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Tecnologia Textil - Apostilha tecnica

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Excelente apostila.Descubra como se faz tecidos.

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  • 1. MINISTRIO DA EDUCAOSECRETARIA DE EDUCAO PROFISSIONAL E TECNOLGICACENTRO FEDERAL DE EDUCAO TECNOLGICA DE SANTA CATARINAUNIDADE DE ENSINO DE ARARANGU CURSO TXTIL EMMALHARIA E CONFECOMDULO 2INTRODUO TECNOLOGIA TXTILPROFESSORA: GISLAINE DE SOUZA PEREIRA ARARANGU

2. O Processo Produtivo da Cadeia TxtilA seguir, ser abordado o processo produtivo txtil e suas caractersticas; sero descritos tambm osprincipais elos componentes da cadeia txtil. Segundo IEL (2000), a definio da cadeia produtivatxtil tem seus contornos bsicos definidos na figura abaixo: Algodo Poliamida Seda Polister Linho ElastanoViscoseL PolipropilenoAcetatoJuta Fibras SintticasFibras Artificiais Fibras Naturais Fiao MalhariaTecelagem AcabamentoConfeco Desenho 1: A Cadeia Txtil - Fonte: IEL (2000, p. 21).A cadeia produtiva txtil, conforme a figura acima, integra a produo de fibras (sintticas,artificiais e naturais), fiao, tecelagem e malharia, estamparia, acabamento/beneficiamentoabastecendo as indstrias do setor de confeces. 2 3. Para o Sebrae SP e o IPT Instituto de Pesquisas Tecnolgicas (2001, p. 5), a indstria txtil constituda dos segmentos de fiao, tecelagem e acabamento de fios e tecidos, sendo que osegmento de tecelagem subdivide-se, por sua vez, em tecelagem plana e malharia. Cada um destessegmentos pode oferecer ao mercado um produto acabado e pode na prtica, estar desconectado dosdemais. Afirma ainda o Sebrae SP & IPT (2001, p. 5), que embora os segmentos ou etapas doprocesso se interliguem pelas caractersticas tcnicas dos produtos a serem obtidos, essas etapas noprecisam necessariamente serem todas internalizadas pelas empresas.As atividades produtivas do segmento txtil so atividades interdependentes, porm com relativaindependncia dentro do processo produtivo, o que permite a coexistncia de empresasespecializadas e com diferentes graus de atualizao tecnolgica. O resultado de cada etapa deproduo pode alimentar a etapa seguinte, independentemente de fatores como escala e tecnologiade produo.Desta forma, existem indstrias txteis que possuem somente o subsetor de fiao, atuando comofornecedor para as indstrias que atuam nos subsetores de malharia e tecelagem plana, assim comoexistem indstrias totalmente verticalizadas, onde atuam em todos os subsetores produtivos txteiscomo fornecedores para as indstrias de confeco e vesturio.A figura abaixo apresenta os principais elos entre os subsetores do complexo txtil:Fornecedores Setor Txtil Clientes IndustriaisConfeco do VesturioMquinasConfeco de AcessriosTecelagem P lana, Beneficiamento eFibras NaturaisFiaoMalharia e Notecido Estamparia Artigos para o Lar Fibras Artificiais e Sintticas Artigos Tcnicos e Industriais CorantesDesenho 2: Principais Segmentos do Complexo Txtil - Fonte: Filho et al. (1997, p. 64).Conforme o ilustrado na figura acima, os segmentos de mquinas e de fibras so fornecedoresindustriais do setor txtil, sendo que o segmento de confeces do vesturio o principal cliente dosetor. Porm, os segmentos dedicados produo de bens de uso domstico, hospitalar e industrialapresentam crescente participao na absoro da produo txtil mundial.Em suma, os artigos produzidos pelo setor txtil podem ser agrupados em quatro grandessegmentos: fios txteis, tecidos, malhas, notecidos, beneficiamento e acabamento de tecidos planose malhas.3 4. Os Fios Txteis e a Tecnologia da FiaoO fio txtil o produto final da etapa de fiao, sendo que sua caracterstica principal o dimetroou espessura (tecnicamente chamado de ttulo do fio). O fio txtil pode ser fabricado a partir defibras naturais, artificiais e sintticas, que so a matria-prima utilizada. No que concerne ao tipo dematria-prima utilizada no Brasil, constata-se que cerca de 70% desta fibra de algodo, 25% defibras artificiais e sintticas e 5% de linho, l, seda, e outras.O processo de produo de fios, tambm chamado de fiao, compreende diversas operaes pormeio das quais as fibras so abertas, limpas e orientadas em uma mesma direo, paralelizadas etorcidas de modo a se prenderem umas s outras por atrito. Entre estas operaes temos: abertura eseparao das fibras, limpeza, paralelizao parcial e limpeza, limpeza e paralelizao final,regularizao, afinamento, toro e embalagem. FardosMatria-Prima Alimentador Misturador Abertura eSeparao Abridordas Fibras Batedor Limpeza Paralelizao Parcial eCarda LimpezaLimpeza e ParalelizaoPenteadeira Final PassadorPassadorRegularizao MaaroqueiraMaaroqueiraAfinamento Filatrios FilatrioFilatrio Open End de Anis de Anis ToroBobinadeira BobinadeiraEmbalagemFios CardadosFios CardadosFios PenteadosOpen EndProduto+ grossos+ finos+ grossosFinal + fracos+ fortes + fracosDesenho 3: Fluxograma do Processo de Fiao - Fonte: Mariano (2002, p. 20). 4 5. Perante o fluxograma ilustrado na figura acima, temos trs tipos de fios determinados pelo seu fluxoprodutivo, que inicia-se no depsito de fibras pelos fardos de algodo estocados e se estende at area que prepara seu acondicionamento para ser enviado para o setor de malharia ou tecelagem,quando produzido em uma empresa com cadeia produtiva integrada ou enviado para um clienteexterno, ou seja, quando produzido o fio para fornecimento a outras empresas txteis. Conforme ofluxo produtivo pode-se ter: Fios Penteados, Fios Cardados e Fios Cardados Open End.Fios PenteadosProduzidos a partir do sistema de filatrio anel (tambm chamado de mtodo convencional). O fio produzido passando pelo processo de penteagem que retira da matria-prima as impurezas e fibrascurtas. Na fase de fiar (filatrios), passa pelo filatrio de anis. Apresenta seis fases deprocessamento e utiliza mais pessoas, maior nmero de mquinas e, tambm uma maior reaconstruda. Uma das vantagens deste sistema a flexibilidade de produo, pois permite produzirfios de qualquer espessura, alm de produzir um fio de maior resistncia e conseqentemente, demaior valor agregado.Fios CardadosFios tambm produzidos a partir do sistema anel (mtodo convencional), porm apresenta uma fasea menos do que os fios penteados, justamente a fase de separao das fibras curtas das longas, queconforme a ilustrao acima, realizada com os fios penteados, gerando, desta forma, fios maisfracos e grossos do que os fios penteados.Fios Cardados Open EndOs fios produzidos por esse processo so mais grossos e fracos. So produzidos pelo menor fluxoprodutivo entre os tipos de fios, passando pela carda, passador e filatrio a rotor (open end).A capacidade produtiva de uma fiao determinada pelo tipos de filatrios utilizados. Existem trstipos bsicos que se distinguem pela velocidade de produo, pelos nveis de automao atingidos epela qualidade e espessura do fio produzido. So eles: os filatrios de anis, de rotores ou open ende os filatrios jet spinner.Os filatrios de anis realizam o estiramento do pavio de algodo conjugado com uma toro do fio.So bastante versteis, pois possibilitam a produo de fios de todo tipo de espessura. Os filatriosde rotores ou open end, possuem uma maior produtividade que os filatrios de anis, porque podematingir maior velocidade de produo. Este tipo de fiao elimina algumas etapas de produo queexistem na fiao de anis, porm, sua produo limitada produo de fios mais grossos comresistncia inferior ao fio de mesma espessura produzido pelo filatrio de anis. Estes fios sodestinados em grande parte produo de tecidos tipo ndigo (jeans). Os filatrios jet spinnerpossibilitam maior produtividade do que os anteriores, tambm podem ser destinados produo defios mais finos. Este equipamento recente em nvel mundial e, no Brasil, sua utilizao bastanterestrita.5 6. I. Titulao dos Fiosi. HistricoOs mais antigos documentos situam os primrdios da titulao de fios ao sculo XVI, na Frana,quando o ttulo de um fio de seda era dado pelo peso de 8 meadas com comprimento de 120 varascada, totalizando 9.600 varas. O comprimento de uma vara era baseado na medida do brao humanoe variava de pas para pas, correspondendo a 1,125 m na Frana, de maneira que 9.600 varascorrespondiam a 10.800 m (na Inglaterra uma vara correspondia a 1,143 m ou 45 polegadasinglesas).Um dos primeiros atos de Francisco I quando assumiu o reinado da Frana (entre 1.515 e 1.547d.C.), foi introduzir a manufatura da seda em Lyon, Paris, St. Etienne e outras cidades, o que lhevaleu o ttulo de Pai da Indstria da Seda. Ele estabeleceu que o fio dessa fibra seria, a partir deento, dimensionado pela quantidade de deniers necessrios para equilibrar uma balana que tinhaem outro prato meada de fio com 400 varas (450 m) de comprimento.O denier a palavra francesa do original latinodenarius (que deu origem, em portugus, palavradinheiro), e era o nome de uma pequena moeda (figuraao lado), de baixo valor, utilizada antes e durante oimprio de Jlio Csar. Foi utilizada pela primeira vezfora de Roma durante a Guerra Glica (58 a 52 a.C.),onde hoje a Frana. Quando da morte de Jlio Csar(44 a.C.), a moeda deixou de ser utilizada e foiesquecida, at que Francisco I resolveu utiliz-la na Ilustrao 1: Denarius de Hadrian.titulao de fios de seda.Desta maneira, se a balana com 400 varas (450 m) de fio em um dos pratos era, por exemplo, eraequilibrada por 15 moedas, ento o fio de 15 deniers. Fios de 20 deniers e de 30 deniersnecessitam respectivamente, 20 e 30 moedas para equilibrar a balana com 400 varas (450 m) de fiode seda. Um denarius pesava 0,053 gramas.A partir de 1873, estabeleceu-se que o denier passaria a corresponder massa em gramas, de 9.000m de fio. Esse sistema ainda utilizado na titulao de fios de seda tendo j sido utilizado natitulao de fios em forma de filamentos contnuos, como a viscose, a poliamida e o polister, sendohoje substitudo pelo sistema decitex (ou, abreviadamente, dtex), que corresponde massa do fioem gramas para 10.000 m de fio.ii. Sistema Direto de TitulaoComo pode-se observar estes sistema possui a massa (em gramas) por comprimento (em metro) defio, diretamente proporcional sua espessura, (ou seja, pode-se afirmar que quanto maior amassa por comprimento de um fio, mais espesso ele