RONDA CULTURAL - uece.br .Ser£o utilizadas tamb©m duas viaturas policiais. Entendemos que a imagem

  • View
    213

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of RONDA CULTURAL - uece.br .Ser£o utilizadas tamb©m duas viaturas policiais. Entendemos que...

RONDA CULTURAL

A Atividade Policial na Mediao Social e Interveno Cultural

Fortaleza Abril de 2010

1 Contextualizao e Justificativa

O quadro atual da segurana pblica no Brasil passa por uma crise

estrutural em grande escala. O ltimo relatrio das Naes Unidas sobre execues

arbitrrias, sumrias, e extrajudiciais, revela o distanciamento da segurana pblica em

relao comunidade. Os dados explicam o medo e a desconfiana da populao em

relao Polcia, ao mesmo tempo revelam porque as polticas de segurana pblica se

mostraram ineficazes nos seus propsitos de garantir a ordem pblica e o bem estar

coletivo.

A maioria dos agredidos e agressores so jovens, em grande parte negros,

entre 15 a 29 anos, moradores de aglomerados ou favelas. Isso contribui para a criao,

pela sociedade, de rtulos negativos quanto atitude desses jovens, o que tende a

agravar a situao, levando defesa de mtodos mais truculentos e arbitrrios, tais

como a pena de morte e a reduo da maioridade penal, medidas ineficazes no combate

violncia, e em particular, criminalidade juvenil.

Existem no mundo milhes de jovens desempregados na faixa etria de

16 a 30 anos e nmeros significativos de jovens subempregados, que recebem quantia

insuficiente para suas necessidades bsicas. A realidade brasileira no foge a regra e

confirma esses dados.

Nesse contexto, a questo da violncia envolvendo a juventude assume

especial significado no Brasil, largamente identificado e reconhecido como um Pas

jovem, preenchendo o espao do vcuo deixado pelas polticas pblicas, ao mesmo

tempo em que se apresenta contraditoriamente como alternativa de expresso e quebra

da invisibilidade social imposta a esse jovem.

Superando as debilidades questionadas historicamente, surge no Estado

do Cear uma proposta diferenciada de fazer Segurana Pblica, denominada como

Programa Ronda do Quarteiro.

Esse programa apresenta um tipo de ao policial que institui como base

fundamental o dilogo da Polcia com a comunidade, estabelecendo uma relao de

ateno, contraposta postura arbitrria e violadora de direitos humanos.

As abordagens policiais nas ruas da cidade configuram situaes de

encontro entre Polcia e populao, particularmente a populao jovem. Porm, quando

essa abordagem no perfeitamente executada pode resultar em um ato violento.

Segundo a pesquisadora Silvia Ramos, da Universidade Cndido

Mendes, a abordagem policial constitui um momento em que as pessoas tm contato

direto com a Polcia na qualidade de cidados comuns. Por essas caractersticas, as

experincias de abordagens so uma fonte potencialmente muito importante de gerao

de imagens e opinies positivas ou negativas sobre as foras de segurana. Na outra

ponta desse problema, temos os Profissionais de Segurana Pblica, em sua maioria

jovens policiais militares e civis, oriundos tambm dessa mesma realidade.

A atividade policial representa o uso de fora da sociedade contra ela

mesma. Sendo o policial membro dessa sociedade, podemos entender Polcia como

povo especializado e profissional responsvel pela manuteno da ordem pblica.

Para a Polcia no existe pessoa suspeita, mas atitudes suspeitas. Porm,

na prtica policial isso no uma realidade. Segundo estudos na Universidade Cndido

Mendes, feitos pela pesquisadora Silvia Ramos, existe sim um perfil do elemento

suspeito, e esse geralmente jovem. Vrios estudos tambm apontam a existncia de

uma importante tenso na relao entre a juventude e a Polcia. Essa tenso gerada

pela freqncia de uma abordagem policial contra esse grupo, o que cria um hiato que

distancia os jovens da Polcia, levando-os a no suportarem a presena policial no seu

territrio.

O fato que nem os jovens gostam da Polcia, e nem a Polcia atura as

atitudes dos jovens, geralmente vistas como uma afronta contra a autoridade policial.

comum observar hostilidade de ambas as partes. Essa tenso torna ambos Elementos

Suspeitos.

A proposta do projeto RONDA CULTURAL a construo de uma

ponte que possibilite um dilogo entre Polcia e juventude, com o entendimento por

parte da Polcia das manifestaes, diversidade, estilos e dinmicas do mundo cultural

urbano juvenil, e, por parte dos jovens, um novo entendimento das contradies e das

prticas policiais, visando um novo fazer policial em que jovens das comunidades e

jovens policiais sejam mais que meros atores de um conflito, mas se construam como

agentes de mediao social e interveno cultural.

2 Objetivo Geral

Diminuir a violncia juvenil e aproximar a Polcia Militar da juventude

por meio de oficinas de hip hop ministrada por policias e integrantes da Central nica

das Favelas (CUFA).

3 Pblico Alvo

Alunos das escolas pblicas e particulares.

4 Capacitao dos Policiais Militares

1 ms divulgao e adeso

- Workshops de sensibilizao e mobilizao nos quartis da PM com

apresentao de Hip-Hop;

- Ao final do ms os coordenadores, a equipe de instrutores e os parceiros

faro uma avaliao da divulgao e a seleo dos participantes por oficina.

2 ms

1 e 2 semana Incio da Capacitao

Horrio das oficinas

9:00h s 12:30h

14:00h s 16:45h

Programa das oficinas:

- Aulas especificas por modalidade;

- Exibio de filmes e documentrios;

- Debates, palestras e bate papos com convidados;

- Roda de conversa entre os participantes.

3 e 4 semanas - Capacitao

- Aulas especificas por modalidade;

- Exibio de filmes e documentrios;

- Debates, palestras e bate papos com convidados;

- Roda de conversa entre os participantes.

3 ms - Apresentaes

- Apresentao nas escolas como fechamento das oficinas, contando com o

apoio da viatura cultural.

5 Descrio dos Servios

Sero formadas 2 equipes (distribudas em duas viaturas cultural),

compostas com integrantes da PM (Ronda do Quarteiro). Cada equipe ser composta

por 05 participantes todos capacitamos com os quatro elementos que compem o hip

hop, sendo utilizado como meio de aproximao aos jovens.

As equipes do Ronda Cultural atuaro nas escolas da rede pblica de

ensino. Onde iniciaro apresentando o projeto para direo da escola. O passo seguinte

ser a divulgao entre os alunos, para que, por meio de uma adeso voluntria, sejam

formadas as turmas. As aulas acontecero no contra-turno, ou seja, quem estuda no

turno da manh assistir s aulas a tarde e os alunos da tarde tero aulas pela manh.

Sero utilizadas tambm duas viaturas policiais. Entendemos que a

imagem das viaturas policiais sempre foi associada represso, limitao e imposio.

O impacto de uma viatura policial na juventude de comunidades lembra mais o medo

que proteo, diviso que unio, intranqilidade que tranqilidade. No imaginrio

juvenil, polcia sinnimo de arbitrariedade, desconfiana e medo.

Os veculos que usaremos serviro como instrumento de aproximao e

de associao da imagem do Ronda do Quarteiro a uma polcia preocupada com os

valores dos jovens das comunidades, por isso a necessidade desses veculos terem as

mesmas caractersticas de uma viatura usualmente utilizada no policiamento ostensivo.

O diferencial apresentado nessa viatura ser a adaptao de ferramentas culturais, de

udio e vdeo, alm de artes integradas da msica, expresso corporal do teatro e da

dana, juntamente com as artes visuais do grafite.

Com este diferencial, por meio de apresentaes culturais, iremos atrair

os jovens da comunidade, que em parceria com os policiais desenvolvero um novo

modelo de abordagem policial rompendo com todas as estratgias de aproximao

anteriormente utilizadas.

6 Metodologia de execuo do projeto

6.1 Atividades Introdutrias

As atividades introdutrias sero desenvolvidas com vistas a alcanar

trs objetivos bsicos, quais sejam: a) Aproximar os policiais da juventude, por meio de

uma apresentao de hip hop feita por policiais militares (Ronda Cultural), nas escolas

aonde ser desenvolvido o projeto, com o objetivo de convidar os alunos a participar

das oficinas ministradas por policiais e integrantes da Central nica das Favelas

(CUFA); b) Selecionar os alunos e inicias as oficinas, proporcionando momentos de

integrao entre os policiais e os jovens; c) Aplicar um questionrio na escola para

avaliar o sentimento de confiana na polcia.

6.2 Atividades Curriculares

O curso ter durao de um ms, e ser abordado semanalmente um

elemento que compe o hip hop. Nessas oficinas sero abordados transversalmente

temas como: violncia, criminalidade, drogadio, doenas sexualmente transmissveis

e bullyng. As aulas sero ministradas de segunda a quinta-feira. Neste ltimo dia

teremos o que denominamos Papo de Responsa, inspirado em uma idia originada de

um projeto desenvolvido de forma exitosa pela Polcia Civil do Rio de Janeiro. O

papo o momento onde assenta juntos policiais e jovens. Nesse momento os jovens

falam para os policias o que eles pesam sobre a polcia e o que pode ser feito para

melhorar esse relacionamento juventude e polcia. Os policiais ouvem os