RILDO RODRIGUES GOULART

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  • RILDO RODRIGUES GOULART

    DIPO REI: AS RELAES ENTRE DIPO E JOCASTA

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps-

    Graduao em Artes Cnicas, da Escola de

    Comunicaes e Artes da Universidade de So

    Paulo, como exigncia parcial para obteno do

    ttulo de mestre em Artes, rea de Concentrao

    Teoria e Prtica do Teatro, com Linha de Pesquisa

    Histria do Teatro, com orientao do Professor

    Doutor Clvis Garcia.

    UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    ESCOLA DE COMUNICAES E ARTES

    DEPARTAMENTO DE ARTES CNICAS

    SO PAULO, 2009.

  • II

    RILDO RODRIGUES GOULART

    DIPO REI: AS RELAES ENTRE DIPO E JOCASTA

    Aprovada em:__________________________________________________________

    Banca examinadora:

    Prof. Dr. __________________________________________________________

    Assinatura: __________________________________________________________

    Prof. Dr. __________________________________________________________

    Assinatura: __________________________________________________________

    Prof. Dr. __________________________________________________________

    Assinatura: __________________________________________________________

  • III

    RESUMO_______________________________________________________________

    O texto da tragdia grega dipo Rei de Sfocles, do sculo V a.C., permite at os

    dias de hoje inmeros estudos sobre seu mito, face a tamanha riqueza existente em seu

    mitologema. Pressuposto a tantas pesquisas existentes, elaboramos uma viso inerente aos

    estudos realizados, compondo uma dissertao comparativa, revisitando o texto de

    Sfocles e incluindo uma nova tica sobre a tragdia do rei de Tebas.

    Porm, antes de mergulharmos na essncia do mito, procuramos entender a

    tragdia grega e seu perodo de existncia. Da mesma forma, investigamos o homem

    Sfocles, artista e poeta na sociedade em que viveu, e suas relaes sociais e polticas com

    seu amigo e estrategista Pricles.

    Ponto imprescindvel da dissertao a constatao de que Sfocles fundiu em um

    s personagem feminino a figura das duas esposas de Laio, condensadas em Jocasta.

    Tornada me e esposa de dipo, o personagem de Jocasta aumentou profundamente o

    efeito dramtico desejado pelo autor grego, criando um dos maiores textos trgicos da

    antiguidade que chegaram at hoje.

    Sem perder a essncia do texto sofocliano, decodificamos o mito em suas diversas

    vertentes, situamos as condies sociais nas relaes da mulher no sculo V a.C., e, assim,

    estabelecemos as relaes que envolveram dipo e Jocasta no conjunto potico da

    tragdia reelaborada por Sfocles.

    Palavras-Chave: dipo Rei, Jocasta, Sfocles, Pricles e Tragdia Grega

  • IV

    ABSTRACT_____________________________________________________________

    The text of the Greek tragedy Oedipus Rex, by Sophocles, 5th century BC, allows

    us, until the present days, to make innumerous studies about its myth, due to the immense

    richness of its mythologem. Considering so many existing researches, we have elaborated

    a vision inherent to the studies already done, writing a comparative dissertation, revisiting

    Sophoclestext and throwing some new light upon the tragedy of the King of Thebes.

    However, before plunging into the essence of the myth, we have tried to

    understand the Greek tragedy and its existing context. In the same way, we have

    investigated the man Sophocles, artist and poet in the society he lived in, and his social

    and political relationship with his friend and strategist Pericles.

    The essential point of the dissertation is the thesis that Sophocles has melted, in a

    single feminine character, the profiles of the two wives of Laius, condensed in Jocasta.

    Transformed into mother and wife of Edipo, the character Jocasta deeply increased the

    dramatic effect desired by the Greek author, creating one of the greatest tragic text of

    antiquity that have arrived to present days.

    Without losing the essence of the sophoclean text, we have decoded the myth in its

    various aspects, contextualized the social conditions of the womens relations in the 5th

    century BC, and, finally, we have established the relations that involved Edipo and Jocasta

    in the poetic set of the tragedy re-elaborated by Sophocles.

    Key-Words: Oedipus Rex, Jocasta, Sophocles, Pericles end Greek Tragedy.

  • V

    DEDICATRIA__________________________________________________________

    Ao meu professor e Doutor Clvis Garcia:

    Orientador de homens e de almas. Senhor de uma

    sabedoria inigualvel, que me conduziu com carinho e

    discernimento a desenvolver esta dissertao, uma singela

    dedicao para este mestre do teatro brasileiro.

    Ao meu sobrinho Mauro Srgio Goulart Simioni:

    Na pureza de seus nove anos e apaixonado por mitologia

    grega, escreveu-me uma carta dizendo: ... tio, quero o

    melhor de voc .... Escrevo aqui sua merecida dedicao.

    A minha me, Dionilze de Oliveira Goulart:

    Senhora de uma alma prodigiosa e sensvel. Esta mulher,

    guerreira e batalhadora , sem dvida nenhuma, o meu

    primeiro guia, e incentivadora de minha paixo pelas

    artes e finalmente pelo teatro.

  • VI

    AGRADECIMENTOS_____________________________________________________

    Ao diretor, ator e amigo Ewerton de Castro pela bolsa de

    estudos concedida em sua escola de teatro.

    Ao professor Rogrio Toscano, por me apresentar o texto

    dipo Rei de Sfocles.

    Aos atores do extinto Centro Experimental de Pesquisas e

    Artes Cnicas da cidade de Jos Bonifcio, pela

    montagem do espetculo dipo Rei.

    A Hayde Bettencourt, pela superviso do espetculo,

    confiana e amizade.

    Aos professores mestres e doutores Marcelo Pessoa,

    Leonice de Loudes B. Maro, Fausto Viana, Maria

    Beatriz B. Florenzano, Cyro del Nero, Eduardo Tessari

    Coutinho e Celso Alves Cruz.

    Ao amigo Larcio Silva Raphael, pela correo

    gramatical e inmeras indicaes no texto final.

    Aos amigos Rafael Rios, Marcos Pinto, Juliana Pedreira,

    Amaliani Oliveira e Cynthia Regina Fischer.

    E para minha irm Marcilene Rodrigues Goulart, pelo

    apoio, colaborao e incentivo.

  • VII

    SUMRIO

    INTRODUO PG.VIII

    CAPTULO I

    A TRAGDIA GREGA PG.001

    CAPTULO II

    1.1 SFOCLES: O CIDADO E O ARTISTA PG.011

    1.2 SFOCLES E PRICLES PG.023

    CAPTULO III

    O MITO: DIPO PG.037

    CAPTULO IV

    JOCASTA: ME, MADRASTA OU INVENO DE SFOCLES? PG.081

    CAPTULO V

    DIPO E JOCASTA: A RELAO TRGICA PG.107

    CONCLUSO PG.151

    BIBLIOGRAFIA PG.162

  • VIII

    __________________________________________________________INTRODUO

    dipo Rei surgiu como um orculo com bons pressgios em minha vida e

    remexeu meus princpios, valorizou meus conhecimentos, me dando mais fora e nimo

    para mergulhar em sua trajetria sem me perder na encruzilhada de Defos e Dlia.

    Assim, como Olga Rinne1 se encontrou com Media em uma reunio com

    amigas, eu me encontrei e me deparei com esse dipo claudicante na minha frente, diante

    dos meus atores em pleno palco de uma montagem teatral que fazamos no interior do

    estado de So Paulo, na cidade de Jos Bonifcio.

    O que me levou, a aprofundar-me ainda mais nessa temtica, foi um comentrio

    do professor e doutor Clvis Garcia, em um curso que ele ministrava sobre Histria do

    teatro, na cidade de So Jos do Rio Preto, no primeiro semestre do ano de 2004.

    Enquanto conversarmos no intervalo do curso; eu, na minha empolgao de um

    jovem diretor de teatro, disse que estava montando a pea dipo Rei de Sfocles, e foi

    ento que ele me perguntou se eu sabia de um texto de Junito de Souza Brando, que

    fazia um comentrio, baseado em um trecho da Odissia, onde dizia que Jocasta no

    seria me de dipo. No pude conter o espanto e nem a decepo que me invadiu

    naquele momento. Afinal, alm de diretor eu havia passado a interpretar o personagem.

    1 RINNE, OLGA. Media: o Direito Ira e ao Cime. Traduo de Martincic e Daniel Camarinha da Silva.

    So Paulo: Cultrix, 1988.

  • IX

    Sai do curso extremamente incomodado com aquela revelao. A partir daquele

    momento, algo muito mais profundo remexeu os meus conceitos e uma nova sensao

    tomou conta do meu esprito de ator, diretor e pesquisador de teatro. Eu no poderia

    ficar inerte diante de tal informao, como se nada tivesse acontecido.

    A partir desse momento comearam as dvidas e os questionamentos. Por que

    dipo perfurou os olhos j que Jocasta no era sua me? Por que Jocasta se enforcou j

    que nem foi sua me e nem sequer sua madrasta, no sentido de no hv-lo criado? Por

    que ele foi expulso de Tebas, perdeu seu trono e vagou pelo mundo como um indigente

    amaldioado, feito um bode expiatrio, at conseguir, depois de muita busca e

    sofrimentos, encontrar abrigo no bosque das Eumnides, na colnia grega de Atenas em

    Colono?

    Ou seja, a indignao me levou a aprofundar-me ainda mais na pesquisa e no

    processo de nossa montagem, tornando dipo cada vez mais ntimo, mais prximo e

    mais humano, como se sua lenda tivesse que me dizer algo a mais. Algo ainda no dito.