Revista Opiniao Juridica 04 Edt

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Text of Revista Opiniao Juridica 04 Edt

FACULDADE CHRISTUS

REVISTA OPINIO JURDICA

VERITAS ET VITA

Fortaleza, 2004

Opinio Jurdica Revista do Curso de Direito da Faculdade Christus n.04, ano 02, 2004.2 Diretor Roberto de Carvalho Rocha Vice-Diretor Jos Milton Cerqueira Coordenador-Geral do Curso de Direito Prof. Dr. Francisco Grson Marques de Lima Coordenadora de Pesquisa do Curso de Direito Prof. M. Sc. Fayga Silveira Bed Comisso Editorial Prof. Roberto de Carvalho Rocha Prof. Dr. Francisco Grson Marques de Lima Prof. M. Sc. Fayga Silveira Bed Prof. M. Sc. Nestor Eduardo Araruna Santiago Prof. M. Sc. Valeschka e Silva Braga Prof. M. Sc. Ivo Csar Barreto de Carvalho Prof. Dr. Etienne Picard (Paris I - Sorbonne) Prof. Dr. Francisco Meton Marques de Lima (UFPI) Bilbiotecria Tusnelda Maria Barbosa Correspondncia Faculdade Christus Coordenao-Geral do Curso de Direito Avenida Dom Luiz, 911 5 andar Aldeota CEP 60.160-230 Fortaleza Cear Telefone: (0**85) 3461.2020 e-mail: fc@christus.br Impresso Grfica e Editora LCR Ltda. Rua Israel Bezerra, 633, Dionsio Torres - CEP 60.135-460 Fortaleza Cear Telefone: (0**85) 3272.7844 -Fax: (0**85) 3272.6069 e-mail: graficalcr@px.com.br Capa Ivina Lima Verde Tiragem mnima 1000 exemplares

Revista Opinio Jurdica

VERITAS ET VITA

Ficha Catalogrfica Opinio Jurdica Revista do Curso de Direito da Faculdade Christus - n. 04, ano 02, 2004.2 Faculdade Christus, 2004 Opinio Jurdica - [n. 4] Fortaleza: Faculdade Christus. [2004]v. I. Direito CDD : 340Dados internacionais de catalogao na publicao (CIP).

APRESENTAOPrezado leitor: O Curso de Direito da Faculdade Christus tem a grata satisfao de publicar mais um exemplar da sua Revista Opinio Jurdica. E o faz trazendo mais novidades, tanto nos pontos enfrentados pelos articulistas, quanto na atualidade dos textos, resultado da periodicidade certeira da publicao, em tempo ideal para acompanhar as modificaes por que passa o Direito. Este nmero traz uma parte especial, dedicada doutrina estrangeira, com textos dos professores Eric Millard e Friedrich Mller, o que demonstra o carter internacional da edio, com relevante contribuio de doutrinadores de outros pases. No mbito nacional, a qualidade dos artigos continua notvel, inclusive com os primeiros comentrios Emenda Constitucional n 45/2004, referente Reforma do Judicirio, e a participao de professores de outras Instituies de Ensino, tais como USP , UFSC, UFMG, entre outras. No h enfoque de apenas um ramo especfico do Direito; preferiu-se permear o Direito Tributrio, o Direito Processual, o Direito Internacional, o Direito Processual Penal, etc. A diversidade dos assuntos enriquece a publicao e a torna mais acessvel aos vrios aplicadores do Direito. Fruto de um minucioso trabalho de equipe, desempenhado com muita seriedade pela Coordenadora de Pesquisa do Curso de Direito e por professores da casa, a revista avana rapidamente e ganha cada vez mais adeptos no pas todo, o que de suma importncia para a troca de idias, o enriquecimento dos debates democrticos e a divulgao da Cincia Jurdica. exatamente este o nosso compromisso. Boa leitura e at breve.

FRANCISCO GRSON MARQUES DE LIMA Coordenador-Geral do Curso de Direito

NDICEAPRESENTAO PRIMEIRA PARTE DOUTRINA NACIONAL O interrogatrio como meio de defesa (Lei n. 10.792/03) ................................. 9 Ada Pellegrini Grinover Justia, tica e Cidadania: apontamentos para a democratizao do Judicirio ..... 22 Agostinho Ramalho Marques Neto A nova redao do art. 544, 1, CPC: autenticao de peas e responsabilidade do advogado .......................................................................... 37 Cristiano Reis Juliani De que Constituio se fala quando se fala de Constituio? ............................ 43 Fayga Silveira Bed Manicmios e o princpio da dignidade da pessoa humana: estudos preliminares luz do Direito e da Biotica ...................................................... 57 Flvio Jos Moreira Gonalves A nova competncia material da Justia do Trabalho: consideraes iniciais sobre a Emenda Constitucional n. 45, de 08/12/2004 ...................................... 69 Francisco Grson Marques de Lima Carl Schmitt, o Estado Total e o guardio da Constituio ............................... 96 Gilberto Bercovici Cobrana de IPTU sobre tmulos e similares ................................................ 106 Gladston Mamede tica e Poltica na Repblica de Plato ....................................................... 120 Hamilton Teixeira dos Santos Jnior A supremacia constitucional como garantia do contribuinte .......................... 131 Hugo de Brito Machado Contribuies sociais gerais e a integridade do Sistema Tributrio Brasileiro ....................................................................................................... 154 Hugo de Brito Machado Segundo Mediao e Casas de Mediao em Fortaleza ................................................. 169 Isabel Freitas de Carvalho O Direito e as Relaes Internacionais no pensamento de Immanuel Kant .............................................................................................. 179 Jeanine Nicolazzi Philippi

Smulas vinculante e impeditiva de recurso ................................................... 193 Jos Barcelos de Souza Tutelas de urgncia: estudo sobre cautelar e antecipao de tutela .................. 198 Juraci Mouro Lopes Filho Breves consideraes sobre a prova no processo penal dos crimes tributrios ........................................................................................... 221 Nestor Eduardo Araruna Santiago A invocao do interesse pblico em matria tributria ................................. 231 Raquel Cavalcanti Ramos Machado Poderes de investigao do Ministrio Pblico no combate corrupo ........ 245 Rosaura Moreira Brito Bastos Democracia em Aristteles ............................................................................ 252 Sidney Guerra Reginaldo Notas acerca da nacionalidade ....................................................................... 266 Valeschka e Silva Braga

SEGUNDA PARTE DOUTRINA ESTRANGEIRA Observaes sobre o significado jurdico da responsabilidade poltica ............ 281 Eric Millard verso em portugus Observations sur le significatif juridique de la responsabilit politique ........... 299 Eric Millard verso em francs Sobre Constituies 1974 .............................................................................. 316 Friedrich Muller verso em portugus ber Verfassungen 1974 ................................................................................ 323 Friedrich Muller verso em alemo

TERCEIRA PARTE LEGISLAO Emenda Constitucional n. 45 ......................................................................... 330 Ementrio de Legislao Federal .................................................................... 344

Os artigos assinados so de responsabilidade exclusiva dos autores e se encontram por ordem alfabtica dos articulistas. permitida a reproduo total ou parcial desta Revista, desde que citada a fonte.

O INTERROGATRIO COMO MEIO DE DEFESA (LEI N. 10.792/03)Ada Pellegrini Grinover*1 O interrogatrio como meio de defesa. 2 Direito ao silncio. 3 A induo ao exerccio da autodefesa. 4 A presena do defensor. 5 As reperguntas das partes. 6 O interrogatrio da pessoa jurdica. 7 A conseqncia da inobservncia das normas sobre interrogatrio: a nulidade absoluta. 8 Concluso.

RESUMO Estudo breve sobre a modificao operada no Cdigo de Processo Penal em virtude da Lei n. 10.792/03, que trata do interrogatrio do ru, direito ao silncio, autodefesa, defesa tcnica e interrogatrio da pessoa jurdica. PALAVRAS-CHAVE Interrogatrio. Direito ao silncio. Autodefesa. Defesa tcnica. Pessoa jurdica. 1 O INTERROGATRIO COMO MEIO DE DEFESA O primeiro e mais importante aporte da Lei n.10.792/03 1 , no que diz respeito ao interrogatrio, o de conceitu-lo como meio de defesa. luz deste enfoque que se explicam todas as inovaes trazidas aos artigos 185 a 196 do CPP . Antes mesmo do advento da Constituio de 1988, que consagrou o direito ao silncio, tive oportunidade de escrever a respeito do interrogatrio, considerando o pleno exerccio do direito de calar como decorrncia do fato de no existirem nus para a defesa no processo penal, em que a nica presuno a de inocncia, da decorrendo a impossibilidade de atribuir sanes, mesmo que indiretas, ao silncio do acusado. J sustentava, ento, a ineficcia dos arts. 186 e 191 do CPP 2 . poca, o Brasil ainda no havia sequer incorporado ao direito interno a Conveno Americana sobre Direitos Humanos, cujo texto fora aprovado em So Jos da Costa Rica em 22.11.1969 3 e cujo art.8o, 2, g garante o direito de o acusado no depor contra si mesmo, nem a declarar-se culpado. Como sabido, a Constituio de 1988, no inc. LXIII do art. 5o, veio consignar expressamente o direito ao silncio, assegurando ao preso o direito de permanecer calado, bem como a assistncia da famlia e do advogado.*

Ada Pellegrini Grinover professora titular de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da USP, onde rege os cursos de ps-graduao. Doutora honoris causa pela Universidade de Milo. Procuradora do Estado aposentada e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Processual. Conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil de So Paulo e diretora da Escola Superior de Advocacia.REVISTA OPINIO JURDICA

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Ada Pellegrini Grinover

Logo se viu que a garantia, estipulada aparentemente apenas em benefcio da pessoa privada da liberdade, se estendia a todos os acusados, tendo o legislador constituinte sido motivado a realar a condio do preso to s em funo de sua maior vulnerabilidade.4 Do direito ao silncio, consagrado em nvel constitucional, decorre logicamente a concepo do interrogatrio como meio de defesa. Se o acusado pode calar-se, se no mais possvel for-lo a falar, nem mesmo por intermdio de presses indiretas, evidente que o in