THAS RIBEIRO FEITOSA 09/0133331 - bdm.unb.brbdm.unb.br/bitstream/10483/16273/1/2016_ThaisRibeiroFeitosa_tcc.pdf 

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  • Instituto de Letras

    Departamento de Teoria Literria e Literaturas

    Licenciatura em Letras/Portugus

    Monografia em Literatura

    THAS RIBEIRO FEITOSA

    09/0133331

    A RELAO AMOROSA NAS CANES DE BUARQUE

    E SABINA

    MENO

    SS

    Orientador: Prof. Dr. Erivelto da Rocha Carvalho

    Braslia- DF 2/2016

  • Instituto de Letras

    Departamento de Teoria Literria e Literaturas

    Licenciatura em Letras/Portugus

    Monografia em Literatura

    THAS RIBEIRO FEITOSA

    09/0133331

    A RELAO AMOROSA NAS CANES DE BUARQUE

    E SABINA

    Monografia em Literatura apresentada ao programa de

    Graduao do Departamento de Teoria Literria e Literaturas

    do Instituto de Letras da Universidade de Braslia, como

    requisito parcial para a obteno do ttulo de Licenciada em

    Letras/Portugus e respectiva literatura, sob a orientao do

    Prof. Dr. Erivelto da Rocha Carvalho.

    Braslia- DF 2/2016

  • Resumo

    O presente trabalho prope o estudo comparativo das canes: Y sin

    embargo, do lbum Yo, mi, me contigo, de 1996 e Cotidiano, do lbum

    Construo de 1971; 19 das y 500 noches, de lbum homnimo, de 1990, e

    A Rita, contida em Chico Buarque de Hollanda, lanado em 1966, alm de

    alguns dos aspectos criativos relativos s peas selecionadas dos

    compositores Chico Buarque (1944) e Joaqun Sabina (1949), observando a

    abordagem do tema amoroso em cada uma das letras de canes

    selecionadas, a fim de desenvolver uma anlise comparada sobre as

    propriedades criativas e sentimentais nelas encontradas. A pesquisa busca

    destacar a percepo do amor romntico pela tica de cada autor,

    considerando suas trajetrias artsticas, pessoais e polticas. Para tanto esta

    pesquisa envolve dados sociais e histricos da Espanha e do Brasil nos anos

    de 1960 a 1990, visando compreender como a temtica amorosa era

    manifestada e interpretada nos perodos de Ditadura Civil-Militar brasileira

    (1964-1985) e logo aps sua queda, bem como durante o perodo

    correspondente da Ditadura Franquista e da redemocratizao espanhola.

    A partir de um estudo social e histrico-cultural, intenciona-se perceber

    as qualidades poticas dos dois artistas sob a tica da teoria da

    intertextualidade de Gerard Genette (1989) e dos princpios da teoria da

    recepo de Hans Robert Jauss (1994).

    A proposta de estudo aqui apresentada pretende caminhar pelo

    entendimento da viso e interpretao de cada autor sobre o tema amoroso,

    passando pelo modo de representao do papel feminino que apresentam,

    alm da representao das relaes afetivas homem/mulher e breve

    considerao sobre os estudos de gnero. Para tanto necessrio analisar a

    trajetria musical, artstica e poltica de Chico Buarque e Joaqun Sabina, a fim

    de esclarecer as diferenas e semelhanas a serem apontadas.

    Palavras-chave: Joaqun Sabina, Chico Buarque, msica, recepo, gnero.

  • Sumrio

    Introduo .................................................................................................................................... 5

    Intertextualidade e recepo .................................................................................................... 6

    Os artistas .................................................................................................................................. 11

    Msica popular: brasileira e espanhola ................................................................................ 14

    Contemporneos ...................................................................................................................... 17

    Ditadura .................................................................................................................................. 18

    Chico, Sabina e os gneros .................................................................................................... 19

    A expresso do amor em portugus e espanhol ................................................................. 22

    Consideraes Finais .............................................................................................................. 29

    Referncias bibliogrficas ....................................................................................................... 31

    Anexos ....................................................................................................................................... 33

  • 5

    Introduo

    Este estudo analisa quatro letras das canes populares do fim do

    sculo XX, de autoria do cantautor espanhol Joaqun Sabina1 e do cantor e

    compositor brasileiro Chico Buarque, sob a tica da esttica da recepo. A

    orientao dessa anlise procede da necessidade de compreender no apenas

    o texto das canes, como fatores isolados, mas sim conectar caractersticas

    internas das msicas (letra, melodia etc.) aos fatores influenciadores externos a

    elas (condies sociais, culturais, etc.).

    Atravs de letras escritas em linguagem coloquial e agudas ao denunciar

    certa realidade social, Chico Buarque e Joaqun Sabina trazem ao pblico as

    histrias de amores com personagens em posies infrequentes, considerando

    a tradio do cancioneiro popular espanhol e brasileiro. Este artigo comentar

    como os traos buarquianos e sabinianos so percebidos do ponto de vista do

    leitor enquanto receptor da experincia transmitida pelo autor.

    A anlise proposta unir dados histricos, sociais e literrios, a fim de

    perceber como possvel compreender a relao homem/mulher dentro

    dessas canes e como uma leitura receptora contempornea capaz de

    entend-las, partindo dos estudos relacionados. Visto que um texto vai muito

    alm do que est escrito formado por caractersticas externas,

    determinadas por questes histrico-sociais, pelas experincias do autor e do

    receptor, alm da influncia geogrfica que o impulsiona pensando nas obras

    como hipertextos das situaes que as condicionam, esta pesquisa busca

    entender como todos os fatores supracitados influenciam a recepo das obras

    pelo pblico contemporneo.

    A inteno deste estudo desenvolver uma anlise paritria entre obras

    dos dois artistas, que aparentemente compartem dos mesmos aspectos

    criativos. So elas: Y sin embargo, do lbum Yo, mi, me contigo, de 1996 e

    Cotidiano, do lbum Construo de 1971; 19 das y 500 noches, de lbum

    homnimo, de 1990; e A Rita, contida em Chico Buarque de Hollanda,

    lanado em 1966.

    1 Este trabalho nasceu como ampliao do projeto de PIBIC 2015/2016.

  • 6

    O trabalho toma como ponto de partida a teoria da intertextualidade, com

    nfase na noo de hipertextualidade, de Gerard Genette (1989), associada

    teoria da recepo de Hans Robert Jauss (1994), alm de abordar conceitos

    como o de interesse cognitivo de Hans Ulrich Gumbrecht, a fim de traar uma

    base terica para a anlise das obras selecionadas.

    Intertextualidade e recepo

    Para tratar de intertextualidade, neste primeiro momento, ser

    apresentada a teoria literria de Genette, que defende a coexistncia de vrios

    textos dentro de um s. Gerard Genette afirma que toda obra hipertextual.

    Ele postula a existncia de influncias textuais diretas ou no que, unidas,

    criam uma obra derivada delas. Em sua analogia entre um palimpsesto e o

    contedo de um texto, ilustrando que as informaes contidas em uma obra

    vo muito alm do que est escrito, Genette explica que um texto s existe

    graas relao feita pelo autor entre vrios outros textos, alm da sua

    apropriao das formas e dos contedos absorvidos.

    Logo, um hipertexto um texto que deriva de outros textos anteriores a

    ele. De forma mais clara, pode-se dizer que:

    Um palimpsesto um pergaminho cuja primeira inscrio foi raspada para se traar outra, que no a esconde de fato, de modo que se pode l-la por transparncia, o antigo sob o novo. Assim, no sentido figurado, entenderemos por palimpsestos (mais literalmente hipertextos), todas as obras derivadas de uma outra obra anterior, por transformao ou por imitao. Dessa literatura de segunda mo, que se escreve atravs da leitura o lugar e a ao no campo literrio geralmente, e lamentavelmente, no so reconhecidos. Tentamos aqui explorar esse territrio. Um texto pode sempre ler um outro, e assim por diante, at o fim dos textos. Este meu texto no escapa regra: ele a expe e se expe a ela. Quem ler por

    ltimo ler melhor (GENETTE, 2010, p.07).

    Todo conhecimento do autor, o seu modo de escrever, ou os

    acontecimentos que influenciam a escrita, a interpretao do seu receptor e

  • 7

    seu prprio conhecimento prvio de mundo, conciliados a tantos outros fatores,

    esto em comunho no hipertexto.

    O conceito de hipertextualidade neste trabalho no se restringir apenas

    ao aspecto textual das obras, antes sero considerados todos os fatores que

    podem ter influenciado o processo de criao, tanto de Buarque quanto de

    Sabina, como hipertextos, que interferem direta ou indiretamente no

    processo criativo dos dois artistas. Logo, essa transcendncia textual definida

    por Genette como todo lo que pone al texto en relacin, manifiesta o secreta,

    con otros textos (1989, p.09-10).

    Depreende-se dos fatos acima que a intertextualidade (e mais

    especificamente a hipertextualidade) abrange o conhecimento prvio do autor

    de uma obra, seja esse conhecimento intencionado ou no, direcionado ou no