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A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica A resenha crítica As memórias literárias A charge O epitáfio A paródia O artigo de opinião O mangá O conto Os inicontos A crônica Eliana Dias Elisete Maria de Carvalho Mesquita Organizadoras SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS PROPOSTAS PARA O ENSINO DOS GÊNEROS

SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS DIDÁTICAS - Inicio | EDUFU ... · Av. João Naves de Ávila, 2121 Campus Santa Mônica - Bloco 1S Cep 38408-100 | Uberlândia - MG Tel: (34) 3239-4293 Universidade

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  • A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica A resenha crtica As memrias literrias A charge O epitfio A pardia O artigo de opinio O mang O conto Os inicontos A crnica

    Eliana Di

    as

    Elisete M

    aria de C

    arvalho M

    esquita

    Organiza

    doras

    SEQUNCIASDIDTICAS

    SEQUNCIAS DIDTICAS: PROPOSTAS PARA O EN

    SINO DOS GN

    EROS

    PROPOSTAS PARAO ENSINO DOS

    GNEROSEliana Dias

    Elisete Maria de Carvalho M

    esquitaOrganizadoras

    Esto reunidos nesta publicao os trabalhos de diferentes autores que se debruaram sobre as caractersticas textuais-discursivas de diferentes gneros que devem ser trabalhados na sala de aula: resenha crtica, memrias literrias, charge, epitfio, pardia, artigo de opinio, mang, conto, miniconto e crnica. O objetivo oferecer ao professor ideias para se trabalhar com diferentes gneros na sala de aula.Entendemos que as diretrizes dos PCNLP levantaram uma grande discusso a respeito do trabalho com os gneros, mas ainda faltam materiais didticos e paradidticos que possam ajudar o professor. Na tentativa de contribuir para o preenchimento dessa lacuna, apresentamos, nesta publica-o, dez Sequncias Didticas (SD) voltadas para o Ensino Fundamental II e Mdio. Acreditamos que esta publicao poder contribuir signifi-cativamente para o desenvolvimento das competncias de leitura e escrita dos alunos de forma interativa e dialgica, podendo, tambm, contribuir sobremaneira para o xito dos alunos, no apenas nas atividades escolares, mas tambm em suas aes e interaes sociais dentro e fora da escola.

    Id earumquodite aut quatendunt quis

    eatiae nam nesequi ditatem re volut eatus.

    Officiis est, sunt accus aboreprem faccu-

    sam re experferchit quia dolento velenda

    epelit et vendit ex eaquaecumque voluptae

    nosant, sit quiasitae voluptam eni alignien-

    dit, cusam et facerum quia quia voluptam

    velique estiatiur? Atur? Em est alignih illorit

    atiistiossi velent que mi, utessimi,

    temquunte officipient.

    Ulluptus. Ferest vellorat vellorae. Ugia

    coreritem inimpor most expere, omniata

    porecae cuptatur acid et quaero blanis que

    disquia doluptatia niminctem int, tem

    dendest ibeario omnis nos expedi officim

    intiates et inciae voloreptatur molecae. Ut

    lanimus cipsunt iandam reperro eum dis

    sitem reres expe erum quataero et faciis

    nit arum quation cor aut qui occus intiaec-

    turem velis volum, cor suntur, qui quamus

    mint. Imusam landellorro ea doluptassit

    quae coribus inullupta es inum inctota

    tibero officia doluptat.

    Bis nonsequi omnimet iunda et faccabo.

    Ipsus repudant atiaspit rem quid molupta

    tasita vidis autas esequatum ellupta

    spelibusa veliquiatem imillor porporem

    debitat pa nonsequate dolor aut as estiae.

    Id earumquodite aut quatendunt quis

    eatiae nam nesequi ditatem re volut eatus.

    Officiis est, sunt accus aboreprem faccu-

    sam re experferchit quia dolento velenda

    epelit et vendit ex eaquaecumque voluptae

    nosant, sit quiasitae voluptam eni alignien-

    dit, cusam et facerum quia quia voluptam

    velique estiatiur? Atur? Em est alignih illorit

    atiistiossi velent que mi, utessimi,

    temquunte officipient.

    Ulluptus. Ferest vellorat vellorae. Ugia

    coreritem inimpor most expere, omniata

    porecae cuptatur acid et quaero blanis que

    disquia doluptatia niminctem int, tem

    dendest ibeario omnis nos expedi officim

    intiates et inciae voloreptatur molecae. Ut

    lanimus cipsunt iandam reperro eum dis

    sitem reres expe erum quataero et faciis

    nit arum quation cor aut qui occus intiaec-

    turem velis volum, cor suntur, qui quamus

    mint. Imusam landellorro ea doluptassit

    quae coribus inullupta es inum inctota

    tibero officia doluptat.

    Bis nonsequi omnimet iunda et faccabo.

    Ipsus repudant atiaspit rem quid molupta

    tasita vidis autas esequatum ellupta

    spelibusa veliquiatem imillor porporem

    debitat pa nonsequate dolor aut as estiae.

  • Sequncias didticas: propostas para o ensino dos gneros

  • Av. Joo Naves de vila, 2121Campus Santa Mnica - Bloco 1S Cep 38408-100 | Uberlndia - MGTel: (34) 3239-4293

    UniversidadeFederal deUberlndia

    www.edufu.ufu.br

    ReitoRValder Steffen Jr.

    Vice-ReitoROrlando Csar Mantese

    DiRetoR Da eDufuGuilherme Fromm

    conselho eDitoRialCarlos Eugnio PereiraDcio Gatti JniorEmerson Luiz GelamoFbio Figueiredo CamargoHamilton KikutiMarcos Seizo KishiNarciso Laranjeira Telles da SilvaReginaldo dos Santos PedrosoSnia Maria dos Santos

    EquipE dE REalizao

    Editora de publicaes Maria Amlia Rocha Assistente editorial Leonardo Marcondes Alves Reviso Lcia Helena Coimbra do Amaral Reviso ABNT Giselle Abreu de Oliveira Projeto grfico Ivan da Silva Lima Diagramao Carlos Augusto Machado Capa Ivan da Silva Lima

  • Sequncias didticas: propostas para o ensino dos gneros

    Eliana Dias Elisete Maria de Carvalho Mesquita

  • Av. Joo Naves de vila, 2121Campus Santa Mnica - Bloco 1S Cep 38408-100 | Uberlndia - MGTel: (34) 3239-4293

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    Copyright 2017 Edufu Editora da Universidade Federal de Uberlndia/MGTodos os direitos reservados. proibida a reproduo parcial ou total por qualquer meio sem permisso da editora.

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Sistema de Bibliotecas da UFU - MG, Brasil

    D541s

    Dias, Eliana. Sequncias didticas : propostas para o ensino dos gneros. / Eliana Dias, Elisete Maria de Carvalho . Uberlndia : EDUFU, 2017. 152 p. : il. Inclui bibliografia. ISBN: 9788570784629

    1. Lngua portuguesa - Estudo e ensino. 2. Gneros literrios. I. Mesquita, Eliste Maria de Carvalho. II. Ttulo.

    CDU:806.90-25

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Sistema de Bibliotecas da UFU - MG, Brasil

    D541s

    Dias, Eliana. Sequncias didticas : propostas para o ensino dos gneros. / Eliana Dias, Elisete Maria de Carvalho . Uberlndia : EDUFU, 2017. 152 p. : il. Inclui bibliografia. ISBN: 9788570784629

    1. Lngua portuguesa - Estudo e ensino. 2. Gneros literrios. I. Mesquita, Eliste Maria de Carvalho. II. Ttulo.

    CDU:806.90-25

  • Sumrio

    Apresentao .................................................................................................. 7

    Resenha crtica .............................................................................................. 13

    Memrias Literrias ................................................................................... 27

    A Charge ............................................................................................................ 47

    O Epitfio ......................................................................................................... 59

    A Pardia .......................................................................................................... 71

    O Artigo de Opinio ..................................................................................... 83

    O Mang ............................................................................................................ 99

    O Conto .............................................................................................................. 107

    Os Minicontos ................................................................................................ 123

    A Crnica ......................................................................................................... 131

    Referncias ...................................................................................................... 144

  • Apresentao 7

    Apresentao

    Gneros: dos parmetros curriculares nacionais s sequncias didticas

    Eliana Dias Elisete Maria de Carvalho Mesquita

    (Organizadoras)

    O debate sobre a qualidade do ensino no Brasil antigo. Desde o perodo colonial at os dias atuais, muitas propostas tm sido apresentadas com o intuito de melhorar a condio da educao brasileira. Dentre essas propostas, ressaltamos a iniciativa de uma grande equipe brasileira, constituda por pesquisadores e professores representantes de diferentes reas do conhecimento, que deu incio misso de produzir as diretrizes para todas as disciplinas ensinadas em todas as escolas pblicas brasileiras. Dentre os vrios motivos que fizeram com que essa equipe levasse a cabo essa iniciativa, destacamos o baixo rendimento dos alunos do Ensino Fundamental, principalmente, quando submetidos a testes de aferio de nveis de leitura e escrita, tais como o Saeb e Prova Brasil, por exemplo.

    Como resultado dessa iniciativa so publicados os Parmetros Curriculares Nacionais (PCN) (Brasil, 1997, 1998), direcionados ao Ensino Fundamental (1 a 8 srie)1, que representam uma tentativa de oferecer ao professor, principalmente, possibilidades mais atrativas de se ensinar os contedos necessrios formao crtica e cidad dos alunos do sculo XXI. Nesse sentido, a proposta desses documentos configura-se como reao contra o ensino mecnico e tecnicista das dcadas anteriores, que insistia em valorizar a descontextualizao, a memorizao de conceitos, regras e frmulas.

    1 Essa nomenclatura corresponde poca de publicao do documento, quando o segundo ciclo do Ensino Fundamental encerrava-se na 8 srie.

  • 8 Eliana Dias / Elisete Maria de Carvalho Mesquita

    As orientaes gerais dos PCN aplicam-se, bvio, a todas as disciplinas que, tradicionalmente, constituem a base para a formao escolar dos alunos. Em se tratando, especificamente, do ensino de Lngua Portuguesa, os Parmetros Curriculares Nacionais de Lngua Portuguesa (PCNLP) (Brasil, 1998) apresentam uma proposta calcada numa perspectiva dialgica e enunciativa da linguagem, o que significa a defesa de pressupostos terico-metodolgicos que vo de encontro s iniciativas didticas ancoradas em teorias estruturalistas, por exemplo, h muito difundidas e endossadas pelo mercado editorial voltado para o ensino e, consequentemente, para todo o pblico envolvido com esse ensino. Ancorados, ento, numa perspectiva que entende a linguagem verbal e escrita como ponto fulcral do conhecimento, os PCNLP defendem a necessidade de o aluno dominar completa e eficientemente essa faculdade, pois, por meio dela, que todas as prticas sociais se concretizam.

    A considerao dos objetivos propostos pelos PCNLP leva-nos a perceber que a principal preocupao desses documentos direciona-se ao desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita. Se considerarmos que, tradicionalmente, nas aulas de Lngua Portuguesa o ensino de gramtica sempre ocupou grande espao, podemos dizer que a valorizao da leitura e da escrita configura-se como uma espcie de acerto de contas dessas atividades com a histria do ensino de Lngua Portuguesa brasileiro. Afinal, foi somente aps a dcada de 1990 que o texto comeou a ocupar lugar mais representativo no contexto escolar, estando, hoje, prestes a funcionar como ponto de partida e ponto de chegada (Geraldi, 1991) para o processo de ensino e aprendizagem.

    Se levarmos em conta que, apesar das controvrsias, o principal ponto positivo dos PCNLP reside na proposta de se conduzir as aulas com base na noo de gneros, entendemos que a concepo de texto para esses documentos no poderia ser outra, uma vez que a perspectiva de gneros na qual se apoiam as diretrizes oficiais dos PCNLP, como explicitado na nota 9, inserida na pgina 23 do documento, originria de Bakhtin, Bronckart, Schneuwly e Dolz. Na esteira dessa orientao terica, dentre

  • Apresentao 9

    as perspectivas e modelos de escrita existentes, destacamos o trabalho desenvolvido pelo grupo de Genebra, principalmente por Schneuwly e Dolz (2004), que vem se dedicando elaborao de propostas didticas para se trabalhar com os gneros.

    A partir da concepo de gnero como megainstrumento, esses autores entendem que as prticas de linguagem permitem ao indivduo, por meio das relaes sociais, perceber e, consequentemente, se apropriar do contexto em que est inserido. Essas prticas permitem a ele, ainda, perceber como se d o funcionamento da linguagem nas mais variadas situaes de comunicao. Isso significa que possvel, por meio das relaes de ensino e aprendizagem e dos diferentes gneros usados pelos indivduos, haver uma mudana de comportamento na sociedade. , portanto, com base nessa concepo de linguagem e de gnero que esses autores formulam um modelo didtico com o objetivo de fornecer subsdios tericos e metodolgicos para o tratamento, em contexto escolar, das especificidades de cada gnero. Para alm disso, a proposio do trabalho com os gneros pode obedecer a um esquema, denominado sequncia didtica, concebido para atender s necessidades relativas, principalmente, ao que diz respeito ao campo da produo escrita, o que justifica a ateno a elas dispensada neste livro.

    De acordo com Schneuwly e Dolz (2004), as Sequncias Didticas (SD) so um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemtica, em torno de um gnero textual oral ou escrito (Schneuwly; Dolz, 2004, p.97). Na medida em que as SD podem possibilitar aos alunos colocarem em prtica tanto os aspectos da linguagem j internalizados quanto aqueles que eles ainda no tm domnio, elas objetivam levar esses estudantes a compreenderem melhor um determinado gnero discursivo. O esquema apresentado pelos autores nos mostra que o ponto de partida para a produo textual a apresentao da situao, ou seja, a apresentao detalhada do gnero a ser trabalhado. Aps essa apresentao, os alunos sero levados a produzirem o primeiro texto produo inicial que representa o gnero trabalhado.

  • 10 Eliana Dias / Elisete Maria de Carvalho Mesquita

    De acordo com Schneuwly e Dolz, essa primeira produo deve servir como indicadora para que o professor possa verificar o grau de conhecimento de seus alunos a respeito do gnero em questo. A partir dessa verificao, o professor ter condies de preparar atividades que sero realizadas pelos alunos ao longo de todo o trabalho da sequncia didtica.

    Essas atividades, que visam a levar o aluno a dominar o gnero trabalhado, devero ser realizadas nos mdulos, sendo que cada um deles pode ser destinado ao tratamento de uma determinada particularidade do gnero. Alm disso, as atividades preparadas pelo professor devem contemplar as dificuldades dos alunos, sejam elas relacionadas escrita, especificamente, sejam elas mais voltadas para a leitura ou para determinados aspectos gramaticais.

    Se todo esse trabalho for realizado a contento, a produo final poder se configurar como uma produo satisfatria do gnero trabalhado. Por meio dessa produo, o professor verificar se o aluno progrediu, se obteve conhecimento sobre o gnero estudado e se adquiriu e aperfeioou capacidades lingusticas.

    Na medida em que indicam o caminho para que o aluno aprenda tanto a compreender quanto a produzir determinado gnero, entendemos que as SD constituem-se como boa estratgia para levar o aluno a produzir diferentes textos na sala de aula. No entanto, alertamos que o fato de as SD indicarem o percurso a ser trilhado pelo professor no significa, como facilmente perceptvel, que o professor tenha sua disposio uma frmula infalvel para a escrita. O xito da adoo dessa ferramenta de ensino depender do modo como o professor conduzir as atividades. Nesse sentido, preciso mencionar que as sequncias didticas exigem que o professor: I) tenha profundo conhecimento de sua turma; II) saiba selecionar os textos mais relevantes a serem trabalhados; III) esteja atento aos resultados revelados a partir da concluso de cada etapa do processo de escrita; IV) saiba fazer com que as falhas e/ou problemas apresentados pelos alunos transformem-se em outras atividades na sala de aula.

  • Apresentao 11

    bom lembrar que, como dizem Schneuwly e Dolz (2004, p.126) as sequncias no devem ser consideradas como um manual a ser seguido passo a passo. Para o professor, a responsabilidade efetuar escolhas, e em diferentes nveis. Desse modo, uma SD somente ser bem sucedida se todas as atividades pensadas e elaboradas pelo professor basearem-se nas necessidades de cada aluno. Assim, preciso considerar, por exemplo, o meio social a que eles pertencem, o momento adequado para o estudo, o conhecimento que possuem sobre o tema abordado e as dificuldades apresentadas individualmente.

    Somando-se os procedimentos especficos de uma determinada SD ao conhecimento e habilidade do professor, os alunos tero o contexto favorvel para a produo de textos.

    Conscientes de que no h uma nica proposta de trabalho para a produo escrita na sala de aula e conscientes, tambm, da necessidade de se oferecer ao professor, que, por ser nosso colega de trabalho, tratado ao longo da obra como voc, ideias para se trabalhar com diferentes gneros na sala de aula, que decidimos reunir nesta publicao os trabalhos de diferentes autores que se debruaram sobre as caractersticas textuais-discursivas de diferentes gneros que devem ser trabalhados na sala de aula.

    Entendemos que as diretrizes dos PCNLP levantaram uma grande discusso a respeito do trabalho com os gneros, mas ainda faltam materiais didticos e paradidticos que possam ajudar o professor a trabalhar com essas entidades na sala de aula. Na tentativa de contribuir para o preenchimento dessa lacuna, nesta publicao, apresentamos dez SD2 voltadas para o Ensino Fundamental II e Mdio.

    Essas SD configuram-se como um dos resultados de diferentes trabalhos realizados pelos alunos do Programa de Mestrado Profissional em Letras Profletras da Universidade Federal de Uberlndia (UFU), durante os anos de 2013/2015. Os

    2 O contedo das SD so de responsabilidade dos autores.

  • 12 Eliana Dias / Elisete Maria de Carvalho Mesquita

    autores conceberam as SD, tendo como base proposta de trabalho solicitada durante uma das disciplinas do curso. Para atender a essa exigncia, cada autor teve a liberdade de escolher um gnero que atendesse s necessidades de sua realidade escolar. Desse modo, eles pesquisaram sobre o gnero escolhido, elaboraram as SD, debateram-nas em seminrios e, finalmente, aps as discusses, aplicaram-nas em suas salas de aulas. O resultado desse trabalho materializou-se nas SD dos seguintes gneros: resenha crtica, memrias literrias, charge, epitfio, pardia, artigo de opinio, mang, conto, miniconto e crnica.

    O acompanhamento de projetos, dessa natureza, dos alunos do Mestrado Profissional (Profletras) tem nos mostrado que o docente, bem fundamentado teoricamente, pode desenvolver ou adaptar prticas pedaggicas para suas turmas. Para tanto, esse docente deve considerar o repertrio lingustico de seus alunos e as caractersticas do gnero discursivo que vo produzir e, com isso, pode adaptar ou criar novas atividades.

    Considerando a criatividade dos autores deste livro e, principalmente, a diversidade de atividades sugeridas por eles para se trabalhar com diferentes gneros na sala de aula, nos sentimos muito vontade para dizer que acreditamos que esta publicao poder contribuir significativamente para o desenvolvimento das competncias de leitura e escrita dos alunos de forma interativa e dialgica, podendo, tambm, contribuir sobremaneira para o xito dos alunos, no apenas nas atividades escolares, mas tambm em suas aes e interaes sociais dentro e fora da escola. Atingir esse propsito significa oferecer uma pequena contribuio para que a escola seja um espao preparado para que o aluno tenha contato com a pluralidade textual (Travaglia, 2008).

    Uberlndia, julho de 2016.

  • Prefcio 13

    Resenha crtica

    Dayse Cardoso Guimares Luiz Czar Cordeiro Cesrio

    Snia Alves Dantas

    Modalidade de ensino: Fundamental II Anos: 6 e 7 Componente Curricular: Lngua Portuguesa

    Ao final da proposta, o aluno poder estar apto a:

    Ler resenhas crticas de filmes. Conhecer as particularidades do gnero resenha crtica. Produzir resenhas crticas de filmes.

    Durao das atividades (h/a): 7 aulas (50 minutos cada)

    Conhecimentos prvios:

    Habilidades de leitura e escrita. Gnero discursivo: resumo.

    Estratgias e recursos utilizados:

    Utilizao de resenhas veiculadas na internet. Atividades realizadas individualmente e em grupo. Exibio do filme A nova onda do imperador. Utilizao do laboratrio de informtica: datashow, computador,

    internet.

  • 14 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    MDulo 1: Apresentao da situao e contato com o gnero

    Atividade 1: Apresentao da situao:

    Professor(a), a primeira aula ocorrer no Laboratrio de Informtica3.

    Antes de iniciar o trabalho, sugerimos que voc apresente uma situao de comunicao que motive o estudo, a anlise e a produo do gnero textual Resenha. Por exemplo, um projeto de classe que vise alimentao e atualizao de um blog. Poder ser dito aos seus alunos que o blog da escola disponibilizar um espao semanal para que eles compartilhem impresses/indicaes/avaliaes a respeito de produtos culturais (livros, filmes, peas teatrais, programas de televiso, shows, entre outros). Para tanto, a turma em questo ficar responsvel pelas primeiras publicaes. Tendo em vista se tratar de um blog da escola, a princpio, os destinatrios possveis dos textos sero alunos e professores de outras turmas, mas, por estar disponvel na internet, o pblico-alvo das produes textuais se expandir a outras pessoas que se interessarem pelo contedo.

    Antes de iniciar a produo de resenhas, proponha um trabalho de reconhecimento do gnero para facilitar, assim, a atividade de produo escrita, conforme sugerimos a seguir.

    Contato com o gnero:

    Professor(a), sugerimos que voc pergunte aos alunos: Que critrios vocs utilizam para selecionar filmes, livros,

    peas teatrais que assistiro/lero? Vocs costumam buscar informaes ou pedir indicaes,

    por exemplo, antes de ir assistir a um filme?

    3 Caso a escola no disponha de um laboratrio de informtica ou de uma quantidade suficiente de computadores para todos os alunos, a atividade poder ser realizada em casa ou o professor poder pensar em alguma estratgia de ensino que dispense o uso do laboratrio.

  • Prefcio 15

    Quando optam por buscar informaes, que fontes vocs privilegiam? Amigos, revistas, jornais, sites na internet ou outras fontes?

    Vocs sabiam que alguns sites na internet trazem textos com informaes que podem contribuir para a realizao de escolhas sobre que filmes assistir?

    A partir das respostas dos alunos, solicite que os estudantes acessem os sites indicados abaixo e leiam os textos disponibilizados.

    Site 1: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-191035/ criticas-adorocinema/ (Salgado, 2014).

    Site 2: http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/2013/08/ resenha-meu-malvado-favorito.html (Ferreira, 2013).

    Site 3: http://www.cantodosclassicos.com/malevola-resenha/ (Hoa, 2014).

    Professor(a), em seguida, sugira a seguinte atividade aos alunos:

    Roteiro de leitura

    1) Voc j assistiu aos filmes apresentados nos textos? Se sim, quais deles?

    2) Os textos apresentados so resenhas de filmes. De acordo com as leituras realizadas, qual a inteno dos autores ao escrever esses textos?

    3) O que os textos lidos tm em comum?4) Voc acha que esses textos podem ser teis no momento de

    seleo de filmes que assistiro? Por qu?

    Importante: professor(a), aps a realizao das atividades, apresente a definio de resenha e discuta o(s) conceito(s) desse termo com seus alunos.

  • 16 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    Resenhas so textos que fazem uma apreciao, avaliao e resumo de uma pea artstica (livro, filme, shows, programas televisivos, etc.) com a finalidade de informar, persuadir e indicar ou no o objeto artstico em questo. Dessa forma, a resenha ajuda o leitor a escolher entre ver, ouvir ou ler, por exemplo, um livro. Geralmente, a resenha publicada em meios de comunicao impressos como jornais e revistas, alm do meio digital, em sites da internet.

    Atividade 2 (3h/a): Produo inicial

    Professor(a), nesta etapa, os alunos podero assistir ao filme A nova onda do imperador4 e, aps isso, elaboraro um primeiro texto, revelando assim as representaes que tm do gnero discursivo resenha.

    Para auxiliar na tarefa de produo do primeiro texto, sugerimos que entregue aos alunos uma cpia com os dados tcnicos do filme, como a proposta no modelo.

    ANlISE DE FIlME

    A NOVA ONDA DO IMPERADOR

    Professor (a): _______________________________ Data: ___/___/ _______Aluno (a): __________________________________________________________

    Ficha tcnica

    Ttulo original: The Emperors New Groove Ano: 2000 Pas de origem: Estados Unidos (EUA) Durao: 1h 19 minGnero: Animao, musical Diretor: Mark Dindal Classificao: Livre Elenco: David Spade, John Goodman, Patrick Warburton...

    4 Filme disponvel em: https://www.youtube.com/watch?v=Yr48FRaoroQ (A nova..., 2000).

  • Prefcio 17

    Sinopse do filme

    Em um reino mtico e rodeado de montanhas, o jovem e arrogante imperador Kuzco transformado em uma lhama

    por sua conselheira, a poderosa bruxa Yzma. Perdido na floresta, a nica chance de Kuzco recuperar seu trono contando com a ajuda de Pacha, um simplrio campons. Mas ambos precisaro enfrentar a bruxa Yzma antes de concluir sua jornada.

    Fonte: Club TV (2013).

    Produo de texto: resenha crtica

    Considere a seguinte situao: voc assistiu ao filme e deve produzir um texto escrito o recomendando ou no s pessoas, pois voc faz parte da equipe responsvel por publicaes no blog da escola. Escreva um texto, com no mnimo 20 linhas, divididas em trs pargrafos, apresentando o filme aos alunos e funcionrios da escola, principalmente, e deixando clara e explicada sua opinio sobre ele. Lembre-se de criar um ttulo para seu texto.

    Ttulo: _____________________________________________________________1. ___________________________________________________________________2. [...]

  • 18 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    Atividade 3 (1h/a): organizao e sistematizao dos conhecimentos

    Professor(a), nesta etapa, os alunos podero fazer uma

    leitura atenta sobre as especificidades do gnero resenha, a fim de ampliar e sistematizar os conhecimentos sobre o gnero. Para tanto, poder ser realizada uma atividade de leitura e anlise de resenhas, como a proposta que se segue.

    Sempre que lemos, ouvimos ou assistimos algo, construmos uma opinio. s vezes, essas opinies formam textos que buscam apresentar e avaliar uma obra cultural (livro, CD, pea teatral, exposies), como as resenhas crticas. Veja como esse tipo de texto se organiza.

    Texto IPara comemorar o fim das aulas

    Ao, humor, aventuras e muito suspense. Voc vai achar tudo isso em Harry Potter e a Cmara Secreta, tanto no livro como no filme. Com o livro, voc se diverte usando a imaginao ao ler uma histria incrvel, que envolve voc ao mximo. No filme, voc no desgruda da cadeira nem pisca, com tanta magia na tela. Como o filme baseado no livro, a histria a mesma. Mas no filme alguns fatos foram cortados para no ficar muito grande. Alguns exemplos so:

    1) Harry vive ameaando usar sua magia com seu primo e seus tios.

    2) Quando Dobby visita Harry, ele faz um feitio de levitao. Como Harry o bruxo da casa, o Ministrio da Magia pensa

  • Prefcio 19

    que foi ele quem fez o feitio e manda uma carta avisando que, se ele praticar mais alguma mgica, ser expulso de Hogwarts.

    3) Foram cortados o espelho mgico dos Weasleys e o quarto de Rony.

    4) A parte em que Harry e os Weasleys tiram os gnomos do jardim.

    5) A parte em que Rony cumpre sua punio aps a chegada a Hogwarts.

    Mesmo assim, o filme hiperlegal e timo para comemorar o fim das aulas com os amigos.

    Fonte: Boffa (2002).

    Texto II melhor do que o primeiro

    Quem assistiu a Harry Potter e a Pedra Filosofal no cinema sentiu algumas falhas, principalmente quem tinha lido o livro antes. Isso j no acontece tanto em Harry Potter e a Cmara Secreta, que melhor do que o primeiro, apesar de ter alguns cortes.

    Com a melhor atuao e expresso dos atores Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, o filme ficou melhor. E, com a nova trama, ganhou um tom mais sombrio. O segundo filme bem mais emocionante do que o primeiro. E tem mais suspense, o que faz a gente pular na cadeira.

    Mas fica uma pergunta: como que vai ficar o terceiro filme sem Richard Harris, o ator que faz o papel de Dumbledore? Harris morreu. No vai ser fcil substitu-lo.

    Fonte: Baradelli (2002).

    A partir da leitura dos dois textos acima (que so chamados de resenhas crticas), responda s questes que seguem:

  • 20 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    1) Os textos acima so muito comuns em jornais e revistas. Qual o objetivo dos textos I e II?

    A) Informar sobre um acontecimento. B) Informar e avaliar uma obra.C) Apresentar um estudo sobre certo assunto. D) Apresentar uma previso.

    2) Qual o assunto dos textos I e II? A) Os livros de Harry Potter e a Pedra Filosofal. B) Alguns livros de Harry Potter.C) O filme Harry Potter e a Cmara Secreta.D) O filme Harry Potter e a Pedra Filosofal.

    3) Sobre os textos Para comemorar o fim das frias e melhor do que o primeiro pode-se afirmar que:

    A) o texto I faz uma avaliao positiva da obra, mas o texto II apresenta uma crtica negativa.

    B) os textos I e II fazem uma mesma avaliao negativa da obra.C) o texto I no recomenda a obra, enquanto o texto II sim.D) tanto o texto I quanto o texto II so favorveis obra apresentada.

    4) Na primeira resenha (texto I), a autora faz uma comparao entre ler o livro e assistir ao filme. De acordo com o texto, o que o livro exige mais do leitor do que o filme?

    A) Imaginao. B) Humor.C) Ateno.D) Nada.

    5) De acordo com o texto I, houve alguma adaptao do livro Harry Potter e a Cmara Secreta para o cinema? Justifique sua resposta.

    6) Ainda sobre o texto I, o que o livro Harry Potter e a Cmara Secreta tem em comum com o filme?

  • Prefcio 21

    7) Para a autora da primeira resenha (texto I), A) o filme melhor que o livro.B) o filme e o livro so bons.C) o livro melhor que o filme.

    8) A autora do texto I aponta pontos positivos e um ponto negativo do filme Harry Potter e a Cmara Secreta. Cite o que ela aponta de negativo, no filme.

    9) A autora da primeira resenha (texto I) comparou o filme ao livro. Qual a comparao que a autora do texto II faz?

    10) Por que a autora da segunda resenha (texto II) afirma que o filme ficou melhor?

    11) Apesar das duas autoras apontarem aspectos diferentes sobre os filmes, em que elas concordam? Justifique com um trecho do texto.

    12) Em resenhas crticas, o autor geralmente defende um ponto

    de vista sobre alguma obra (filme, CD, livro etc.) e procura comprov-lo com explicaes, exemplos etc. Alm disso, importante organizar bem as ideias, inclusive, evitando a repetio prxima de palavras ou ideias.

    a) O que a autora quis dizer quando afirma: Isso j no acontece tanto em Harry Potter e a Cmara Secreta [...] (1 pargrafo, texto II)? Explique com suas palavras.

    b) A que se refere a palavra destacada na frase No vai ser fcil substitu-lo (3 pargrafo, texto II)?

    A) Ao terceiro filme.B) A Richard Harris.C) A Dumbledore.D) A Harry Potter.

  • 22 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    13) Ao ler resenhas crticas, percebemos que o principal so as opinies dos autores. O que a autora do texto II pensa do ator Richard Harris, quando ela diz que No vai ser fcil substitu-lo?

    14) Escolha uma das resenhas (texto I ou texto II) e produza um resumo dela, de acordo com o que foi discutido na sala de aula sobre como produzir resumos.

    Ao discutir com os alunos as respostas apontadas para as atividades acima, importante que eles sejam incentivados a justificar as respostas escolhidas, inclusive citando trechos dos textos que as comprovem.

    Professor(a), ao final dessa atividade, voc pode propor aos alunos que registrem, no caderno, os conhecimentos construdos nessa aula sobre o gnero resenha. Esse registro, como apontam Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p.90), pode assumir uma forma sinttica de lista de constataes ou de lembrete ou glossrio.

    Atividade 4 (1h/a): organizao e sistematizao dos conhecimentos

    Professor(a), inicie essa aula, relembrando com os alunos as caractersticas do gnero discursivo resumo, estudado anteriormente, retomando as produes realizadas na questo 14 da atividade anterior, enfatizando que, enquanto o gnero resumo no admite atribuio de juzos de valor, no gnero resenha essa avaliao do autor necessria, visto que o objetivo da resenha avaliar o contedo do produto cultural (livro, filme, show, pea teatral).

    Em seguida, sugerimos que apresente aos alunos a resenha do filme Super 8 e pea que eles identifiquem os trechos em que o autor descreve o filme e as passagens em que o avalia.

  • Prefcio 23

    Viagem Nostlgica aos anos 1980

    Felipe Branco Cruz

    [...]A histria de Super 8, que chega

    hoje aos cinemas, se desenrola aps um misterioso acidente de trem ocorrer no momento em que um grupo de garotos grava uma cena. Uma carga estranha jogada para fora. Depois disso, pessoas comeam a desaparecer numa pequena cidade do Estado de Ohio (EUA). A cena do acidente espetacular: vages em chamas so arremessados enquanto os meninos correm em meio a destroos, fugindo da morte iminente. Enquanto isso, a cmera super 8 deles fica ligada e registra tudo.

    No h nada no filme que seja revolucionrio. Mesmo assim, esse longa deve ser citado daqui a 20 anos pelas crianas de hoje, assim como lembramos de Goonies ou E.T., por tratar de temas universais como amizade e companheirismo, mesclado a um mundo de fico e teorias conspiratrias.

    Mas o alien de Super 8 no carrega nada do fofo E.T. de Spielberg. um monstrengo assustador, que mostrado poucas vezes no filme, deixando no ar a sensao de suspense. Mas tudo o que ele quer voltar para casa. As cenas da aeronave do alien parecem ter sado diretamente de Contatos Imediatos de Terceiro Grau. As cenas de perseguio tambm parecem inspiradas em Indiana Jones e De volta para o Futuro.

    [...]Uma dica: no v embora assim que o filme acabar. Fique

    para ver os crditos subirem na tela. Uma divertida surpresa far valer a pena ficar alguns minutos a mais na sala de projeo.

    Fonte: Cruz (2011).

  • 24 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    Professor(a), os alunos no precisam apontar e diferenciar todas as passagens descritivas e avaliativas do texto. O importante, nessa atividade, que eles consigam perceber que o gnero resenha resultado de uma combinao entre resumo e avaliao sobre uma obra.

    Alm disso, outras caractersticas do gnero resenha podem ser destacadas nesse momento.

    Importante: professor(a), leve os alunos a perceberem que, em todas as resenhas lidas, at o momento, os autores avaliam a obra, sem, no entanto, descrev-la at o fim.

    No caso dos filmes, por exemplo, importante tambm que os alunos entendam que, nas resenhas, o final do filme no pode ser includo no texto. Portanto, esse momento uma boa oportunidade para explicar aos alunos o conceito de spoiler.

    Para saber mais...

    spoiler tem origem na palavra spoil (do ingls) e significa estragar. Ou seja, spoiler refere-se a qualquer fragmento de fala, texto, imagem ou vdeo que revele fatos importantes ou desfecho da trama de obras, que na maioria das vezes prejudicam a apreciao de tais obras pela primeira vez. O spoiler tambm uma espcie de estraga-prazeres, pois ele aquele indivduo que conta os finais, ou o que vai descrever caractersticas marcantes de determinado personagem em filmes, sries, livros, sem saber se a outra pessoa realmente se interessa por essas informaes no momento.

    Fonte: Adaptado de Spoiler (2014, 2015).

  • Prefcio 25

    Professor(a), tambm interessante discutir com os alunos sobre a presena de comparaes entre obras em resenhas como um recurso que pode levar o leitor a fazer associaes com obras que ele talvez j conhea ou mesmo com a inteno de facilitar a compreenso do leitor sobre a obra avaliada.

    Ao final dessa atividade, novamente, proponha aos alunos que registrem, no caderno, os conhecimentos construdos nessa aula sobre o gnero resenha.

    MDULO 2: Produo final e avaliao

    Produo final:

    Professor(a), nesta etapa, recomendamos que voc inicie a produo inicial da resenha e realize uma autoavaliao, utilizando a ficha abaixo como parmetro. Essa avaliao tem o intuito de aprimorar os textos por meio da consolidao dos conhecimentos adquiridos sobre o gnero, a partir das atividades propostas nas aulas, o que resultar na produo final dos alunos.

    Avalie sua resenha

    O leitor compreender, ao ler o ttulo e o 1 pargrafo de sua resenha, qual a obra analisada?

    SIM NO

    O leitor encontra em sua resenha um resumo do filme?Est clara, na resenha produzida, a opinio defendida a respeito da obra analisada?Existem justificativas que explicam e contribuem para a defesa de sua avaliao?As ideias e informaes apresentadas se relacionam?A comparao foi um recurso utilizado na resenha produzida?Existem spoilers na sua resenha?A linguagem e o contedo da resenha esto adequados ao pblico previsto?

  • 26 D. C. Guimares / L. C. C. Cesrio / S. A. Dantas

    Avaliao:

    Professor(a), a avaliao das atividades desenvolvidas ao longo da sequncia didtica dever ser diagnstica, processual e contnua. No entanto, a produo final dos alunos poder ser avaliada tambm de forma somativa, se assim se desejar.

    Importante: professor(a), interessante que os alunos tenham seu feedback, aps a entrega da produo final, e, caso haja necessidade, realize novamente uma reescrita do texto, contemplando as suas observaes.

  • Memrias Literrias 27

    Memrias Literrias

    Lorena Faria de Souza Heloisa Maria Marques Lessa

    Modalidade de Ensino: Fundamental IIAno(s): 6 Componente Curricular Lngua Portuguesa

    Ao final da proposta, o aluno poder estar apto a:

    Reconhecer as memrias literrias como um gnero da ordem do relatar, pertencente ao domnio social da memorizao e documentao das experincias humanas, situando-as no tempo.

    Observar, analisar e apropriar-se dos recursos lingusticos prprios do gnero memrias literrias, a fim de utiliz-los adequadamente na compreenso e produo textual desse gnero.

    Identificar o emprego dos verbos e outros marcadores temporais como recursos lingusticos inerentes ao gnero memrias literrias, a fim de utilizar adequadamente esses recursos na construo de sentidos do texto.

    Verificar, por meio das atividades propostas, a funo semntico-estilstica do verbo na construo do texto.

    Produzir um texto de memrias literrias a partir dos conhecimentos adquiridos ao longo da sequncia didtica.

    Durao das atividades (h/a): 10 aulas de 50 minutos.

  • 28 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Conhecimentos prvios:

    Habilidade de leitura e escrita. Conhecimentos sobre o gnero relato de experincia vivida. Aspectos gerais dos tempos verbais.

    Estratgias e recursos utilizados:

    Projetor multimdia. Apresentao de slides. Quadro e pincel. Fontes histrico-escolares: textos de memrias, vdeos. Folhas de atividades impressas.

    MDulo 1: Apresentao da situao comunicativa e produo inicial (2 aulas)

    Professor(a), este o momento de apresentao da situao comunicativa, a fim de preparar os alunos para a realizao de uma produo inicial. Sugerimos que faa a sensibilizao para o tema por meio de imagens antigas projetadas em Power point, seguidas de uma discusso sobre a importncia da lembrana e da memria para a formao cultural e identitria e as vrias formas de se relatar experincias e memrias, considerando diferentes contextos de produo.

    Uma viagem no tempo

    Fonte: Imagem de domnio pblico disponvel no Google.

  • Memrias Literrias 29

    Fonte: Imagens de domnio pblico disponveis no Google.

    Sugestes de perguntas para a sensibilizao inicial (esta parte deve ser feita oralmente, permitindo que os alunos relatem um pouco de suas experincias e opinies sobre o tema):

    1) O que ns podemos identificar nessas imagens?2) Como vocs acham que as pessoas viviam e as crianas se

    divertiam antigamente?3) Vocs acham que importante registrar um pouco dos

    momentos importantes que vivemos? Por qu?4) Por que ser que determinados momentos parecem passar to

    rapidamente e outros demoram tanto? Quais deles mereceriam ficar registrados? Por qu?

    5) Como possvel registrar acontecimentos importantes em nossa vida?

    6) Por que importante conhecer nossa histria? Qual o papel da lembrana em nossas vidas?

    Professor(a), aps essas discusses iniciais, apresente o vdeo da escritora Zlia Gattai5, esposa j falecida de Jorge Amado, sobre como ela comeou a escrever suas memrias literrias. Contextualize para os alunos quem foi Zlia Gattai e tambm Jorge Amado, contando a eles que, na terceira aula da sequncia, estudaro um texto de memrias dessa escritora.

    5 Cf. http://www.youtube.com/watch?v=kX9hskUwodI (Zlia..., 2011).

  • 30 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Em seguida, sugerimos que pea aos alunos que simulem que so pessoas idosas, que vo contar suas memrias de outros tempos: como eram as brincadeiras, os transportes, enfim, a vida de antigamente. Os alunos podero, ainda, relatar experincias de sua prpria infncia, que considerem importantes e dignas de fazer parte de um livro de memrias.

    Na sequncia, cada aluno poder fazer, a partir de suas ideias, uma produo inicial. Essa produo servir de ponto regulador da sequncia, para que seja realizada uma primeira avaliao formativa, capaz de adaptar a sequncia s capacidades reais dos alunos de cada turma. provvel que no haja tempo suficiente para que os alunos terminem a produo na sala de aula. Caso isso acontea, recomendamos que voc, professor, pea para que eles terminem a tarefa em casa e a tragam na prxima aula.

    MDulo 2 - Conhecendo as caractersticas do gnero memrias literrias (4 aulas)

    Professor(a), este segundo mdulo pretende ampliar as discusses sobre as caractersticas do gnero memrias literrias, a fim de aprofundar alguns conceitos dados na apresentao da situao comunicativa. Para isso, poder ser trabalhado o texto Vou contar..., da escritora Ilka Brunhilde Laurito. Este texto faz parte do livro A menina que fez a Amrica, ganhador do Prmio Jabuti de literatura infanto-juvenil. As questes propostas sero importantes para que os alunos conheam como o texto de memrias se organiza e para que sejam identificadas as caractersticas estudadas.

    Ainda neste mdulo, sugerimos que seja feita uma reviso dos conceitos de narrador e personagens, a fim de demonstrar o tipo de narrador presente no gnero memrias literrias.

    Importante: professor(a), no incio da aula, retome um pouco das discusses iniciais sobre o gnero e recolha as produes iniciais dos alunos.

  • Memrias Literrias 31

    Em seguida, entregue cpias impressas aos alunos do texto Vou contar.... Faa a leitura do texto em voz alta com os estudantes e realize oralmente a correo das atividades, aps ter dado um tempo para que eles respondam s questes propostas.

  • 32 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Fonte: Delmanto e Carvalho (2012, p.20).

    Estudo do texto:

    Discusso oral:

    Converse com seu professor e os colegas sobre as perguntas a seguir:

    1) O que mais chamou sua ateno na histria de Fortunatella?

  • Memrias Literrias 33

    2) Quais so as principais diferenas entre Saracena e o lugar onde voc mora?

    Em duplas, agora respondam nos espaos destinados as seguintes questes:

    3) Segundo a autora, que diferena h entre bicho, planta, mulher, homem e as histrias? Como voc relaciona essa ideia com o fato de a autora ter registrado essa histria por escrito?

    4) A autora usou reticncias no ttulo do texto: Vou contar.... O ttulo teria um sentido diferente sem as reticncias? Que ideia esse sinal de pontuao transmite?

    linguagem e recursos expressivos

    Narrador e personagens

    1) Releiam este trechos do texto Vou contar...:

    A minha histria comea muitos e muitos anos atrs. Atrs de onde? podem perguntar vocs. E eu responderei:

    atrs de hoje. Ontem. Antes de anteontem.

    Quem o eu que conta a histria e em que momento seu nome revelado ao leitor?

    2) O texto comea como se houvesse um dilogo, uma conversa. Quem participa desse dilogo e que palavras do texto indicam esses participantes?

    3) Como leitores, que efeito essa conversa provoca em vocs: proximidade ou distanciamento em relao a quem conta a histria?

    Agora, respondam nos espaos indicados:

  • 34 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    a) Qual dos trechos apresenta um narrador que participa dos acontecimentos? Esse narrador tambm personagem da histria?

    b) Quais palavras desse trecho indicam que o narrador est dentro da histria?

    c) O narrador do trecho II tambm uma personagem ou se parece mais com um observador que est fora da histria?

    Fonte dos exerccios: Delmanto e Carvalho (2012, p.20).

    Aps a correo das atividades, sugerimos que os alunos sejam levados a elaborarem um quadro, no qual constem as principais caractersticas do gnero memrias literrias, de maneira sucinta. fundamental que tal momento seja realizado com a indicao das informaes feita pelos prprios estudantes, ao responderem questes como:

    De acordo com o estudo que fizemos at agora, quais so os interlocutores da situao de produo de um texto de memrias?

    Qual a funo principal de um texto de memrias literrias? Qual a linguagem utilizada neste gnero discursivo? Que tempo verbal predomina nestes textos?, e assim por diante.

  • Memrias Literrias 35

    Vale ressaltar que este um momento para que o aluno seja protagonista, e no o professor, ou seja, o quadro deve ser organizado de modo que as percepes dos educandos sobre o gnero sejam consideradas. De qualquer forma, apenas para seguir como guia, sugerimos, a seguir, um texto com algumas informaes sobre o gnero, que pode ser adaptado de acordo com a comunidade de leitores e a necessidade de cada professor e suas turmas.

    Importante: na prxima aula, professor(a), sugerimos que voc aprofunde o estudo sobre as caractersticas do gnero com o uso do texto da escritora Zlia Gattai, autora citada na aula de apresentao do tema.

    Gnero Memrias literrias

    Memrias literrias so textos produzidos por escritores que dominam o ato de escrever como arte e revivem uma poca por meio de suas lembranas pessoais. O pblico-alvo desse gnero bastante variado. A funo principal do gnero memrias entreter o leitor, transmitindo histrias de outros tempos, lugares e modos de viver, levando-nos a fazer uma viagem no tempo.

    Normalmente, em textos de memrias literrias, o autor faz uma ponte entre o passado e o presente e o entre o aqui e o l, motivado pela lembrana de fatos, imagens, lugares e percepes que so interpretados de modo pessoal e de forma potica, sendo que o estilo da linguagem varia de acordo com o perfil do autor, mas comumente predomina a variedade padro da lngua. Geralmente, a ao ocorre no tempo passado, indicada pelos verbos e outras expresses que indicam tempo.

    Fonte: Altenfender e Clara (2012).

  • 36 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    MDulo 3 - Aprofundando o estudo e conhecendo os recursos lingusticos do gnero memrias literrias (2 aulas)

    Professor(a), nesta terceira etapa, o objetivo aprofundar o estudo do gnero memrias literrias e trabalhar os recursos lingusticos, especialmente, o uso dos verbos e outros marcadores temporais. A dinmica da aula deve ser feita por meio de exposio dialogada, com apresentao de slides e as seguintes estratgias de ensino:

    1 momento - Introduo:

    Apresentao inicial. Retomada de aspectos discutidos em aulas anteriores a

    respeito do gnero memrias. Apresentao de uma pergunta motivacional:

    Vocs conhecem algum que tenha um nome bem diferente?, a fim de introduzir o tema dos textos a serem trabalhados*.

    Professor(a), neste momento, sugerimos que voc permita que os alunos relatem algumas de suas vivncias em relao a nomes diferentes. Caso haja algum estudante com um nome inusitado na turma, pedir para que seja explicado o porqu da escolha desse nome. Professor(a), tenha o cuidado de no ridicularizar ningum, mas tente perceber as motivaes das escolhas de determinados nomes.

    Professor(a), lembre-se de que, nesta aula, o texto a ser trabalhado o da escritora Zlia Gattai. Os alunos assistiram a um vdeo da escritora na primeira aula da sequncia.

    2 momento Desenvolvimento:

    Professor (a), entregue cpia impressa dos textos Tia Hiena e Nonno Gattai, retirados do livro Citt di Roma, de Zlia Gattai (2012).

  • Memrias Literrias 37

    Final do sculo XIX. Sob um inverno rigoroso, famlias italianas decidem emigrar para So Paulo. Entre elas, os Da Col e os Gattai, que embarcam em busca de uma vida melhor. Vo para So Paulo, onde Angelina Da Col e Ernesto Gattai se conhecem, casam-se e tm filhos. A caula da famlia a pequena Zlia, que, j, adulta, rememora fatos vividos ou contados por seus pais e avs. No trecho que vamos ler agora, ela relembra a histria de uma das crianas que vieram no navio Citt di Roma e que morreu em 1890, dois dias aps o desembarque no Brasil.

    Tia Hiena

    Tia Hiena estaria festejando cento e onze anos de idade, no tivesse morrido aos dois.

    Passei a infncia e adolescncia ouvindo a famlia mame, mais do que todos lamentar o triste fim da menina, a mais nova dos quatro irmos de seu marido nascidos na Itlia.

    Ao contar aos filhos a histria de Hiena, mame no abria mo de mencionar o ttulo da criana, tia. Um dia lhe perguntei:

    Por que ela se chamava Hiena, me? A resposta no se fez esperar: Ela, no! Mais respeito, menina! Titia Hiena.Eu perguntara por perguntar, o que eu queria mesmo era

    atazanar mame, fazendo-a repetir o que j estava farta de saber, tantas vezes a ouvira repetir o fato.

    Minhas irms mais velhas haviam at procurado no dicionrio referncias sobre o animal que originara o nome de nossa tia.

    Do pouco que sabamos sobre a hiena da caracterstica pitoresca e simptica, a das gargalhadas sonoras e escancaradas o verbete no tratava, dizia apenas: Mamfero, carnvoro e digitgrado que se alimenta sobretudo de carne de animais mortos e putrefatos e que tem pelo cinza ou ruivo com manchas escuras....

  • 38 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Curiosa, Wanda, a mais velha de minhas irms, teve a pachorra de procurar no dito dicionrio o significado de digitgrado. E l estava: ... que anda nas pontas dos dedos....

    Imaginao frtil de criana, eu visualizava a hiena andando mansamente nas pontas de uns dedos longos, focinho levantado para o cu, bocarra escancarada, dentes mostra, rindo a bandeiras despregadas. Chegava a me arrepiar.

    Nos dias de hoje, o falado chupa-cabra que andou ocupando as manchetes dos jornais, animal misterioso que matava cabras e ovelhas, sugando-lhes o sangue, uma espcie de fantasma, bicho-papo de criadores de gado e pequenos lavradores, lobisomem que nunca ningum viu e que assim como veio se foi, faz-me pensar na hiena.

    Cada qual guardou do chupa-cabra a imagem criada pela prpria imaginao. Quanto a mim, como j disse, comparei-o risonha e asquerosa hiena, com seus pelos fulvos e manchas escuras, a caminhar nas pontas de seus longos dedos, lembrana que guardei da minha fantasia de criana.

    Nonno Gattai

    Dona Angelina, minha me, costumava dizer: O av de vocs, o nonno Gattai, era um homem destemido. Livre-pensador, de ideias avanadas, dizia o que pensava, fazia o que achava justo e direito. Passava por maus pedaos devido s suas ideias, mas no recuava. Era um testardo, um obstinado, conclua.

    [...]Nonno Gattai foi registrar a filha. Desencavara para lhe

    dar um nome polmico, timo para escandalizar. Sem consultar a mulher, talvez com receio de que pela primeira vez ela estrilasse, saiu de casa, satisfeito da vida, imaginando o espanto do escrivo do cartrio, o primeiro a se horrorizar com o nome que ele arranjara para a filha, o primeiro a receber a resposta j prontinha, na ponta da lngua.

  • Memrias Literrias 39

    Antegozando o impacto que a provocao iria causar, saiu seu Gattai, feliz da vida, assobiando pelas ruas de Florena, o cartrio no ficava distante de sua casa.

    De p, diante do homem que o atendia, Francesco Gattai aguardava a esperada reao. No esperou muito.

    Como foi que o senhor disse? Que nome quer dar sua filha? perguntava o escrivo sem poder acreditar em seus ouvidos.

    Hiena. Escreva a, no vou repetir outra vez disse o pai da criana.

    Por que o senhor quer dar sua filha o nome de um animal to repugnante? Por qu?

    Francesco Arnaldo soltou a frase j pronta para escapulir: Se o papa pode ser Leo, por que minha filha no pode

    ser Hiena?O funcionrio ficou sem resposta, no discutiu mais,

    registrou a criana. Fosse eu o escrivo disse Vera, minha irm,

    interrompendo mame , tinha dado uma boa resposta. Eu diria: Olha aqui, moo, o Leo o rei dos animais e a Hiena um bicho nojento.... Foi uma pena ele no lembrar disso. S queria ver com que cara o nonno Gattai ia ficar...

    Voc agora est contra seu av, menina? reclamou mame. Voc no ia ver cara nenhuma. Isso aconteceu h tantos anos que vocs ainda nem sonhavam sair da casca do ovo...

    Fonte: Gattai (2012).

    A autora Filha de imigrantes italianos, Zlia Gattai Amado (1916-

    2008) nasceu na cidade de So Paulo, onde viveu toda sua infncia e adolescncia. Casada com o tambm escritor Jorge Amado, comeou a escrever suas memrias aos 63 anos. Entre seus livros de memrias, esto Anarquistas, Graas a Deus, Citt di Roma, Um Chapu para Viagem e Senhora Dona do Baile.

  • 40 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Sugerimos uma leitura em voz alta pelo professor. Antes da leitura, professor(a), pea para que os alunos circulem as palavras desconhecidas.

    Leitura de um breve comentrio sobre a autora. Momento para sanar dvidas de vocabulrio.

    3 momento Prtica:

    Entrega da folha de atividades nas carteiras. Anlise coletiva das questes propostas sobre as

    caractersticas principais dos textos buscando a compreenso.

    Anlise coletiva das questes propostas a respeito do emprego dos verbos e outras expresses capazes de marcar o tempo nos textos estudados.

    Comentrio a respeito dos tempos verbais usados nos textos: retomada de conhecimentos prvios sobre tempos do pretrito.

    Explorao do texto

    Questo 1: J vimos em aulas anteriores que, em um texto de memrias, o autor relata fatos de sua vida que considera importantes, de acordo com o significado que tiveram para ele. Nos dois captulos do livro Citt di Roma que lemos, a memorialista Zlia Gattai conta fatos sobre a tia Hiena que foram marcantes para a famlia e que ficaram registrados em sua memria. O que a autora conta?

    Questo 2: Sabemos que o autor de um relato de memrias literrias fala de si, de seus sentimentos e emoes, narrando fatos dos quais participou, mas que envolvem tambm outros personagens.

    a) Que personagem teve papel fundamental na escolha do nome de tia Hiena?

  • Memrias Literrias 41

    b) Como essa personagem descrita pela me da memorialista?c) Com que objetivo essa personagem escolheu o nome de tia

    Hiena?

    Questo 3: Dona Angelina, me da memorialista, assume um papel importante na preservao da memria de seus antepassados. Explique o porqu.

    Questo 4: correto o pai escolher livremente o nome de um filho, sem consultar mais ningum? Em sua opinio, como deve ser feita essa escolha e quem deve participar dela?

    Recursos lingusticos do texto recordando os tempos verbais

    Questo 5: Nos textos de memrias, ao escreverem sobre suas experincias vividas, os autores normalmente usam expresses e verbos capazes de situar o leitor no tempo, j que muitas vezes as lembranas no so muito ntidas, pois os fatos esto distantes no tempo. Considerando essas informaes, observe as formas verbais destacadas nas frases abaixo:

    Passei a infncia e a adolescncia ouvindo a famlia [...] lamentar o triste fim da menina [...].

    [...] eu visualizava a hiena andando mansamente nas pontas de uns dedos longos [...].

    [...] saiu seu Gattai, feliz da vida, assobiando pelas ruas de Florena [...].

    a) Em que tempo esto todas elas?b) Levante hipteses: por que a autora utiliza esse tempo verbal

    to frequentemente em seu relato?c) Seria possvel escrever um texto de memrias usando outro

    tempo verbal? Por qu?d) Agora, conclua: Qual a funo dos verbos nesse texto?

  • 42 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Questo 6: Como vimos, determinados verbos trechos e expresses so frequentes em textos memorialistas, por serem capazes de marcar o tempo das aes. Considere as frases abaixo para responder o que se pede:

    I. Isso aconteceu h tantos anos [...].II. Chegava a me arrepiar.III. [...] eu visualizava a hiena andando mansamente nas pontas

    de uns dedos longos...IV. Quanto a mim, como j disse, comparei-o risonha e

    asquerosa hiena [...], lembrana que guardei da minha fantasia de criana.

    a) Em quais dessas frases os verbos destacados indicam aes iniciadas e totalmente concludas no passado? Qual o nome desse tempo verbal?

    b) Em quais delas h a expresso de fatos que eram habituais no passado? Qual o nome desse tempo verbal?

    Questo 7: Observe o emprego das locues adverbiais destacadas nestes trechos.

    Ao contar aos filhos a histria de Hiena, mame no abria mo de mencionar o ttulo da criana, tia. Um dia lhe perguntei: [...].

    Nos dias de hoje, o falado chupa-cabra que andou ocupando manchetes dos jornais [...] faz-me pensar na hiena.

    a) Que funo elas tm nesses trechos?b) As expresses um dia e nos dias de hoje indicam com

    preciso o momento em que os fatos ocorreram ou ocorrem?

    Fonte: Delmanto e Carvalho (2012, p.20).

    Importante: Caso no haja tempo suficiente para terminar os exerccios na sala, recomendamos que os alunos sejam orientados a termin-los em casa.

  • Memrias Literrias 43

    Professor(a), atente-se para a funo dos verbos e o uso dos tempos do pretrito ao longo da correo conjunta dos exerccios propostos.

    4 momento Fechamento da aula:

    Sntese do contedo explanado. Comentrio sobre os procedimentos para a prxima aula:

    sugerimos que seja realizada uma entrevista com algum parente mais velho, com o objetivo de descobrir como era a vida dessa pessoa na infncia e quais os momentos mais marcantes. Essa entrevista deve ser gravada em vdeo ou ser transcrita no caderno. importante ressaltar que a entrevista servir de base para a produo do texto final.

    Produo final e desdobramentos da sequncia (2 aulas)

    Professor(a), para esta quarta etapa, aps ter aprofundado o estudo do gnero nos mdulos anteriores, sugerimos que seja feita a proposta de produo final. Os alunos podero ser levados para o laboratrio de informtica, a fim de acessarem os vdeos com as entrevistas que realizaram com seus parentes mais velhos. Esses vdeos tambm podero ser acessados do celular dos estudantes, se for o caso. Se a escola no possuir o recurso do laboratrio ou se os estudantes no possurem celulares, as entrevistas podero ser trazidas transcritas.

    MDulo 4

    1 momento - Introduo:

    Apresentao inicial. Retomada de aspectos discutidos em aulas anteriores a

    respeito do gnero memrias (finalizar a correo dos exerccios do mdulo III, se for o caso).

  • 44 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    2 momento Desenvolvimento:

    Entregar para os alunos colarem em seus cadernos o quadro-resumo explicativo das caractersticas do gnero memrias literrias, a seguir:

    Fonte: Delmanto e Carvalho (2012, p.20).

    Professor(a), faa comentrios sobre os aspectos gerais do quadro.

    Sugerimos a exibio do vdeo Cho Varrido6, referente ao texto de memrias literrias, escrito por Eduarda Moura Pinheiro, finalista da Olimpada de Lngua Portuguesa.

    Importante: professor(a), relevante destacar que o vdeo apresenta o texto vencedor da 3 Olimpada de Lngua Portuguesa. A aluna rememora um tempo em que morava numa casinha de tbua, narra a vida nesse lugar, as noites de lua cheia, os segredos e brincadeiras infantis, as idas igreja e uma enchente que levou tudo que a famlia tinha. So memrias, marcas do passado de uma menina que cresceu e se mudou para uma cidade grande.

    6 Cf. http://www.youtube.com/watch?v=heRI4yrT2kE (Cho..., 2012).

  • Memrias Literrias 45

    Professor(a), sugerimos que voc comente os aspectos gerais do vdeo, buscando identificar exemplos das caractersticas estudadas presentes no trecho relatado no vdeo.

    3 momento Prtica:

    Agora, os alunos tero acesso s informaes das entrevistas e procedero ao incio da produo final.

    Professor(a), importante que explique que o objetivo de se produzir esses textos de que eles faam parte de um livro de memrias, a ser publicado no final do ano.

    Muito provavelmente os estudantes no terminaro o texto a tempo, mas a ideia que eles comecem na sala de aula, sob a sua superviso e orientao, e terminem a produo dos textos em casa.

    4 momento Fechamento da aula:

    Recolher os textos prontos, se houver; Falar a respeito de outro desdobramento da proposta:

    a realizao de um Museu de Memrias, num projeto interdisciplinar entre a Lngua Portuguesa, a Histria e a Arte. Neste Museu, ser feito um varal com os textos finais dos estudantes, que devero trazer de casa objetos antigos que tiveram alguma relevncia para a famlia deles. Os objetos sero expostos em forma de museu, onde os estudantes devero estar presentes para realizar o relato oral das memrias relativas queles objetos expostos.

    Despedir-se dos estudantes.

    Professor(a), aps a entrega dos textos prontos, sugerimos que seja feita a correo e avaliao deles e que seja solicitado aos estudantes que corrijam os desvios apontados quantas vezes forem necessrias, a fim de aprimorar o texto para se chegar verso final.

  • 46 Lorena Faria de Souza / Heloisa Maria Marques Lessa

    Avaliao

    Sugerimos que a avaliao seja realizada durante as aulas, com carter processual, observando se os estudantes demonstram interesse e participam com vontade das atividades. Tambm dever haver a avaliao das produes inicial e final. A avaliao da produo inicial tem carter formativo e visa identificao de prioridades a serem abordadas com os estudantes. J em relao avaliao da produo final, esta tem um carter mais somativo, a fim de observar as aprendizagens efetuadas de fato e planejar a continuao do trabalho, permitindo eventuais retornos a pontos mal assimilados, se for o caso.

  • A Charge 47

    A Charge

    Clverson Alves Silva Maria Hellen Brando

    Modalidade de ensino: Fundamental IIAno: 9 Componente Curricular: Lngua Portuguesa

    Ao final da proposta, o aluno poder estar apto a:

    Identificar aspectos e caractersticas do gnero charge. Atestar a importncia das informaes no verbais para a

    compreenso do texto. Perceber o efeito de sentido humorstico e crtico da charge. Ler e analisar as charges selecionadas.

    Durao das atividades (h/a): 6 aulas de 50 minutos (se possvel, aulas geminadas)

    Conhecimentos prvios:

    Conhecimento das particularidades da linguagem verbal e no verbal.

    Noo de texto e contexto. Habilidades de identificar informaes implcitas no texto. Conhecimento dos gneros caricatura e o gnero oral debate

    regrado. Ferramentas de produo e edio de vdeos.

  • 48 Clverson Alves Silva / Maria Hellen Brando

    Estratgias e recursos utilizados

    Leitura e anlise de charges. Debates. Produo textual. Elaborao de vdeo. Vrios exemplares de jornais, aparelho de projeo

    Datashow, caixinhas de som, lousa e pinceis, folhas de papel A4, cpias coloridas de charges, computadores.

    Aula 1

    Professor(a), sugerimos que sejam levados, para a sala de aula, exemplares de jornais, para que os alunos os manuseiem e encontrem charges. Essa atividade demandar do aluno seu conhecimento prvio sobre o que, para ele, seja uma charge. muito importante que o aluno tenha acesso ao gnero em seu locus. Em seguida, importante que conduza os alunos a formularem hipteses a respeito do gnero em questo. Apresentamos algumas sugestes de perguntas que podem ser feitas oralmente para os alunos.

    1) Em que seo do jornal as charges so encontradas?2) Quais so os elementos que compem a charge?3) Esses elementos so recorrentes?4) As charges so destinadas a que tipo de leitor?5) Com qual propsito uma charge produzida?6) Na opinio de vocs, a charge se assemelha a outro gnero?

    Qual?7) Tentem apontar algumas diferenas entre esse gnero e a

    charge?

    Ao trmino da primeira atividade, sugerimos que apresente aos alunos, por meio do datashow, o texto que vir em seguida.

  • A Charge 49

    Texto 1

    Fonte: Copa... (2011).

    Os alunos, aps a leitura do texto, podero apontar caractersticas composicionais do texto que o confirmam como sendo uma charge. Na sequncia, por meio da leitura, sugerimos levar os alunos a perceberem os efeitos de sentido que so construdos no texto. Para isso, sugerimos que o professor faa perguntas relacionadas s implicaes ideolgicas: Por que o Prmio Nobel de Medicina e no outro prmio? O que representa a teia de aranha na prateleira desse prmio? No calendrio de 2014, sobre a mesa, aparecem apenas os meses de junho e de outubro, por qu? Qual o local onde parece ser realizada a cena apresentada no texto?

    Professor(a), aproveite para explorar tambm informaes verbais e no verbais do texto, tais como: significado de possveis palavras desconhecidas, possveis ambiguidades verbais usadas propositalmente pelo criador da charge. J em relao linguagem no verbal, tente fazer com que os alunos associem a(s) imagem(ens) a elementos verbais com os quais dialogam. Retome questes tais como: a que pblico esse gnero se destina, bem como o suporte em que ele pode e costuma ser veiculado, alm do jornal.

  • 50 Clverson Alves Silva / Maria Hellen Brando

    Professor(a), aps essa atividade, interessante que voc questione os alunos sobre quais os pontos positivos e negativos da realizao da Copa do Mundo no Brasil. Ele poder desenhar na lousa dois quadros, como no exemplo a seguir e solicite que os alunos, um de cada vez, escrevam no quadro suas opinies.

    Quadro 1: pontos negativos e positivos da realizao da Copa do Mundo no Brasil

    Copa 2014 no BrasilPontos Positivos Pontos Negativos

    Professor(a), com o quadro preenchido, sugerimos que a

    aula seja encerrada com um debate regrado.

    Na aula seguinte, as anlises podero prosseguir por meio dos seguintes questionamentos acerca da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.

    Quais as vantagens e desvantagens da realizao desse evento para o nosso pas?

    Quais foram os gastos do Brasil com a realizao desse evento?

    H em nosso pas outras prioridades mais importantes do que a realizao desse evento? Quais seriam as prioridades?

    Os gastos com a realizao da Copa afetaram a populao? Em qu? Por qu?

    Para finalizar esta aula, sugerimos que seja apresentada, novamente por meio do datashow, a charge animada Cotidiano - A

  • A Charge 51

    copa do povo (4), de autoria de Maurcio Ricardo7, com o intuito de mostrar para os alunos que, alm da charge esttica, existe tambm a charge animada. A referida charge aborda o tema da Copa do Mundo de 2014, apresentando a opinio do autor a respeito desse assunto. Essa charge pode ser interessante para que os alunos percebam a opinio do chargista.

    Aula 2

    Produo Inicial

    Professor(a), primeiramente, organize a turma em seis grupos. Em seguida, proponha a criao de uma charge para cada um dos grupos. Solicite, tambm, aos grupos que abordem o tema A Copa de 2014, procurando criar o texto a partir dos conhecimentos prvios que os integrantes do grupo possuem a respeito do tema proposto.

    Obs: Sugerimos que esta atividade seja desenvolvida em aproximadamente 30 minutos.

    MDulo 1

    Professor(a), aps a produo inicial, ainda com os alunos em grupos e com as charges produzidas em mos, a ideia que voc elenque, na lousa, por meio de uma interao aluno/aluno/professor/, as caractersticas composicionais do gnero charge.

    Sugestes de complementaes e curiosidades s falas dos alunos:

    Charge uma ilustrao humorstica que envolve sempre a caricatura de um ou mais personagens.

    7 Cf. https://charges.uol.com.br/2014/06/10/cotidiano-a-copa-do-povo-4/ (Cotidiano..., 2014).

  • 52 Clverson Alves Silva / Maria Hellen Brando

    A charge feita com o objetivo de satirizar algum acontecimento da atualidade;

    O termo charge tem origem no francs charge que significa carga.

    A primeira charge publicada no Brasil foi no ano de 1837 e tinha como ttulo A campanha e o Cujo. Foi criada por Manuel Jos de Arajo Porto Alegre, que alm das funes exercidas na poltica e no ensino, era tambm pintor e caricaturista.

    As charges so muito utilizadas para fazer crticas de natureza poltica, econmica e social.

    So normalmente publicadas em jornais ou revistas impressas ou virtuais e conseguem atingir um vasto pblico.

    Para interpretar uma charge, necessrio estar a par dos acontecimentos polticos, econmicos e sociais nacionais e internacionais.

    Para a leitura da charge, muito importante observar a atuao conjunta dos recursos verbais e no verbais na construo de sentidos.

    MDulo 2

    Aula 3

    Professor(a), nesta aula, sugerimos que entregue a cada um dos grupos, formados na aula anterior, uma das charges abaixo impressas coloridas juntamente com um roteiro escrito, do qual constam as sugestes de questes que serviro como direcionamento para as respectivas anlises. Enquanto a atividade desenvolvida, a sugesto que voc avalie os textos iniciais produzidos pelos grupos para detectar, com maior propriedade, se existem lacunas de conhecimento acerca da criao desse gnero.

  • A Charge 53

    Grupo 1

    Fonte: Frias... (2014).

    Grupo 2

    Fonte: No... (2014).

    Grupo 3

    Fonte: 2014 est... (2013).

  • 54 Clverson Alves Silva / Maria Hellen Brando

    Grupo 4

    Fonte: Charges... (2011).

    Grupo 5

    Fonte: Copa... (2012).

    Grupo 6

    Fonte: Charges... (2012).

  • A Charge 55

    Roteiro para anlise escrita do gnero charge:

    Professor(a), os alunos podero escolher uma charge para fazerem a anlise, considerando as seguintes questes:a) Qual a temtica da charge escolhida e quais os conhecimentos

    prvios necessrios para compreend-la?b) Qual a importncia das ilustraes para a compreenso das

    charges?c) Qual a importncia da linguagem verbal nas charges?d) Qual foi a situao contextual que motivou a criao dessa

    charge?e) Qual foi o objetivo do chargista ao criar a charge escolhida?f) Voc considera a charge um gnero de qual esfera social?

    Justifique sua resposta.g) Qual a crtica apresentada na charge escolhida?

    MDulo 3

    Aula 4

    Professor(a), os alunos produziro um vdeo8, usando ferramentas de produo e edio de vdeos, como o Movie Maker, de modo a apresentar a charge analisada e explicar os efeitos de sentido dela a partir da conjugao dos modos verbal e no verbal9, apresentando criticamente o posicionamento do grupo acerca da charge, o contexto-histrico social e as questes ideolgicas.

    Importante: professor(a), pea para que os alunos tentem reconhecer os efeitos de ironia ou humor causados por expresses diferenciadas (que podem ou no estar assinaladas), utilizadas no texto pelo autor ou, ainda, pelo uso de pontuao.

    8 Caso a escola no tenha laboratrio de informtica, importante pedir para que cada grupo leve um notebook para a elaborao do vdeo ou pea que os alunos produzam o vdeo em casa. Dessa forma, a aula 4 passa a ser realizada fora do espao da escola.9 Essa expresso corresponde linguagem verbal e no-verbal.

  • 56 Clverson Alves Silva / Maria Hellen Brando

    MDulo 4

    Aula 5

    Professor(a), a ideia que reproduza os vdeos no telo da sala de aula, para que todos possam dar contribuies para as anlises feitas, considerando a aprendizagem acerca do gnero charge, os conhecimentos de mundo e as experincias vividas. Os debatedores da charge tero oportunidade de questionar se os colegas expectadores concordam com a leitura feita. Caso discordem, devero comentar a leitura feita da charge apresentada. Todos os participantes da dinmica podero julgar se h necessidade de refazer ou reeditar o vdeo. Aps a concluso dessa atividade, os vdeos devero ter circulao social, podendo ser postados no blog da turma ou no site da escola.

    Professor(a): seria interessante fazer uma enquete no blog ou no site, para que os alunos pudessem escolher o melhor vdeo e justificar suas escolhas. Para motivar a participao de todos, viabilize um prmio para o grupo que produzir o melhor vdeo.

    Aula 6

    A produo final

    Professor(a), nesta etapa, por meio da produo individual de uma charge, o aluno poder colocar em prtica os conhecimentos adquiridos com o estudo sobre esse gnero. Ser possvel, ento, avaliar, de fato, os avanos alcanados pelos alunos, individualmente, pois provavelmente eles faro uso dos elementos relativos ao gnero charge estudados na sala. Para isso, ser dada a eles a oportunidade de criar uma charge, com tema livre, conforme instrues abaixo:

  • A Charge 57

    Crie uma charge, com um tema livre, utilizando todos os elementos, estudados na sala, exigidos para a constituio desse gnero.

    Professor(a), sugira aos alunos que produzam a charge usando os recursos do Toondoo (2012), disponvel no site http://www.toondoo.com/ que oferece ferramentas para a criao dos gneros charge, HQ, tirinhas e cartoons.

    Avaliao

    Professor(a), lembramos que a avaliao de todo o processo deve acontecer de forma progressiva e contextualizada. Para isso: i) observe as atividades relativas a determinado contedo trabalhado; ii) avalie o desenvolvimento e a participao de cada aluno dentro do seu respectivo grupo de trabalho; iii) considere aspectos sociais, tais como cooperao, respeito, generosidade, disponibilidade, vontade de agregar, por exemplo.

    Verifique, ainda, se os objetivos propostos foram alcanados, questionando oralmente os prprios alunos sobre o que aprenderam nas aulas. Alertamos, entretanto, para o fato de que so os textos produzidos pelos alunos que serviro, verdadeiramente, como importante diagnstico a partir do qual se possam definir os prximos passos de suas aulas. por meio da qualidade da argumentao construda pelos alunos - oral ou escrita que eles demonstraro se incorporaram as informaes trabalhadas e consequentemente se chegaram aprendizagem pretendida.

    Professor(a), acreditamos que, agindo dessa forma, possvel saber se algo precisa ser revisto ou se necessrio buscar elementos novos para sistematizar determinado contedo com o intuito de levar os alunos a problematizar, ampliar e sistematizar as mais variadas leituras e usos sociais da linguagem oral e escrita.

  • O Epitfio 59

    O Epitfio

    Fablinne Marani Pereira SilvaSandra Helena Borges

    Modalidade de Ensino: Fundamental II Ano: 6Componente Curricular: Lngua Portuguesa

    Ao final da proposta, o aluno poder estar apto a:

    Compreender que o gnero discursivo epitfio ao ser assimilado por outros gneros discursivos desestabiliza sua realidade apresentada.

    Explorar os efeitos de sentido produzidos pela desestabilizao das realidades apresentadas pelos epitfios assimilados por outros gneros.

    Estabelecer a conexo entre os textos e o contexto enquanto condies de significao e interpretao.

    Trabalhar a escrita e a oralidade associadas leitura dos textos propostos nas atividades.

    Durao das atividades (h/a): nove aulas de 50 minutos

    Conhecimentos Prvios:

    Leitura e escrita de textos com finalidades diversas.

    Recursos das aulas

    Projetor de imagens e notebook. Cpias dos textos (somente alguns deles). Dicionrios.

  • 60 Fablinne Marani Pereira Silva / Sandra Helena Borges

    MDulo 1

    Aula 1

    Comear a aula mostrando no datashow, a imagem abaixo:

    Fonte: Vivendo... (2010).

    Professor(a), sugerimos que as linguagens verbal e no verbal do texto sejam exploradas. Verifique se os estudantes sabem que gnero esse (epitfio). Em seguida, pergunte se os alunos conhecem a palavra jaz e se sabem seu significado. Caso os alunos conheam e saibam (ou pensem que sabem) o significado da palavra, anote tudo o que foi dito no quadro. Em seguida, oferea o dicionrio para que os alunos confirmem as hipteses ou refute-as.

    De posse do significado da palavra, pea que os alunos escrevam um epitfio usando o ditico espacial aqui jaz. No se esquea de que esses textos precisam ser arquivados, pois sero utilizados no final da sequncia.

    Professor(a), para o prximo mdulo, pea que os alunos pesquisem na internet epitfios de pessoas famosas que tenham esse ditico. importante informar aos alunos que alguns famosos deixam seu epitfio escrito para ser colocado no tmulo.

  • O Epitfio 61

    MDulo 2

    Aula 2

    Professor(a), em crculo, sugerimos que cada aluno10 leia o epitfio pesquisado e informe para quem ele foi escrito. Sugira tambm que seja feito um mural com os epitfios para ser colocado no ptio da escola.

    MDulo 3

    Aula 3

    Professor(a), informe aos alunos que eles lero um poema intitulado Cemitrio e, que, em seguida, faro o levantamento de hipteses por meio do ttulo. Depois, projete a imagem do poema e faa a primeira leitura do texto, cuidando do ritmo e da entonao. Distribua as cpias do poema para serem coladas nos cadernos e pea para que os alunos faam a leitura silenciosa. Em seguida, proceda leitura coletiva e individual voluntria.

    Cemitrio

    1. 2.Aqui jaz um leo Aqui jaz uma pulgachamado Augusto. chamada Cida.Deu um urro to forte, Desgostosa da vida,mas um urro to forte, tomou inseticida:que morreu de susto. Era uma pulga suiCida.

    10 Sugerimos que o professor tambm pesquise e leia um epitfio para os alunos.

  • 62 Fablinne Marani Pereira Silva / Sandra Helena Borges

    3. 4.Aqui jaz um morcego Neste tmulo vazioque morreu de amor jaz um bicho sem nome.por outro morcego. Bicho mais imprprio!Desse amor arrenego: tinha tanta fome,amor cego, o de morcego! que comeu-se a si prprio.

    Fonte: Paes (2011).

    Professor(a), sugerimos que, antes de serem feitas as seguintes perguntas abertas para a turma, seja informado aos alunos que esse poema foi escrito na dcada de 1990, quando na produo de poemas para o pblico adulto, Jos Paulo Paes retomava o epitfio:

    De que trata o poema? (Verificar se os alunos perceberam que o poema um conjunto de epitfios que, ao invs de homenagearem os defuntos, os criticam).

    Por que antes de cada estrofe tem um numeral? (Verificar se os alunos perceberam que cada estrofe representa um tmulo e que o numeral indica sua localizao no cemitrio).

    Quais foram os pecados ilustrados no poema? (Verificar se os alunos fazem a relao com os pecados da Bblia, independentemente da religio).

    Professor(a), convide os alunos a examinarem cada tmulo, ou seja, cada estrofe do poema, por meio de um dilogo, que pode ser conduzido tambm por perguntas abertas. As nomenclaturas (aliterao, rima consoante, rima grave, sufixos, entre outros), ainda no precisam ser ressaltadas, apenas o processo. Ao fazer as perguntas, atente-se para os seguintes aspectos:

  • O Epitfio 63

    1: No primeiro tmulo, isto , na primeira estrofe, tem-se um leo que faleceu devido a um urro. interessante informar aos alunos que o nome do leo uma referncia a um grande poeta brasileiro, Augusto dos Anjos, cuja obra trazia temas mrbidos. Merece destaque a dimenso semntica das palavras, percebida no contraste entre um leo que se chama Augusto, mas que, a despeito de ser leo e ter um nome to simbolicamente valorizado, morre de susto! Num trabalho bastante criativo com a linguagem, prprio das poesias de Jos Paulo Paes, h tambm, na primeira estrofe, a valorizao da dimenso fnica da lngua, ao empregar, por exemplo, recursos estilsticos como a aliterao (urro, forte, morreu) ou como a rima consoante e grave (Augusto, susto);

    2: No segundo tmulo, isto , na segunda estrofe, h a informao de que uma pulga suicidou (deve-se verificar se os alunos entenderam o significado da palavra no prprio contexto). O poeta, habilmente, destaca do sufixo cida, do latim caedero, que significa matar. Tem-se, portanto, o referido sufixo em todos os quatro versos restantes para que a ideia de morte seja reforada. Dessa maneira, a dimenso morfolgica est representada nesta estrofe, tambm, quando o poeta faz do nome prprio Cida um elemento formador de outras palavras do texto, amplificando seu alcance fono-morfolgico (Cida, inseticida, suicida);

    3: O terceiro tmulo, representado pela terceira estrofe, traz tona a morte por um amor incontrolvel. O morcego, criatura noturna, tambm ajuda a marcar o tom macabro, porm divertido, do poema. Tanto a dimenso fonolgica quanto a morfolgica reaparecem nesta estrofe, num jogo ldico com a palavra morcego, na medida em que esse vocbulo passa a ser sistematicamente desmembrado em dois outros (amor e cego), fazendo com eles uma espcie de contraponto. Assim, alm da aliterao em /r/ (morcego, amor, morreu, por, arrenego), temos ainda, no ltimo verso da estrofe a relao entre a expresso amor cego que se reproduz

  • 64 Fablinne Marani Pereira Silva / Sandra Helena Borges

    no vocbulo morcego, recuperando uma sutil correspondncia morfolgica entre os dois, alm de ressaltar a oposio metafnica presente no fonema /e/ (cego, morcego);

    4: Por fim, no tmulo final, que ltima estrofe, h a morte associada ao nada, uma vez que havia, na sepultura, um bicho que comeu a si mesmo. No existe, assim, nem os ossos dessa criatura. A morte levou toda matria e dissolveu todas as coisas. Temos de novo a dimenso semntica das palavras, j que o poeta elege agora como tema um bicho sem nome, que qualificado como imprprio, sugerindo que este termo possa se relacionar a algo sem nome prprio, mas que, apesar disso, teria comido a si prprio.

    Professor(a), a sugesto que voc informe aos alunos que h uma histria na mitologia grega de um rei, chamado Eriscton, que matava as rvores e foi castigado pela deusa da agricultura, Demter, a devorar suas prprias carnes.

    Professor(a), finalmente, recomendamos que voc faa a contextualizao da produo do texto, a identificao da finalidade do texto, a percepo das relaes intertextuais e interdiscursivas, as apreciaes tanto de ordem poltica quanto esttica e afetiva.

    MDulo 4

    Aula 4

    Professor(a), sugira a criao coletiva de outro tmulo, ou seja, outra estrofe para o poema lido no mdulo e aula anteriores. Para isso, pea aos alunos que leiam o poema A morte de meu carneirinho, do poeta Vincius de Moraes. (Como na maioria das escolas h alguns exemplares do livro Arca de No, que foram enviados pelo Plano Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE), essa leitura poder ser feita nos livros, por grupos de alunos).

  • O Epitfio 65

    A morte de meu carneirinho

    No teve flores

    No teve velas No teve missa

    Caixo tambm Foi enterrado Junto mar

    Por operrios Mesmos do trem

    A flor do orvalho Pendeu da nuvem

    E pelo cho Despetalou O cu ergueu

    A hstia do sol E o mar em ondas

    Se ajoelhou

    Cortejo lindo Maior no houve Desse amiguinho:

    Iam vestidas Com a l das nuvens

    Todas as almas Dos carneirinhos!

    Os gaturamos

    Trinaram hinos No altar esplndido

    Da madrugada; E o vento brando

    Desfeito em rimas

    Foi badalando Pelas estradas!

    Fonte: Moraes (2004).

    Professor(a), aps a conversa sobre o poema, que pode ser conduzida tambm por questes abertas dirigidas turma, englobando a contextualizao da produo do texto, a identificao da finalidade do texto, a percepo das relaes intertextuais e interdiscursivas, as apreciaes tanto de ordem poltica quanto esttica e afetiva etc., passe as orientaes do texto a ser produzido coletivamente.

    Morte de quem? De qu? O que causou a morte?

    Importante: professor(a), lembre aos alunos que a causa precisa estar relacionada a um pecado bblico.

  • 66 Fablinne Marani Pereira Silva / Sandra Helena Borges

    MDulo 5

    Aula 5

    Professor(a), projete, no datashow, a imagem da histria em quadrinhos apresentada a seguir e informe aos alunos que h nela um epitfio com o ditico espacial aqui jaz. Solicite que os alunos comparem a finalidade desse epitfio com a finalidade do primeiro mostrado na imagem de um tmulo no mdulo 1- aula 1 (para reavivar a memria deles, essa imagem deve ser mostrada novamente).

    Sugerimos que, aps a leitura, sejam feitas aos alunos as seguintes perguntas:

    O sentido produzido foi o mesmo?

    Fonte: Escoteiros... (2014).

    Professor(a), seria interessante que voc mediasse uma conversa sobre o texto, tambm por meio de questes abertas dirigidas turma, englobando a contextualizao da produo

  • O Epitfio 67

    do texto, a identificao da finalidade do texto, a percepo das relaes intertextuais e interdiscursivas e as apreciaes tanto de ordem poltica quanto esttica e afetiva. Instigue os alunos a perceberem o no dito, a ironia, o humor, dentre outros recursos lingusticos presentes no texto.

    MDulo 6

    Aula 6

    Professor(a), neste mdulo, sugira a leitura silenciosa do seguinte texto:

    A confuso

    Vinha passando um homem pelo cemitrio e viu uma lpide escrita Aqui jaz um advogado bom e honesto.

    O homem falou: Ih! Olha s, j esto comeando a enterrar duas pessoas juntas.

    Fonte: A confuso (2014).

    Importante: professor(a), concluda a leitur