Ricardo Mandolini: Heurística musical RELATÓRIO .1 Ricardo Mandolini: Heurística musical RELATÓRIO

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    Ricardo Mandolini: Heurstica musical

    RELATRIO

    Nmero do Processo 2008/04361-0

    Grupo de Financiamento Auxlio Visitante

    Linha de Fomento Programas Regulares / Auxlios a Pesquisa / Vinda de

    Pesquisador Visitante / Visitante do Exterior - Fluxo Contnuo

    Beneficirio Jos Augusto Mannis

    Responsvel Jos Augusto Mannis

    Data Incio 31/08/2008

    Durao 8 dias

    Nome da Instituio Instituto de Artes/IA/UNICAMP

    Departamento / rea Departamento de Msica

    Data de Submisso 21/05/2008

    1 Realizao

    Todas as atividades contaram com a participao e o envolvimento de:

    Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) : Prof. Dr. Jose Augusto Mannis, Profa.

    Dra. Denise H. L. Garcia, Prof. Dr. Silvio Ferraz M. F., Prof. Luiz Henrique Xavier, Prof. Dr.

    Esdras Rodrigues, Prof. Dr. Emerson de Biaggi;

    Universidade de So Paulo (Usp) : Prof. Dr. Rogrio Costa, Prof. Dr. Paulo de Tarso Salles;

    Bem como o apoio do Departamento de Msica, Coordenao da Sub-CPG Msica

    (Comisso de Ps-Graduao); Coordenao de Ps-Graduao, Direo do Instituto de

    Artes (IA /Unicamp); Departamento de Msica da Escola de Comunicao e Artes (ECA)

    da Universidade de So Paulo (USP)

    A contrapartida francesa foi financiada pelo programa PREMER/PREFALC, pedido de

    auxilio submetido e gerido pelo Conservatrio Nacional Superior de Msica e Dana de

    Paris (CNSMDP).

    2 Ricardo Mandolini : Heurstica musical

    Os ateliers, seminrios e encontros realizados com Ricardo Mandolini se inscreveram no

    mbito de atividades acadmicas desenvolvidas na Unicamp na rea de processos criativos

    em composio musical : gesto, principio e idia musical; improvisao e escrita musical.

  • 2

    2.1 Cronograma de atividades

    Seg 01/Set

    Manh: Unicamp Introduo heurstica musical geral: fundamentos tericos I

    Tarde: Unicamp Introduo heurstica musical geral: fundamentos tericos II

    Ter 02/Set

    Manh : Unicamp Prtica I

    Tarde: Unicamp Prtica II

    Qua 03/Set

    Manh: Unicamp Prtica III

    Tarde: Unicamp Prtica IV

    Qui 04/Set

    Manh: Unicamp Prtica V

    Tarde: Unicamp Prtica VI

    Sex 05/Set

    Manh: Unicamp Concluso dos trabalhos

    Tarde: Unicamp Sesso de audio dos trabalhos finais e debate

    2.2 Participantes

    32 pessoas tiveram presena regular nas atividades desenvolvidas. Foram criados 3

    grupos que conduziram os trabalhos durante toda a semana, apresentando o resultado

    final no ultimo dia.

  • 3

    2.3 Contedo das atividades

    2.3.1 Introduo terica

    Partindo por um lado da esttica de Alexander Gottlieb Baumgarten1 2, e por outro

    da Crtica da razo pura bem como da Crtica da faculdade de julgar (Crtica do

    julgamento) de Immanuel Kant, Mandolini demonstrou a condio heurstica (statut

    heuristique) do conhecimento em geral e sua aplicao em arte.

    Mandolini referiu-se em seguida problemtica da imaginao (o esquematismo

    transcendental da 1a Crtica, edio de 1871, e sua interpretao por Martin

    Heidegger) e a criao de fices heursticas (Hans Vaihinger3) no campo da cincia,

    bem como das fices ldicas/artsticas (Roger Caillois4, Jean-Marie Schaeffer5 6 7 8)

    no domnio da criao.

    Mandolini procedeu a uma ambientao psicolgica das condies necessrias para

    a criao artstica atravs da teoria do objeto transacional 9/transicional (Donald

    Woods Winnicott)

    Empregando a terminologia de Plato (A Repblica) foi detectado pelos

    participantes a diferena entre fices artsticas com imerso mimtica (a

    Wahrheitsgehalt10 de Theodor W. Adorno11) e fices artsticas sem imerso

    mimtica (a msica do no querer de John Cage12). Surgiu assim,

    espontaneamente, uma esttica de obras versus uma esttica de dispositivos;

    ultrapassar este dilogo deveria ser tarefa da esttica da arte do futuro.

    Partindo de uma crtica da semiologia musical de J.-Jacques Nattiez, Mandolini falou

    da transio possvel entre hermenutica e heurstica, baseando-se ainda em Roman

    Ingarden13 (1989). A crtica da semiologia concerne tambm a concepo binria de

    Ferdinand de Saussure do smbolo. Nesse ponto se articula Charles S. Pierce, com

    1 Meditaes filosficas sobre algumas questes da obra potica (1735) - (Meditationes philosophicae de

    nonnullis ad poema pertinentibus (Mditations philosophiques sur quelques aspects de l'essence du pome), Halae Magdeburgicae, 1735. 2 sthetica, Francfort-sur-l'Oder, 1750-1758

    3 Em sua Philosophie des Als Ob (Philosophie du Comme si , 1911), Vaihinger defende a idia de que

    nos limitamos a perceber somente fenmenos, a partir dos quais construmos modelos de pensamento ficcionais aos quais atribumos um valor de realidade. Comportamo-nos como se o mundo correspondesse aos nossos modelos. 4 Roger Caillois entre outras coisas se indagou sobre a simpatia que parece reinar nas formas complexas

    do mundo mineral e no mundo do imaginrio humano. Escreveu Le Fleuve Alphe (1978) e L'criture des pierres (1970), que exploram essa relao. 5 Schaeffer, P.-M. De limagination la fiction. In : Vox poetica. Paris : Agence des Mdias Numrique

    (AMEN), 10/12/2002. http://www.vox-poetica.org/t/fiction.htm 6 Schaeffer, J.-M. Pourquoi la fiction? col1. Potique. Paris : Seuil, 1999.

    7 Schaeffer, J.-M. Lart de lge moderne: lesthtique et la philosophie de lart du XVIIIe

    sicle nos jours. Paris: Gallimard, 1992 8 Schaeffer, J.-M. Adieu lesthtique. Paris : Presses Universitaires de France, Paris, 2000.

    9 Winnicott, D. (1953). Transitional objects and transitional phenomena., Int. J. Psychoanal., 34:89-97.

    10 Teor de verdade, Contedo de verdade

    11 Adorno, Theodor W. Vers une musique informelle. In: Quasi una Fantasia. Paris: Gallimard, 1963;

    12 Mandolini, R. L'autre vouloir- contributions critiques pour une meilleure comprhension de l'esthtique

    de John Cage. In : Revue d'Analyse Musicale N 49, dcembre 2003, pp. 95 y ss. 13

    Ingarden, Roman. Qu'est-ce qu'une oeuvre musicale? Paris : Christian Bourgois, 1989. 215 p.

    http://www.vox-poetica.org/t/fiction.htm

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    sua semiologia ternria, bem como Ernest Cassirer14 15e Nelson Goodman16 17 18 19,

    este com sua teoria dos mundos artsticos. Essa discusso conduz compreenso da

    complementaridade correspondente entre anlise musical como identificao de

    momentos proeminentes da obra e a heurstica musical como um contnuo numa

    experincia de extenso infinita, sem seces, nem momentos.

    Mandolini ainda colocou a teoria de Ernst Cassirer sobre a criao de smbolos em

    oposio a toda tentativa de reduo semiolgica da realidade artstica.

    2.3.2 Complemento terico

    2.3.2.1 Sobre o termo

    Heurstica (do grego antigo , eurisko, je trouve20 )21

    Termo de metodologia (cientfica) qualificando todos os meios intelectuais,

    procedimentos e tudo o que favorece a descoberta ou a inveno (nas cincias). (Jean-

    Pierre CHRTIEN-GONI22, Universalis)

    Termo de didtica que significa a arte de inventar, de fazer descobertas (Littr).

    Em sociologia, trata-se de uma disciplina se propondo a extrair regras da pesquisa

    cientfica (Larousse).

    arte de inventar, de fazer descobertas; cincia que tem por objeto a descoberta dos

    fatos (Houaiss).

    Geralmente uma heurstica concebida para um problema particular, apoiada na sua estrutura

    prpria (do problema), porm as abordagens podem conter princpios mais gerais.23

    Do ponto de vista artstico poderamos dizer que seria uma metodologia do achado, de

    provocar insights, durante a qual o fio da intuio conduzido pelas prprias foras dos

    elementos e da estrutura fsica e simblica do suporte sobre o qual estamos trabalhando. A

    heurstica considera o entendimento e a comunicao do artista com a criao que toma corpo,

    compreendendo as reaes dos novos estados do sistema (obra em gestao) decifrando uma

    linguagem dos materiais e dos objetos produzidos atravs dos princpios e idias mobilizados no

    processo criativo.

    14

    Cassirer, E. Philosophy of the Enlightenment (1932), English translation 1951 15

    Cassirer, E. Philosophy of Symbolic Forms (1923-29), English translation 1953-1957 16

    Goodman, N. Manires de faire des mondes, Folio, 2006. 17

    Goodman, N. Langages de l'art : Une approche de la thorie des symboles, Hachette, 2005. 18

    Goodman, N. Reconceptions en philosophie dans d'autres arts et dans d'autres sciences, PUF, 1994. 19

    Goodman, L'Art en thorie et en action, L'clat, 2006. 20

    eu encontro 21

    Dfinitions lexicographiques [archive] et tymologiques [archive] de heuristique du CNRTL. 22

    assistant au Conservatoire national des arts et mtiers, membre du Laboratoire sur les sciences de la communication C.N.R.S., secrtaire de rdaction de la revue Agora, ditions du C.N.R.S. 23

    http://fr.wikipedia.org/wiki/Heuristique

    http://fr.wikipedia.org/wiki/Sociologiehttp://www.cnrtl.fr/lexicographie/heuristiquehttp://wikiwix.com/cache/?url=http://www.cnrtl.fr/lexicographie/heuristiquehttp://www.cnrtl.fr/etymologie/heuristiquehttp://wikiwix.com/cache/?url=http://www.cnrtl.fr/etymologie/heuristiquehttp://fr.wikipedia.org/wiki/Centre_national_de_ressources_textuelles_et_lexicaleshttp://fr.wikipedia.org/wiki/Heuristique

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    2.3.2.2 Bibliografia relacionada

    ARISTOTE, Organon, vol. V : Les Topiques, trad. Tricot, Vrin, Paris, 1974

    F. BACON