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1 março 2012 | | Revista dos antigos alunos do Santo Inácio N°1 | março | 2012 >Transformando pela educação: creche e pré-escola no Santa Marta >Conheça o novo reitor do CSI >Presidente da Firjan lembra de seus tempos de aluno >PUC terá parceria com CSI na área ambiental Um novo ponto de encontro Antigos alunos ganham uma revista oficial para manterem-se informados sobre o CSI e os trabalhos feitos por sua associação, além, é claro, de saber mais sobre seus colegas de colégio 9912290225/2012-DR/RJ Motta Lima

Revista Sino - março/2012

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Revista dos antigos alunos do Santo Inácio, edição de março de 2012

Text of Revista Sino - março/2012

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    >Transformando pela educao: creche e pr-escola no Santa Marta

    >Conhea o novo reitor do CSI

    >Presidente da Firjan lembra de seus tempos de aluno

    >PUC ter parceria com CSI na rea ambiental Um novo ponto

    de encontroAntigos alunos ganham uma revista oficial

    para manterem-se informados sobre o CSI e os trabalhos feitos por sua associao, alm, claro,

    de saber mais sobre seus colegas de colgio

    9912290225/2012-DR/RJMotta Lima

  • 4 quadras poliesportivas com arquibancada para 500 alunos

    Palco com 18m para atividades scio-culturais

    Piscina aquecida e coberta

    Espao de convivncia (com jogos como tot e ping-pong)

    Campo de futebol

    Ginsio

    Churrasqueira

    Departamento Mdico

    Espaos para mltiplo uso

    Estrutura de som, bebedouros, vestirios, sanitrios e equipamentos localizados prximos aos espaos onde as atividades sero realizadas

    2 salas com equipamento multimdia

    Aponte o leitor de QR Code de seu celular e acesse o site de onde voc estiver

    CESI - Centro Esportivo Santo Incio

    +fotos emwww.revistasino.com.br

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    N1 | maro | 2012

    Antigos alunos mantm projeto educacional, com creche e pr-escola, no morro Santa Marta. Os planos so de crescimento e o sonho dobrar a capacidade de atendimento. Saiba como o espao funciona atualmente.pgina 12

    Reitor da PUC, padre Josaf fala sobre meio ambiente. Ele parte da Campanha da Fraternidade de 2011, passa pela formao de bilogos e a conscientizao da populao e finaliza com questo nacionais, como o cdigo florestal.pgina 20

    Neste perfil sobre o novo reitor do CSI possvel conhecer um pouco sobre o padre Monnerat, este jesuta nascido na Regio Serrana do Rio de Janeiro e com passagens por Belo Horizonte, Campinas e Roma. Ele foi reitor do colgio Loyola, em BH.pgina 9

    O antigo aluno que virou matria nesta primeira edio da revista o presidente do Sistema Firjan, Eduardo Eugenio Gouva Vieira, formado em 1965. Ele falou de seus tempos de colgio e sobre a importncia de sua formao.pgina 6

    Projeto organizado pela equipe de Formao Crist do CSI tem levado estudantes para conhecer, na prtica, questes de relevncia social. Um grupo j esteve no lixo de Gramacho e alunos se mobilizaram para ajudar catadores.pgina 20

    Conselho Editorial Pe. Luiz Antonio de Arajo Monnerat, SJ; Vera Porto; Teresa Tang; e Maria Jos BezerraJornalista Responsvel Pedro Motta Lima (JP21570RJ) ([email protected])Projeto Grfico Ana Mansur ([email protected])Diagramao Daniel Tiriba ([email protected])Fotografia Rafael Wallace ([email protected])Reviso Andr Motta Lima Contato Publicitrio 21 2421 0123Produo ML+ (Motta Lima Produes e Comunicao) Tiragem 6 mil exemplaresGrfica Walprint

    Fale Conosco [email protected] de antigos alunos do Colgio Santo IncioRua So Clemente 226 | CEP 22260 000Rio de Janeiro | RJTelefones (21) 2537 8646 | Fax (21) 2266 5367

    Anuncie na Sino (21) 2421-0123

    Revista dos antigos alunos do Santo Incio

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    ed

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    al

    A SINO nasce com a inteno de manter o antigo aluno em contato com seus colegas e com o colgio. Mas vai alm. A revista, que ser bimestral, quer oferecer um material de qualidade, com matrias sobre temas atuais e informaes sobre o CSI, para que mesmo fora do colgio saibamos o que acontece dentro da escola. Alm disso, vamos abrir espao para perfis e opinies de ex-alunos, que a razo de nossa existncia. E tudo isso ser feito de forma autossustentvel, para usarmos uma palavra que est na moda (merecidamente, diga-se de passagem). A revista no pretende gerar custos para a associao dos antigos alunos, mesmo mantendo a poltica de entregar o material gratuitamente na casa de todos aqueles que esto cadastrados (por sinal, no deixem de fazer o novo cadastro e de indicar o site para seus colegas: www.santoinacio-rio.com.br/exaluno.html.Por isso, vamos abrir espao para anncios e queremos contar com o apoio e a parceria de empresas que queiram divulgar seus produtos e servios entre os ex-alunos do CSI. Com a receita obtida esperamos,alm de cobrir todos os custos da Sino, ampliar os projetos sociais da Asia. Ou seja, o anunciante, alm de fazer divulgao tambm investe em responsabilidade social. Por sinal, o mais antigo projeto social da associao, a creche no Santa Marta, ter, no por acaso, um destaque especial nesta primeira edio.A publicao ser bimestral e as sugestes sempre sero muito bem recebidas. J antecipamos que vamos mostrar todos os trabalhos sociais da associao, como uma prestao de contas. Afinal, queremos que todos colaborem e a transparncia fundamental para obtermos a confiana de vocs.Espero que vocs gostem.

    Pedro Motta Lima (94)[email protected]

    Uma revista e vrias intenes

    A Sino sua: participeEnvie histrias, fotos e informaes e ajude a

    manter viva a memria dos antigos alunos

    [email protected] | facebook.com/RevistaSino

    divulgao CSI

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    ba

    da

    la

    da

    s

    compro livrosAv. Rio Branco, 185 / Loja 10 - Centro

    [email protected]

    (21) 2215 3528

    Compra e venda de livros e CDs usados

    Vestibular comunitrio faz a diferena e ganha prmio do jornal O Globo

    O curso de pr-vestibular comunitrio InVest, que nasceu dentro do CSI, pelas mos do antigo aluno Fbio Campos (96), ganhou

    o prmio Faz Diferena, do Jornal O Globo, na categoria Pas. Todo feito por voluntrios, o curso voltado para alunos de

    baixa renda do Rio de Janeiro. Fundado em janeiro de 1998, o InVest entra no 15 ano de funcionamento tendo recebido mais

    de 1.500 alunos, sendo que aproximadamente 200 conseguiram vagas nas melhores universidades do Rio de Janeiro, tanto

    pblicas quanto privadas. Atualmente o curso oferece 150 vagas por ano. possvel obter mais informaes sobre o curso no

    endereo http://cursoinvest.wordpress.com, onde interessados podem inscrever-se como voluntrios em diversas funes, como:

    administrao, aulas, monitorias, orientao vocacional, preparao de material didtica e psicologia, por exemplo.

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    ex

    -a

    lu

    no

    Nos ltimos tempos tm sido constantes as aparies na mdia do atual presidente da Federao das Indstrias do Rio

    de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugnio Gouva Vieira (65). Por vezes ele surge para defender os interesses de sua categoria nada mais normal para o cargo que ocupa , mas muitas outras vezes o empresrio vem a pblico para falar de coisas como cursos profissionais em reas pacificadas da cidade ou investimentos em cultura, como a recente compra pelo Sistema Firjan do casaro da famlia Guinle Paula Machado (em frente Igreja do CSI) para a criao de um polo de indstria criativa. Sempre atitudes que procuram fazer com que o Rio de Janeiro aumente sua relevncia no cenrio nacional e internacional.A explicao para estes atos tem um vis bastante racional no existe empresa de sucesso em uma sociedade esgarada , mas no surpreende aqueles que conhecem este morador do bairro do Humait e antigo aluno do CSI. A educao jesuta me ensinou com clareza a necessidade do bom combate, que a luta maior, mais nobre, que deixa de lado um pouco o pessoal pelo coletivo. Por mais que o sujeito no tenha f, no h como no ter esta influncia, afirma Eduardo Eugnio, que mantm contato com seus colegas de turma. Pelo menos uma vez por ano, em dezembro, nos encontramos. Tenho um colega, o Eduardo Motta May, que organiza os encontros. Assim mantemos viva a chama, contou.

    Dividindo para crescerEduardo Eugnio usa o que aprendeu

    no colgio para pautar sua atuao

    divulg

    ao

    Firja

    n EX-ALUNO EM DESTAQUE

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    Durante a conversa com a equipe da

    SINO, Eduardo Eugnio lembrou de uma

    srie de histrias de sua poca de aluno

    do colgio, quando apenas meninos eram

    aceitos pelo CSI. Engraado, os meus

    amigos, at hoje, so os do colgio, no

    da universidade. No sei se assim com

    todo mundo, afirmou ele, que filho de

    um antigo aluno e teve filhos estudando

    no CSI, assim como irmos. Segundo Edu-

    ardo, os tempos de colgio eram muito

    divertidos. O teatro era muito bonito e

    sempre passavam filmes de noite. Lembro

    que o (Arnaldo) Jabor j era o organizador.

    Eu saa da minha casa, de bonde, e ia ver.

    Quando tinha alguma cena mais quente

    tinha um padre que tocava um sino e a luz

    se apagava, diverte-se.

    Eduardo Eugnio ainda lembra de

    sua fase como colaborador da revista

    A Vitria Colegial. Era uma publicao

    interna sobre esportes, excurses e pas-

    seios feitos pelos alunos. Mas o melhor

    de tudo que, por ser colaborador, eu

    tinha uma espcie de passe livre para

    circular pelos corredores at mesmo nos

    horrios de aula, recorda-se. Por sinal,

    alguns dos professores continuam con-

    vivendo com os alunos de sua turma. O

    Mota, professor de fsica, ia s nossas

    reunies, conta ele, que j teve scios

    colegas de colgio. Eu achava mais f-

    cil. Por mais que tivssemos diferenas,

    eu sabia o que eles tinham aprendido

    na escola. Sempre h algo em comum,

    acredita, antes de lembrar das condeco-

    raes para os bons alunos. Era uma

    espcie de hierarquia. O mximo que

    consegui foi ser lorde, que era o ttulo

    mais rasteiro. Tinha imperador, prncipe,

    duque e conde. O pessoal da famlia

    Gadelha era sem-

    pre imperador.

    Tinham uns caras

    que eram feras.

    A religio tam-

    bm sempre es-

    teve presente em

    sua vida. Meu pai

    tinha amigos jesu-

    tas que frequen-

    tavam a nossa

    casa. At hoje sei

    identificar quando

    o padre jesuta,

    lembra-se. No co-

    lgio, toda sexta-

    feira era dia de se confessar. Tinha fila

    de gente para os padres mais avanados,

    que eram mais populares entre os alunos.

    Lembro-me que o padre Leme Lopes era

    o mais popular. Ele era muito preparado,

    liberal, mas tinha mania de Carlos Lacer-

    da (nota do editor: jornalista e poltico,

    foi governador do estado da Guanabara.

    Inicialmente ligado ao movimento comu-

    nista, rompeu com esta corrente ideolgi-

    ca e se tornou uma das principais vozes

    conservadoras do Brasil), conta. E no

    eram poucos os padres professores. A

    convivncia com eles era tima. Lembro

    do padre Faria, que foi prefeito da escola

    e era excelente, e do padre Angelim, que

    depois at largou a batina. Os retiros na

    Casa da Gvea tambm foram lembrados

    pelo presidente da Firjan. Eram trs dias

    de muito silncio e reflexo. Para conver-

    sarmos, usvamos os canos das pias que

    ficavam nos quartos. O contato com os

    jesutas continuou, mesmo depois de ter

    sado do colgio. Fiquei muito ligado ao

    padre Luis Fernando Klein. Ns trocamos

    e-mails, disse.

    Como qualquer colgio, principalmen-

    te os frequentados apenas por meninos,

    volta e meia havia algum desentendimen-

    to. A esquina das ruas Mariana com So

    Clemente era o ponto das brigas. Quando

    algum se desentendia soltava logo um

    te pego na Mariana, conta, rindo. Mas,

    por acaso, esta esquina voltou ao dia a dia

    deste ex- aluno. Vamos re-

    formar o casaro da famlia

    Guinle Paula Machado para

    instalar um polo de refe-

    rncia para a indstria cria-

    tiva do Rio de Janeiro, que

    engloba cinema, teatro,

    televiso, moda, design,

    computao... E espero que

    o espao seja bastante fre-

    quentado pelos alunos do

    Santo Incio, contou Edu-

    ardo Eugnio.

    Esta casa tem muita

    relao com o colgio, pois

    dona Celina, a proprietria,

    que era amiga de minha me, frequenta-

    va bastante a igreja do Santo Incio e foi

    responsvel pela construo da capela da

    Congregao Mariana, que fica logo ao

    lado. Quando entrei na casa recentemen-

    No existe empresa

    de sucesso em uma

    sociedade esgarada

    Dividindo para crescerEduardo Eugnio foi colaborador da revista A Vitria Colgial, que circulava internamente, no CSI. Abaixo ele participa da tradicional foto de turma

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    te, por conta da compra pela Firjan, pude

    ver o que estava escrito no topo da igreja

    do colgio, contou. O palacete em estilo

    renascentista francs tem 1,5 mil m de

    rea construda em um terreno de 8 mil

    m e foi comprado em 29 de abril do ano

    passado por R$ 11 milhes pelo Sistema

    Firjan. O local ter um moderno teatro,

    salas de aulas e rea para exposies. A

    expectativa era de que as obras durassem

    18 meses. Para contrastar com o esti-

    lo clssico da casa, vamos construir um

    prdio bem moderno ao lado, anunciou

    Eduardo Eugnio.

    E este no o nico investimento dire-

    cionado por ele para o entorno do colgio.

    Na comunidade do Santa Marta, a Firjan

    se faz presente com aulas de vlei, cursos

    de educao oramentria e informtica,

    ginstica e aulas de teatro para a terceira

    idade. Tambm so feitas excurses a te-

    atros do Sistema Firjan, que inclui Sesi e

    Senai, com as crianas da comunidade. E

    o investimento continua, pois est no pla-

    nejamento da instituio a instalao do

    projeto Indstria do Conhecimento, um

    espao multimeios com acesso gratuito

    informao em diferentes mdias, como li-

    vros, peridicos, gibis, CDs e DVDs, alm

    de acesso internet e inmeras atividades

    de leitura, lazer e cidadania. Estamos to-

    talmente engajados para transformar as

    vidas, principalmente dos jovens, em todas

    as esferas da nossa competncia, na ques-

    to da educao, do reforo escolar, do

    esporte, da sade e da cultura. Isso fun-

    damental para se viver. fundamental para

    a cidadania, afirma Eduardo Eugnio.

    O palacete que fica em frente ao colgio vai se transformar em um complexo com teatro, salas de aula e espao para exposio

    divulgao Firjan

  • Arquitetura, Matemtica, Fsica ou o sacerdcio? Como boa parte dos jovens, o Reitor do Colgio Santo Incio, padre Luiz Antonio de Arajo Monnerat custou a reconhecer que sua vocao principal era a religiosa. O chamado aconteceu em fins da dcada de 1970, aos 26 anos, quando a proximidade com os jesutas do Colgio Anchieta, em Nova Friburgo, onde era professor, o levaram a perceber que deveria se entregar ao sacerdcio.

    pe

    rf

    il

    colgiosPadre Monnerat

    tem o primeiro contato com jesutas em colgio de Nova

    Friburgo, Regio Serrana do Rio

    Histriapormarcada

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    Uma entrega qual chegou a esboar

    alguma resistncia, reconhece. Quase de-

    sistiu de uma entrevista para o noviciado

    da companhia de Jesus, marcada para o

    feriado de 7 de setembro, em Itaici, So

    Paulo, porque pretendia acampar no Rio

    de Janeiro. Um amigo lhe deu uma bron-

    ca vocacional, lembra: Ele disse que eu

    precisava pensar direito sobre meu futu-

    ro. Durante a noite, ento, Monnerat

    foi at a capela do Colgio Anchieta, na

    esperana de que Deus lhe falasse cla-

    ramente. Fiquei um tempo ali e nada.

    Comecei ajoelhado, sentei, deitei e nada!

    Deus no abria a boca! Por fim, abri um

    livro de santos que ficava sempre ali, na

    estante. Lembro-me que era dia 20 de

    agosto, dia de So Bernardo. O texto dizia

    mais ou menos o seguinte: por que me

    resiste? Desposa-me. Aquilo me tocou

    profundamente e me deu uma certeza in-

    terior de que o Senhor me chamava.

    Chamado percebido, ele seguiu para

    o acampamento com os alunos em Ar-

    raial do Cabo. Chovia muito e, na Praia

    Grande, apesar do mar agitado, fui nadar.

    Depois de um tempo, no conseguia mais

    voltar. Deixava o corpo afundar, tocava o

    p no cho e emergia. Pedi ajuda, mas con-

    segui sair sozinho. Foi um susto terrvel,

    conta. Salvar-se do afogamento reforou

    a deciso j tomada, mesmo sem o apoio

    integral da famlia. A me no gostou, as

    irms imaginaram que ele desistiria. O pai,

    mais religioso, aceitou plenamente a esco-

    lha deste fluminense de Cordeiro, cidade

    na Regio Serrana do Rio de Janeiro, que

    assumiu a reitoria do Santo Incio no pri-

    meiro semestre deste ano.

    A vida eclesistica o levou a frequen-

    tes mudanas. A adaptao a diferentes

    locais alterou um pouco seu sotaque,

    que lembra a fala dos mineiros. Afinal,

    ele passou cerca de onze anos em Belo

    Horizonte, teve diversas atribuies

    dentro da Companhia de Jesus at, em

    2009, surgir o convite para ser reitor do

    Colgio Loyola. Foi minha volta aos co-

    lgios. No esperava isto para a minha

    vida. Quando entrei na Companhia de

    Jesus queria trabalhar com ndios. Depois

    quis ser padre operrio, por influncia da

    Teologia da Libertao, afirma, sem, no

    entanto, lamentar os caminhos trilhados:

    Tive experincias riqussimas em todos

    os lugares por onde passei.

    O professor

    Nascido em uma famlia catlica,

    nico filho homem ao lado de sete ir-

    ms, o reitor do CSI recebeu seus pri-

    meiros ensinamentos em uma escola

    protestante, o Cefel, em Nova Friburgo.

    Enquanto estudava, trabalhava como

    office boy em uma fbrica de platina-

    dos da cidade. Concluiu os estudos em

    Niteri, onde pretendia seguir Arqui-

    tetura, desejo enfraquecido depois de

    trabalhar em um escritrio, colaboran-

    do no desenho de projetos.

    Descobri as restries criatividade

    do arquiteto, quando eu sonhava em ser

    um Niemeyer na vida. Decidiu, ento,

    prestar vestibular para Fsica, porque a

    curiosidade o levava a imaginar desven-

    dar os segredos da natureza. Um ano

    aps iniciar o curso, trancou a matrcula e

    retornou a Cordeiro. A me passava por

    srias dificuldades financeiras na peque-

    na confeco que dirigia. O pai, que fica-

    ra cego quando Luiz Antonio tinha doze

    anos, era aposentado por invalidez. Fui

    ajudar no sustento da casa, recorda.

    Os estudos ficaram em segundo pla-

    no at que uma namorada, estudante de

    Histria, conseguiu-lhe uma vaga como

    professor de Fsica na rede pblica. Para

    ser contratado eu precisava estar cur-

    sando uma faculdade. Comecei, ento,

    meu curso de Matemtica em Friburgo.

    Nessa poca, Monnerat fez amizade com

    o padre da parquia de Cordeiro. Foi o

    primeiro momento em que pensei em ser

    padre, embora, desde criana cultivasse

    planos de casar e ter muitos filhos. J ha-

    via at desenhado a planta da casa onde

    iria viver com minha famlia, conta.

    Em 1975, recusou o convite para le-

    cionar no Colgio Anchieta, em Friburgo.

    No me considerava preparado para o

    Anchieta, que estava no topo das insti-

    tuies de ensino da regio, explica. No

    ano seguinte, aceitou dar aulas de Mate-

    mtica para a 5 srie. Em 1977, passou

    a coordenar a 7 e a 8 sries.

    Em Roma, com seus colegas de turma da Faculdade Gregoriana

    Dando a comunho durante sua ordenao como padre, em Cordeiro, sua cidade natal

    Fotos: lbum de fam

    lia

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    A formao para o sacerdcio

    As interrupes nos estudos foram

    uma constante na vida de Luiz Antonio

    Monnerat. Ao decidir abraar o sacer-

    dcio, ele trancou a faculdade no ltimo

    perodo de Matemtica, seguindo para

    o Noviciado dos jesutas, em Campinas,

    So Paulo. Depois de um ano, interrom-

    peu o noviciado para concluir Matem-

    tica. Em 1980, foi fazer o Juniorado em

    Joo Pessoa, vivendo em Bayeus, na pe-

    riferia da capital paraibana.

    Estvamos sempre em contato com a

    populao mais pobre, principalmente na

    cidade Cruz do Esprito Santo. Havia muitos

    trabalhos de conscientizao, inspirados na

    Teologia da Libertao. Era uma rea de

    muitos usineiros. Na poca, nos posicio-

    nvamos contra o Incra, que queria tirar

    o pessoal da terra. Foi um perodo muito

    interessante. O bispo de l era Dom Pel,

    bastante sensibilizado com a situao dos

    mais pobres e oprimidos, conta.

    A prxima parada foi em Belo Hori-

    zonte, onde comeou a estudar filoso-

    fia e fez pastoral no bairro de Lindeia,

    seguindo, ento para So Paulo, onde

    cursou trs meses de Magistrio. De l,

    transferiu-se para Roma a fim de estudar

    Teologia na Faculdade Gregoriana. Trs

    anos mais tarde, retornou ao Brasil para

    fazer mestrado em Belo Horizonte, de-

    pois de ordenar-se, em 18 de dezembro

    de 1988, em sua cidade natal. Nessa

    poca minha me j tinha se acostuma-

    do com minha deciso e estava bastante

    orgulhosa do filho, diverte-se.

    De mestre de novios a diretor de colgio

    A primeira misso seria como mes-

    tre de novios em Campinas. J sabia

    da minha destinao, ento direcionei

    o mestrado para a rea da espiritua-

    lidade, em 1989. O tema, Uma nova

    leitura das experincias e provas do no-

    viciado, ajudou bastante no desem-

    penho da funo. Antes de fixar-se

    em Campinas, no entanto, devia cum-

    prir algumas etapas de formao. Eu

    precisava me tornar um jesuta pro-

    fesso. Era a minha terceira provao,

    uma espcie de segundo noviciado.

    Viajou para Salamanca, na Espanha, e

    passou sete meses estudando.

    Em Campinas tinha como principal

    atribuio introduzir os jovens vocaciona-

    dos na vida religiosa da Companhia, o que

    fez at 2005, quando tirou um semestre

    sabtico em Roma para estudar temas

    de interesse pessoal. Na volta ao Brasil,

    a experincia de dirigir o Colgio Loyola o

    creditou a assumir o Santo Incio, a con-

    vite do antigo reitor, padre Mieczyslaw

    Smyda - que acabara de tornar-se provin-

    cial da Companhia de Jesus. O volume de

    trabalho no o assustou. Nem tive tempo

    de sentir medo. So 4.300 alunos, trs tur-

    nos de aulas, da manh at a noite. Mas

    sabia que contaria com uma equipe de ex-

    celncia, desde os professores a todos os

    demais colaboradores, diz.

    A preocupao com a preservao

    e proteo ao meio ambiente o levou a

    determinar que o Santo Incio se inte-

    gre em um grande projeto de sustenta-

    bilidade. Acho que minha grande con-

    tribuio, alm de manter a qualidade

    acadmica do Colgio, ser a de tornar

    o Santo Incio mais verde, afirma.

    As primeiras medidas j esto sendo

    traadas.Em reunio com o Padre Jo-

    saf (reitor da PUC-Rio), comeamos a

    pensar em montar uma grande parceria.

    Ainda estamos conversando para ver o

    que faremos, mas o importante que

    existe a vontade de ambos os lados. A

    adequao do colgio s boas prticas

    ambientais ser nosso grande desafio,

    adianta o Reitor do Santo Incio, que,

    nas (poucas) horas vagas aproveita para

    ler, assistir a filmes e planejar viagens

    de lazer. Entre os destinos, Cordeiro,

    para longas caminhadas e o reencontro

    com a famlia.

    Cumprimentando o Papa Joo Paulo II durante a visita anual feita pelos papas Igreja de Santo Incio, em Roma

    Discursando durante uma cerimnia de formatura de alunos do Colgio Anchieta, em Nova Friburgo

  • 12

    mar

    o 2

    012

    | |

    H quase 32 anos,

    um prdio no p do

    morro Dona Marta

    o porto seguro

    para muitas crianas daquela

    comunidade. E no s das

    crianas, pois os pais sabem

    que quando deixam seus

    filhos na porta daquele edifcio

    eles sero bem cuidados e

    que, quando forem busc-

    los, encontraro, a cada dia,

    crianas mais bem educadas e

    preparadas para buscar uma

    vida melhor. Eu estudei aqui

    e isto foi muito importante

    para a minha formao. Hoje

    em dia trabalho na pr-

    escola e meus dois filhos j

    passaram por estas salas e

    foram para colgios da rede

    pblica, mas vm para c

    fazer reforo escolar. Fico

    tranquila quando eles entram

    neste prdio, pois sei quem

    est cuidando deles, explica

    Rose de Carvalho, 33 anos.

    Ela uma das funcionrias

    da ASIA responsvel pela

    limpeza do edifcio que abriga

    a Unidade de Atendimento

    ao Pr-Escolar (Unape), ou

    simplesmente a creche do

    Santa Marta, como o local

    era conhecido pela maioria

    dos alunos do CSI.

    grandeAssociao planeja reformar o prdio que

    abriga a pr-escola e sonha em levar ensino fundamental para o Santa Marta

    Alunos da Creche Santa Marta preparados para o almoo, uma das refeies oferecidas s crianas

    Fotos: Rafael Wallace

    Quero serAO SOCIAL DA ASIA

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    o 2

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    | |

    O que muitos no sabiam - e talvez

    no saibam at hoje - que o espao

    sedia uma pr-escola para 120 meninos

    e meninas entre 2 e 5 anos e um Cen-

    tro Complementar de Estudos (CCE),

    direcionado aos alunos de 5 a 10 anos,

    que atende outras 120 crianas, sempre

    no contraturno de suas aulas do nvel

    fundamental a maioria deles em es-

    colas da rede pblica das redondezas.

    Alm disso, uma outra edificao, esta

    um pouco mais adiante, perto da en-

    trada da estao do plano inclinado do

    morro, sedia uma creche para 57 bebs

    de 4 meses a dois anos de idade. Para

    manter esta estrutura, a ASIA possui

    60 profissionais com carteira assinada

    e alguns voluntrios. So professores,

    pedagogos, assistentes sociais, psic-

    logos, auxiliares de creche, faxineiros,

    porteiro, cozinheiros e auxiliares de

    cozinha, que diariamente, das 8h s

    17h, cuidam das crianas, que, alm de

    educao, recebem carinho, ateno,

    cuidados e alimentao, com direito a

    caf da manh, lanche, almoo, outro

    lanche e jantar.

    Mas nem sempre as coisas funcio-

    naram desta forma. Claudete Veiga

    sabe bem disso: so 30 anos entrando

    e saindo do mesmo prdio. No incio,

    como auxiliar de turma. Hoje em dia,

    como assistente administrativa. Eu era

    baby sitter na escola Edem quando fui

    chamada para trabalhar aqui, contou,

    citando a pedagoga Maria Lcia Lara,

    que at hoje ainda est na Unape, como

    autora do convite. As coisas mudaram

    muito ao longo desses 30 anos. No in-

    cio, cuidvamos das crianas, com es-

    pecial ateno na questo da higiene e

    alimentao. Cuidvamos das feridas. A

    estrutura, principalmente a questo do

    saneamento bsico, era muito precria

    na comunidade. Hoje em dia, a ques-

    to pedaggica muito mais forte. Fico

    muito orgulhosa quando vejo as crianas

    crescerem e se formarem. um prazer

    muito grande, emociona-se.

    E tudo comeou com as mes da

    comunidade pedindo um espao para

    deixar seus filhos maiores de dois anos

    enquanto estavam trabalhando em ca-

    sas de famlia, como empregadas do-

    msticas. Naquele ano, a ASIA tinha

    conseguido uma boa arrecadao na

    Fesoi (Feira de Solidariedade Inaciana,

    realizada anualmente) e com a rifa.

    A instituio resolveu, ento, que ti-

    nha flego para abrir mais uma frente

    de trabalho social. Foi at a reunio

    de moradores e perguntou o que eles

    queriam, conta Maria Lcia Lara, que

    est no projeto desde o seu incio, no

    dia 1 de setembro de 1980. O nome

    foi escolhido pela presidente da Organi-

    Asia adquiriu o prdio da Ponsa e agora planeja uma ampla reforma no imvel, que j comeou (no detalhe, nova fachada). O objetivo receber mais crianas

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    o 2

    012

    | |

    zao Mundial de Educao Pr-escolar

    (Omep), Maria Olmpia da Silveira, que

    prestou consultoria para a montagem

    do projeto, recorda-se.

    O projeto deu muito certo. E qua-

    tro anos depois, com a pr-escola j

    consolidada, a ASIA conseguiu montar,

    em imvel prprio, a Casa Santa Marta,

    para abrigar crianas menores de dois

    anos. As mes estavam satisfeitas com

    a Unape e queriam voltar a trabalhar o

    quanto antes. A veio o pedido para se

    criar a creche, conta Maria Lcia, que

    nestes 31 anos manteve-se trabalhando

    tambm em creches particulares, o que

    lhe permite avaliar os servios prestados

    para a comunidade do Santa Marta.

    No sinto diferena entre as crianas.

    E aqui, por conta do apoio da ASIA,

    temos condies de oferecer um servi-

    o de mesmo nvel. Alm disso, temos

    uma parceria muito boa com os pais,

    que sempre esto presentes na reunio

    e tm voz ativa. Isto, muitas vezes, no

    acontece em creches particulares consi-

    deradas de alto nvel, conta.

    A pedagoga, no entanto, diz que a

    grande diferena est na formao cul-

    tural e nas oportunidades. O acesso ao

    teatro, ao cinema ou a uma exposio

    faz muita diferena na formao das

    crianas. Por isso, sempre fazemos pas-

    seios com nossas crianas. Mesmo que

    elas no estejam a cada final de semana

    vendo um espetculo, importante que

    conheam, saibam como . O atendi-

    mento mdico ou psicolgico outro

    problema enfrentado pelas crianas e

    suas famlias. Ns tentamos minimizar

    isto com o servio do ambulatrio So

    Luiz Gonzaga, da ASIA, mas a criana

    ter acesso imediato a um fonoaudilo-

    go, quando precisa, ou a um terapeuta,

    tambm faz diferena, afirma.

    O ambiente de paz mudou muito

    desde 2008, quando a comunidade re-

    cebeu a primeira Unidade de Polcia Pa-

    cificadora (UPP) do Estado. At ento,

    as crianas eram obrigadas a conviver

    com traficantes armados circulando li-

    vremente pela comunidade. Mas eles

    sempre respeitaram demais este espao.

    No s os prdios, como as pessoas que

    vinham fazer doaes ou trabalhos vo-

    luntrios. Agora, inegvel que houve

    melhora. As crianas esto muito mais

    tranquilas, dormem melhor, conta

    Claudete. No foi apenas no sono dos

    alunos que a UPP influenciou: o nme-

    ro de voluntrios aumentou depois da

    instalao da unidade, em 2008. Os

    voluntrios so muito bem-vindos, mas

    tem que haver comprometimento, pois

    passamos a contar com aquela pessoa.

    Os interessados podem fazer contato

    pelo seguinte telefone: 2286-5748,

    explica Claudete.

    Segundo Maria Lcia, a manuten-

    o dos voluntrios tambm sempre foi

    um grande desafio de quem trabalha

    na Unape. Mant-los motivados no

    uma tarefa simples. Temos o cuidado

    de fazer com que as pessoas sintam-se

    parte do nosso projeto pedaggico. E

    acho que tem dado certo, pois h se-

    nhoras que esto conosco desde o

    incio, conta. Quem no tiver tempo

    para ser voluntrio tem outras formas

    Alunos da pr-escola se divertem com as professoras. Estavam todos vendo um filme infantil antes de fazer a foto

  • 15

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    o 2

    012

    | |

    de contribuir. Entre elas est a entrega

    de livros para a biblioteca ou a contri-

    buio financeira, que pode ser feita

    atravs de depsito na conta 17996-5

    da agncia 2781-2 do banco Bradesco.

    Outra opo se tornar scio da

    ASIA e contribuir mensalmente com a

    associao. Para isso basta mandar um

    e-mail para [email protected] com

    nome completo, endereo e o valor

    com que deseja ajudar. Um boleto de

    cobrana ser enviado todo ms. Hoje

    em dia conseguimos manter este servio

    porque trabalhamos em vrias frentes.

    A prefeitura nos repassa um valor para

    cada criana de at 3 anos e 11 meses e,

    anualmente, apresentamos um projeto

    para a Associao Nbrega de Educao

    e Assistncia Social (Aneas), que liga-

    da aos jesutas, para o pagamento dos

    professores, explica Maria Jos Bezerra,

    vice-presidente da ASIA.

    A associao tem conseguido man-

    ter os servios j existentes. A nova

    meta, no entanto, reformar o velho

    prdio que fica ao p do morro. E para

    isto ser importante ampliar a arrecada-

    o. Como recentemente a associao

    incorporou a Pequena Obra de Nossa

    Senhora Auxiliadora (Ponsa), que era

    dona do imvel e cedia o quarto andar

    e o terrao para a Asia, enquanto man-

    tinha cursos de reforo escolar e pr-es-

    cola nos outros pisos, a organizao dos

    antigos alunos do Santo Incio passou

    a ser responsvel por todo o prdio.

    H um grande desafio pela frente.

    Queremos reformar as salas e toda a

    estrutura do imvel, alm de unificar as

    cozinhas, pois cada instituio tinha a

    sua. O refeitrio tambm ser bastante

    ampliado. Enfim, nosso objetivo ofe-

    recer s crianas da Unape o mesmo

    que tm os alunos do Santo Incio,

    diz Maria Jos, j antecipando o prxi-

    mo sonho. Desejamos muito dobrar a

    nossa capacidade de atendimento.

    O responsvel pelos servios gerais

    da Unape, Erico Robson do Amaral, ou

    Dida, de 30 anos, foi outro funcionrio

    que tambm frequentou o prdio como

    aluno. Fiz a creche aqui e depois fui para

    a escola pblica. Parei na antiga 4 srie

    e, aos 17 anos, voltei a estudar no su-

    pletivo. claro que a Unape influenciou

    demais na minha deciso. Quem passa

    por aqui tem uma histria, diz orgulho-

    so, antes de lembrar que a irm tambm

    estudou naquele mesmo prdio que hoje

    em dia ajuda a cuidar. Todas as mes

    queriam que seus filhos viessem para c.

    Eu posso dizer que 90% das pessoas da

    minha gerao no se envolveram com

    o trfico de drogas por causa da Unape.

    Os professores sempre foram excelentes

    e ajudavam a colocar a cabea das crian-

    as no lugar. Posso at deixar de traba-

    lhar aqui um dia, mas a Unape sempre

    ter um lugar no meu corao.

    Claudete Veiga est h 30 anos na Unape, onde entrou como auxiliar. Hoje responsvel pela rea administrativa

    Um campinho de futebol no terrao do prdio faz a alegria das crianas. No local h brinquedos e rea livre para banhos de mangueira

    Os corredores ficam tomados por mochilas e trabalhos feitos pelas crianas atendidas pela Unape

  • 16

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    o 2

    012

    | |

    Dedicao total sem perder a motivao

    No difcil saber quem a pedagoga Maria

    Lcia Lara quando se faz uma visita Casa Santa

    Marta ou Unape. Ela aquela que est com uma

    faixa na cabea e um largo sorriso no rosto. Mes-

    mo aps 31 anos subindo e descendo as ladeiras

    da comunidade, esta jovem de 61 anos, nica fun-

    cionria que est no projeto desde a sua criao,

    ainda tem a empolgao de uma recm-formada

    ao falar sobre o projeto social mais antigo da ASIA.

    Quando comeamos, o quadro era to complexo

    que os vermes, literalmente, saltavam pela boca

    das crianas. Era impossvel no ter 80% do nosso

    olhar para estas questes, deixando a pedagogia

    em segundo plano. Eram doenas de pele, como

    sarna, vermes e diarreia. O ambulatrio da comu-

    nidade vivia cheio, lembra.

    Isso tudo era reflexo da situao precria da

    comunidade, no que se refere a infraestrutura. A

    maioria das casas era de madeira, sem banheiro. O saneamento no existia. O esgoto

    fazia parte do cenrio, ali, a cu aberto. Durante os primeiros cinco anos a nossa

    mo de obra foi leiga, na sua maioria composta por pessoas da comunidade, que

    foram sendo formadas com a prtica. A ASIA subsidiou a formao das pessoas,

    conta, antes de lembrar como foi difcil fazer com que as mulheres tivessem uma ati-

    tude profissional dentro da pr-escola. Muitas vezes as professoras eram tias, mes

    ou madrinhas das crianas que estavam cuidando. Mas o tratamento no podia ser

    o mesmo. Elas no estavam em casa. O treinamento inclua a mudana de vocabu-

    lrio e passava pela roupa que deveriam usar. Formar este pessoal foi um grande

    desafio. Mas valeu a pena, acredita.

    No foram poucos os casos que a marcaram nestes quase 32 anos, mas um em

    particular a emociona mais. Teve uma criana que eu quis adotar, cuidar. Foi l no

    incio do projeto. Era um menino, filho de pais alcolatras, que apanhava muito.

    Uma vez ele chegou aqui com a marca de uma cintada no rosto. Infelizmente ns o

    perdemos, pois ele entrou para o trfico e morreu. Aprendi que temos que ser sen-

    sveis a tudo que acontece, mas no possvel levar todas estas crianas para casa,

    diz, ainda num tom de lamentao, mesmo tantos anos depois. Desde ento ela diz

    procurar o interruptor que h em cada pessoa. Temos que manter a luz de cada

    ser humano acessa, para que ele se mantenha no rumo e motivado.

    Mas tambm no so poucos os casos de vitria. Atualmente temos entre os

    voluntrios uma menina que foi daqui, depois entrou para o Santo Incio, se formou,

    completou o nvel superior, faz ps graduao e voltou para nos ajudar. filha do

    verdureiro que tem uma barraca aqui ao lado, conta, sem esconder o orgulho. Fico

    especialmente feliz quando vejo meus netos entrando aqui, diz ela, se referindo

    aos filhos das crianas que passaram pelas salas da Unape ou da creche. E pelo jeito,

    pode ser que ainda veja alguns bisnetos, pois a aposentadoria no passa por sua

    cabea. Enquanto meu corpo permitir eu vou continuar. Sou privilegiada, pois esco-

    lhi fazer isto e passei por lugares muito legais ao longo da minha carreira.

    DOAESNome: Asia - Associao

    dos Antigos Alunos dos

    Padres Jesutas

    Banco: Bradesco

    Agncia: 2781-2

    Conta: 17996-5

    CNPJ: 34.114.470/0001-06

    Tel: (21) 2527-3502 | 3184-6202

    [email protected]

    Rua So Clemente, 216 -

    Botafogo Rio de Janeiro RJ

    Temos que manter a luz de cada ser humano acessa, para que ele se mantenha no rumo e motivado

  • 17

    mar

    o 2

    012

    | |

    Comunidades paci cadas atendidas pelo SESI Cidadania: Andara, Babilnia/Chapu Mangueira, Borel, Cidade de Deus, Complexo de So Carlos, Coroa/Fallet/Fogueteiro, Formiga, Jardim Batan, Macacos, Pavo-Pavozinho/Cantagalo, Prazeres/Escondidinho, Providncia, Salgueiro, Santa Marta,So Joo, Tabajaras/Cabritos, Turano e a comunidade do Morro Azul atendida pelo 2 Batalho da PM.

    As UPPs trouxeram paz para o Rio de Janeiro e abriram as portas de muitas comunidades para o SESI Cidadania entrar. Com o SESI Cidadania, entraram cursos gratuitos de educao bsica e pro ssional do SESI e do SENAI. Entraram espetculos teatrais e espetculos reais como cidadania, sade, Indstria do Conhecimento (nossas bibliotecas), Feira das Pro sses (para orientao pro ssional), os programas da 3 Idade (multiatividades para idosos) e o Atleta do Futuro. E pensando nos alunos que no podem estudar durante o dia, oferecemos o Corujo e o Galo da Madrugada, cursos pro ssionalizantes de madrugada, que j mudaram a vida de muita gente. Somadas, informao e formao trazem transformao. Melhoram a vida das pessoas. Do esperana, f no futuro, sorriso no rosto. Em outros lugares do estado do Rio, o Sistema FIRJAN fez o mesmo trabalho, que muito nos orgulha. Porque transformar da natureza da indstria. Informar, formar, transformar, verdadeiramente e para sempre, o nosso projeto. Nosso projeto da vida inteira. SESI CIDADANIA. Educao. Sade. Esporte. Lazer. CIDADANIA TRANSFORMA.

    COM INFORMAO E FORMAOO SESI CIDADANIA AJUDA A TRANSFORMAR

    A VIDA DE MILHARES DE PESSOAS.

    DPZ

    ANJ SESI CIDADANIA 21x14cm.indd 1 10/10/11 6:51 PM

    Comunidades paci cadas atendidas pelo SESI Cidadania: Andara, Babilnia/Chapu Mangueira, Borel, Cidade de Deus, Complexo de So Carlos, Coroa/Fallet/Fogueteiro, Formiga, Jardim Batan, Macacos, Pavo-Pavozinho/Cantagalo, Prazeres/Escondidinho, Providncia, Salgueiro, Santa Marta,So Joo, Tabajaras/Cabritos, Turano e a comunidade do Morro Azul atendida pelo 2 Batalho da PM.

    As UPPs trouxeram paz para o Rio de Janeiro e abriram as portas de muitas comunidades para o SESI Cidadania entrar. Com o SESI Cidadania, entraram cursos gratuitos de educao bsica e pro ssional do SESI e do SENAI. Entraram espetculos teatrais e espetculos reais como cidadania, sade, Indstria do Conhecimento (nossas bibliotecas), Feira das Pro sses (para orientao pro ssional), os programas da 3 Idade (multiatividades para idosos) e o Atleta do Futuro. E pensando nos alunos que no podem estudar durante o dia, oferecemos o Corujo e o Galo da Madrugada, cursos pro ssionalizantes de madrugada, que j mudaram a vida de muita gente. Somadas, informao e formao trazem transformao. Melhoram a vida das pessoas. Do esperana, f no futuro, sorriso no rosto. Em outros lugares do estado do Rio, o Sistema FIRJAN fez o mesmo trabalho, que muito nos orgulha. Porque transformar da natureza da indstria. Informar, formar, transformar, verdadeiramente e para sempre, o nosso projeto. Nosso projeto da vida inteira. SESI CIDADANIA. Educao. Sade. Esporte. Lazer. CIDADANIA TRANSFORMA.

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    ba

    da

    la

    da

    s

    Conhea a distribuio dos jesutas pelo mundoA distribuio da Companhia de Jesus

    pelo mundo, com a concentrao dos

    padres por faixa etria, so algumas

    das curiosidades apresentadas pela

    edio 270 da revista Jesutas do Brasil.

    Espalhados pelos cinco continentes,

    os jesutas esto reunidos em 85

    provncias.A idade mdia dos religiosos

    de 57 anos. Os mais jovens atuam na

    frica, enquanto os mais velhos ficam

    na Europa Meridional.

    O quadro de jesutas atual o seguinte:

    sia Meridional: 4.018 Estados Unidos:

    2.610 Europa Meridional: 2.133 Europa

    Ocidental: 1.726 Europa Central e

    Oriental: 1.706 Regio sia-Pacfico:

    1.649 frica: 1.481 Amrica Latina

    Meridional: 1.312 Amrica Latina

    Setentrional: 1.262

    Saiba mais sobre os padres da

    Companhia de Jesus no site da Cria

    dos Jesutas em Roma: www.sjweb.info

    Restaurao de imagensO CSI iniciou, no meio do ano passado, o processo de restaurao do seu conjunto

    de esculturas que ocupa o saguo principal da escola. As trs imagens do calvrio

    - Cristo Crucificado, Nossa Senhora e So Joo so remanescentes do antigo

    Colgio dos Jesutas, do morro do Castelo, e datam do sculo XVII. O processo,

    com previso de sete meses de durao (abril o prazo), vem sendo acompanhado

    pelos alunos do colgio, que esto tendo uma excelente oportunidade de aprender

    sobre a histria das imagens, da arte e da cultura da poca em que foram feitas,

    alm de aprender sobre o processo de restaurao. Entre as tcnicas utilizadas

    esto a remoo de sujeiras, polimento, imunizao e at mesmo o uso de

    aparelhos portteis de fluorescncia, de raios-x e de radiografia computadorizada.

    divulgao CSI

  • 18

    mar

    o 2

    012

    | |

    Em 1995, a 34 Congregao Geral da Companhia

    de Jesus, no seu Decreto 13, tratou especificamente

    da colaborao com leigos sugerindo a criao de uma

    rede apostlica inaciana, formada por pessoas e gru-

    pos que encontram na Experincia dos Exerccios Espiritu-

    ais de Santo Incio uma base comum de espiritualidade

    e apostolado.

    J um ano depois, em 1996, no Rio de Janeiro, a Pro-

    vncia Jesuita do Brasil Centro-Leste deu incio formao

    de uma rede quando um grupo de leigos, que partilha-

    vam a espiritualidade de Incio de Loyola, comprometeu-

    se publicamente a caminhar em colaborao com os

    jesuitas no servio da misso, aproveitando os diversos

    carismas pessoais, comunitrios e dispondo a assumir o

    protagonismo apostlico.

    Nascia ento a RAI Rede Apostlica Inaciana, que

    no um movimento, nem uma associao, mas, sobre-

    tudo, uma rede de articulao e colaborao orientada

    para a misso de evangelizar e transformar a sociedade.

    O grupo se rene mensalmente no Colgio Santo

    Incio partilhando idias, experincias e informaes so-

    bre os principais eventos que cada frente realiza, sempre

    motivados pelo Magis Inaciano: doar o melhor de ns ao

    amor a Deus e servio ao prximo.

    apostlica inaciana

    es

    pi

    ri

    tua

    li

    da

    de

    A RAI formada pelos seguintes grupos de espiritualidade inaciana:

    AA - Antigos Alunos Jovens

    ACVM Associao das Comunidades de Vida Mariana

    ASIA Associao dos Antigos Alunos dos Padres Jesuitas

    CL Centro Loyola de F e Cultura

    CM Federao das Congregaes Marianas-RJ

    CSI Colgio Santo Incio-Formao Crist

    CVX Comunidades de Vida Crist-

    EPC Encontro de Pais com Cristo do CSI

    ISI Igreja Santo Incio

    JA Jornada da Acolhida do CSI

    JIP Jornada Inaciana de Pais do CSI

    PUC Centro de Pastoral Anchieta da PUC-RJ

    MIR Movimento Integra Rio

    Pe. Luis Fernando Klein, SJ o Assistente Espiritual da rede.

    Fotos: divulgao CSI

    Rede

  • 19

    mar

    o 2

    012

    | |

    Sigla

    AA

    ACVM

    CL

    CCMM

    CSI

    CVX

    EPC

    ISI

    JA

    JIP

    ASIA Projetos sociais

    PUC

    Liderana

    Teresa Tang e Rafael Frota

    Jos Batista Sobrinho

    Sonia Fontes

    Marcio Blois

    Vera Porto

    Helosa Charbel

    Bento e Lu Pamplona

    P. Walter Falchi Honorato

    Celso do Pao e Rosngela do Pao

    M Aparecida Stallivieri Tiaraju

    Maria Jos Bezerra

    P. Alfredo Sampaio Costa

    P. Luiz Fernando Klein

    e.mail

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    Frente ou Movimento

    Antigos Alunos do CSI

    Associao das Comunidades de Vida Mariana

    Centro Loyola de F e Cultura

    Federao das Congregaes Marianas R.J.

    Departamento de Formao Crist do CSI

    Comunidades de Vida Crist R.J.

    Encontro de Pais com Cristo do CSI

    Igreja Santo Incio

    Jornada da Acolhida do CSI

    Jornada Inaciana de Pais do CSI

    Casa Santa Marta, UNAPE e CCE

    Ambulatrio So Lus Gonzaga

    Centro de Pastoral Anchieta da PUC

    Assistente Espiritual

    RAI

    Quem somos?Somos um grupo

    de leigos, religiosos

    e religiosas, que

    tem encontrado na

    espiritualidade de Santo

    Incio de Loyola uma

    inspirao para a sua vida

    crist no mundo de hoje.

    Procuramos tecer

    uma rede de atuao

    apostlica no Rio de

    Janeiro, a partir dos

    desejos, talentos e

    esforos de pessoas,

    grupos, movimentos civis

    e eclesiais e congregaes

    religiosas que se nutrem

    da mesma espiritualidade.

    Por que?Porque respostas iniciais

    e fragmentadas no do

    conta de oferecer solues

    eficazes para os problemas

    da atualidade, globalizados

    e urgentes.

    Como enRAIzar-se?Dado que a RAI uma

    associao espontnea e

    no um movimento nem

    associao, entram na

    rede, de modo temporrio

    ou permanente, as

    pessoas e/ou grupos

    que se dispem a realizar

    um trabalho articulado, a

    partir de programas

    e iniciativas que vo

    sendo sugeridas e

    aparecem no blog:

    www.rai-riodejaneiro.

    blogspot.com.

    Podem ser contatados os integrantes do Grupo de Animao da RAI/Rio de Janeiro, que busca estimular a articulao de vrias frentes de trabalho, setores apostlicos e movimentos apostlicos no Rio de Janeiro:

    apostlica inaciana

  • 20

    mar

    o 2

    012

    | |

    en

    tre

    vi

    sta

    SagradaReitor da PUC fala sobre meio-ambiente, tema que foi trabalhado pela Campanha da Fraternidade de 2011

    A preservao do meio ambiente e as ati-

    tudes ecologicamente corretas talvez sejam os

    assuntos mais discutidos na sociedade nos l-

    timos anos. No toa, a sociedade tem dado

    bastante valor s instituies que se preocu-

    pam em preservar o meio ambiente, seja atra-

    vs do uso de papel reciclado, energia solar ou

    coleta seletiva. No ano em que a Campanha

    da Fraternidade foi Fraternidade e a Vida no

    Planeta, em que se discutiu o novo Cdigo

    Florestal e que a Pontifcia Universidade Cat-

    lica (PUC) consolidou o seu curso de Biologia

    (2011), a Sino foi at o gabinete do reitor da

    universidade, padre Josaf Carlos de Siqueira,

    para uma entrevista sobre meio-ambiente. O

    tema no novidade para este doutor em

    Biologia Vegetal e professor e pesquisador do

    Departamento de Geografia e Meio Ambiente

    da PUC h mais de 20 anos.

    Por que o senhor se preocupa em abordar o

    tema ambiental como uma questo tica?

    Esta questo, tanto em mbito mundial,

    quanto local, passa pela tica, que o campo

    de saber dos atos e costumes. Se queremos

    criar costumes corretos e justos, temos que

    corrigir nossos atos. E isto fundamental

    para se iniciar um processo de mudana. Afi-

    nal, os ecossistemas tm seus limites, e temos

    crescido sem observar isto. Hoje, a escala

    de tempo para mudarmos j bem menor,

    pois j h um passivo ambiental. Em menos

    de 100 anos no ser possvel retirar todo o

    CO2 da atmosfera. Para criarmos medidas

    mitigatrias temos que nos adaptar. A forma

    de se viver tem que mudar e temos que nos

    acostumar com isso, pois os desequilbrios cli-

    mticos, com muita chuva em um local e seca

    em outros, j so uma realidade.

    E como fazer para mudar as pessoas?

    Bom, a existem as abordagens. H o pon-

    to de vista poltico, que vem sendo contem-

    plado com encontros internacionais, debates

    e algumas medidas de governo. O primeiro

    passo foi dado na Rio 92 e agora teremos uma

    nova oportunidade com a Rio+20. Hora nos

    deparamos com avanos, hora com recuos.

    Tem a abordagem cientfica, que conside-

    ro fundamental neste processo, pois a criao

    de novas tecnologias e as tcnicas biolgicas,

    assim como sociais e humanas devem contri-

    buir neste processo de mudanas. Os dados e

    os detalhes vm da cincia. E temos, no Bra-

    sil, uma relevncia internacional, pois temos

    muita biodiversidade. Tenho participado de

    muitos congressos e vemos que as mudanas

    esto acontecendo, como a migrao dos ps-

    saros. H um tempo atrs tnhamos 120 es-

    pcies ameaadas de extino no Pas. Hoje j

    so mais de 400. Estes so dados concretos.

    E h a questo religiosa. O dilogo intra-

    religioso muito importante, pois a relao

    entre a natureza e as religies muito dire-

    ta. Quando se trata de igreja Catlica isto

    muito forte, pois h a tradio proftica, de

    chamar a ateno. Em 1979 j tivemos uma

    Campanha da Fraternidade tendo o meio

    ambiente como tema, que nem era to dis-

    cutido. Depois tivemos outra campanha, em

    2004, sobre a gua e o valor dos recursos h-

    dricos. Em 2007 foi a vez de discutirmos sobre

    natureza

    Padre Josaf Carlos Siqueira considera o tema ambiental uma questo tica

    Fotos: divulgao PUC

  • 21

    mar

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    012

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    a amaznia, sua internacionalidade, riqueza

    cultural e biodiversidade. E agora temos a

    campanha sobre as mudanas climticas. Te-

    mos que repensar nossa postura e a relao

    com o criador e a natureza. E esta campanha

    apenas comeou, pois a Igreja est atenta e

    tentando dar respostas. uma reflexo teo-

    lgica, mas com cincia.

    E como o senhor v o debate sobre o novo

    cdigo ambiental?

    Acho fundamental o debate, pois o

    cdigo que regula as relaes em nosso

    pas. Se a lei diz que pode reduzir a ve-

    getao nas margens dos rios h algo de

    errado. Quem estuda sabe que temos que

    ampliar. E esta posio vai de encontro ao

    que o Brasil prega no cenrio internacional.

    Acredito que h pontos vulnerveis, uma

    viso utilitarista e imediatista da natureza.

    E isto deveria ser superado. Acredito ser

    fundamental a incorporao de dados cien-

    tficos. Os cientistas esto alertando para

    muitas questes. E este no apenas um

    debate poltico, mas social e cientfico. De-

    pois o preo a ser pago por decises sobre

    o meio ambiente, como neste caso do c-

    digo, pode ser muito alto, pois elas afetam

    o futuro do nosso planeta.

    O novo curso de Biologia da PUC j um

    reflexo da necessidade de se debater o as-

    sunto na sociedade?

    Sem dvida. No tnhamos um curso

    na rea biolgica e tambm no queramos

    repetir o que havia por a. Nossa preocu-

    pao era formar um bilogo preocupado

    com as questes do futuro. Um profissio-

    nal que ter excelncia em sua rea, mas

    que tenha condies de dialogar com os

    diferentes campos, que tenha uma viso

    do conjunto. No toa, temos sete depar-

    tamentos da universidade atuando juntos,

    no curso de Biologia, que o mais inter-

    disciplinar da PUC. Ns contemplamos a

    questo tecnolgica, a humana e, claro,

    a biolgica. Afinal, os

    problemas ambientais

    passam por questes so-

    ciais. A Ecologia uma

    s, envolvida por vrios

    saberes integrados.

    A faculdade acaba atin-

    gindo pessoas que j

    tm um interesse no

    tema. Como chegar a

    toda a sociedade?

    Acredito que o me-

    lhor a se fazer a edu-

    cao ambiental, pois

    forma pessoas com uma

    outra viso de mun-

    do, pessoas capazes de

    mudar os atos que vm

    dentro de casa. Todas

    as escolas deveriam se

    adaptar para mudar seus

    jovens. importante

    mostrar a importncia da

    reciclagem, de no deixar

    as luzes acessas, de plan-

    tar rvores, de investir

    na energia solar, em economizar gua. Mas

    isto no precisa ser feito apenas nas escolas.

    Pode acontecer tambm nas comunidades,

    nas parquias.

    E isto acontece nas escolas da Compa-

    nhia de Jesus?

    Sim. Nossos colgios j possuem esta

    preocupao, mas acho que podemos am-

    pliar. Na PUC, por exemplo, temos uma

    agenda ambiental com metas que vo ge-

    rando importantes mudanas de hbito. J

    temos coleta seletiva no prdio Kennedy,

    conseguimos reduzir o nosso gasto com

    papel e vamos comear um projeto com

    energia solar. Vamos fazer projetos co-

    muns com o Santo Incio na linha de sus-

    tentao ambiental. E a Igreja est fazen-

    do um esforo para dar o seu testemunho.

    Tem prdio no Vaticano com captao de

    energia solar. E isto tem que acontecer.

    Tem que dar exemplo e mostrar para a so-

    ciedade que est fazendo.

    natureza

    Alunos da PUC aproveitam as reas verdes a universidade, que ganhou um curso de Biologia

  • 22

    mar

    o 2

    012

    | |

    Formao integralProjeto de formao social faz alunos do CSI se envolverem com questes relevantes e atuais

    Com o objetivo de oferecer uma

    formao plena para seus alu-

    nos, o Colgio Santo Incio

    est fazendo com que seus es-

    tudantes entrem em contato direto com

    questes relevantes para a sociedade bra-

    sileira. Atravs de um programa iniciado

    no ano passado pela equipe de Forma-

    o Crist, os estudantes esto tendo a

    oportunidade de conhecer de perto, por

    exemplo, a vida dos catadores de lixo que

    atuam no lixo de Gramacho, em Duque

    de Caxias. Este foi o tema escolhido para

    ser aprofundado pelos alunos do 1 ano

    do ensino mdio, mas o projeto comea a

    partir do 6 ano do ensino fundamental,

    neste primeiro momento com reflexes e

    estudos em sala de aulas. A partir do 8

    ano os estudantes tm a oportunidade de

    extrapolar os muros do colgio na busca

    por conhecimento, sendo esta sempre

    uma atividade extracurricular, ou seja, vai

    quem quiser.

    A escolha depende do que vem sendo

    trabalhado em cada srie. Como estvamos

    trabalhando a Campanha da Fraternidade,

    cuja questo central era o meio ambiente,

    e a nossa diretora, Vera Porto, nos trouxe o

    contato da empresa que est cuidando do

    passivo ambiental do aterro sanitrio, que

    est sendo fechado, partimos para a elabo-

    rao de um projeto, contou a assessora de

    formao crist e professora de religio do 1

    ano do ensino mdio, Ana Lcia de Oliveira

    Vieira. O primeiro passo foi levar os catadores

    para dentro da escola, para que conhecessem

    os alunos. J tnhamos passado o filme do

    Vic Muniz, sobre o atero sanitrio, antes e re-

    ceber a visita e depois levamos os alunos at

    Gramacho, contou a professora.

    O prximo passo vai instigar os jovens

    a elaborar projetos de reinsero social para

    os catadores, que, com o fim do aterro, po-

    dem ficar sem uma atividade que lhes pro-

    porcione algum retorno financeiro. A res-

    posta foi to positiva que a experincia da

    srie est servindo de exemplo para o resto

    do colgio. Os estudantes mobilizaram suas

    famlias e os prprios professores para que

    passassem a comprar o material produzido

    pela cooperativa que foi montada pelos ca-

    tadores de Gramacho, alm de ajudarem

    no recolhimento de matria-prima, como

    garrafas pet. O envolvimento foi maior

    do que espervamos e queremos manter o

    projeto. Isto muda a percepo de vida dos

    nossos alunos, afirmou Ana Lcia, antes

    de contar que os jovens ainda adotaram

    304 filhos de catadores, que ganharam

    presentes no Natal do ano passado.

    Fotos: divulgao CSI

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