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Tiago - Moody

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COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY

Text of Tiago - Moody

  • TIAGO

    Introduo Esboo Captulo 1 Captulo 2 Captulo 3 Captulo 4 Captulo 5

    INTRODUO

    Autoria. O prefcio indica que o autor da Epstola de Tiago foi

    Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo. Mas quem era esse Tiago? Dos inmeros indivduos que tinham esse nome no Novo Testamento, s dois foram apresentados como possveis autores desta epstola Tiago, filho de Zebedeu, e Tiago, o irmo do Senhor. O primeiro um candidato improvvel. Sofreu o martrio em 44 A.D., e no h nenhuma evidncia de que ocupasse posio de liderana na igreja, que lhe desse a autoridade de escrever esta carta geral. Embora Isidoro de Sevilha e Dante achassem que ele foi o autor do livro, esta identidade no tem sido largamente aceita em nenhum perodo da igreja. A opinio tradicional identifica o autor como sendo Tiago, o irmo do Senhor. A semelhana da linguagem da epstola com as palavras de Tiago em Atos 15, a forte dependncia do escritor da tradio judia, e a consistncia do contedo de sua carta com as notcias histricas que o Novo Testamento d em relao a Tiago, o irmo do Senhor, tudo tende a apoiar a autoria tradicional.

    Data e Lugar. Muitas so as opinies prevalecentes sobre a data de Tiago. Aqueles que aceitam a autoria tradicional costumam dat-la entre o meio dos anos quarenta e o comeo de sessenta (exatamente antes da morte de Tiago). J foi datada tardiamente, como 150 A.D., por aqueles que defendem a teoria do "Tiago desconhecido" ou de um pseudnimo.

    Embora no possamos ser dogmticos a respeito da poca em que foi escrita, um nmero de fatores apontam para uma data mais precoce. As condies sociais reveladas na epstola, especialmente a separao

  • Tiago (Comentrio Bblico Moody) 2 aguda existente entre os ricos e os pobres, sugere uma data antes da destruio de Jerusalm. A escatologia revelada tambm aponta para uma data precoce. A expectativa da volta do Senhor aumenta de intensidade com o que foi encontrado em I e II Tessalonicenses. No h nenhuma sugesto de uma crena em uma volta ainda distante, tal como encontramos nos ltimos livros do Novo Testamento; e no h nenhuma viso apocalptica ou evolues semelhantes, como as que encontramos na literatura apocalptica mais tardia. Os leitores de Tiago viviam na expectativa ativa e poderosa da iminente volta de Cristo. Nada existe na literatura crist do segundo sculo que possa se igualar aos ensinamentos escatolgicos simples e poderosos desta epstola.

    A passagem mais difcil para datar o livro a famosa passagem que fala da f e das obras (Tg. 2:14-26). Para entender estes versculos o leitor deve se familiarizar com certas frmulas paulinas; por isso difcil crer que o autor de 2:14-26 estivesse refutando Paulo. Isto envolveria uma quase inconcebvel m interpretao da doutrina paulina da justificao pela f. A passagem se explica melhor como ocasionada por uma m interpretao de Paulo, no da parte do autor da epstola, mas da parte dos seus leitores. Tal m interpretao teria mais provavelmente surgido bem no incio do ministrio de pregao pblica de Paulo. De acordo com o livro de Atos, a primeira pregao pblica mais extensa de Paulo aconteceu em Antioquia (Atos 11:26). O ministrio de um ano aconteceu antes da visita por ocasio da fome em Jerusalm em cerca de 46 (cons. Atos 11:27-29; Gl. 2:1-10) e a perseguio herodiana em 44. Quanto tempo se passou at que a m interpretao e a aplicao errnea da doutrina da justificao pela f apresentada por Paulo chamasse a ateno de Tiago, no sabemos. vista do fato dos judeus, cristos e no cristos, de todo o mundo mediterrneo, estarem constantemente se movimentando para Jerusalm e fora dela, provavelmente no foi muito tempo depois. Uma data em cerca de 44 para a epstola, durante ou imediatamente a perseguio herodiana, se encaixaria melhor em todos os fatores conhecidos.

  • Tiago (Comentrio Bblico Moody) 3 Embora um nmero de sugestes opostas tenham sido apresentadas

    de vez em quando, poucas so as dvidas de que Tiago a escreveu na Palestina. Especialmente pelo colorido sugerido, o escritor indica que ele um palestiniano (cons. 1:10, 11; 3:11, 12;5:7).

    Os Destinatrios da Carta. A nica indicao direta no livro que possivelmente sugere quem foram os leitores encontra-se no prefcio: Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, s doze tribos que se encontram na disperso, saudaes. Tradicionalmente a frase, s doze tribos, era usada para indicar toda a nao judia (cons. o Eclesistico extra cannico 44:23; A Assuno de Moiss 2:4, 5; Baruque 1:2; 62:5; 63:3; 64:3; 77:2; 78:4; 84:3; tambm veja Atos 26:7). Mas considerando que toda a nao judia, por mais espalhada que estivesse na Dispora, no poderia ser considerada como existindo fora da Palestina, parece indicar que o significado da frase simblico. Tiago estava escrevendo a toda a igreja, considerada como o Novo Israel (cons. Gl. 3:7-9; 6:16; Fp. 3:3), dispersa por um mundo estranho e hostil (cons. I Pe. 1:1, 17; 2:11; Fp. 3:20; Gl. 4:26; Hb. 12:22; 13:14). So entretanto, muitas as indicaes na epstola de que foi dirigida primeiramente aos judeus que eram cristos. Isto pode constituir mais uma indicao de sua data precoce, uma vez que a nica ocasio na histria da igreja quando algum podia se dirigir a toda a igreja falando quase que exclusivamente a judeus, foi antes da primeira misso de Paulo aos gentios - o que aconteceu em cerca de 47.

    Contedo. A Epstola de Tiago um pedido em prol do cristianismo vital. Herder captou o teor deste livro quando escreveu: "Que nobre o homem que fala nesta Epstola! Que incansvel pacincia no sofrimento! Que grandeza na pobreza! Que alegria na tristeza! Simplicidade, sinceridade, confiana direta na orao! Como ele quer ao! Ao, no palavras . . . no uma f morta!" (citado por F.W. Farrar em The Early Days of Christianity, pg. 324).

    No verdadeiro esprito d literatura da Sabedoria, Tiago maneja muitos e diferentes assuntos. Seus pargrafos curtos e abruptos j foram

  • Tiago (Comentrio Bblico Moody) 4 comparados a um colar de prolas - cada um uma entidade separada em si mesmo. H algumas transies lgicas, mas em grande pane as transies so abruptas ou nem existem. Este fenmeno toma impossvel um esboo no sentido usual. Aqui est, entretanto, uma lista dos assuntos tratados na ordem de sua ocorrncia na epstola.

    ESBOO I. Saudao. 1:1. II. Provaes. 1:2-8. III. Pobreza e riqueza. 1:12-18. IV. Provao e tentao. 1:12-18. V. Recepo da Palavra. 1:19-25. VI. Verdadeira religio. 1:26, 27. VII. Distines sociais e "a lei real". 2:1-13. VIII. F e obras. 2:14-26. IX. A 1ngua. 3:1-12. X. As duas sabedorias. 3:13-18. XI. O mundo e Deus. 4:1-10. XII. Julgando. 4:11, 12. XIII. Autoconfiana proveniente do pecado. 4:13-17. XIV. Julgamento do rico inescrupuloso. 5:1-6. XV. Pacincia at a volta de Cristo. 5:7-11 . XVI. Juramentos. 5:12. XVII. Orao. 5:13-18. XVIII. Reabilitando o irmo pecador. 5:19, 20.

    COMENTRIO Tiago 1 I. Saudao. 1:1. Tiago chama-se simplesmente de servo de Deus, e do Senhor

    Jesus Cristo. Seus leitores so as doze tubos que se encontram na

  • Tiago (Comentrio Bblico Moody) 5 Disperso, uma designao simblica para a igreja crist considerada como o Novo Israel, com seus membros espalhados pelo mundo, em um ambiente estranho e hostil. Assim Tiago no tem em mente uma simples congregao mas a igreja toda espalhada pelo mundo mediterrneo. Sua saudao (kairein) a saudao tpica encontrada nas cartas gregas e a mesma que foi usada na cana enviada da igreja de Jerusalm que Tiago presidia (Atos 15:23).

    II. Provaes. 1:2-8. 2. Tiago freqentemente (pelo menos dezesseis vezes) dirigiu-se

    aos seus leitores chamando-os de irmos. Ele e seus leitores sentiam-se ligados por uma lealdade comum a Jesus Cristo. Sua primeira palavra de encorajamento tende por motivo de toda a alegria .o passardes por vrias provaes. Uma traduo melhor seria, quando vos enfrentardes com ribas provaes. A palavra peirasmos ("provao") tem dois significados. Aqui significa "adversidades externas", quando nos versculos 13, 14 ela significa "impulso intimo para o mal", "tentao".

    3. O cristo deve se alegrar na provao e no por causa da provao. Havia uma grande necessidade nos tempos primitivos da igreja receber o ensinamento ao longo destas linhas, por causa das sucessivas ondas de perseguio. O fruto da perseguio a perseverana (hypomone), ou melhor, resistncia. James Moffatt (The General Epistles, pg. 9) chama-o de "o poder para suportar a vida".

    4. Esta resistncia deve ter liberdade de ao (ao completa). um processo que se desenvolve na vida do cristo, sendo a perfeio o seu alvo (teleios traduz-se melhor por maturidade). O escritor deveria ter em mente as palavras de nosso Senhor registradas em Mt. 5:48.

    5-8. Parece haver uma ligao entre este pargrafo e o precedente. Tiago falava sobre o propsito da provao. Ele antecipa que alguns dos seus leitores diro que no conseguem descobrir qualquer propsito divino em suas dificuldades. Neste caso, diz ele, devem pedir a Deus que

  • Tiago (Comentrio Bblico Moody) 6 lhes d sabedoria, isto , viso prtica da vida (no conhecimento terico), e Deus atender tal pedido liberalmente, (generosamente), e no os censurar nem os reprovar. H, entretanto, uma condio estabelecida. O pedido deve ser feito com f, em nada duvidando. O homem que vai a Deus com o seu pedido deve estar certo de que quer o que pede. Trago compara um homem que duvida com a onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Tal homem "no pode esperar nada de Deus" (Phillips). Ele um homem de nimo dobre, isto , um homem de fidelidade dividida. Ele faz reservas mentais sobre a orao em si mesma e sobre o que pede de Deus.

    III. Pobreza e Riqueza. 1: 9-11. 9. Este pargrafo brota do comentrio que Tiago faz sobre a

    provao. A pobreza uma adversidade externa. O cristo pobre deve se regozijar em seu novo esta