Revista Senge-RJ

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Edição Especial 80 anos

Text of Revista Senge-RJ

  • 19301945Comonascemos

    sindicatos noBrasil

    pg7

    19451964RepblicaDemocrtica

    pg13

    19641980Aditaduramilitar

    pg18

    19802002Onovosindicalismo

    pg21

    20022011Umsindicalistano

    podereosdesaosna

    mobilizaodacategoria

    pg33

    80anosValeuapena!

    pg36

    Sumrio

    senge-rJ 80 anos de lutas uma publicao do sindicato dos engenheiros no estado do rio de Janeiroeditores: tania Coelho e eduardo s, Pesquisa: Demian Melo, reviso: eduardo s, Comunicao senGe-rJ: Katarine Flor, Celia satil, Programao Visual:

    espalhafato/stefano Figalo, Produo: espalhafato Comunicao, Fotos: Arquivo senge, Adriana Medeiros, J. r. ripper, Capa: J.r. ripper/imagens humanas.

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  • etlio Vargas chega aopoder na chamadarevoluo de 1930. o Brasilrealiza mudanas profundas

    em direo ao seu desenvolvimentocapitalista. Devido crise doliberalismo econmico a partir 1929, oestado se reorganiza e passa a intervirna economia de maneira planejada. em funo da modernizao o eixoeconmico de produo se industrializa,invertendo em 10 anos a dinmica daeconomia brasileira para taxas mdiasanuais de 11,3% da produo daindstria contra 1,2% da agricultura de exportao.

    no plano ideolgico isso se expressana incorporao de noescorporativistas de organizao dasociedade e do estado. A existncia de interesses distintos entreempresrios e trabalhadores reconhecida, mas arma-se a

    possibilidade de concili-los atravs damediao de um estado forte. Aquesto social, vista como umproblema policial na repblica Velha,torna-se uma importante questopoltica. os conitos entre empregadose empregadores, entre as classessociais, passam para a regulaoestatal. os critrios socialmente aceitospara o exerccio de certas prossestambm so objetos de legislao.

    Com esse novo esprito, o Decreto-lein 19.770, de maro de 1931, tambm conhecido como lei desindicalizao, cria a estrutura sindicalbrasileira. os sindicatos j existentesso obrigados a se enquadrar sregras de funcionamento denidas pelo estado, caso contrrio no seriam reconhecidos pelo Ministrio do trabalho e seus associados nousufruiriam da legislao socialexistente. Diversas categoriais

    prossionais no sindicalizadas, porsua vez, criaram tais entidades combase na nova legislao.

    PRIMEIRO MANIFESTO

    nesse contexto que, em 22 desetembro de 1931, foi criado por umgrupo de jovens engenheiros osyndicato Central dos engenheiros.Como descreveria alguns anos depoiso seu primeiro presidente, Jos Furtadosimas, numa bela tarde de setembrode 1931 alguns engenheiros sereuniram na sede da Unio dosempregados do Comrcio earregimentavam-se sindicalmente, a mde trabalhar em cooperao com oGoverno Provisrio. Antes disso, amais importante associao de classedos engenheiros era o Clube deengenharia, fundado em 1880 no riode Janeiro, ento capital do pas. Coma repblica, surgiram posteriormente

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    Primeira reunio da Comisso encarregada de estudar a regulamentao da profisso dos engenheiros, realizada em

    25 de maio de 1933, na Diretoria do Povoamento, a convite do sr. Ministro do trabalho. Ao centro, de culos, o primeiro

    presidente do sindicato Central dos engenheiros, Furtado simas, um dos principais animadores da campanha1930

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    associaes de classe emdiversas unidades da federao,com destaque para o instituto deengenharia, fundado em 1917 nacidade de so Paulo. em 1929 foicriada a sociedade Brasileira deengenharia. estas duas entidadestiveram destacada atuao nacampanha pela regulamentaoda prosso, ao lado do Clube deengenharia e do prprio sindicato.

    no manifesto de fundao dosyndicato pode-se ler algumasdas suas intenes originais:

    pleitear do Governo leis queprotegessem os interesses dosengenheiros nacionais contra aintromisso indbita dos leigosestrangeiros; promover estudos para aracionalizao da produo, circulao,distribuio e consumo das utilidadesdentro do territrio nacional; a criaode um Departamento de engenhariaexperimental; assegurar aos engenheirosa direo de indstrias e organizaestcnicas; modernizao e criao deaparelhos educativos para a formaode quadros tcnicos, etc.

    em 12 de abril de 1932 o presidente dosindicato envia ao Ministro do trabalhoum ofcio, com base na racionalizaoda produo, buscando apresentar acontribuio dos engenheiros para aresoluo da grave crise econmicapor que passava o pas. o ofcioprope ao Ministrio do trabalho umacomisso de salvao da economianacional, composta por tcnicos doprprio Ministrio e das demaisassociaes de classe, com vistas aelaborar um plano econmico geral.

    Participantes de conferncia sobre o petrleo realizada em 9 de fevereiro de 1939, no Clube de engenharia. Desde as primeiras discusses sobre o tema noBrasil, o sindicato sempre teve uma posio pelo monoplio estatal do petrleo

    Fac-simile do decreto da regulamentao da prosso,

    datado de 11 de dezembro de 1933, fato que levou

    comemorao, nesta data, do Dia do engenheiro

    Documento da Polcia Civil do DistritoFederal ao sindicato, pela Delegaciaespecial de segurana Poltica e socialinformando a priso dos engenheirosGasto Pratti de Aguiar, Caetano Pereira eJoaquim Francisco da silva. o primeiro acusado de ter sido o orientador da grevenas obras do edifcio do Ministrio daJustia e foi demitido, enquanto os doisltimos foram presos tambm comoagitadores comunistas que teriamprotestado contra a demisso e priso do primeiro. Gasto Aguiar tambmacusado de ter participado do levantealiancista de 27 de novembro de 1935.

    Arquivo senGe/rJ

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    Uma das principais tarefas dosyndicato, durante seus primeiros anos de existncia, foi sua importanteparticipao na campanha daregulamentao da prosso doengenheiro. Faltava proteo aosprossionais formados, e que tambmlhe indicassem atribuies, deveres eobrigaes adequadas. nessa pocaforam implantadas novas estruturasmetlicas e o concreto armado, umaverdadeira revoluo tcnica naconstruo civil, alm de outrosprocessos que exigiam especializao.A regulamentao da prosso eranecessria, devido ao nvel de saber tcnico exigido para amodernizao econmica.

    no entanto, setores ainda identicadoscom o pensamento liberal ematerialmente ligados a outrosinteresses insurgiram-se contra. osjornais criticavam uma interfernciaindevida do Ministrio do trabalho,revelando as suas convices liberais.Para o Dirio Carioca, por exemplo, a

    regulamentao seria ummonstrozinho em projeto que, sub-repticiamente, com ps de l, sepretende introduzir na legislaobrasileira. A oposio de classe maisexpressiva veio dos empresrios daconstruo civil, e o Jornal do Brasilreforou seus reclamos alertando parapossveis problemas econmicosdecorrentes da lei, como o fechamentode muitos negcios e a demisso deoperrios. Mas esta grita no impediuque as bases fossem mobilizadas pelosyndicato Central dos engenheiros eseus parceiros.

    os dois primeiros presidentes dosindicato, os engenheiros Jos Furtadosimas (que voltaria a ocupar apresidncia do sindicato entre 1938 e1943) e Csar do rego Monteiro Filho,se destacaram nesta campanhaassumindo posies nas principaiscomisses elaboradoras do cdigoprossional. Foram veiculados tambmanncios no rdio, o principal meio decomunicao de massas naquela

    poca, e artigos em jornais e revistas.em 10 de maio de 1933 o Ministrio dotrabalho concedeu a carta dereconhecimento para o sindicato, quepassou a ser denominado syndicatonacional dos engenheiros, e em abrildeste mesmo ano instituiu umacomisso encarregada de redigir otexto da lei sobre a regulamentaodas prosses de engenheiro, Arquitetoe Agrimensor. na verdade, a prossode agrimensor j estava regulamentadadesde 1887, atravs do decretoimperial n 9.827, mas a nova lei tratoudas trs prosses conjuntamente.

    o relator do projeto de lei foi opresidente do sindicato, Csar do rego Monteiro Filho, e o engenheiroDulphe Pinheiro Machado, Diretor doDepartamento de Povoamento, teve opapel de dirigir essa Comisso.representantes de outras entidadestambm participaram. Como umaconsolidao de vrios estudos eprojetos, alguns apresentadosanteriormente ao prprio Governo, em 11 de dezembro de 1933 o DecretoFederal n 23.569 regulamentou aprosso de engenheiro. no captulo 3,em 1966 tal decreto foi revogado pelalei no 5.194/66 de 24 de dezembro,que a vigente. o sindicato teve umaparticipao decisiva nesse processo.

    EXERCCIO PROFISSIONAL

    o decreto estabeleceu que s seriapermitido aos diplomados eminstituies nacionais o exerccio dasprosses de engenheiro, arquiteto eagrimensor. no caso dos diplomadosno exterior, estes deveriam revalidar osttulos. os estudos, projetos, laudos etc.s poderiam ser submetidos ajulgamento pblico quando executadospor prossionais habilitados; o mesmopara desenhos, oramentos, plantas edemais documentos, sendo obrigatrioque o responsvel anotasse seu ttulo enmero de registro. todas as rmas,sociedades, empresas etc., queoperassem na rea de engenhariadeveriam ter prossionais habilitadoscomo responsveis, a mesmaobrigao existindo tambm naadministrao pblica. tais foram asprincipais diretrizes da lei deregulamentao.

    Campanhaderegulamentaodaprosso

    homenagem dos engenheiros do instituto de engenharia de so Paulo, em visita ao sindicato nacionaldos engenheiros, em 16 de dezembro de 1939, j com a presena das mulheres

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