Click here to load reader

Sem Trabalho - Como Sobreviver Num Mundo Sem Empregos

  • View
    216

  • Download
    1

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Sem Trabalho é uma série de ensaios que apresenta conceitos para contornar a falta de empregos formais no futuro

Text of Sem Trabalho - Como Sobreviver Num Mundo Sem Empregos

  • 1 SEM TRABALHO

  • 2

  • 3 SEM TRABALHO

    #

    #

  • 4

    CAPTULOS

    No h vagas ................................................................................... 05

    Criatividade ou morte?! ................................................................. 20

    A revoluo so os outros ............................................................... 32

    Do DIY para o DIC ........................................................................... 47

    Crie valor local ................................................................................ 60

    De baixo para cima ......................................................................... 66

    E a vai pagar como? ....................................................................... 74

    Saco vazio no para em p .............................................................. 89

    TGIF ............................................................................................. 100

    Teto .............................................................................................. 112

    Prazer em aprender ...................................................................... 124

    Aqui trabalho! ............................................................................ 133

    Religare ........................................................................................ 145

    De cima para baixo ....................................................................... 157

    Marcas Significativas, Empresas Queridas ..................................... 170

    Democracia, Corporacia NO......................................................... 176

    Transformadores .......................................................................... 187

    Inimigos & Ameaas ...................................................................... 202

    Comea com voc ......................................................................... 222

  • 5 SEM TRABALHO

  • 6 Ocupa-se

    Em 2011 o mundo assistiu ao surgimento de um novo tipo de

    manifestao popular. Um tipo de manifestao descentralizada,

    sem lderes ou bandeiras partidrias. No lugar da velha passeata,

    manifestantes montaram barracas e formaram verdadeiros centros

    de mdia independente em praas e ruas de todo o mundo. As

    pessoas acamparam, literalmente ocuparam o espao pblico e sem

    data para retirada. Movimentos como a Primavera rabe, os Riots

    londrinos, a Spanish Revolution e o Occupy Wall Street tomaram as

    manchetes dos principais jornais e pela internet espalharam suas

    inmeras causas. As hash tags utilizadas nas redes sociais por estes

    movimentos foram adotadas globalmente. Do #spanishrevolution

    surgiram o #frenchrevolution, o #italianrevolution, o

    #germanrevolution e muitos outros. O famoso #OWS teve adeso de

    centenas de cidades norte-americanas e mais de 200 metrpoles ao

    redor do mundo, dentre elas So Paulo, com o denominado

    #ocupasampa.

    Vai trabalhar vagabundo

    Milhes de pessoas se sensibilizaram com as causas dos

    manifestantes que vo desde a queda de regimes totalitrios

    regulamentao do mercado financeiro, melhores servios pblicos e

  • 7 SEM TRABALHO combate plutocracia. Mas, muitas pessoas tambm se

    incomodaram , acompanhando a repercusso dos acontecimentos

    desses movimentos podemos notar uma crtica conservadora por

    parte da sociedade em relao eficcia das aes e, sobretudo, ao

    tempo livre gasto pelos manifestantes para protestarem. Para

    muitos, uma horda de vagabundos e preguiosos. Muitas

    reportagens na mdia trouxeram a opinio de populares

    manifestando-se contra as ocupaes, afirmando que protestos

    como os do Occupy Wall Street no passam de bobagens e que os

    jovens envolvidos neles deveriam ir trabalhar que ganhariam mais.

    em resposta a esta provocao a causa desse livro: Trabalhar aonde?

    Uma vez que a criao de empregos uma das principais bandeiras

    defendidas pelos movimentos, formados em sua maioria por jovens

    desempregados. Jovens que querem sim trabalhar e de preferncia

    num mundo melhor.

    Tomando o Occupy Wall Street como exemplo, segundo uma

    pesquisa realizada pela revista New Yorker, a maioria dos

    manifestantes do movimento composta por jovens bem educados.

    Aproximadamente 2/3 deles (64.2%) tem idade abaixo de 34 anos e

    pouco mais do que nove entre dez (92.1%) so estudantes

    universitrios ou j se formaram. Uma maioria branca (81.3%) da

    qual apenas a metade (50.4%) trabalha em perodo integral.

  • 8 Enquanto que 20.4% trabalha meio perodo e 13.1% est

    desempregada.

    Os nmeros divulgados pela revista colocam em cheque algumas

    certezas em relao ao perfil de quem so os desempregados,

    principalmente, aps a crise financeira de 2008. Diferente do que

    estvamos acostumados a ver estampado nos jornais, o

    desemprego, hoje, no se restringe s classes sociais mais pobres e

    aos trabalhadores sem qualificao profissional. No Occupy Wall

    Street os jovens americanos com formao universitria encabeam

    o movimento.

    Tal cenrio no difere muito do apresentado em outras partes do

    mundo. Na Inglaterra dos Riots londrinos, um milho de jovens

    sofrem com o desemprego a ponto de um estudo da Universidade de

    Leeds, no norte da Inglaterra, revelar que cerca de 25% das

    strippers e lap-dancers da capital so estudantes. J outra

    pesquisa, dessa vez da Universidade de Londres revela que 16% das

    universitrias estariam dispostas a se prostituir para pagar seus

    estudos, enquanto cerca de 11% contemplava a possibilidade de

    trabalhar em agncias de acompanhantes.

    Na Espanha onde 23,3% da populao est sem trabalho, 50% dos

    jovens com menos de 25 anos esto desempregados. Ainda segundo

    dados oficiais do governo espanhol, 39% dos espanhis entre 25 e

  • 9 SEM TRABALHO 35 anos tem diploma universitrio, enquanto a mdia da U.E. de

    34%. Mesmo assim a taxa de desemprego para este grupo na

    Espanha a maior da Europa. Um contraste inusitado uma vez que

    esta gerao, de nascidos a partir de 1980, apresenta o mais elevado

    grau de educao da histria do pas, uma marca admirvel, mas que

    no evitou que esta gerao alcanasse o posto de gerao com

    menos oportunidades de trabalho nos ltimos 40 anos, segundo a

    Pesquisa Nacional de Populao Ativa. A situao entre os jovens

    espanhis com qualificao to crtica que tem levado os

    universitrios recm formados a lanarem mo do chamado

    currculo B, uma prtica na qual o candidato a uma vaga de

    emprego oculta dados de seu currculo, tornando-o pior, a fim de

    disputar vagas que requerem menor qualificao.

    No Brasil o fenmeno se repete embora as expectativas sejam mais

    alentadoras para os mais jovens, sem formao superior. Com um

    mercado interno aquecido, sendo um dos primeiros a se recuperar

    da crise financeira de 2008, aliado ao alvoroo em torno da

    descoberta do pr-sal e da realizao de grandes eventos como a

    Copa do Mundo e as Olimpadas o pas tido como a bola da vez no

    cenrio mundial, o pas do futuro. Segundo a Pesquisa Mensal de

    Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e

  • 10 Estatsticas(IBGE) o nvel de ocupao dos jovens de 18 e 24 anos

    cresceu 11,7% nos ltimos oito anos acima da dos adultos, que

    aumentou 8,9%. No entanto a alta na criao de empregos no inclui

    vagas para jovens com ensino superior, uma vez que a oferta de

    vagas que exigem mais qualificao no cresce no mesmo ritmo que

    a oferta de vagas para jovens com menos anos de estudo.

    Ainda de acordo com o IBGE o diploma de curso superior no Brasil

    no tem assegurado, necessariamente, crescimento do poder de

    compra nos ltimos anos. Segundo pesquisa da instituio, na mdia,

    a renda dos trabalhadores com diploma universitrio ficou

    praticamente estagnada de 2003 a 2011. Enquanto os ganhos das

    ocupaes com pouca qualificao apresentaram altas de 30,6%

    (para trabalhadores com at 8 anos de estudo) e 18,6% (para

    trabalhadores com 8 a 10 anos de estudo), a renda dos

    trabalhadores com nvel superior subiu apenas 0,3%. Nesse intervalo

    cerca de 6,6 milhes de graduados se formaram. E esse nmero

    dever aumentar, a meta do governo brasileiro at 2020 chegar a

    10 milhes de graduados.

  • 11 SEM TRABALHO Existe vida aps o diploma?

    A questo que atormenta os recm formados brasileiros, bem como

    norte-americanos, espanhis, chilenos, ingleses e de graduados de

    outras nacionalidades a mesma: Haver empregos para todos?

    A resposta mais provvel no. E as previses no curto prazo no

    so nada animadoras. Um relatrio da Organizao Internacional do

    Trabalho (OIT) alerta que o mundo precisar criar 600 milhes de

    empregos na prxima dcada. Intitulado Tendncias Mundiais de

    Emprego 2012, o documento alerta para o fato de que no haver

    alteraes significativas nas taxas de desemprego em todo o mundo,

    nos prximos quatro anos. A estimativa da OIT que, at 2016, o

    nmero de desempregados atinja 206 milhes. Uma projeo mais

    pessimista revela ainda que, caso a economia global no melhore

    em 2013, o nmero de desempregados em todo o mundo poder

    atingir mais de 204 milhes este ano, podendo ampliar o nmero de

    desempregados em 2016 para 209 milhe

Search related