Teoria Dos Privilégios - Will

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Teoria dos Privilgios: uma poltica da derrota21 de dezembro de 2014Categoria:Ideias & DebatesComentar|ImprimirA Teoria dos Privilgios floresce da inatividade das massas e dos oprimidos. Acaba no sendo uma teoria de luta, mas uma teoria do recuo. Ela falha no campo crucial: a luta real.Por WillNotas sobre a Teoria dos PrivilgiosIntroduo: o racismovive evidente que o racismo existe. Infiltra-se por todos os poros em nossa sociedade. Infecta todas as relaes sociais. E, obviamente, afeta o Occupy Wall Street (OWS).Todo mundo sabe que a diviso de riqueza, o nmero de encarcerados, a gentrificao, a defasagem na educao e tudo o mais so parte da opresso de classe e racial dos Estados Unidos. Tudo isso bvio. Uma questo mais politicamente controversa so as interaes sociais que so racializadas de forma negativa na nossa sociedade e especificamente no OWS. sempre doloroso porque, na melhor das hipteses, esperamos que os espaos do movimento sejam lugares onde as pessoas possam finalmente se relacionar em termos humanos, universais. No entanto, no uma surpresa que mesmo em espaos do movimento as pessoas experimentem o racismo. Nossa sociedade est saturada com ela, ento esperar relaes humanas no racializadas no movimento seria utpico.A combinao da opresso estrutural baseada em raa e classe, a histria do racismoe do capitalismo e como isso afeta as interaes das pessoas umas com as outras tm levado a uma escola de pensamento chamada de Teoria dos Privilgios. A Teoria dos Privilgios reconhece a opresso estrutural e histrica, mas mantm um foco exagerado sobre comportamentos e pensamentos individuais como a principal forma de abordar o racismo(e outras opresses, mas eu vou tender a me concentrar sobre o racismoe de classe). A Teoria dos Privilgios tem um conjunto de princpios bsicos:a)A Teoria dos Privilgios argumentaque os espaos do movimento devem ser seguros para todos os grupos oprimidos. Uma forma de tornar tais espaos seguros negociando as relaes entre uns e outros de formas no opressivas. Isto significa, por exemplo, que homens brancos heterossexuais deveriam falar menos ou pensar sobre seus privilgios quando se discute uma ao ou questo poltica.b)A Teoria dos Privilgios alega que a militncia e a sofisticao poltica so o domnio de uma elite privilegiada baseada em privilgios de classe, gnero e raa.c)A Teoria dos Privilgios atribui erros polticos e estratgicos aos privilgios pessoais que as pessoas carregam para dentro do movimento.d)A Teoria dos Privilgios busca lidar com essas questes primeiramente atravs da educao, com formaes e debates. Este artigo vai apontar falhas essenciais em todos os quatro princpios da Teoria dos Privilgios. Ele vai tentar apresentar algumas alternativas, mas reconhecendo que mais pesquisas e, sobretudo, mais lutas so necessrias para resolver alguns dos principais problemas com os quais se defronta o movimento.H certamente uma longa histria de pessoas de cor[1]enfrentando o racismodentro do movimento. No entanto, eles tm tendido a se concentrar ao redor de crticas organizacionais e programticas, reas onde as deficincias poderiam ser mais facilmente percebidas e enfrentadas. Por exemplo, se um grupo no se organiza em torno dos prisioneiros negros, isto pode ser enfrentado por meio de discusses polticas, mudando o programa do grupo e implementando uma diretiva de organizao voltada para os prisioneiros negros. Isto enfrentado pela Teoria dos Privilgios atravs da alegao de que o privilgio de uma pessoa cria um ponto cego para a realidade do encarceramento de homens negros.Outro aspecto da opresso que os tericos dos privilgios abordam so as interaes sociais. Contudo, torna-se muito difcil avaliar objetivamente se o olhar de um homem branco objetifica uma pessoa por causa da cor da sua pele; se um homem branco gritando com uma pessoa de cor deve-se raa ou se isto uma reao, desvinculada de raa e gnero, a diferenas polticas; ou se um homem branco est tomando muito espao devido aos seus privilgios ou porque ele precisa falar, porque ele simplesmente tem algo vlido/importante a dizer.No h dvida de que em qualquer organizao ou movimento onde isto um comportamento comum, as pessoas de corno vo participar ou vo sair depois de algum tempo. Mas, ao mesmo tempo, qualquer movimento/organizao que passe tempo demais discutindo isto no ser mais uma organizao/movimento de luta, e eventualmente as pessoas de corvo sair. Vai se tornar uma roda de conversa ou um coletivo de conscientizao. Numa poca em que o Departamento de Polcia de Nova York est matando negros e latinos com impunidade, escolas esto sendo fechadas em bairros de pessoas de cor, a propaganda anti-islmica imensa e imigrantes so deportados todos os dias, pouca gente vai se integrar a um grupo que foca somente nas relaes interpessoais. A chave entender as tenses e achar um balanceamento correto.Ao mesmo tempo, inegvel que muitas pessoas de coracreditam que esta seja uma forma sria de lidar com o racismo. Que muitos acreditam que um movimento pode ser construdo a partir das reivindicaes polticas e estratgicas da Teoria dos Privilgios. A Teoria dos Privilgios veio a se tornar a tendncia dominante a partir de circunstncias histricas especficas, que irei tratar brevemente. Acredito que seja uma falsa estratgia, que no final das contas no consegue resolver realmente os problemas que a prpria Teoria dos Privilgios se prope a enfrentar.Provavelmente toda pessoa de cor j experimentou algum tipo de interao como as descritas acima. Primeiro, vamos discutir as complexidades: quando isso acontece, mesmo entre pessoas de corexiste desacordo quanto percepo do que as interaes significaram. A compreenso da seriedade da acusao est ligada aos comportamentos anteriores e ao histrico do militante branco. As pessoas de cortambm vo trazendo consigo experincias prprias com o racismo. Isso certamente afeta a forma como enxergam as relaes sociais. Por ltimo, preciso chegar pelo menos a um entendimento comum de que, de modo geral, as pessoas que se integram ao movimento no so defensoras do racismo. Isso deveria ser um pressuposto fundamental, ou ento s nos restaria uma realidade ridcula e politicamente suicida na qual estaramos construindo um movimento com supremacistas brancos. Logo, isso nos permite lidar com a alienao racial ou com o chauvinismo branco ao lado de pessoas que reconhecemos ser contra o racismo.Isso parece ser um ponto crucial a ser reconhecido.Geralmente, as pessoas de cordesejam o reconhecimento de que algo muito errado aconteceu. verdade que geralmente a maior parte dos militantes brancos surta. Por um lado, os militantes brancos compreendem a seriedade da acusao, mas, por outro lado, em sua defesa, eles falham em atribuir reconhecimento ao modo como outra pessoa de cor percebeu um episdio. Os militantes brancos geralmente agem como se a teoria do racismoinfectando tudo paralisasse suas mentes e corpos quando eles so acusados de qualquer coisa. Isto compreensvel, na medida que nenhum militante srio deveria tomar tais acusaes gentilmente.Isso particularmente importante uma vez que as pessoas de cor, baseadas em toda a merda que lhes acontece, tendem a ver o mundo de forma diferente, e so obviamente mais sensveis a desrespeitos raciais. A falta de reconhecimento comumente intensifica a forma como essa pessoa sente a situao, uma vez que o que objetivamente verdade recua para a forma como o militante branco define a realidade. Nesse ponto, conversas produtivas geralmente se interrompem.Por ltimo, as coisas so mais complicadas hoje porque o racismoest muito mais codificado hoje em termos de linguagem e comportamento. Ningum no movimento vai chamar algum de preto[2]. Pessoas realmente faziam isso nos anos 1910, nos anos 20 e 30. Ningum vai dizer que uma pessoa de corno deveria falar por causa da sua cor de pele. As coisas no so to claras. Isto parcialmente um sinal de que as lutas das pessoas de corforaram a linguagem racista a tomar uma forma diferente. Contudo, o racismoainda existe. Na mdia, por exemplo, falar de crime ou pobreza a palavra-chave para negros ou latinos preguiosos que arrunam o paraso dos grandes cidados brancos trabalhadores da Amrica. Exatamente como o racismofunciona no movimento, codificado na lngua e no comportamento, algo que ainda precisa ser investigado.Enquanto as dificuldades em ser uma pessoa de cor militantenos movimentos so assombrosas, existem certos estranhos impasses em ser um militante branco no movimento. As pessoas de corentram no movimento esperando melhores relaes raciais. Isto certamente justo. Isto geralmente significa que espera-se que militantes brancos do sexo masculino tomem menos espao, falem menos etc. Toda interao pessoal, enquanto for influenciada pelo peso da historia, no pode ser julgada somente por essa dimenso isolada. Por exemplo, pessoas negras foram escravas nos EUA e especificamente servas para mestres brancos. Traspassaresse passado histrico para a interao social quando um homem negro ou uma mulher negra pegam um copo de gua para um amigo branco seria ridculo. Existem sempre agncia e liberdade nas aes de que participamos hoje em dia. Elas sempre so formatadas por raa, classe, gnero, sexualidade e histria; mas ns tambm no estamoscompletamente emboscadospelos crimes do passado. Seno, amizade, amor, camaradagem seriam impossveis. A prpria possibilidade de qualquer forma de relao humana seria destruda. Ns estaramos papagaiando o passado e dogmaticamente replicando ele no presente.Geralmente, depois do reconhecimento, as coisas podem ser deixadas assim. No entanto, s vezes questes organizacionais e polticas mais profundas vm tona. Especialmente se uma pessoa de cor diz existir um padro ou histrico de tal comportamento. Se for esse o caso, deveria ser lidado em termos organizacionais e polticos dinmicos. A limitao da Teoria dos Privilgios em lidar com tais situaes vai ser explicadadepois.Fanon, Liberao Negra e HumanidadeAs tradies mais sofisticadasda libertao negra lutaram para lidar com ta