Trabalho 1 - Teoria e Arquitetura Contempor¢nea

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Arquitetura Contemporanea em Belo Horizonte MG do escritório Vazio S/A

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

    ELEMENTOS DE ANLISE PROJETUAL: PROCEDIMENTOS E RECEPO

    ESTTICA

    BELO HORIZONTE

    2015

    INTRODUO

    O trabalho contempla anlise do Edifcio Montevideu 285, do escritrio Vazio S/A,

    localizado no bairro Sion, centro sul da cidade de Belo Horizonte na rua e nmero que do

    nome edificao. um edifcio residencial, assim como todo o seu entorno.

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    Imagem: Localizao do Edifcio. Fonte: Google Maps modificado

    A Vazio S/A foi fundada em 2001 e comandada por Carlos Teixeira, arquiteto

    formado pela UFMG em 1992. A empresa regida por conceitos que a diferem atualmente de

    outros escritrios: inspirao no mercado para fomento de indcios de novas possibilidades de

    projeto e isso se reflete na produo do estdio que se estende desde o convencional

    (edifcaes), pesquisa, partipao de concursos de mundiais. E ainda mais atpico so as

    intervenes no espao urbano por meio performances aliadas s artes cnicas.

    Vazio S/A um escritrio premiado e ganha espao com obras na Inglaterra e Canad,

    alm, de claro, no Brasil.

    1 NATUREZA DO LUGAR: RELAO ENTRE OBJETO E LUGAR

    1.1 Topografia

    As caractersticas originais do terreno de dimenses 12x40m revelam uma topografia

    praticamente plana, de inclinao transversal de 8,30% vistas a partir da base da PRODABEL

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    . No entanto a implantao atual desse edifcio, de acordo com suas pranchas de corte,

    evidencia um desnvel ainda menor indicando possivelmente uma alterao no terreno em

    relaao ao levantamento original.

    Imagem 1: Curvas de nvel separadas em 0,20 metros. Fonte: Acervo do grupo

    1.2 Histria e estrutura social do lugar

    Bairro nobre de Belo Horizonte, Sion tem seu incio com a ocupao na regio

    limtrofe ao Colgio Nossa Senhora de Sion, atual Santa Dorotia. Ali, no internato religioso,

    estudavam as filhas das famlias tradicionais da cidade, e estas, logicamente, eram as que

    ocupavam primordialmente a regio

    A cidade de Belo Horizonte planejada, inicialmente, dentro da Avenida do Contorno

    era circundada por um cinturo verde de chcaras responsveis por abastecer a cidade com

    produtos agrculas. Com o seu crescimento a deciso de transformar as chcaras em

    loteamentos e novos bairros para alm da Av. do Contorno teve de ser tomada.

    O projeto original do bairro aprovado pela prefeitura em 1928 porm sua expanso

    sistematizada ocorre apenas a partir da dcada de 40, trazendo a chegada da rede de transporte

    pblico ao local. Em 1946, o bairro reparcelado, sendo dividido pelo engenheiro Lauro

    Mouro Guimares em 2406 lotes. Nessa regio havia apenas uma rua pavimentada, a Gro

    Mogol, e ali se encontravam as vilas operrias do Mendona, Acaba Mundo e Anchieta onde

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    moravam pessoas pobres com pouca qualidade de vida. A partir da dcada de 40, essa

    populao menos abastada se afasta e se une para surgir a favela "Acaba Mundo".

    Novas mudanas ao redor do bairro nos anos 60 e 70, como a instalao de colgios, a

    implantao da Avenida Afonso Pena, a expanso da BR-040, fizeram com que o bairro

    virasse alvo de grandes construtoras. Logo, deu-se incio construo de vrios prdios na

    regio mais alta do bairro, conhecida como Alto Sion, consolidando-o como uma rea

    prspera da zona sul de Belo Horizonte. Na ltima dcada o bairro sofre de intensa

    verticalizao, com uma presena marcante de apartamentos de luxo. E para atender essa

    demanda surge uma infra-estrutura comercial considervel: restaurantes, bares, padarias,

    supermercados, escolas, lojas, academias, veterianrias, etc. Hoje, considerado um dos

    bairros mais densos da cidade.

    O bairro uma ZAP (zona de adensamento preferencial), e est inserido numa ADE

    (rea de diretriz especial), no possui regulao especial por no ser uma APA (rea

    parcelada). Segue o quadro de parmetros que regem o espao:

    Parmetros Urbansticos Atuais:

    Coeficiente de Aproveitamento 1,5

    Taxa de Permeabilidade 20%

    Altura Mxima na divisa 5m

    Afastamentos laterais e posterior 2,3m

    Afastamento fronta 3m

    Tabela 1: Parmetros Urbansticos. Fonte: Acervo do grupo

    1.3 Imagem do objeto e formao da paisagem

    O prdio se destaca na paisagem devido ao maior cuidado esttico e funcional.

    possvel perceber que seu formato e seus adornos se diferenciam da vizinhaa no entorno.

    Independente disso, ele apresenta-se em uma rea homogenea na qual predominam

    construes residenciais.

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    Imagem 2: O edifcio e o entorno. Fonte: Google Earth modificado

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    Imagem 3: O edifcio e o entorno. Fonte: Google Earth modificado

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    2 RELAO ENTRE FORMA E CNONES DA HISTRIA

    2.1 Imagem inicial/diagrama/partido: influncia dos cnones da histria na elaborao

    do processo de produo formal

    A partir dos diagramas recebidos do escritrio, nota-se que a forma do edificio foi

    concebida a partir do polgono dado atravs dos afastamentos obrigatrios. A estrutura de

    concreto trlitica foi posteriormente adotada a fim de manter o edifcio de p.

    A estrutura trlitica foi primeiro utilizada na Grcia, com o material disponvel na

    poca, a pedra. Com a descoberta de novos materiais por engenheiros na Revoluo Industrial

    inicia-se o uso do concreto armado que se estende at hoje.

    Montevideu 285 faz referncias ao p-direito das casas coloniais, traz com ele as

    sacadas das casas das cidades barrocas (presente no apto 501) e busca no passado elementos

    arquitetnicos que pudessem melhorar a qualidade dos produtos hoje oferecidos no mercado

    imobilirio local, de uma mesmice nauseabunda. (FERNANDES, 2015).

    possivel perceber uma tendencia em se construir edificios que com pequena ou

    nenhuma area comum nos anos 2000. No modelo estudado o que acontece. O predio

    individualiza ao maximo os pavimentos impossibilitando a existencia de areas de

    convivencia.

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    3 ORGANIZAO DA PLANTA

    3.1 Relao entre planta e forma: linear, blocos conectados, desarticulados

    Imagem 4: Relao planta e forma. Fonte: Vazio S/A modificado

    Parte-se de um retngulo, claramente visvel na planta, e ento extruda-se esta forma

    para gerar a ideia de um paarleleppedoa. Este slido por sua vez seccionado, e desloca-se

    uma destas sees, saindo do prdio 3 metros para o fundo. Este balano gerado, junto um

    diferente acabamento epidrmico, capaz de gerar um destaque significativo ao quinto andar.

    Na parte superior do prdio a impresso deixada de que o bloco como um todo foi

    recortado, e ali esto as sobras.

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    Imagem 5: Relao de pavimentos. Fonte: Vazio S/A

    Esses pequenos ajustes aos andares utilizam do aproveitamento mximo dos

    parmetros urbanisticos para gerar personalidade aos diferentes apartamentos.

    Imagem 6: Sombremento gerado pelas sacadas. Fonte: Vazio S/A modificado

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    Em sua fachada oeste retira-se lateralmente uma seo do bloco principal do primeiro

    ao penltimo anda. Esse recorte gera sombra nas salas dos apartamentos no horrio de

    insolao crtica e permite a ventilao cruzada nestes mesmos ambientes.

    3.2 Relao entre interior e exterior:

    Imagem 7: Fachada Leste. Fonte: Vazio S/A

    Imagem 8: Fachada Oeste. Fonte: Vazio S/A

    Alm do destaque dado ao 5o andar, que acaba gerando uma certa hierarquia exterior

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    entre os apartamentos, h a gritante diferena entre a fachada leste e a oeste. Onde a fachada

    leste exerce papel de protagonista, exibindo detalhes peculiares e propostas alternativas ao

    tradicional encontrado na regio.

    A acessibilidade est relacionada com trazer o espaco acessvel no s para pessoas

    com mobilidade reduzida, mas tambm para aquelas pequenas parcelas da populao, visando

    a eliminao de suas barreiras.

    Ainda exteriormente, o passeio do Edificio Montevideu acessvel, uma vez que a

    inclinao das rampas no ultrapassam o limite de 8,33% e possui uma rota livre de mais de

    1,20 metros em sua largura, com guia ttil de alerta. A entrada para o Hall do edifcio tambm

    acessvel, possuindo 1,20 metros de largura para passagem e porta, e existe um corrimo na

    rampa de 6,83% de inclinao. O acesso ao elevador para os apartamentos tambm

    acessvel, com 8,29% de inclinao na rampa, que possui corrimos e largura maior que 80cm

    em seu acesso.

    Imagem 9: Acessibilidade Hall de Entrada. Fonte: Vazio S/A modificado

    Imagem 10: Acessibilidade apartamento 201. Fonte: Vazio S/A modificado

    Uma coisa marcante na no existncia de acessibilidade nos apartamentos 501 e 601

    a presena de escadas entre a sala de estar e a sala de jantar.

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    Imagem 11: Acessibilidade apartamentos 301-304 e 501. Fonte: Vazio S/A modificado

    Imagem 12: Acessibilidade apartamentos 601 e 701. Fonte: Vazio S/A modificado

    Os apartamentos 601, 701 e 801 (cobertura) no possuem sua entrada acessveis, uma

    vez que se encontra, em cada um, uma escada de tres e sete degraus para o seu acesso.

    Tambm no possvel o acesso do oitavo para o nono e dcimo andar (no apartamento de

    cobertura), sendo que esse acesso s possvel atravs de escadas e o elevador s vai at o

    oitavo andar.

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    Imagem 13: Acessibilidade apartamento 801. Fonte: Vazio S/A modificado

    Imagem 14: O uso de escadas no interior dos apartamentos. Fonte: Vazio S/A

    Portanto, o edifcio no considerado totalmente acessvel: seu ace