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Ruminantes 9

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Publicação trimestral dedicada ao setor agropecuário. Nº9 (abril/maio/junho 2013)

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  • Ruminantes abril | maio | junho 2013 3

    EDITORIAL

    Comunicar

    Os recursos humanos so, sem dvida, um dos prin-cipais fatores de rentabilidade de qualquer negcio.Hoje, e sobretudo desde que as regras da globalizaotornaram mais homognea a qualidade dos produtos emgeral, a vantagem competitiva das empresas, ou seja,aquilo que as diferencia, so cada vez mais as pessoasque nelas trabalham.

    Acontece da mesma forma nas empresas de produode leite ou de carne: to importante como o potencialgentico, o programa alimentar, o maneio, a sade ani-mal ou as instalaes, so as pessoas que dele tiram oseu sustento, sejam familiares ou contratados.

    Por isso, uma ateno constante aos recursos huma-nos fundamental, no apenas com o objetivo de me-lhorar os resultados da empresa, como tambm porforma a evitar conflitos que, mais cedo ou mais tardeacabam por surgir.

    Uma grande parte dos problemas com o pessoalacontece quando a comunicao se faz de uma maneiraineficaz, normalmente por falta de conhecimento, deexperincia, ou de vontade de quem comanda as ope-raes. Quando existe falta de clareza nas diretrizes,

    nas observaes ou nas crticas, situaes facilmentecontornveis podem ganhar propores mais difceis deresolver.

    A clareza da comunicao fundamental. Mas pre-ciso ir mais longe: fazer com que todas as pessoas quetrabalham no negcio se sintam empenhadas e respon-sveis pelo rumo do mesmo. E isso s se conseguequando se permite que cada uma delas perceba que oseu papel fundamental na funo que desempenha.Envolver os colaboradores na procura de solues paraproblemas detetados, pedir e ouvir interessadamente asua contribuio para melhorar alguns aspetos do ne-gcio, e procurar compreender os seus pontos de vista,so pontos de partida importantes.

    O tema das relaes humanas e laborais vasto e tal-vez o mais complexo. H que cuidar dele to bem oumelhor do que qualquer outro e ter em conta que o su-cesso de uma boa equipa no passa somente por umaretribuio financeira justa mas por muitos outros pro-cedimentos, alguns dos quais sempre possveis deserem melhorados...

    Francisca Gusmo

    A forma de inteligncia mais importante e mais bem paga nos Estados Unidos a inteligncia social, a capacidade de conviver bem com outras pessoas. Cerca de 85 por cento do sucesso na vida de uma pessoa determinado pelas suascapacidades sociais, e pela sua capacidade de interagir de forma positiva e eficazcom os outros.Brian Tracy, presidente e CEO da Brian Tracy International, empresa especializada na formao e desenvolvimento de pessoas e organizaes.

  • 4 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    Rum nantesFICHA TCNICA

    BOLETIM DE ASSINATURA

    POR TRANSFERNCIA BANCRIA: NIB: 0038 0000 3933 1181 7719 0Quando efectuar a transf. bancria mencione o seu nome (como referncia) e envie fax (219 824 083) ou e-mail([email protected]) com o comprovativo de pagamento e os seus dados fiscais.POR CHEQUE ( ORDEM DE NUGON, LDA) Junto envio cheque n . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .s/ Banco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .na quantia de . . . . . . . . . . .Fill with data and enclose a cheque to NuGon, Lda. (address below)Bank transfer data: IBAN PT: PT50 0038 0000 3933 1181 7719 0 SWIFT: BNIFPTPL Beneficiary: NUGON, LDA

    MODO DE PAGAMENTO | Payment:

    Morada p/ envio | Address: Revista Ruminantes - R. Nelson Pereira Neves, Lj. 1 e 2 2670-338 Loures - Portugal

    1 ano (4 exemplares) 1 year (4 issues)

    Preos | PricesPortugal Europa Europe Resto do Mundo Other Countries20 60 100

    #

    MORADA | Address

    TEL. EMAIL

    CDIGO POSTAL | C.P. LOCALIDADE | City PAS | Country

    NOME | Name

    ASSINATURA | Signature

    ATUALIDADES

    Avanos na nutrio, em debate na Alltech................6Zoetis: controlo do parasitismo em ruminantes ..........6O mercado da carne bovina........................................8Zoetis em exclusivo na sade animal .......................12Conferncia anual do Conselho Portugus do bere..................................13Lallemand Animal Nutrition tem novo diretor de Aditivos para Forragens ............................................13Jornadas veterinrias ................................................28Viagem de estudo Califrnia..................................30Alltech Young Scientist 2012.....................................43Espanha: entregas de leite de ovelha e cabra .........55Pssaros ladres de raes ...................................55

    BEM-ESTAR ANIMAL

    Linfadenite Caseosa em pequenos ruminantes........66

    CONHEA A LEI

    As Sociedades Comerciais em Portugal...................72

    ECONOMIA

    OBSERVATRIOMilho the special one ..............................................38Perspectivas do mercado leiteiro ..............................40

    ENTREVISTAS

    Crossbreeding: ganhar mais com menos despesa .................................................14Testemunho de um produtor de luzerna ...................47

    EQUIPAMENTOS

    Jeantil, cadeia de alimentao automatizada ...........69New Holland: Bigbaler, segurana reforada............69Belair: dispositivo de alimentao adaptvel ............69Kuhn: gadanheira de 8 discos ..................................70Sulky: controlo automticopara espalhador centrfugo .......................................70

    Krone: nova enfardadeira Comprima V 180 XC .......70

    Polaris: novo XP 900

    New Holland: boa performance em 2012

    Manitou: MLT 629 em estreia absoluta.....................71

    Deutz-Fahr: a nova Srie 5.......................................71

    FEIRAS

    Calendrio de feiras ..................................................74

    OPINIO

    Filosofando em Mus................................................42

    PRODUO

    Gesto global da rentabilidade

    na produo leiteira...................................................18

    Recria: custo acrescido ou reduo do custo?.........24

    Calseagrit: utilizao na nutrio de ruminantes ......26

    Stress trmico em vacas leiteiras .............................32

    Eficincia alimentar em produo de leite ................36

    Carolo de milho: oportunidade

    (ainda) desperdiada.................................................44

    Luzerna, a fonte verde de protena...........................46

    Enzimas, valor demasiado elevado a pagar?...........48

    Disponibilidade de silagem .......................................50

    A resistncia dos infestantes aos herbicidas ............52

    Automatizao da ordenha .......................................56

    Colostro e pneumonias .............................................60

    Acerca do Plano Nacional para a Reduo do Risco

    das Resistncias aos Antibiticos.............................61

    Sndrome da vaca cada: medidas para prevenir .....64

    RUMINARTE

    Fotografia do ms: Rita Cardoso ..............................75

    NDICE

    EDIO N9ABRIL | MAIO | JUNHO 2013

    DIRETORAFrancisca Gusmo| [email protected]

    COLABORARAM NESTA EDIO Ana Botelho; Ana Rita Diniz; Ana Vieira;Andr Preto; Andr Silva; Antnio Cannas;Carolina Maia; Elisabete Martins; EvaFerreira; Felipe de Almeida; FranciscoMarques; George Stilwell; Helena Ponte;IACA; Imke Heida; Ins Ajuda; JernimoPinto; Joo Paisana; Jorge Matias; JosCaiado; Lamber Van Der Linde; LuisMarques; Lus Pereira; Luis Pinho; LuisQueirs; Luis Veiga; Marta Murta; MiguelMadeira; Nuno Sobral; Paulo Costa eSousa; Pedro Castelo; Rita Garcia Cardoso;Rui Cepeda; Rui Cruz; Tereza Moreira;Sara Cabao.

    PUBLICIDADEAmrico Rodrigues, Catarina Gusmo| [email protected]

    DESIGN E PR-IMPRESSO| [email protected]

    ASSINATURASJoo Correia| [email protected]

    IMPRESSO SIG - Sociedade Industrial Grfica, Lda.Rua Pero Escobar, 212680-574 CamarateTel: 21 947 37 01

    ESCRITRIOSR. Nelson Pereira Neves, N1, Lj.1 e 2 - 2670-338 LouresTel. 219 830 130 | Fax. 219 824 083| [email protected]

    PROPRIEDADE / EDITORNugon, Lda. / Nuno GusmoContribuinte n 502 885 203Sede: Rua So Joo de Deus, N212670-371 Loures

    Tiragem: 8.000 exemplaresPeriodicidade: TrimestralRegisto n: 126038Depsito legal n: 325298/11

    O editor no assume a responsabilidadepor conceitos emitidos em artigos assinados,textos publicitrios e anncios publicitrios,sendo os mesmos da total responsabilidadedos seus autores e das empresas queautorizam a sua publicao.

    Reproduo proibida sem autorizao daNUGON, LDA.

    Alguns autores nesta edio ainda noadotaram o novo acordo ortogrfico.

    Site: www.revista-ruminantes.com

    www.facebook.com/RevistaRuminantes

    NIF

  • ATUALIDADES MUNDO

    6 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    A Alltech apresentou no pas-sado dia 12 de maro, no hotelLagoas Park, Oeiras, a 27 Edi-o do European Lecture Tour,que contou com cerca de 60pessoas da indstria.

    Sob o tema Podero osavanos na nutrio contribuirpara uma melhor eficincia,rentabilidade e sustentabili-dade?, e com a Curiosidadecomo pano de fundo, a Alltechlanou o repto da diferena, daabertura a novas tecnologias eda procura de solues mais efi-cientes.

    Alexandros Yiannikouris,Research Director da AlltechEUA, partilhou os objetivos do

    plano de carbono Alltech a apli-cados s exploraes, comoforma de melhorar a pegada decarbono: quantificar a pegadade carbono numa explorao;reunir os dados e recomendarmudanas especficas, nomea-damente em matria de eficin-cia alimentar; implementaressas mudanas e reavaliar seismeses mais tarde.

    Yiannikouris reiterou ainda aimportncia de melhorar a efi-cincia da alimentao porforma a satisfazer as necessida-des do animal, do consumidor edo ambiente. Referiu-se tam-bm s algas como uma opode alimentao alternativa, de-

    vido sua sustentabilidade ecomposio nutricional rica emDHA.

    Sob o tema Construir anossa marca na Agricultura,Paulo Rezende, Project Mana-ger, Alltech EUA, abordou asmudanas e tendncias de con-sumo modernas, que afetam aforma como as empresas co-mercializam os seus produtosagrcolas. E referiu-se im-portncia da observao dosprincpios fundamentais demarketing para conseguir fazercrescer as marcas e as empre-sas.

    Andrea Malaguido, do Dep.Investigao da Amrica La-tina da Alltech abordou a si-tuao sombria que aagricultura est a enfrentar,assim como as questes liga-das com queda dos rendimen-tos agrcolas e o aumento daspreocupaes ambientais, e aimportncia da identificaocorreta dos problemas comoforma de encontrar uma solu-o: Os rendimentos agrcolas

    so altamente volteis, com oscustos de produo e custos dealimentao a terem um grandeimpacto sobre estas oscilaes.Para melhorar as margens ne-cessrio saber tudo sobre oscustos. Precisamos ser curio-sos. Precisamos colocar ques-tes. Quo sustentvel anossa indstria? Sabemos quea protena a parte mais carade uma rao. A disponibili-dade das fontes proteicas cadavez menor, enquanto a pro-cura tende a aumentar.

    Marc Larousse, Vice Presi-dente, Europa, Alltech, refletiusobre a importncia da curio-sidade na gesto do negcio,como forma de encontrarnovas solues e conseguirmelhores desempenhos. Dandoo exemplo da agricultura e doenorme desafio que representao crescimento populacional emtermos de procura de alimen-tos: uma grande oportuni-dade de experimentar coisasnovas, abraar novas tecnolo-gias, ideias e oportunidades. x

    Stay Curious Avanos na nutrio, em debate na Alltech

    Controlo do parasitismo em ruminantesZoetis promove workshop

    No mbito das Jornadas doHospital Veterinrio Muralha,de vora, a equipa de ruminan-tes da Zoetis dinamizou umworkshop com o tema Abor-dar o controlo do parasitismo,em ruminantes, como serviode valor acrescentado. Oevento teve lugar em vora, emmaro ltimo, e contou com aparticipao de 20 mdicos ve-terinrios clnicos e sanitaristasde ruminantes.

    Esta iniciativa contou comuma forte componente prtica.Os mdicos veterinrios foramdivididos por grupos de traba-lho e cada grupo foi respons-vel pela discusso e resoluode um caso clnico relacionadocom parasitismo. As opiniesforam unnimes no que diz res-peito ao valor acrescentadodesta iniciativa e todos os m-dicos veterinrios intervenien-tes afirmaram estar interessados

    em voltar a participar em reu-nies deste tipo.

    Este foi o primeiro workshopdo gnero, organizado pelaZoetis. O sucesso destas expe-rincia-piloto ser o motepara a realizao de outrosworkshops, com o mesmotema, noutras zonas do pas.Est j em projecto o desenhode novos workshops subordina-dos a outros temas como sadedo bere e reproduo, que de-

    vero ocorrer entre este ano e oprximo.

    A Zoetis afirma que esta novaforma de trabalhar com os nos-sos clientes e parceiros est to-talmente alinhada com o papele compromisso assumidos pelaempresa: estar um passo frente dos desafios dirios dosnossos clientes para que estespossam estar exclusivamentededicados sua actividade.x

  • Essa tendncia no se verifica apenas no mercado europeu. Jun-tamente com a Europa, os EUA (ambos antigos tits dominantes naproduo de carne bovina) tm sofrido quebras acentuadas na suaproduo. A crise econmica que se abateu sobre estes dois grandesprodutores no tem sido branda. Associando isso s alteraes cli-mticas extremas, ao aumento dos custos de produo e diminui-o dos efetivos, claramente que o futuro no parece promissor.

    Este jogo econmico j no jogado apenas pelas grandes"equipas" de sempre. Aos poucos, novos jogadores so-nos apre-sentados. E so estes novos jogadores, os novos "heris", que vogarantindo que a procura do consumidor seja suprida, alterandoas "regras" do mercado de produo de carne bovina.

    Cada pas, com os seus efetivos, esfora-se por garantir a suaproduo interna, tendo em vista tambm o mercado internacio-nal, procurando aumentar no s a qualidade, mas tambm aquantidade de produto exportado. Estas trocas internacionais re-partem o mundo em duas grandes metades (Fig.1).

    As leis sanitrias (que interditam animais vacinados contra afebre aftosa) e outras imposies tcnicas e de maneio/produofazem com que os "pases do Pacfico" faam trocas comerciaisentre si. Por outro lado, os "pases do Atlntico", sem restriessanitrias vm-se limitados nas suas exportaes devido s impo-sies legais da outra metade do mercado internacional.

    ATUALIDADES

    8 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    O mercado da carne bovina Os antigos tits da produo vs Os novos heris

    Felipe de Almeida,Estudante de Mestrado Integrado em Medicina Veterinria

    As previses para o mercado europeu de carne bovina para 2013 no so solarengas. Em 2012 verificou-se umaquebra na produo, na importao e exportao e no consumo pelos pases membros da UE-27. Prev-se, ainda,que as exportaes diminuam principalmente como consequncia da grande concorrncia e presso exercida pelo

    mercado brasileiro.

    [email protected]

    Figura 1 - Diviso do mercado internacional.

    1) Pases Atlnticos com maior destaque: Brasil, Europa, ndia, Argentina e Uruguai (Sem restries).

    2) Pases Pacficos com maior relevncia:EUA, Austrlia, Canad, Nova Zelndia e Japo (Com leis sanitrias que influenciam o mercado internacional).

    2

    2

    1

  • ATUALIDADES

    Ruminantes abril | maio | junho 2013 9

    OS PASES PACFICOS

    Os EUA, referidos anteriormente, esto em declnio de produ-o. Essa quebra limita a procura dos consumidores, resultandonum aumento dos preos. Consequentemente, o consumo baixa,fazendo com que a produo estacione ainda mais. Paralelamente,a exportao diminuiu, consequncia da concorrncia dos merca-dos emergentes. A exportao para o Mdio Oriente diminuiu em50%, sendo que neste momento o grande pilar da exportao ame-ricana o Japo. Com isso, os EUA perdem a sua posio de des-taque como exportador de carne de vaca no Mundo.

    Em contrapartida, a Austrlia consegue manter os seus nveisde produo, consumo e exportao graas a novos mercados noSudeste Asitico e Mdio Oriente.

    2012/2011 2013/2012

    Produo - 4% - 0,9%

    Abate - 4% - 0,7%

    Consumo - 3% - 0,4%

    Variao anual do mercado da carne na EU-27

    Os EUA, o Canad e a Austrlia so grandes exportadoresde hambrgueres de carne de bovino acabado em erva parao Japo, Coreia do Sul e Taiwan.

    A Nova Zelndia garante 5% do aprovisionamento exterioreuropeu.

    Foto: David Catita

  • ATUALIDADES

    10 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    OS PASES ATLNTICOS

    Estes pases, sem as imposies postas pelo mercado do Pac-fico, tm vindo a crescer a olhos vistos, sendo esse crescimentomarcado pela entrada de novos jogadores e pelo apogeu da Mer-cosur.

    O Brasil, que sofreu grandes quebras na sua produo em 2011,volta a assumir a posio de exportador lder, embora no tenharecuperado totalmente as suas perdas de produo. A desvalori-zao do Real e a diminuio do custo de produo deram grandeimpulso ao Brasil tornando-o responsvel por 43% do aprovisio-namento exterior total de carne de bovino na Europa.

    A Argentina, mudou as regras do seu jogo, focalizando no mer-cado interno. Com isso foi possvel verificar-se um ligeiro aumentoda sua produo, em detrimento da sua posio como grande expor-tador, passando de 5 para 10 lugar no ranking mundial.

    O Uruguai entra com grande destaque este ano devido ao bomestatuto sanitrio dos seus efetivos e do seu sistema de rastreabi-lidade. Assim, ele ganha terreno no mercado internacional, pas-sando a ser um grande exportador para os EUA, Canad, Europae China. Neste momento, o Uruguai tem os olhos postos na Coreiado Sul, podendo este mercado servir de porta para outras trocascomerciais com o Japo e o Sudeste Asitico.

    A UE-27 quem realmente sofre uma grande perda para os mer-cados internacionais. Com a diminuio de 1,4% dos seus efetivos,uma diminuio da exportao de 36% e uma grande dependnciade importao, o mercado europeu, outrora um dos mercados maisrentveis do mundo, fica dependente da flutuao dos preos im-postos pela procura e pelos mercados internacionais. Porm, amagnitude do aumento dos preos no uniforme entre os pasesmembros da UE, o que reflete um mercado voltil e com diferentesdinmicas: Prosperidade no Norte e Crise no Sul.

    Aproveitando a brecha que os grandes tits deixam no mercadointernacional, a ndia surge como um dos novos heris da produ-o de carne de vaca. Este pas, com o maior efetivo bovino domundo - 324 milhes de cabeas - em 2012, assume-se agoracomo um dos maiores exportadores do Mundo. Tendo em contao mercado em crise, a ndia mantm a dinmica de trocas, tor-nando-se o segundo maior exportador do mercado internacional,negociando com o Sudeste Asitico, Norte de frica e MdioOriente.

    A conjuntura mundialO ano de 2013 no ser um ano livre de dificuldades para o

    setor de produo de carne de bovino. A produo ir diminuirquase em escala global, resultando numa oferta insuficiente. Ospreos iro subir, associados tambm aos elevados custos de-produo. Contudo, esse aumento no depende apenas da din-mica da procura, mas tambm da concorrncia entreexportadores e das valorizaes e desvalorizaes das diferentesunidades monetrias. Neste jogo de tits, os novos heris pro-dutores e exportadores, como o Brasil e a ndia, so fulcrais noimpulso do mercado internacional, podendo abrir novas perspe-tivas para o mercado europeu, nomeadamente no Japo, Sudeste

    Diminuio do consumo europeu de carne de bovinoA quebra de 3% no consumo de carne de bovino em 2012 associadoa uma oferta insuficiente, tem srias consequncias no mercado in-terno europeu. O aumento dos preos um resultado inevitvel, masque na conjuntura econmica actual faz diminuir o poder de comprados consumidores. Isso mais evidente nos pases mais afectadospela "crise", distinguindo-se a Alemanha como uma excepo (ondeo consumo aumentou 1%).

    Os europeus "no-euro"O mercado europeu voltil e dinmico. A valorizao ou desva-lorizao do Euro essencial para as transaes econmicas (im-portaes e exportaes) realizadas pelos pases europeus nopertencentes zona-Euro.Por exemplo, os mercados Ingleses e Polacos, com grande rele-vncia no mercado europeu, tm sentido srias quebrasprodutivas, parte delas resultantes das flutuaes do Euro nestemomento de crise econmica.

    Foto: David Catita

  • 12 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    ATUALIDADES MUNDO

    ZOETIS, em exclusivo na sade animal

    O facto de a empresa passar a estar dedicada exclusiva-mente sade animal, inde pendente da Pfizer, traz algumavantagem ao negcio?Lus Pereira: Ao dedicarmo-nos exclusivamente sade ani-

    mal, concentramo-nos na essncia do nosso negcio para que osnossos clientes possam desenvolver os seus prprios negcios.Trabalhamos diariamente colocando os nossos clientes em pri-meiro lugar.

    O que podem esperar os clientes com esta mudana?A Zoetis a anterior unidade de negcio da Pfizer. Mantm a

    tradio e a experincia farmacutica consolidada ao longo de 60anos, a disponibilizar medicamentos e produtos veterinrios,meios de diagnstico e testes de gentica, entre um vasto lequede servios. Temos um novo nome, mas a mesma experincia. Oscolaboradores e os produtos, em que os nossos clientes confiam,continuam a ser os mesmos a satisfazer as suas necessidades narea de Sade Animal, dentro dos mesmos valores ticos.

    Quantas pessoas compem a Unidade de Negcio Ruminantesem Portugal? Como se organizam? Est presente em todos ossegmentos de mercado?A equipa Zoetis em Portugal dedicada rea Ruminantes man-

    tm-se igual e est presente em todos os segmentos do mercado,nomeadamente leite e carne, produo em extensivo e intensivo.

    Que apoio fornece a Zoetis aos produtores e Mdicos Veteri-nrios em Portugal? O porteflio de produtos vai manter-se?A Zoetis disponibiliza uma vasta gama de produtos e servios

    que oferecem solues fiveis para os diversos desafios que osveterinrios e os criadores enfrentam todos os dias no nosso pas. Conta com um porteflio alargado de produtos, englobando

    cinco categorias: vacinas, desparasitantes, anti-infecciosos, pr-misturas medicamentosas e outros produtos veterinrios. O nossoporteflio para animais de produo representa cerca de 66% donosso negcio.

    Disponibilizamos produtos e servios que ajudam a prevenir oua tratar patologias com impacto negativo nos animais de produoe a tornar rentvel a produo de protenas animais de elevadaqualidade.

    Os recursos financeiros para investir em investigao denovos produtos vo manter-se?Continuamos a desenvolver novos produtos e servios cada vez

    melhores. A nossa rea de Investigao e Desenvolvimento (I&D)pesquisa novos produtos, analisando resultados de descobertas re-levantes da indstria agropecuria, farmacutica e biotecnolgica.Quanto aos nossos produtos atuais a I&D dedica-se ao desenvol-vimento e expanso do porteflio existente atravs da incluso denovas espcies ou de novas indicaes teraputicas.

    O que representa para a Zoetis o negcio do setor Ruminan-tes?O volume total de negcio anual da Zoetis em 2011 foi de USD

    4.2 mil milhes de dlares norte-americanos, sendo 66% destevolume gerado por produtos para animais de produo.

    Quais os objetivos para o futuro? medida que as necessidades dos veterinrios e criadores con-

    tinuam a evoluir, estamos empenhados em antecipar os seus de-safios e em desenvolver novas solues que os podem ajudar acuidar dos animais com maior eficincia e aumentar a produtivi-dade dos seus negcios. A nossa investigao deu origem a umavasta gama de produtos ao longo dos anos, dentre as quais desta-camos antibiticos para o tratamento de vrios tipos de infeesem bovinos, um anti-infeccioso no tratamento contra a doenarespiratria bovina (DRB) e uma vacina eficaz contra vrus res-piratrios e reprodutivos em bovinos. Temos fbricas e laboratrios de I&D em todo o mundo e con-

    tinuaremos a dedicar o nosso esforo para garantir que os nossosclientes tenham acesso aos melhores produtos e melhor infor-mao, agora e no futuro. x

    Lus PereiraMdico Veterinrio, Country Manager Zoetis

    Em 2013, a Pfizer anunciou que o seu negcio de sade animal setornou numa empresa independente chamada Zoetis. A Zoetis o maior fabricante mundial de medicamentos e vacinaspara animais de companhia e de produo. A empresa uma subsidiria de capital aberto da Pfizer, o primeiroprodutor mundial de medicamentos, que mantm 83% de controlo naempresa. A Zoetis opera atualmente em 70 pases do mundo.A propsito da recente formao da Zoetis, entrevistmos LuisPereira, Country Manager do negcio em Portugal.

  • ATUALIDADESMUNDO

    Ruminantes abril | maio | junho 2013 13

    O Conselho Portugus de Sade do bere(CPSU) organizou, em fevereiro passado, a sua IIConferncia Anual que teve lugar na Estao Zoo-tcnica Nacional na Fonte Boa em Santarm. A II Conferncia Anual do CPSU foi considerada,

    para a comisso organizadora, um xito que ultra-passou largamente as expectativas inicialmentecriadas para o evento. Contou com a presena demais de 120 participantes no total, entre associadosefectivos e estudantes, empresas associadas, parcei-ros de comunicao e oradores de renome a nvelnacional e internacional. Com destaque para as par-ticipaes de Andrew Bradley (Reino Unido) e Jo-sphine Verhaeghe (Blgica), todas asapresentaes tiveram um elevado nvel de interessesobre temticas relativas Qualidade do Leite eSade do bere. x

    Lallemand Animal NutritionNovo Diretor de Aditivos para Forragens

    Conferncia anual do ConselhoPortugus de Sade do bere

    Lus Queirs (EngenheiroAgrrio, Mestre em NutrioAnimal, na Faculdade de Medi-cina Veterinria de Lisboa e Ins-tituto Superior de Agronomia) o novo Diretor Tcnico para area dos Aditivos para Forra-gens da Empresa LallemandAnimal Nutrition. Ter comofuno apoiar tecnicamente osColaboradores, Colegas e Agri-cultores em diversos pases, no-meadamente Portugal, Espanha,Alemanha, Itlia, Rssia e Ar-bia Saudita, entre outros. A Lal-lemand Animal Nutrition parte do grupo Lallemand SAS,

    Empresa Multinacional commais de 2500 funcionrios, ebastante ativa na rea da preser-vao de forragens, h mais de20 anos, como seja a investiga-o e produo de bactrias eenzimas, um pouco por todo omundo. A Lallemand foi a pri-meira empresa no mercado acolocar disposio dos seusclientes, e a patentear, a bactriaheterofermentativa Lactobacil-lus buchneri, responsvel poruma elevada estabilidade aer-bica e qualidade de todos ostipos de silagem. x

  • 14 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    ENTREVISTA

    A empresa Agro Pecuria da Tlia, Lda., situada naHerdade da Lavradia, em Fronteira, distrito dePortalegre, propriedade de Lambert Van Der Linde eda sua mulher, Gerrie. Contam ainda com a colaboraopreciosa de 3 empregados, o scar, o Vagner e o Pedro.A herdade tem cerca de 80 ha de terra e tem comonegcio a produo de leite de vaca, com um efetivo de 260 vacas adultas, das quais cerca de 220 esto emordenha com uma produo mdia de vaca dia de 32litros de leite, com 4,1% de gordura e 3,5 % de protena.

    Nos 80 ha da propriedade faz-se azevm para serpastoreado ao mximo pelas vacas em produo, e oque sobra cortado para ensilar. Toda a silagem demilho que utilizam na alimentao das vacas comprada fora, mas sempre na zona de Fronteira.H cerca de cinco anos, decidiu investir em novagentica e comeou a testar o Crossbreeding atravsdo Programa Procross comparando-o com a raaHolstein. Registmos o seu testemunho sobre estesanos de experincia com este programa.

    CrossbreedingAgro Pecuria da Tlia investe em nova gentica

    "Ganhamos mais com muito menos despesa"

  • H poucos anos, tomou uma deciso umpouco fora do corrente na produo lei-teira no campo da gentica. Quais asrazes em que se baseou para optar poresta nova tcnica gentica?Lambert: Tomei a deciso quando fui em

    2008, h cerca de cinco anos, com o CarlosSerra aos Estados Unidos ver o Crossbree-ding na Califrnia. Percebi que podia serbom e decidi experimentar em alguns ani-mais. Outro factor que me ajudou, sem d-vida alguma, a decidir por este programa, que nos ltimos anos com a Holstein, aindaque a explorao seja estvel, nada cresce,apenas crescia o hospital. As primeirasvitelas que nasceram cruzadas com Monte-bliard, eram boas, geraram confiana, edecidi ir experimentando cada vez mais,mais at que hoje em dia esto quasetodas neste programa.

    Tendo comeado o programa em 2008,qual a percentagem de Crossbreedingque tem hoje no conjunto das vacas?

    Nas vacas em produo so 25%, na ex-plorao toda representa cerca de 40%; nasnovilhas j so mais de metade...

    De todas as novilhas que nasceram decada raa, que percentagem est na ex-plorao?

    Das Holstein esto 69% e Cruzadas 80%.

    Qual o grau de satisfao, at ao mo-mento, com este programa?

    Muito bom. Ainda estou com algumasdvidas nas Suecas Vermelhas, parecem-me um pouco mais estreitas, mas por agoravamos continuar, pois vm de novilhasMontebeliard e tenho que dar tempo at teruma opinio formada.

    J tem animais em produo com vriaslactaes em Crossbreeding?

    Sim, vrias vacas em segunda lactao,em terceira ainda no.

    Qual o critrio de escolha dos touros re-produtores das diferentes raas que usaneste programa?

    Estou a trabalhar com o mtodo TriploA, que para mim muito importante. Aminha grande preocupao so os beres,ou seja, tem que ser um touro completo,mas os beres e as pernas tm que sermuito boas.O Triplo A um sistema americano em

    que especialistas independentes analisama estrutura de uma vaca e ajudam a des-cobrir o que est em falta para que sejatima. Em funo do cdigo que lhe atri-budo, esta vaca dever ser inseminadacom touros que tenham o mesmo cdigo.O objectivo que a prxima geraotenha uma estrutura melhor.

    Quais as produes de leite mdias?Das Holstein 7.577 litros e Cruzadas

    de 7.914 litros, ou seja, uma diferena de337 litros lactao.

    Que outros indicadores reprodutivosnos pode dar neste momento, por exem-plo o numero de inseminaes por vacaprenha?

    Nas Holstein 1,96 contra 1,37 nas Cru-zadas, ou seja, menos 0,59 inseminaespor vaca prenha.

    Utiliza smen sexado?No, nunca.

    Ruminantes abril | maio | junho 2013 15

    ENTREVISTA

    Holstein Cruzadas

    Gestantes nasegunda lactao

    10% 50%

    Inseminadas 35% 80%

    Produo (litros) em 305 dias

    8137 8503

    Teor butiroso 4,05 3,88

    Teor proteico 3,54 3,44

    Quadro 1: Indicadores da Explorao

    "Em termos gerais, possoafirmar com seguranaque no ganhamos muitono aumento das receitasde explorao com asvacas, mas ganhamosmais em muito menosdespesa (maiorlongevidade dos animais,menos utilizao demedicamentos, menossmen ...). "

  • Est de acordo que numa explorao lei-teira o principal factor para a rentabili-dade de uma explorao a reproduo?

    Eu acho que tudo importante, a repro-duo sim, mas tambm a mo-de-obra temuma influncia enorme nos resultados daexplorao. Tambm a alimentao tem queser sempre de grande qualidade, as silagenstm que ser feitas rapidamente e logo tapa-das. Nada pode ficar ao acaso.

    Qual tem sido a principal consequnciapositiva da utilizao do Vigor Hbridonas suas vacas?

    A taxa de inseminao reduziu significa-tivamente, a estrutura fsica dos animais melhor e os animais so mais vivos.

    Sabemos que o programa de Crossbree-ding que utiliza implica a utilizao de trsraas leiteiras. Quais so e como se aplica?

    As raas so a Montebeliard, a SuecaVermelha e a Holstein. Sempre aplicadasnesta mesma sequncia. Nas novilhas Hols-tein ainda estou a pr smen Holstein por-que os vitelos so um bocadinho maisfortes e no quero correr risco nenhum.Apesar de que cada vez mais irei ter menosnovilhas Holstein.

    Quais que acha que so os pontos fortese fracos de cada uma destas raas?

    A Holstein tem muitos problemas nos par-tos, no arranque da nova lactao, ao contr-rio da Montebeliard que bastante melhorneste aspecto. J esta ltima tem como des-vantagem o facto de os animais jovens ma-marem muito uns nos outros, o que nos trazalguns problemas. Com a Sueca Vermelhano temos muita experincia, apenas que somais pequenos quando nascem e ficam pe-quenos durante algum tempo mais. Decidifazer este tipo de programa por causa dos es-tudos americanos que vimos. Ns come-mos em 2008, estamos em 2013 e ainda stemos 50 vacas em produo. Isto demoramuito tempo, no podemos fazer as coisasde forma precipitada.

    Quais so as principais melhorias quenotou na reproduo entre o programade vacas puras Holstein e o programa deCrossbreeding?

    A taxa de inseminao, que diminuiubastante, como mnimo 25%, e os partos,que so bastante mais fceis.

    E no campo da sade animal, conseguedetectar diferenas quanto a problemasde mamites ?

    No que se refere a mamites no noto di-ferena. J quanto a clulas somticas (CS) muito engraado. As cruzadas com Mon-tebeliard tem as CS mais altas no inicio daprimeira lactao, mantm-se altas ao longoda lactao apenas baixando ligeiramente.Na 2 lactao os valores mantm-se altos.As Holstein, no nosso estbulo, tm umvalor de CS baixo no incio da lactao dasnovilhas, subindo muito at ao final da lac-tao. O tratamento de secagem resultamuito bem, faz baixar muito o valor CS,mas na segunda lactao sobe outra vez

    16 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    ENTREVISTA

    "Preciso de criar menos 10%de novilhas Cruzadas paramanter o meu rebanho. "

  • Ruminantes abril | maio | junho 2013 17

    ENTREVISTA

    muito. Ou seja, na Montebeliard os valoresso mais estveis, nunca baixam muitocomo no caso das Holstein.

    E quanto a nados mortos nos partos?Temos poucos casos de nados mortos,

    quer nos Cruzados quer nos animais Puros.Mas os Holstein precisam de ter mais aten-o da nossa parte nos dias do parto.

    E em termos de refugo geral, ou seja, quepercentagem de refugo tem entre vacas enovilhas, em Holstein e Cruzadas?

    Os Montebeliard ainda esto jovens maseu noto, pelos registos que tenho, que sarambastantes mais Holstein que Montebeliard.

    No que toca produo, tem sido comen-tado que as produes das vacas Cruza-das so inferiores s puras Holstein. Estde acordo?

    No estou de acordo. Na nossa explora-o, na primeira lactao as cruzadas domais leite que as Puras e, na segunda lacta-o do menos. O que contrrio a todosos estudos que conheo.

    Qual o seu critrio de anlise, lactaesde 305 dias ou dados produtivos da vidatil dos animais?

    Tem que ser a vida til; este valor omais importante para mim.

    Quais so as diferenas entre os dias emleite entre os dois grupos de novilhas(Puras Holstein e Cruzadas)?

    A Holstein tem um intervalo de partos de382 dias e as Cruzadas de 356, e faz umms de diferena na primeira lactao. A se-gunda lactao ainda no terminou, mascomo temos muitas prenhas das vacas cru-zadas a perspectiva ser ainda melhor.

    No refugo dos animais, ou seja, vitelosmachos e vacas de refugo, nota algumadiferena econmica entre os animais?

    Sim, um vitelo Montebeliard vende-semuito melhor que um Holstein; faz uma di-ferena de 25 por vitelo e os compradorespreferem sempre os cruzados. Quanto avacas velhas, ainda nunca vendemos Mon-tebeliard, por isso s com mais tempo lheposso responder.

    Na conjuntura econmica atual, com ospreos elevados da alimentao, acreditaque os animais cruzados possam ser maiseficientes do ponto de vista alimentar?

    Os estudos dizem isso, mas a nicacoisa que eu estou em condies dedizer que h sempre animais cruza-dos na manjedoura a comer, mas euacho que isso bom. Quando eu dou altima volta, s 22h, encontro semprealgumas Montebeliard a comer, en-quanto que as Holstein esto deitadas.As cruzadas so animais mais vivos,mais fortes.

    Em termos de temperamento da raa,quais so as diferenas entre as Holsteine as Cruzadas de Montbeliard?

    Os cruzados tm mais temperamento,mas no para o mal. So mais curiosos,esto sempre a ver o que se est a passar,por exemplo, esto sempre a testar se acerca elctrica est mais ou menos forte.Mas o maneio em pastagem ou na sala deordenha igual para os dois grupos deanimais. x

    "Quando a vaca Holsteintermina a 3 lactao aCruzada j vai com 75 diasna 4 lactao."(Ver desenho ao lado)

    1 Lact 2 Lact 3 Lact

    Holstein

    Cruzadas 75 dias

  • 18 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    ECONOMIA

    Gesto Global da Rentabilidade(na produo leiteira)

    detectar oportunidades de melhoriasresultantes de pequenos pormenores... que se aprendem com os melhores

    Assistiu-se, ultimamente, a um aumento muito significativo noscustos das matrias-primas alimentaresNo tendo havido o correspondente ajustamento nos preos

    pagos pelo leite na sua produo, houve uma degradao da mar-gem-bruta sobre o custo da alimentao (IOFC - income over feedcost) na generalidade das exploraes leiteiras.Circunstncias como estas, determinadas por factores externos

    explorao, colocam o empresrio da produo leiteira peranteo desafio de compensar a sua perda de margem sobre o custo daalimentao com ganhos em eficcia e/ou eficincia na sua em-

    presa, sobretudo em termos de alimentao (sempre o seu customais significativo), mas tambm noutros eventuais pontos-chavedo seu sistema de produo.Neste sentido, fundamental auditar-se todo o funcionamento

    e escalpelizar os resultados de cada explorao leiteira, de formaa ir adequando a gesto global da sua rentabilidade a semprenovas circunstncias de mercado e a novos desafios de competi-tividade que devem obrigar permanente preocupao / obses-so de detectar novas oportunidades de melhorias dentro decada empresa.

    Jernimo PintoEng Agrnomo, Eurocereal SA

    [email protected]

    Se aumentam os custos dos factores de produo, sem que haja correspondente ajustamento nos preos pagos produo, tem-se degradao da rentabilidade econmica a no ser que esta perda seja compensada com

    ganhos de eficincia e/ou eficcia no conjunto do sistema de produo.

  • DIAGNSTICOOPORTUNIDADESDEMELHORIA

    A sua participao importantewww.eurocereal.pt/benchmark

    SECTORES / ExploraoN Vacas Leiteiras (lactao + secas)% Vitelas & Novilhas

    < 6 meses6-12 meses> 12 meses

    CRIA de VITELAS% Mortalidade em Vitelas

    < 1 semana7 - 30 dias> 30 dias

    Pesos / Alturas mdias nascenaaos 30 diasaos 3 meses

    Custo alimentao /vitela/dia

    RECRIA de NOVILHASPesos & Alturas mdias

    aos 6 mesesaos 15 mesesaos 24 meses

    Idade 1 InseminaoIdade 1 Parto (meses)Custo alimentao /animal/dia

    VACAS SECASDurao da fase secaCondio Corporal

    secagemno parto

    Custo alimentao /vaca/dia

    VACAS EM LACTAOProdutividade (305 dias)Produo mdia no PICONum de lactaes / vacaTeor Butiroso leite (%TB)Teor Proteico leite (%TP)Contagem Celulas Somat.Teor Microbiano TotalIntervalo Entre - PartosIntervalo "Dias - Open"% vacas c/ hipocalcmia% vacas c/ cetose clnica% vacas desloc.abomaso

    Custo alimentao /vaca/dia

    Preo recebido / Lt leite

    171733

    < 3%< 3%< 2%

    405085

    de

    18035053014.524

    SECAS60

    3.5 - 4.03.5 - 4.0

    O11 500503

    3.2

  • 20 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    ECONOMIA

    Diagnosticadas as oportunidades de melhoria, mediante soft-ware especificamente desenvolvido neste sentido, possvelfazer-se uma avaliao muito fivel de qual o impacto econ-

    mico que cada oportunidade detectada pode representar no con-junto da explorao a que se refere.

    Embora este exerccio possa ser feito individualmente, prefe-rencialmente dever ser feito colectivamente, por comparao degrupo, j que novas oportunidades de melhoria so, quase sempre,resultantes de pequenos pormenores que geralmente se apren-dem com os melhores. Aprender com os melhores sempre foi omais eficiente motor do desenvolvimento nos sectores industrial,comercial, etc ... e tambm no sector agro-pecurio. So os me-

    lhores produtores que tm a credibilidade para comprovar a efi-ccia / rentabilidade de um dado processo ou sistema de produo. Aprender com os melhores um mtodo de gesto (agora co-

    nhecido por benchmarking) generalizado s empresas de todosos sectores, sendo aplicvel a todas as empresas agro-pecuriase muito especialmente s do sector leiteiro (Benchmarking canhelp dairies to succeed Feedstuffs # 41).

    Benchmarking uma oportunidade deidentificar os segredos do sucesso dasempresas lderes e tentar imit-las, numprocesso conhecido por gesto porcomparao de grupo que, j desde hmuito tempo, vem sendo utilizado com

    grande eficcia em Centros de Gesto emFrana e tambm entre ns (CGEA Valedo Ave e Vale do Sousa e o programaPAR da Purina), por organizaes de pro-dutores por todo o mundo, principal-mente nos Estados Unidos e no Canad.

    Existe uma rede pan-europeia de agri-benchmark para o sector leiteiro(EDF) em que Portugal o nico pas ocidental no representado.

  • Ruminantes abril | maio | junho 2013 21

    ECONOMIA

    BENCHMARKING NA PRODUO LEITEIRA

    So inmeros os casos de sucesso deste mtodo de gesto apli-cvel s empresas do sector leiteiro, sendo evidente a sua decisivacontribuio para a melhoria, contnua e progressiva, da rentabi-lidade das exploraes leiteiras aderentes, nomeadamente em Mi-chigan, Wisconsin, Cornell, Canad, etc Trata-se de transferir para a empresa leiteira, com as necessrias

    adaptaes, os planos de aco estratgica aplicados na gesto dasempresas de outros sectores, identificando os seus pontos-fortes,pontos-fracos, oportunidades e limitaes de forma a permitirconcentrar a ateno e as prioridades nos pontos-chave que, emcada momento, so os mais determinantes da sua rentabilidadeglobal.Para se proceder gesto da produo leiteira por comparao

    de grupo ou benchmarking, um conjunto de exploraes lei-teiras no-identificveis fornece periodicamente determinadosdados referentes sua estrutura e ao seu funcionamento - os quaisso sempre absolutamente confidenciais.Quanto maior e mais significativo fr o grupo (h grupos de

    gesto leiteira com centenas de exploraes), mais representativosso os resultados e mais til este mtodo de gesto para os seusparticipantes. Dairy Benchmarking Pennstate Univ

    Os dados so processados global-mente, dividindo-se em 3 grupos(MDIA, 25% SUP e 25%INF) que, para simplificar, nesteexemplo vamos admitir que tm osmesmos custos fixos estruturais, na-turalmente diferentes custos fixosanimais (decorrentes de funciona-mentos distintos), tm a mesma ali-mentao-base e que a sua produo valorizada segundo os mesmoscritrios qualitativos:

    ANLISE DE RESULTADOS

    APRENDER com os melhoresO segredo do sucesso do processo de

    anlise de resultados por benchmarking /comparao de grupo est no facto de per-mitir que periodicamente (cada trimestre)todos os aderentes possam encontrar-separa, em conjunto, poderem analisar os re-sultados e sobretudo detectar oportunidadesde melhoria, que quase sempre so resul-tantes de pequenos pormenores que a sepode aprender com os melhores.

    INDICADORES Tcnico-Econmicos 25% SUPERIOR MDIA25%

    INFERIORESTRUTURA /vaca/ano /vaca/ano /vaca/anoAmortiz. Construes, silos,... 125Amortiz. Equipamentos (ordenha, etc) 65Amortiz. Mquinas e Alfaias 50Mo-de-Obra permanente 315Assist.mdico-medicamentosa e reprodutiva 80Energia, combustveis, gua, telephone, etc 85Manuteno e reparao mquinas & equipam 50Juros e reserva p/ imprevistos 80Outros custos fixos 95

    Custos Fixos ESTRUTURAIS 1000ANIMAIS /vaca/ano /vaca/ano /vaca/anoAlimentao-Base (manuteno+gestao) 65Amortiz. das Vacas Leiteiras 460 484 513Custo cria + recria da reposio / ano 199 225 254Carncia de novilhas a comprar / ano - 15 112Excedente de novilhas p/ venda / ano -80 - -

    Custos Fixos c/ ANIMAIS 644 725 944TOTAL Custos FIXOS 1644 1725 1944

    FUNCIONAMENTO 25% SUPERIOR MDIA25%

    INFERIOREfectivo Leiteiro (vacas produo + secas)Produtividade (LLVA) 11.000 10.000 9.000Vida produtiva (lactaes/vaca) 2,7 2,6 2,5Idade ao 1 parto (meses) 14 25 26Intervalo entre partos (dias) 399 409 414RESULTADOS calculados (com base em software especfico)

    25% SUPERIOR MDIA

    25% INFERIOR

    Custos Fixos (/Lt leite) 0,143 0,171 0,209Custos Variveis (/Lt leite) 0,104 0,114 0,127Custo Total (/Lt leite) 0,247 0,287 0,336Receita Total (/Lt leite) 0,320 0,320 0,320Resultado Global (/Lt leite) 0,073 0,035 -0,016Resultado Global (/vaca/ano) 807 334 -145

    (Ver tabela ao lado)

    Prince Eduard Island Canada

  • 2 Custos Fixos & Limiar de RentabilidadeSe, por factores internos ou externos / incontrolveis pela ex-

    plorao, aumentam custos alimentares, sem que haja correspon-dente ajustamento nos valores pagos pela produo, a perda demargem IOFC s pode ser compensada com ganhos de eficinciae/ou eficcia intrnsecos ao sistema de produo, de forma a con-trolar/reduzir os seus custos fixos, para maximizar o resultado daseguinte equao:

    Resultado = volume de produo x [valor da produo custos de produo (fixos + variveis)]

    Embora c/ os mesmos custos fixos estruturais, dadas as dife-renas nas suas performances produtivas, os 3 grupos de explo-raes (no n/ exemplo) tm distinto limiar de rentabilidade(ponto de equilbrio em que o valor da produo o necessrios para pagar todos os seus custos, com resultado econmiconulo). As exploraes menos eficientes (25% INF) precisam de, pelo

    menos, mais 32% de vacas p/ atingir o seu Limiar de Rentabilidade. As exploraes dos grupos 25% SUP e MED atingem o seu L.R.

    com respectivamente 43% e 64% das suas vacas (para pagar os seuscustos fixos) - ganhando efectivamente dinheiro com as restantes. Exemplo: com estrutura para 250 vacas, os limiares de renta-

    bilidade dos 3 grupos de exploraes so:

    3 Sustentabilidade Ambiental & REAPAs exploraes mais eficientes obtm a mesma produo lei-

    teira, com menos 24% de animais, o que muito relevante nos economicamente, mas tambm em termos ambientais,com consequncias e implicaes nomeadamente em termos deREAP e PGEP (gesto de efluentes):

    4 Salvaguarda de riscos sanitriosAs exploraes mais eficientes tm maior salvaguarda sanitria,

    pois a sua reposio no est dependente de animais externos,ainda podendo gerar receitas extraordinrias com venda de novi-lhas excedentes, contrariamente s outras que tm custos acresci-dos com compra de novilhas p/ reposio.

    CONSEQUNCIAS & IMPLICAES

    1 MARGEM sobre CUSTO ALIMENTAR (IOFC)A margem sobre o custo da alimentao o factor que mais de-

    termina a rentabilidade da produo, sendo o IOFC (income overfeed cost) o critrio mais usado para avaliar a performance dasexploraes.

    No contexto dos actuais sistemas de valorizao do leite e face volatilidade dos custos alimentares, maximizar a margem sobrealimentao passa por optimizar (no minimizar) custos de ali-mentao nos vrios sectores da explorao (lactao, seca,cria/recria) e a produo diria (no percentagens) de gordura eprotena, maximizando a produtividade leiteira.

    22 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    ECONOMIA

    Prod. leite % TB

    kg Gordura Rendimento em leite - Custo alimentao/vaca/dia = Margem sobre alimentao

    Lt/vaca/dia kg/vaca/dia /Lt leite /vaca/dia Lactao Seca/Recria p/ vaca/vaca/dia250 vacas

    /explor/dia40 3,50 1,4 0,316 12,640 - 4,45 1,57 = 6,62 1 65535 4,00 1,4 0,320 11,200 - 3,88 1,57 = 5,75 1 43630 4,67 1,4 0,320 9,600 - 3,32 1,57 = 4,71 1 178

    Prod. leite % TP

    kg Protena Rendimento em leite - Custo alimentao/vaca/dia = Margem sobre alimentao

    Lt/vaca/dia kg/vaca/dia /Lt leite /vaca/dia Lactao Seca/Recria p/ vaca/vaca/dia250 vacas

    /explor/dia40 3,01 1,20 0,314 12,572 - 4,45 1,57 = 6,55 1 63835 3,44 1,20 0,327 11,452 - 3,88 1,57 = 6,00 1 49930 4,01 1,20 0,344 10,332 - 3,32 1,57 = 5,44 1 361

    * para a mesma produo de gordura (1.4 kg/dia)

    * para a mesma produo de protena (1.2 kg/dia)

    PRODUO 1.000.000 kg/ano 25% SUPERIOR MDIA25%

    INFERIORN vacas leiteiras 91 100 111Cria / Recria 67 80 96Efectivo Total 158 180 207% reduo efectivo 24 13 -

    Autonomia Cria+Recria1.000.000 kg/ano

    25% SUPERIOR MDIA

    25% INFERIOR

    Vacas leiteiras 91 100 111Cria / Recria 67 80 96Custos c/ compra de reposio(/vaca/ano) - 15 112

    Proveitos c/ venda de reposio(/vaca/ano) 80 - -

    % Autonomia da explorao 105 100 93

    Com estruturapara 250 vacas

    25% SUPERIOR MDIA 25% INFERIORCenrios Cenrios Cenrios

    1 2 3 1 2 3 1 2 3Produtividade(LLVA)

    11000 11000 10310 10000 10000 9374 9000 9000 8438

    Qualidade (/Lt leite) 0,320 0,30 0,32 0,32 0,30 0,32 0,32 0,30 0,32

    Dimenso (n vacas)

    107 127 127 161 205 205 331 547 547

    IOFC = volume de produo x [valor da produo custos de alimentao (lactao + seca + cria/recria)]

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  • 24 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    PRODUO

    Poderemos considerar o processo de re-cria bem-sucedido quando conseguimos (1)um 1 parto antes dos 24 meses com umpeso vivo de cerca de 600-650 Kg de pesovivo (PV), conseguido em boas condiesaps um crescimento timo e regular emcada fase de desenvolvimento, sem proble-mas de sade; (2) um episdio de parto semqualquer problema, e (3) com a melhor daspossibilidades para exprimir o potencial ge-ntico para a produo de leite e com amaior longevidade (Soberon et al, 2012).Este sucesso depende da eficcia de todasas etapas do processo, que se inicia na sele-o dos progenitores da futura vitela de re-posio e termina na 1 lactao. No entantoa importncia do perodo do nascimento aodesmame tm vindo a ser reconhecidocomo o mais determinante no crescimentoe produtividade, sendo a nutrio e o ma-neio nesta fase os fatores que mais influen-ciam a expresso do potencial de produoleite. O desenvolvimento das vitelas no pe-rodo nascimento-desmame define a suaperformance produtiva na 1 lactao e se-guintes, mediante mecanismos de imprin-ting e modelao epigentica associados aganhos mdios superiores (Heinrichs,2011). Ganhos mdios dirios (GMD) atao desmame superiores resultam em maiorPV ao 1 parto (Moallen et al, 2010) que porsua vez se traduz em mais produo na 1lactao (mais 450 a 907 Kg) (Foldager eKrohn, 1994; Bar-Peled et al., 1997; Sha-may et al., 2005; Terr et al., 2009; Moalledet al., 2010; Heinrichs, 2012; Soberon et al.,2012); tambm foi verificado que quantomaior o consumo de rao ao desmame,maior a produo de leite na vida da novilha(Heinrichs, 2011). A restrio nutricional atdesmame limita o crescimento compensa-trio (Caf et al., 2006; Greenwood et al.,2006) e atrasos de crescimento neste pe-rodo no so recuperveis.

    Na avaliao de campo levada a cabo emexploraes do norte e centro do pais(n=40), cujo objetivo foi analisar algunsaspetos da metodologia de recria, foi pos-svel concluir que os objetivos amplamentepraticados, cientfica e economicamentevalidados no esto a ser alcanados na suamaioria, apesar de ser notrio que existemalgumas exploraes j com elevados pa-dres que se traduzem por menos mortali-dade, menos doena, menor idade aoprimeiro parto, menos refugo at ao finalda primeira lactao e melhores produesno final da 1 lactao. Da anlise realizadareala-se (1) a insuficincia do volume deprimeiro colostro ingerido (at s 12h)(mdia=2,38 L; min=1; max=4; dp=0,6;n=27), que justifica a elevada incidncia dedoenas neonatais e mortalidade; (2) aidade mdia ao desmame de 2,8 meses(min=1,5m; max=4m; dp=0,6; n=28), comos animais em muitas situaes a eviden-ciar peso insuficiente ao desmame e umaacentuada derrapagem no desenvolvi-mento durante a transio; (3) idade mdia primeira inseminao de 16,4 meses(min=13; max=20; dp=1,71; n=27) e idademdia ao 1 parto de 27,49 meses (min=24;max =35; dp=2,54; n=25). Estas idadesmdias, apesar de elevadas no foram, emfuno dos animais avaliados, suficientespara garantir estatura e peso adequados.

    A inseminao de uma novilha nopode, contudo, ser determinada exclusiva-mente pela idade (12-14 meses); se nohouver um correto desenvolvimento ms-culo-esqueltico e um PV adequado (e snesta situao) estaremos a aumentar orisco de distcia e doenas associadas, bemcomo a limitar a expresso do potencialprodutivo. O PV ao 1 parto relaciona-sepositivamente com a produtividade na 1lactao (Heinrichs, 2012) e GMD supe-riores (0,800 g/dia) resultam em maior pro-

    duo de leite (Zanton e Heinrichs, 2005)(tabela 1).

    Classicamente a estratgia de maneio nu-tricional pr-desmame tm tido por base arestrio de ingesto de leite a 8-10% do pesovivo/dia, com o objetivo de estimular a inges-to precoce de alimento seco e por esta via,alcanar um desmame precoce com um customnimo (nesta fase) mas custa de uma in-tensa limitao do crescimento das vitelas; defacto neste regime a quantidade de leite ape-nas cobre as necessidades de manuteno doanimal (tabela 2), sendo o concentrado queconsegue consumir durante as trs primeirassemanas de vida negligencivel. Se o vitelofor amamentado sem restries (ad libitum)ingere 16-20% PV leite (2-2.5% em MS PV)(Hafez e Lineweaver, 1968).

    Maneios nutricionais que permitem a in-gesto de leite a doses de cerca de 20% doPV/dia so necessrios para o crescimentobiologicamente adequado (que permite GMDde 1000 g/d), resultando ainda numa maiorresistncia imunitria, menor incidncia dedoenas neonatais, maior crescimento subse-quente, menor idade 1 inseminao e maiorprodutividade futura, desde que o desmameseja feito apenas quando o vitelo ingere pelomenos 1 Kg de rao (Drackley, 2005).

    A eficcia de um plano nutricional corretoser sempre derrubada por falhas no encolos-

    RECRIA, custo acrescido ou reduo do custo? (parte II)

    Elisabete Martins,Mdica Veterinria na INVIVONSA PORTUGAL, SA., Docente na EUVG

    Idade meses Peso vivo(kg)

    Altura garupa(cm)

    0 42 80

    3 110 97

    9 263 120

    14 390 131

    20 542 141

    24 645 149

    Tabela 1:Recomendaes de crescimento novilhas (partoaos 24 meses, GMD 823g/d; adaptado de Hoffman, 1997).

  • Ruminantes abril | maio | junho 2013 25

    PRODUO

    tramento (fatores de defesa e fatores hormo-nais e de crescimento essenciais; objetivo 4L at s 12h de vida) por dfices de higiene,bem-estar, instalaes e maneio. A sade ecrescimento adequado sero sempre o resul-tado do equilbrio entre fatores externos deagresso e fatores internos e externos de pro-teo/defesa.

    Dever ter-se como objetivo duplicar opeso de nascimento s 8 semanas de vida egarantir uma transio suave para a alimen-tao exclusivamente slida, atentando aindaque ao retirarmos o leite, teremos de permitirao animal um aumento de consumo de raoque garanta um aporte nutricional equiva-lente ao que retirado com o desmame (1 Kgde leite em p 2 Kg rao). A rao deverser adequada para GMD de pelo menos 800g/d controlando os nveis de gordura e apor-tando protena suficiente para o crescimentoestrutural, associado a correto suporte vita-mnico e mineral.

    A suplementao vitamnica e mineral (darao ou suplementar) particularmente cr-tica na fase de desmame, para fazer face ssbitas restries devidas retirada do leitedo plano alimentar, mudana de instalaese (re)agrupamento que resulta num pico destress oxidativo, que quando no controladoresulta em doena (essencialmente respirat-ria ou coccidiose) e derrapagem do cresci-mento no ps desmame. A par do bommaneio alimentar, no pode ser esquecidoque o vitelo jovem consome grande parte daenergia disponibilizada no alimento, em 1lugar para manter a sua temperatura corporal,em 2 lugar para construir respostas de defesafrente a doena. Apenas o que sobra uti-lizado para crescimento. Assim, quando atemperatura ambiente se afastar da zona deconforto trmico do vitelo (15-25 C para hu-midade relativa entre 70-80%), e/ou existeuma grande presso de infeo que resultaquer da falta de higiene, quer do contactocom animais de diferentes idades, ento es-taremos no s a aumentar drasticamente orisco de doena e morte, mas tambm a limi-tar o crescimento e a eficincia alimentar.Pelo menos do nascimento at que os ani-

    mais ultrapassem a crise do desmame vitalque tenham cama quente, seca e limpa, asso-ciada a uma ventilao adequada.

    A estratgia de desmame a definir em cadaexplorao dever ter por objetivo minimizaro stress da transio. Desmamar o animal pro-gressivamente (passar de duas tomas parauma, ou reduzir progressivamente duranteuma semana em amamentadoras); mudar deinstalaes e (re)agrupar uma semana antesou uma semana depois do desmame; garantirque as instalaes de transio tm cama secae suficiente; garantir aumento de consumo derao; minimizar as diferenas de idade soaspetos que devem ser equacionados.

    Depois de ultrapassada com sucesso a fasede transio ps-desmame a vitela estar aptaa manter o seu ritmo de desenvolvimento,mas dever ter-se em conta que apenas se tor-nar num ruminante pleno por volta dos seismeses de vida, estando nesta fase aindapouco capaz de digerir com eficincia a for-ragem, em particular quando esta de pobrequalidade, o que se traduz frequentementeem distenses fibrosas do rmen, disbioses,fracos crescimento associados ainda a mauestado do plo, que traduzem um status nu-tricional, vitamnico e mineral carenciado.Para controlar estes aspetos essencial con-trolar o crescimento dos animais pelo menos

    ao desmame, aos seis e doze meses e aoparto, no s mediante a monitorizao dacondio corporal, mas tambm associandopelo menos um parmetro de crescimentomsculo-esqueltico (ex. medio da alturaao garrote). Dever ter-se presente que umaexcessiva condio corporal no desejveldevendo antes privilegiar-se o aumento depeso vivo pelo aumento de estatura.

    Atualmente a longevidade mdia da vacaleiteira no ultrapassa as 3 lactaes (Hare etal., 2006). A mortalidade mdia nacional atao desmame situa-se em torno dos 19%, con-tra 11% de mdia europeia (EDF report,2012) e 8% nos EUA (NAHMS, 2007), al-canando valores mais elevados em muitasexploraes. At ao final da 1 lactao sorefugadas 15-20% das novilhas (Bach, 2011).Estes valores ilustram bem que no existemargem para erros quando falamos de recria.Por questes estruturais, na grande parte dasexploraes nacionais as novilhas so aloja-das a partir dos ltimos meses de gestao ouaps o parto, com as vacas adultas (hierr-quica e fisicamente superiores), e submetidasa planos nutricionais que no tm em consi-derao que a sua capacidade de ingesto muito inferior. Deste modo estamos a conde-nar os animais com melhor gentica a sofrerbalano energtico negativo severo e prolon-gado, maior incidncia de doenas puerperais(retenes, metrites, perturbaes digestivas)e perturbaes do retorno ciclicidade ov-rica e qualidade dos ocitos produzidos. Tudoisto contribui para infertilidade prolongada erefugo por esta (e outras) causas (Brickell eWathes, 2011). A impossibilidade de mudareste aspeto do maneio sublinha ainda mais aimportncia das novilhas alcanarem o pri-meiro parto at aos 24meses, com um peso eestatura que lhes permita ter a melhor hip-tese de sobreviver at 2 lactao.x

    GMDKg/d

    IngestoMS%PV

    LeiteSubstg de MS

    Leitereconstit.

    L

    Peso GanhoDesmame60 dias

    EM,Mcal/d

    PBg/d

    PB % daMS dieta

    EdicinciaalimentarGMD/gM s

    0,2 1,05 525 4,2 12 2,34 94 18,0 0,38

    0,4 1,30 650 5,2 24 2,89 150 22,4 0,63

    0,6 1,57 785 6,28 36 3,49 207 26,6 0,77

    0,8 1,84 920 7,36 48 4,40 253 27,4 0,86

    1,0 2,30 1015 8,12 50 4,80 318 28,6 0,87

    Tabela 2: Necessidades nutricionais e eficincia alimentar para vitela de 50 Kg com leite de substituio, em termo-neutralidade: Equaes de Cornell-Illinois modificadas NRC (2001) (adaptado de Van Amburgh e Drackley, 2005).

  • PRODUO ALIMENTAO

    26 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    Calseagrite a sua utilizao na nutrio de ruminantes

    O Calseagrit um ingrediente natural, de origem marinha, que seapresenta sob a forma de p, obtido a partir de uma alga micronisada,Lithothamnium calcareum, recolhida tradicionalmente ao longo dascostas oeste e norte da Bretanha.Esta alga micronisada um ingrediente mineral e est autorizada emalimentao animal para todas as espcies (Diretiva CE 92/87).O interesse em nutrio animal do Calseagrit reside na sua riqueza emClcio, Magnsio, Ferro e Iodo, na sua excelente assimilao e pelo factode no reagir com outros ingredientes, minerais ou orgnicos, dosalimentos.

    O Calseagrit um reservatrio naturalde sais minerais, retidos pela filtrao bio-lgica da gua do mar, sendo rico em ma-crominerais e em 32 oligoelementos. Estesminerais fortificam, mineralizam e reequi-libram o organismo.A sua estrutura fsica apresenta uma ele-

    vada microporosidade, sendo a sua super-fcie especfica superior a 10m2/g. Oprocesso de micronizao aumenta aindamais a biodisponibilidade dos minerais doCalseagrit.A sua elevada superfcie de contacto per-

    mite uma melhor eficcia digestiva por

    parte dos sucos digestivos, aumentando acapacidade do organismo reter os mineraisdo Calseagrit.

    Devido s suas caractersticas fsicas equmicas, o Calseagrit possui um bomefeito tampo. A sua ao sobre o pH e asua elevada microporosidade, favorecem odesenvolvimento das bactrias ruminais.Beneficiando o ambiente microbiolgico

    do rmen, permite ao ruminante valorizarmelhor os alimentos, limitando os riscos deproblemas metablicos (acidose, dficeenergtico) e ajudando o trnsito alimentar.

    Lithothamnium calcareum

    Imagem de Calseagrit ampliada 1000x Imagem de Calseagrit ampliada 3000x, mostrando odesenvolvimento bacteriano devido sua porosidade

    QUAIS AS PROPRIEDADES DO CALSEAGRIT?

    QUAIS AS MAIS VALIASZOOTCNICAS DO CALSEAGRIT?

    Devido s suas caractersticas fsi-cas, qumicas e biolgicas, a utilizaoem nutrio animal do Calseagritapresenta muitas vantagens.

    Estudos demonstram que a sua uti-lizao aumenta a digestibilidade damatria orgnica e da matria azotadatotal.

    Frao Controlo Calseagrit

    Matria Orgnica 58,20% 60,20%

    Matria Azotada Total 57,90% 58,20%

    Clcio 17,40% 25.10%

    Fonte: Station de La Bouzulle / Ecole NationaleSuprieure dAgronomie Nancy 2006

    Departamento Tcnico Comercial Timac Agro \ Vitas Portugal

  • ALIMENTOS MINERAISPARA ALTA PERFORMANCE

  • A digestibilidade do Calseagrit, assim como a biodisponibili-dade do clcio e do magnsio, superior do carbonato de clcioterrestre.

    A sua influncia no desenvolvimento da flora ruminal, leva aalteraes na produo dos cidos gordos volteis (AGV) normen, responsveis pelo fornecimento de 70% da energia ao ru-minante.

    Tendo em conta todos estes factores, o fornecimento de Calsea-grit aos ruminantes permite criar condies favorveis a umamaior valorizao do alimento fornecido. Devido sua elevadaporosidade, o desenvolvimento da flora ruminal estimulado,sendo assim a digesto favorecida. Por outro lado, o poder tampodo Calseagrit permite corrigir o pH do rmen, diminuindo assimo risco de acidose, associado a animais de alta produo cuja ali-mentao se baseia em elevadas quantidades de concentrado, si-lagem de milho e pouca fibra estrutural.

    CALSEAGRIT E OS ALIMENTOS MINERAIS VITAS PORTUGALA Vitas Portugal, filial do Grupo Roullier em Portugal, conta

    com uma experincia de mais de 30 anos na rea da nutrio ani-mal e ao longo da sua histria tem sempre desenvolvido produtosque vo de encontro s necessidades das diferentes fileiras da pro-duo animal.Tendo em conta a mais valia nutricional do Calseagrit, a sua

    incorporao nos alimentos minerais das gamas EUROBLOC eVITACOMPLEX, faz com que estes sejam produtos de exceln-cia na produo animal.A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente

    de novas e mais adequadas solues para os nossos clientes. Paramais informaes e esclarecimentos, no hesite em contactar o

    PRODUO ALIMENTAO

    28 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    Frao BiodisponibilidadeClcioBiodisponibilidade

    Magnsio

    Carbonato de clcio terrestre 22 a 53% 26 a 48%

    Calseagrit 92 a 96% 85 a 94%

    Fonte: Universidade de Uberlndia, Prof. De Melo, 2003

    Carbonato de Clcio terrestre Calseagrit

    Absorvido Retido Digestibilidade Absorvido Retido Digestibilidade

    RB* 120g 14,1g 12% 120g 14,1g 12%

    CC** 30g 12g 40% 30g 23,6g 79%

    Fonte: Station de La Bouzulle / Ecole Nationale Suprieure dAgronomieNancy 2006 (*Rao Base **Suplemento de clcio )

    Em mM/l Controlo Calseagrit

    AGV totais 104 107

    Proporo dos AGV em % 10.1 11.3

    Acetato (C2) 59.1 57.3

    Propionato (C3) 20.2 21.1

    Butirato (C4) 14.4 15.1

    Fonte: Station de La Bouzulle / Ecole Nationale Suprieure dAgronomieNancy 2006

    Em maro ltimo, tiveram lugar, peloquinto ano consecutivo, as Jornadas doHospital Veterinrio Muralha de vora(HVME) em parceria com a Equimuralha. O evento juntou mais de 350 participan-

    tes e contou com a particpao de vriospalestrantes especialistas nos temas pro-postos para esta edio, Planeamento ePreveno o sucesso da produo pecu-ria (sala de animais de produo) e Im-pacto da nutrio na sade e bem-estar dosequinos. semelhana dos outros anos,o pblico destas jornadas foi constitudoessencialmente por criadores, mdicos ve-terinrios, cavaleiros, proprietrios de ca-valos e estudantes.A adeso a este evento levou a que o

    Hospital Veterinrio Muralha de vora e aEquimuralha apostassem num segundo diade jornadas dedicado a temas mais espec-ficos. No mbito dos animais de produo,neste ano foi dado especial relevo s asso-

    ciaes de criadores de bovinos de carne ea vrias empresas como a Prodivet, a Mel-pica e a Hipra, que apresentaram vriostemas relacionados com a alimentao e avalorizao econmica dos bovinos. Anvel dos equinos, realizou se uma jornadacompleta dedicada resistncia equestre,actualmente a disciplina com maior cres-

    cimento internacional. Ainda neste se-gundo dia, decorreram vrios workshopsespecficos para mdicos veterinrios, de-dicados ao controlo do parasitismo em ru-minantes (Zoetis), aos planos profilcticospara bovinos em extensivo (MSD) em ru-minantes e s patologias estomatolgicase dentrias dos equinos.x

    Jornadas veterinrias Aposta na formao em bovinos e equinos

  • ATUALIDADES

    30 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    Ficou absolutamente claro quenenhum produtor de leite ter fu-turo se no produzir pelo menos50% da matria seca alimentarpara o gado. Todos aqueles pro-dutores de leite que no dispemde terra para produzir as suasprprias forragens esto a venderas suas exploraes, seja porquedesistem do negcio, seja porqueesto a deslocalizar as explora-es para outros locais onde aterra est disponvel e a preossuportveis. unnime a opinio de que a

    produo de leite s sustentvelcom uma alimentao baseadaem forragens, em quantidade equalidade.Os produtores no esperam

    subidas importantes do preo doleite. Consideram que a sua so-

    brevivncia decorre da sua capa-cidade de produzir de formamais eficiente.

    Valeu a pena visitar a FeiraAgrcola de Tulare. Esta decorretodos os anos em Fevereiro e um ponto de encontro da fileiraleiteira da Costa Oeste. O mundoagrcola est ali todo e bem re-presentado com toda a gama denovidades em produtos e servi-os destinados agricultura, semdvida muito interessante.A feira integra um conjunto di-

    versificado de colquios sobretemas variados. Assistimos aocolquio patrocinado pela revistaAgrcola Progressive Dairymansobre o estado da arte em relaoao programa de cruzamentos emraas leiteiras, a vaca Procross.

    Palestrou o Professor Les Han-sen da Universidade do Minne-sota, reconhecido professor decincia animal e responsvelpelo desenvolvimento e acompa-nhamento dos diversos estudosj efetuados ( na Califrnia) eoutros ainda a decorrer ( no es-tado do Minnesota) do efeito davalorizao do Vigor Hibrido emvacas leiteiras, especialmenteno programa da vaca Procross.Les Hansen apresentou os tpi-cos principais sobre as causasque tm levado muitos produ-tores a nvel mundial a optarpelo Crossbreeding para com-bater os altos nveis da consan-guinidade da raa Holstein quenos ltimos anos se tm vindoa fragilizar cada vez mais nosvalores de sade e longevidade

    da raa Global.

    Nos dias seguintes visitmosdiversas vacarias que usam oProcross h pelo menos 10 anose em que todas j possuem vacasF3 em ordenha. Algumas vaca-rias organizaram dias abertos efoi interessante verificar a formaaberta como respondiam a todasas perguntas que lhes iam sendofeitas pelas pessoas do nossogrupo. Daquilo que me foi dadover e ouvir, resumo em seguidaum conjunto de aspetos e frasesque me pareceram mais interes-santes sem critrio de ordem. Emtermos globais o volume de leiteproduzido no tinha variado,mas os slidos no leite sim. Aperformance reprodutiva erafrancamente boa, expressa em

    Viagem de estudo CalifrniaNotas de Viagem

    Jos CaiadoMdico Veterinrio, Dairy Consulting

    Desafiado pelo Carlos Serra aintegrar a viagem que a Ugenesorganizou com o objetivo deconhecer melhor a realidadeamericana do Crossbreeding, visitara Feira Agrcola de Tulare, bemcomo diversas vacarias (algumasluso-americanas) na Califrnia e noTexas, devo dizer que ter ido valeubem a pena.Deixo aqui umas quantas notassucintas sobre o que vi e algumasimpresses e reflexes a propsitoda produo de leite naqueles doisestados dos EUA.

  • ATUALIDADES

    Ruminantes abril | maio | junho 2013 31

    intervalos entre partos nos 12,5-13 meses. As vacas em transio(periparto) no tm problemas.Muito poucos casos de doenasmetablicas e pouca despesa emmedicamentos.

    Numa destas vacarias encon-trmos um Herd Manager Portu-gus, Mozart dos Aores, quenos dizia que com estas vacasno h que puxar um bezerro eque j tinha dito ao patro que,caso ele voltasse Holstein, eledeixaria aquele emprego: eu seio que puxar bezerros, aqui notenho esse problema.Uma das questes que a mim

    me interessava particularmentesaber era a eficincia alimentar(EA). Vrios nutricionistas medisseram que pela sua experin-cia a EA era a mesma. No en-tanto estavam a decorrer testesnas exploraes com grupos di-ferentes para quantificar even-tuais diferenas. Havia noentanto um conjunto de comen-trios repetidos em vrias explo-raes em que se afirmava oseguinte: tendo em conta que asvacas cruzadas no perdem tantacondio corporal, no temosque fazer dietas com tanta ener-gia como para as Holstein puras.Foi tambm reiterado que as no-vilhas em recria necessitam dedietas menos energticas, pois deoutra forma comeam a engor-dar.Achei curioso o comentrio de

    um produtor (Jack Hoeskstra)que nos disse que com as cruza-das ele tinha tempo para socia-

    lizar com a famlia e os amigos.Uma das criticas mais comuns ao

    Procross dizia respeito ao facto deos animais mamarem uns nos ou-tros mas, respondiam que isso sepodia minimizar com alteraes aoseu maneio alimentar quando jo-vens. E que tambm s se pode tra-balhar com os touros de topo, parase ter sucesso.

    Foi com uma ponta de orgulhoque constatmos a importnciados produtores de leite de Ori-gem Aoriana na Califrnia. Elesrepresentam cerca de 40% daproduo de leite naquele Es-tado.Visitmos as exploraes de

    Mrio Simes e Tony Mendona,que no podiam ter sido melhoresanfitries do nosso grupo. Mos-traram tudo o que o grupo quisver e saber com uma abertura ex-traordinria.No que respeita alimentao,

    foi curioso ver que na Califrniaas vacas no sabem o que asoja. Por estar muito cara nose utiliza. substituda por colzae por massa hmida de milhodestilado proveniente das fbri-cas produtoras de bioetanol apartir do milho. Na Califrniausa-se uma panplia de subpro-dutos agroindustriais com desta-que para a casca externa daamndoa e os desperdcios do al-godo. Contudo, estas dietas ba-seadas em subprodutosencontram-se aliceradas numaexcelente base forrageira com-posta por silagem de milho, detrigo e luzerna de boa qualidade.

    Como forragem de inverno a si-lagem de trigo surpreendeu pelasua produo em grande escala.Em relao ao uso de luzerna osnutricionistas locais contactadosdisseram preferir a silagem aofeno. Definitivamente, diziameles, o objetivo uma MS de40%. Menos de 35% implicaalto risco de contaminao porterra e clostrdios. Mais de45% faz perder folhas. Com a si-lagem de luzerna as vacas come-ro mais 10% MS que com fenoe conseguimos muita protenasolvel disponvel para os arra-oamentos.

    O ltimo objetivo desta via-gem era a visita a grandes vaca-rias de mais de 10.000 vacas, noTexas. Realmente nenhum dosparticipantes pensou alguma vezvisitar vacarias de to grande di-menso. E no foi sem algumaemoo e orgulho que visitmosa enorme e ultramoderna vacaria

    de Sebastio Faria (portugusdos Aores) em Dumas, noTexas. A ele pretende juntar50.000 vacas em estbulo total-mente fechado e de ambientecontrolado usando a tcnica cha-mada de ventilao cruzada.Neste momento a vacaria abrigacerca de 30.000 vacas em produ-o com 3 carrossis de 106 pon-tos, estando outros 2 emconstruo e em projeto, bemcomo novos pavilhes num in-vestimento de largas dezenas demilhes de dlares. Durante v-rias horas percorremos os cercade 400 ha que ocupa apenas todaa rea da vacaria.Muita coisa vimos todos e

    muito fica por contar. Pelo queaconselhamos todos aqueles quepossam e queiram, vir a integraruma futura viagem quelas para-gens, que nesta ocasio foi muitoproveitosa para todos, onde osprodutores de origem portuguesanos fizeram sentir em casa. x

  • O stress trmico ocorre quando um animal tem calorcorporal excessivo e no o consegue libertar.

    Isto ocorre pela combinao entre temperatura e humidade ele-vadas, que anulam o principal mecanismo de termorregulaodos mamferos evapotranspirao. As perdas causadas so dif-ceis de estimar, sendo referidas na bibliografia perdas de422/vaca/ano, sendo atribudas 80% dessas perdas s quebras deproduo e 20% relativos ao aumento dos custos relacionadoscom a sade dos animais.

    As vacas leiteiras, devido ao seu elevado metabolismo, entramem stress trmico em condies de temperatura e humidade maisbaixas que o Homem. De facto, numa situao de 30C e 60% dehumidade relativa (bastante frequentes no nosso pas), j existeum risco moderado de ocorrncia de stress trmico, conforme sepode observar na tabela 1.

    O stress trmico reduz a performance produtiva, reprodutiva eimunitria da vaca leiteira.

    Como sinais individuais de stress trmico temos a procura desombras ou locais frescos, arfar, salivao excessiva, respiraode boca aberta, falta de coordenao e tremores. Relativamente performance dos animais, ocorre uma quebra na ingesto, na pro-duo de leite, no teor butiroso, temos uma menor manifestaodo cio, menor taxa de conceo, e nos touros existe uma diminui-o da quantidade do smen produzido, assim como da sua qua-lidade (efeito que se prolonga at mais de 1 ms aps o final daocorrncia de stress trmico). O funcionamento do sistema imu-nitrio tambm comprometido, existindo maior suscetibilidades doenas e menor resposta vacinao.

    Em perodos de stress trmico existe um aumento do risco deacidose ruminal. Os principais fatores na origem desta maior ocor-rncia de acidose so: diminuio da ingesto total, com alteraoentre a proporo de forragens (diminuio) e os alimentos comhidratos de carbono rapidamente fermentescveis (aumento); re-duo do efeito tampo da saliva (menor ingesto da saliva pro-duzida e menor quantidade de bicarbonato disponvel no sanguedevido ao aumento da frequncia respiratria). Adicionalmente,ir ocorrer uma alterao na flora microbiana ruminal com redu-o da flora celuloltica. Todos estes fatores contribuem para uma

    menor eficcia da converso alimentar e consequentemente afe-tam a produo leiteira e/ou teor butiroso. Ocorrem tambm osproblemas tradicionalmente relacionados com acidose clnica ousubclnica, como a diminuio da sade geral dos animais, infer-tilidade, problemas de patas e diminuio da longevidade dos ani-mais.

    Devem ser implementadas medidas de maneio geral e adapta-o das instalaes de forma a reduzir o impacto do stress trmiconos animais. Tambm se deve proceder a um ajuste do maneioalimentar e da frmula alimentar, de forma a assegurar a maioringesto possvel, o melhor aproveitamento alimentar e evitar aacidose ruminal. Adicionalmente podem ser utilizados ingredien-tes como as leveduras vivas, leos essenciais, especiarias e outrosextratos de plantas que favoream a ingesto, eficincia alimentare estabilizao ruminal.

    32 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    PRODUO ALIMENTAO

    Stress trmico em vacas leiteiras

    ndice de temperatura e humidade para vacas leiteiras

    Sem Stress TrmicoRisco de Stress Trmico ReduzidoRisco de Stress Trmico ModeradoRisco de Stress Trmico ElevadoRisco de Stress Trmico Fatal

    Humidade Relativa (%)

    Temperatura (C)

    Rui Cepeda, Mdico VeterinrioServios tcnicos da Zoopan SA

    Andr Silva, Mdico VeterinrioServios tcnicos da Zoopan SA

    Tabela 1

  • 34 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    PRODUO ALIMENTAO

    Ensaio do produto IMUNO-RUMIINTRODUO

    O objetivo principal deste ensaio foi determinar que vantagensexistiriam em termos de produo leiteira, na suplementao com100 g/vaca/dia de Imuno-Rumi da alimentao de vacas leiteiras,durante os meses de Vero.

    O Imuno-Rumi constitudo pelos seguintes ingredientes: leos essenciais especficos (a) e especiarias especficas (b)que favorecem a estabilizao ruminal e o ndice de converso; Extratos de plantas especficas (c) que aumentam a fidelizaodo animal ao alimento e reduzem os nveis de stress. Adsorvente de micotoxinas (d) base de alumino-silicatos,paredes celulares de leveduras e um potenciador das funeshepticas.

    CARATERIZAO DO ENSAIO

    O ensaio foi realizado numa explorao com 296 animais emordenha e com 31 L de mdia diria de produo por vaca (valoresdo contraste de Julho de 2012).

    Foi feita a administrao de 100 g/vaca/dia de Imuno-Rumi entreos dias 18 de Julho e 30 de Agosto (inclusive). Essa administraoincidiu sobre 2 grupos de animais: o grupo das primparas (NOV)e o grupo de alta produo (AP), que corresponde a multparas emincio de lactao. Foi ainda monitorizado um terceiro grupo deanimais, no suplementado, e que correspondia a multparas emfases mais adiantadas da lactao (MED). Os dados foram reco-lhidos entre os dias 3 de Julho e 15 de Setembro (75 dias).

    Para os 3 grupos de animais foram registados os seguintesdados:

    temperatura ambiente no interior do pavilho s 5h00 temperatura ambiente no interior do pavilho s 15h00 produo mdia diria ingesto mdia diria nmero de animais mdia de dias de lactao

    A ingesto mdia diria foi estimada considerando a hora a par-tir da qual as manjedouras se encontravam sem alimento, levandoa um valor percentual em relao aos 100% definidos como 22.5kg de matria seca para os grupos NOV e AP e como 21.5 kg parao grupo MED.

    VALORES MDIOS OBSERVADOS

    Ao longo de todo o perodo de estudo foram observados osseguintes valores mdios (Tabela 2).

    O registo dos dados ao longo doensaio permitiu estabelecer algumascorrelaes entre parmetros.

    Observou-se que a ingesto diminuiucom o aumento da temperatura ambientepara os grupos NOV e AP mas no para ogrupo MED (figura 1).

    Tabela 2. Valores mdios observados ao longo do perodo do estudo

    Valores mdios NOV AP MED

    Nmero de animais 76.3 52.8 81.4

    Nmero de dias em lactao 150.3 56.5 275.9

    Produo mdia por vaca (L) 30.3 40.4 29.1

    Ingesto mdia por vaca (Kg MS) 22.7* 22.3

    * No foi possvel estimar a ingesto do grupo NOV e do grupo AP em separado.A temperatura mdia s 5h00 foi de 17.0 C e s 15h00 foi de 31.9C.

    18

    20

    22

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    2825 30 35 40

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    2825 30 35 40

    Temperatura 15:00

    Ingesto (K

    g)

    NOV AP MED

    ANLISE DESCRITIVA

    Figura 1Relao entre a temperatura ambiente s 15h00 eingesto para os grupos NOV, AP e MEDrespetivamente.

  • A anlise estatstica foi realizada atravs de modelos de re-gresso linear, de forma a avaliar quais as variveis que expli-cam a variao observada na produo, e de que forma esta foiafetada pela produo. Os modelos compararam para cadagrupo, o perodo suplementado com o perodo no suplemen-tado. O modelo utilizado foi o seguinte:

    Ruminantes abril | maio | junho 2013 35

    PRODUOALIMENTAO

    Da anlise estatstica e da anlise descritiva, foi possvel tirar as seguintesconcluses:

    1. Considerando a produo leiteira em determinado dia e as condies de tem-peratura e ingesto desse mesmo dia, ao compararmos o perodo de suplemen-tao com Imuno-Rumi e o perodo sem suplementao, observou-se um efeitosignificativo sobre a produo leiteira para o grupo NOV (P

  • PRODUO ALIMENTAO

    A objetividade na avaliao dos resultados zootcnicos (produ-o de carne e leite) dos pontos menos consensuais e esclareci-dos da produo animal. Selecionado o sistema, por exemplo, onvel de protena para uma determinada produo indiscutvel.No entanto a avaliao objetiva da eficincia ainda tem caminhoa percorrer sobretudo na produo de leite. Uns apostam no or-gulho de elevadas produes mdias, outros focam a longevidadee ausncia de problemas, e h ainda os que apostam em minimizarcustos alimentares ao extremo enquanto outros desvalorizam ocusto desde que as produes sejam boas em litros.

    Como em muitos outros aspetos a virtude estar algures entreos dois pontos, e neste artigo veremos ainda que descobrir o equi-lbrio no um dado geral para todos. Cada explorao um casoque deve ser analisado, e para alm disso os fatores que influen-ciam a eficincia no so estticos, a que reside o desafio.

    Inicialmente deve-se conhecer dois conceitos. O primeiro aeficincia alimentar (EA) que resulta da simples diviso da pro-duo pela matria seca ingerida. O outro a eficincia alimentarcorrigida (EAC), que no mais do que corrigir a produo deforma a obter um valor que leve em linha de conta os fatores va-riveis. Este conceito parece complexo, mas no . Por exemplo,uma vaca a comer 22.7 kg de matria seca por dia e a produzir36.3 kg de leite, tem um valor fixo de EA de 1.6 independente-mente da quantidade de gordura no leite. J este valor corrigido,tendo em conta a quantidade de gordura, faz variar 0.26 por cada1% de alterao na gordura (tabela 1).

    Nas avaliaes que devem ser feitas, controlar o ndice de leite dos valores mais importantes. O ndice de leite um valor queutilizamos nas auditorias para aferir a eficincia real. Tendo em

    conta a gordura, a protena, o estado de lactao e a percentagemde primparas no lote.

    De acordo com varias publicaes, os valores de IL podem va-riar de acordo com a fase de lactao (Tabela 2) dentro dos limitesseguintes:

    Na presena de valores abaixo dos recomendados para cada faseestamos na perante uma m eficincia alimentar. Pelo contrrio,quando os valores esto acima do mximo recomendado, pode-mos verificar um emagrecimento excessivo das vacas e, por con-sequncia, perda do estado corporal dos animais que normalmenteest associado a problemas metablicos e de fecundidade.

    Outro parmetro que utilizamos a avaliao da eficcia ali-mentar por nutriente. O objetivo desta anlise comparar a pro-duo estimada (produo terica permitida pelo arraoamento)com a real. esta etapa que permite ajustar o arraoamento a nvelde quantidade e qualidade no que diz respeito a vrios nutrientes,muitas vezes nutrientes que no parecem prioritrios primeiravista.

    A eficcia energtica e proteica calculada com base na relao dasnecessidades pela produo exprimida e os aportes pela rao em (%).

    Eficincia alimentar em produo de leite

    Tabela 1

    Gordura % EA (eficincia alimentar) EAC (eficincia alimentarcorrigida3.0 1.60 1.473.5 1.60 1.604.0 1.60 1.73

    Pedro Castelo,Eng Agrnomo, REAGRO SA [email protected]

    Lus Veiga, Eng Zootcnico, REAGRO SA [email protected]

    Pedro Castelo,Eng Agrnomo, REAGRO SA [email protected]

    Lus Veiga, Eng Zootcnico, REAGRO SA

    36 Ruminantes abril | maio | junho 2013

    Tabela 2: Valores de IL para cada fase de lactao

    Fase de Lactaondice de Leite

    Mnimo Mximo

    Incio 1,55 1,65Meio 1,40 1,55Fim 1,30 1,40

    Standard (lote nico) 1,40 1,50

    IL (NDICE DO LEITE) = (Quantidade de leite standard a 38 g/l de protenacorrigido para o nmero de primpira) / Matria seca ingerida

  • PRODUOALIMENTAO

    Ruminantes abril | maio | junho 2013 37

    Assim, possvel avaliar a parte dos nutrientes realmente va-lorizados atravs:

    - da produo leiteira- pelos seus teores (TB e TP)- pelo crescimento das primparas

    Na presena de uma eficcia superior a 100 % significa que avaca produz mais do que a rao lhe permite. Ao contrrio, o in-verso coloca em evidncia um desperdcio o qual deve ser anali-sado com o objetivo de encontrar a causa.

    Finalmente, alm das anlises descritas anteriormente tambm importante o tempo em produo durante a vida (TPV). Este pa-rmetro calculado tendo em conta o tempo em produo sobrea durao de vida da vaca. Sendo este influenciado por vrios pa-rmetros, tais como:

    - Idade ao primeiro parto- Durao de lactao e de vaca seca- Longevidade (numero de lactaes)

    Para uma vaca cuja idade ao primeiro parto de 24 meses e aexplorao tem uma taxa de renovao de 25% (considerando umintervalo parto-parto de 400 dias e um perodo de secagem de 45dias) o valor TPV de 61%. Isto significa que a vaca pas-sou 61 % da sua vida em produo real. Abaixo dos 60%significa que existe uma taxa de renovao excessiva,idade ao primeiro parto tardia e consequentemente custosde renovao muito altos.

    A margem obtida entre o custo da alimentao e as re-ceitas de leite um critrio emprico e muito varivel. In-meras vezes, deparamo-nos com critrios dspares emrelao valorizao das forragens, e isso tem toda a di-ferena. Um trabalho sntese da universidade do Wiscon-sin USA, 2010, estudou quatro fatores que influenciam aeficincia alimentar. A gentica com o crossbreeding, re-gimes de baixo teor em amido, enzimas exgenas e leosessenciais. A concluso do mesmo trabalho aponta para al-teraes de eficincias muito marcadas entre exploraesdas mesmas zonas. Concluem ainda que as variaes de1.1 a 1.9 em EAC podem ter impactos superiores a 4/Vaca/dia. Demonstrando ainda que a utilizao de adi-tivos especiais influencia a eficincia alimentar especial-mente com custos de matrias-primas altos.

    PONTOS A CONTROLAR:

    1. Pesar e registar com rigor os alimentos ingeridospelos animais bem como as sobras da manjedoura.

    2. Controlar diariamente a condio corporal dos dife-rentes grupos segundo nveis de produo, assegurandoque nem as vacas recm paridas perdem muita condio,nem as vacas em final de lactao sobem excessivamente.

    3. Em caso de necessidade adaptar arraoamentos aosgrupos, levando em linha de conta vacas de primeira lac-tao, dias em produo, produo e condio corporal.

    4. Levar em linha de conta os fatores ambientais para ajustar aingesto.

    5. Calcular a produo sempre com as produes corrigidas agordura constante.

    6. Calcular a diferena na produo com base no nmero dedistribuies e comparar.

    7. Apostar em forragens de qualidade. Mais de 50% de fibraneutro detergente (FND) num feno so 20% a menos de ingesto.Ou seja uma vaca pode comer cerca de 0.9% do seu peso em fibrade forragens, a diferena de um feno com 40 % de FND (fibraneutro detergente) para um feno de pior qualidade com 60% deFND passar de uma capacidade de ingesto de 14.6 kg MSFNDf (fibra neutro detergente de forragem) a 9.7 kg MS FND.

    Realizar uma auditoria regular de forma a verificar se os va-lores IL e TPV se encontram dentro dos padres e sugerir