Revista Mosaico - 47

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Revista Metodista

Text of Revista Mosaico - 47

  • Mosaico Apoio Pastoral Ano 18, n. 47 Faculdade de Teologia da Igreja Metodista UMESP junho/dezembro de 2010 ISSN 1676-1170-43

    apoio pastoral

    Lanamentos Editeo2. semestre 2010

    Revista CaminhandoVolume 15 - n. 2 - 2. Semestre de 2010

    Anurio Litrgico 2011

    CENTRO DE

    MEMRIAMETODISTA

    NESTA EDIO

    Memria:vida em construo

    Garantindo a permannciada memria

    Memorizar, lembrar erecordar:tarefa da Igreja

    Quero trazer memria...

    Por que umCentro de MemriaMetodista?

    A necessidade dainstitucionalizao da gestodocumental do metodismobrasileiro

    Grata Memriado Edifcio Alfa

    Guaracy Silveira: uma visoampliada do Reino de Deus

    A Casa dos Profetase seu primeiro Reitor

    pg. 3

    pg. 6

    pg. 9

    pg. 11

    pg. 12

    pg. 14

    pg. 17

    pg. 20

    pg. 23

    Grata Memria...Grata Histria!

    Voc j foi ao Centro deMemria Metodista?No? Ento, v!

    CAVE em caixas de plsticoE encontre histria

    Memrias significativas e acelebrao da sacralidade davida

    pg. 27

    pg. 30

    pg. 33

    pg. 36

    FACU

    LDADE

    DE TEOLO

    GIA

    DAIGREJA METO

    DIST

    A

    Grata Memria!

    O Essencial da Doutrina MetodistaTed A. Campbell

    Srie Cristianismo PrticoVolume 5, 6 e 7

    Informaes e Vendas Livraria da Editeo:Tel (11) 4366-5982 / 4366-5787 Fax (11) 4366-5988

    E-mail: livrariaediteo@metodista.brRua do Sacramento, 230 Rudge Ramos

    09640-000 So Bernardo do Campo SP

    ESPECIAL

    CMM

    IS

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    I SSN 1676- 1170

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    Ano 18, n 47, junho/dezembro de 2010

    Editorial

    Mosaico Apoio Pastoral

    Ano 18, n 47,Junho/Dezembro de 2010

    Publicao da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista/Universidade Metodista de So Paulo (UMESP).

    Universidade Metodista de So Paulo - Reitor: Mrcio de Mo-raes

    Faculdade de Teologia: Rei-tor/Diretor: Rui de Souza Josgril-berg Vice-Reitor: Paulo Roberto Garcia Diretor Administrativo: Oto-niel Luciano Ribeiro

    Editeo - Comisso EditorialBlanches de Paula, Helmut Renders (coordenador), Jos Carlos de Souza, Magali do Nascimento Cunha, Trcio Machado Siqueira

    Editora do Mosaico: Magali do Nascimento Cunha

    Projeto grfico: Luiz Carlos Ramos; Editorao e Arte final: Marcos Brescovici; Capa: Marcos Brescovici Edio e montagem de imagens: Marcos Brescovici; Ima-gens: sites: www.corbis.com, www.sxc.hu, Assistente de Produo: Fagner Pereira dos Santos Tiragem deste n me ro: 2.000 exem plares. Dis tri bui o gra tu i ta.

    ** * *

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    Mosaico Apoio PastoralEDITEO

    Caixa Postal 5151, Rudge Ramos, So Bernardo do Campo, CEP

    09731-970

    Fone: (0__11) 4366-5958

    editeo@metodista.br

    Editorial

    to comum ou-virmos pessoas afi rmando Bra-sileiro no tem memria, numa crtica ao fato de que caracterstico do ser brasileiro esquecer de fatos, de situaes do passado recente ou re-moto, que tm relao com o presente e o futu-ro. Essa crtica aparece frequentemente em tem-pos de eleies, quando candidatos marcados por histrias controversas, de-nncias e comprovaes

    de aes ilegais acabam sendo eleitos e perma-necem desfrutando do poder. Na verdade, me-mria todo mundo e todo povo tem, a questo se ela acionada, cultivada, conservada e estimulada ou se ela apagada, des-valorizada. Parece que na histria do Brasil, quem teve poder para dirigir a as instituies de educao, de cultura e os meios de comunicao optou por selecionar memrias que

    deveriam ser conservadas para manter este poder e apagar outras. E mais: op-tou por no dar memria social, coletiva, o valor que ela tem. Esta histria tem muito o que ser recupera-da e contada. Da mesma forma acontece com as igrejas e sua memria.

    Na caminhada de f crist, a memria um elemento fundamental. Afinal, o sentido do ser cristo e de ser igreja, ba-seado nos ensinos Jesus, tem um indicativo forte: reunir-se em memria dele. a memria de Je-sus e suas aes que do sentido ao discipulado e ao compromisso com a causa do Reino de Deus. Por isso a memria da caminhada da igreja tambm impor-tante, para se identificar quando ela esteve mais prxima deste sentido e quando ela esteve afastada. Estas aes do passado tm consequncias no pre-sente e signifi cados para o futuro. Por isso devem ser lembradas e refl etidas. Lamentavelmente h tam-bm seleo e apagamento na histria da Igreja dentro e fora do Brasil. H ain-da muito o que ser recuperado e contado...

    Como podemos ter acesso memria a Jesus e suas aes? A Bblia o registro mais signifi cati-vo que se soma a outras memrias do povo de Jesus, dando sentido f. H tambm outros registros escritos muito importantes e muita coisa por descobrir. Como podemos ter acesso me-mria do que foi a Igreja Metodista, a Protestante, e sua caminhada no Brasil de dcadas antes de ns? H registros por meio de escritos, fotografi as, obje-tos. Todos estes elementos nos ensinam e iluminam o nosso presente e futuro.

    O Centro de Memria Metodista inaugurado pela FaTeo em setembro se dispe a ser este veculo de recuperao e transmisso da memria coletiva da Igreja Metodista e das igrejas protestantes no Brasil. Um rico espao que apresentamos aqui nesta edio especial de Mosaico Apoio Pastoral, tornando possvel um conhecimento introdutrio do Centro acompanhado de um con-vite para uma visita, que certamente ser marcante

    para quem se dis-por! Boa leitura e boa visita!!

    Na caminhada

    de f crist,

    a memria

    um elemento

    fundamental

    Lembrar dar sentido ao passado,ao presente e ao futuro

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    Ano 18, n 47, junho/dezembro de 2010

    Grata Memria

    A memria tem uma funo subversiva. (...) Talvez que a memria das esperanas j mortas seja capaz de traz-las de novo vida, de forma que o passado se transforme em profecia e a viso do paraso perdido d luz a expectativa de uma utopia a ser conquistada.Rubem Alves

    Falar de me mria falar de um proces-so complexo, no um simples ato mental ou cerebral. As palavras usadas comumente para descrever a memria recordar, lembrar, evocar, reconhecer, registrar, co-memorar mostram que este conceito pode incluir variadas noes, desde uma sensao mental, in-dividual, at uma cerim-nia pblica (os chamados atos memoriais).

    Aqui, ao dedicarmos uma edio de Mosaico Apoio Pastoral impor-tncia da memria, a pro-psito da inaugurao do Centro de Memria da Faculdade de Teologia, queremos considerar um entendimento do sentido de memria que, para alm do fenmeno indivi-dual e psicolgico, a toma como um fenmeno so-cial, tal como abordado

    nas cincias humanas (em especial na Sociologia e na Histria).

    Memria, o que ?

    A origem da palavra memria remete a signi-fi cados que vo alm de lembrar e recordar.

    Ela contempla tambm o sentido de tradio, histria, narrao, monumento consagrado recordao de algum. Trata-se, portanto, de uma etimologia que se revela abarcadora das noes tanto individuais quanto sociais relativas ao termo.

    A partir desta indi-cao, possvel afi rmar que pensar a memria somente do ponto de vista individual, sem considerar o social, pens-la de forma muito pequena. possvel proceder estudos do campo psicolgico, cognitivo, neurolgico, biolgico da memria mas estes no podem estar distanciados das vivncias das pessoas. Ningum um ser isolado. Isto quer dizer que as recordaes de cada pessoa esto dire-tamente relacionadas com as experincias vividas no grupo social a que pertence.

    O estudioso da me-mria Maurice Halbwa-chs toma este referencial como ponto central do seu trabalho sobre a me-mria coletiva ao afi rmar: Nossas lembranas per-manecem coletivas, e elas nos so lembradas pelos outros, mesmo que se trate de aconteci-mentos nos quais s ns

    estivemos envolvidos, e com objetos que s ns vimos. porque, em realidade, nunca estamos ss.

    A memria coletiva

    Os estudos sociolgi-cos sobre a me-mria indicam

    que, seja como fenmeno individual ou coletivo, existem marcos, traos, elementos que passam a fazer parte da prpria pessoa ou de um grupo, que poderiam ser conside-rados formadores da me-mria. Um deles seriam os acontecimentos vividos pela pessoa ou pelo grupo social no qual est inseri-

    da. A pessoa recorda fa-tos e acontecimentos que ela viveu e experimentou mas tambm vai alm, e recorda acontecimentos da coletividade, dos quais nem sempre participou, mas que se revestem de tamanha importncia que se torna difcil con-

    Memria:vida em construo

    Magali do Nascimento Cunha

    Visitao aberta no CMM aps a inaugurao

    Arquivo FaTeo

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    Ano 18, n 47, junho/dezembro de 2010

    seguir saber se participou ou no.

    Seria um fenmeno decorrente da socializao poltica ou da socializa-o histrica, de projeo ou de identifi cao com um determinado passado, como se fosse uma me-mria herdada. possvel explicar este fenmeno com a busca de exem-plos de acontecimentos regionais ou nacionais que marcaram tanto uma regio ou um grupo, que sua memria pode ser transmitida ao longo dos sculos, com alto grau de identificao. No caso dos cristos e das crists, h toda uma memria do povo de Israel, uma memria de Jesus e uma memria da Igreja dos primeiros sculos que marcam tanto a experi-ncia religiosa, que esta passa ser a memria do grupo cristo