TRABALHO NÃO DECLARADO - ec.· oficial para o conceito de trabalho não declarado, na UE, entende-se

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    1. INTRODUO

    Embora no exista nenhuma definio

    oficial para o conceito de trabalho no declarado, na UE, entende-se que

    consiste em qualquer atividade remunerada de carter lcito, mas no

    declarada aos poderes pblicos, tendo em conta as diferenas de carter

    legislativo existentes entre os Estados-

    Membros1 2.

    O fornecimento de bens e servios ilcitos (p. ex., a produo ou o trfico de

    estupefacientes, armas ou pessoas ou o branqueamento de capitais) integra de

    forma mais geral a economia assente na

    criminalidade. Por norma, a definio de economia paralela inclui tanto a

    1 Comunicao da Comisso Europeia intitulada Intensificar o combate ao trabalho no declarado, p. 2 [COM(2007) 628]. 2 No existe escala da UE uma definio nica de uso corrente de trabalho no declarado (TND). Algumas definies incluem

    um conjunto variado de tipos de TND, tais como o trabalho efetuado mas no declarado s autoridades da segurana social, o no

    pagamento de contribuies e impostos e o incumprimento das obrigaes de manuteno de registos, bem como as atividades econmicas integralmente no

    declaradas. Outras definies incidem nas

    obrigaes especficas, tais como o requisito de notificao formal das autoridades

    competentes no incio da vigncia de um contrato de trabalho. Ver: 2016, Observatrio Europeu das Polticas do Emprego (EEPO), Plataforma europeia de luta contra o trabalho

    no declarado, fichas informativas por Estado-Membro e relatrio de sntese.

    economia no declarada como a economia assente na criminalidade.

    O trabalho no declarado suscita desafios de natureza estratgica, por

    vrios motivos:

    trata-se de uma forma de evaso

    fiscal que pe em causa a sustentabilidade das finanas

    pblicas e a estabilidade oramental3;

    tambm limita as perspetivas de crescimento, ao diminuir a

    qualidade do emprego (p. ex., impedindo os trabalhadores de seguir

    aes de aprendizagem ao longo da

    vida) e atravs de distores da concorrncia entre as empresas, que

    prejudicam a produtividade: as empresas do setor informal, regra

    geral, evitam recorrer a servios do setor formal e no dispem de acesso

    adequado ao crdito; do ponto de vista social,

    caracteriza-se por:

    - condies de trabalho inadequadas, - lacunas em termos de requisitos de

    sade e segurana, - rendimentos mais baixos,

    - nenhuma cobertura de segurana social.

    Estas insuficincias traduzem-se num dumping social e em resultados

    sociais mais fracos.

    3 Ver igualmente a ficha temtica do

    Semestre Europeu sobre a Sustentabilidade das finanas pblicas.

    SEMESTRE EUROPEU FICHA TEMTICA

    TRABALHO NO DECLARADO

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    As seguintes tendncias socioeconmicas esto a ampliar a escala a que ocorre o

    trabalho no declarado:

    a crescente flexibilidade das relaes

    contratuais, sobretudo o aumento do trabalho por conta prpria, da

    subcontratao e da externalizao; o crescimento das atividades

    comerciais transfronteirias, que exigem uma cooperao internacional

    eficaz entre as entidades de

    fiscalizao e aplicao da lei; a reorientao da economia para os

    setores mais afetados pelo trabalho no declarado (servios prestados s

    famlias e de cuidados); o aumento das perturbaes sociais

    nalguns pases da UE, que poder levar algumas pessoas a tentar

    compensar as perdas de rendimentos

    com trabalho no declarado.

    O trabalho no declarado insere-se em

    trs categorias de base:

    1. Trabalho no declarado num

    contexto profissional formal. Neste caso, pode ser totalmente

    no declarado, ou parcialmente no declarado, sendo uma parte

    do salrio paga oficialmente e outra parte entregue em mo e

    de forma confidencial;

    2. Trabalho no declarado por conta prpria ou

    independente, sob a forma de prestao de servios a empresas

    formais ou a outros clientes, designadamente famlias;

    3. Fornecimento de bens e servios a vizinhos, familiares,

    amigos ou conhecidos

    (trabalhos de construo ou reparao, limpeza, guarda de

    crianas ou de idosos). Esta categoria pode ser, nalguns

    casos, equiparada a uma ajuda mtua.

    A natureza multifacetada do trabalho no declarado explica-se pelas

    diferenas na estrutura de produo, na capacidade institucional dos organismos

    pblicos e sistemas legislativos, ou na cobertura dos sistemas de proteo

    social. Num determinado pas, importa analisar tanto a escala como a estrutura

    do trabalho no declarado; estes dois

    aspetos podem refletir as deficincias no mercado de trabalho formal do pas em

    causa. Indiscutivelmente, o objetivo final reduzir a escala a que ocorre o

    trabalho no declarado em termos gerais. A principal finalidade, neste

    contexto, transform-lo em trabalho declarado.

    A presente ficha informativa est estruturada como se indica a seguir. A

    seco 2 analisa o desempenho dos pases da UE relativamente aos desafios

    estratgicos. A seco 3 examina dados concretos sobre as estratgias

    suscetveis de dar uma resposta eficaz a estes desafios. Por ltimo, a seco 4

    apresenta um esboo das boas prticas

    existentes em pases da UE.

    2. IDENTIFICAO DOS DESAFIOS

    Podem ser utilizados vrios indicadores

    para identificar os desafios no domnio do trabalho no declarado. Uma vez que

    o trabalho no declarado representa uma varivel no observada, estes

    indicadores esto ligados aos diversos fatores que propiciam este tipo de

    trabalho, tal como se analisa a seguir.

    (1) Fatores econmicos estruturais:

    Elevados nveis de tributao e custos de conformidade (incluindo os

    encargos decorrentes da regulamentao laboral). No entanto,

    os estudos da Eurofound concluram que os regimes laborais e de

    proteo social destinados a baixar a

    carga fiscal, a desregulamentar e a minimizar a interveno do Estado

    no reduzem, em mdia, a escala do trabalho no declarado na economia.

    Neste contexto, mais determinante a perceo de uma tributao e de

    custos de conformidade elevados: no necessariamente nos pases

    com as maiores taxas de tributao

    que as pessoas encaram os impostos como um fator que propicia o

    trabalho no declarado. Optar por no declarar o trabalho pode refletir

    uma insatisfao com os servios

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    pblicos recebidos em troca dos impostos pagos (ver infra fatores

    sociais). possvel obter

    estimativas da burocracia de acordo com a classificao dos pases no

    estudo Doing business do Banco Mundial.

    A composio da economia: alguns setores4 esto particularmente

    expostos ao trabalho no declarado. O tamanho das empresas

    igualmente relevante; os trabalhadores por conta de outrem

    que recebem pagamentos por fora

    trabalham, por norma, em organizaes de pequena dimenso

    56 % trabalham para empresas com menos de 20 funcionrios.

    4 Setor da construo; servios prestados s famlias, servios de limpeza em casas

    particulares, guarda de crianas e de idosos; servios pessoa; segurana privada; limpeza industrial; agricultura; e setor da hotelaria e restaurao.

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    Figura: Dimenso estimada da economia paralela e do trabalho no declarado (TND) na UE

    Pas TND (% em termos do

    volume de

    mo de obra, estimativas

    com o mtodo LIM relativas a

    2013)

    Economia paralela

    (em % do

    PIB), 20151

    TND (% do PIB), 1992-20062

    TND, Dados ou estimativas por

    pas3 (% do PIB)

    Trabalho informal4

    (% da mo

    de obra alargada)

    Procura de TND5 (% dos

    participantes

    no inqurito Eurobarmetro

    (EBS) de 2013)

    Oferta de TND6 (% dos

    participantes

    no inqurito Eurobarmetro

    de 2013)

    Pagamentos por fora7 (% dos

    trabalhadores que recebem

    pagamentos por fora segundo o EBS de 2013)/% do

    vencimento bruto recebido sob a forma

    de pagamento por fora

    ustria 8,7 8,2 1,5 (1995) Sem dados 19,7 14 5 2/10

    Blgica 11,9 16,2 6-20 Sem dados 10,5 15 4 4/5

    Bulgria 17,8 30,6 22-30 (2002) 20 (2011) 13,2 16 5 6/30

    Chipre 13,8 24,8 10 (2007) 19,1 (2012) 53,0 16 2 2/50

    Crocia 14,2 27,7 Sem dados Sem dados Sem

    dados

    17 7 8/35

    Repblica Checa 7,7 15,1 9-10 (1998) Sem dados 12,5 19 4 5/25

    Dinamarca 9,6 12,0 3 (2005) Sem dados 11,5 23 9 2/1

    Estnia 14,8 26,2 7-8 (2007) 8 (2011) 9,8 12 11 5/40

    Finlndia 9,3 12,4 4,2 (1992) Sem dados 11,2 11 3

    Frana 8,8 12,3 4-6,5 (1998) Sem dados 10,3 9 5 1/6

    Alemanha 4,4 12,2 7 (2007) Sem dados 11,9 7 2 1/30

    Grcia 12,4 22,4 24-30 (2007) 36,3 (2012) 46,7 30 3 7/10

    Hungria 17,3 21,9 18 (1998) 16-17 (2006) 9,4 11 4 6/20

    Irlanda 8,6 11,3 8 (2002) Sem dados 33,0 10 2 2/8

    Itlia 12,9 20,6 6,4 (2006) 12,1 (2011) 22,4 12 2 2/65

    Letnia 18,3 23,6 16-18 (2007) Sem dados 8,0 28 11 11/50

    Litunia 19,8 25,8 15-19 (2003) Sem dados 6,4 14 8 620

    Luxemburgo 5,4 8,3 Sem dados Sem dados Sem

    dados

    14 5 3/11

    Malta Sem dados 24,3 25 (1998) Sem dados Sem

    dados

    23 1 Sem dados

    Pases Baixos 5,2 9,0 2 (1995) Sem dados 12,6 29 11 3/5

    Polnia 20,8 23,3 12-15 (2007) 4,6 (2010) 21,6 5 3 5/20

    Portugal 6,6 17,6 15-37 (2004) 22,4 10 2 3/100

    Romnia 18,9 28,0 16-21 (2007) 31,4 11,8 10 3 7/9

    Eslovquia 13,4 14,1 13-15 Sem dados 12,2 17 5 7/20

    Eslovnia 13,2 23,3 17 (2003) Sem dados 14,1 22 7 4/20

    Espanha 8,8 18,2 12,3 (2006) 17 (2011) 18,8 8 5 5/100

    Suci