Sepé Tiaraju

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Text of Sepé Tiaraju

  • Cmara dosDeputados

  • Mesa da Cmara dos Deputados53 Legislatura 4 Sesso Legislativa 2010

    PresidenteMichel Temer

    1o Vice-PresidenteMarco Maia

    2o Vice-PresidenteAntonio Carlos Magalhes Neto

    1o SecretrioRafael Guerra

    2o SecretrioInocncio Oliveira

    3o SecretrioOdair Cunha

    4o SecretrioNelson Marquezelli

    Suplentes de Secretrio

    1o SuplenteMarcelo Ortiz

    2o SuplenteGiovanni Queiroz

    3o SuplenteLeandro Sampaio

    4o SuplenteManoel Junior

    Diretor-GeralSrgio Sampaio Contreiras de Almeida

    Secretrio-Geral da MesaMozart Vianna de Paiva

    CMARA DOS DEPUTADOS

    DIRETORIA LEGISLATIVADiretor: Afrsio Vieira Lima Filho

    CENTRO DE DOCUMENTAO E INFORMAODiretor: Adolfo C. A. R. Furtado

    COORDENAO EDIES CMARADiretora: Maria Clara Bicudo Cesar

    SECRETARIA DE COMUNICAO SOCIALDiretor: Sergio Chacon

    COORDENAO DE DIVULGAODiretor: William Frana

    SECRETARIA DE PROJETOS ESPECIAISDiretora: Andra Costa Marques

    Enredo e roteiro Luiz GattoDireo de arte e desenhos Plnio QuartimCores Mateus ZanonArte final Bruno Primo, Mateus Zanon, Plnio Quartim e Pedro Ernesto Letras Pedro ErnestoCapa Plnio QuartimConsultoria histrica Roberto H. F. FonsecaCoordenao do projeto Luiz Gatto e Nazur Garcia

    Cmara dos DeputadosCentro de Documentao e Informao CediCoordenao Edies Cmara CoediAnexo II Praa dos Trs PoderesBraslia (DF) CEP 70160-900Telefone: (61) 3216-5809; fax: (61) 3216-5810edicoes.cedi@camara.gov.br

    SRIEObras comemorativas. Personalidades

    n. 2

    Dados Internacionais de Catalogao-na-publicao (CIP)Coordenao de Biblioteca. Seo de Catalogao.

    Sep Tiaraju : o ndio, o homem, o heri. Braslia : Cmara dos Deputados, Edies Cmara, 2010. 60 p. (Srie obras comemorativas. Personalidades ; n. 2)

    ISBN 978-85-736-5739-5

    1. Sep Tiaraju, m. 1756, biografia. 2. Heri, histria em quadrinhos, Rio Grande do Sul. 3. Indio guarani, Rio Grande do Sul. 4. Redues jesuticas (1754-1756). 5. Jesutas, misses, histria, Amrica do Sul. I. Srie. CDU 929(81)

    ISBN 978-85-736-5738-8 (brochura) ISBN 978-85-736-5739-5 (e-book)

  • brique da redeno* porto alegre rs sculo xxi

    puxa, nem no meu aniversrio

    vendemos nada.

    vamos, pai. essa gente no est nem a para

    a arte do nosso povo.

    essa gente o nosso povo agora, meu filho. somos

    todos brasileiros.

    ento por que eles tm tudo e a gente

    no tem nada?

    nem sempre foi assim, cau.

    pega isto.no achaste que esqueci, n? feliz

    aniversrio.

    mas apenas um colar... no um colar

    qualquer. foi de um grande heri, ndio como ns.

    nos tempos dele, a vida dos guaranis era bem diferente...

    * expresses com asterisco ver glossrio

  • P o r cerca de 150 anos, os guaranis foram o povo mais rico de todo o sul da Amrica. Isso comeou por volta de 1600, com a chegada dos jesutas. Para se ter uma ideia, basta lembrar que as Misses Guaranis possuam o maior rebanho de gado do continente, milhes e milhes de cabeas, alm de uma imensa produo agrcola. Mas falar apenas da prosperidade material no explica a magia do encontro da cultura guarani com a crist. Enquanto em toda a Amrica o novo e o velho mundo se digladiavam, nestes pampas eles entraram em comunho.

    A sabedoria daqueles homens de

    vestido preto, falando de Deus, do

    amor, do bem e da justia encantou

    os guaranis de tal forma que estes

    abdicaram de suas crenas em

    nome de uma nova f. Foi uma

    experincia nica na histria da

    humanidade. Em nenhum outro

    lugar tantos nativos se curvaram

    pacificamente cruz crist. Dessa

    unio, surgiu um tesouro cultural

    imensurvel e a possibilidade de

    uma nova civilizao, da sociedade

    perfeita. S mesmo uma histria

    to bela poderia gerar um heri

    como ele: Sep Tiaraju.

    A experincia crist das Misses Guaranis representa um verdadeiro triunfo da humanidade. voltaire

    que histria essa?

    vamos, no caminho pra casa te conto. aconteceu

    h quase 300 anos...

  • misso jesutica de so miguel arcanjo - provncia de so pedro do rio grande do sul - sculo xviii

    vamos, no caminho para o torneio te conto.

    h menos de 200 anos nosso povo ainda era

    perseguido e escravizado.

    que histria essa, pai?

    isso nem sempre foi assim, meu filho.

    nosso povo deve ser mesmo abenoado por deus. a vida aqui to boa que

    parece a terra sem males*!

    a ferida ainda di?

    s um pouco.

    sep significa facho de luz. diz-se que, nos momentos de emoo, a

    cicatriz mal curada chegava a brilhar.

    s um bravo, jos tiaraju. da maldita febre escarlatina,

    s te restou essa marca da lua crescente.

    um sinal de deus. por isso que te chamam de sep.

  • Brasil Sculo XVS ob proteo da Igreja, as Misses foram um refgio contra os escravagistas, mas logo os bandeirantes perceberam que era mais vantajoso capturar ndios cristos. Eles eram instrudos e pacficos. Assim, por muitos anos, as Redues* Jesuticas foram atacadas sem piedade. Quinze mil guaranis foram, de uma nica vez, levados cativos para So Paulo. Dos 100 mil ndios das Redues do Guair, ficaram apenas 12 mil.

    A cobia era tanta que nem o decreto do Papa, excomungando quem escravizasse ndios cristos, surtiu efeito. S funcionou a autorizao do Rei para que os ndios usassem armas de fogo. Em igualdade de condies, a bravura dos guaranis falou mais alto. Sob o comando dos caciques Incio Abiaru e Nicolau Nhenguiru, com apenas 300 mosquetes*, 4 mil guaranis massacraram os quase 7 mil homens armados de Raposo Tavares, na Batalha de MBoror. A vitria foi to fragorosa que os bandeirantes jamais ousaram atacar novamente as Redues.

  • chega de conversa. vamos ver tua pontaria. o torneio

    j vai comear.

    no acredito... o colar do teu pai!

    nossos antepassados, os Tapes, chegaram pelo

    norte h 6 mil anos.

    pensa nisso quando atirar. foi assim que

    ganhei meu 1 torneio.

    ser que o sep vai ganhar, juara?

    meu corao ele j ganhou...

    isso vai te ajudar. achaste que esqueci que hoje completas 150 luas?

    e do pai do pai dele. nosso povo j habita essas terras h mais

    de mil anos.

  • uma flor para o campeo.

    sep! sep! corre, teu pai passou mal, e parece

    que tua me tambm...

    jos, sinto muito. ningum deve se

    aproximar de teus pais. eles apresentaram sintomas

    de varola.

  • no chegues perto meu filho. tu tens que

    ser forte agora.

    me... pai...

    mas pai, no posso perder

    vocs.

    em breve no estaremos mais

    aqui sep.

    s forte, sep, nosso povo precisa de tua luz.

    o destino, marcado em tua face.

    pobre sep... as doenas do branco foram um inimigo ainda mais perigoso que

    os bandeirantes. sem anticorpos, tribos inteiras

    foram dizimadas. uma simples gripe podia ser mortal para os ndios.

    algumas crianas sobreviviam, mas a vida sem os pais talvez fosse um castigo pior que a morte. menos para os rfos da misses, que

    eram muito bem cuidados, no cotiguau...

    segue os conselhos dos santos padres.

  • O Cotiguau era uma casa onde os desamparados - rfos, vivas, doentes, idosos e deficientes - eram cuidados por toda a comunidade. Para compensar a tristeza de perder os pais de sangue, Sep ganhou outros de corao.

    Os jesutas adotaram a organizao comunitria dos primeiros cristos: punham tudo em comum, conforme as necessidades de cada um. No havia propriedade privada entre os guaranis. A terra comunitria era chamada Tupambe (Terra de Deus).

    Nas Redues no circu

    lava

    dinheiro, pois no era n

    ecessrio. S

    o excedente era vendido

    em Buenos

    Aires para comprar o qu

    e no podiam

    produzir, como ferro, ar

    mas e outros

    objetos e para pagar im

    postos ao Rei

    e Companhia de Jesus

    .

    Como todos trabalhava

    m, uma

    jornada de seis horas d

    irias era

    suficiente para garantir

    o sustento

    e ainda vender aos espa

    nhis. As

    mulheres cuidavam da

    casa e

    produziam roupas, enq

    uanto as moas

    entretinham as crianas

    que ainda no

    iam escola.

  • 4 anos depois da morte dos pais de sep...

    o ensino era obrigatrio para crianas de 5 a 12 anos. Alm da religio, aprendiam a ler, escrever e fazer contas. Os melhores seguiam estudando para se tornarem lderes da comunidade, aprendendo teologia, histria, geografia e latim.

    devemos escolher quem prosseguir nos estudos

    para formao de lideranas. qual a vossa opinio?

    temos alunos muito bons, mas o que mais

    se destaca sep.

    sep o melhor, mas tem a alma bravia. lembram-se do

    que fez queles ndios vagos*, ladres de cavalos?

    acho que eu ainda no estava nessa reduo.

    o que houve?

    vamos, no podemos deixar esses ladres

    carnearem* nosso gado e levarem nossos cavalos.

    sep reuniu alguns jovens guerreiros e...

  • aqui esto, padre, todos os cavalos roubados. no

    falta nenhum.

    alguns dias depois voltou, triunfante...

    e o que isso no saco, meu filho?

    h? eh... nada padre... estamos cansados, depois

    falamos.

    que sangue esse? mostra-me agora mesmo o que tem no saco, sep!

    ohhh... deus tenha piedade de ns!

    espetar cabeas como trofu coisa de selvagens.

    se no abandonares esse terrvel costume, sep, no poders

    viver entre cristos.

  • mas ele se arrependeu. e passou um ms na priso.

    acho que merece uma segunda chance.

    ademais, ningum mais ousou nos roubar um