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Documento assinado elecoonicamenie. Esta assinaturaelactionica substitui a assinatura autgrafaOr(a). Joo Manuel Teixeira

Tribunal da Concorrncia, Regulao e Supervisol~ Juzo

PrDo Municpio, Ed Ex-Escola Prtica de Cavalaria -2005-345 SantarmTelef: 243090300 Fax: 243090329 Mau: tribunal.c.supervisaoQjtribunais.org.pt

Proc.N 3114.SYQSTR

52241

CONCLUSO - 26-05-2014 (24 sbado).

(Tenno eletrnico elaborado por Escrivo de Direito Isabel Mendes Porte/a)

=CLS=

SANEADOR- SENTENA

1. Valor da Causa

Nos termos do disposto no art 306, n 1, do Cd. Proc. Civil, fixa-se em

30.000,01 o valor da causa.

II. Da tramitao processual

Nos termos do disposto no art 42, n 1, do CPTA, a presente ao segue os

termos do processo civil.

***

III. Da dispensa da audincia prvia

Nos termos do disposto no art 593, n 1, 591, ai. d) e 595, n 1, ai. b), do CPC,

no sendo necessrias mais provas, dispensa-se a realizao da audincia prvia.

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Proc.N 3/14.8YQSTR

IV. Saneamento

O Tribunal o competente.

A petio inicial no inepta e o processo o prprio.

As partes tm personalidade e capacidade judicirias e esto devidamente

representadas.

*

3.1. Da legitimidade ativa da A..

A Lactogal Produtos Alimentares, S.A. (ora A.) veio propor ao administrativa

comum contra a Autoridade da Concorrncia (ora R.) pedindo (i) o reconhecimento do direito

emergente da deciso (tcita) tomada por essa entidade administrativa, de no oposio

operao de concentrao de empresas que consiste na aquisio pela A. da empresa Renoldy

Produo e Comercializao de Leite e Produtos Lcteos, Lda., deciso essa constituda no

dia 28/01/2012, nos termos do disposto no art 35, n 4, da Lei da Concorrncia (Lei n

18/2003, de II de junho) e (ii) a condenao da R. absteno de comportamentos que

contrariem esse direito da A..

A R. veio invocar, alm do mais, a exceo dilatria de exceo de ilegitimidade.

Para tanto, alegou, em sntese, que:

- a legitimidade, enquanto interesse direto em demandar, constitui um dos

pressupostos das aes e s existe interesse em demandar se for invocada uma incerteza

objetiva sobre a situao jurdica, como decorre expressamente do art 39 do CPTA;

nwnt

Tribunal da Concorrncia, Regulao e SupervisoU Juzo

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Proc.N~ 3/14.8YQSTR

- no caso sub judice no existe probabilidade da prtica de um ato lesivo dos

interesses da A.;

- analisando o caso concreto constata-se inexistir para a A. uma utilidade ou uma

vantagem imediata adviente da propositura da ao;

- insto porque no existe qualquer processo a correr na R., pois a A. requereu o

encerramento do mesmo;

- Ainda que assim no se entenda, no se formou o deferimento tcito, uma vez

que a A. retirou a notificao da operao de concentrao quando esta passou a investigao

aprofundada;

- Se a consolidao de um ato destacvel retira ao Autor a legitimidade para atacar

em juzo o ato final de um procedimento, por maioria de razo a desistncia de um

procedimento retira A. a legitimidade para atacar ou ver reconhecido qualquer direito que

real ou hipoteticamente se tenha formado por um ato destacvel, ainda que tacitamente

formado;

- a A. no tem legitimidade ativa porque no existe nenhuma relao entre esta e a

AdC, porque no existe nenhum processo, o que consubstancia uma exceo dilatria, nos

termos do disposto nos arts 493 a alnea a), do n 1, do art 494 do CPC;

Veio a A., na sua rplica, pugnar pela legitimidade.

Para tanto, alegou, em sntese, que:

- a noo de legitimidade est prevista no art 9 do CPTA e dispe que cabe ao A.

invocar uma relao material jurdico administrativa controvertida em que parte, para que o

pressuposto processual da legitimidade ativa se tenha por verificado;

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Proc.N 3/14.8YQSTR

- A A. esclareceu que na base desta ao est um conflito entre a A. e a R.,

relacionada com a divergncia de entendimentos sobre se existiu, ou no, uma aprovao

tcita de uma operao de concentrao;

- Existindo uma posio assumida pela R- de que inexiste tal aprovao tcita,

verifica-se existir uma relao material controvertida, improcedendo a exeo invocada;

- igualmente a inexistncia de um procedimento administrativo (de apreciao da

concentrao) em curso no afasta a existncia de uma questo jurdica a dirimir.

- A A. tem, portanto, legitimidade ativa, uma vez que existe uma relao material

controvertida entre esta e a R..

Apreciando e decidindo.

A AdC no tem razo.

No Cdigo do Processo dos Tribunais Administrativos (CPTA), o conceito de

legitimidade est especialmente previsto no au0 90

Nos termos deste artigo, o legislador implementou o seguinte regime:

- no art 9, n 2, do CPTA, indicou um conjunto de entidades que tm sempre

legitimidade processual em aes com um determinado objeto;

- no art 90, n 1, estabeleceu a regra geral da legitimidade.

E o art 90, n 1, do CPTA, dispe que o autor considerado parte legtima

quando alegue serparte na relao material controvertida .

Nas palavras de Mrio Aroso de Almeida/Carlos Fernandes Cadilha o artigo 9~

n1, toma posio explcita sobre a velha querela relativa ao critrio de determinao da

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legitimidade, dando como assente que a legitimao processual aferida pela relao

jurdica controvertida, tal como apresentada pelo autor

Ora, neste processo, a A. enunciou uma relao material controvertida o

dissenso entre a A. e a R. no sentido da verificao (ou no) da aprovao tcita de uma

operao de concentrao. Basta verificar a petio inicial e a contestao para se ter como

patente a relao material controvertida, nem se entendendo muito bem a alegao da R. no

sentido da inexistncia do elemento incerteza.

Nos termos da relao jurdica tal como apresentada pela A., esta apresenta-se

como tendo legitimidade.

Por outro lado, o interesse processual na procedncia da ao, para a A.,

evidente: no caso de procedncia da ao, produzem-se determinados efeitos Guizo de

aprovao tcita de uma concentrao) e condenao na absteno da prtica de atos que

contrariem esses efeitos.

Quer dizer: a procedncia da presente ao no conduz a uma sentena incua, em

termos de efeitos, para a A..

quanto basta para que se possa referir, sem qualquer dvida no nosso humilde

entendimento, que a A. parte legtima na presente ao.

A apreciao do pressuposto legitimidade autnoma da apreciao do mrito da

causa e, por isso, a alegao de que a A. retirou a notificao da operao de concentrao

quando esta passou a investigao aprofirndada irrelevante para estes efeitos.

Por conseguinte, para efeitos do art 9, n 1, do CPTA, a A. parte legftima na

presente ao, improcedendo a exceo dilatria de ilegitimidade invocada.

1 Aroso de Almeida/Fernandes Cadilha, Comentrio ao cPTA, 3 Ediao, Almedina, 2010, p.p. 70 e 71.

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*

3.2. Da exceo dilatria inominada do interesse em agir

Veio a R. alegar que a A. no teria interesse em agir.

Para tanto, alegou, em sntese, que:

- A A. no tem interesse em agir porque retirou a sua notificao e a AdC nada pode

fazer;

- A A. no pretende que a R. adote qualquer comportamento, do que resulta no ter

interesse em agir e logo no ter legitimidade para a presente ao;

- Pois a A. pretende que o Tribunal reconhea um putativo direito, que sabe no poder

exercer, por ter desistido do procedimento de notificao da concentrao;

- O pressuposto do interesse processual impe a existncia de interesse real e atual,

que se dever traduzir na utilidade retirada da procedncia do pedido;

- No se pode considerar verificado o interesse em agir, como correspondncia a um

facto exterior (idneo a produzir um srio prejuzo A.), facto este que se sustenta no

exerccio de poderes e competncias prprias da AdC;

- a A. pretende retirar a concluso de que o exerccio de competncias sancionatrias

por parte da AdC coloca em causa um direito que desconhece se efetivamente possui;

- verifica-se a falta de interesse em agir, o que dever determinar a absolvio da

instncia.

A A., na sua rplica, veio contrariar esta posio da R..

Para tanto, alegou, em sntese, que:

- o interesse em agir distingue-se da legitimidade;

Tribunal da Concorrncia, Regulao e Superviso1 Juzo

Pr.Do