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Revista Esprita - Terceiro Ano 1860

Revista Esprita

Jornal de Estudos PsicolgicosPUBLICADA SOB A DIREO DE

ALLAN KARDEC

Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente est na razo da grandeza

do efeito.

Terceiro Ano 1860Titulo original em francs:

REVUE SPIRITE

JOURNAL D'TUDES PSYCHOLOGIQUES

Traduo: SALVADOR GENTILEReviso: ELIAS BARBOSA

1a edio - 1.000 exemplares - 19932a edio - 300 exemplares - 2001

1993 Instituto de Difuso Esprita

ndice geral das matrias

JaneiroFevereiroMaroAbril

MaioJunhoJulhoAgosto

SetembroOutubroNovembroDezembro

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Janeiro

Revista Esprita

Jornal de Estudos Psicolgicos

Terceiro Ano 1860

Janeiro

O Espiritismo em 1860 O Magnetismo diante da Academia O Esprito de um lado e o corpo do outro. Sr. conde de R Conselhos de famlia. Ditados espontneos As pedras de Java. Carta do Sr. Jobard Correspondncia. Carta do Sr. Dorgeval ao Sr. Comettant Carta do Sr. Jobard sobre as qualidades do Esprito depois da morte Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

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O Espiritismo em 1860

O Espiritismo em 1860Revista Esprita, janeiro de 1860

A Revista Esprita comea seu terceiro ano, e estamos felizes ao dizer que ela o faz sob os a mais favorveis auspcios. Aproveitamos com zelo esta ocasio para testemunhar aos nossos leitores toda a nossa gratido pelas provas de simpatia que deles recebemos diariamente. S isto seria um encorajamento para ns, se no encontrssemos, na prpria natureza e objetivo de nossos trabalhos, uma grande compensao moral pelas fadigas que lhes so conseqncia. A multiplicidade desses trabalhos, aos quais nos consagramos inteiramente, tal que nos materialmente impossvel responder a todas as cartas de felicitaes que nos chegam. Isso nos fora, pois, enderear aos seus autores um agradecimento coletivo, que rogamos aceitarem. Estas cartas, e as numerosas pessoas que nos honram vindo conferenciar conosco sobre essas graves questes, nos convencem, cada vez mais, dos progressos do Espiritismo verdadeiro, e entendemos por isso o Espiritismo cumprido em todas as suas conseqncias morais. Sem nos iludirmos sobre a importncia dos nossos trabalhos, o pensamento de havermos para ele contribudo, lanando alguns gros na balana, , para ns, uma doce satisfao, porque esses alguns gros sempre serviro para fazer refletir.

A prosperidade crescente de nossa coletnea um indcio do carinho com que acolhida; no temos, pois, seno que prosseguir nossa obra na mesma linha, uma vez que recebe a consagrao do tempo, sem nos afastarmos da moderao, da prudncia e da convenincia que nos guiaram sempre. Deixando aos nossos contraditores o triste privilgio das injrias e das personalidades, no os seguiremos, no mais, no terreno de uma controvrsia sem objetivo; dizemos sem objetivo porque ela no poderia trazer a eles a convico, e perder seu tempo discutir com pessoas que no conhecem a primeira palavra daquilo que falam. No temos seno uma coisa a dizer: Estudai primeiro e nos veremos em seguida; ns temos outra coisa a fazer seno falar queles que no querem ouvir. Que importa, alis, em definitivo, a opinio contrria deste ou daquele? Essa opinio de uma importncia to grande que possa entravar a marcha natural das coisas? As maiores descobertas encontraram os mais rudes adversrios, o que no lhes fez soobrarem. Deixamos, pois, incredulidade murmurar ao nosso redor, e nada nos far desviar do caminho que nos est traado, pela prpria gravidade do assunto que nos ocupa.

Dissemos que as idias Espritas progridem. H algum tempo, com efeito, elas ganharam um terreno imenso; dir-se-ia que elas esto no ar, e certamente no ao bombo da imprensa peridica, pequena ou grande, que elas so devedoras. Se elas progridem para com e contra tudo, e no obstante a m vontade que se encontram em certas regies, porque elas possuem bastante de vitalidade para se bastarem a si mesmas. Aquele que se d ao trabalho de aprofundar esta questo do Espiritismo, nele encontra uma satisfao moral to grande. A soluo de tantos problemas dos quais em vo pedira a explicao s teorias vulgares; o futuro se abre diante dele de um modo to claro, to preciso, to LGICO, que se diz, com efeito, que impossvel que as coisas no se passem assim, e que admira no se as tenham compreendido mais cedo; que um sentimento ntimo lhe dizia dever estar a; a cincia Esprita, desenvolvida, no faz outra coisa seno formular, tirar do nevoeiro, as idias j existentes no seu foro interior; desde ento o futuro tem, para ele, um objetivo claro, preciso, limpidamente definido; no caminha mais no vago, v seu caminho; no mais esse futuro de felicidade ou de infelicidade que a razo no podia compreender, e que por isso mesmo ele repelia; um futuro racional, conseqncia das prprias leis da Natureza,

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O Espiritismo em 1860

podendo suportar o exame mais severo; por isso ele feliz, e como aliviado de um peso imenso: o da incerteza, porque a incerteza um tormento. O homem, apesar de si, sonda as profundezas do futuro, e no pode impedir de v-lo eterno; compara-o com a brevidade e a fragilidade da existncia terrestre. Se o futuro no lhe oferece nenhuma certeza, ele se atordoa, se curva sobre o presente, e para torn-lo mais suportvel, nada lhe importa; ser em vo que sua conscincia lhe fale do bem e do mal, ele se diz: O bem o que me torna feliz. Que motivo teria, com efeito, em vero bem alhures? Por que suportar privaes? Ele quer ser feliz, e para ser feliz, quer gozar; gozar daquilo que os outros possuem; quer o ouro, muito ouro; ele o tem como sua vida, porque o ouro o veculo de lodosos gozos materiais; que lhe importa o bem-estar de seu semelhante! O seu antes de tudo; ele quer satisfazer-se no presente, no sabendo se o poder mais tarde, num futuro em que no cr; torna-se, pois, vido, ciumento, egosta, e, com todos esses gozos, ele no feliz, porque o presente lhe parece muito curto.

Com a certeza do futuro, tudo muda de aspecto para ele; o presente no seno efmero, ele o v escoar sem pesar; est menos vido dos gozos terrestres, porque estes no lhe do seno uma sensao passageira, fugidia, que deixa o vazio no seu corao; aspira a uma felicidade mais durvel e, conseqentemente, mais real; e onde poder encontr-la, se isso no estiver no futuro? O Espiritismo, mostrando-lhe, provando-lhe esse futuro, livra-o do suplcio da incerteza, eis porque ele se torna feliz; ora, aquilo que traz felicidade, encontra sempre partidrios.

Os adversrios do Espiritismo atribuem sua rpida propagao a uma febre supersticiosa que se apodera da Humanidade, ao amor ao maravilhoso; mas necessrio, antes de tudo, ser lgico; aceitaremos seu raciocnio, se se pode chamar a isso de raciocnio, quando claramente explicarem porque essa febre atinge precisamente as classes esclarecidas da sociedade, antes que as classes ignorantes. Quanto a ns, dizemos que porque o Espiritismo apela ao raciocnio e no a uma crena cega, que as classes esclarecidas examinam, refletem e compreendem; ora, as idias supersticiosas no suportam o exame.

De resto, todos vs que combateis o Espiritismo, o compreendeis? Vs o estudastes, escrustaste-o em seus detalhes, pesando maduramente todas as suas conseqncias? No, mil vezes no. Falais de uma coisa que no conheceis; todas as vossas crticas, no falo das tolas, deselegantes e grosseiras diatribes, desprovidas de todo raciocnio e que no tm nenhum valor, falo daquelas que tm pelo menos a aparncia do srio; todas as vossas crticas, digo eu, acusam a mais completa ignorncia da coisa.

Para criticar necessrio opor um raciocnio a um raciocnio, uma prova a uma prova; isso possvel sem conhecimento profundo do assunto do qual se trata? Que pensareis daquele que pretendesse criticar um quadro sem possuir, ao menos em teoria, as regras do desenho e da pintura; discutir o mrito de uma pera sem saber a msica? Sabeis qual a conseqncia de uma crtica ignorante? ser ridculo e acusar uma falta de julgamento. Quanto mais a posio crtica elevada, mais estiver em evidncia, tanto mais seu interesse lhe manda circunspeco, para no se expor a receber desmentidos, sempre fceis a dar a quem fale daquilo que no conhea. por isso que os ataques contra o Espiritismo tm to pouca importncia, e favorecem seu desenvolvimento em lugar de det-lo. Esses ataques so da propaganda; provocam o exame, e o exame no pode seno nos ser favorvel, porque nos dirigimos razo. No h um dos artigos publicados contra esta doutrina que houvesse no trazido um aumento de assinantes e que no tenha feito vender obras. O do senhor Oscar Comettant (ver o Sicle do dia 23 de outubro ltimo e nossa resposta na Revista do ms de dezembro de 1859) fez vender em alguns dias, ao senhor Ledoyen, mais de cinqenta exemplares da famosa sonata de Mozart (que se vende a 2 francos, preo lquido, segundo a importante e espiritual nota do senhor Comettant). Os artigo do Univers de 13 de

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O Espiritismo em 1860

abril e 28 de maio de 1859 (ver nossa resposta nos nu meros da Revista de maio e de julho de 1859) fizeram esgotar prontamente o que restava da primeira edio de O Livro dos Espritos, e assim de outros. Mas voltemos s coisas menos materiais. Enquanto no opuserem ao Espiritismo seno argumentos dessa natureza, ele nada ter a temer.

Repetimos que a fonte principal do progresso das idias Espritas est na satisfao que ela proporciona a todos aqueles que as aprofundam, e que nelas vm outra coisa seno um ftil passatempo; ora, como se quer ser feliz antes de tudo, no de admirar que se prenda a uma idia que torne feliz. Dissemos em alguma parte que, no caso do Espiritismo, o perodo de curiosidade passou, e que o do raciocnio e o da filosofia lhe sucederam. A curiosidade no tem seno um tempo: uma vez satisfeita, se lhe muda o objeto para passara um outro; e no ocorre o mesmo com aquele que se dirige ao pensamento srio e ao julgamento. O Espiritismo tem sobretudo progredido depois que foi melhor compreendido em sua essncia ntima, depois que se viu a sua importncia, porque ele toca a corda mais sensvel do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo; a est a causa de sua propagao, o segredo da fora que o far triunfar. Vs todos que o atacais, quereis, pois, um meio certo de combat-lo com sucesso? Vou vo-lo indicar. Substitu-o por uma coisa melhor; encontrai uma soluo MAIS LGICA para todas as questes que ele resolve; dai ao homem uma OUTRA CERTEZA que o torne mais feliz, e compreendei bem a importncia dessa palavra certeza, porque o homem no aceita como certo o que no lhe parea lgico; no vos contenteis em no dizer que isso no , o que muito fcil; provai, no por u ma negao, mas por fatos, que isso no , jamais foi e NO PODE SER; provai, enfim, que as conseqncias do Espiritismo no so as de tornar os homens melhores pela prtica da mais pura moral evanglica, moral que se louva muito, mas que se pratica to pouco. Quando tiverdes feito isso, serei o primeiro a me inclinar diante de vs. At l, permiti-me considerar vossas doutrinas, que so a negao de todo futuro, como a fonte do egosmo, verme roedor da sociedade, e, por conseqncia, como um verdadeiro flagelo. Sim, o Espiritismo forte, mais forte que vs, porque se apoia sobre as prprias bases da religio: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras baseadas no bem e no mal que se fez, vs vos apoiais sobre a incredulidade; ele convida os homens felicidade, esperana, verdadeira fraternidade; vs, vs lhes ofereceis o NADA por perspectiva e o EGOSMO por consolao; ele explica tudo, vs no explicais nada; ele prova pelos fatos, e vs no provais nada; como quereis que se oscile entre as duas doutrinas?

Em resumo, constatamos, e cada um o v e o sente como ns, que o Espiritismo deu um passo imenso durante o ano que acaba de se escoar, e esse passo a garantia daquilo que no pode deixar de fazer durante o ano que comea; no somente o nmero de seus partidrios est consideravelmente acrescido, mas operou uma mudana notvel na opinio geral, mesmo entre os indiferentes; diz-se que no fundo de tudo isso poderia bem haver alguma coisa; que no necessrio apressar-se em julgar; aqueles que, a esse ttulo, alteavam as espduas, comeam a temer o ridculo por si mesmos, ligando seu nome a um julgamento precipitado, que pode receber um desmentido; preferem pois calarem-se e esperarem. Sem dvida, haver por muito tempo ainda, pessoas que, nada tendo a perder na opinio da posteridade, procuraro denegri-lo, uns por carter ou por estado, outros por clculo; mas se familiarizam com a idia de irem a Charenton desde que se veja em to boa companhia , e esse mau prazer torna-se, como tantos outros, um lugar comum, o qual no abala mais de modo nenhum, porque no fundo desses ataques v-se um vazio absoluto de raciocnio. A arma do ridculo, essa arma que se diz to terrvel, se enfraquece, evidentemente, e cai das mos daqueles mesmos que a sustentavam; perdeu, pois, ela seu poder? No, mas com a condio de no dar mais seus golpes em falso. O ridculo no prejudica seno aquele que ridculo em si e de srio no tenha seno a aparncia, porque ele fustiga o hipcrita e arranca sua mscara; mas aquele que verdadeiramente srio no pode dele receber seno golpes passageiros e sai sempre triunfante da luta. Vede se uma

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O Espiritismo em 1860

nica das grandes idias que foram achincalhadas em sua origem pela turba ignorante e ciumenta caiu para no mais se levantar! Ora, o Espiritismo uma das maiores idias, porque ele toca a questo mais vital, a da felicidade do homem, e no se joga impunemente com semelhante questo; ele forte, porque tem suas razes nas prprias leis da Natureza, e responde aos seus inimigos fazendo desde seu incio a volta ao mundo. Ainda h alguns anos e seus detratores, impossibilitados de combat-los pelo raciocnio, encontrar-se-o de tal modo transbordados pela opinio, de tal modo isolados, que ser foroso para eles ou se calarem, ou abrirem os olhos para a luz.

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O Magnetismo diante da Academia

O Magnetismo diante da Academia

Revista Esprita, janeiro de 1860

O Magnetismo, colocado porta, entrou pela janela graas a uma dissimulao e a um outro nome; em lugar de dizer: Eu sou o magnetismo, o que provavelmente no lhe valeria um acolhimento favorvel, ele disse: Eu me chamo hipnotismo (do grego upnos, sono). Graas a esta palavra de passe, chegou, contudo, depois de vinte anos de pacincia; mas no perdeu por esperar, uma vez que soube introduzir-se por uma das maiores personagens. Guardou-se de apresentar-se com seu cortejo de passes, de sonambulismo, de viso a distncias, de xtases que o teriam trado; ele disse simplesmente: Sois bons e humanos, vosso corao sangra por ver os vossos doentes sofrerem; procurais um meio para acalmar a dor do paciente que o vosso escalpelo corta; aquilo que empregais, muitas vezes, muito perigoso, e vos trago um simples e que, em todos os casos, no tem inconvenientes. Estava bem seguro falando em nome da Humanidade; e acrescentou, o astuto: Eu sou da famlia, uma vez que foi a um dos vossos que devo a abertura. Ele pensa, no sem razo, que essa origem no pode prejudic-lo.

Se vivssemos ao tempo da brilhante e potica Grcia, diramos: O Magnetismo, filho da natureza e de um simples mortal, foi prescrito do Olimpo, porque atentou contra os privilgios de Esculpio e caminhou sobre seus despojes, gabando-se de poder curar sem o seu concurso. Errou muito tempo na Terra, onde ensinou aos homens a arte de curar atravs de meios novos; revelou ao vulgo uma multido de maravilhas que, at ento, estiveram misteriosamente escondidas nos templos; mas aqueles aos quais havia revelado os segredos e desmascarado a patifaria o perseguiram insistentemente a pedradas, de tal modo que foi, ao mesmo tempo, banido pelos deuses e maltratado pelos homens; mas no continuou menos a distribuir seus benefcios aliviando a Humanidade, certo de que um dia sua inocncia seria reconhecida, e que lhe seria feito justia. Teve um filho do qual escondeu cuidadosamente o nascimento, com medo de atrair-lhe as perseguies; chamou-o Hipnotismo. Esse filho partilhou por muito tempo de seu exlio, e durante esse tempo instruiu-se. Quando o acreditou bem formado, disse-lhe: V te apresentar ao Olimpo; guarda-te sobretudo de dizer que s meu filho; teu nome um disfarce e com ele te facilitaro o acesso; Esculpio te introduzir.

Como! Meu pai; Esculpio! Vosso mais encarniado inimigo! Ele que vos proscreveu! Ele mesmo te estender a mo. Mas se me reconhecer, me expulsar. Pois bem! Se expulsar, virs junto a mim, e continuaremos a nossa obra benfazeja entre os homens, espera de tempos melhores. Mas esteja tranqilo, tenho boa esperana. Esculpio no mau; antes de tudo ele quer o progresso da cincia, de outro modo no seria digno de ser o deus da medicina. Tenho, alis, talvez cometido alguns erros com ele; ofendido por me ver denegrir, eu impliquei, e ataquei-o sem comedimento; eu lhe prodigalizei injrias, rebaixei-o. vilipendiei-o, tratei-o de ignorante; ora, a est um meio ruim para reconduzir os homens e os deuses, e seu amor prprio ferido pde irritar-se um instante contra mim. No faas como eu, meu filho; s mais prudente e sobretudo mais corts; se os outros no o so contigo, o erro ser deles e a razo, tua. Vai, meu filho, e lembra-te que no se prendem moscas com vinagre. Assim falou o pai. Hipnotismo caminhou timidamente para o Olimpo; o corao batia-lhe forte quando se apresentou entrada da porta sagrada; mas surpresa! O prprio

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O Magnetismo diante da Academia

Esculpio estendeu-lhe a mo e o introduziu.

Eis, portanto, o Magnetismo no lugar; que vai fazer? Oh! No credes na vitria definitiva; nisso no estamos ainda mesmo nas preliminares da paz. Foi uma primeira barreira tombada, eis tudo; isso importante, sem dvida, mas no credes que vossos inimigos vo se confessar vencidos; o prprio Esculpio, o grande Esculpio, que o reconheceu como da famlia, abraar francamente a sua defesa que seriam capazes de envi-lo a Charenton. Vo dizer que ... alguma coisa...; mas que seguramente no do Magnetismo. Seja; no chicaneemos sobre as palavras; seria tudo o que eles querem; mas, espera disso, um fato que ter conseqncias; ora, eis estas conseqncias: Primeiro, vo dele se ocupar somente do ponto de vista anestsico (do grego aisthsis, sensibilidade, e, a, prefixo que marca a privao; privao geral ou parcial da faculdade de sentir), e isto em conseqncia do predomnio das idias materialistas, porque ainda h pessoas que desejam, por modstia, sem dvida, se reduzirem ao papel de espeto que, quando est deslocado, lanado ao ferro velho sem que dele fique vestgio! Portanto, vai-se experimentar esse fato de todas as maneiras, no fosse seno por simples curiosidade; vai-se estudar a ao das diferentes substncias para produzir o fenmeno catalepsia; depois, um belo dia, se reconhecer que basta colocar o dedo. Mas isso no tudo; observando o fenmeno da catalepsia, ele apresentar outros espontaneamente; j se notou a liberdade do pensamento durante a suspenso das faculdades orgnicas; o pensamento , pois, independente dos rgos; h, pois, no homem outra coisa que a matria; sero vistas faculdades estranhas se manifestarem: a viso adquirir uma amplitude inslita, ultrapassar os limites dos sentidos; todas as percepes deslocadas; em uma palavra, e um campo vasto para a observao, e os observadores no faltaro; o santurio est aberto, esperemos que dele jorre a luz, a menos que o celeste arepago no deixe a honra a outros seno a si mesmo.

Nossos leitores ficaro contentes por narrarmos o notvel artigo que o senhor Victor Meunier, redator do Ami ds Sciences, publicou sobre esse interessante assunto, na Revista cientfica hebdomanria do Sicle, do dia 16 de dezembro de 1859.

"O magnetismo animal, levado Academia pelo senhor Broca, apresentado ilustre companhia pelo senhor Velpeau, experimentado pelos senhores Follin, Verneuil, Faure, Trousseau, Denonvilliers, Nlaton, Azam, Ch. Robin, etc., todos cirurgies dos hospitais, foi a grande novidade do dia.

As descobertas, como os livros, tm o seu destino. Esta que vai estar em questo no nova. Ela data de uma vintena de anos, e nem na Inglaterra onde nasceu, nem em Frana onde no momento no se ocupa de outra coisa, a publicidade no lhe faltou, um mdico escocs, o doutor Braid, descobriu-a e consagrou-lhe todo um livro (Neurypnology or the ratinale ofnervous sleep, consideredin relation wih animal magnetism); um clebre mdico ingls, o doutor Carpenter, analisou longamente a descoberta do senhor Braid no artigo sleep (sono) da Enciclopdia de Anatomia e de Fisiologia de Tood (Cyclopedia ofanatomy and physiolgy); um ilustre sbio francs, o senhor Littr, reproduziu a anlise do senhor Carpenter na segunda edio do Manuel de physiologie de J. Mueller; enfim, ns mesmos consagramos um de nossos folhetins da Presse (7 de julho de 1852) ao hipnotismo (foi o nome dado pelo senhor Braid ao conjunto de fatos dos quais tratou). A mais recente das publicaes relativas a este assunto data, pois, de sete anos, e foi quando se poderia julg-lo esquecido, que adquiriu essa imensa ressonncia.

H no hipnotismo duas coisas: um conjunto de fenmenos nervosos, e o procedimento por meio do qual so produzidos.

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O Magnetismo diante da Academia

Este procedimento, empregado antigamente, se no me engano, pelo abade Faria, de uma grande simplicidade.

Consiste em ter um objeto brilhante diante dos olhos da pessoa sobre a qual se experimenta, a uma pequena distncia adiante da base do nariz, de modo que no possa olh-lo sem olhar estrbico; deve fixar os olhos sobre ele. Suas pupilar primeiro se contraem, em seguida se dilatam fortemente, e em poucos instantes o estado catalptico est produzido. Erguei os membros da pessoa, eles conservam a posio que lhes derdes. Esse no seno um dos fenmenos produzidos, daqui a pouco falaremos de outros. O senhor Azam, professor suplente de clnica cirrgica na Escola de Medicina de Bordeaux, tendo repetido com sucesso as experincias do senhor Braid, conversou com o senhor Paul Broca, que pensa que as pessoas hipnotizadas talvez sejam insensveis dor das operaes cirrgicas. A carta que ele acaba de dirigir Academia de Cincia o resumo de suas experincias a este respeito.

Antes de tudo, ele deveria se assegurar da realidade do hipnotismo; a isso chegaria sem dificuldade. Visitando uma senhora de quarenta anos, um pouco histrica, e que guardava o leito por ligeira indisposio, o senhor Broca achou de querer examinar os olhos da enferma, e pediu-lhe para olhar fixamente um pequeno frasco dourado que ele manteve diante dela a uns 15 centmetros, mais ou menos, diante da base do nariz. Ao cabo de trs minutos, os olhos esto um pouco vermelhos, os traos imveis, as respostas lentas e difceis, mas perfeitamente racionais. O senhor Broca ergueu o brao da enferma, o brao permaneceu na atitude em que o colocou: Ele d aos dedos as mais extremas situaes, os dedos as conservam; belisca a pele em vrios lugares com certa fora, a paciente parece no se aperceber disso. Catalepsia, insensibilidade! O senhor Broca no levou mais longe a experincia; havia aprendido o que queria saber. Uma frico sobre os olhos, uma insuflao de ar f rio sobre a fronte conduziram a enferma ao estado normal. Ela no tinha nenhuma lembrana do que acabara de se passar.

Restaria saber se a insensibilidade hipntica resistiria prova das operaes cirrgicas.

Entre os hspedes do hospital Necker, no servio do senhor Follin, havia uma pobre jovem de 24 anos, atingida por u ma vasta queimadura nas costas e dos dois membros direitos, e de um enorme abscesso extremamente doloroso. Os menores movimentos eram para ela um suplcio; consumida pelo sofrimento, e alis muito pusilmine, essa infeliz no pensava seno com terror na operao que se fizera necessria. Foi sobre ela que, de acordo com o senhor Follin, o senhor Broca resolver completar a prova do hipnotismo.

Colocaram-na sobre um leito, em frente de uma janela, prevenindo-a que ia dormir. Ao cabo de dois minutos suas pupilasse dilatam, eleva-se seu brao esquerdo quase verticalmente acima do leito e ele permanece imvel. Pelo quarto minuto, suas respostas so lentas e quase penosas, mas perfeitamente sensatas. Quinto minuto: o senhor Follin pica a pele do brao esquerdo, a enferma no se move; nova picadura mais profunda, que produz sangue, a mesma impassibilidade. Ergue-se o brao direito, que permanece erguido. Ento as cobertas so erguidas e os membros inferiores abertos para pr a descoberto a sede do abscesso. A enferma deixa faz-lo, e diz, com tranqilidade que, sem dvida, no vo fazer-lhe mal. O abscesso aberto, ela d um fraco grito; o nico sinal de reao que d; durou menos que um segundo. Nem o menor estremecimento nos msculos da face ou dos membros, nem um tremor nos dois braos, sempre elevados verticalmente acima do leito. Os olhos um pouco injetados permanecem bem abertos; o rosto tem a imobilidade de uma mscara...

O calcanhar esquerdo erguido, permanece suspenso. Ergue-se o corpo brilhante (uma luneta); a catalepsia persiste; pela terceira vez pica-se o brao esquerdo. sangue goteja, a

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O Magnetismo diante da Academia

operada no sente nada. H treze minutos que esse brao mantm a situao que lhe foi dada.

Enfim, uma frico sobre os olhos, uma insuflao de ar frio despertam a jovem quase subitamente; seus braos e a perna esquerdos relaxados ao mesmo tempo caem sobre o leito. Ela esfrega os olhos, retoma conhecimento, no se lembra de nada, e espanta-se que a tenham operado. A experincia durara 18 a 20 minutos; o perodo de anestesia, 12 a 15.

Tais so, em resumo, os fatos essenciais comunicados pelo senhor Broca Academia de Cincia. J no so mais isolados. Um grande nmero de cirurgies de nossos hospitais tiveram a honra de repeti-los e o fizeram com sucesso. O objetivo do senhor Broca e de seus honrados colegas foi e deveria ser cirrgico. Esperemos que o hipnotismo tenha, como meio de provocar a insensibilidade, todas as vantagens dos agentes anestsicos, sem ter-lhes os inconvenientes; mas a medicina no do nosso domnio, e, para no sair de nossas atribuies, nossa Revista no deve considerar o fato seno sob o aspecto fisiolgico.

Depois de reconhecer a veracidade do senhor Braid sobre o ponto essencial, sem dvida, dever-se- verificar tudo o que diz respeito a esse estado singular, ao qual deu o nome de hipnotismo. Os fenmenos que lhe atribuem podem ser classificados do modo seguinte.

Exaltao da sensibilidade. O odor levado a um grau de acuidade que se iguala pelo menos no que se observa nos animais que tm o melhor nariz. O ouvido tornar-se muito vivo. O toque adquire, sobretudo com respeito temperatura, uma delicadeza incrvel.

Sentimentos sugeridos. Colocai o rosto, o corpo ou os membros da pessoa na atitude que convenha expresso de um sentimento particular, logo o estado mental correspondente despertado. Assim, estando a mo do hipnotizado colocada sobre o cimo de sua cabea, ele se indireita espontaneamente de toda sua superioridade, atira o corpo para trs; seu porte o do orgulho mais vivo. Neste momento, curvai sua cabea para a frente, flexionai docemente o corpo e os membros, e o orgulho d lugar mais profunda humildade. Afastai docemente os cantos de sua boca, como no riso, uma disposio alegre logo produzida; um mau humor toma-lhe imediatamente o lugar colocando-se as sobrancelhas uma contra a outra e para baixo.

Idias provocadas. - Elevai a mo do sujeito acima de sua cabea e flexionai os dedos sobre a palma, a idia de subir, de se balanar, de estirar uma corda, suscitada. Se, ao contrrio, flexionam-se todos os dedos deixando prender o brao, a idia que se provoca de erguer um peso. Se os dedos esto flexionados, o brao sendo levado para diante como para dar um golpe, surge a idia de boxe. (A cena se passa em Londres).

Aumento da fora muscular. Querendo-se suscitar uma fora extraordinria num grupo de msculos, basta sugerir ao sujeito a idia da ao que reclama essa fora e assegurar-lhe que pode cumpri-la com a maior facilidade se o quiser. "Vimos, disse o senhor Carpenter, um desses sujeitos hipnotizados pelo senhor Braid, notvel pela pobreza do seu desenvolvimento muscular, erguer, com ajuda unicamente de seu dedinho, um peso de catorze quilogramas, e fazer girar ao redor de sua cabea com a nica segurana de que este peso era to leve como uma pluma."

Limitar-nos-emos, por hoje, indicao deste programa; palavra e aos fatos, as reflexes viro mais tarde.

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

O Esprito de um lado e o corpo do outro

Revista Esprita, janeiro de 1860

Conversa com o Esprito de uma pessoa viva.

Nosso honorvel colega, Sr. conde de R... C... nos dirigiu a seguinte carta, datada de 23 de novembro ltimo:

"Senhor Presidente,

"Ouvi dizer que mdicos, entusiastas de sua arte e desejosos de contriburem pelo progresso da cincia, tornando-se teis Humanidade, tinham, por testamento, legado seus corpos ao escalpelo das salas anatmicas. A experincia, qual assisti, da evocao de uma pessoa viva (sesso da Sociedade do dia 14 de outubro de 1859) no me pareceu bastante instrutiva, porque se tratou de uma coisa muito pessoal: colocar em comunicao um pai vivo com a sua filha morta. Pensei que o que os mdicos fizeram com relao ao corpo, um membro da Sociedade poderia faz-lo com relao alma, quando vivo, colocando-se vossa disposio para uma experincia desse gnero. Podereis, talvez, preparando de antemo as perguntas que, nesta vez, nada teriam de pessoal, obter algumas luzes novas sobre o fato do isolamento da alma e do corpo. Aproveitando de uma indisposio que me retm em casa, venho oferecer-me como objeto de estudo, se vos aprouver. Sexta-feira prxima, pois, se no receber ordem contrria, deitar-me-ei s nove horas, e penso que s nove e meia podereis me chamar, etc..."

Aproveitamos o oferecimento do Sr. conde de R... C... com tanto mais diligncia, porque, colocando-se nossa disposio, pensamos que seu Esprito se prestaria mais voluntariamente s nossas pesquisas; por outro lado, sua instruo, a superioridade de sua inteligncia (o que, abrindo parnteses, no o impede de ser um excelente Esprita) e a experincia que adquiriu ao redor do mundo como capito da marinha imperial, poderiam nos fazer esperar, de sua parte, uma apreciao mais sadia de seu estado: Nossa espera no foi enganada. Tivemos, conseqentemente, com ele, as duas entrevistas seguintes, a primeira no dia 25 de novembro, e a segunda no dia 2 de dezembro de 1859.

(Sociedade; 25 de novembro de 1859.)

1. Evocao. R. Estou aqui.

2. Tendes, neste momento, conscincia do desejo que expressastes de ser evocado? R. Perfeitamente.

3. Em que lugar estais aqui? R. Entre vs e o mdium.

4. Vede-nos to claramente como quando assisteis pessoalmente s nossas sesses? R. Mais ou menos, mas um pouco velada; eu ainda no durmo bem.

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

5. Como tendes conscincia de vossa individualidade aqui presente, ao passo que o vosso corpo est em vosso leito? R. Meu corpo no seno um acessrio para mim neste momento, sou EU que estou aqui.

Nota. Sou EU que estou aqui uma resposta muito notvel; para ele, o corpo no a parte essencial de seu ser; esta parte o Esprito que constitui o seu eu; seu. eu e seu corpo so duas coisas distintas.

6. Podereis vos transportar instantaneamente e vontade daqui para vossa casa e da vossa casa para aqui? R. Sim.

7. Indo de vossa casa para aqui e reciprocamente, tendes conscincia do trajeto que fizestes? Vedes os objetos que esto no vosso trajeto? R. Eu o poderia, mas negligencio faz-lo, no estando nisso interessado.

8. O estado em que estais semelhante ao de um sonmbulo? R. No inteiramente; meu corpo dorme, quer dizer, est mais ou menos inerte; o sonmbulo no dorme; suas faculdades orgnicas esto modificadas e no anuladas.

9. O Esprito de uma pessoa viva evocada poderia indicar remdios como um sonmbulo? R. Se os conhecesse, ou se entrasse em relao com um Esprito que os conhea, sim; do contrrio, no.

10. A lembrana de vossa existncia corprea est nitidamente presente em vossa memria? R. Muito nitidamente.

11. Podereis citar algumas de vossas ocupaes, as mais importantes do dia? R. Eu o poderia, mas no o farei, e lamento ter proposto esta pergunta. (Ele havia pedido que lhe endereasse uma pergunta como prova.)

12. E como Esprito que lamentais a proposta desta pergunta? R. Como Esprito.

13. Por que o lamentais? R. Porque compreendo melhor o quanto justo que seja a maioria do tempo proibido faz-lo.

14. Podereis fazer-nos a descrio de seu quarto de dormir? R. Certamente; e o do meu porteiro tambm.

15. Pois bem! Ento sede bastante bom para nos descrever o vosso quarto, ou o do vosso porteiro? R. Eu disse que o poderia, mas poder no querer.

16. Qual a enfermidade que vos retm em casa? R. A gota.

17. H um remdio para a gota? Se o conheceis serieis muito bom indicando-o, porque seria prestar um grande servio. R. Eu o poderia, mas disso me guardarei bem; o remdio seria pior que o mal.

18. Pior ou no, quereis indic-lo, salvo a no se servir dele. -R. H vrios, entre outros o

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

clquico.

Nota. Desperto, o senhor de R... reconheceu jamais ter ouvido falar desta planta como especfico anti-gotoso.

19. Em vosso estado atual, vereis o perigo que poderia correr um amigo, e podereis vir em sua ajuda? R. Eu o poderia; inspir-lo-ia, se escutasse minha inspirao, e com ainda mais sucesso se fosse mdium.

20. Uma vez que vos evocamos segundo o vosso desejo, e quereis vos colocar nossa disposio para os nossos estudos, quereis nos descrever, o melhor possvel, e nos fazer compreender, se for possvel, o estado em estais agora? R. Estou no estado mais feliz e mais satisfatrio que se possa provar. Jamais tivestes um desses sonhos onde o calor do leito vos leva a acreditar que estais deitando molemente nos ares, ou em flocos de uma onda tpida, sem nenhum cuidado com os vossos movimentos, sem nenhuma conscincia de membros pesados e incmodos para mover ou arrastar, em uma palavra, sem nenhuma necessidade para satisfazer; no sentindo nem o aguilho da fome e nem o da sede? Estou neste estado junto a vs; embora no vos tenha tido seno uma pequena idia do que experimento.

21. O estado atual de vosso corpo sente uma modificao fisiolgica qualquer, em conseqncia da ausncia do Esprito? R. De nenhum modo; estou no estado que chamais o primeiro sono; sono pesado e profundo que todos experimentamos, e durante o qual nos afastamos do nosso corpo.

Nota. O sono, que no era completo no comeo da evocao, se estabeleceu pouco a pouco, em conseqncia do prprio desligamento do Esprito que deixa o corpo num maior repouso.

22. Se em conseqncia de um movimento brusco, se despertasse instantaneamente vosso corpo, enquanto o vosso Esprito est aqui, que resultaria disso? R. O que brusco para o homem bem lento para o Esprito, que sempre tem o tempo de ser advertido.

23. A felicidade que acabais de nos pintar, e da qual gozais no vosso estado livre, tem alguma relao com as sensaes agradveis que sentem, algumas vezes, nos primeiros momentos da asfixia? O senhor S..., que teve a satisfao de provar (involuntariamente), vos dirige esta pergunta. R. Ele no tem inteiramente razo; na morte por asfixia h um instante anlogo quele do qual fala, mas somente o Esprito perde de sua lucidez, ao passo que aqui ela consideravelmente aumentada.

24. Vosso Esprito est preso ainda por um lao qualquer ao vosso corpo? R. Sim, disso tenho perfeitamente conscincia.

25. A que podereis comparar esse lao? R. A nada que conheceis, se no for como uma luz fluorescente, como aspecto, se pudsseis v-la, mas que no produz sobre mim nenhuma sensao.

26. A luz vos afeta do mesmo modo; e no mesmo colorido que quando a vedes pelos olhos? R. Absolutamente, uma vez que meus olhos servem, de alguma sorte, como janela caixa de meu crebro.

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

27. Percebeis os sons distintamente? R. Mais distintamente, porque deles percebo muitos que vos escapam.

28. Como transmitis vosso pensamento ao mdium? R. Atuo sobre a sua mo para dar-lhe uma direo que facilito por uma ao sobre o crebro.

29. Servi-vos das palavras do vocabulrio que ele tem na cabea, ou indicai-lhes as palavras que deve escrever? R. Um e o outro, segundo minha convenincia.

29. Se tivsseis, por mdium, algum que no soubesse vossa lngua e do qual a sua fosse desconhecida, um Chins, como fareis para ditar-lhes? R. Isto seria mais difcil; e talvez impossvel; mas, em todos os casos, isso no se poderia seno com uma flexibilidade e uma docilidade muito difceis de se encontrar.

30. O Esprito cujo corpo estivesse morto provaria a mesma dificuldade para se comunicar com um mdium completamente estranho lngua que ele falava quando vivo? R. Talvez menos, porm, ela existiria sempre; acabo de vos dizer que, segundo a ocorrncia, o Esprito d ao mdium suas expresses ou toma as dele.

31. Vossa presena aqui fatiga o vosso corpo? -- R. De nenhum modo.

32. Vosso corpo sonha? R. No; nisto, justamente, que ele no se cansa; a pessoa de quem falais experimentava, por seus rgos, impresses que transmitiam ao Esprito; isto que a fatiga; eu no sinto nada semelhante.

Nota. Ele fez aluso a uma pessoa de quem se falava neste momento, e que, numa situao semelhante, havia dito que seu corpo se cansava, e havia comparado seu Esprito a um balo cativo, cujos abalos sacudiam o poste que o retinha.

No dia seguinte o senhor de R... disse-nos ter sonhado que estivera na Sociedade entre ns e o mdium; foi, evidentemente, uma lembrana da evocao. provvel que no momento da pergunta no sonhasse, uma vez que respondeu negativamente; ou talvez tambm, e isto o mais provvel, o sonho no era seno uma lembrana da atividade do Esprito, no , em realidade, o corpo que sonha, uma vez que o corpo no pensa. Portanto, pde, e mesmo deve ter respondido negativamente, no sabendo se, uma vez desperto, seu Esprito se lembraria. Se seu corpo tivesse sonhado enquanto seu Esprito estava ausente, que o Esprito teria tido uma dupla ao; ora, ele no poderia estar, ao mesmo tempo, na Sociedade e na sua casa.

33. Vosso Esprito est no estado que ter quando estiverdes morto? R. Mais ou menos; menos quanto ao lao que o prende ao corpo.

34. Tendes conscincia de vossas existncias precedentes? R. Muito confusamente: est ainda a uma diferena que esqueci; depois do desligamento completo, que se segue morte, as lembranas so sempre mais precisas; atualmente so mais completas do que durante a viglia, mas no bastante para poder especific-las de um modo inteligvel

35. Se, no vosso despertar, se vos submeter a vossa escrita, isso vos daria conscincia das respostas que acabais de dar? R. Nelas poderia encontrar alguns dos meus pensamentos; mas muitos outros no encontrariam nenhum eco no meu pensamento da viglia.

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

36. Podereis exercer sobre o vosso corpo uma influncia bastante grande para vos despertar? R. No.

37. Podereis responder a uma pergunta mental? R. Sim.

38. Vede-nos espiritualmente ou fisicamente? R. Um e o outro.

39. Podereis ir visitar a irm de vosso pai, que se diz estar numa ilha da Oceania, e como marinheiro, podereis precisar a posio dessa ilha? R. Eu no posso nada de tudo isso.

40. Que pensais, agora, da vossa interminvel obra e de seu objetivo? R. Penso que devo prossegui-la, assim como o objetivo; tudo o que posso dizer.

Nota. Ele havia desejado que se lhe fizesse esta pergunta a respeito do importante trabalho que ele empreendera sobre a marinha.

41. Ficaramos encantados se quissseis enderear algumas palavras aos vossos colegas, uma espcie de pequeno discurso. R. Uma vez que para isto encontro ocasio, aproveito para vos afirmar, sobre minha f no futuro da alma, que a maior falta que os homens podem cometer procurar provas e provas; isto mais ou menos perdovel aos homens que se iniciam no conhecimento do Espiritismo; no tenho vos repetido mil vezes que necessrio crer, porque se compreende e se ama a justia e a verdade, e que se fosse dada satisfao a uma dessas perguntas pueris, aqueles que pretendessem faz-lo para estarem convencidos no deixariam de fazer novas no dia seguinte e que infalivelmente vos dissipariam um tempo precioso para fazerem os Espritos lerem a sorte? Agora eu compreendo muito melhor que quando desperto, e posso vos dar o sbio conselho, quando quiserdes obter esse resultado, de vos dirigir aos Espritos batedores e s mesas falantes que no tendo nada de melhor para vos dizer, podem se ocupar dessas espcies de manifestaes. Perdoai-me a lio, mas dela tenho necessidade como os outros e no me entristeo por d-la a mim mesmo.

(Segunda conversa, 2 de dezembro de 1859.)

42. Evocao. R. Estou aqui.

43. Dormis bem? R. No muito; mas isto vai chegar.

44. No caso particular em que estais, julgais que seja til evocar em nome de Deus, como para o Esprito de um morto? R. Por que pois? Credes que, do fato de que eu no esteja morto, Deus me seja indiferente?

45. Se, no momento em que estais aqui, vosso corpo sentisse uma picada no muito forte para vos despertar, mas suficiente para vos fazer estremecer, vosso Esprito a sentiria R. Meu corpo no a sentiria.

46. Vosso Esprito disso teria conscincia? R. No a menor; mas notai bem que me falais de u ma sensao leve, e sem nenhum alcance, como importncia, diante do corpo e do Esprito.

47. A propsito da luz, dissestes que ela vos parecia como no estado de viglia, tendo em

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

vista que vossos olhos so como janelas por onde ela chega ao vosso crebro. Concebemos isso para a luz percebida pelo vosso corpo; mas neste momento no vosso corpo que v. Vedes ainda por um ponto circunscrito ou por todo o vosso crebro? R. muito difcil vos fazer compreender; o Esprito percebe essas sensaes sem o intermdio dos rgos, e no tem ponto circunscrito para perceb-las.

48. Insisto de novo para saber se os objetos, o espao que vos cerca, tm para vs o mesmo colorido que quando estveis desperto. - R. Para mim, sim, porque meus rgos no me enganam; mas certos Espritos nisto encontram grandes diferenas; vs, por exemplo, percebeis os sons e as cores muito diferentemente.

49. Percebeis os odores? R. Tambm melhor do que vs.

50. Fazeis diferena entre a luz e a obscuridade? R. Diferena, sim; mas a obscuridade no existe para mim como para vs; e eu vejo perfeitamente.

51. Vossa viso penetra os corpos opacos? R. Sim.

52. Podereis ir para um outro planeta? R. Isto depende.

53. Do qu isto depende? R. Do planeta.

54. Em qual planeta podereis ir? R. Naqueles que esto no mesmo grau que a Terra, ou mais ou menos.

55. Vedes os outros Espritos? R. Muito e ainda.

Nota. Uma pessoa que eu conhecia intimamente, e que assistia a esta sesso, disse que esta expresso lhe era muito familiar; ela v nisto, assim como em toda a forma de sua linguagem, uma prova de identidade.

56. Vede-os aqui? R. Sim.

57. Como constatais a sua presena? por uma forma qualquer? - R. pela sua forma prpria; quer dizer, a do seu perisprito.

58. Algumas vezes vedes vossos filhos, e podeis lhes falar? R. Eu os vejo e lhes falo muito freqentemente.

59. Dissestes; Meu corpo um acessrio; sou eu que estou aqui. Esse eu circunscrito, limitado; tem uma forma qualquer; em uma palavra como vos vedes? R. sempre o perisprito.

60. O perisprito , pois, um corpo para vs? -- R. Mas sem dvida.

61. Vosso perisprito afeta a forma de vosso corpo material, e vos parece estar aqui com o vosso corpo? R. Sim, primeira pergunta, e no segunda; tenho perfeitamente conscincia de no estar aqui seno com o meu corpo fludico luminoso.

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

62. Podereis me dar um aperto de mo? R. Sim, mas no o sentireis.

63. Podereis faz-lo de um modo sensvel? R. Isto se pode, mas no o posso aqui.

64. Se, no momento em que estais aqui, vosso corpo viesse a morrer subitamente, que sentireis? R. Eu existiria antes.

65. Serieis mais prontamente desligado do que se morrsseis nas circunstncias comuns? R. Muito; eu no entraria seno para fechar a porta depois de ter sado.

66. Dissestes que tendes a gota; no estais de acordo nisto com o vosso mdico, aqui presente, que pretende que seja um reumatismo nevrlgico. Que pensais disto? R. Penso que, uma vez que estais to bem informados, isso deva vos bastar.

67. (O mdico.) Sobre o qu vos fundais para que seja a gota? R. minha opinio a meu respeito; talvez me engane, sobretudo se estais MUITO SEGURO de no vos enganar, vs mesmo.

68. (O mdico.) Seria possvel que houvesse complicao de gota e de reumatismo. R. Ento todos os dois teriam razo; no nos restaria mais do que nos abraarmos.

(Esta resposta provoca o riso na assemblia.)

69. Isto vos faz rir de nos ver rir? R. Mas s gargalhadas; vs no me entendeis?

70. Dissestes que o colchico um remdio eficaz contra a gota; de onde vos veio esta idia, uma vez que, desperto, no o sabieis? R. Dele j me servi outrora.

71. Foi, pois, em uma outra existncia? R. Sim, e fez-me mal.

72. Se vos fizessem uma pergunta indiscreta, serieis constrangido a respond-la? R. Oh! Esta muito forte; tentai, pois.

73. Assim tendes perfeitamente o vosso livre arbtrio?R. Mais que vs.

Nota. A experincia provou, em muitas ocasies, que o Esprito isolado do corpo tem sempre a sua vontade, e no diz seno aquilo que quer; compreendendo melhor a importncia das coisas, ele mesmo mais prudente, mais discreto do que seria desperto. Quando diz uma coisa, porque cr ser til faz-lo.

74. reis livre para no vir quando vos chamamos? R. Sim, sob a condio de sofrer-lhe as conseqncias.

75. Quais so essas conseqncias? R. Se me recuso a ser til aos meus semelhantes, sobretudo quando tenho a perfeita conscincias dos meus atos, eu sou livre, mas sou punido.

76. Qual gnero de punio sofrereis? R. Seria preciso vos desenvolver o cdigo de Deus, e isto seria muito longo.

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O Esprito de um lado e o corpo do outro

77. Se, neste momento, algum vos insultar, vos dissesse coisas que desperto no suportareis, que sentimento isso vos faria sentir? R. O desprezo.

78. Assim no procurareis vos vingar? R. No.

79. Fazeis uma idia da classe que ocupareis entre os Espritos quando a estiverdes inteiramente? R. No, isto no permitido.

80. Credes que, no estado atual em que estais, o Esprito possa prever a morte do seu corpo? R. Algumas vezes, pois se devesse morrer subitamente, teria sempre o tempo de nele reentrar.

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Conselhos de famlia

Conselhos de famliaRevista Esprita, janeiro de 1860

Ditados espontneos

Nossos leitores se lembram, sem dvida, do artigo que publicamos, no ms de setembro ltimo, sob o ttulo: Uma Famlia Esprita. As comunicaes seguintes lhe so digno complemento. So, com efeito, conselhos ditados numa reunio ntima, por um Esprito eminentemente superior e benevolente. Elas se distinguem pelo encanto e a doura do estilo, a profundidade dos pensamentos, e por outro lado, pelas nuanas de uma delicadeza extrema, apropriadas idade e ao carter das pessoas a quem so dirigidos. O senhor Rabache, negociante de Bordeaux, que serviu de intermedirio, autorizou-nos a public-las; no podemos seno felicitar os mdiuns que obtm semelhantes mensagens: uma prova de que tm simpatias felizes no mundo invisvel.

Castelo de Pechbusque, novembro de 1859.

(Primeira sesso.)

Perguntado ao Esprito protetor da famlia se consentia dar alguns conselhos aos membros presentes, ele respondeu:

Sim: que tenham confiana em Deus e que procurem instruir-se quanto s verdades imutveis e eternas que lhes ensina o livro divino da natureza; ele contm toda a lei de Deus, e aqueles que sabem l-lo e compreend-lo, so os nicos que seguem o verdadeiro caminho da sabedoria. Que nada daquilo que vero seja negligenciado por eles, porque cada coisa carrega consigo um ensinamento, e deve, com o uso do raciocnio, elevara alma a Deus e aproxim-la dele. Em tudo o que tocar sua inteligncia, procurem sempre distinguir o bem do mal; o primeiro para pratic-lo, o segundo para evit-lo. Que antes de formular o seu julgamento, voltem sempre seu pensamento para o ETERNO, que s os guiar no bem, E NO OS ENGANAR JAMAIS.

(Segunda sesso.)

Boa noite, meus filhos. Se me amais, procurai vos instruir; reuni-vos freqentemente com este pensamento. Ponde vossas idias em comum, um excelente meio, porque no se comunicam, em geral, seno as coisas que se crem boas: tm-se vergonha das ms, tambm se as guarda em segredo, ou no se as comunica seno queles dos quais se espera fazer cmplices. Discernem-se os bons pensamentos dos maus naquilo que os primeiros podem, sem nenhum temor, comunicar-se a todo o mundo, ao passo que os primeiros no poderiam, sem perigo, comunicar seno a alguns. Quando um pensamento vos chegar, para julgar o seu valor, perguntai-vos se podeis, sem inconvenientes, torn-lo pblico, e se ele no produzir nenhum mal: se vossa conscincia a isso vos autoriza, no tende medo, vosso pensamento bom. Dai-vos, mutuamente, bons conselhos, e, nisto, no tendes jamais em vista seno o bem daquele a quem os derdes, e no ao vosso. Vossa recompensa, para vs, estar no prazer que experimentareis por terdes sido teis. A unio dos coraes a fonte mais fecunda de felicidades, e se muitos homens so infelizes, porque no procuram a

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Conselhos de famlia

felicidade seno s para eles ; escapa-lhes precisamente porque no crem encontr-la seno no egosmo. Eu digo a felicidade e no a fortuna, porque esta ltima, at hoje, no serviu seno para sustentar a injustia, e o objetivo da existncia a justia. Ora, se a justia fosse praticada entre os homens, o mais afortunado seria aquele que houvesse cumprido a maior soma de boas obras. Se, portanto, quereis vos tornar ricos, meus filhos, fazei sempre boas aes; pouco importam os bens do mundo, no a satisfao da carne que preciso procurar, mas a da alma: aquela no tem seno uma durao efmera, esta eterna.

bastante por hoje; meditai estes conselhos, e tratai de coloc-los em prtica: a est o caminho estreito da salvao.

(Terceira sesso.)

Sim, meu filhos, eis-me aqui. Tende confiana em Deus, que no abandona jamais aqueles que fazem o bem. O que credes o mal, freqentemente, no o seno com relao s vossas concepes. Freqentemente, tambm, o mal real no vem seno do desencorajamento que ocasiona uma dificuldade, que a calma de esprito e a reflexo poderiam evitar. Refleti, portanto, sempre, e, como j vos disse, reportai tudo a Deus. Quando provais alguns desgostos, longe de vos entregardes a tristeza, resisti, ao contrrio, e fazei todos os vossos esforos para dela triunfar, pensando que nada se obtm sem dificuldade, e que o sucesso, freqentemente, cheio de dificuldades. Invocai, em vossa ajuda, os Espritos benevolentes; eles no podem, como se vos ensina, fazer boas obras em vosso lugar, nem nada obter de Deus por vs, porque preciso que cada um ganhe, por si mesmo, a perfeio qual todos estamos destinados, mas eles podem vos inspirar o bem, vos sugerir uma conduta conveniente, e vos ajudar com o seu concurso. Eles no se manifestam ostensivamente, mas no recolhimento; escutai a voz da vossa conscincia, lembrando-vos os meus precendentes conselhos. Confiana em Deus, calma e coragem.

(Quarta sesso.)

Boa noite, meus filhos. Sim, preciso continuar (as sesses) at que um mdium se manifeste para substituir aquele que deve vos deixar. Seu papel de iniciador entre vs est cumprido: continuai o que comeastes, porque vs, tambm, servireis um dia propagao da verdade que proclamam, nesse momento, no mundo inteiro, as manifestaes ditas dos Espritos. Persuadi-vos, meus filhos, de que o que se entende em geral por Esprito na Terra, no Esprito seno para vs. Depois que este Esprito, ou alma, est separado da matria grosseira que o envolve, para vs ele no tem mais o corpo, porque os vossos olhos materiais no podem mais v-lo; mas ele sempre matria, relativamente queles que so mais elevados do que ele. Para vs, meus jovens filhos, vou fazer uma comparao muito imperfeita, mas que, todavia, poder vos dar uma idia da transformao, que impropriamente chamais morte. Figurai-vos uma lagarta que vedes todos os dias. Quando o tempo de sua existncia nesse estado decorreu, ela se transforma em crislida; passa ainda um tempo nesse estado, depois, chegado o momento, ela se despoja de seu envoltrio grosseiro, e d nascimento borboleta que voa. Ora, a lagarta, deixando sua natureza grosseira, representa o homem que morre, a borboleta representa a alma que se eleva. A lagarta rasteja na terra, a borboleta voa para o cu; mudou de matria, mas ainda material. A lagarta, se ela raciocinasse, no veria a borboleta que, todavia, sara da carapaa apodrecida da crislida. Portanto, o corpo no pode ver a alma; mas a alma envolvida de matria tem conscincia de sua existncia, e o maior dos materialistas, ele mesmo, o sente interiormente, seu orgulho, ento, impede-o de convir nisto, e fica com sua cincia sem crena, sem elevar-se, at que, enfim, a dvida lhe venha. Ento, no est tudo acabado,

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Conselhos de famlia

porque nele a luta maior; mas isto no seno uma questo de tempo, porque, lembrai-vos, meus amigos, todos os filhos de Deus foram criados para a perfeio. Felizes aqueles que no perdem seu tempo no caminho: A eternidade se compe de dois perodos: o da prova, que se poderia chamar a incubao, e o da ecloso ou entrada na vida verdadeira, que chamais a felicidade dos eleitos.

(Quinta sesso.)

Meus queridos filhos, vejo com satisfao que comeais a refletir sobre os avisos e conselhos que vos dou . Sei que, para o desenvolvimento atual de vossa inteligncia, ao mesmo tempo so muitos assuntos de reflexo; mas devo aproveitar a ocasio que se apresenta: em alguns dias este meio no estar mais minha disposio, e ser necessrio alcanar a vossa imaginao de maneira a sugerir o desejo de continuar as vossas sesses, at que, algum de vs, possa substituir o mdium atual. Espero que estas poucas sesses, nas quais vos convido a meditar longamente , tero bastado para despertar a vossa ateno, e o desejo de aprofundar mais este vasto objeto de investigaes. Tomai por regra jamais procurarem satisfazer uma v curiosidade, mas vos instruir e vos aperfeioar. intil vos preocupardes com a diferena que possa existir entre o que eu vos ensinei e o que sabeis ou credes saber; cada vez que uma instruo vos for dada, perguntai se ela justa, e se responde s exigncias da conscincia e da eqidade: quando a resposta for afirmativa, no vos inquieteis em saber se ela concorda com que vos foi dito. Que vos importa isto! O importante o justo, o consciencioso e o eqitativo: tudo o que rene essas condies, de Deus. Obedecer a uma boa conscincia, no fazer seno coisas teis, evitar todas aquelas que, sem serem ms, no tm utilidade, o essencial; porque j fazer mal fazendo alguma coisa intil. Evitai escandalizar, mesmo para o vosso aperfeioamento. H circunstncias tais que unicamente a viso de vossa mudana pode produzir um mau efeito. Assim que, por exemplo, luz do dia no poderia, sem perigo, ferir subitamente os olhos de um homem encerrado num crcere escuro. Que vosso progresso, ento, no se entregue investigao seno conforme a sabedoria vos aconselhar. Aperfeioai-vos sempre; vs os fareis ver somente quando isso estiver no tempo. Aqueles para quem escrevi este conselho o compreenderam, sem-que tivesse a necessidade de ser mais explcito; sua conscincia lhes dir.

Coragem, pois, e perseverana! Estas so as nicas leis do sucesso.

Nota. Este ltimo conselho no poderia ser de uma aplicao geral; o Esprito, evidentemente, teve um objetivo especial, assim como ele mesmo disse, de outro modo se poderia enganar sobre o sentido e a importncia de suas palavras.

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As pedras de Java

As pedras de JavaRevista Esprita, janeiro de 1860

Bruxelles, 9 de dezembro de 1859.

Senhor Diretor,

Li, na Revista Esprita, o fato narrado por Ida Pfeiffer, sobre as pedras cadas em Java na presena de um oficial superior holands, com o qual estive fortemente ligado em 1817, uma vez que foi ele quem me emprestou suas pistolas e serviu de testemunha no meu primeiro duelo. Chamava-se Michiels, de Maestricht, e se tornou general em Java. A carta que relatava este fato acrescentava que essa queda de pedras, na habitao isolada do distrito de Chribon no durou menos que doze dias, sem que os sentinelas colocados pelo general nada houvessem descoberto, nem ele durante todo o tempo que ali ficou. Essas pedras, formadas por uma espcie de pedra vulcnica, pareciam se criar no ar, a alguns ps do teto. O general fez encher vrias cestas delas, os habitantes vinham procur-las para delas fazer amuleto, e mesmo remdio. Este fato muito conhecido em Java, porque se renova muito freqentemente, sobretudo os escarros de siry. Vrias crianas foram perseguidas por pedradas em campo raso, mas sem serem atingidas. Dir-se-ia Espritos falsantes que se divertem fazendo medo s pessoas. Evocai o Esprito do general Michiels, talvez vos explique esse fato. O doutor Vanden Kerkhove, que morou muito tempo em Java, confirmou-me como vos afirmo que vossa Revista torna-se todos os dias mais interessante, mais moralizante e mais procurada em Bruxelas.

Aceitai, Jobard.

O carter conhecido da senhora Ida Pfeiffer, a marca de veracidade que levam todas essas narraes, no nos deixam nenhuma dvida sobre a realidade do fenmeno em questo: mas concebe-se toda a importncia que venha acrescentar-lhe a carta do senhor Jobard, pelo testemunho da principal testemunha ocular encarregada de verificar o fato, e que no tinha nenhum interesse em acredit-lo se o reconhecesse falso. Em primeiro lugar, a natureza porosa dessa chuva de pedras poderia faz-lo atribuir uma origem vulcnica ou aeroltica, e os cpticos no faltariam para dizerem que a superstio enganou-se sobre um fenmeno natural. Se no tivssemos seno o testemunho dos Javaneses, a suposio seria fundada, e essas pedras, cadas em campo raso, viriam, sem contradita, em apoio desta opinio. Mas o general Michaels e o doutor Vanden Kerkhove no eram Malaios, e suas afirmaes tm algum valor. A esta considerao, j muito poderosa, necessrio acrescentar que essas pedras no caam somente em pleno ar, mas num quarto onde pareciam se formar a alguma distncia do teto: foi o general quem o afirmou; ora, no pensamos que se viu aerolitos se formarem na atmosfera de um quarto. Admitindo-se a causa meteorolgica ou vulcnica, no se saberia dizer dos escarros de siry que os vulces jamais vomitaram, pelo menos de nosso conhecimento. Descartada esta hiptese pela prpria natureza dos fatos, resta saber como essas substncias puderam se formar. Encontrar-se- a explicao em nosso artigo do ms de agosto de 1859, sobre o Mobilirio de alm-tmulo.

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Correspondncia

CorrespondnciaRevista Esprita, janeiro de 1860

Carta do Sr. Dorgeval ao Sr. Comettant

Toulouse, 17 de dezembro de 1859.

Meu caro Senhor.

Acabo de ler vossa resposta ao senhor Oscar Comettant, de quem li o artigo. Se este folhetinista cptico e tolamente zombeteiro no est convencido pelas boas razes que lhe destes, ao menos poder reconhecer em vossa resposta a urbanidade do estilo, que faltou totalmente sua prosa; os parnteses deselegantes, nos quais crivou as evocaes, me parecem do esprito de palhao; as queixas das quais acompanhou os dois francos que lhe custaram a sonata poderiam bem merecer que a Sociedade lhe votasse um socorro de 2 francos. Pensai bem, meu caro senhor Allan Kardec, que sou Esprita muito inflamado para deixar sem resposta um artigo onde fui nomeado e colocado em causa; escrevi, tambm, de minha parte, ao senhor Oscar Comettant; no dia seguinte ao recebimento do seu jornal, ele recebeu de mim a carta seguinte:

Senhor,

Tive o prazer de ler o vosso folhetim de quinta-feira: Variedades. Como ele me coloca em causa, uma vez que ali sou pessoalmente nomeado, peco-vos conceder-me a permisso de fazer, a este respeito, algumas observaes que consentireis em aceitar, sob o mesmo ttulo que, eu mesmo, aceitei os espirituosos parnteses com os quais coloristes a narrao que fizestes das evocaes de Mozart e Chopin. Que quereis ridicularizar com este artigo humorstico? o Espiritismo? Enganar-vos-is muito crendo fazer-lhe o menor dano. Em Frana se brinca primeiro, depois se julga, e no se lhe concedem as honras do gracejo seno s coisas verdadeiramente grandes e srias, quite para lhe conceder depois de todo o exame que elas merecem.

Se o senhor Ledoyen to vido e interessado como quereis fazer crer, deve vos ser muito reconhecido em haver consentido, por um folhetim de onze colunas, assegurar o sucesso de uma de suas mais modestas publicaes; foi a primeira vez que um artigo to importante foi publicado num grande jornal sobre o Espiritismo; vejo, por este artigo quase ruidoso, que o Espiritismo j levado em considerao por seus prprios inimigos, e vos direi, confidencialmente, que os Espritos nos disseram que se serviriam tambm de seus inimigos para fazerem sua causa triunfar. Assim no tendes seno que vos manter em guarda, se no quereis vos tornar o apstolo a contragosto.

No quereis ver, no Espiritismo, seno o charlatanismo moral e comercial; ns, futuros locatrios de Charenton, nele encontramos a soluo de uma multido de problemas contra os quais a Humanidade choca a sua razo desde longos sculos, a saber: o reconhecimento raciocinado de Deus em todas as suas obras materiais e espirituais; a imortalidade e a individualidade certas da alma provada pela manifestao dos Espritos; a cincia das leis da

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Correspondncia

justia divina, estudada nas diversas encarnaes dos Espritos, etc., etc. Dando-se ao trabalho de aprofundar um pouco estes assuntos, poder-se-ia ver que eles se encontram acima de todos os sarcasmos e de todas as zombarias. Seria intil tratar-nos de sonhadores alucinados, diremos todos, em lugar do: pursimuove de Galileu : e todavia Deus l est!

Peo vos aceitar, etc.

BRION DORGEVAL.

Primeiro baixo de pera cmica do teatro de

Toulouse, pensionista do senhor Carvalho.

Nota. No do nosso conhecimento que o senhor Oscar Comettant haja publicado esta resposta, no mais que a nossa; ora, atacar sem admitir a defesa no uma guerra louvvel.

Carta do Sr. Jobard sobre as qualidades do Esprito depois da morte

Bruxelas, 23 de dezembro de 1859.

Meu caro colega,

Venho vos submeter algumas reflexes etnogrficas sobre o mundo dos Espritos, na inteno de levantar uma opinio bastante geral, mas, na minha opinio, muito errnea sobre o estado do homem depois de sua espiritualizao.

Imagina-se erroneamente que um imbecil, um ignorante, um bruto torne-se imediatamente um gnio, um sbio, um profeta, desde que deixou seu invlucro. E um erro anlogo quele que supusesse que um celerado livre da camisa de fora v se tornar honesto; um tolo espiritual e um fantico razovel, s por isso transpor a fronteira.

No nada disso; levamos conosco todos as nossas conquistas morais, nosso carter, nossa cincia, nossos vcios e nossas virtudes, com exceo daquilo que diz respeito matria: os coxos, os caolhos e os corcundas no o so mais; mas os patifes, os avaros, os supersticiosos o so ainda. No se deve, pois, espantar-se ouvindo os Espritos pedindo preces, desejarem que se cumpram peregrinaes que haviam prometido, ou mesmo que se encontre o dinheiro que esconderam, com objetivo de d-lo pessoa qual o haviam destinado, e que indiquem exatamente, fosse ela ainda reencarnada.

Em suma, o Esprito que tinha um desejo, um plano, uma opinio, uma crena na Terra, deseja v-las cumprir-se. Assim, Hahnemann se exclamaria: "Coragem, meus amigos, minha doutrina triunfa, que satisfao para a minha alma!"

Quanto ao doutor Gall, sabeis o que pensa de sua cincia, assim como Lavter, Swedenborg e Fourier, o qual me disse que seus alunos mutilaram sua doutrina querendo saltar acima da fase da segurana e me felicita por prosseguir.

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Correspondncia

Em uma palavra, todos os Espritos que professam uma religio, uma idolatria, ou um cisma por convico, persistem na mesma crena, at que sejam esclarecidos pelo estudo e pela reflexo. Tal o objeto das minhas neste momento e, evidentemente foi um Esprito lgico que mas ditou, porque, h uma hora, no sonhava que iria deitar-me para acabar a leitura do excelente pequeno livro da senhora Henry Gaugain sobre os piedosos preconceitos da Baixa-Bretanha contra as invenes novas.

Continuando vossos estudos, reconhecereis que o mundo de alm-tmulo no seno a imagem daguerreotipada deste, que encerra como sabeis Espritos malignos como o diabo, e maus como os demnios. No de admirar que as pessoas boas se enganem e interditem todo o comrcio com eles; o que as priva da visita dos bons e dos grandes Espritos que so menos raro l em cima do que neste mundo, uma vez que ali esto de todos os tempos e todos os pases, os quais no pedem seno dar-nos bons conselhos e nos fazer o bem; ao passo que sabeis com que repugnncia e com que clera os maus respondem ao chamado forado; mas o maior, ornais raros de todos os Espritos, aquele que no vem seno trs vezes durante a vida de um globo, o Esprito divino, o Santo Esprito, enfim, no obedece s evocaes dos pneumatlogos; ele vem quando quer, spiritus flat ubi vult, o que no quer dizer que no envia outros para preparar-lhe o caminho.

A hierarquia uma lei universal, tudo como tudo, alhures como em nossa casa. O que retarda mais o progresso das boas doutrinas, que a perseguio no as deixa avanar, o falso respeito humano. H muito tempo o magnetismo teria triunfado se, em lugar de dizer: o senhor X., o senhor W., se houvesse dado o nome e endereo das pessoas, por referncias, como dizem os Ingleses. Mas se disse: qual esse senhor M. que se esconde? Um mentiroso aparente; esse senhor J? Um escamoteador; esse senhor F. um farsante, ou antes um ser de razo no qual tem-se razo de no se fiar, porque no se esconde e no se mascara seno para fazer mal ou mentir.

Hoje, que as academias admitem, enfim, o magnetismo e o sonambulismo, primos-irmos do Espiritismo, necessrio que seus partidrios se animem a assinar com todas as letras. O medo do que disto se dir um sentimento frouxo e mau.

A ao de assinar o que se viu e o que se cr no deve mais ser olhada como um trao de coragem; deveis, pois, convidar vossos adeptos a fazer o que fao todos os dias, a assinarem.

JOBARD.

Nota. Estamos, em todos os pontos de acordo com o senhor Jobard; primeiro, suas observaes sobre o estado dos Espritos so perfeitamente exatas. Quanto ao segundo ponto, aspiramos como ele momento em que o medo do que disto se dir no reter ningum mais; mas, que quereis? necessrio fazer a parte da fraqueza humana, alguns comeam, e o senhor Jobard ter o mrito de haver dado o exemplo; outros seguiro, estejai disto seguro, quando virem que se pode colocar o p fora sem ser mordido; preciso tempo para tudo; ora, o tempo vem mais depressa do que o cr o senhor Jobard; a reserva que colocamos na publicao de nomes motivada por razes de convenincias, das quais, at o presente, no temos seno que nos aplaudir; mas, espera disso, constatamos um progresso muito sensvel na coragem de sua opinio. Vemos todos os dias pessoas que, ainda h pouco tempo, ousavam com dificuldade se confessarem Espritas; hoje, elas o fazem abertamente na conversao, e sustentam teses sobre a Doutrina, sem se importarem, ao mnimo, com o mundo de epitetos sonantes com os quais so gratificadas; um passo imenso: o resto vir. Eu o disse principiando: Ainda mais alguns anos, e ver-se- uma outra mudana. Dentro em pouco, o mesmo ser com o Espiritismo como com o magnetismo;

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Correspondncia

recentemente, no era seno entre quatro olhos que se ousava dizer-se magnetizador, hoje um ttulo com o qual se honra. Quando se estiver bem convencido de que o Espiritismo no queima, dir-se-o Espritas sem medo mais, como se diz frenologista, homeopata, etc. Estamos num momento de transio, e as transies jamais se fazem bruscamente.

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Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

Revista Esprita, janeiro de 1860

Sexta-feira, 2 de dezembro de 1859. (Sesso particular.)

Leitura da ata da sesso de 25 de novembro.

Pedidos de admisso. Cartas do senhor L. Benardacky, de So Petersburgo e da senhora Elisa Johnson, de Londres, que pedem para fazerem parte da Sociedade como membros titulares.

Comunicaes diversas. Leitura de duas comunicaes dadas ao senhor Bouch, antigo reitor da Academia, mdium escrevente, pelo Esprito da duquesa de Longueville, a respeito de uma visita que esta ltima fizera, como Esprito, Port-Royal-des Champs. Essas duas comunicaes so notveis pelo estilo e a elevao dos pensamentos. Elas provam que certos Espritos revem com prazer os lugares que habitaram quando vivos, e que tm o encanto da lembrana. Sem dvida, quanto mais desmaterializado, menos ligam importncia s coisas terrestres, mas h os que a isso se prendem, por muito tempo ainda, depois de sua morte, e parecem continuar, no mundo invisvel, as ocupaes que tinham neste mundo, ou pelo menos tomam nisto um certo interesse.

Estudos. 1a Evocao do senhor conde Desbassyns de Richemont, morto em junho de 1859, e que, h mais de dez anos, professava as idias Espritas. Essa evocao confirma a influncia destas idias no desligamento do Esprito depois da morte.

2 Evocao da irm Marthe, morta em 1824.

3 Segunda evocao do Sr. conde de R... C.., membro da Sociedade, retido em sua casa por uma indisposio e seguida de perguntas que lhe foram endereadas sobre o isolamento momentneo do Esprito e do corpo, durante o sono. (Publicada neste nmero.)

Sexta-feira, 9 de dezembro. (Sesso geral.)

Leitura da ata da sesso do dia 2 de dezembro.

Comunicaes diversas. O senhor de Ia Roche transmitiu uma notcia sobre fatos de manifestaes notveis que ocorreram numa casa de Castelnaudary. Esses fatos so narrados na nota que precede o relatrio da evocao que ocorreu a este respeito e que ser publicado.

Estudos. 1a Evocao do rei de Kanala (Nova Calednia), j evocado no dia 28 de outubro, mas que ento escrevera com muita dificuldade, e havia prometido se exercitar para escrever mais claramente. D curiosas explicaes sobre a maneira que adotou para se aperfeioar. (Ser publicada com a primeira evocao.)

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Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

2a Evocao do Esprito de Castelnaudary. Ele se manifestou por sinais de viva clera sem nada poder escrever; quebrou sete ou oito lpis, dos quais vrios foram lanados com fora contra os assistentes, e sacudiu violentamente o brao do mdium. So Lus d explicaes interessantes sobre o estado e a natureza desse Esprito, que , disse ele, da pior espcie, e na situao a mais infeliz. (Ser publicada com todas as outras comunicaes relativas a este assunto.)

3a Quatro comunicaes so obtidas simultaneamente. A primeira de So Vicente de Paulo, pelo senhor Roze; a segunda de Charlet, pelo senhor Didier filho, seguindo o trabalho comeado pelo mesmo Esprito. A terceira de Mlanchthon, pelo senhor Colin; a quarta de um Esprito que se deu o nome de Mikal, protetor das crianas, pela senhora de Boyer.

Sexta-feira, 16 de dezembro de 1859. (Sesso particular.)

Leitura da ata.

Admisses. So admitidos como membros titulares: o senhor L. Benadacky, de So Petersburgo, e a senhora Elisa Johnson, de Londres, apresentados dia 2 de dezembro.

Pedidos de admisso. O senhor Forbes, de Londres, oficial de engenharia, e a senhora Forbes, de Florena, escrevem para pedirem fazer parte da Sociedade como membros titulares. Relatrio e deciso remetidos para o dia 30 de dezembro.

Designao de seis delegados que devero dividir os servios das sesses gerais at o dia primeiro de abril, sem que haja necessidade de designar um para cada sesso. Tero, por outro lado, em suas atribuies, que assinalar as infraes que podero cometer os ouvintes estrangeiros, contra o regulamento, em conseqncia de sua ignorncia das exigncias da Sociedade, a fim de advertir os membros titulares que lhes deram as cartas de introduo.

Sobre a proposio do senhor Allan Kardec, a Sociedade decidiu que o Boletim de suas sesses ser doravante publicado em suplemento da Revista, a fim de que esta publicao no se faa em detrimento das matrias habituais do jornal. Em conseqncia desta adio, cada nmero ser aumentado em torno de quatro pginas, cujas despesas sero levadas conta da Sociedade.

O senhor Lesourd props que quando houver cinco sesses no ms, a quinta seja consagrada a uma sesso particular. (Adotado.) O senhor Thiry observou que, freqentemente, os Espritos sofredores reclamam o socorro de preces como um abrandamento para as suas penas; mas, tendo em vista que pode ocorrer perd-los de vista, props que, em cada sesso, o Presidente lhes lembre os nomes. (Adotado.)

Comunicaes diversas. 1a Carta do senhor Jobard, de Bruxelas, que confirma, com detalhes circunstanciados, o fato das manifestaes de Java, narrado pela senhora Ida Pfeiffer, e publicado na Revista de dezembro. Ele os obteve do prprio general holands, com quem estava ligado, e que foi encarregado de fiscalizar a casa onde se passaram essas coisas, e por conseguinte, testemunha ocular. (Publicada neste nmero.)

2 Leitura de u ma comunicao do Esprito de Castelnaudary, obtido pelo senhor e senhora Forbes, ouvintes na ltima sesso. Ele deu detalhes interessantes e circunstanciados sobre este Esprito, e os acontecimentos que se passaram na casa em questo. Vrias outras

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Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

comunicaes tendo sido obtidas sobre o mesmo assunto, elas sero reunidas da Sociedade para serem publicadas quando o todo estiver completo.

3a Leitura de uma notcia sobre a senhora Xavier, mdium vidente. Esta senhora no v vontade, mas os Espritos se apresentam a ela espontaneamente; sem estar nem em sonambulismo, nem em xtase, ela est, contudo, naqueles momentos, num estado particular, que reclama a maior calma e muito recolhimento; de tal sorte que se interrogada sobre o que v, este estado se dissipa num instante, e ela no ver mais nada. Como disto conserva uma lembrana completa, pode dar-se conta mais tarde, do que viu. Assim que, por exemplo, ela viu, entre outros, a irm Marthe, no dia em que ela foi evocada e a designou de modo a no deixar nenhuma dvida sobre a sua identidade. Ela viu igualmente, na ltima sesso, o Esprito de Castelnaudary, vestido com uma camisa rasgada, um punhal mo, as mos tintas de sangue, sacudindo fortemente o brao do mdium, durante suas tentativas para escrever, e cada vez que So Lus parecia ordenar-lhe faz-lo. Ele tinha uma espcie de sorriso bestificado nos lbios; depois, quando se falou de preces, primeiro no pareceu compreender; mas logo depois das explicaes, dadas por So Lus, ele se precipitou aos seus joelhos.

O rei de Kanala apareceu-lhe com a cabea de um branco; ele tinha os olhos azuis, bigodes e suas cinzas, mos de negro, braceletes de ao, uma roupa azul, o peito coberto com uma multido de objetos que ela no pde distinguir. "Esta aparncia, foi-lhe dito, deve-se a que, entre a existncia anterior da qual falou e sua ltima, ele foi soldado em Frana, sob Lus XV. Era uma conseqncia de seu estado avanado comparativamente. Ele pediu para retornar entre os povos de onde tinha sado para ali fazer, como chefe, penetrar as idias de progresso. Esta forma que tomou, e esta aparncia metade selvagem e metade civilizada, destinam-se a vos mostrar, sob uma nova face, as que o Esprito pode dar ao perisprito, com um objetivo instrutivo, e como indcio dos diferentes estados pelos quais passou."

A senhora X... viu ainda os Espritos evocados virem responder evocao e s perguntas que nada tinham de repreensvel quanto sua finalidade; e sob a ordem de So Lus, retirar-se para deixar os Espritos presentes responderem em seu lugar, desde que as perguntas tomassem um carter insidioso. "A maior boa f e a maior franqueza devem ditar as perguntas, nenhuma preveno, acrescentou o Esprito interrogado a este respeito pelo marido desta senhora, no nos escapam; no procureis, portanto, jamais atingir vosso objetivo por caminhos secretos, pois assim o deixareis de t-lo infalivelmente."

Ela via uma coroa fludica rodear a cabea do mdium, como para indicar os momentos durante os quais estava interditado aos Espritos no chamados para se comunicarem, porque as respostas deviam ser sinceras; mas desde que esta coroa era retirada, ela via todos estes Espritos intrusos disputarem, de algum modo, o lugar que lhes deixava.

Ela viu, enfim, o Esprito do Sr, conde de R... soba forma de um corao luminoso tombado, unido a um cordo fludico que conduzia externamente. Era, foi-lhe dito, para vos ensinar primeiro que o Esprito pode dar, ao seu perisprito, a aparncia que quer; em seguida porque pde ali ver da inconvenincia para esta senhoraem reencontrar, frente a frente, um Esprito encarnado que vira como Esprito desligado. Mais tarde, este inconveniente ter diminudo ou desaparecido.

Estudos. 1 Evocao de Charlei.

2a Trs comunicaes espontneas foram obtidas simultaneamente: a primeira de Santo

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Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

Agostinho, pela senhora Roze. Ela explica a misso do Cristo, e confirma um ponto muito importante explicado por Arago, sobre a formao do globo; -a Segunda de Charlet, pelo senhor Didier filho (continuao do trabalho comeado); - a terceira de Joinville, que assina em velha ortografia: Amy de Loys, pela senhora Huet.

Sexta-feira, 23 de dezembro de 1859. (Sesso geral.)

Leitura da ata e dos trabalhos da sesso do dia 16 de dezembro.

Pedidos de admisso. Cartas do senhor Demange, negociante em Paris; do senhor Soive, negociante em Paris, apresentados como membros titulares. Relatrio e deciso remetidos sesso do dia 30 de dezembro.

Comunicaes diversas. 1. Leitura de uma evocao feita em particular pela senhora de D... do Esprito que se comunicou espontaneamente por ela na Sociedade, sob o nome de Paul Miffet, no momento em que ia se reencarnar. Esta evocao, que apresenta um interessante quadro da reencarnao e da situao fsica e moral do Esprito nos primeiros instantes de sua vida corprea, ser publicada.

2. Carta do senhor Paul Netz sobre os fatos que conduziu tomada de posse, pelos Chartreux, das runas do castelo Vauvert, situado no quarteiro do Observatrio de Paris, sob Lus IX. Passaram-se, supostamente, neste castelo, cenas de feitios, que cessaram desde que os monges a foram instalados. So Lus, interrogado sobre esses fatos, respondeu que deles tem perfeitamente conhecimento, mas que eram uma hipocrisia.

Estudos. 1. Questes e problemas morais diversos dirigidos a So Lus, sobre o estado dos Espritos sofredores. (Sero publicados.)

2. Evocao de John Brown.

3. Trs comunicaes espontneas: a primeira pela senhora Roze, e assinada pelo Esprito de Verdade, contendo diversos conselhos Sociedade; a segunda, de Charlei, pelo senhor Didier filho (continuao do trabalho comeado); a terceira sobre os Espritos que presidem s flores, pela senhora de B...

ALLAN KARDEC.

Nota. A nova edio de O Livro dos Espritos vai aparecer em janeiro.

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Fevereiro

Revista Esprita

Jornal de Estudos Psicolgicos

Terceiro Ano 1860

Fevereiro

Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas Os Espritos Glbulos Os Mdiuns especiais Bibliografia. A condessa Mathilde de Canossa, pelo R.P. Bresciani da Companhia de

Jesus Histria de um Condenado Comunicaes espontneas

Estelle Riquier O tempo presente, por Chateaubriand Os Sinos Conselhos de famlia

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Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

Revista Esprita, fevereiro de 1860

Sexta-feira, 30 de dezembro de 1859. (Sesso particular.)

Leitura da ata da sesso de 23 de dezembro.

A Sociedade decidiu que, em cada sesso particular, em seguida ata, ser lida a lista nominativa dos ouvintes que tenham assistido sesso geral precedente, com indicao dos membros que os apresentaram, e que o convite se destina a assinalar os inconvenientes dos quais poderiam ser causa a presena de pessoas estranhas Sociedade. Em conseqncia, foi lida a lista dos ou vintes que assistiram ltima sesso.

Foram admitidos como membros titulares, diante de seu pedido escrito, e depois do relatrio verbal:

-1a O senhor Forbes, de Londres, oficial de engenharia, apresentado em 16 de dezembro.

-2 A senhora Forbes, nascida condessa Passerini Corretesi, de Florena, apresentada em 23 de dezembro.

-3a O senhor Soive, negociante em Paris, apresentado em 16 de dezembro.

-4 O senhor Demange, negociante em Paris, apresentado em 23 de dezembro.

Leitura de trs novas cartas de pedido de admisso. Relatrio e deciso remetidos para 6 de janeiro.

Comunicaes diversas. 1a Carta do senhor Brion Dorgeval, contendo a resposta que dirigiu ao senhor Oscar Commettant, a respeito do artigo publicado por este ltimo no Sicle, (Ver o n de janeiro.)

2a Carta dosenhor Jobard, de Bruxelas, contendo observaes muito justas sobre o estado moral dos Espritos. Lamenta ele que os partidrios do Espiritismo sejam, o mais freqentemente, designados pelas iniciais; ele pensa que indicaes mais explcitas contribuiriam para o progresso da cincia, em conseqncia, convida todos os partidrios da doutrina a colocarem o seu nome, como ele mesmo o faz. (Ver o n de janeiro.)

Esta ltima nota do senhor Jobard foi fortemente apoiada por um grande nmero de membros, que declararam autorizar a colocao de seus nomes em todas as apreciaes que podero concernir-lhes.

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Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

O senhor Allan Kardec observou que o medo do que se dir disso diminui cada dia, e que hoje h poucas pessoas que temem confessar suas opinies a respeito do Espiritismo; os eptetos de mau gosto, dados aos seus partidrios, eles mesmos se tornam lugares comuns, ridculos, dos quais se ri, quando se vem tantas pessoas de elite zombarem da Doutrina; porque se entrev o momento no qual a fora da opinio impor silncio aos sarcasmos. Mas outra coisa ter a coragem de sua opinio na conversao, ou de liberar seu nome publicidade. Entre as pessoas que sustentam a causa do Espiritismo com mais energia, h muitas que no se incomodam de colocar-se em evidncia, no mais por outras coisas do que por estas. Esses escrpulos, que de nenhum modo implicam na falta de coragem, devem ser respeitados. Quando fatos extraordinrios se passam em alguma parte, concebe-se que seria pouco agradvel, para as pessoas que lhes so objeto, tornar-se alvo da curiosidade pblica e serem atacadas pelos importunes. Sem dvida, necessrio estar contente com aqueles que se colocam acima dos preconceitos, mas no necessrio censurar, muito levianamente, aqueles que tm talvez motivos muito legtimos para no chamarem a ateno.

Estudos. 1 Perguntas dirigidas a So Lus sobre os Espritos que presidem s flores, a propsito da comunicao obtida pela senhora de B... Uma explicao muito interessante foi dada a esse respeito. (Ser publicada.)

2a Outras perguntas sobre o esprito dos animais.

3 Duas comunicaes espontneas foram obtidas simultaneamente, a 1a do Esprito de Verdade, pelo senhor Roze, e contendo conselhos dirigidos Sociedade, a 2 de Fnelon, pela senhorita Huet.

Sexta-feira, 6 de janeiro. (Sesso particular.)

Leitura da ata do dia 30 de dezembro.

Foram admitidos como membros titulares, sobre pedido escrito, e depois de relatrio verbal: 1a O senhor Ducastel, proprietrio em Abbeville, apresentado em 30 dezembro;

2a senhora Deslandes, de Paris, apresentada em 30 de dezembro;

3a a senhora Rakowska, de Paris, apresentada em 30 de dezembro.

Leitura de uma carta de pedido de admisso.

Carta da senhora Poinsignon, de Paris, que felicita a Sociedade por ocasio do novo ano, e exprime seus votos pela propagao do Espiritismo.

Carta do senhor Demange, recentemente recebida, agradecendo sua admisso. Assegura Sociedade sua cooperao ativa.

Exame de vrias questes tocando em assuntos administrativos da Sociedade.

Comunicaes diversas. Notcias sobre don Pra, prior de Armilly, morto h trinta anos. A esse respeito ser feito um estudo.

http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1860/02a-boletim.html (2 of 6)7/4/2004 11:12:14

Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espritas

2a Carta do senhor Lussiez, de Troyes, contendo reflexes muito judiciosas, relativas influncia moralizante do Espiritismo sobre as classes trabalhadoras.

3 Carta da senhora P..., de Rouen, que anuncia ter obtido como mdium, comunicaes notveis, e em tudo conforme com a doutrina de O Livro dos Espritos. Essa carta contm, por outro lado, reflexes que denotam, da parte de sua autora, uma apreciao muito sadia das idias Espritas.

4a Carta relativa senhorita Dsire Godu, mdium curadora, em Hennebom. Sabe-se que, de parte da senhorita Godu, uma obra de devotamento e de pura filantropia.

Estudos. 1 Perguntas dirigidas a So Lus, como esclarecimento e desenvolvimento de vrias comunicaes anteriores.

2 A Senhorita Dubois, mdium, membro da Sociedade, tendo obtido uma comunicao de um Esprito que se diz ser Chateaubriand, deseja ter esclarecimentos a esse respeito. Um outro Esprito se apresenta com o seu nome, mas se recusa a confirmar sua identidade em nome de Deus; confessa sua fraude, pede desculpas e d curiosas indicaes sobre a sua pessoa.

O verdadeiro Chat