Titulos Eleitorais 1881- 2008

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Fonte: TSE

Text of Titulos Eleitorais 1881- 2008

  • 2TtulosEleitorais1881 2008

    mem

    ria eleito

    ral

    s r i eAPONTAMENTOS

  • TTULOS ELEITORAIS: 1881-2008

    Braslia, 2009

    2

  • TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

    Diretor-Geral da SecretariaMiguel Augusto Fonseca de Campos

    Secretaria de Gesto da InformaoCoordenadoria de BibliotecaSeo de Acervos EspeciaisSAS Praa dos Tribunais SuperioresBloco C, Edifcio Anexo I, Subsolo70096-900 Braslia/DFTelefones: (61) 3316-3525/3713Fac-smile: (61) 3316-3452

    Editorao

    Coordenadoria de Editorao e Publicaes (Cedip)

    Projeto Grfico

    Luciano Carneiro

    Capa

    Luciana Rios Diniz

    Organizao e texto-base

    Virglio Arraes

    Impresso, acabamento e distribuio

    Seo de Impresso e Distribuio Seidi/Cedip/SGI

    Brasil. Tribunal Superior Eleitoral.Ttulos eleitorais : 1881-2008. Braslia : Tribunal Superior

    Eleitoral, Secretaria de Gesto da Informao, 2009.70 p. : il. ; 22 cm (Srie apontamentos ; n. 2)

    ISBN 978-85-86611-72-8

    1. Ttulo de eleitor Histria Brasil. I. Ttulo. II. Srie.

    CDDir 341.284 509 81CDD 324.640 918 1

  • TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

    PresidenteMinistro Carlos Ayres Britto

    Vice-PresidenteMinistro Joaquim Barbosa

    MinistrosMinistro Ricardo Lewandowski

    Ministro Felix FischerMinistro Fernando Gonalves

    Ministro Arnaldo VersianiMinistro Marcelo Ribeiro

    Procurador-Geral EleitoralDr. Antonio Fernando Souza

  • APRESENTAO

    O presente trabalho, elaborado pela Seo de Acervos

    Especiais da Coordenadoria de Biblioteca da Secretaria

    de Gesto da Informao do Tribunal Superior Eleitoral,

    apresenta ao leitor nove contextualizaes da histria do

    Brasil, tendo por baliza o ttulo eleitoral.

    Nesse sentido, o opsculo o segundo volume da

    srie Apontamentos, idealizada com o objetivo de

    apresentar, de maneira sinttica, temas de relevo histrico

    da Justia Eleitoral.

    Institudo no ltimo decnio do perodo imperial, o ttulo

    eleitoral foi delineado dentro de uma concepo reformista

    mais ampla do regime monrquico, elaborada com o

    objetivo de diminuir o seu desgaste poltico e, portanto,

    assegurar a sua continuidade. Em mais alguns anos, a

    derrocada seria inevitvel, por meio de um golpe militar

    de Estado.

    Apesar do advento da Repblica, os srios problemas

    socioeconmicos do pas lamentavelmente perduram,

    ainda que prossigam continuamente as tentativas formais

    de incorporar parcelas cada vez maiores da populao a

    condies mnimas de existncia digna. Nesse sentido,

    o processo eleitoral simboliza, em muitos momentos, o

    esforo empreendido.

    No incio da Repblica, eliminou-se a obrigatoriedade

    de renda mnima, vigente durante todo o Imprio. Nos

    anos 30, na segunda fase republicana, as mulheres

    obteriam o direito de votar e a idade mnima baixaria para

    18 anos. Alm do mais, haveria o estabelecimento da

    Justia Eleitoral.

    Na dcada de 80, aps o fim da ditadura militar, os

    analfabetos e os jovens a partir dos 16 anos adquiririam o

    direito de votar. Assim, em pouco mais de um sculo, o

    percentual da populao apta a participar plenamente do

    processo eleitoral e, por conseguinte, do aprimoramento do

    regime democrtico situa-se prximo dos 2/3 do seu total.

  • Nesse sentido, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral olaborioso encargo de zelar pela observncia rgida dosprocedimentos eleitorais, de modo que a democracia noseja maculada e possa o povo brasileiro nela confiar maise mais como a melhor forma de garantir a sua prosperidadesociopoltica.

  • SUMRIO

    1o ttulo eleitoral 1881 .......................................................... 9

    Decreto no 3.029 9.1.1881

    Lei Saraiva/Lei do Censo

    2o ttulo eleitoral 1890 ........................................................ 15

    Decreto no 200-A 8.2.1890

    Regulamento Lobo

    3o ttulo eleitoral 1904 ........................................................ 21

    Lei no 1.269 15.11.1904

    Lei Rosa e Silva

    4o ttulo eleitoral 1916 ........................................................ 27

    Lei no 3.139 2.8.1916

    5o ttulo eleitoral 1932 ........................................................ 33

    Decreto no 21.076 24.2.1932

    Cdigo Eleitoral

    6o ttulo eleitoral 1945 ........................................................ 43

    Decreto-Lei no 7.586 28.5.1945

    7o ttulo eleitoral 1951 ........................................................ 53

    Resoluo no 4.357 31.8.1951

    8o ttulo eleitoral 1957 ........................................................ 61

    Lei no 2.550 25.7.1955

    9o ttulo eleitoral 1986 ........................................................ 67

    Lei no 7.444 20.12.1985

    Bibliografia .............................................................................73

  • Primeiro modelo de ttulo eleitoral do Brasil.

    Fonte: TRE/SP

  • TTULOS ELEITORAIS1881-2008

    9

    1o TTULO ELEITORAL 1881DECRETO No 3.029 9.1.1881LEI SARAIVA/LEI DO CENSO

    A dcada de 1880 foi a ltima do Imprio conduzidopor um dirigente enfermo, Dom Pedro II, e desgastadopoltica e economicamente desde os anos 1870. Comcerca de 12 milhes de habitantes, o Brasil diversificava-see a monarquia j no possua o vigor poltico adequadopara adaptar-se s transformaes correntes.

    Na rea poltica, a tradicional diviso entreconservadores e liberais manteve-se. Em So Paulo, houveuma ciso no Partido Liberal, ainda que modesta, no anode 1870: em dezembro, viera a lume o ManifestoRepublicano subscrito, na maior parte das vezes, pordissidentes daquele partido e publicado no jornal ARepblica, no Rio de Janeiro ; trs anos depois, seriaconstitudo o Partido Republicano Paulista, de feitioconservador e rural, porm defensor da descentralizaoadministrativa, ou, de certo modo, da Federao, como amelhor soluo para os problemas locais.

    Tanto para as provncias mais abastadas como para asmais desvalidas, o controle administrativo cerrado do Im-prio estava em descompasso com as necessidadesespecficas de crescimento e com as foras polticas lo-cais. Destaque-se que vrios movimentos polticos ao lon-go da primeira metade daquele sculo haviam instadopor maior autonomia.

    Os problemas, no entanto, no decorreram apenas darepresentao do quadro partidrio: o Imprio

  • 10

    desgastou-se aos olhos da Igreja Catlica e do prprioExrcito, instituio que encerraria o ciclo monrquico, deforma sumria, em novembro de 1889, por meio de umgolpe de Estado.

    Na economia, o resultado da Guerra do Paraguairepresentou para o Brasil uma vitria de Pirro, ou seja, oxito militar veio acompanhado de altos custos materiais,satisfeitos parcialmente por intermdio de emprstimosobtidos do setor financeiro britnico. As exportaescafeeiras, embora gerassem supervit na balanacomercial, no eram suficientes para equilibrar o balanode pagamentos de um pas manifestamente agrcola.

    Desta forma, as divisas auferidas com o comrcio decaf, acar, algodo, borracha, fumo e outros aumentariamat o final do Imprio, porm em proporo menor doservio da dvida externa (juros e amortizaes). No fim dadcada de 1880, o saldo seria praticamente nulo.

    Alm do mais, a transio da utilizao da mo de obraescrava para a livre, principalmente no caso das lavourasde caf com o emprego da fora de trabalho deimigrantes de origem europeia, em especial italianos ,no ocorreu sem atritos com parte das elites locais daRegio Nordeste e da Sudeste.

    No plano da poltica externa, a situao estava maistranquila aps o desfecho da Guerra do Paraguai. Desdea dcada de 1850, questes relativas s fronteiras com oPeru, a Venezuela, a Bolvia, o Paraguai e a Argentinahaviam sido encaminhadas com relativo xito. Foramretomadas as relaes diplomticas com a Gr-Bretanhae com os Estados Unidos nos anos 1860 e, desde aqueleperodo, no haveria atritos de monta nas relaes comambos os pases.

    Saliente-se que o Imprio no foi totalmente indiferente ento recente alterao socioeconmica do pas eprocuraria adaptar-se, ao seu modo, ao novo cenrio. Nocampo poltico, os esforos concentraram-se na tentativade diversificao e consequente ampliao do colgio deeleitores.

  • TTULOS ELEITORAIS1881-2008

    11

    Em 1880, o Deputado Rui Barbosa, da Bahia, redigiu,a pedido do presidente do Conselho de Ministros, JosAntnio Saraiva, o projeto de lei de reforma eleitoral. Emabril de 1880, o Ministrio do Imprio enviaria o documento Cmara dos Deputados. Aprovado posteriormente peloSenado, em janeiro do ano seguinte seria transformadono Decreto no 3.029 e ficaria popularmente conhecido comoLei Saraiva. Por intermdio dela, seriam institudas eleiesdiretas no pas para todos os cargos, exceo do deregente, amparado pelo Ato Adicional.

    Naquela poca, o voto no era universal: para participardo processo eleitoral, requeriam-se 200 mil ris de rendalquida anual comprovada. Havia, no entanto, a previsode dispensa de comprovao de rendimentos, que seaplicava a inmeras autoridades como, dentre outros,ministros, conselheiros de estado, bispos, presidentesde provncia, deputados da Assembleia Geral e daLegislativa Provincial, magistrados, promotores pblicos,chefes de polcia, delegados, diretores do Tesouro Nacionale das tesourarias de Fazenda Geral ou Provincial, diretoresde estradas de ferro, diretor dos Correios, diretores deobras pblicas gerais ou provinciais, diplomatas, oficiaisdas Foras Armadas, professores de escola de instruosuperior, bacharis, juzes de paz e vereadores nestecaso, desde que do quatrinio 1877-1881. Praas militarese policiais no podiam alistar-se.

    Para candidatar-se, o cidado, alm de no ter sidopronunciado em processo criminal, deveria auferir rendaproporcional impo