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Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Sequências Didáticas Paulistanas Disciplina: Uma História para a Cidade de São Paulo: Um desafio Pedagógico Docente: Profa. Dra. Antonia Terra Calazans Fernandes Discente: Wellington Migliari – No USP 3709638 São Paulo 2013

Sequências Didáticas Paulistanas - lemad.fflch.usp.brlemad.fflch.usp.br/sites/lemad.fflch.usp.br/files/2018-04/... · A sequência didática apresentada proporá uma visão panorâmica

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  • Universidade de So Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas

    Sequncias Didticas Paulistanas

    Disciplina: Uma Histria para a Cidade de So Paulo: Um desafio Pedaggico Docente: Profa. Dra. Antonia Terra Calazans Fernandes Discente: Wellington Migliari No USP 3709638

    So Paulo 2013

  • 1

    Seguindo Sequncias Paulistanas 1. Introduo: aspectos presentes no passado

    O valor dos rios estava, aparentemente, menos em servirem de vias de comunicao do que de meios de orientao.1

    A cidade de So Paulo no apenas tem trnsito catico, mas impossibilita demais

    a vida de seus cidados por no dispor de um sistema de transportes adequado. Isso no

    novidade para nenhum aluno do ltimo ano do Ensino Mdio. So milhes de

    trabalhadores e transeuntes que se deslocam dia-a-dia, muitas vezes, discentes de

    escolas pblicas e seus prprios pais. No municpio de So Paulo, a realidade precria

    dos transportes pblicos afeta, direta ou indiretamente, a todos. Tal locomoo

    problemtica incentiva mais o uso dos meios de transporte privado, impede a

    sociabilidade de cidados e ainda dificulta o preceito constitucional de ir e vir.

    Em Paulicia Desvairada, Mrio de Andrade ressalta bem o aperto fsico nos

    bondes paulistanos j dos anos de 1920. Resqucio do passado ainda vigente no

    cotidiano do cidado paulistano. No bonde, subiram o desconforto e os preos

    exorbitantes. Em busca de melhores oportunidades de trabalho, estudo, lazer entre

    outros motivos, seus moradores enfrentavam as dificuldades de se locomoverem de

    regies perifricas para as mais centrais. Alm disso, o bonde est quase nunca vazio.

    Perdemo-nos todos na multido de corpos, agonias, sufoco para realizar o trajeto casa

    trabalho casa.

    O bonde abre a viagem,*

    no banco ningum, Estou s, stou sem.

    depois sobe um homem,

    no banco sentou, Companheiro vou.

    O bonde est cheio,

    de novo porm no sou mais ningum. 2

    1 HOLANDA, Srgio Buarque. Veredas de p posto. In: Caminhos e fronteiras. So Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 34

  • 2

    H outro poema, Paisagem N 4, em que Mario de Andrade apresenta o bonde

    em sua busca por casas sinistras de pigmento chumbado E o bonde abala sapateando

    nos trilhos/ Em busca das casernas sinistras cordechumbo. So os caminhos do

    centro, onde havia mais trabalho, que iam dar em regies mais perifricas. As pequenas

    casas sem cor que o modernista faz referncia so nascentes moradias nos primeiros

    bairros operrios e pobres do incio do sculo XX Brs, Bexiga e Barra Funda. A

    mquina quem age nos dois versos, pois ela abala, sapateia e busca algo. Mario

    de Andrade prope que nos anos de 1920, na cidade de So Paulo, j havia uma espcie

    de sobreposio da coisa mquina ao homem. H a segregao, as casernas pequenas e

    abarrotadas de gente, lugares sinistros e sem cor. Desse modo, a sequncia que mostra a

    cidade, o bonde, os trabalhadores, o deslocamento e a periferizao de indivduos com

    casas cinzentas estruturadora. Dilemas estes que vemos na maior metrpole do pas

    ainda hoje. O transporte pblico na desvairada cidade paulistana constitua-se j

    naqueles tempos um paradoxo. Os que dele dependem sonham com o meio de

    locomoo privado. Os que convivem com ele no trnsito o vem como empecilho para

    a livre circulao dos carros. Independente da classe social, ningum parece querer o

    transporte pblico para a demanda coletiva. Pelo menos ideologicamente, os mais

    pobres, a classe mdia em geral e os ricos apontam para paradigmas semelhantes em

    uma cidade extremamente desigual.

    2. Justificativa

    Ser que a cidade de So Paulo mudou tanto? Ou vivemos transformaes

    quantitativas dos problemas, isto , mais trnsito e segregao, por exemplo? Por que

    no enxergamos o passado no presente? O espao das ruas se transformou no dos

    carros? Talvez, fosse fundamental refletir que o transporte coletivo e a periferizao da

    malha urbana paulistana so ordenamentos citadinos de segregao? A justificativa para

    essa sequncia didtica reside na necessidade de se entender o modo como a cidade de

    So Paulo teve suas ruas esvaziadas de pedestres em favor dos inventos automotores. 2 ANDRADE, Mario de. O bonde abre viagem. In: So Paulo! Comoo da minha vida. So Paulo: UNESP, 2012. p. 58

  • 3

    As respostas a algumas das indagaes, suscitadas acima, podem elucidar o quanto o

    transporte pblico em So Paulo fruto de uma dinmica histrica de privilgio de

    certas classes em detrimento do direito cidade da maioria.

    3. Objetivo

    A sequncia didtica apresentada propor uma viso panormica da histria dos

    transportes pblicos na cidade paulistana do incio do sculo XX at os dias atuais. No

    se trata de um trabalho detalhado, de carter estatstico ou com documentos jurdicos

    sobre polticas pblicas de transportes, mas de profundas relaes entre sistema virio

    paulistano filiado segregao socioeconmica e espacial. A partir dessa orientao

    mais ampla, possvel ainda perceber o modo como o sistema coletivo de transportes

    por ser precrio, insuficiente e caro contribui para os meios de locomoo privados.

    Outro elemento decorrente do objetivo dessa sequncia didtica o modo como

    algumas cenas da literatura modernista contrastam com o idealismo de cartes postais

    da cidade de So Paulo.

    Aps a execuo da sequncia didtica proposta, os alunos do terceiro ano do

    Ensino Mdio, perodo em que vero os contedos curriculares sobre Semana de Arte

    Moderna de 1922 e o Modernismo no Brasil, podero fazer algumas reflexes tais

    como: 1) Os transportes pblicos nunca foram adequados na maior capital do pas; 2)

    Privilegia-se o transporte privado de passeio; 3) O transporte precrio no incentiva seus

    usurios a defend-lo; 4) Preos altos e baixa mobilidade; 5) A restrio da mobilidade

    se relaciona com a segregao socioeconmica e espacial; 6) A sociabilidade isto , os

    encontros entre amigos, parentes e conhecidos, afetada pela falta de transporte pblico

    de qualidade.

    Componente curricular: Questes de Cidadania Orientaes Curriculares para

    Ensino Mdio, Terceiro Volume, p. 79. 3

    Ano/ Srie: 3 Ano/ Ensino Mdio

    Tempo previsto: 4 aulas

    Desenvolvimento e contedos da sequncia didtica 3 Disponvel em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_03_internet.pdf. Acesso em 05 de dez. de 2013.

    http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_03_internet.pdf

  • 4

    4. Estratgias e dinmica de trabalho

    Os alunos trabalharo em grupos de 5 ou 6 alunos. As aulas esto divididas em

    quatro partes. H questes e provocaes que promovem o debate. As imagens, com as

    quais os discentes tero que lidar, so sugestivas para se pensar sobre qual o tipo de

    padro de vida moderna tinha-se no incio do sculo XX na cidade de So Paulo. A

    ideia de se trabalhar em grupo pode ser interessante dado que as reflexes e

    sensibilizaes, exigidas pelo tema Transporte pblico, nunca evocam apenas uma

    perspectiva de anlise. As possveis dificuldades de cada aluno podem ser resolvidas

    com a troca de informao, experincias e consideraes de estudos prvios em outras

    disciplinas.

    5. Mtodo

    A anlise de cartes postais, revistas, propagandas, poemas e outros tipos textos

    ser o modo como essa sequncia didtica se organizar. A inteno traar uma viso

    panormica cujo tema seja o sistema de transporte pblico precrio e a segregao

    socioeconmica espacial. 4 A percepo de poetas, editores e msicos e, de certo modo,

    atenta aos anseios, angstias e preferncias de consumo entre seus leitores, pode ser

    apreendida no somente como elemento de produo cultural ainda atual no cotidiano

    paulistano, mas, sobretudo, interessante para se constatar a desigualdade estampada.

    6. Transporte e So Paulo de incio do sculo XX: sequncia de aulas propostas

    O centro de So Paulo no incio do sculo XX tinha uma rede de bondes.

    Inauguradas em 1900, pela Companhia Light and Power, as linhas operadas por sistema

    eltrico ligavam pontos do centro velho aos novos bairros. Smbolos do progresso

    econmico, como a vista do Viaduto do Ch, Vale do Anhangaba e Teatro Municipal,

    emergiam juntamente com as marcas da segregao social nos recm-surgidos bairros

    Brs, Bexiga e Barra Funda. Estes, distintos dos conjuntos habitacionais mais abastados

    no centro e, posteriormente, na Avenida Paulista, dependiam da integrao viria para

    4 GLEZER, Raquel. Vises de So Paulo. In: BRESCIANI, Stella (Org.). Imagens da cidade sculos XIX e XX. So Paulo: Marco Zero, ANPUH/ FAPESP, 1994. pp. 163-175

  • 5

    ligar o ncleo da cidade aos arredores. As imagens que se seguem possuem, entretanto,

    uma concepo positiva e extremamente idealizada do sistema pblico virio, isto , os

    bondes. No entanto, em O tempo das ruas, Fraya Frehse destaca que no havia poucas

    reclamaes sobre essas mquinas. As queixas sobre o pssimo estado do material dos

    veculos, os acidentes e os muitos atropelamentos faziam parte da ordem do dia dos

    cidados paulistanos. Podemos imaginar que, por um servio ruim, pagava-se

    relativamente mais do que valeria um bilhete de ida ou volta. A partir dessas

    consideraes iniciais, propomos uma sequncia didtica em quatro aulas.

    1 Aula Sensibilizao para o sistema de transporte pblico, seus problemas e a

    cidadania subtrada.

    1 Parte da Aula aproximadamente 8 minutos Os alunos se dividem em grupos e

    lem o texto I sobre a descrio das condies dos bondes em So Paulo no incio do

    sculo XX.

    2 Parte da Aula aproximadamente 12 minutos Os alunos contrastam a descrio

    do sistema pblico de transporte da poca, linhas de bonde, com a forma idealizada dos

    bondes nos cartes postais nas imagens II, III e IV.

    3 Parte da Aula aproximadamente 20 minutos Os alunos utilizam esse tempo da

    aula para simular um trabalho de reconstruo da memria dos bondes em So Paulo. O

    cotejamento do material suscitar algumas reflexes. Eles devero responder seguinte

    formulao: A memria e a idealizao da cidade paulistana so indissociveis?

    4 Parte da Aula aproximadamente 10 minutos Expem suas consideraes em

    forma de texto ao restante da sala.

    (I)

    As reclamaes tampouco se restringem fase de instalao das

    respectivas linhas. A etapa posterior e mais duradoura, de operao

    dos bondes, tambm suscita queixas. A questo tcnica um aspecto

  • 6

    comumente reiterado nos documentos. Tudo parece ser problema: as

    as condies dos freios dos carros; a braveza dos bondes chucros;

    que fazem o diabo ahi por essas ruas; as luzes fronteiras dos bondes

    noturnos trocadas; o pssimo estado do material rodante. 5

    (II)

    Coleo Cartes Postais. ICO.CCP.02.06 .

    Exemplo de texto que os alunos podem produzir:

    Falha de memria

    Cartes postais podem reconstruir muitas memrias sobre a cidade de

    So Paulo e seus bondes. A capital paulistana parece ter sido no passado lugar de

    esplendor e modernidade, principalmente, quanto locomoo de cidados segundo

    alguns postais de poca. A documentao utilizada por Fraya Frehse aponta para

    outra direo. No era raro, usurios terem que completar o percurso de alguns bons

    metros a p sem qualquer reembolso parcial de tarifa. Isso por razo de o sistema de

    transporte ter tambm sobrecarga eltrica e panes de motor, trao e mal estado dos

    trilhos. Talvez, indaguemos se o poder pblico da maior metrpole do pas, j naquela

    poca, no tinha polticas adequadas para a viabilizao de um transporte coletivo de

    qualidade.

    direita do Teatro Municipal, em um postal de poca, est o Edifcio dos

    Correios e Telgrafos no Vale do Anhangaba. Interessante notar a quantidade de 5 FREHSE, Fraya. Da vrzea ao Colgio, e pela Paulicea toda. In: O tempo das ruas na So Paulo dos fins de Imprio. So Paulo: Edusp, 2005. pp. 126-27

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    carros de luxo estacionados em frente ao prdio. Todos veculos da Willis Overland

    Company, importados, modelo 14. Em contraste com a descrio de Fraya Frehse, ser

    que centro era homogeneamente rico? Ou ainda, ser que a Avenida Paulista um

    carto postal por representar So Paulo? E a vida difcil e operria para alm do Rio

    Tamanduate ou beira dele? A cidade paulistana parece ter sido mais desvairada que

    moderna j h muito tempo. Carros, bondes e carroas so partes de ns.

    (III)

    Coleo Cartes Postais. ICO.CCP.02.05.

    Abaixo, vemos o Edifcio Martinelli, prximo ao largo So Bento, e com vistas

    do Vale do Anhangaba. Esse o complexo rico da cidade. Prdios e lojas de uma

    vida burguesa muito distinta da que os operrios, ambulantes de ervas, verduras e

    outros trabalhadores informais levavam. 6

    (IV)

    6 Disponvel em: http://saopaulotremjeito.blogspot.com.es/2011/03/historia-dos-transportes-coletivos-na.html. Acesso: 05 de dez. 2013.

    http://saopaulotremjeito.blogspot.com.es/2011/03/historia-dos-transportes-coletivos-na.htmlhttp://saopaulotremjeito.blogspot.com.es/2011/03/historia-dos-transportes-coletivos-na.html

  • 8

    Para a poca, o gigante Martinelli, localizado prximo estao So Bento do

    Metr, era smbolo do progresso econmico de So Paulo proveniente da produo

    cafeeira. No entanto, lojas, comerciantes e profissionais liberais no constituam a

    realidade paulistana de forma massiva.

    2 Aula Os cidados, que sofrem com o preo da cebola, podem pagar pelos bondes

    modernos?

    1 Parte da Aula aproximadamente 8 minutos Os alunos se dividem em grupos e

    lem o texto V. Depois, juntos ainda, descrevem as imagens VI e VII.

    2 Parte da Aula aproximadamente 12 minutos Os alunos comparam o trecho de

    Brs, Bexiga e Barra Funda de Alcntara Machado com as imagens da Rua Quinze de

    Novembro e Avenida So Joo. Os transeuntes desses dois lugares eram os mesmos

    pobres descritos no texto literrio?

    3 Parte da Aula aproximadamente 20 minutos Os alunos devem fazer algumas

    consideraes sobre o centro e a periferia, isto , para a poca, sobre os bairros menos

    abastados de So Paulo. Eles devero responder seguinte provocao: Pode-se inferir

    que o sistema de bondes, como no era pensado para todas as classes, servia

    apenas para segregao socioeconmica e espacial?

    4 Parte da Aula aproximadamente 10 minutos Expem suas consideraes ao

    restante da sala com base em argumentos que evoquem princpios de cidadania.

    (V)

    [...] Ai, ai! Coitado de quem pobre.

    Natale abriu outra Antrtica.

    Cebola at o fim do ms est valendo trs vezes mais. No demora

    muito temos cebola a a cinco mil ris o quilo ou mais. Olhe aqui,

  • 9

    amigo Natale: trate de bancar o aambarcador. No seja besta. O

    pessoal da alta que hoje cospe na cabea do povo enriqueceu assim

    mesmo. Igualzinho. 7

    Os investimentos na transformao do espao da cidade de So Paulo so

    brutais. Nas duas imagens a seguir, a Rua Quinze de Novembro e trecho da Avenida

    So Joo I e II, respectivamente. Havia linhas de bonde, mas tambm transeuntes

    selecionados. O espao central tambm agregava automveis. Veja o canto inferior

    direito da imagem IV. Entretanto, nota-se que h uma homogeneizao de classes por

    essas ruas e, alm disso, um aburguesamento nos padres da vida pblica paulistana.

    Isso corresponde com a descrio de Brs, Bexiga e Barra Funda?

    (VI)

    Coleo Cartes Postais. ICO.CCP.0

    (VII)

    Coleo Cartes Postais. ICO.CCP.02.07. 7 MACHADO, Antnio de Alcntara. Brs, Bexiga e Barra Funda: notcias de So Paulo. Edio Fac-similar. So Paulo: Imprensa Oficial do Estado: Arquivo do Estado, 1982. pp. 127-28

  • 10

    3 Aula A vida moderna paulistana parece no ter includo o sistema de transporte

    coletivo em seu projeto. Segundo as imagens VIII, IX e X, quais so os parmetros de

    meios de transporte?

    1 Parte da Aula aproximadamente 8 minutos Os alunos se dividem em grupos e

    descrevem as imagens VIII, IX e X. Todas retiradas da revista A vida moderna, n 221,

    14 de maio de 1914. 8

    2 Parte da Aula aproximadamente 12 minutos Os alunos discutem em grupo que

    tipo de padro de consumo vendido na revista, qual noo de transporte se veicula e

    quem provavelmente poderia pagar por carros ou motos.

    3 Parte da Aula aproximadamente 20 minutos Os alunos devero fazer sua prpria

    propaganda, por escrito, sobre um sistema de transporte pblico coletivo, adequado e a

    um preo justo para as necessidades atuais em uma revista atual.

    4 Parte da Aula aproximadamente 10 minutos Expem o que produziram na etapa

    anterior e fazem consideraes sobre a possibilidade ou no de se veicular uma

    propaganda similar nos dias de hoje. Nesta fase, devero adaptar o contedo de suas

    propagandas realidade de 2013-14. Comentar oralmente as questes propostas finais.

    (VIII)

    8 Disponvel em: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/upload/revistas/VM191405221.pdf. Acesso em 04 de dez. de 2013.

    http://www.arquivoestado.sp.gov.br/upload/revistas/VM191405221.pdf

  • 11

    (IX)

  • 12

    (X)

    Questes Propostas:

    1) Que classes esto presentes na capa da revista? So trabalhadores? E os automotores?

    So para quem?

    2) H apenas busca de clientes em So Paulo? Alguma relao comum entre os

    problemas de So Paulo e outras cidades brasileiras quanto ao modelo de transporte

    vendido?

  • 13

    4 Aula Reflexes e associaes com o conhecimento prvio sobre transportes

    1 Parte da Aula aproximadamente 8 minutos Os alunos se dividem em grupos e

    descrevem as imagens XI e XII. Ambas so da dcada de 1970.

    2 Parte da Aula aproximadamente 12 minutos Os alunos discutem em grupo que

    tipo de considerao ou afirmao poderia fazer das imagens em questo ainda vlidas

    nos dias de hoje.

    3 Parte da Aula aproximadamente 20 minutos Os alunos devem redigir uma nota

    para o Governador ou Prefeito de So Paulo sobre a condio do sistema de transporte

    rodovirio. Eles precisam evidenciar que o meio de transporte pblico adequado pela

    administrao da cidade reflexo de uma concepo privada de locomoo. H relaes

    histricas nesse pensamento.

    4 Parte da Aula aproximadamente 10 minutos Os alunos lem as notas produzidas

    em voz alta. Depois, respondem oralmente s questes propostas.

    (XI)9

    9 Disponvel em: http://carrosantigoseonibus.nafoto.net/photo20120420075227.html. Acesso em 06 de dez. de 2013

    http://carrosantigoseonibus.nafoto.net/photo20120420075227.html

  • 14

    (XII)10

    Exemplo de nota que os alunos podem produzir:

    Em So Paulo, o sistema de transporte rodovirio se adequou necessidade dos

    carros de passeio. Alm disso, foi pensado segundo os interesses dos que podiam pagar

    por um carro. Na foto, pedestres se arriscam no meio de automveis, caminhes e

    nibus sem faixas de travessia na dcada de 1970. Aps mais de quatro dcadas, pode-

    se perceber ainda que tal modelo de deslocamento no incluiu em seu projeto o

    cidado comum. Ciclovias ou reas verdes que incentivam as pessoas a caminhar

    tambm so negadas ao trabalhador paulistano. O sistema de transporte coletivo

    ruim e instrumento de segregao apenas hoje? Ser que acostumamos nosso olhar

    difcil mobilidade do dia-a-dia? Senhor Prefeito ou Governador, somos herdeiros do

    descaso e da excluso do direito cidade?

    Questes Propostas:

    1) um modelo para a populao ou para quem pode pagar por um carro?

    10 Disponvel em : http://carrosantigoseonibus.nafoto.net/photo20120428070308.html. Acesso em: 06 de dez. de 2013.

    http://carrosantigoseonibus.nafoto.net/photo20120428070308.html

  • 15

    2) Os nibus da imagem do conta da demanda por um transporte digno a um

    preo justo?

    3) Qual a parcela da populao de So Paulo podia pagar por carros?

    4) Havia alternativa para o transporte de pessoas e cargas? Trens, metrs ou

    sistema hidrovirio? Podemos inferir algumas respostas pela imagem em questo?

    5) Esse modelo de transporte pblico subordinado ao privado apenas de

    So Paulo?

    6) De que forma esse modelo se filia lgica segregacionista centro-periferia?

    Ou aos condomnios de luxo afastados das regies centrais da vida paulistana?

    7) Esse modelo ainda presente na cidade paulistana?

    7. Concluso

    Ao longo da presente sequncia didtica proposta, os alunos podero observar

    que o sistema de transporte coletivo paulistano inadequado, ineficiente e instrumento de

    segregao socioeconmica e espacial constitui uma situao histrica. As quatro aulas

    propostas tiveram como intuito no apenas cotejar e gerar reflexes crticas sobre a

    memria idealizada dos cartes postais. Sobretudo, procuraram mostrar que padres de

    consumo tambm reforam a viso do transporte pblico como algo de m qualidade e

    para massa geral de trabalhadores pobres. preciso enfatizar que a memria criada

    sobre os bondes, idealizada muitas vezes a partir de imagens do incio do sculo XX,

    pode ser questionada por meio da anlise de textos literrios ou estudos sobre a cidade

    paulistana. O padro que privilegiou carros e motos, para no falarmos no sistema de

    transportes rodovirios de cargas, fruto de uma percepo privada de mobilidade. No

    tem qualquer relao com o interesse coletivo, uma administrao pblica transparente e

    responsvel.

  • 16

    Bibliografia ANDRADE, Mario de. So Paulo! Comoo da minha vida. So Paulo: UNESP, 2012. CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. So Paulo: trs padres de segregao espacial. In: Cidade de muros crime, segregao e cidadania em So Paulo. So Paulo: Editora 34, 2000. pp. 211-255. FREHSE, Fraya. Da vrzea ao Colgio, e pela Paulicea toda. In: O tempo das ruas na So Paulo dos fins de Imprio. So Paulo: Edusp, 2005. pp. 95-152 GLEZER, Raquel. Vises de So Paulo. In: BRESCIANI, Stella (Org.). Imagens da cidade sculos XIX e XX. So Paulo: Marco Zero, ANPUH/ FAPESP, 1994. pp. 163-175 HOLANDA, Srgio Buarque. Veredas de p posto. In: Caminhos e fronteiras. So Paulo: Companhia das Letras, 1994. pp. 19-42 SANTOS, Carlos Jos Ferreira dos. Os elementos indiscutveis de nosso progresso. In: Nem tudo era italiano So Paulo e pobreza (1890-1915). So Paulo: FAPESP/ Annablume, 2003. pp. 27-64 TERRA, Antnia. A histria das cidades brasileiras. Coleo Como eu ensino. So Paulo: Melhoramentos, 2012. pp. 30-82 Pginas visitadas Portal do Ministrio da Educao http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_03_internet.pdf. Arquivo Pblico do Estado de So Paulo http://www.arquivoestado.sp.gov.br/

    http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_03_internet.pdfhttp://www.arquivoestado.sp.gov.br/