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Rio Musical

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Text of Rio Musical

  • vio Musical - V

  • EXPOSIO COMEMORATIVA DO

    IV CENTENRIO DA

    CIDADE DO RIO DE JANEIRO

    RIO MUSICAL C R N I C A DE U M A C I D A D E

    B I B L I O T E C A N A C I O N A L DIVISO DE PUBLICAES E DIVULGAO

    1965

  • EXPOSIO PROMOVIDA PELA

    SEO DE MSICA E ARQUIVO SONORO. E PATROCINADA PELA

    SEO DE EXPOSIES.

  • A Biblioteca Nacional, prosseguin-

    do na srie de exposies sobre o Rio de Janeiro e participando diretamente do quarto centenrio da cidade , promove esta que reflete sua importncia na prpria especialidade e no levan-tamento das peas. a msica que ergue o passado, quase narrando, em sua documentao se concentrando tda uma vivn-cia histrica. O acervo da Seo de Msica pde oferecer-se atravs de peas selecionadas, consagrados valores artsticos em seus autores e seus ttulos, componentes do Rio no que sejam o carter e a personalidade. Dir-se-, sem exagero, a crnica carioca atravs da msica. A complexidade da cidade, sempre matriz de irradiao cultural, sempre motivao artstica em seu universo urbano, ressurge como em um painel imenso. A msica popular guarda, em sobre-vivncia, no apenas a topografia e os bairros. Reprojeta, e para sempre, o carnaval, as modas feminina e masculina, os tipos populares, os acontecimentos polticos, os transportes e o teatro musicado. o testemunho musical de vrios tempos a configurar a tipicidade de uma cidade. No faltam ao menos peas do sculo XIX romances ou modhhas que se completam com o documentrio do teatro musicado.

    Mas, se a msica popular ocupa o maior espao, a msica eru-dita tambm se representa em peas de Villa-Lobos, Milhaud, Mignone e Gnatalli. A exposio, em consequncia, que encerra o programa da Biblioteca Nacional de homenagem ao quarto cen-tenrio do Rio de Janeiro, dispe de validade imensurvel j que se devolve cidade a msica que inspirou e constitui parte de si mesma.

    ADONIAS FILHO

    Diretor

  • - ssociando-se s comemoraes

    do 4 Centenrio da cidade do Rio de Janeiro, pretendeu a Seo de Msica apresentar um retrospecto histrico desta cidade atra-vs da msica, ou melhor, uma histria do Rio atravs de suas canes. Tal projeto, porm, no pde ser levado avante por falta de ma-terial que permitisse estabelecer uma sequncia cronolgica, e tivemos que nos contentar com um quadro mais modesto, uma crnica despretenciosa da vida carioca atravs da msica, do tempo do Imprio atualidade.

    Embora sem preocupao de esgotar o assunto, e tendo que nos restringir ao espao disponvel, sabemos que inmeras sero as alhas e omisses.

    A Cidade do Rio de Janeiro foi o tema escolhido e s criaes musicais que nela se tenham inspirado, seja na sua topoqraia, na beleza de suas montanhas e praias, ou no elemento humano que lhe d vida e intersse, so aqui apresentadas.

    Assim, nas primeiras vitrinas figuram peas que louvam o Rio em seu conjunto, e, logo a seguir, a cidade desmembrada em bairros, cada um com suas caractersticas prprias.

    A pea mais antiga que apresentamos , por coincidncia, a pri-meira do catloqo, e nela Neukomm, o ilustre msico austraco que nos visitou no incio do sculo passado, se despede dos ami-gos cariocas, quando em 1821 retorna Europa.

    No romance "Guanabara" (1852) temos, num feliz acaso, um m-sico portugus e um poeta brasileiro louvando as belezas da nossa baa e dedicando ao nosso Imperador esta pea, que foi a de data mais remota que encontramos.

  • Muitas foram as indicaes que passaram por nossas mos de peas anteriores citada, como a valsa "Amantes de Botafogo" (1837) de Candido Ignacio da Silva, "Saudades do Rio de Janeiro" (1839) de Simo Portugal, uma contradana francsa "Gentil Ca-rioca" (1837) de autor ignorado, o "Po de Acar" (1848) valsa de A. L. Moeser, "Salgueiro", canoneta publicada pelo "Rama-lhete das Damas" de 1847, etc., as quais, infelizmente, no conse-guimos encontrar.

    Tambm extraviada foi a pea "Como bela a minha terra" (1854) de Carlos Augusto de S e msica de Joo Cyrillo Muniz, "cuja poesia sbre as bellezas da Guanabara", diz iam os jornais da poca, " cheia de vida e a msica to melodiosa e arreba-tadora como os encantos da nossa terra."

    No s o setor popular, mas tambm a msica erudita se faz representar nas vitrinas com obras de Villa-Lobos, Milhaud, Ro-dmes Gnatalli e Francisco Mignone.

    Da passamos para a festa mxima do carioca o Carnaval. oportuno salientar que o critrio de escolha no recaiu, neces-sariamente, sbre as peas de maior sucesso, mas antes sbre as que cantam a festa popular por excelncia, aquelas nas quais o carnaval o assunto.

    A ttulo de curiosidade mencionamos a pequena pea de Rafael Coelho Machado, "Carnaval Fluminense", publicada por Laforge em 1850, e o "Carnaval do Rio" (1857) de Henrique Alves de Mes-quita, publicada por Buschmann & Guimares, ambas extraviadas.

    No grupo de peas satirizando acontecimentos polticos, figura o curioso "Lund dos dois Cndidos" (lamentavelmente s a letra da canoneta chegou at nossas mos) o mais remoto documen-to que encontramos, glosando fatos da vida pblica carioca, e que

  • foi cantado em 1834 no dia de entrudo no Flamengo, com msica de um tal Sr. Mingoti, do qual nada sabemos.

    Nas vitrinas que se seguem, so apresentados flagrantes da vida urbana: tipos populares; os progressos da cidade; epidemias; meios de transporte; melindrosas e almofadinhas; "na polcia e nas ruas"; bailaricos, sarus e gafieiras; e outros.

    Merece especial destaque a vitrina reservada ao Teatro Musicado, com as "Revistas de acontecimentos", to populares no sculo passado, e que eram um espelho da vida carioca, com textos, muitas vezes, dos nossos melhores escritores. Com o advento do sculo XX, o gnero foi se transformando, dando lugar ao "pot--pourri" musical.

    No podemos encerrar esta breve exposio, sem deixar aqui consignados nossos mais sinceros agradecimentos ao escritor Jos Teixeira Neves que, com seus vastos conhecimentos, tanto nos auxiliou e orientou no planejamento dste trabalho; a Mozart Araujo, sempre to solcito, pondo nossa disposio peas da sua preciosa biblioteca musical; e a Almirante que, franqueando--nos seu estupendo arquivo de msica popular brasileira, nos possibilitou a realizao da presente Mostra.

    MERCEDES REIS PEQUENO

  • A B R E V I A T U R A S :

    A . M . A . ARQUIVO MUSICAL ALMIRANTE

    C . M . A . COLEO MOZART ARAUJO

  • CIDADE DO RIO DE JANEIRO

    SEC- XIX

    Les adieux de Neukomm ses amis Rio de Janeiro. 7 Avril 1821.

    C.M.A.

    Cpia fotogrfica do manuscrito original pertencente Biblia teca Nacional de Paris.

    Sigismund Neukomm, msico austraco que, a convite do Duque de Luxemburgo. veio p a r a o Brasil em 1816, e aqui per-maneceu cinco anos.

    Grande amigo e admirador do Padre Jos Maurcio, partici-pou intensamente da vida musical no Rio de Janeiro, tendo sido professor de D. Pedro. Ao regressar Europa escreveu esta pea p a r a piano, despedindo-se dos amigos cariocas, como j o fizera ao partir p a r a o Brasil em 1816, escrevendo uma Fantas ia "Les a d i e u x . . . lors de son dpart pour le Brsil".

    Bella fluminense. Mazurka de Abdon Milanez. Rio de Ja-neiro, Narciso & Arthur Napoleo, Ch. n. 3130.

    C.M.A.

    O Carioca; celebre tango para piano por Cinira Polonio. Rio de Janeiro, Narciso & Arthur Napoleo, Ch. n. 2135.

    C.M.A.

    As Cariocas. | Coleo de peas para piano. | Rio de Ja-neiro, I. Bevilacqua, Ch. n. 2413.

    Flores Guanabarenses. 6 variaes e fantasias fceis e brilhantes para piano, sbre motivos de lindas modi-nhas brazileiras. Compostas por Adolpho Maersch. Rio de Janeiro, Salmon & C. | 1852/57 |

    Contedo. Alta noite tudo dorme [F. de Noronha]. Novos ares novos climas [M. A. Souza Queiroz].

    11

  • Meo corao vivia izento [G- F. Trindade]. Minha Marilia no vive [C. I. da Silva]. Adorei um'alma impura [G. F. Trindade]. Herva mimo-sa do campo [E. de Magalhes].

    Dizendo-se discpulo de Liszt e doutor em msica pela Aca-demia Real e Filarmnica de Berlim, chegou Maersch ao Brazil em 1849, propondo-se a ensinar harmonia, composio, piano e canto.

    6 Guanabara Fantasia para piano por Joana A. de F. Pe-reira. Rio de Janeiro, Narciso & Arthur Napoleo.

    7 Guanabara Romance dedicado a S.M.I. o Snr. D. Pedro II. Muzica de Victor Ribas. Poesia de Pires Ferro. Rio de Janeiro, Mercs & Ca., 1852.

    Joo Victor Ribas, pertencente a uma famlia de msicos portugueses, ioi compositor e instrumentista da Cape la Imperial.

    8 Guanabara. Quadrilha de Abdon Milanez. Rio de Janeiro, I. Bevilacqua, Ch. n. 2208. [ca. 1890]

    C.M.A.

    9 As Noites no Rio de Janeiro. Colleco de peas difficeis para piano. Rio de Janeiro, Fillippone e Tornaghi.

    Srie l anada em novembro de 1850, constando de trechos de peras transcritos pa ra piano.

    10 Prola do Rio. Mazurka para piano por Luigi Elena. Rio de Janeiro, Filippone e Tornaghi | 1870 |

    11 Rimembranze di Rio. L'Ange-mlodie religieuse. Paroles de Latour. Musique de Luigi Elena, op. 27- Milano, Ricordi, Ch. n. 45329.

    12 Soires de Rio, pour piano, par Arthur Napolon. Paris, Choudens, pre et fils, Ch. n. A. C. 7187.

    Coleo de nove peas pa ra piano.

    13 La Valseuse de Rio. Valsa [para piano] por Eduardo A. V. Silva. Rio de Janeiro, Buschmann e Guimares, Ch. n. 1809.

    12

  • SEC. XX

    14 Concrto carioca, para piano e orquestra, por Radams Gnatalli. 1 9 5 1

    Manuscrito original gentilmente cedido pelo compositor.

    15 Imagens do Rio, de Francisco Mignone. Fantasia Sinfni-

    ca IV Centenrio da Cidade (1965)

    Manuscrito original gentilmente cedido pelo compositor.

    16 Luar da Guanabara Arabesco de Assuero Garritono. Piano- Rio de Janeiro, E. Bevilacqua, Ch. n. 8253 [ca. 1920].

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