Click here to load reader

Técnicas respiratórias em recém-nascidos ... 1 Técnicas respiratórias em recém-nascidos acometidos pela doença da membrana hialina e displasia broncopulmonar em unidade de terapia

  • View
    2

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Técnicas respiratórias em recém-nascidos ... 1 Técnicas...

  • 1

    Técnicas respiratórias em recém-nascidos acometidos pela doença da

    membrana hialina e displasia broncopulmonar em unidade de terapia

    intensiva neonatal

    Manoella Ribeiro Muniz¹

    [email protected]

    Profa Me Dayana Priscila Maia Mejia²

    Pós-graduação em fisioterapia em pediatria e neonatologia – Faculdade Sul-Americana/FASAM

    Resumo

    A doença da membrana hialina (DMH), também chamada de síndrome do desconforto

    respiratório (SDR), é um distúrbio do desenvolvimento pulmonar, geralmente associada à

    prematuridade de baixo peso, provocada pela deficiência de surfactante, sendo uma das

    causas mais comuns de morbidade dessa classe. A sobrevida das crianças acometidas pela

    síndrome do desconforto respiratório tem aumentado, dando origem a um grupo de crianças

    com comprometimento respiratório crônico, portadoras da doença displasia broncopulmonar

    (DBP) caracterizada pela dependência de oxigênio e alterações radiológicas crônicas além

    de 36 semanas de idade pós-natal. O papel da fisioterapia em prematuros tanto com SDR

    quanto com DBP é de otimizar a função respiratória de modo a facilitar as trocas gasosas e

    a adequar a relação ventilação-perfusão, diminuir o trabalho respiratório, prevenir e tratar

    as complicações pulmonares, entre outros, através de recursos, como vibração e

    vibrocompressão, bag squeezing, aceleração do fluxo expiratório (AFE), reequilíbrio tóraco-

    abdominal, aspiração das vias aéreas e posicionamento. Para essa revisão, pesquisas foram

    feitas na internet por meio de consulta nas bases de dados eletrônicos SciELO, MedLine e

    Lilacs, selecionando os artigos mais relevantes sobre o tema, como também na biblioteca

    pessoal. Em conclusão, a fisioterapia neonatal tem bastante eficácia no tratamento de recém-

    nascidos pré-termos acometidos pela DMH e DBP, reduzindo os efeitos e possíveis

    complicações da doença, como atelectasias, DBP, acúmulo de secreção, alteração da

    mecânica ventilatória.

    Palavras-chave: Técnicas Fisioterapêuticas; Doença da Membrana Hialina; Displasia

    Broncopulmonar.

    ¹ Pós graduando em fisioterapia em pediatria e neotalogia

    ²Orientador(a) Profa Me Dayana Priscila Maia Mejia

    mailto:[email protected]

  • 2

    1 Introdução

    Segundo Mello, Dutra e Lopes (2004), as doenças respiratórias agudas, nos países em

    desenvolvimento, são responsáveis por um terço das mortes e pela metade das hospitalizações

    em menores de cinco anos, sendo agravadas por diferentes fatores. Dentre esses fatores estão

    o baixo peso ao nascer, a desnutrição, a falta de imunizações e fatores sociais.

    Porém, os avanços na prevenção e no tratamento com novas técnicas de cuidados intensivos

    da síndrome do desconforto respiratório neonatal (SRD) têm proporcionado, nas últimas

    décadas, o aumento de sobrevida de prematuros de baixa idade gestacional, trazendo várias

    seqüelas, como a displasia broncopulmonar (DBP). Isso é fator resultante no aumento

    progressivo de incidência de doenças pulmonares crônicas durante a infância, o que leva a

    uma morbimortalidade mais tardia (FRIEDRICH; CORSO; JONES, 2005; MELLO; DUTRA;

    LOPES, 2004).

    1.1 Sistema Respiratório do Recém-Nascido

    O sistema respiratório sofre importantes alterações estruturais no decorrer de seu

    desenvolvimento intra-uterino. O grau de desenvolvimento de um pulmão com 24-26 semanas

    é muito diferente do pulmão de 30-32 semanas de idade gestacional. As vias aéreas se

    formam completamente no período pseudoglandular do desenvolvimento pulmonar fetal, que

    compreende a 16ª semana (FRIEDRICH; CORSO; JONES, 2005; SUGUIHARA; LESSA,

    2005).

    Entre a 16ª e 26ª semana, caracterizado como período canalicular, ocorre diferenciação dos

    pneumócitos II, início do desenvolvimento da circulação pulmonar e dos sáculos finos, tendo

    as vias aéreas aumentadas de calibre e viável para troca gasosa. A partir da 26ª semana,

    começa o estágio sacular, onde esses sáculos crescem, o espaço intersticial diminui, os

    bronquíolos se desenvolvem e os ácinos se formam, que se estende até a 32-36 semanas de

    idade gestacional (FRIEDRICH; CORSO; JONES, 2005; SUGUIHARA; LESSA, 2005).

    De acordo com Friedrich, Corso e Jones (2005), em seguida, dá-se continuidade ao estágio

    sacular, marcado pelo crescimento progressivo dos alvéolos, desenvolvendo-se até os 3 anos

    de idade pós-natal e seguem se multiplicando e aumentando de volume até o início da idade

    adulta.

    Friedrich, Corso e Jones (2005) dizem que após o nascimento, o sistema cardiocirculatório

    sofre alterações fisiológicas, permitindo que os prematuros fiquem precocemente expostos a

    fatores potencialmente prejudiciais aos seus pulmões. Assim, a respiração ativa, a queda

    abrupta da resistência vascular pulmonar e o aumento da perfusão sangüínea para estes

    órgãos, eventos desencadeados pelo meio extra-uterino, interrompem o desenvolvimento

    normal dos alvéolos e da vascularização do pulmão, o que levarão a alterações estruturais

    pulmonares persistentes e, conseqüentemente, ao aumento da incidência de morbidades

    respiratórias posteriores.

    1.2 Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-Nascido

    A síndrome do desconforto respiratório (SDR) é um distúrbio do desenvolvimento pulmonar,

    geralmente associada com o nascimento prematuro de baixo peso, sendo uma das causas mais

    comuns de morbidade em recém-nascidos pré-termo (RNPT). Entre os óbitos relacionados a

    problemas respiratórios que ocorrem no período neonatal, cerca de 80 a 90% dos casos

    referem-se a RN com SDR (CONSOLO; PALHARES; CONSOLO, 2002).

  • 3

    Também chamada de doença da membrana hialina (DMH), a SDR é provocada pela

    deficiência de surfactante, fato descoberto em 1959. Essa deficiência se deve à falta de sua

    produção endógena, decorrente da imaturidade pulmonar (FREDDI; PROENÇA FILHO;

    FIORI, 2003).

    Conforme Brunherotti, Viana e Silveira (2003), os critérios clínicos para diagnosticar essa

    doença foram aumento da freqüência respiratória, cianose persistente, escore Silverman-

    Anderson maior ou igual a 7 pontos, raio-X com imagem de padrão reticulogranular difuso

    em ambos os pulmões, com broncogramas aéreos de intensidade variável, e valores

    gasométricos PaO2 < 50mmHg, PaCO2 > 60mmHg e pH < 7,25 (Figura 1).

    Figura 1 - Escore de Silvermann

    Fonte: POSTIAUX, 2004.

    A deficiência do surfactante leva ao aumento da tensão superficial, ocasionando colapso

    alveolar, onde este causa hipoperfusão e lesão do epitélio alveolar. Assim, ocorre aumento da

    permeabilidade dos capilares e extravasamento de plasma e sangue para os espaços

    alveolares, apresentando edema hemorrágico, atelectasias em faixas e formação da membrana

    hialina, oriundas de líquido contendo proteínas e fragmentos celulares no interior dos

    alvéolos. As membranas hialinas circundam os condutos acinares e os alvéolos prejudicial às

    trocas gasosas (POSTIAUX, 2004; SARMENTO, 2007).

    Segundo Postiaux (2004), a sobrevida das crianças acometidas pela síndrome do desconforto

    respiratório tem aumentado devido ao desenvolvimento dos métodos de cuidados intensivos,

    por conseguinte, mantendo vivos os RN que apresentam graus mais graves de acometimento

    respiratório crônico, denominado displasia broncopulmonar, que é uma reação inespecífica do

    pulmão a um acometimento agudo de lenta resolução, como a DMH, que é a sua causa mais

    frequente. (Figura 2).

    Na presença do diagnóstico da síndrome, a primeira indicação de tratamento é a terapia com

    surfactante, que se tornou rotina nas unidades de terapia intensiva neonatais, a partir do início

    dos anos 90, trazendo evidentes efeitos benéficos, sendo os mais marcantes a redução da

    mortalidade e da ocorrência de pneumotórax (FREDDI; PROENÇA FILHO; FIORI, 2003).

    Outros efeitos do surfactante englobam a diminuição da necessidade de suporte ventilatório

    para manter uma adequada troca gasosa, reduzindo o risco de volutrauma/barotrauma e de

    toxidade do oxigênio, o aumento da capacidade residual funcional (CRF), a melhora do

    coeficiente ventilação-perfusão e a diminuição do shunt intrapulmonar. A função principal do

  • 4

    surfactante é recrutar alvéolos e prevenir atelectasias (ABREU et al., 2006; SUGUIHARA;

    LESSA, 2005).

    Figura 2 - Fonte: POSTIAUX, 2004.

    1.3 Displasia Broncopulmonar

    Inicialmente descrita por Northway et al, em 1967, a displasia broncopulmonar (DBP) era

    definida como uma doença pulmonar crônica que acometia recém-nascidos prematuros com

    SDR, submetidos à ventilação mecânica prolongada com altos níveis de pressão e frações

    inspiradas de oxigênio (FiO2). Posteriormente, em 1979, Bancalari descreveu a DBP como

    insuficiência respiratória no neonato que necessitou de ventilação mecânica por no mínimo 3

    dias, e