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Sobre a Contradio(1)Mao TsetungAgosto de 1937

Primeira Edio: ... Traduo: A presente traduo est conforme nova edio das Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Tomo II (Edies do Povo, Pequim, Agosto de 1952). Nas notas introduziram-se alteraes, para atender as necessidades de edio em lnguas estrangeiras. Fonte: Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Pequim, 1975, Tomo I, pg: 525-586 Transcrio e HTML: Fernando A. S. Arajo

A lei da contradio inerente aos fenmenos, ou lei da unidade dos contrrios, a lei fundamental da dialctica materialista. Lenine dizia: "No sentido prprio, a dialctica o estudo da contradio na prpria essncia dos fenmenos."[N1] Sobre essa lei, Lenine dizia com frequncia que era a essncia da dialctica, afirmando tambm que era o ncleo da dialctica[N2]. assim que, ao estudarmos tal lei, somos obrigados a abordar um amplo crculo de problemas, um grande nmero de questes filosficas. Se formos capazes de esclarecer todas essas questes, ns compreenderemos nos seus verdadeiros fundamentos a dialctica materialista. Essas questes so: as duas concepes do mundo, a universalidade da contradio, a particularidade da contradio, a contradio principal e o aspecto principal da contradio, a identidade e a luta dos aspectos da contradio, o lugar do antagonismo na contradio. A critica a que, nos crculos filosficos soviticos, foi submetido nestes ltimos anos o idealismo da escola de Deborine, suscitou um grande interesse entre ns. O idealismo de Deborine exerctu uma influncia das mais perniciosas no seio do Partido Comunista da China, no se podendo dizer que as concepes dogmticas existentes no nosso Partido no tenham coisa alguma a ver com tal escola. por isso que, actualmente, o objectivo principal do nosso estudo da filosofia extirpar as concepes dogmticas. I. As Duas Concepes do Mundo Na histria do conhecimento humano existiram sempre duas concepes acerca das leis do desenvolvimento do mundo: uma metafsica, outra dialctica. Elas constituem duas concepes opostas sobre o mundo. Lenine dizia: "As duas concepes fundamentais (ou as duas possveis? ou as duas dadas pela histria?) do desenvolvimento (da evoluo) so: o desenvolvimento como diminuio e aumento, como repetio, e o desenvolvimento como unidade de contrrios (desdobramento do que um em

contrrios que se excluem mutuamente, e relaes entre eles)"[N3]. A, Lenine referia-se justamente s duas concepes distintas sobre o mundo. Na China, Metafsica tambm se chama Suansiue. O modo de pensar metafsico, prprio da concepo idealista do mundo, ocupou durante um longo perodo da Histria um lugar predominante no esprito das gentes, quer na China quer na Europa. Na Europa, o prprio materialismo foi metafsico nos primeiros tempos da existncia da burguesia. Em resultado de toda uma srie de Estados europeus, ao longo do seu desenvolvimento econmico-social, terem entrado na fase dum capitalismo altamente desenvolvido, e de as foras produtivas, a luta de classes e a cincia, terem atingido um nvel de desenvolvimento sem precedente na Histria, e ainda em resultado de o proletariado industrial se ter transformado na maior fora motriz da Histria, nasceu a concepo materialista-dialctica, marxista, do mundo. A partir de ento, ao lado dum idealismo reaccionrio patente e de nenhum modo camuflado, viu-se aparecer, no seio da burguesia, um evolucionismo vulgar, oposto dialctica materialista. A metafsica, o evolucionismo vulgar, considera todos os fenmenos do mundo como isolados e em estado de repouso; considera-os unilateralmente. Uma tal concepo do mundo faz ver todos os fenmenos, formas e categorias, como eternamente isolados uns dos outros, como eternamente imutveis. E se se reconhecem as mudanas, apenas como aumento ou diminuio quantitativos, como simples deslocao, residindo as causas dum tal aumento, diminuio e deslocao, no nos prprios fenmenos, mas sim fora deles, isto , na aco de foras exteriores. Os metafsicos sustentam que os diferentes fenmenos do mundo, assim como o seu carcter especfico, permanecem imutveis desde o comeo da sua existncia sendo as modificaes ulteriores apenas aumentos ou diminuies quantitativos. Pensam que um fenmeno no pode fazer mais do que reproduzir-se indefinidamente, sendo incapaz de transformar-se em fenmeno diferente. Segundo eles, tudo o que caracteriza a sociedade capitalista, quer dizer, a explorao, a concorrncia, o individualismo, etc, encontrava-se igualmente na sociedade esclavagista da antiguidade, inclusive na prpria sociedade primitiva, e h-de continuar a existir de modo eterno, imutvel. As causas do desenvolvimento da sociedade, explicam-nas por condies exteriores a esta, como o meio geogrfico, o clima, etc. Duma maneira simplista, tentam encontrar as causas do desenvolvimento fora dos prprios fenmenos, negando essa tese da dialctica materialista segundo a qual o desenvolvimento dos fenmenos determinado pelas respectivas contradies internas. Por isso so incapazes de explicar a diversidade qualitativa dos fenmenos, bem como a transformao duma qualidade em uma outra. Na Europa, esse modo de pensar encontrou a sua expresso no materialismo mecanista dos sculos XVII e XVIII e, posteriormente, nos fins do sculo XIX e comeos do XX, no evolucionismo vulgar. Na China, o pensamento metafsico, que se exprimia na afirmao "O cu imutvel, imutvel o Tao"[N4], foi defendido durante muito tempo pela classe feudal, decadente, no poder. Quanto ao materialismo mecanista e ao evolucionismo vulgar, importados da Europa nos ltimos cem anos, encontraram os seus defensores na burguesia. Contrariamente concepo metafsica do mundo, a concepo materialista-dialctica entende que, no estudo do desenvolvimento dum fenmeno, deve partir-se do seu contedo interno, das suas relaes com os outros fenmenos, quer dizer, deve considerar-se o desenvolvimento dos fenmenos como sendo o seu movimento prprio, necessrio, interno, encontrando-se alis cada fenmeno, no seu movimento, em ligao e interaco com os outros fenmenos que o rodeiam. A causa fundamental do desenvolvimento dos fenmenos no externa, mas interna; ela reside no contraditrio do interior dos prprios fenmenos. No interior de todo o fenmeno h contradies, da o seu movimento e desenvolvimento. O contraditrio no seio de cada fenmeno a causa fundamental do respectivo desenvolvimento, enquanto que a ligao mtua e a aco recproca entre os fenmenos no constituem mais do que causas secundrias. Assim, a dialctica materialista combate energicamente a teoria da causa externa, da impulso exterior, caracterstica do materialismo mecanista e do evolucionismo vulgar metafsicos. evidente que as causas puramente externas so apenas capazes de provocar o movimento mecnico dos fenmenos, isto ,

modificaes de volume, de quantidade, no podendo explicar porque os fenmenos so duma diversidade qualitativa infinita, a razo por que passam duma qualidade a uma outra. Com efeito, mesmo o movimento mecnico, provocado por uma impulso exterior, realiza-se por intermdio das contradies internas dos fenmenos. No mundo vegetal e animal, o simples crescimento, o desenvolvimento quantitativo, so tambm provocados fundamentalmente pelas contradies internas. Do mesmo modo, o desenvolvimento da sociedade devido, sobretudo, a causas internas, e no externas. H muitos pases que se encontram em condies geogrficas e de clima quase idnticas e, no entanto, desenvolvem-se de maneira bem diferente, desigual. Num s e mesmo pas produzem-se grandes modificaes na sociedade sem que, no entanto, se tenha modificado o meio geogrfico ou o clima. A Rssia imperialista transformou-se na Unio Sovitica socialista e o Japo feudal, fechado ao mundo exterior, transformou-se no Japo imperialista, sem que a geografia e o clima desses pases tivessem sofrido alterao. A China, durante muito tempo submetida ao regime feudal, registou grandes alteraes no decurso dos ltimos cem anos, e agora evolui em direco duma China nova, emancipada e livre, sem que para isso se tivessem modificado a sua geografia e o seu clima. certo que no conjunto do globo terrestre, e em cada uma das suas partes, se produzem modificaes quanto geografia e ao clima, simplesmente, comparadas s modificaes da sociedade, essas modificaes so insignificantes. As primeiras exigem dezenas de milhares de anos para manifestar-se, enquanto que para as segundas bastam apenas alguns milnios, alguns sculos, umas dcadas ou mesmo alguns anos, ou meses inclusivamente (em perodo de revoluo). Segundo o ponto de vista da dialctica materialista, as modificaes na Natureza so devidas fundamentalmente ao desenvolvimento das contradies internas desta. Na sociedade, as mudanas so devidas principalmente ao desenvolvimento das contradies que existem no seu seio, isto , a contradio entre as foras produtivas e as relaes de produo, a contradio entre as classes e a contradio entre o novo e o velho; o desenvolvimento dessas contradies que faz avanar a sociedade e determina a substituio da velha sociedade por uma nova. Mas ser que a dialctica materialista exclui as causas externas? De maneira nenhuma. Ela considera que as causas externas constituem a condio das modificaes, que as causas internas so a base dessas modificaes e que as causas externas operam por intermdio das causas internas. O ovo que recebe uma quantidade adequada de calor transforma-se em pinto, enquanto que o calor no pode transformar uma pedra em pinto, j que as respectivas bases so diferentes. Os diversos povos agem constantemente uns sobre os outros. Na poca do capitalismo, sobretudo na poca do imperialismo e das revolues proletrias, a aco e os efeitos dos diferentes pases, agindo uns sobre os outros nos domnios da poltica, da economia e da cultura, so enormes. A Revoluo Socialista de Outubro abriu uma era nova no apenas na histria da Rssia, mas tambm na histria de todo o mundo; ela influiu nas modificaes internas nos diferentes pases, e tambm, com uma profundidade particular, nas modificaes internas na China. Todavia, as modificaes que dela resultaram produziram-se por