ROTEIRO DE AULA REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO ...· ROTEIRO DE AULA REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO

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  • Fernanda Marinela fernandamarinela @FerMarinela

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    ROTEIRO DE AULA

    REGIME JURDICO ADMINISTRATIVO - CONTINUAO

    PRINCPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE

    O princpio da razoabilidade representa um limite para a

    discricionariedade do administrador, exigindo uma relao de pertinncia

    entre oportunidade e convenincia, de um lado, e finalidade legal de outro.

    Agir discricionariamente no significa agir desarrazoadamente, de maneira

    ilgica, incongruente. A lei no protege, no encampa condutas

    insensatas, portanto, ter o administrador que obedecer a critrios

    aceitveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal. Tal

    princpio probe a atuao do administrador de forma despropositada ou

    tresloucada, quando, com a desculpa de cumprir a lei, age de forma

    arbitrria e sem qualquer bom senso. Trata-se do princpio da proibio

    de excessos. A razoabilidade princpio implcito no texto

    constitucional e expresso na lei ordinria, especificamente no art. 2

    da Lei n 9.784/1999, que define as regras sobre processos

    administrativos.

    O princpio da proporcionalidade exige equilbrio entre os meios

    de que se utiliza a Administrao e os fins que ela tem que

    alcanar, segundo padres comuns da sociedade em que se vive,

    analisando sempre cada caso concreto. A atuao proporcional da

    autoridade pblica exige tambm uma relao equilibrada entre o sacrifcio

    imposto ao interesse de alguns e a vantagem geral obtida, de modo a no

    tornar a prestao excessivamente onerosa para uma parte. Por fim, o

    foco est nas medidas tomadas pelo Poder Pblico, no podendo o agente

    pblico tomar providncias mais intensas e mais extensas do que as

    requeridas para os casos concretos, sob pena de invalidao, por violar a

    finalidade legal e, consequentemente, a prpria lei.

    Portanto, sendo a deciso manifestamente inadequada para

    alcanar a finalidade legal, a Administrao ter exorbitado os limites da

    discricionariedade, violando assim o princpio da proporcionalidade,

    devendo o Poder Judicirio corrigir essa ilegalidade1 com a anulao do

    1 Nesse sentido: [...] Embora o Judicirio no possa substituir-se Administrao na punio do servidor, pode determinar a esta,

    em homenagem ao princpio da proporcionalidade, a aplicao de pena menos severa, compatvel com a falta cometida e a previso legal. Este, porm, no o caso dos autos, em que a autoridade competente, baseada no relatrio do processo disciplinar, concluiu pela prtica de ato de improbidade e, em consequncia, aplicou ao seu autor a pena de demisso, na forma dos arts. 132, inciso IV, da Lei n 8.112/1990, e 11, inciso VI, da Lei n 8.429/1992. Concluso diversa demandaria exame e reavaliao de todas as provas integrantes do feito administrativo, procedimento incomportvel na via estreita do writ, conforme assentou o acrdo recorrido. Recurso ordinrio a que se nega provimento (RMS 24.901/DF, STF Primeira Turma, Rel. Min. Carlos Britto, DJ: 11.02.2005, p. 13).

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    ato, sendo impossvel anular somente o excesso. Diante desse contexto,

    tambm possvel a responsabilizao do administrador pblico, inclusive

    pelo abuso de poder, o que pode ser configurado com o reconhecimento

    do excesso de poder ou do desvio de finalidade.

    Esse princpio no est expresso no texto da Constituio,

    entretanto, alguns dispositivos podem ser utilizados como fundamento

    para o seu reconhecimento, como, por exemplo, o art. 37 c/c com art. 5,

    inciso II, e art. 84, inciso IV, todos da Constituio Federal. Encontra-se,

    ainda, previso na Lei n 9.784/1999, que dispe sobre processo

    administrativo e estabelece, em seu art. 2, pargrafo nico, incisos VI,

    VIII, IX e art. 29, 2, o princpio da razoabilidade com a feio de

    proporcionalidade.

    Comentaremos os princpios da continuidade do servio pblico, da

    autotutela, da motivao, da especialidade nos tpicos respectivos de cada

    assunto pertinente aos mesmos.

    PRINCPIO DA CONTINUIDADE

    Exerce um papel importantssimo no dever estatal de prestao dos

    servios pblicos. Este princpio depende de um tratamento especial,

    porque objeto de muitas discusses na doutrina e na jurisprudncia em relao proteo dos usurios do servio, s questes de

    inadimplemento e s regras do Cdigo de Defesa do Consumidor.

    ATENO: a lei autoriza a interrupo do servio, no

    se caracterizando a sua descontinuidade, quando tipificada

    situao de emergncia ou com prvia comunicao ao usurio, quando este for inadimplente ou no oferecer as

    condies tcnicas necessrias para que a concessionria

    possa prestar o seu servio. Quanto s condies tcnicas, o

    corte est autorizado desde que motivado por razes de ordem tcnica ou de segurana das instalaes, devendo a

    empresa comunicar previamente ao usurio, no constituindo,

    este caso, violao ao princpio da continuidade (art. 6, 3, I, da citada lei). No que tange ao inadimplemento, para

    proteger os interesses da coletividade, tambm possvel a

    interrupo do servio, conforme previso do inciso II do 3

    do dito art. 6. A aplicao desta disposio legal gera muita divergncia na doutrina e na jurisprudncia. Para os

    defensores de sua aplicao, a interrupo do servio decorre

    da aplicao do princpio da supremacia do interesse pblico, considerando que, se a empresa continuar prestando o servio

    para os usurios inadimplentes, se tornar incapaz

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    financeiramente para manter a prestao coletividade

    adimplente, gerando, assim, o benefcio da minoria em

    prejuzo da maioria. Tampouco seria razovel esperar que a empresa prestadora do servio continuasse a oferec-lo,

    tendo que, ms a ms, buscar no Judicirio, via ao prpria,

    o valor correspondente ao gasto do devedor. Admite-se tambm, como fundamento desse dispositivo, o princpio da

    isonomia, no sendo possvel o tratamento igual (manuteno

    do servio) aos usurios desiguais (adimplentes e

    inadimplentes). Essa hiptese tambm exige prvia comunicao, sob pena de indenizao.

    PRINCPIO DA AUTOTUTELA:

    Este princpio estabelece que a Administrao pode controlar os seus

    prprios atos seja para anul-los, quando ilegais, ou revog-los, quando

    inconvenientes ou inoportunos, independentemente de reviso pelo Poder Judicirio. Smulas ns. 346 e 473 do STF e art. 53 da Lei n. 9.784/99.

    Serve tambm para designar o poder que tem a Administrao

    Pblica de zelar pelos bens que integram o seu patrimnio, atravs do

    exerccio do poder de polcia e independentemente de ttulo do Poder Judicirio.

    PRINCPIO DA ESPECIALIDADE

    Quando o Estado institui pessoas jurdicas administrativas, como forma de

    descentralizar a prestao de servios pblicos, depende de lei para criar

    ou autorizar a sua criao, instrumento que tambm ir determinar as

    suas finalidades especficas. Essas pessoas jurdicas esto vinculadas citada finalidade, caracterizando assim o princpio da especialidade, no

    podendo o administrador furtar-se de cumpri-la.

    PRESUNO DE LEGITIMIDADE:

    Todo ato administrativo presumidamente legal (obedincia lei),

    legtimo (obedincia s regras da moral) e verdadeiro, at que se prove o contrrio; trata-se de presuno relativa (juris tantum), e o nus da prova

    cabe a quem alega.

    ORGANIZAO DA ADMINISTRAO PARTE I

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    A Organizao da Administrao a estruturao das pessoas,

    entidades e rgos que iro desempenhar as funes administrativas;

    definir o modelo do aparelho administrativo do Estado. Essa organizao se d normalmente por leis e, excepcionalmente, por decreto e normas

    inferiores.

    O Decreto no 200/67, que, apesar de inmeras alteraes legislativas posteriores continua em vigor, foi o responsvel pela diviso

    da Administrao Pblica em Direta e Indireta, estabelecendo em seu

    art. 4o que a Administrao Direta se constitui dos servios integrados na

    estrutura administrativa da Presidncia da Repblica e dos Ministrios e que a Administrao Indireta compreende as seguintes entidades, dotadas

    de personalidade jurdica prpria: autarquias, empresas pblicas,

    sociedades de economia mista e fundaes pblicas. Essa mesma organizao prevista expressamente para a ordem federal observada

    para os demais mbitos polticos, logo, as esferas estaduais, municipais e

    distritais gua