Rolimã seg edição

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  • Revista Rolim Maro de 2014 | 1

  • 2 | Revista Rolim Maro de 2014

  • Caro leitor,

    Rolim chega sua segunda edio sem se esquivar de discutir temas polmicos. Afinal, acreditamos que ns, atores do Sistema de Garantia dos Direitos (SGD), temos a obrigao tica de no nos furtarmos de sustentar discusses pblicas que busquem assegurar a garantia dos direitos de meninos e meninas, tanto em nvel local quanto nacional. dever do SGD construir e apresentar argumentos convincentes contra propostas que prejudiquem o desenvolvimento integral de crianas e adolescentes. Acreditamos que discusses como a proposta de reduo da maioridade penal (p. XX) e as cticas levianas ao Bolsa Famlia (p. XX), tratadas nesta edio da revista, devem ser encaradas de frente por todos ns.

    Em nenhum momento abriremos mo da responsabilizao e ressocializao dos adolescentes autores de atos infracionais. No entanto, alm de um ato de profunda averso aos direitos humanos, a proposta de reduo da idade penal significa renegar todo o esforo pela estruturao do atendimento socioeducativo que vem sendo gestada com dificuldades em nosso pas nos ltimos 24 anos. A proposta de reduo da maioridade penal um caso clssico de se jogar fora a gua do banho com o beb junto.

    No possvel abrirmos mo do atual modelo de responsabilizao de adolescentes autores de ato infracional sem que ele tenha sido sequer implementado em sua totalidade pelo Estado. No possvel testar a qualidade de uma obra que no foi finalizada. Vale lembrar que apesar de as medidas socioeducativas estarem previstas no Estatuto da Criana e do Adolescente desde 1990, a aprovao do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo s aconteceu em 2012. Vale lembrar que o investimento dos estados em centros de internao ainda marginal vide as denncias recentes de adolescentes presos em cadeias e presdios em Minas. Vale lembrar que a aplicao de medidas socioeducativas em meio aberto, por parte dos municpios, ainda extremamente frgil. Qualquer proposta que se levante como contrria ao modelo de atendimento socioeducativo atual irresponsvel, pois renega todo um planejamento que vem sendo gestado a duras penas nos ltimos anos e que no foi implementado de fato, por ainda no ser visto como prioridade pelos poderes executivos municipais, estaduais e federal. Qualquer proposta de reduo da idade penal que emerja a partir de casos isolados de atos infracionais, como ensaiam alguns parlamentares e alguns candidatos s prximas eleies, oportunismo poltico.

    Outro alvo de questionamentos de setores conservadores que merece nossa ateno so os programas de transferncia de renda populao de baixa renda, como o Bolsa Famlia. O programa, sozinho, incapaz de resolver o problema da misria, mas deve ser pensado como um instrumento importante para a construo da cidadania e de mobilidade social da parcela da populao por ele beneficiada. Implicaes como a reduo da desnutrio infantil e controle dos ndices de trabalho infantil no devem ser negligenciados ou substitudos por um discurso reducionista de que preciso ensinar a pescar, no dar o peixe.

    Boa leitura e bom debate!

    CARTA AO LEITOR

  • Oficina de Imagens Comunicao e EducaoPRESIDENTA: Alcione RezendeVICE-PRESIDENTE: Andr HallakCOORDENAO INSTITUCIONAL: Adriano Guerra e Bernardo BrantNCLEO DE APOIO TCNICO: Vander Maciel e Simone Guabiroba

    Em defesa dos direitos da criana e do adolescente

    EXPEDIENTE

    Projeto Centro de Informao em Direitos da Criana e do Adolescente, convnio de Cooperao Financeira no 117/2013, celebrado entre a Oficina de Imagens Comunicao e Educao e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese) com intervenincia do Conselho Estadual dos Direitos da Criana e do Adolescente (Cedca)

    Uma produo da Central de Notcias Oficina de ImagensREDAO: Anna Cludia Gomes, Brbara Pansardi, Eliziane Lara, Filipe Motta, Gabriella Hauber e Thais MarinhoSUPERVISO EDITORIAL: Adriano GuerraEDIO: Filipe Motta ASSISTENTE DE EDIO: Brbara PansardiCOLABORADORES: Andrea Souza, Carolina Abreu, Felipe Borges, Jessica Soares, Larissa Veloso e Smia BechelaneCAPA: Foto de Andrea SouzaCOORDENAO: Guabiroba Ensino e Comunicaes Ltda. PROJETO GRFICO E DIAGRAMAO: AMI Comunicao & DesignPARCERIA: ValeIMPRESSO: Rona Editora | TIRAGEM: 5.000 exemplares

    rolima@oficinadeimagens.org.brRua Salinas, 1101, Santa Tereza, Belo Horizonte - MG Tel: (31) 3465-6801/6803

    ENTRE EM CONTATO CONOSCO:

    Ao nos aproximarmos do 24 aniversrio do Esta-tuto da Criana e do Adolescente (ECA), comemorados neste 13 de julho, fechamos o primeiro semestre com a aprovao de quatro instrumentos legais que dialogam imensamente com o modo como lidamos com os direi-tos de crianas e adolescentes no Brasil e que reforam os ideais do ECA. Num curto perodo de tempo, o pas passou a contar com a nova edio do Plano Nacional da Educao (PNE), com a Lei Menino Bernardo que trata da violncia fsica contra meninos e meninas , com a Emenda Constitucional do Trabalho Escravo e com o Decreto Nacional de Participao Social.

    Pena que tenha sido necessrio o acontecimento de uma tragdia de repercusso nacional para a que a Lei Menino Bernardo fosse aprovada. Caso esse projeto de lei no tivesse enfrentado, nos ltimos cinco anos, tama-nha resistncia por uma parcela conservadora da opi-nio pblica e por parte dos congressistas, talvez a morte de Bernardos e de outras centenas de crianas poderiam ter sido evitadas sem falar nos traumas fsicos e psico-lgicos permanentes que a violncia implica na vida de milhes de crianas e adolescentes em nosso pas.

    Acreditamos que o Estado tem, sim, o dever de inter-ferir em questes domsticas a partir do momento em que essas questes dizem respeito aos direitos humanos de quem est envolvido. Palmada no educa, violenta, traumatiza. Os castigos fsico e psicolgico so questes privadas de interesse pblico. Precisam ser debatidos, expostos, questionados.

    Pena, tambm, que o Brasil tenha passado quase qua-tro anos sem um documento de planejamento bsico para a gesto da educao. A ltima edio do PNE expirou

    EDITORIALQuatro conquistas nos 24 anos do ECA

    em 2010. Se no momento certo, a nova verso do Plano teria vigncia at 2020 agora vai at 2024. O pas adiou em quatro anos a conquista de metas importantes no setor, como a ampliao da educao em tempo integral e as melhorias na carreira e na formao dos professores. O investimento de 10% do PIB brasileiro para a educa-o uma vitria. Mas fundamental que estejamos aten-tos para que as demais metas do PNE sejam alcanadas elas so indicadores de que os 10% esto sendo aplica-dos corretamente.

    Outra normativa que merece ateno o Decreto Nacional da Participao Social. Ao valorizar o papel dos conselhos e conferncias de polticas pblicas, e ao propor novos espaos de dilogo entre essas arenas o documento refora os canais de dilogo entre a sociedade civil e o poder pblico. So sempre louvveis as tentativas de se ampliar a comunicao entre o poder executivo e a socie-dade civil. O decreto aprofunda a democracia brasileira ao reforar direitos j estabelecidos na Constituio de 1988.

    Mais que um mrito do Congresso ou do governo federal, as aprovaes dessas legislaes s foram poss-veis devido presso e atuao estratgica de atores da sociedade civil, com destaque para a Rede No Bata, Eduque, no caso da Lei Menino Bernardo, e da Campa-nha Nacional pelo Direito Educao, na nova edio do PNE. Temos que comemorar os presentes que o ECA ganhou neste ltimo semestre. Mas eles no nos foram dados, foram conquistados.

    Alguns demoraram para a chegar, mas tomara que esses processos de luta sirvam de inspirao para a garan-tia de direitos de crianas e adolescentes em cada um dos municpios brasileiros.

  • SUMRIO

  • 6 | Revista Rolim Maro de 2014

    O que adotar? Adotar o ato jurdico solene pelo qual algum es-tabelece, independentemente de qualquer relao de parentesco fun-dado na consanguinidade ou na afinidade, vnculo de parentalidade, trazendo para sua famlia, na condio de filho, o ser gerado por ou-trem, dando origem a uma relao jurdica de parentesco civil entre adotante e adotado.

    Por famlia entende-se o grupo de pessoas unidas pelos laos scio-afetivos independentemente de eventuais laos consanguneos. Ado-o e famlia esto intrinsecamente ligadas em razo do afeto e do CUIDADO como linha constitutiva da parentalidade e da filiao.

    A adoo regida pelo Estatuto da Criana e do Adolescente Lei n 8.069/90 -, em seus artigos 39 a 52D, dentre outros e depende de prvia habilitao arts. 50, 197A/197E com exceo dos casos em que o pedido seja unilateral, ou formulado por parente com o qual a criana ou adolescente mantenha vnculos de afinidade e afetividade, ou formulado por quem detm a tutela ou guarda legal de criana maior de 3 (trs) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de convivncia comprove a fixao de laos de afinidade e afetividade, e no seja constatada a ocorrncia de m-f ou qualquer das situaes previstas nos arts. 237 ou 238 do ECA. A regra , portanto, a neces-sria habilitao prvia onde os candidatos adoo comprovem pe-rante a justia a aptido ao exerccio da parentalidade responsvel.

    A adoo objetiva atender ao melhor interesse da criana, inver-tendo o paradigma tradicional de busca de crianas para pessoas im-possibilitadas de ger-las pelas vias naturais, privilegiando a busca de famlias para crianas alijadas da convivncia familiar pelos motivos a seguir expostos.

    Crianas e adolescentes em acolhimento institucional, anterior-mente denominadas abrigadas, esto em tais condies por um, ou vrias das seguintes prticas pelos detentores do poder familiar, na forma prevista no Cdigo Civil em seus arts. 1637/1638: abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filho; castigar imoderadamente o filho; deixar o filho em abandono; praticar atos contr