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Simone Guimaraes - Ef 5

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Text of Simone Guimaraes - Ef 5

  • ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM TEOLOGIA

    SIMONE FURQUIM GUIMARES

    EFSIOS 5.21-33 COMO MODELO DE DISCURSO DE GNERO

    So Leopoldo

    2011

  • SIMONE FURQUIM GUIMARES

    EFSIOS 5.21-33 COMO MODELO DE DISCURSO DE GNERO

    Trabalho Final de Mestrado Profissional Para obteno do grau de Mestre em Teologia Escola Superior de Teologia Programa de Ps-Graduao Linha de pesquisa: Leitura e Ensino da Bblia

    Orientador: Verner Hoefelmann

    Segundo avaliador: Flvio Schmitt

    So Leopoldo

    2011

  • SIMONE FURQUIM GUIMARES

    EFSIOS 5.21-33 COMO MODELO DE DISCURSO DE GNERO

    Trabalho Final de Mestrado Profissional Para obteno do grau de Mestre em Teologia Escola Superior de Teologia Programa de Ps-Graduao Linha de pesquisa: Leitura e Ensino da Bblia

    Verner Hoefelmann - Mestre em Teologia - Escola Superior de Teologia

    Flvio Schmitt - Doutor em Cincias da Religio - Escola Superior de Teologia

  • Saber esperar, sabendo ao mesmo tempo forar aquela hora que no pode esperar (D. Pedro Casaldliga).

    Em agradecimento quelas pessoas que esto envolvidas, de alguma forma, com a educao popular da Bblia e que, com pacincia, auxiliam outros e outras na desconstruo de leituras e interpretaes de textos (bblicos) que levam a opresso ou a submisso, tornando estes textos mais prximos ao seu desgnio.

  • AGRADECIMENTOS

    A Deus/Deusa que, no seu misericordioso amor, nos d a vida e nos acolhe

    em todos os momentos, mostrando os caminhos da justia.

    Ao Centro de Estudo Bblico (CEBI), por onde iniciei a leitura libertadora da

    vida e a leitura engajada da Escritura, e continuo lendo, junto s comunidades,

    buscando antecipar os sinais do Reino.

    Faculdades EST e seus professores, pois l trilhei os caminhos de

    especializao em teologia e Bblia.

    s/aos telogas/os e biblistas feministas que buscam a justia na

    equiparao de gnero, a partir da desconstruo de ideologias patriarcais e

    sexistas, e, em especial, ao Pe. Jos Comblin, falecido neste ano de 2011.

    Aos meus pais e familiares que foram a base formadora do meu ser social e

    cristo. In memoriam de Dom Miguel, bispo da Diocese de Jata/GO, smbolo de

    simplicidade e presena amorosa.

    minha querida filha, por alimentar minha esperana e me dar foras na

    busca por um mundo mais justo.

    Ao meu amado companheiro, que no aconchego de seus braos e de suas

    palavras me revela um jeito novo de viver uma relao livre da dominao sexista.

  • RESUMO

    A violncia tema recorrente na sociedade brasileira. Suas razes remontam antiguidade e seus efeitos permanecem, hoje, perceptveis no cotidiano de muitas mulheres em todo o mundo. Sabe-se que, no Brasil, a cada 15 segundos uma mulher agredida, e que a estatstica perversa de mulheres mortas em seus lares ainda motivo de tabu em muitos setores da sociedade. luz dessa perspectiva de violncia contra a mulher, a pesquisa bblico-teolgica de corte feminista vem produzindo anlises relevantes a respeito do contexto scio-religioso, e em dilogo com as pesquisas sociolgicas vem possibilitando novos olhares sobre o problema. Dessa forma, a inteno neste trabalho sondar o discurso presente na elaborao do texto de Efsios 5.21-33, o qual contm diretivas especficas para o comportamento da mulher crist, e avaliar at que ponto tal diretiva se apia em amplos movimentos culturais do contexto em que foi produzido e suas possveis vinculaes com a ulterior realidade religiosa. Palavras-chave: Discurso. Enunciado. Religio. Violncia. Mulher.

  • ABSTRACT

    The violence is a recurring theme in Brazilian society. Its roots go back to antiquity and its effects remain, today, noticeable in the daily life of many women around the world. It is known that in Brazil every 15 seconds and 1 woman is assaulted, and this perverse statistics of women dying in their homes is still a taboo subject in many sectors of society. As the prospect of violence against women, the study of biblical and theological feminist cutting has produced relevant analysis regarding the socio-religious, and in dialogue with the sociological research has fostered new perspectives on the problem. Thus, the aim here is to probe the discursive discourse in drafting the text of Ephesians 5. 21-33, which contains specific directives for the conduct of the Christian woman, and assess how far such a policy is based on broad cultural movements of the context in which it was produced and their possible links with the later religious reality. Keywords: Discourse. Utterance. Religion. Violence. Women.

  • SUMRIO

    INTRODUO ............................................................................................................9

    1 O TEXTO BBLICO E SUA INTERPRETAO......................................................14

    1.1 Introduo ........................................................................................................14

    1.2 A religio, a lei e a filosofia domstica greco-romana........................................16

    1.3 A cidade de feso.............................................................................................18

    1.4 A carta aos Efsios ...........................................................................................19

    1.5 A Carta de Paulo aos Efsios (cap. 5, vs. 21-33) ..............................................20

    1.6 Exortao s mulheres.....................................................................................21

    1.7 Exortao aos maridos.....................................................................................25

    1.8 Consideraes finais do captulo ......................................................................27

    2 ANLISE FOUCAULTIANA SOBRE O DISCURSO DE EFSIOS 5.21-33............32

    2.1 Introduo ........................................................................................................32

    2.2 Definindo discurso............................................................................................33

    2.3 Elementos internos do discurso: enunciado e funo enunciativa.....................34

    2.4 Elementos externos do discurso: modalidades enunciativas.............................38

    2.5 A ordem do discurso: produo do discurso......................................................43

    2.6 Consideraes finais do captulo ......................................................................45

    3 A REALIDADE DA VIOLNCIA DOMSTICA ........................................................47

    3.1 Introduo ........................................................................................................47

    3.2 A linguagem, os smbolos e os discursos no imaginrio religioso cristo ..........48

    3.3 O corpo como objeto de poder e dominao na cultura patriarcal.....................55

    3.4 Consideraes finais do captulo ......................................................................58

    CONCLUSO............................................................................................................60

    BIBLIOGRAFIA .........................................................................................................65

  • INTRODUO

    A violncia domstica1 contra as mulheres fruto de uma cultura que foi

    naturalizada ao longo da histria, na qual se construiu um discurso de discriminao,

    inferiorizao, subordinao e violncia contra a mulher. Neste discurso, foi

    estabelecido o papel social do homem e o da mulher, as desigualdades das

    relaes, em que o homem detm o poder sobre a mulher, alm de impor o

    comportamento excludente e repressivo s mulheres, violentando sua liberdade e

    autonomia, gerando assim uma cultura de violncia sexista.

    Estamos acostumadas/os s diferenciaes de papis sociais, as quais

    aprendemos a no questionar e que podem ter sido estabelecidas por diferentes

    grupos e pessoas nas suas interpretaes convenientes, e em seus contextos

    histricos.

    A violncia contra as mulheres2 acontece em todas as classes sociais,

    culturas e religies. A sociedade, via de regra, tem acobertado este tipo de violncia.

    Na maioria das vezes no tomamos conhecimento sobre a violncia domstica e o

    agressor fica impune, porque as mulheres/vtimas no procuram seus direitos

    (delegacias de polcia, ministrio pblico, etc) por medo, por falta de informao ou

    por falta de recursos. Percebemos a existncia da violncia somente por meio de

    estatsticas feitas a respeito, sobre as quais elencaremos aqui alguns dados

    pesquisados.

    Segundo o relatrio A violncia Domstica contra as Mulheres e Crianas,

    desenvolvido pelo Instituto Innocenti,3 a porcentagem de mulheres no mundo que

    1 CUNHA, Rogrio Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Violncia domstica: Lei Maria da Penha (Lei

    n. 11.340/2006): comentada artigo por artigo. 2. ed. rev. atual. e ampl. So Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 30. De acordo com a Lei n. 11.340/2006 (art.5), entende-se por violncia domstica e familiar toda a espcie de agresso (ao ou omisso) dirigida contra a mulher (vtima certa), num determinado ambiente (domstico, familiar ou de intimidade), baseada no gnero, que lhe cause morte, leso, sofrimento fsico, sexual ou psicolgico e dano moral ou patrimonial.

    2 Tanto as Naes Unidas quanto o Conselho da Europa consideram que a violncia contra as mulheres, decorrente das relaes de foras desiguais entre homens e mulheres, e que conduz a uma discriminao