SIMONDON E O HUMANISMO T‰CNICO - Livros Gr .INTRODU‡ƒO Esta tese tem como objetivo apresentar

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  • INSTITUTO DE FILOSOFIA E CINCIAS HUMANAS

    CURSO DE DOUTORADO EM FILOSOFIA

    SIMONDON E O HUMANISMO TCNICO

    Professor Orientador: Aquiles Crtes Guimares

    Aluno: Svio Ramos Laterce

    Rio de Janeiro

    2009

  • Livros Grtis

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    SIMONDON E O HUMANISMO TCNICO

    Svio Ramos Laterce

    Tese de doutoramento submetida ao corpo docente do Departamento de Ps-Graduao em

    Filosofia do Instituto de Filosofia e Cincias Sociais IFCS da Universidade Federal do

    Rio de Janeiro UFRJ, como parte dos requisitos necessrios obteno de grau de doutor

    em filosofia.

    Aprovada por:

    _______________________________

    Prof. Dr. Aquiles Crtes Guimares

    _______________________________

    Prof. Dr. Fernando Fragozo

    ______________________________

    Prof. Dr. Luiz Alberto Oliveira

    _______________________________

    Prof. Dra. Liliana da Escssia

    _______________________________

    Prof. Dr. Fernando Rodrigues

    Rio de Janeiro

    2009

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    Laterce, Svio Ramos

    Simondon e o humanismo tcnico/Svio Ramos Laterce. Rio de

    Janeiro: UFRJ/IFCS, 2009.

    214p.

    Tese Universidade Federal do Rio de Janeiro, IFCS.

    1.Simondon. 2.Filosofia da tcnica. 3. Humanismo (Dout. IFCS-

    UFRJ)

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    No comeo a relao.

    Gaston Bachelard

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    A Theo, que inspirou esse texto e

    que alegra minha vida h quase 5 anos.

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    AGRADECIMENTOS

    Sem a participao de algumas pessoas esse trabalho no teria condies de ser

    desenvolvido. Antes de tudo, agradeo minha companheira Nina pela compreenso de

    dias e dias sem poder me dedicar nossa vida comum. Lembro tambm da reviso

    extremamente competente, que vai muito alm das palavras e da lngua portuguesa, da

    minha amiga Maysa. No campo da philia, no posso esquecer das conversas precisas e

    esclarecedoras do professor Luiz Alberto Oliveira e dos amigos Bart Kapp, Slvia Costa,

    Richard Fonseca, rica Leonardo, Johnny Alvarez e Rejane Moreira. Pela leitura atenta e

    olhar cuidadoso em cada palavra, minha dvida com o amigo Iran Salomo impagvel.

    Quero lembrar aqui com carinho do meu orientador Aquiles Crtes Guimares pela

    pacincia demonstradas com todos os meus descaminhos e pela confiana de me conceder

    muita liberdade na explorao dos temas e autores. Em funo da bolsa de doutorado

    recebida, que tornou possvel a tranqilidade para deixar essa tese nascer, sou grato a

    CAPES.

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    RESUMO

    Simondon promoveu uma importante reformulao do conceito de humanismo, ligando-o

    tcnica. Outros pensadores, como os sofistas e Galileu, a nosso ver, tambm produziram

    essa aliana. o que iremos apresentar nos primeiros momentos da tese. Em seguida,

    traremos a viso original do humanismo tcnico de Simondon. Ao longo da tese, estar

    presente a idia-chave do filsofo, a individuao, que ser apresentada em suas diversas

    facetas. Daremos nfase particular, por motivos bvios, individuao tcnica.

    Palavras-chave: Simondon, filosofia, humanismo, individuao tcnica

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    ABSTRACT

    Simondon has remodelled the concept of humanism, making reference to the tecnique.

    Other scientists, such as the sophists and Galileo, have contributed to this new vision of

    humanism, as we try to prove in this research. This study will present Simondon's original

    ideas of technical humanism. His key-notion, the individuation, is explained in rich details

    in this research. The phocus will be on the technical individuation.

    key words: Simondon, philosophy, humanism, technical individuation.

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    SUMRIO

    Introduo _________________________________________ p. 11

    Prlogo _________________________________________ p. 16

    UNIDADE I O humanismo tcnico antropolgico

    1. Histrico do humanismo tcnico ______________________ p. 20

    O humanismo pr-socrtico ____________________________ p. 20

    O humanismo tcnico do sculo V a.C. ___________________ p. 23

    O humanismo tcnico na modernidade ___________________ p. 30

    O humanismo tcnico moderno na poltica ________________ p.35

    2. O antiaristotelismo de Galileu e a nova relao entre natureza

    e artifcio no alvorecer da cincia moderna _________________ p. 51

    Uma nova fsica______________________________________ p. 52

    A condenao do artifcio _______________________________p. 54

    A matematizao moderna do mundo _____________________ p. 57

    A questo do movimento ________________________________ p. 61

    Giordano Bruno e os infinitos mundos _____________________ p. 64

    O realismo cientfico de Galileu __________________________ p. 65

    Um cientista que une teoria e prtica ______________________ p. 72

    A luta contra uma cincia do senso comum _________________ p. 74

    UNIDADE II O humanismo tcnico no-antropolgico de Simondon

    Idia de relao em Simondon:

    uma herana velada e transmutada_______________________ p. 80

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    O humanismo de Simondon ____________________________ p. 91

    O ser e o ser tcnico em Simondon _______________________ p. 98

    Diferentes nveis de individuao ________________________ p. 101

    Crtica ao princpio de individuao aristotlico_____________ p. 104

    Nem estvel, nem instvel ______________________________ p. 109

    Individuao biolgica em Simondon _____________________ p. 117

    Contradio e paradoxo no amor e na vida_________________ p. 122

    Indivduo e meio associado______________________________ p. 130

    A individuao fsica e a abertura para a tcnica _____________ p. 132

    Entropia e teoria da informao__________________________ p. 138

    Uma unio de dois mundos: a entropia informacional_________ p. 146

    Novos sentidos para as mquinas_________________________ p. 155

    Duas iluses: o homem como escravizador

    ou escravo das mquinas_______________________________ p. 159

    Cultura, tcnica e enciclopedismo_________________________ p. 163

    O tcnico como filsofo da tcnica_________________________ p. 172

    Tcnica e alienao____________________________________ p. 179

    Objetos concretos e abstratos_____________________________ p. 187

    Concretizao tcnica e aproximao com a natureza__________ p. 193

    Evoluo gentica dos objetos tcnicos demandas psicossociais_ p. 199

    Concluso___________________________________________ p. 205

    Bibliografia _________________________________________ p. 207

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    INTRODUO

    Esta tese tem como objetivo apresentar a perspectiva totalmente renovada da noo

    de humanismo que percebemos na filosofia de Gilbert Simondon. Essa renovao o que

    est sendo nomeado aqui de humanismo tcnico. Em linhas gerais, seu projeto o de

    indicar que os objetos tcnicos so criaes humanas coletivas, sendo cada uma delas uma

    sntese de memria, de informao e de aquisio de formas a ser investigada e decifrada.

    Isso significa que esses objetos se impregnam dos afetos humanos que os criaram.

    Exatamente por isso, eles no se esgotam no presente, mas tm um passado a ser

    desvendado e um futuro a ser inventado. Nas reflexes de Simondon, eles so nomeados de

    indivduos, tm jeito de ser e histria, como fica explcito j no ttulo da obra que eixo

    central da investigao que desejamos realizar: Du mode dexistence des objets techniques.1

    Mas para conseguirmos destacar a originalidade da sua abordagem, entendemos que

    ser necessria uma recuperao histrica da idia de humanismo, que para ns um

    consistente e mutante conceito filosfico. Em funo disso, ser preciso definir

    constantemente sobre qual dos muitos humanismos existentes estaremos tratando em cada

    momento. Apesar de ter sua criao datada de 1538, a noo teve uma larga utilizao

    retrospectiva, sendo inclusive remetida aos gregos e medievais. O que aconteceu que ela

    foi absorvida e teorizada pelas mais diferentes correntes, inclusive antagnicas, de

    pensamento. Com isso, tornou-se imprecisa, vaga, amorfa. Ferrater Mora destaca que essa

    abrangncia se d porque o humanismo pode ser resumido como tendncia filosfica na

    qual se ressalta algum ideal humano. E completa: Como os ideais humanos,

    proliferaram-se os humanismos. (FERRATER MORA, 2000, p. 1396). Em nome da

    1 A obra ainda no tem traduo para a lngua portuguesa.

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    preciso, to decisiva quando estamos no campo das idias singulares de um filsofo,

    iremos sempre referenciar que pensador est por trs de cada vis humanista proposto.

    A impossibilidade de um s humanismo fica patente pelo contraste dos seus

    partidrios. De um lado est Protgoras, na Atenas do sculo V a.C., sofista descrente do

    poder dos deuses e da natureza nas decises polticas humanas. De outro, bem mais tarde,

    todo o pensamento cristo, que desejou dar ao homem, com o pressuposto da vontade do

    Criador, um lugar diferenciado e superior em relao aos outros seres vivos, por sermos

    feitos imagem e semelhana Dele. Em regra geral, humanismo seria uma posio de

    domnio que o homem ocupa em relao ao que o rodeia, seja em relao s mais diversas

    reas do conhecimento, seja em decises ticas e polticas. Porm o que temos nas defesas

    humanistas anteriores so dua