Semana 3 Rafael Cunha (Bernardo Soares) 09/02 14/02 16/02 Conceito de Texto e suas Classificaأ§أµes,

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  • Red. Semana 3Rafael Cunha (Bernardo Soares)

    Este conteúdo pertence ao Descomplica. Está vedada a cópia ou a reprodução não autorizada previamente e por

  • 07/02

    09/02

    14/02

    16/02

    Conceito de Texto e suas Classificações, Variações Linguísticas e de Registro 19:15

    Tipos e Gêneros Textuais

    19:15

    CRONOGRAMA

    Conceito de Texto e suas Classificações, Variações Linguísticas e de Registro 09:15

    Tipos e Gêneros Textuais

    09:15

  • 21/02

    23/02

    Textos Argumentativos: Carta, Artigo de Opinião, Editorial e Dissertação Argumentativa 19:15

    Textos Argumentativos: Carta, Artigo de Opinião, Editorial e Dissertação Argumentativa 09:15

  • Textos argu- mentativos:

    21|23 fev

    01. Resumo

    02. Exercícios de Aula

    03. Exercícios de Casa

    04. Questão Contexto

    carta, artigo de opinião, editorial e dissertação ar- gumentativa

  • 17 9

    Re d.

    Na última aula, destacamos as principais diferenças

    entre os tipos e os gêneros textuais, entendendo,

    inclusive, todas as suas classificações. Agora, con-

    siderando a variedade de gêneros na língua portu-

    guesa, detalharemos alguns que, nos últimos anos,

    apareceram com frequência não só na prova de Lin-

    guagens do ENEM, mas também como propostas de

    redação em vestibulares específicos. São eles: car-

    ta, artigo de opinião, editorial e dissertação argu-

    mentativa. Vamos conhecê-los?

    A carta

    É provável que você já tenha lido - ou até enviado -

    uma carta e reconheça facilmente a sua estrutura.

    Não é difícil perceber algumas marcas, uma vez que

    esse gênero - com traços argumentativos ou não -

    tem características bem específicas. Observe um

    exemplo:

    Não se preocupe com a tradução do texto. Na verda-

    de, a escolha do inglês é proposital, já que o objeti-

    vo, aqui, é analisar a estrutura do gênero. A imagem

    reproduzida é de uma carta, recentemente liberada

    para divulgação, deixada pelo ex-presidente George

    Bush ao passar o cargo para o também ex-presiden-

    te Bill Clinton, em 1993. Nos Estados Unidos, a práti-

    ca é comum. No texto, o antecessor deseja um bom

    governo e, principalmente, dá dicas sobre como li-

    dar com críticas durante o mandato. É um documen-

    to histórico e merece seu destaque.

    Estamos falando de uma carta; há, então, algumas

    características básicas que, no texto reproduzido

    aqui, são bem comuns nesse gênero textual:

    → Local e data: Perceba que, logo no início da carta, há informações do local em que foi redigida

    (Washington, sede do governo norte-americano) e

    de sua data de envio. Neste gênero, é essencial que

    você leve em consideração essas informações e,

    principalmente, que sejam fieis ao momento e local

    da produção, já que estamos falando de um docu-

    mento - que, inclusive, no caso da imagem, como já

    dissemos, faz parte da história.

    → Saudação: Ao começar o texto com “dear Bill” (em tradução livre, “caro Bill”), George Bush apre-

    senta o que chamamos de saudação. Este é o mo-

    mento de usar os pronomes de tratamento que você

    aprende nas aulas de classes gramaticais.

    →Despedida: O “good luck” (em tradução livre, “boa sorte”) de Bush pode ser classificado como

    uma despedida. Assim como na saudação, o trata-

    mento dado depende de quem está produzindo e,

    mais ainda, de quem está lendo o documento. Se

    é uma carta para um parente ou amigo, você pode

    mandar um beijo; se, porém, você estiver falando

    com o diretor de uma escola, talvez o “atenciosa-

    mente” seja a melhor escolha.

    → Assinatura: Estamos falando de um texto que, obrigatoriamente, apresenta um emissor e um re-

    ceptor - alguém que envia e alguém que recebe a

    carta. É necessário, então, deixar claro quem está

    escrevendo o documento. A assinatura torna-se es-

    sencial, aqui.

    RESUMO

  • 18 0

    Re d.

    Sobre a carta, uma última informação: a presença

    do remetente e do destinatário também fica clara

    durante o texto. É comum a utilização de vocativos

    - evidenciando uma conversa com o destinatário - e

    referências à primeira pessoa, o autor da carta. Por

    ser muito curto, o texto de Bush não faz tantas cons-

    truções como essas, mas uma carta mais elabora-

    da precisa criar esse vínculo entre quem escreve e

    quem lê.

    Artigo de opinião e editorial

    No mundo dos gêneros textuais, é comum encon-

    trarmos uma variedade de textos que se encaixam

    na classificação de textos jornalísticos. São eles:

    notícia, reportagem, carta do leitor, carta ao leitor,

    charge, tirinha, nota de óbito, crônica, entre ou-

    tros. Suas características são muito comuns, pou-

    co complexas, o que permite uma fácil identificação

    em qualquer leitura breve. Há, porém, dois gêneros

    um pouco mais opinativos que merecem destaque,

    muito pela frequência de cobrança nos vestibula-

    res e, é claro, por suas marcas, mais incomuns nos

    textos que costumamos ler: o artigo de opinião e o

    editorial. Como muitas de suas características são

    comuns - trabalham com fatos, defendem opiniões

    com dados, exemplos, argumentos de autoridade,

    etc. -, vamos manter nossa atenção nas diferenças,

    muito presentes nas questões sobre esses gêneros.

    O artigo de opinião defende, prioritariamente, a opi-

    nião do autor. Isso significa que, em um mesmo ve-

    ículo de comunicação - um jornal, por exemplo -,

    diferentes autores podem ter posicionamentos con-

    trários. O ponto de vista do articulista, normalmen-

    te responsável por uma coluna em jornal ou revis-

    ta, independe, então, da forma como o veículo se

    posiciona. Nesse sentido, marcas como a primeira

    pessoa do singular são bem presentes nesses tex-

    tos, uma vez que a opinião defendida é do próprio

    autor do artigo. Vamos ver um exemplo?

    Sobre visões e tons

    Foi Fernando Sabino em “Martini seco” (1987)

    quem propôs a reflexão. “Qual a cor do tabu-

    leiro de damas?”, indagou o escrivão, um dos

    personagens, após vencer o amigo comissário

    de polícia numa partida. Seria branco com qua-

    drados pretos ou preto com quadrados bran-

    cos? O comissário tentou as duas opções e er-

    rou a resposta. Ao fim, o escrivão sentenciou:

    “É de outra cor, com quadrados pretos e bran-

    cos”. A lembrança do episódio literário, que

    acabou dando nome à autobiografia (“O tabu-

    leiro de damas”, 1999) do escritor mineiro morto

    há dez anos, emergiu da polêmica da semana

    nas redes sociais — a essa altura, já enterrada.

    De que cor seria o vestido da escocesa: branco

    e dourado ou preto e azul? O tolo questiona-

    mento se presta a explicar os dias de hoje, da

    vida em plebiscito permanente.

    Por 24 horas, o mundo virtual se ocupou do

    enigma. A imagem do vestido foi alvo de de-

    zenas de milhões de visualizações. Jornalistas

    se ocuparam da pauta. Oftalmologistas, neuro-

    cientistas e psicólogos foram convocados a ex-

    plicar o Fla-Flu da ocasião. Os tensos perderam

    o sono. Os indiferentes foram dormir. Os debo-

    chados fizeram piada. Os ocupados esculham-

    baram o falso drama. Os radicais desqualifica-

    ram a opinião contrária. Sinal dos tempos.

    E assim o dilema do vestido virou metáfora des-

    sa época repleta de certezas fugazes, avessa à

    tolerância. Uma cor é uma cor. E pronto. Sen-

    tença emitida, hora da polêmica seguinte. Im-

    porta pouco se 10%, um quarto ou dois terços

    enxergam a peça (ou a vida) em outros tons.

    Fernando Sabino, certa vez, explicou assim o

    diálogo sobre o tabuleiro de damas: “Quis suge-

    rir que, por baixo da realidade que se apresenta

    aos nossos olhos, existe outra”. Do lado da ci-

    ência, o médico Luis Fernando Correia ensinou

    que a visão humana não é objetiva como pare-

    ce: “Há mais interpretação que certeza. Cada

    cérebro interpreta as cores de um jeito próprio.

    E tudo bem”.

    Na ausência dessa compreensão, reside a in-

    tolerância despudorada, de cores fortes e sem

    filtro, das redes sociais, que tanto mal faz ao

    debate democrático. Facebook e Twitter são

    torcidas organizadas de times rivais. Não bas-

    ta torcer pelo próprio clube; é preciso humilhar,

    destruir os fãs adversários. Em segundo plano

    fica o esporte, paixão nacional a caminho da

    vala.

    Na política, idem. O mundo virtual se divide en-

    tre os que enxergam o Brasil como irremediável

    fracasso ou sucesso em gestação. É tudo bran-

    co ou preto. Não há espaço nem para 50 tons

    de cinza, para usar a referência cinematográfi-

    ca da vez, nem para