Sete Décadas de União e Trabalho

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Livro da História da SBCP

Text of Sete Décadas de União e Trabalho

  • Prezados colegas:

    Em 2009 a Sociedade Brasileira de Coloproctologia iniciou o importante projeto de

    escrever a histria da nossa sociedade. A ideia era escrever um livro que pudesse

    reunir o mximo de informaes e documentos que tivessem relevo na nossa

    trajetria. E tambm criar o registro de todos os nossos ex-presidentes, aqueles que

    durante quase sete dcadas conduziram a SBCP com habilidade e segurana at o

    posto que hoje ocupa no cenrio internacional. A segunda maior sociedade de cirurgia

    colorretal no mundo, atrs apenas da norte-americana.

    Desde o incio entendemos que no seria fcil trazer tona os fatos. Dependeramos,

    quase que exclusivamente, da memria dos nossos pioneiros. E eles no nos

    decepcionaram. Um prodigioso trabalho de pesquisa e suporte resultou naquilo que

    consideramos o mais prximo possvel da nossa histria verdadeira.

    Levantada esta histria, restava organiz-la e dar-lhe forma em texto. Para isso a

    Sociedade contratou a jornalista Ana Lcia Proa que nos apresentou um texto claro,

    conciso e muito agradvel de ler, que a forma final da obra. Conseguimos fotos e

    documentos que constituem um caderno central ilustrativo de grande valor.

    A Editora Opera Nostra conduziu o trabalho de montagem e diagramao, assim como

    a escolha de materiais, revises grficas e impresso.

    Optamos por imprimir a obra em duas verses: a primeira com material padro de

    obras de primeira linha da qual sero impressos 1500 exemplares. E uma segunda

    verso, chamada Edio de Colecionador, em material mais nobre e acabamento

    luxuoso, vendida a preos especiais. Desta ltima sero impressas apenas 100

    unidades, numeradas de 001 a 100 e com o nome do comprador anotado na folha de

    apresentao.

    Em breve lanaremos no nosso portal de internet uma lista de subscrio para os que

    quiserem reservar seu exemplar desta edio numerada.

    O lanamento ser em setembro prximo, em So Paulo, por ocasio do Congresso

    Brasileiro de Coloproctologia.

    A todos - e foram muitos - que desprendidamente trabalharam para dar corpo a esta

    obra, a gratido dos associados da SBCP.

    Ronaldo Salles

    Vice-Presidente da SBCP

  • Este o exemplar de n ___ _ _de uma edio especial limitada a 100 cpias, impressas em comemorao s sete dcadas de existncia da

    Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

    Este livro foi entregue a

    em

  • Sete Dcadas deUnio e Trabalho

    Histria da SociedadeBrasileira de Coloproctologia

    Rio de Janeiro2012

  • Copyright Sociedade Brasileira de Coloproctologia

    Printed in Brazil / Impresso no Brasil

    Capa, diagramao e arte-final

    I Graficci Comunicao & Design

    Preparao de textoAna Lucia Pra

    RevisoJorge Moutinho

    As fotografias utilizadas nesta obra so de propriedade da SBCP

    ISBN 978-85-85686-11-6

  • ApresentAo 07

    CAptulo 1Coloproctologia: to antiga quanto o mundo, to jovem como especialidade 09

    CAptulo 2Pitanga Santos: o pioneiro da especialidade no Brasil 15

    CAptulo 3A criao da Sociedade em dois tempos 23

    CAptulo 4Tudo pelo bem da famlia coloproctolgica brasileira 39

    CAptulo 5A honra de ser presidente 51

    CAptulo 6Os congressos: encontros que vo muito alm da cincia 203

    CAptulo 7Os rgos oficiais da Sociedade: muito mais do que informar 231

    CAptulo 8As regionais: braos direitos da Sociedade 241

    CAptulo 9Tanto j feito, tanto a fazer... 250

    Sumrio

  • Apresentao

    Em 12 de setembro de 1934, na cidade do Rio de Janeiro, ento capi-tal federal, um grupo de vinte mdicos reuniu-se para fundar uma sociedade mdica inspirada na legislao da poca que previa a figura de deputados classistas. Esses mdicos decidiram que seria uma sociedade de proctologia, apesar de nenhum deles exercer esta especialidade. Mas a sociedade foi fun-dada e registrada em cartrio. Aps 1935, no h notcia de qualquer atividade desta associao. Em curto espao de tempo, a sociedade cai no esquecimento e poucos ainda sabem da sua existncia.

    At que, em 1945, na Bahia, a iniciativa para a criao de uma verda-deira sociedade mdica de proctologia fez renascer de forma nobre a falecida associao. Algumas providncias legais bem conduzidas permitiram usar o ttulo original Sociedade Brasileira de Proctologia e a partir da esta socie-dade desenvolveu-se de forma segura e contnua, transformando-se na segun-da sociedade de cirurgia colorretal do mundo.

    Contar esta histria faz justia queles que, ao longo de quase sete d-cadas, souberam administr-la e dar o suporte necessrio sua consolidao. Estamos falando no apenas das diretorias, mas de cada associado que enten-deu o valor de uma sociedade mdico-cientfica no cenrio do exerccio da profisso. Falamos tambm de todos que nunca esqueceram que trabalho e famlia caminham juntos. Os congressos nacionais da especialidade so fa-mosos pela convivncia entre amigos de vrias dcadas com suas respectivas famlias. Esta caracterstica torna justo o uso da palavra unio valorizando o ttulo deste livro.

    Foi fundamental para a construo desta obra a inacreditvel memria de vrios ex-presidentes e a documentao acumulada com carinho na sede da SBCP.

    Uma Sociedade que deu certo, que cresceu baseada no consenso e no na disputa e no esqueceu o afeto entre os pares, moeda to desvalorizada em alguns momentos, mas usada como liga poderosa nos ideais da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

  • Captulo 1

    Coloproctologia

    To antiga quanto o mundo,to jovem como especialidade

    Contar a histria da segunda maior sociedade de coloproctologia do mundo que a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) requer que faamos, antes, uma viagem a um tempo bastante longnquo. Isso porque, embora ela tenha completado 67 anos em 2012, no bastaria iniciar nosso relato voltando ao Brasil de 1945, ano de sua criao oficial. As bases da espe-cialidade encontram-se muito mais longe... E so essas bases que ajudaram a construir, na atualidade, o que hoje chamamos de coloproctologia.

    Registros histricos mostram que as doenas relacionadas parte infe-rior do tubo digestivo j acometiam a populao na Antiguidade. Desde ento, mdicos empregavam esforos para cur-las, havendo referncias de cinco mil anos atrs a tcnicas operatrias e instrumentos cirrgicos utilizados em tratamentos proctolgicos. Bem antes de a medicina geral desmembrar-se em especialidades, hierglifos egpcios encontrados na coluna de Isi, datada de 2750 a.C., faziam meno ao mdico pessoal do fara, cujo ttulo era O Guardio do nus do Fara. Ainda na cultura egpcia, havia a lenda do deus Tot o deus da sabedoria , que se transformara no pssaro bis para, atravs do bico, introduzir gua no nus de um mdico que se banhava no rio Nilo e, assim, ensinar-lhe sobre os benefcios dos enemas retais.

    Porm, o Egito Antigo deixou para a medicina algo muito mais con-creto do que simples lendas. O Papiro de Ebers, produzido durante a dinastia de Amenhotep I, em torno de 1535 a.C., um dos tratados mdicos mais antigos e importantes de que se tem conhecimento. Descoberto em 1873 pelo

  • 10 Sete Dcadas de Unio e Trabalho

    egiptlogo alemo Georg Moritz Ebers, apresenta ao longo de vinte metros um contedo riqussimo que ensina a preparao da medicina para todas as partes do corpo, conforme o texto inicial do papiro. Nele, encontram-se di-versas doenas e seus tratamentos, com meno, inclusive, a hemorroidas e disenterias. Cerca de duzentos anos depois (no ano de 1300 a.C.), o mdico Iri, da 19 dinastia egpcia, depositou em um nico papiro todas as patologias proctolgicas conhecidas at ento.

    A quilmetros de distncia do Egito, na sia, outra civilizao bastante desenvolvida para a poca tambm j se preocupava com as afeces relativas ao atual campo da coloproctologia. Era a Babilnia, onde o rei Hamurabi por volta de 1700 a.C. criou um dos mais antigos conjuntos de leis j encontra-dos pelos homens: o cdigo de Hamurabi. Suas 281 leis esto talhadas em um monlito, ditando todas as regras para a vida em famlia, no trabalho e na sociedade como um todo. Entre elas, configuram-se at mesmo os honorrios que deveriam ser pagos ao mdico que cuidasse de uma doena proctolgica: Se um doente for curado de uma enfermidade anal, o enfermo dar ao doutor 10 siclos de prata.

    A ndia tambm possua seu prprio cdigo de leis que, em 1000 a.C., demonstrava que os hindus j estavam conscientes da importncia de cuidar das patologias que hoje so comumente tratadas pela coloproctologia. Nas leis de Manu, alm das regras da sociedade, eram citadas as enfermidades conhe-cidas naquele tempo. L esto referncias a hemorroidas, abscessos e fstulas anais. At mesmo no Ramayana, poema pico que narra a epopeia indiana, h instrues sobre como extirpar tumores do reto.

    Para os hindus, no entanto, simples casos de hemorroidas problema ao qual chamavam de Arsa e de fstulas anais eram vistos como graves e de prognsticos sombrios. Chegavam ao ponto de serem equiparados a doenas como lepra e ttano. A verdade que na ndia no havia recursos para pes-quisar e tratar essas afeces, tal como j vinha acontecendo no Egito sculos antes. E foi na Grcia, 400 a.C., com o grande Hipcrates o pai da medicina , que hemorroidas e fstulas puderam ser amplamente estudadas.

    At ento, essas afeces no tinham o nome como hoje as conhece-mos. Foi o mdico grego quem criou o termo hemorroidas para designar as perdas sanguneas pelos vasos do nus, as quais, no entanto, ele considerava benignas. No conjunto de obras que deixou para a humanidade o Corpus Hippocraticum, hoje chamado de Coleo Hipocrtica , contendo setenta tratados relativos ao corpo humano, h uma parte dedicada exclusivamente

  • 11Sete Dcadas de Unio e Trabalho

    a essa afe