Saúde Coletiva e Fisioterapia

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Saúde Coletiva e Fisioterapia

Text of Saúde Coletiva e Fisioterapia

  • 2Reitor: Aldo Nelson BonaVice-reitor: Osmar Ambrsio de Souza

    Universidade Aberta do BrasilUAB/UNICENTRO

    Coordenao:Maria Aparecida Crissi Knuppel

    Projeto TICS/UAB/UnicentroCoordenao: Maria Terezinha Tembil; Ariane Carla Pereira

    Reviso/Correo Lingustica: Clia Bassuma Fernandes e Daniela Leonhardt

    Planejamento grfico: Lucas Gomes Thimteo

    Diagramao: Lucas Gomes Thimteo

    Comisso CientficaCarlos Alberto KuhlDiocesar SouzaEdlcio Jos StroparoMarcio Alexandre FaciniJoo MoroziniKlevi RealiMargareth MacielRegiane TrincausRobinson MedeirosRomeu Scharz SobrinhoRuth Rieth LeonhardtVanessa LobatoWaldemar Feller

    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE

    UNICENTRO

  • 3SUMRIO

    I - Introduo ................................................... 5II Captulo 1 - Histrico da Sade Pblica no Brasil ............................................................ 7

    1.1 Processo sade-doena ...................... 11III Captulo 2 - Sistema nico de Sade SUS ................................................................. 13

    2.1 Constituio Federal ........................... 132.2 Leis Orgnicas .................................... 142.3 Princpios do SUS .............................. 152.4 Normas Operacionais Bsicas .......... 162.5 Nveis de Ateno Sade ................. 17

    2.5.1 Ateno Bsica ............................. 182.5.2 Mdia Complexidade .................. 192.5.3 Alta Complexidade ...................... 20

    2.6 Direo e Articulao do SUS ........... 202.7 Pacto pela Sade ................................. 21

    2.7.1 Pacto pela vida .............................. 222.7.2 Pacto em defesa do SUS ............. 232.7.3 Pacto de gesto do SUS .............. 23

    2.8 Programa Sade da Famlia PSF .... 24 2.8.1 Caractersticas .............................. 252.8.2 Composio .................................. 262.8.3 Atribuies dos membros da equi-pe ............................................................. 262.8.4 Responsabilidades das esferas ges-toras ........................................................ 272.8.5 Desafios Institucionais ............... 27

    2.8.6 Desempenho ................................ 272.9 Ncleos de Apoio ao Sade da Famlia NASF ...................................................... 28

    IV - Captulo 3 - Fisioterapia e Sade Coleti-va ..................................................................... 29

    3.1 O fisioterapeuta na Ateno Bsica

    Sade ........................................................... 323.2 O fisioterapeuta no Programa Sade da

    Famlia ........................................................ 353.3 Aes fisioteraputicas voltadas para a

    promoo e preveno em sade ............ 373.3.1 Educao em Sade .................... 383.3.2 Atividade domiciliar .................... 40

  • 43.3.3 Atividade de grupo ...................... 423.3.4 Atividades interdisciplinares ...... 443.3.5 Atuaes acadmicas ................... 45

    3.3.6 Ateno aos cuidadores .............. 46V - Consideraes Finais .............................. 49VI - Referncias ............................................. 51

  • 5INTRODUO

    A fisioterapia uma profisso que

    foi criada para atuar principalmente no nvel

    tercirio de ateno sade a reabilitao, e

    foi por esta prtica que o fisioterapeuta ficou

    conhecido.

    Contudo, com o passar dos anos,

    desde a sua criao em 13 de outubro de

    1969, as transformaes na Sade Pblica do

    Brasil, como a implantao do Programa Sa-

    de da Famlia na dcada de 90 e a mudana no

    perfil epidemiolgico da populao, trouxe-

    ram a necessidade da ampliao das atuaes

    do fisioterapeuta para os nveis primrio (pre-

    veno e promoo da sade), e secundrio

    (tratamento).

    Sendo assim, hoje a Fisioterapia

    tem uma vasta rea de atuao. Contudo, este

    material traz a ao da Fisioterapia na Sade

    Coletiva e Sade Pblica, resgatando alguns

    aspectos histricos e de legislao. A atuao

    fisioteraputica na Ateno Bsica vem ga-

    nhando importncia, e fundamental que o

    acadmico de fisioterapia tenha em sua for-

    mao o embasamento terico e a experin-

    cia prtica nesta rea.

    O objetivo deste material resgatar

    acontecimentos da histria da Sade Pblica

    no Brasil, destacar pontos importantes da le-

    gislao brasileira acerca da sade, e enfati-

    zar a funo da fisioterapia na sade coletiva,

  • 6destacando as aes de promoo e preven-

    o em sade.

    No primeiro captulo apresentamos

    o histrico da sade no Brasil, discorrendo

    tambm sobre o processo sade-doena. No

    segundo captulo, expomos elementos da

    Constituio Brasileira, Legislao do Siste-

    ma nico de Sade SUS e Programas do

    Ministrio da Sade e a relao destes com

    a atuao do fisioterapeuta. J o terceiro ca-

    ptulo terceiro traz o trabalho da Fisioterapia

    na Ateno Bsica, enfatizando as aes de

    promoo, preveno tratamento e reabilita-

    o em sade neste nvel de Ateno.

    Espero que este trabalho possa au-

    xiliar o acadmico e profissional de Fisiote-

    rapia que tem interesse pela atuao fisiotera-

    putica em Sade Coletiva no Brasil.

  • 7CAPTULO I

    1. HISTRICO DA SADE PBLICA NO BRASIL

    A histria da Sade Pblica no Bra-

    sil marcada por inmeras mudanas admi-

    nistrativas, que comearam a ocorrer a partir

    de 1930, pois at ento as aes em sade

    no possuam organizao significativa. En-

    tre criao e extino de rgos de preveno

    e controle de doenas, a criao da Fundao

    Nacional de Sade em 1991 foi um marco.

    Houve poca em que a populao

    precisava de assistncia sade, procurava

    pelo curandeiros, pessoas sem formao es-

    pecfica, muitas vezes ligadas crenas reli-

    giosas, ou com formao em reas como a

    fsica, para tratar de seus males. O mdicos s

    eram aceitos em casos de epidemias, devido

    precariedade dos servios de sade.

    Em 1808, com a chegada da Corte

    Portuguesa no Brasil ocorreram mudanas na

    administrao pblica colonial, inclusive na

    rea da sade. Na cidade do Rio de Janeiro,

    que era o centro das aes sanitrias, foi fun-

    dada as academia mdico-cirrgicas do Rio

    de Janeiro em 1813, enquanto que na Bahia

    a fundao da mesma academia ocorreu dois

    anos depois. Estas duas academias se trans-

    formaram nas duas primeiras escolas de me-

    dicina do pas (BERTOLLI FILHO, 2006).

    Em 1829, foi criada a Imperial Academia de

  • 8Medicina, rgo ligado s questes da sade

    pblica nacional, constantemente consultado

    pelo imperador Dom Pedro I.

    A proclamao da Repblica em

    1889 tinha como principal objetivo a moder-

    nizao do pas. A ateno sade estava in-

    clusa nesta modernizao, pois devido s epi-

    demias de doenas transmissveis, os ndices

    de mortalidade eram altos, e isto trazia danos

    e dificuldades na expanso do capitalismo.

    Neste contexto surgiu a chamada

    medicina pblica, medicina sanitria, higiene

    ou simplesmente, sade pblica. Este novo

    jeito de fazer sade era completado por pes-

    quisa a respeito das enfermidades que atin-

    giam a coletividade a epidemiologia (BER-

    TOLLLI FILHO, 2006).

    A nova estrutura organizacional da

    sade, que queria mostrar populao a pre-

    ocupao do Estado para com ela, foi posta

    em prtica com a criao do Ministrio da

    Educao e da Sade Pblica em 1930, unin-

    do educao e sade na esfera governamen-

    tal.

    Nos primeiros anos da Repblica,

    foi criado um movimento de educao em

    sade, com intuito de mostrar populao a

    importncia de adoo de hbitos mais higi-

    nicos, com objetivo de diminuir a incidn-

    cia de doenas infecto-contagiosas. Para isto,

    foram usados cartazes, panfletos e emissoras

    de rdio, para que as pessoas pudessem rece-

    ber as informaes. Outra ao iniciada neste

    perodo foi a formao de enfermeiras sani-

    trias, que tinham o compromisso de visitar

    os moradores em sua residncia, passando os

    ensinamentos de higiene e realizando o en-

    caminhamento dos doentes graves aos hos-

    pitais. Talvez esta prtica tenha subsidiado o

    que hoje se conhece como Programa Sade

    da Famlia.

    Embora a histria da Sade Pblica

    Brasileira tenha iniciado em 1808, o Minist-

    rio da Sade s veio a ser institudo no dia

    25 de julho de 1953, com a Lei n 1.920, que

    desdobrou o ento Ministrio da Educao e

    Sade em dois ministrios: Sade e Educao

    e Cultura. A partir da, o Ministrio passou a

    ser responsvel pelas atividades que eram de

    responsabilidade do Departamento Nacional

    de Sade (DNS). Contudo, algumas aes re-

    lacionadas sade ainda ficaram cargo de

    outros ministrios e autarquias, dificultando

    o controle financeiro e de pessoal (PORTAL

    DA SADE, 2012).

    Paralelamente s aes do poder

    pblico, o setor privado tambm se estrutu-

    rou. Considerando que a Previdncia se res-

    ponsabilizou pela prestao de assistncia

    mdico-hospitalar aos trabalhadores, custa

    do rebaixamento da qualidade dos servios,

    a iniciativa privada da medicina comeou a

    venda de servios populao, aos institutos

    de aposentadoria e penses e ao prprio go-

    verno (BERTOLLI FILHO, 2006).

    Um problema bastante significativo

  • 9na poca foi o aumento da mortalidade in-

    fantil nas grandes cidades, devido ao xodo

    rural. Como medidas para minimizar e ten-

    tar solucionar este problema, multiplicaram-

    -se os servios de higiene infantil