STORYTELLING MIDIÁTICO - .Palavras-chaves: arte; ensino, novas tecnologias, storytelling, mídia

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    STORYTELLING MIDITICO : A ARTE DE NARRAR A VIDA COMO FERRAMENTA PARA A EDUCAO.

    Adenil Alfeu Domingos1 Ana Sabrina de Oliveira Leme Domingues2

    Ktia Santana Bispo3 Eixo temtico: Mdias, Tecnologia e Educao

    Resumo: Pretende-se caracterizar o storytelling midiado como instrumento de narrar a vida, na era das novas tecnologias. O storytelling meio de expresso e informao, mais do que propriamente de arte. Ele recupera a ideia do contador oral de histrias a platias reunidas, no mais beira das fogueiras, mas sim, em torno de sistemas eltricos, formando tribos virtuais. Os storytelling so veiculados tanto nas redes on e off-line, mas sempre direcionadas pela rede neuronais da mente humana. As escolas no podem ignorar o storytelling, pois as crianas j se servem dele, antes mesmo da escola se dar conta da sua existncia. Com a chegada da web 2.0, elas narram suas aventuras no fotolog, facebook, Orkut, MSN. Palavras-chaves: arte; ensino, novas tecnologias, storytelling, mdia. Resumen:

    El objetivo es caracterizar la narracin midiado como una forma de narrar la vida en la era de las nuevas tecnologas. La narracin es un medio de expresin y de informacin, en vez de expresar el arte. Se recupera la idea de las historias orales de venta libre para el pblico reunido, ya no al borde de los incendios, pero, en torno a los sistemas elctricos para formar tribus virtuales. La narracin se transmite en ambas redes online como offline, siempre dirigida por la red neuronal de la mente humana. Las escuelas no pueden ignorar la narracin de cuentos, porque los nios ya su servicio, incluso antes de que la escuela se dan cuenta de su existencia. Con la llegada de la Web 2.0, hacen un recuento de sus aventuras en el fotolog, Facebook, Orkut, MSN.

    1 Professor do curso de graduao e ps graduao de Comunicao Miditica, departamento de Comunicao Social, da Universidade Estadual Paulista, Bauru (SP) na disciplina de Semitica da Comunicao. adenil@faac.unesp.br.

    2 Mestranda em Letras, rea de concentrao: estudos lingusticos, do Programa de Ps-Graduao em Letras (PPGL), da Universidade Federal de Sergipe (UFS). So Cristvo- SE e professora de Leitura e Produo de Textos da Faculdade Pio Dcimo Aracaju-SE. anasabrinaleme@hotmail.com

    3 Mestranda em Letras, rea de concentrao: estudos lingusticos, do Programa de Ps-Graduao em Letras (PPGL), da Universidade Federal de Sergipe (UFS). So Cristvo- SE e jornalista atuante no Jornal da Cidade de Aracaju- SE. E-mail: katiasantana@katiasantana.com.br

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    Palabras clave: arte, educacin, nuevas tecnologas, cuentos, y los medios de comunicacin.

    O pblico hoje assumiu um novo papel. Devido prpria simultaneidade da informao e da programao eletrnica, j no existem propriamente espectadores. Todo mundo faz parte do elenco. (McLuhan).

    1 Introduo

    S consegue a ateno do outro quem tiver a melhor histria para contar. O professor,

    em sala de aula, est disputando a ateno do aluno, principalmente com eventos da mdia que

    hoje programa a vida diria de todos. Christian Salmon, em 2007, demonstrou que o

    storytelling era uma mquina de fabricar histrias, a fim de formatar espritos. No por caso,

    portanto, que est havendo um boom de narrativas de vida, principalmente na mdia, onde

    tudo se torna produto venda. Descobriu-se que a narrativa revela o mais ntimo das

    problemticas humanas, at mesmo os instintos primordiais, de um modo quase subliminar. O

    professor deve ser o primeiro a acreditar que as narrativas que faz tm a inteno de persuadir

    e no s de passar conhecimentos. Estes serviro de passaporte para que um aluno adentre,

    como cidado capaz, o jogo social, na disputa de espao e construa sua prpria histria. que

    vivemos a era da Economia da Ateno j que at esse objeto a ateno - passou a ser uma

    mercadoria venda na era do consumismo.

    Os heris lendrios, mticos e msticos das epopias clssicas, com capacidades

    extraordinrias e caracteres de deuses, com o advento das novas tecnologias, que

    democratizaram o contador de histrias, cederam espao ao heri do cotidiano, de uma

    wikiciberepopia4. A ideia de epopia retomada aqui, no mais como as narrativas de

    faanhas de heris memorveis, lendrios e que representavam uma coletividade, mas sim, os

    heris das novas tribos que se cruzam na Internet. Metaforicamente, estamos dentro de um

    bigbrother: somos vigiados por aparelhos durante quase todas as horas do dia; a vida de

    todos est no grande palco do cotidiano; onde se vestem mscaras sociais. McLuhan (1969, p.

    1) profetiza essa era ao dizer que pblico hoje assumiu um novo papel, devido prpria

    4 Wiki tem idia de rpido e o personagem atual, o homem moderno, um heri olimpiano e passageiro, de uma histria que flui na prpria vida, com comeo, meio e fim de episdios que podem aparecer nas mdias, j que o ato de narrar saiu das mos dos profissionais da narrativa para dar voz a todos que queiram se autonarrar em qualquer mdia social na Internet, para contar algo que valha a pena ser contado. No h quem no tenha uma histria interessante em sua vida. Ciber vem de ciberespao, ou espao cbrido, principalmente com a web 2.0, das mdias sociais

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    simultaneidade da informao e da programao eletrnica, j no existem propriamente

    espectadores e todo mundo faz parte do elenco. Essa era de interatividade cultural e do

    reaproveitamento de signos, formando a chamada Cultura da Convergncia, segundo Henry

    Jenkins (2008, p. 27). Nela, at as crianas se servem de linguagens hbridas (verbal ou no)

    para recontar vidas, com novos suportes mveis ou fixos. Eles manipulam vdeos, Ipod,

    celulares, Internet, com eficcia, antes mesmo dos professores os usarem. Aparece a cultura

    do f, usurio de narrativas que apreende e transforma contedos, dando-lhe novos

    significados. Leitores de Harry Potter, escrevam suas prprias histrias, tendo como

    protagonista esse heri ou a si mesmos, com os mesmos poderes que ele. Agir, vestir

    indumentrias, ter os mesmos trejeitos um modo do f sentir-se o mesmo heri, na vida real

    ser autor e leitor ao mesmo tempo da mesma narrativa. Deve-se considerar, ainda, os

    executivos que, por sua vez, tm interesses econmicos e se debatem no controle de franquias

    das histrias que se tornam famosas e produzem at bonecos dos heris, para ser mais um

    produto venda. O consumismo fez tudo virar mercadoria venda. A publicidade vende

    objetos como fetiches e que tudo realizam. O storytelling publicitrio narra a disputa de

    objetos entre pessoas, na luta pelo espao de vida. Se o cavaleiro medieval vencia batalhas,

    com um cavalo possante, armadura, lana, escudo, o homem moderno precisa de um carro

    possante, roupa de grife, carto de crdito, celular etc.

    Assim sendo, objetos similares so equivalentes nas narrativas, em pocas diferentes.

    Cada nova narrativa, de acordo com o meio ideolgico em que vige, muda apenas seu nvel de

    superfcie, de acordo com os diferentes interesses de vida de diferentes civilizaes; o nvel

    profundo, porm, continua sendo sempre a luta pela sobrevivncia da prpria espcie. Mais

    uma prova que o meio a mensagem. Assim, Jenkins (2008, p.27), mostra como fenmenos

    populares levaram a narrativa a novos patamares, onde atua a mutidisciplinaridade. Matrix,

    por exemplo, criou um complexo universo que junta histrias em quadrinho, games, websites,

    animaes entre outros alm de fazer a convergncia de diferentes culturas, como a greco-

    romana moderna. Ele entendeu que todo usurio pode se tornar tambm produtor de uma

    nova narrativa, servindo-se de narrativas j existentes. A facilidade de uso das novas

    ferramentas das tecnologias permite re + significar enredos. Hoje, esse ato dispensa o

    narrador profissional, j que o narrar democratizou-se. Basta que o sujeito se debruce sobre

    obras j consagradas, as reformule, acrescentando-lhes nuanas modernas e tudo se

    ressignificas. A Cultura da Convergncia se d no s produo miditica, mas em todos os

    setores da vida moderna, onde a informao est no ar. Ela trata praticamente dos mesmos

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    temas explorados pelas concorrentes, rivais, ou mesmo por pares de uma mesma tribo,

    provocando uma espcie de inteligncia coletiva. O consumidor vai deixando de ser passivo

    para se tornar o agente de uma cultura complexa, cada vez mais coletiva e participativa,

    sempre de modo dialgico, com outras pocas e com outros narradores.

    Aparece, ento, o transtorytelling: uma mesma histria que serve para diferentes usos,

    mas com intromisses co-autorais com imprevisveis desfechos; ou ainda, diversas histrias

    que se tramam em uma nica narrativa. Jenkins (2008, p.28) entende que a Cultura de

    Convergncia se d tanto no fluxo de contedos atravs de mltiplos suportes miditicos,

    como na cooperao entre mltiplos mercados miditicos, bem como no comportamento

    migratrio dos pblicos dos meios de comunicao midiada, j que eles vo a quase qualquer

    parte em busca das experincias de entretenimento que desejam. Nem se trata, tambm, da

    simples convergncia de diferentes ferramentas em um mesmo aparelho, como acontece com

    o celular que desempenha mltiplas funes ao se tornou cmera fotogrfica, objeto de

    entretenimento com jogos de vdeo game, calendrio, relgio, agenda entre outras.

    2. A autoria coletiva

    O storytelling de autoria mais coletiva do que individual. preciso acreditar no

    poder do storytelling, j que ele est mais vivo do que nunca. Acaba de ser lanado, por