facilita a leitura de informaes. preciso virar toda a lata de atum, por exemplo, para l-la, comparaTECNOLOGIA

Eduardo Slikta, supervisor de vendas e servios da Arco. O stand-up pouch no deforma, o que facilita o manuseio e evita perdas, d segurana ao consumidor, pois no do tipo que possa machucar, e permite a aplicao de tampas e sistemas de abertura fcil, como zperes. Por sua vez, a GrandPack (www. grandpack.com.br), mais conhecida pela atuao com sachs, strips (cartelas flexveis) e flow packs, investiu 500 000 reais em equipamentos para trabalhar com SUPs. Andria Emlia, responsvel pelo planejamento da empresa, informa que j esto sendo desenvolvidas bolsas para vrios clientes entre eles O Boticrio, Natura e Laboratrio Aclimao. As expedies devero comear em setembro. (Adilson Augusto)

SUPs produzidos pela Arco Convert: novo playerFONTE: PETCOrE

Tequila que brilhaGarrafas de Hornitos adotam dispositivos luminosos Abordada na edio anterior de EmbalagEmmarca por uma ao pioneira com a cerveja romena Ursus, a tecnologia LightPad de iluminao de embalagens acaba de fazer sua estria em bebidas alcolicas destiladas. A Beam Global Spirits & Wine colocou nos mercados americano e mexicano garrafas de 750 mililitros e de 1 litro de sua tequila Hornitos que piscam com iluminao verde. Acoplados s bases das embalagens de vidro transparente, os LightPads, dispositivos com um LED integrado, acendem somente quando manuseadas. A idia da Beam destacar a marca quando bartenders retiram as garrafas das prateleiras dos bares. Se a iniciativa for bem-sucedida, a tecnologia, criada pela Cognifex (www.cognifex.com), poder ser estendida principal marca de tequila da Beam, a Sauza.

1,13

O NMERO

milho de toneladasFoi o volume coletado na Europa, em 2007, de garrafas de pET ps-consumo para reciclagem. o ndice 20% maior que o registrado em 2006, quatro vezes maior que o do Brasil em 2007 e representa cerca de 40% de todas as embalagens de pET comercializadas no ano passado no mercado europeu.

FOTO: dIvuLGAO

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FOTO: CArL

OS CurAdO

/ BLOCO dE

COMuNICA

O

Edio: GUilhErME KaMio ||| [email protected]

Em vez do banimento, melhor usoPrograma de consumo responsvel de sacolas obtm bons resultados Lanado em meio onda de averso s sacolas descartveis para transportar compras, o Programa de Qualidade e Consumo Responsvel das Sacolas Plsticas conseguiu diminuir o uso desses invlucros em 12% no seu primeiro ms em vigor na capital paulista. O ndice representa quase 1,5 milho de unidades salvas nas 16 lojas participantes da fase inicial da campanha (14 das redes Po de Acar e Carrefour e duas das bandeiras VIP e Alvorada). Capitaneado pela Plastivida e apoiado pelo Instituto Nacional do Plstico (INP), pela Associao Brasileira da Indstria de Embalagens Plsticas Flexveis (Abief) e pela Associao Brasileira de Supermercados (Abras), o Programa distribui sacolas mais resistentes, fabricadas de acordo com a norma ABNT 14.937 e identificadas com um selo de qualidade. O objetivo diminuir a subutilizao e o uso duplicado das embalagens. Na operao-piloto em So Paulo, 1 328 pessoas, entre promotores e operadores de caixa, distriburam material explicativo e orientaram os consumidores sobre o uso adequado das sacolas qualificadas. Os resultados foram significativos (veja o quadro). Alm de continuar em So Paulo, o programa ser ampliado. Santa Catarina, Bahia e Pernambuco j fecharam acordos com associaes supermercadistas de seus Estados. O Rio Grande do Sul faria o mesmo em agosto. Em doze meses pretendemos reduzir o uso anual das sacolas no Brasil em 30%, o equivalente a 5,5 bilhes de unidades, informa Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida.

VAREJO

Sacola com o logotipo da campanha: uso racional a meta

Utilizao de sacolas com menos da metade de suas capacidades nominaisanTes Do prograMa coM UM Ms De prograMa

61%anTes Do prograMa

28,1%coM UM Ms De prograMa

Utilizao de sacolas em duplicidade

13%anTes Do prograMa

6,7%coM UM Ms De prograMa

Clientes que deixavam os supermercados com as sacolas cheias

26%

60,8%

FONTE: SP TrAdE/PLASTIvIdA PESQuISAS EFETuAdAS EM SuPErMErCAdOS PAuLISTANOS

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panoraMaCELULSICAS

}}} MOVIMENTAO

NO MUNDO DAS EMBALAGENS E DAS MARCAS

Estria na rea de limpezaSelo do FSC agora estampa caixa de sabo em p Depois de estrear no Brasil em cartuchos de cosmticos e em caixas de papelo ondulado, o selo do FSC Forest Stewardship Council, entidade que atesta o manejo responsvel de florestas em todo o mundo chega a um novo segmento. O sabo em p Tixan Yp, da Qumica Amparo, o primeiro produto de limpeza nacional a estampar a insgnia em suas embalagens. As caixas do produto, fornecidas pelas grficas Rigesa, Romiti e Nilpel, so confeccionadas com papel carto

Tixan Yp: o primeiro sabo em p nacional com o selo do FSC

certificado da Suzano Papel e Celulose. Com o selo, o consumidor poder ter a certeza de que a embalagem do lava roupas foi produzida de maneira responsvel, no contribui para o desmatamento

da Amaznia, reduz a emisso de CO2 causador do efeito estufa e assegura os direitos dos trabalhadores e das populaes que vivem nas florestas, diz a Qumica Amparo, em comunicado.

GENTEResultado da fuso consolidada no fim do ano passado entre duas potncias em codificao de embalagens, a americana Markem e a francesa Imaje, a MarkemImaje confirmou Marcio Caillaux, executivo originrio da Imaje, como seu diretor de operaes para o mercado brasileiro. Antes somente responsvel pela Amrica do Sul,Marcos Tadeu de Lorenzi

tor de vendas da fabricante de embalagens de vidro Vidroporto. A rea de vendas da Premiumplastic passa a ser gerenciada por Ricardo Tovar. Mudanas na Suzano Papel e Celulose. Andr Dorf (foto) assumiu a diretoria executiva de Estratgia e Novos Negcios e, a partir de setembro de 2008, acumular a responsabilidade pela rea de Relaes com Investidores da empresa. A diretoria executiva da Unidade de Negcio Papel, posto ocupado por Dorf desde 2006, passou para Carlos Anbal Fernandes de Almeida Jr., que vinha atuando na Suzano como gerente executivo da Unidade de Negcio Celulose. A americana Owens-Illinois, forte atuante do mercado nacional de embalagens de vidro, nomeou Jay Scripter seu vice-presidente global de sustentabilidade. Depois de trabalhar 26 anos no desenvolvimento e no gerenciamento de projetos de embalagem na Johnson & Johnson brasileira, Paulo E. Pereira passa a integrar a direo da agncia

de design de produto, embalagens e ambientes Prodesign, de So Jos dos Campos (SP). Pereira j coordenou o Comit de Usurios de Embalagem da Associao Brasileira de Embalagem (Abre). Mudanas na matriz da qumica americana Eastman. Damon C. Warmack foi nomeado vice-presidente e gerente-geral de Qumicos de Performance e Intermedirios (PCI). Em seu lugar, na vicepresidncia e gerncia da diviso Revestimentos, Adesivos, Polmeros Especiais e Tintas (CASPI), entra Brad Lich, que at ento ocupava o cargo de vice-presidente de marketing global da companhia. A partir de 1 de outubro, Fernando Lewis (foto) assumir o cargo de vice-presidente do grupo de imagem e impresso da HP no Brasil. Ele substitui Edson Shiwa, que passar a responder pela unidade de negcios de inkjet e web solutions para a Amrica Latina. H 21 anos na HP, Lewis j exerceu vrias funes no Brasil e na Amrica Latina nas reas de finanas, distribuio e manufatura.

agora tambm o gerente de marketing da fabricante francesa de equipamentos de embalagem Sidel para a Amrica Central. Nas Amricas, s no atuo nos Estados Unidos e no Canad, explica o executivo. Referncia em tecnologias de potncia e automao, a sueco-sua ABB escolheu seu novo CEO. Joseph Hogan, ex-presidente da GE Healthcare, assumir o posto de principal executivo da empresa em 1 de setembro.Gian Piero Bortone deixou a gerncia de vendas da produtora de embalagens plsticas Premiumplastic e o novo dire-

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}}} HiGieNe pessoAl e BeleZA

De bem com a NaturezaNa nova linha de produtos infantis da Natura, embalagens se transformam em brinquedos ecologicamente corretosPor Flvio Palharesostrar, por meio de brincadeiras e histrias a respeito da gua, as primeiras noes de conscincia ambiental de forma ldica, potica e divertida. Este o conceito da nova linha infantil da Natura, a Natur, que substitui a linha Natura Criana e cujos dezessete produtos (doze regulares e cinco refis), destinados a crianas de 3 a 7 anos de idade, foram desenvolvidos ao longo de quatro anos com o apoio de pedagogos, pediatras, psiclogos, mdicos e enfermeiros. A colaborao desses profissionais ajudou no s na formulao dos xampus, condicionadores, sabonetes, colnias,48

loes hidratantes e cremes para pentear que integram a nova famlia, mas tambm na criao de embalagens especiais, sobre as quais recai a funo didtica descrita linhas atrs. Escolhida como elemento-chave para disseminar entre as crianas o cuidado com a natureza pela sua ligao com o banho, momento com o qual os produtos de Natura Natur tm relao, a gua protagoniza histrias diagramadas nas embalagens dos produtos. A iniciativa inspirou a edio do livro infantil Tchibum no Mundo! A Grande Histria da gua, escrito para a Natura por Simone Fonseca. A engenhosidade da apresentao dos novos produtos,

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Cartuchos que acondicionam os frascos viram brinquedos

Baumgarten (47) 3321-6666 www.baumgarten.com.br Dezign com Z (11) 2184-8137 www.dezigncomz.com.br Engratech (11) 3079-3947 www.grupoengra.com.br

Natura Natur: embalagens e fornecedoresLoo hidratante 125 mililitros: bisnaga de polietileno (PE) da Impacta e tampa flip-top de polipropileno (PP) da Seaquist Closures Colnia Bem-Bom meninos/meninas 100 mililitros: frasco de PET da Igaratiba; ombro e tampa de PP da Seaquist Closures Colnia Fiu Fiu mocinhos/mocinhas 100 mililitros: frasco de PET da Igaratiba; ombro e tampa de PP da Seaquist Closures Xampu 250 mililitros: frasco de PET da Engratech e tampa twist de PP da Seaquist Closures Condicionador, creme de pentear e xampu dois em um 250 mililitros: frasco de PP da Engratech e tampa twist de PP da Seaquist Closures Sabonete lquido 200 mililitros: frasco de PET da Igaratiba e vlvula Lotion, da Rexam Beauty Packaging do Brasil Todos os produtos da linha: cartuchos de papel carto e figurinhas auto-adesivas da Baumgarten

entretanto, vai alm. Os cartuchos de papel carto utilizados como embalagens secundrias dos produtos se transformam em brincadeiras, como jogos da memria, colagens, bonecos, fantoches de dedo (dedoches) e teatrinhos tridimensionais para montar. Todos os produtos trazem uma cartela de figurinhas auto-adesivas com personagens criados especialmente para a nova franquia (substitutos dos personagens do Stio do PicaPau Amarelo, que apoiavam a linha Natura Criana), estimulando crianas a personalizar seus produtos e ampliar as brincadeiras depois do banho.

Igaratiba (19) 3821-8000 www.igaratiba.com.br Impacta (11) 4447-7300 www.impacta-brazil.com.br Rexam Beauty Packaging do Brasil (11) 2152-9800 www.rexam.com.br Seaquist Closures (11) 4143-8900 www.seaquistclosures.com

Elementos ldicosAo dar novo uso s embalagens, que seriam descartadas, Natur fala do cuidado com a natureza. Tudo foi pensado para estar coerente com a linguagem infantil e atender s necessidades dessa fase, conta Almir Simes, gerente de Desenvolvimento de Embalagem da Natura. Os frascos de PET, inquebrveis, tm formas arredondadas e so de fcil manuseio, o que incentiva a independncia da criana no banho. Tambm trazem elementos ldicos como as tampas em formato de torneira para lembrar do cuidado com a gua. As embalagens foram criadas pela Natura em parceria com a agncia Dezign com Z e com os fornecedores (veja quadro ao lado). As brincadeiras continuam com as onomatopias utilizadas nos nomes dos produtos. A loo hidratante Lero-lero;

Tampa em forma de torneira visa interao das crianas com as embalagens

o xampu dois em um, Vapt-vupt; o sabonete em barra Boll; as colnias so Fiu fiu e Bem bom; o xampu para cabelos encaracolados Tin in in; o creme para pentear o Bafaf; o condicionador, Tcha, tcha, tch; o sabonete lquido, Splesh; e o xampu para cabelos normais, Bl, bl, bl. O compromisso do produto ser um incentivo para descoberta do mundo, por meio de suas embalagens, formas, nomes e cartuchos, com histrias e brincadeiras. Crianas que brincam so mais criativas, conseguem desenvolver melhor suas habilidades, diz Tatiana Pignatari, gerente de Marketing e Inovao da Natura. Em tempo: r, em tupi, significa amigo. Natur, portanto, busca remeter a amigo da natureza coisa que a Natura, por sua conhecida preocupao com sustentabilidade, consolidada como equity de marca e transmitida atravs de suas embalagens, tem conseguido ser.

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}}} plstiCAs

Algo a mais que retidoSelagens personalizadas, diferentes da convencional barra reta, podem dar mais carisma aos produtos acondicionados em bisnagasPor Guilherme Kamiompulsionadas pela economia aquecida e pela maior oferta, com a entrada em cena de novos fornecedores, as bisnagas (ou tubos, como alguns preferem) multiplicaram-se no varejo brasileiro nos ltimos anos. Bisnagas so leves, inquebrveis, portteis e, por sua capacidade de compresso (squeezability), facilitam a dosagem de cremes, gis e produtos pastosos

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em geral. Mas, no obstante essas importantes virtudes, as bisnagas nacionais padecem daquilo que especialistas em marketing e em branding definiriam como uma limitao: quase todas possuem o mesmo formato, numa uniformidade que cerceia as tacadas mais ousadas em construo de imagem de marca por meio da embalagem. Por princpio, no h como projetar bisnagas com perfis que fujam radicalmente da estrutura

Diversos produtos internacionais j utilizam selagens personalizadas oferecidas pela Norden: mais destaque s marcas

AdO FOTO: CArLOS Cur

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tubular. Contudo, um artifcio simples, cada vez mais explorado em outros pases e ainda subestimado por aqui, pode ajudar na criao de tubos mais carismticos: a selagem personalizada, com cortes desenhados, diferentes da tradicional barra reta, na extremidade de enchimento (convm lembrar que as bisnagas so envasadas pr-formadas, pelos fundos abertos, que em seguida so selados e aparados.). As indstrias nacionais vm crescentemente demandando materiais, tampas e decoraes especiais para bisnagas, e isso notvel. Mas as selagens especiais amplificam o poder dessas embalagens como ferramenta de identidade de marca, entende Guilherme Presa Arcuri, diretor comercial da Simbios-Pack, representante para o Brasil da sueca Norden. Referncia em equipamentos para o acondicionamento de produtos em bisnagas, sendo considerada a inventora da selagem hot air (por ar quente), hoje um padro tecnolgico nessa seara, a Norden desenvolve h quase quinze anos desenhos diferenciados para

fundos de tubos e as ferramentas prprias para suas selagens e refiles. Os formatos variam dos arredondados, poligonais e ondulados, simtricos ou no, at a alguns extrovertidos, como aquele que simula dedos dos ps, j utilizado por loes estrangeiras. (A foto que abre esta reportagem d um aperitivo dessas invenes). S que, perdoado o trocadilho, contam-se nos dedos as bisnagas nacionais com esse tipo de acabamento. Entre elas esto as que acondicionam a linha de mscaras para hidratao de cabelos da marca Garnier Fructis, recentemente lanadas pela LOral brasileira, com selagem arredondada.

Bisnagas dos hidratantes capilares de Garnier Fructis, com selagem arredondada: novidade nas gndolas

Comunicao de inovaoOutro desbravador dessa tendncia no pas o sabonete ntimo feminino Carefree Natural Fresh, lanado em meados de 2007 pela Johnson & Johnson local, tambm com selagem arre-

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da fabricante italiana de envasadoras de dondada, para potencializar a comubisnagas Comadis. nicao de um produto inovador, nas A fabricante de materiais para pintura palavras de Renato Wakimoto, diretor artstica Acrilex investiu num ferramende Desenvolvimento de Embalagens da tal especial da Comadis e implantou furacompanhia. O formato nos garantiu a es (euro slots) nos tubos de sua linha criao de um cone de mercado, que de texturas artsticas Textura Criativa. tem sido um sucesso de vendas com Resultado: a possibilidade de colocar os timo feedback dos consumidores, afirprodutos numa nova plataforma de exposima Wakimoto. A J&J prefere no identio nas lojas, a gancheira. Com bisnagas ficar a parafernlia envolvida na produo Selagem organizadas em gancheiras ganhamos mais da embalagem. abaulada Para as empresas do mercado de bis- tornou Carefree visibilidade no varejo de auto-servio em um cone relao concorrncia, que em sua maioria nagas, as selagens personalizadas ainda sofrem no Brasil com o estigma do alto custo utiliza frascos, comenta Osni F. Jnior, da rea de adoo e lento ROI (retorno de investimento) de marketing da Acrilex. Nessa linha, Arcuri reala com entusiasmo freqentemente associado aos incrementos tecnolgicos. O ferramental especial acessvel, o caso da farmacutica Mantecorp, que cerca de dois anos atrs, com sua famlia sustenta Arcuri. Ademais, experinde protetores solares Episol, se tornou cias em diversos pases mostram que pioneira mundial no uso daquilo que o impacto no ponto-de-venda e as cona Norden denominou scoop seal, ou seqentes elevaes das vendas garanselagem p, numa traduo livre do tem rpido retorno do investimento. A ingls. um desenho cncavo, que, situao tambm no implica em dores alm do visual atraente, reduz a diagonal de cabea com as prprias embalagens. da selagem da bisnaga, descreve o direCortes especiais exigem bisnagas um tor da Simbios-Pack. A diagonal menor pouco mais compridas, mas o aumento permite reduzir as dimenses das embalade custo desprezvel, assegura Fbio gens secundrias e tercirias para esse tipo Yassuda, diretor comercial da fornecedode bisnaga, ou seja, dos cartuchos de papel ra de tubos C-Pack. carto e das caixas de despacho, o Aquilo que tambm temos buscaque resulta em significativa do mostrar clientela que as selaeconomia. gens especiais podem significar mais que upgrades estticos, diz Edman de AlcnSelagem com furao tara Costa, diretor comercial da Unit permitiu Acrilex levar textura s gancheiras Tecnologia, representante para o Brasil

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Ao reduzir diagonais, scoop seal, j utilizado pela Mantecorp, pode gerar economia no encartuchamento (veja abaixo)

C-Pack (11) 5547-1299 www.c-pack.com.br Oystar-Fabrima (11) 246