Salvamento e resgate vertical

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  • 1. SALVAMENTO E RESGATE EM ALTURA Os centros urbanos apresentam numerosas estruturas verticais, concebidas para as mais diversas finalidades, de dimenses variadas. No meio rural no diferente, onde as empresas apresentam instalaes cada vez maiores, destinadas produo e ao armazenamento, como o caso dos silos, por exemplo, projetados para armazenarem cereais. So locais elevados, onde eventualmente h a necessidade se realizar alguma atividade, como por exemplo, pintura de fachadas, instalaes e manuteno eltricas diversas, substituio de elementos da estrutura, inspeo, entre outras. Para esses fins, o local e o acesso so sempre difceis. Um exemplo claro de risco permanente a construo civil (prdios e montagem industrial, por exemplo). A todo o momento o trabalhador esta sujeito a um acidente. Esse fato agravado pelas condies de trabalho brasileiras, em que as leis e normas de trabalho so facilmente ignoradas. Onde regras bsicas de sade e segurana do trabalho so encaradas, por exemplo, como atraso na produo, despesa extra e/ou mera formalidade legal por parte dos empregadores e perda de tempo, frescura, desconforto e/ou perda do tato por parte dos empregados, resultando em negligencia generalizada. bem verdade que pra toda regra h exceo. Existem empregadores (empresas) e empregados (funcionrios) que cumprem de forma exemplar a lei. O interessante que nesse caso, o fazem por convico. Todavia, h que se considerar a necessidade de se atender uma ou mais vitimas em situao de perigo iminente, necessitando ou no de ateno clinica ou traumtica, em reas elevadas de difcil acesso urbanas (edificaes residenciais, comerciais, industriais, etc.) e rurais (ngremes, montanhosas, edificaes agroindustriais, pontes, etc). O Salvamento e o Resgate Tcnico Salvamento consiste em livrar de risco ou perigo iminente, pessoa ou animal, ileso, que se encontre nesta condio por fora das circunstancias e/ou das adversidades do ambiente, colocando-a em segurana. Resgate Tcnico consiste em recuperar de local de difcil acesso, por meio de tcnicas e procedimentos especiais, pessoa que necessite de atendimento pr-hospitalar, clinico ou traumtico, estabilizando-a adequadamente para o transporte (remoo) do local, removendo-a para local seguro ou hospital.

2. Histrico Quanto s origens das tcnicas de resgate vertical, temos o alpinismo como base. Aps a conquista do Mont Blanc, em 1786, houve um aumento das atividades em montanha e com isto um aumento do nmero de vtimas. As primeiras unidades de salvamento foram criadas no incio do sculo XIX, na regio de Chamonix, na Frana, e nos Alpes suos. Com o desenvolvimento vertical no meio urbano, ocorrido a partir de 1930 e os acidentes em edifcios a partir de ento, a 2a Guerra Mundial e, principalmente, o aumento de acidentes em atividades esportivas, surgiu necessidade de pessoas habilitadas e capacitadas tecnicamente para a realizao de resgate e atendimento de primeiros socorros em locais de difcil acesso. A necessidade de um atendimento rpido no prprio local, fez com que os prprios participantes atuassem como socorristas, surgindo da as primeiras equipes de resgate. O rapel Para alguns, um esporte, para outros, uma ferramenta de trabalho, para outros tantos, ambas as coisas, desperta na maioria das pessoas um sentimento de medo, talvez por pensarem em algo extremamente perigoso, arriscado onde pessoas se penduram beira de abismos, pontes ou prdios. certo que o rapel uma atividade de risco, mas poder lhe proporcionar sensaes e imagens indescritveis. Essas sensaes sero ainda maiores se empregado como ferramenta de trabalho, onde voc poder salvar uma vida ou colocar uma pessoa em segurana. Comportamento Para uma boa prtica do rapel necessrio respeito aos seus limites, tica, sentimento (e comportamento) ecolgico e principalmente esprito de grupo, pois nas alturas no h espao para brincadeiras e individualismo. preciso estar sempre atento para si e para seus companheiros, pois se trata de uma atividade, quer seja esportiva ou de trabalho, onde o coletivo (Equipe) e o solidrio (cooperao) so fatores fundamentais e decisivos onde um sempre depender do outro para o xito da mesma. Finalidade 3. Os adeptos dos esportes radicais empregam o rapel como forma de lazer e de aventura na busca por descargas adrenrgicas e de novas paisagens. Mais recentemente tem sido utilizado, e cada vez mais, para colocar um determinado profissional em local estratgico para a realizao de tarefas especificas nas mais diversas situaes, dentro de empresas, na construo civil, na rea de comunicao visual, entre outras. Porm, para ns Bombeiros, o rapel, entre outras tcnicas verticais, tm um objetivo mais especifico e importante que permitir que nossas equipes de socorro pr-hospitalar acessem locais elevados, encostas, espaos confinados, etc., e realizem o resgate e transporte de uma vtima, sem agravar suas leses, fornecendo Suporte Bsico de Vida (SBV) em todas as fazes da operao. Planejamento O sucesso de uma atividade, seja esportiva, de trabalho ou de resgate, est diretamente relacionado ao planejamento preliminar. Este planejamento consiste em: - Avaliar tecnicamente a atividade a ser realizada; - Determinar os recursos humanos (Equipe), em quantidade e capacidade suficientes, reconhecendo suas limitaes; - Reunir e conferir o material a ser utilizado, sem esquecer o indispensvel (avalie bem e no se sobrecarregue com o desnecessrio); preciso estar preparado para eventualidades como chuva, frio ou calor, que podem acarretar atrasos ou impor dificuldades extras atividade. Ao se sair para atividades de rapel esportivo, de trabalho ou resgate, deve-se comunicar para onde vai, a durao prevista, o nmero de pessoas envolvidas e telefone para contato. No , necessariamente, o nosso caso j que a SOp devera estar ciente e ter o controle da movimentao da guarnio de socorro. Segurana Para trabalhos em altura, obrigatria a utilizao de EPI (Equipamento de Proteo Individual), bem como, de EPC (equipamento de proteo coletiva), necessrios segurana do pessoal. 4. Cada integrante elo fundamental para o sucesso da operao, alm do que, estamos falando de vida(s)... Um membro da equipe lesionado significa perda daquela mo de obra especializada e mais uma vitima a ser atendida. complicao em dobro. necessrio o aprimoramento das tcnicas de segurana e a conscientizao de todos no cuidado e acondicionamento de EPIs, de maneira que estejam sempre em condies de serem utilizados. Os equipamentos de resgate e salvamento devem estar sempre em condies de pronto emprego. O trabalhador (bombeiro) e/ou esportista dever ter condies fsicas, tcnicas e emocionais para executar atividades de resgate. de fundamental importncia a realizao de exames mdicos peridicos com objetivo de se evitar acidentes, pois os portadores de cardiopatias, labirintites e acrofobia (medo mrbido de altura). Por exemplo, a princpio, no devem executar servios em planos elevados. Lembre-se: - Resgate tcnico uma atividade de alto risco! - No menospreze as mnimas informaes. Tudo tem uma finalidade, uma razo e um por que; - Revise sempre seu equipamento e os de sua equipe; - A responsabilidade pela utilizao das tcnicas e dos equipamentos sua; - Nunca fique perto de abismos, sem segurana; - Mantenha a equipe informada sobre seu grupo sangneo, alergias, uso de medicamentos, cirurgias j realizadas e outras informaes que julgar necessrias; - Nunca fique em dvida. Repense (reconsidere) seu procedimento. Pergunte sempre! Material e/ou Equipamento At mesmo os macacos mais experientes podem cair das rvores. (provrbio chins). 5. Antes de adquirir qualquer material, devemos estar certos de que de boa qualidade, que possua CA do MTE (ministrio do trabalho e emprego) e que realmente poder ser bem utilizado, sendo de uso simples, mas eficiente. dispensvel adquirir um determinado material, mais sofisticado, que na realidade no servir para nada alm de valorizar seu equipamento e de representar um peso a mais na mochila. SUA VIDA DEPENDE DO SEU MATERIAL, por isso cuide bem dele. Certifique-se de que o mesmo esteja sempre em boas condies e pronto para uso. Quando digo seu material estou me referindo tambm, e principalmente, ao material que carga da viatura ou instituio, pois quando outro colega de trabalho for us-lo, em uma nova emergncia ou treinamento, no ter como saber que tipo de agresso o mesmo sofreu. importante lembrar que nossa vida profissional cclica. Hoje usei de forma inadequada, nociva, determinado equipamento e o guardei sem manuteno. Amanh outra pessoa poder us-lo e estar exposta a um risco desnecessrio e traioeiro. Passado algum tempo, voc poder ter que utiliz-lo novamente. Como voc ir se sentir? Tranqilo. Se tiver juzo, duvido! Bom, existem normas que regulam a utilizao, capacidade e finalidade desses materiais, as quais eu citarei neste material. A seguir apresentarei o material de uso mais freqente. Embora ocorram modificaes freqentes devido ao aprimoramento das tcnicas e, consequentemente, da tecnologia empregada na confeco dos mesmos, fica aqui o referencial. Vesturio As roupas no devem ser muito justas, pois podem limitar os movimentos, da mesma forma que roupas largas demais podem atrapalhar e oferecer riscos. Tenha cuidado para que as mesmas no interfiram com a funo dos equipamentos, como por exemplo, entrando com a corda no freio oito ocasionando um bloqueio indesejado ou perigoso. Iluminao Em se tratando de atendimento de ocorrncia pelo Corpo de Bombeiros, a iluminao deveria ser considerada um sistema, composto pelos meios existentes na prpria viatura, por um gerador de corrente eltrica, extenses, torres ou suportes para faroletes fixos e faroletes mveis. 6. importante que se disponha de lanterna(s) de uso coletivo, com boa capacidade de iluminao. So preferveis as de duas pilhas (mdias ou grandes). Da mesma forma, importante que cada membro da equipe disponha de uma lanterna para cabea, de uso individual. Nesse caso, as lanternas dotadas