The Pacific - Trecho

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    02-Apr-2016

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O livro que originou produo do canal HBO produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks Em seu best-seller, o historiador Hugh Ambrose aprofunda a experincia da minissrie, The Pacific, por meio de uma poderosa perspectiva histrica e imediatista em primeira pessoa, revelando as odisseias entrelaadas de um piloto da Marinha e de quatro fuzileiros navais norte-americanos. A obra figurou nas principais listas de mais vendidos, como a do The New York Times e do Publishers Weekly.

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  • Rio de Janeiro | 2014

    the

    PACIFICHUGH AMBROSE

    O inferno a um oceano de distncia

    TraduoMilton Chaves de Almeida

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  • JAto I

    CASTELO DE CARTAS

    Dezembro de 1941 Junho de 1942

    Na virada do fim da dcada de 1930 para a de 1940, o povo ame-ricano dava pouca importncia ao Imprio Nipnico. Os americanos se preocupavam mesmo era com a economia, que vacilara na beira do abismo por uma dcada, e queriam ficar longe dos problemas do mundo. A veloci-dade com a qual a Alemanha nazista havia conseguido dominar a Europa, porm, tinha fornecido capital poltico suficiente para o presidente Franklin Roosevelt tomar algumas medidas em favor da preparao do pas para se defender. Roosevelt e sua liderana militar se opuseram tambm agres-siva campanha militar japonesa de conquistas de vastas extenses territo-riais da China. O governo japons, governado por uma camarilha militar que inclua o imperador Hirohito, havia criado uma ideologia para justi-ficar suas ambies de conquista colonial e construiu um aparato militar para encenar no palco da vida seus objetivos blicos. Era bvio que o Japo pretendia conquistar outras valiosas reas ao longo do Crculo do Pacfico. Os Estados Unidos controlavam algumas dessas valiosas reas e alimentavam expectativas de manter essa regio aberta ao comrcio. Num grande esforo,

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    Roosevelt tentou deter a expanso japonesa com uma srie de medidas econmicas e diplomticas, apoiadas pelas foras militares americanas as menores e menos equipadas dentre as naes industrializadas do mundo na poca.

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  • JO primeiro-tenente Austin Shofner acordou dominado pela expectativa da chegada de bombardeiros inimigos a qualquer momento. Logo depois das 3 horas, seu amigo Hugh entrou apressado na cabana em que ele estivera dormindo e disse:

    Shof, Shof, acorde! Acabei de receber uma mensagem do CinCPAC informando que a guerra contra o Japo ser declarada daqui a uma hora. Examinei todas as instrues do Oficial do Dia e no achei nada que nos dissesse o que fazer quando a guerra for declarada.1

    Com o ataque inimigo iminente, o tenente Shofner tomou uma medida consequente e lgica:

    V acordar o velho. Ah! respondeu Hugh. No posso fazer isso! Mesmo tonto de sono, Shofner entendeu a relutncia do colega. A cadeia

    de comando deter minava que o tenente Hugh Nutter deveria dirigir-se ao comandante do batalho, em vez de ao comandante do regimento. Falar com um coronel do CFNA era como falar com Deus. A situao, porm, exigia isso.

    Seu idiota, v logo, passe o abacaxi adiante! Diante da insistncia do superior, Hugh disparou correndo pela escurido que envolvia a base da Marinha na pennsula de Bataan, nas Filipinas.

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    Shofner seguiu logo atrs, correndo tambm na direo do cais, onde os recrutas estavam aboletados em um antigo armazm. De repente, viu Hugh tropear em um buraco e cair, mas no parou para ajudar. Nisso, soou o apito na estao de fora. A sentinela do porto principal comeou a tocar o sino do velho navio. Os soldados j estavam acordados e gritando quando Shofner entrou correndo no alojamento, ordenou que sassem todos e entrassem em formao. O corneteiro comeou a tocar o toque de tomada de postos. Algum ordenou que mantivessem as luzes apagadas, para evitar que se tornassem alvo fcil aos ataques inimigos.

    Seus homens precisavam de alguns minutos para se vestir e se reunir. Shofner correu procura dos cozinheiros para faz-los preparar o rancho. Depois, partiu em busca do comandante do batalho. Para alm do armazm em runas, usado por seus homens como alojamento, distante das fileiras de barracas armadas na rea do polgono de tiro, em que outros se aquarte-lavam, erguia-se o belo forte construdo pelos espanhis. Havia muito que seus arcos, outrora graciosos, tinham se tornado parte da paisagem natural. Shofner avanou correndo pela via ladeada de accias em direo a um passeio bordado de hibiscos de vistosas flores vermelhas e de gardnias.2 Ao chegar ao destino, encontrou reunidos alguns dos oficiais do 4. Regimento de Infantaria de Fuzileiros Navais (4. RIFN).* Haviam sido informados pelo quartel-general do almirante Hart, situado em Manila, a quase 100 quilmetros dali, que os japoneses tinham bombardeado Pearl Harbor. A frieza deles o surpreendeu.

    No era de esperar, porm, que Shofner fosse tomado de surpresa. Fazia algum tempo que todos os homens do alojamento se mantinham na expec-tativa da inevitvel guerra com o Imprio Nipnico. Achavam, contudo, que a guerra comearia em outro lugar, muito provavelmente na China. Uma semana antes, o regimento deles estivera estacionado em Xangai, onde

    * A convenincia do leitor, e no a conveno militar, que guia a nomenclatura usada aqui para a identificao das unidades militares. (N. A.)

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  • Castelo de Cartas 29

    observaram as tropas do imperador avanar sem impedimentos pela China

    nos anos anteriores, medida que mais e mais divises do Exrcito Imperial

    Japons (EIJ) desembarcavam em solo chins. O governo japons institura

    um governo-fantoche para administrar uma enorme regio no norte da

    China, cujo nome ele havia mudado para Manchukuo.

    O 4. RIFN, com cerca de oitocentos soldados, bem abaixo, portanto, de

    sua fora mxima, no estava em condies de defender seu quartel-general

    em Xangai, e menos ainda de proteger os interesses americanos na China.

    A situao ficara to tensa que os oficiais dos fuzileiros navais criaram um

    plano para o caso de terem de enfrentar um sbito ataque do inimigo.

    Planejavam avanar lutando, se necessrio, em direo a uma regio da

    China no conquistada ainda pelos japoneses. Se o regimento fosse detido

    em seu avano, seus homens, basicamente, receberiam a ordem de correr

    para salvar a prpria vida.3 Os oficiais reunidos mesa na manh desse dia

    davam graas ao fato de que o governo americano havia finalmente se ren-

    dido ao domnio do Imprio Nipnico sobre a China e ordenara que se reti-

    rassem no fim de novembro de 1941, numa ocasio que se lhes afigurou o

    ltimo momento possvel para fazer isso.

    Quando chegaram Base Naval de Olongapo, em 1. de dezembro, o

    4. RIFN foi enquadrado pela Frota Asitica do almirante Hart, cujos cruza-

    dores e contratorpedeiros estavam ancorados no porto de Manila, do outro

    lado da pennsula em que estavam estacionados. Alm da frota, as foras

    americanas contavam com 31 mil soldados do Exrcito do general Douglas

    MacArthur, bem como com 120 mil soldados e oficiais do Exrcito Nacional

    Filipino. Hart e MacArthur vinham preparando-se para a guerra contra o

    Imprio do Japo fazia anos. Portanto, o imperador japons s podia estar

    louco com sua deciso de atacar a Frota Americana do Pacfico, em Pearl

    Harbor. Contudo, j que fizera isso, seus navios e avies certamente estariam

    a caminho dali, rumo ilha de Luzn, que abrigava a capital do governo fili-

    pino e o quartel-general das foras americanas. Era provvel que o primeiro

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  • 30 The Pacific

    ataque do inimigo contra eles, concluram os oficiais, seria feito com bom-bardeiros partindo de Formosa.*

    Como Shofner viu que, com toda aquela conversa sobre estratgia, no re-ceberia ordens to cedo, voltou para seus homens. Os integrantes de sua com-panhia de comando haviam se reunido na praa de armas com os membros das companhias de infantaria. Sobre o ataque japons no Hava, a no tcia que corria entre eles era breve: Os japas mandaram Pearl Harbor pelos ares! Em vez de medo, Austin Shofner, natural de Shelbyville, Tennessee, experimentou certo prazer ao se confirmar a notcia, mesmo porque o Engenhoso sempre gostara de uma boa briga. De estatura mediana, mas de compleio robusta, adorava futebol americano, luta livre e jogos de azar de toda espcie. E no gostava muito dos japoneses. Informou a seus homens

    * Formosa mais conhecida como Taiwan. (N. A.)

    Baa de Manila

    Mar da China

    Meridional

    Mar das Filipinas

    20 milhas

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  • Castelo de Cartas 31

    que, como poderiam sofrer um ataque a qualquer momento, seria feita a dis-tribuio de munio de guerra imediatamente. Em seguida, estampou no rosto um sorriso matreiro e pensou: Nossos dias de brincadeiras acabaram e agora poderemos comear a fazer jus aos nossos salrios.4

    Os fuzileiros ficaram esperando o comandante do batalho na praa de armas para ouvir o seu pronunciamento. Todas as liberdades estavam sus-pensas. A banda do regimento estava sendo dissolvida, bem como o pequeno destacamento de fuzileiros que guarnecia a estao naval quando o 4. RIFN chegou. Esses homens passariam a formar pelotes de fuzileiros, que depois seriam distribudos entre as companhias de fuzileiros.5 Todos os soldados eram necessrios, pois tinham que defender no apenas a Estao Naval de Olongapo, mas outra, embora menor, nas montanhas Mariveles, na parte extrema da pennsula de Bataan. O 1. Batalho ficou encarregado de pro-teger as Mariveles e partiria imediatamente.

    A partida dessa unidade reduziu o regimento quase pela metade, dei-xando-o com o 2. Batalho, o quartel-general de Shofner e a companhia de servio, alm de uma