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Roteiro de Aula - Da Era Vargas ao Governo Dilma

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  • 1. ROTEIRO DE AULA HISTRIA DO BRASIL Professor Josaf S. Lima Matria Histria do Brasil (Da Era Vargas ao Governo Dilma) CONTEDO A ERA VARGAS Introduo aos Fatores da Decadncia e o Fim da Repblica Velha O domnio exclusivo da oligarquia cafeeira durante a Repblica Velha a partir dos anos finais da dcada de 20 foi cada vez mais contestado, abalando a estrutura poltica que sustentou o seu poder. O momento crucial dessas contestaes se deu com o Movimento Tenentista (1922-1926). Mas as dissidncias no interior da oligarquia se acentuaram com a crise econmica, de mbito mundial, desencadeada com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. A economia cafeeira, base de nossas exportaes, sofria com a retrao do mercado e a safra de caf de 1929/30 foi uma das maiores da histria. Havia muito produto, mas nenhum comprador. Tornou-se impossvel obter emprstimos internacionais para manter a poltica de valorizao do caf. O paulista Washington Lus, na presidncia, pouco pode fazer para minimizar os prejuzos da cafeicultura. Os fazendeiros interpretaram sua recusa em socorrer o setor como traio poltica, e muitos passaram a fazer oposio a ele. Seguindo as regras da poltica do Caf-com-leite, o mineiro Antnio Carlos de Andrada deveria ser indicado para a sucesso de Washington Lus. No entanto, o presidente indicou outro paulista, Jlio Prestes, fato que provocou uma ciso entre as oligarquias paulista e mineira, ou seja, entre o PRP (Partido Republicano Paulista) e o PRM (Partido Republicano Mineiro). Os polticos gachos aproveitaram essa ciso para articular uma oposio candidatura oficial se compondo com o Partido Democrtico de So Paulo, dissidncia do PRP desde 1927, polticos da Paraba e, evidentemente, de Minas gerais. Nasceu assim, das mos do mineiro Antnio Carlos a Aliana Liberal, ou seja, uma frente de oposies. O candidato da Aliana foi o gacho Getlio Vargas e seu vice foi Joo Pessoa (lder paraibano). Vargas propunha um estado forte e nacionalista. Vrios setores deram apoio candidatura de Vargas: as oligarquias do Sul e do Nordeste, os mineiros e inclusive os tenentes que se encontravam, ou no exlio, ou na clandestinidade; j que as propostas polticas da Aliana Liberal se identificavam com as do Movimento Tenentista. Realizadas as eleies, depois de uma campanha bastante agitada, os resultados deram a vitria ao candidato Jlio Prestes (PRP). Setores importantes da oposio passaram a defender o recurso s armas para chegar ao poder. Mas no havia consenso quanto a isso. A posio dos que defendiam a via armada foi reforada quando, em Recife, o lder paraibano Joo Pessoa foi assassinado. O levante armado tornou-se irreversvel, sendo marcado para 3 de outubro de 1930 e seria desfechado a partir do Rio Grande do Sul sob o comando poltico de Getlio Vargas e o militar Ges Monteiro. Do sul para o norte, at chegar a So Paulo os revolucionrios praticamente no encontravam resistncia. Vargas era recebido com ovao em cada cidade que chegava. No Nordeste, Recife foi tomada por Juarez Tvora e seus tenentes, com ajuda de foras populares. Em Belo Horizonte, houve forte resistncia das foras fieis a Washington Lus. Depois de 5 dias de combates, a capital mineira e todo o estado estava nas mos dos revolucionrios. So Paulo, onde se esperava maior resistncia, rendeu-se s foras revolucionrias, assim que chegou a notcia da deposio do presidente, no dia 24 de outubro, pelo
  • 2. alto comando das foras armadas. Na capital paulista, a populao invadiu e destruiu jornais favorveis ao governo deposto. O alto comando das Foras Armadas formou uma junta Pacificadora que entregou o poder a Getlio Vargas. Acabava, assim, a Repblica Oligrquica dos cafeicultores e nascia a Era Vargas. A Revoluo de 1930, no teve um carter de luta de classes bem definido. A nova composio do poder englobava diferentes setores da sociedade brasileira. O governo inaugurou at uma poltica que contemplava as massas populares urbanas. Um novo Estado se estabeleceu no Brasil depois de 1930. Essa diversidade de grupos sociais representada no governo provisrio dificulta a identificao dos vencedores do movimento revolucionrio de 1930. Porm, era fcil identificar o perdedor: a oligarquia paulista ou o PRP. Introduo Era Vargas A vitria do movimento de 1930, em meio a Revoluo de 30, deu incio a uma fase na histria do Brasil marcada pela liderana poltica de Getlio Vargas. Esse perodo ficou conhecido como Era Vargas ou Perodo Getulista, e se estendeu at 1945. Durante esses 15 anos, ocorreram significativas transformaes poltico-sociais no pas, principalmente em funo do novo rumo das polticas pblicas. A populao urbana cresceu em relao agrria, a importncia da indstria na economia nacional se ampliou e o poder dos empresrios das cidades aumentou, em comparao com o poder dos produtores rurais. Os setores mdios urbanos e o operariado cresceram em nmero e conquistaram maior importncia na vida poltica do pas. A Era Vargas dividiu-se em trs fases: Governo Provisrio (1930-1934), Governo Constitucional (1934-1937) e Governo Ditatorial ou Estado Novo (1937-1945). Um dos primeiros ministrios criados por Vargas frente do Governo Provisrio foi o do Trabalho, Indstria e Comrcio. Atravs dele foi inaugurada uma nova relao entre Estado e as classes trabalhadoras. A questo social deixava de ser um caso de polcia. Ainda neta fase, demonstrando uma ampliao das preocupaes do Estado foi criado o Ministrio da Educao e sade. O poder pblico se tornava mais intervencionista e contemplava outros interesses sociais, superando a viso estreita que a oligarquia tinha das funes do Estado. Principais medidas tomadas por Getlio Vargas no sentido de assumir o controle poltico do pas durante o Governo Provisrio: - nomeou ministros de Estado de sua confiana; - fechou o Congresso Nacional, as Assemblias Legislativas Estaduais e as Cmaras Municipais (Anulou o poder Legislativo em todo o pas); - extinguiram todos os partidos polticos; - suspendeu a Constituio Republicana de 1891; - indicou interventores para chefiar os governos estaduais e municipais. Na medida em que o governo de Vargas foi se firmando no poder, foi revelando suas principais caractersticas: centralizador, preocupao com a questo social dos trabalhadores e defesa das riquezas nacionais. Isso acabou assustando a oposio poltica de So Paulo que desejava a volta da Repblica Velha, uma nova Constituio e retornar ao poder. Para enfrentar o governo Vargas, a oligarquia paulista do PRP (Partido Republicano Paulista) formou uma frente nica com o Partido Democrtico que apoiou a Revoluo de 1930, mas estava descontente com a nomeao de Joo Alberto Lins de Barros para interventor de So Paulo. Cedendo as presses, Getlio Vargas nomeou outro interventor (Pedro de Toledo). Porm, essa medida no foi suficiente. A oligarquia paulista queria novas eleies, convocao de uma nova Assemblia Nacional Constituinte e uma nova constituio para o pas. Em maio de 1932, durante uma manifestao pblica contra o governo federal, quatro estudantes de So Paulo morreram em conflito de rua (Martins, Miragaia, Drusio e Camargo). A morte desses estudantes exaltou ainda mais os nimos dos paulistas. Com as iniciais dos nomes dos estudantes formouse a sigla MMDC (que se tornou o smbolo do Movimento Constitucionalista). Em julho de 1932, explodiu
  • 3. a Revoluo Constitucionalista de 32. So Paulo reuniu armas e 30 mil homens para lutar contra o governo federal. Somente Mato Grosso se aliou aos paulistas. Porm, depois de trs meses de luta, os paulistas foram derrotados pelas tropas federais. Mas, embora derrotados militarmente, os paulistas se consideraram vitoriosos em termos polticos. Pois, Getlio Vargas, terminada a revolta, garantiu a realizao de eleies para a Assemblia Nacional Constituinte com o propsito de elaborar uma nova constituio para o pas. A Constituio de 1934 Em 15 de novembro de1933 tiveram incio os trabalhos da Assemblia Nacional Constituinte para a elaborao da nova Constituio Brasileira. Os seus membros formaram dois grupos: os eleitos pela representao dos Estados e os eleitos pelos sindicatos profissionais, denominados classistas. No dia 16 de julho de 1934 foi publicada a nova Constituio do pas. Promulgada essa nova Constituio, algumas inovaes foram observadas: - Voto Secreto a eleio dos candidatos aos poderes Executivo e Legislativo seria feita por meio do voto secreto; - Voto Feminino - as mulheres adquiriram o direito de voto, e continuavam sem direito: os analfabetos, mendigos e militares at sargento. Criou-se uma justia eleitoral independente para zelar pelas eleies. - Direitos Trabalhistas direito ao salrio mnimo, jornada de trabalho no superior a 8 horas dirias, proibio do trabalho de menores de 14 anos, frias anuais remuneradas, indenizao na demisso sem justa causa. - Nacionalismo Econmico defesa das riquezas naturais do pas, que seriam propriedades do governo da unio. A Constituio de 1934 estabelecia que, aps sua promulgao, o primeiro presidente da repblica seria eleito de forma indireta, pelos membros da Assemblia Nacional Constituinte para exercer um mandato de quatro anos que se findaria em 1938. Getlio Vargas foi o vitorioso. Assim sendo, teve o incio o denominado Governo Constitucional de Vargas (1934-1937). Nesse perodo de legalidade do governo varguista, houve intensa agitao social e poltica no pas, com destaque para dois grupos polticos, com ideologias diferentes: os integralistas e os aliancistas. AIB (Ao Integralista Brasileira Os Integralistas) apoiados pelas oligarquias tradicionais e setores elitistas da Igreja Catlica. O lder era Plnio Salgado (intelectual). Era uma espcie de nazifascistas. Seu manifesto era uma cpia adaptada das idias de Benito Mussolini e Hitler. Sua principal bandeira de luta era: combate ao comunismo e ao liberalismo, defesa do nacionalismo extre