TCC FORMATADO 4

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  • 8/11/2019 TCC FORMATADO 4

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    Paco Stefano Dadda Garcs

    Lionel Tertis e William Primrose:

    a divulgao da viola no incio do sculo XX

    Trabalho apresentado ao Departamento deMsica da Escola de Comunicaes e Artes dani!ersidade de S"o Paulo# formulado sob aorienta"o do Prof$ Marcelo %aff# para aConclus"o de Curso de &acharel em Msica

    com habilita"o em 'iola de Arco$

    CM(ECA(SP

    S"o Paulo# )*+,

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    Epigrafe

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    AG-ADEC.ME/T0S

    Agradeo a

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    -ESM0

    O presente trabalho objetiva relacionar o desvelar da viola nas primeiras dcadas do sculo

    XX e as carreiras de Lionel Tertis e William Primrose Para isto! ser" necess"rio voltar #s origens da

    $am%lia do violino para entender o por&u' desse aparente desinteresse pela viola como instrumento

    solista! seguido de uma e(plana)o sucinta do uso da viola nos repert*rios de or&uestra e c+mara at

    o sculo X,X Ap*s isso! o momento de e(aminar a biogra$ia de ambos violistas com en$o&ue na

    maneira como $oi $eita a divulga)o de seu instrumento! seja na utili-a)o de transcri.es ou

    estreitando a rela)o com compositores de seu c%rculo! em busca de maior espao para atua)o ereconhecimento do grande p/blico

    PA1A'-AS(C2A'E

    Lionel Tertis0 William Primrose0 1iola

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    SM3-.0

    Lista de iguras 4se houver5 p

    ,ntrodu)o p

    6ap%tulo 78 Origem da $am%lia do violino p

    77 Primeira $ase p

    72 9egunda $ase p

    73 Terceira $ase p

    6ap%tulo 28 Apontamentos anal%ticos p

    27 :e$erencial te*rico p

    22 Sonata op. 12, n.3 p

    227 1 movimento: Allegro p

    222 2 movimento: Andante p

    223 3 moviment: Presto p

    6onclus)o p

    ;ibliogra$ia p

    Ap'ndices 4se houver5 p

    Ane(os 4se houver5 p

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    1ista de 4i5uras

    ig 7 = 6ompara)o de um instrumento moderno e do sculo X1,,0

    >

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    ./T-0D670

    ?o caso de um instrumento musical! a divulga)o e$ica- &uando este se torna conhecido

    do grande p/blico O $ato de ser aceito ou n)o depende da ade&ua)o aos padr.es estticos vigentes

    Ao contr"rio de seus parentes violino e violoncelo! &ue des$rutaram de consider"vel prest%gio desde

    o in%cio do sculo X1,,! a viola $oi pouco e(plorada como instrumento solista at a chegada do

    sculo XX Os motivos desta neglig'ncia pelos compositores e intrpretes podem ser e(plicados por

    &uest.es de gosto! cujo brilho e tessitura do violino se ad&uam #s e(ig'ncias estil%sticas da poca!alm de di$iculdades em manusear as violas de grande porte usadas ent)o 6omo conse&@'ncia da

    escasse- de repert*rio! a viola passou &uase despercebida por sculos

    ?esta pes&uisa! vamos $ocar nas $erramentas utili-adas pelos violistas Lionel Tertis e

    William Primrose em busca da di$us)o de seu instrumento no meio musical Para tal $eito! ambos os

    instrumentistas valeram=se! alm de muita consist'ncia no manuseio da viola! de recursos como

    transcri)o de obras consagradas em outros instrumentos! visto &ue o repert*rio viol%stico

    di$icilmente $orneceria material para preencher um recital! e atua)o intima ao lado de compositores

    com a $inalidade de estimular novas composi.es para seu instrumento

    Tertis iniciou o processo de divulga)o da viola em 7B>! uma poca em &ue! mesmo em

    pa%ses com intensa atividade musical como a ,nglaterra! era um instrumento desconhecido ou

    &uando reconhecido! recebia coment"rios com conota)o depreciativa Primrose! violista atuante

    por volta da segunda dcada de 7BCC! j" tinha o terreno preparado para sua atua)o alm de um

    repert*rio mais $arto e graas a suas &ualidades terminou o processo iniciado por Tertis

    Paralelamente # popularidade desses dois artistas a viola consolidou=se na posi)o de solista

    6omo $onte primordial desta pes&uisa! utili-amos a autobiogra$ia de Lionel Tertis e o livro

    DPlaEing the violaF! uma espcie de entrevista $eita a Primrose por Gavid Galton! aluno e amigo do

    violista! para desvendar seus papis na divulga)o da viola A pes&uisa inicia=se com o retorno ao

    sculo X1, e os prim*rdios da $am%lia do violino! para entender o processo de reclus)o da viola

    Logo ap*s $eita uma e(posi)o sucinta das principais obras para viola e sua $un)o em conjuntos

    de c+mara e or&uestrais at o sculo X,X Por $im! abordamos a vida e campanha dos violistas

    Lionel Tertis e William Primrose em bene$%cio da viola

    H

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    Cap8tulo +9 0ri5em da fam8lia do !iolino

    Os instrumentos da $am%lia do violino! tal &ual o conhecemos hoje! s)o $ruto de um processo

    de sculos de trans$orma.es! impossibilitando a tare$a de atribuir sua cria)o a algum 9egundo

    ;oEden! o termo DviolF tem origem italiana e era usado no sculo X1, para re$erir=se a

    instrumentos de $am%lias distintas! onde o su$i(o da palavra indicaria suas caracter%sticas 4viol+one,

    viol+ino, viol+etta5 7 I t)o variada sua utili-a)o! dependendo do pa%s! &ue se torna imposs%vel

    deci$rar sobre &ual instrumento os autores da poca se re$eriam 9omente no in%cio do sculo X1,,

    os italianos adotaram uma nomenclatura clara para distinguir as principais $am%lias das cordas8violas da gamba con trasti 4violas Jda pernaK! &ue possu%am trastes5 e violas da bracciosenza tasti

    4violas Jdo braoK sem traste! ou violinos5 Go mais agudo pro mais grave eram chamados de

    soprano de viola da braccio (violino)! alto de viola da braccio (viola),tenor de viola da braccio

    (violoncelo)e basso de viola da braccio 4contrabai(o5

    Apesar das incerte-as podemos a$irmar &ue seu nascimento se deu em meados do sculo

    X1,! descendendo diretamente da $am%lia das rabecas A documenta)o pict*rica mais conhecida

    &ue representa a $am%lia do violino em seus prim*rdios uma pintura do santu"rio de 9aronno

    4cidade ao norte da ,t"lia! pr*(ima de il)o5! datada de apro(imadamente 7

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    centros de irradia)o de cultura Alm disso! :oma tornava=se a nova sede da ,greja 6at*lica! a

    mais rica institui)o Ocidental da poca! acumulando poder! ri&ue-a e in$lu'ncia pol%tica

    Onde h" poder! ri&ue-a! $lu(o comercial! produ)o intelectual! e(iste demanda para art%$ices

    e! conse&@entemente! produ)o art%stica abundante O ambiente era prop%cio a e(perimenta)o e a

    aplica)o dos ideais da antiguidade 6l"ssica! moldados aos anseios da&uela sociedade Pode=se

    di-er &ue o violino a adapta)o de uma $erramenta de origem remota! visando atender

    necessidades e(pressivas da esttica europia I a este conte(to &ue a $am%lia do violino deve sua

    cria)o

    1.1 Caracterizao e ascenso da famlia do violino no sculo XVI

    A ades)o de uma &uarta corda 4a corda aguda tanto em violinos &uanto violas5 acontece por

    volta de 7

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    D?*s chamamos violas da gamba a&uelas com as &uais cavalheiros! mercadores e outras

    pessoas virtuosas passam seu tempo O outro tipo chamado violino0 comumente utili-ado para

    dana Mu n)o ilustrei o dito violino por&ue voc' pode imagin"=lo como algo semelhante # viola da

    gamba! alem do &ue h" pouca gente &ue o e(ecuta! salvo a&ueles &ue o usam pro$issionalmenteF3

    ?essa poca! ocorrem aper$eioamentos na $isionomia da $am%lia do violino impulsionados

    pela sua compatibilidade com o movimento musical embasado no canto &ue se desenvolvia I no

    in%cio do sculo X1,, &ue vemos o $lorescer de um estilo oper%stico di$erente dos antigos motetos e

    madrigais! representado por 6laudio onteverdi! &ue tem como caracter%sticas a ornamenta)o

    abundante! harmonias audaciosas! instrumenta)o de$inida e! o mais interessante8 a busca pelo

    cantabile 6ada ve- mais essa busca incitava instrumentistas e luthiers a assemelhar as capacidades

    e(pressivas do instrumento # vo- humana uito re&uisitada! a $am%lia do violino passa a integrar

    e(tensivamente os grupos or&uestrais e acaba suplantando a $am%lia da viola da gamba

    ?a troca de hegemonia da $am%lia das gambas para violinos e(iste uma pre$er'ncia not*ria

    pelo soprano 4violino5! principalmente nas e(press.es art%sticas da ,t"lia ?)o compete a esta

    pes&uisa esmiuar o por&u' dessa preval'ncia sobre as demais! porm! t'=lo em perspectiva nos

    au(ilia a entender a $un)o recorrente da viola! resignada a um papel coadjuvante! &uase sempre de

    preenchimento harmSnico

    1.2 A Viola -Luthieriade Cremona e Brescia

    As dimens.es ideais de uma viola ainda hoje s)o $ruto de muita controvrsia! e(istindo

    basicamente dois tamanhos8 o contralto! com mdia de C cm de corpo! e o tenor! acima de > cm

    Mspecula=se &ue nos prim*rdios constru%am=se violas de pe&ueno porte por comodidade do

    e(ecutante! a$inal de contas nove entre de- violistas eram violinistas Ao passo &ue a manipula)o

    de um instrumento pe&ueno permite mais agilidade! perde em sonoridade por conta da diminuta

    cai(a de resson+ncia O bene$%cio de possuir uma viola grande reside na robuste- sonora!especialmente nas cordas graves! porm mais desgastante devido ao peso do instrumento e

    distancia entre os tons

    9abemos &ue para a e(ig'ncia tcnica do repert*r