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CENTRO UNIVERSITÁRIO FMU CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA TRAUMA MEDULAR ROGÉRIO DIAS GONÇALVES SÃO PAULO 2009

TRAUMA MEDULAR ROGÉRIO DIAS GONÇALVES - …arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/rg.pdf · A lesão medular aguda tem inicio na seqüência de eventos vasculares, bioquímicos e inflamatórios

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  • CENTRO UNIVERSITRIO FMUCURSO DE MEDICINA VETERINRIA

    TRAUMA MEDULAR

    ROGRIO DIAS GONALVES

    SO PAULO2009

  • CENTRO UNIVERSITRIO FMUCURSO DE MEDICINA VETERINRIA

    ROGRIO DIAS GONALVES

    TRAUMA MEDULAR

    Trabalho de Concluso de CursoRealizado durante o 10 semestreDo curso de Medicina Veterinria

    sob orientao da professoraThais Fernanda Da Silva Machado

    SO PAULO2009

  • ROGRIO DIAS GONALVES

    TRAUMA MEDULAR

    Trabalho de Concluso de CursoRealizado durante o 10 semestreDo curso de Medicina Veterinria

    sob orientao da professoraThais Fernanda Da Silva Machado

    ___________________________________________ Prof. Dra. Thais Fernanda Da Silva Machado

    FMU Orientador

    ___________________________________________Prof. Dr. Aline Machado De Zoppa

    1 avaliador

    ___________________________________________Prof. Dr. Carla Aparecida Batista Lorigados

    2 avaliador

  • Dedico este trabalho aos meus pais

    Otvio e Claudete ao meu irmo Rodrigo

    e minha namorada Erika,

    e principalmente aos animais.

  • Agradeo a Deus, pela sade que me deu para passar por essa fase em

    minha vida. Agradeo aos meus pais, Otvio e Claudete, que sempre estiveram

    ao meu lado, pelo amor, pela amizade, educao, esforo e sacrifcios, que

    foram decisivos em todo caminho que trilhei em minha vida.Ao meu irmo

    Rodrigo, que juntamente com meus pais me apoiaram e incentivaram

    incondicionalmente. A minha namorada Erika, pela pacincia e compreenso

    de entender-me nos momentos difceis e compartilhar todos os momentos que

    passei em todos esses anos de faculdade, e fora dela. A todos meus amigos,

    que assim como minha prpria famlia, colaboraram com meu crescimento e

    serviram como minha base e alicerce, dos quais tantas vezes precisei para

    seguir em frente. Agradeo especialmente Juliana Cristina, Fernanda Fozzati,

    Juliana Toledo pela ajuda nos momentos em que mais precisei nunca me

    disseram um no.Aos residentes do Hospital Veterinrio da FMU em especial

    Adriana Donnini, Ketti Tatanari, Lilian Satie, Bruna Miranda por toda pacincia,

    fora, convivncia, companheirismo, alegrias e tristezas compartilhadas.Vocs

    no tem idia do que fizeram por mim. A minha orientadora, Thais Fernanda

    Da Silva Machado, pela amizade,pacincia, pelos ensinamentos e dedicao

    profissional, que com certeza sero levados com muito carinho por mim como

    exemplo para minha vida. Aos professores, em especial a professora Aline

    Machado de Zoppa pela disposio,o saber compartilhado e amizade. E

    principalmente aos animais que, sem ao menos entender o que faziam,

    contriburam na minha formao profissional, me ensinado sempre a amar e

    valorizar ainda mais minha profisso e o prazer da convivncia com eles,

    estimulando-me a lutar e aprender pela sua sade e bem estar.

  • "A gratido ajuda voc a crescer e expandir-se. A gratido leva o sorriso e a

    alegria sua vida e vida daqueles com quem voc convive."

  • RESUMO

    O trauma medular uma das molstias neurolgicas freqentes e mais graves na pratica clinica. A leso aguda se inicia atravs de diversos eventos vasculares, bioqumicos e inflamatrios que causam leses teciduais secundarias, levando a destruio progressiva do tecido neuronal com conseqncias desastrosas e freqentemente irreversveis da funo motora e sensorial do paciente. Esta alterao na medula deve-se ser considerada de carter emergencial, visto que a interveno rpida e adequada em intervalo de tempo apropriado, pode limitar a extenso de danos ao tecido neuronal, favorecendo a recuperao neurolgica do paciente. O diagnostico do paciente traumatizado comea pelos exames fsicos e neurolgicos, a anamnese feita para se detectar distrbios agudo ou crnico. O exame neurolgico deve ser feito minucioso para determinar a presena ou ausncia da sensibilidade profunda. No tratamento da leso medular aguda so usados neuroprotetores, visando o controle das leses secundrias, associados ou no cirurgia para descompresso e estabilizao da coluna vertebral. Para beneficiar o tratamento cirrgicos so realizados tratamentos complementares entre esses acupuntura, fisioterapia.

    Palavras-chave: trauma medular, afeces neurolgicas, ces.

  • ABSTRAT

    The trauma of the spinal cord is a frequent neurological diseases and more severe in clinical practice. The acute injury is initiated through a number of vascular events, and biochemical reactions that cause secondary tissue damage, leading to progressive destruction of neuronal tissue with disastrous consequences and often irreversible motor and sensory function of the patient. This change in the bone should be considered to be an emergency, since the rapid and appropriate period of time appropriate to limit the extent of damage to neuronal tissue by promoting neurologic recovery of the patient. The diagnosis of trauma patient begins with physical and neurological examinations, patient history is made to detect acute or chronic disorders. The neurological examination should be done scrutiny to determine the presence or absence of deep sensibility. In the treatment of acute spinal cord injury are neuroprotective used, for the control of secondary lesions, with or without surgery for decompression and stabilization of the spine. To benefit from surgical treatment are carried out between these complementary treatments to acupuncture therapy.

    Kywords: spinal cord trauma, neurological disordes, dogs.

  • GONALVES, Rogrio Dias.

    Trauma Medular.

    32 f.

    Monografia Centro Universitrio FMU. Medicina Veterinria.

    So Paulo, 2009.

    rea de concentrao: Veterinria

    Orientador: Prof Dra. Thais Fernanda Da Silva Machado.

    1. trauma medular 2. afeces neurolgicas 3. ces.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO. 102 ANATOMIA11 Anatomia .....123 ETIOLOGIA................................134 FISIOPATOLOGIA DO TRAUMA MEDULAR .......................................14

    Fisiopatologia do trauma medular.......................15

    4.1 Efeitos imediatos do trauma................................164.2 Anormalidades vasculares..164.3 Eventos bioqumicos.....17

    Eventos bioqumicos.185 MANIFESTAES CLNICAS..196 DIAGNSTICO.20 Diagnstico....................21

    Diagnstico...........................226.1 Exames complementares...................236.2 Exame radiolgico.....236.3 Mielografia...........24

    Mielografia...........256.4 Tomografia computadorizada............256.5 Ressonncia magntica.......257 TRATAMENTO.....267.1 Tratamento conservativo..267.2 Bloqueadores de canais de clcio...................26 Bloqueadores de canais de clcio....277.3 Antioxidades e varredores de radicais livres ....277.4 Antagonistas dos opiides ..................................................................27

    7.5 Polietilenoglicol....287.6 Corticides.28 7.6.1

    AIEs ...............287.6.2 AINEs...........................................28

    AINEs .......................................................................................................298 TRATAMENTO CIRRGICO...................................308.1 Tcnicas cirrgicas................................................308.1.2 Fenestrao dos disco intervertebrais...30

    Fenestrao dos disco intervertebrais .....318.1.3 Laminectomia.............................31

  • Laminectomia ...328.1.4 Hemilaminectomia.............................328.1.5 Slot.........................................................329 TRATAMENTO COMPLEMENTAR...339.1 Fisioterapia...........339.1.2 Tens.......................339.1.3 Laser......................................................33

    Laser........................................349.1.4 Calor......................349.1.5 Hidroterapia........................34

    Hidroterapia.........................................................359.1.6 Cinesioterapia.................................................... ....35

    Cinesioterapia..........................................................................................36

    10 ACUPUNTURA ..........37Acupuntura .............................................................................................38

    Acupuntura........39CONCLUSO..................................40Referncias .............................................................................................41

    8 TRATAMENTO CIRRGICO...................................308.1 Tcnicas cirrgicas................................................30

    1. INTRODUO

    O trauma medular uma afeco neurolgica freqente e grave na

    prtica clnica. Esta afeco deve ser considerada emergencial, visto que a

    interveno rpida e adequada em intervalo de tempo apropriado, pode limitar

    a extenso dos danos ao tecido neuronal, favorecendo assim a recuperao

    neurolgica do paciente. (ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007)

    A leso medular ocorre em ces e gatos devido a causas exgenas e

    endgenas. A leso de origem endgena decorre da protruso ou extruso de

    disco intervertebral, fraturas patolgicas, instabilidade e anormalidades

    congnitas. Dentre os fatores exgenos, incluem traumas por ama de fogo,

    queda, leses, traumas automobilstico, leses causadas por outros animais e

    objetos. (ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007)

    A leso medular aguda tem inicio na seqncia de eventos vasculares,

    bioqumicos e inflamatrios que causam desenvolvimento de leses teciduais

    secundarias, levando destruio progressiva do tecido neuronal com

  • conseqncias desastrosas e irreversveis as funes motoras e sensrias do

    animal.(ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007)

    Em geral no tratamento de leso medular aguda so usados

    neuroprotetores, visando assim o controle das leses secundrias, associados

    ou no a intervenes cirrgicas para descompresso e estabilizao da

    coluna vertebral. A compresso medular crnica pode ser decorrente de

    processos que se desenvolvem gradativamente, mas tambm podem ser

    seqelas decorrentes dos efeitos do trauma, meses a anos aps a ocorrncia

    da leso.(ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007).

    O diagnostico para trauma medular se baseia em exames de rotina

    feitos em pacientes traumatizados. Deve-se fazer anamnese e obter o maior

    numero de informaes sobre o animal, o exame fsico feito para descartar

    leses que podem comprometer o animal, o exame neurolgico devem ser

    minucioso e completo. Os exames complementares como a radiografia,

    mielografia, tomografia computadorizada e ressonncia magntica devem ser

    realizados para complementar seu diagnostico.(ARIAS, SEVERO, TUDURY,

    2007.; TELLO, 2009)

    2. ANATOMIA

    A coluna vertebral em ces composta de quatro regies vertebrais:

    cervical; torcica; lombar; sacra. Existem aproximadamente 20 vrtebras

    caudais ou coccgeas (WHEELER; SHARP, 1999; GETTY,1986).

    O numero de vrtebras em uma dada espcie perfeitamente constante

    para cada regio, exceto na ultima, tanto que a formula vertebral pode ser

    expressa, no caso de ces e gatos, em C7 T13 L7 S3 Ca 20-23 (GETTY, 1986).

    Os discos intervertebrais esto localizados entre os corpos vertebrais,

    iniciando entre C1 e C2. Os discos intervertebrais tambm esto presentes

    entre as vrtebras coccgeas, mas no possuem significado clnico. As

    extremidades dos corpos vertebrais so recobertas por cartilagem. Os corpos

    vertebrais se articulam por meio do disco intervertebral, formando uma

    articulao levemente mvel do tipo anfiartrodial.(GETTY, 1986)

  • Entre as vrtebras existem os discos intervertebrais que so compostos

    por duas regies anatmicas, que so: os anis fibrosos e os ncleos

    pulposos. Os anis so compostos de tecido fibroso laminar e encontra-se

    envolvendo o ncleo pulposo gelatinoso. Possuem os anis fibrosos individuais

    que circundam as vrtebras externamente e em ngulos variados, esses anis

    fibrosos so para suportar a fora que pode ser aplicada no disco em todos os

    ngulos. O ncleo pulposo um tecido gelatinoso semfluido, sua posio

    excntrica entre o meio e um tero da poro dorsal do disco, possui

    propriedade hidroflica absorvendo e dissipando foras. O anel fibroso

    composto de fibrocartilagem arranjada em camadas concntricas, suas

    pores ventrais e laterais so de 1,5 a 3 vezes mais espessas do que a

    poro dorsal. A placa de cartilagem uma fina camada de cartilagem hialina

    que recobre a epfise do corpo vertebral.(GETTY, 1986)

    As camadas externas dos anis fibrosos e do ligamento longitudinal

    dorsal possuem fibras sensoriais nervosas, ao contrrio ao ncleo pulposo e as

    fibras da zona transicional, que no possuem essas fibras. Os discos

    intervertebrais do co e gato so relativamente maiores que de outras espcies

    (DYCE, 1997).

    Dois ligamentos tambm auxiliam a conectar os corpos vertebrais, os

    ligamentos longitudinais dorsal e ventral. O ligamento longitudinal dorsal corre

    no assoalho do canal medular, ou seja, acima do disco, enquanto o ligamento

    longitudinal ventral corre no leito dos corpos vertebrais. Complementando

    esses pontos de contato, a coluna vertebral tambm sustentada por

    numerosos msculos e inseres tendneas e outros ligamentos

    especializados.(DYCE, 1997)

    O disco intervertebral (DIV) possui trs regies distintas: ncleo pulposo,

    anel fibroso e a placa de cartilagem.

    Os nervos da cauda eqina tem estrutura tpica de nervo perifrico e so

    parcialmente embainhados pelas meninges. Eles toleram melhor as

    deformaes que a medula espinhal, e existe um espao epidural mais amplo

    na regio da cauda eqina. Assim, estes nervos que compem a cauda eqina

    so mais resistentes aos traumatismos do que o tecido da medula espinhal,

  • porm, se leses mais graves ocorrerem, a recuperao improvvel (DYCE,

    1997).

    Os ligamentos situados interna e externamente ao canal vertebral tem

    papel significante na estabilidade e na mobilidade espinhais. O ligamento da

    nuca se estende a poro dorsal do arco do xis at o processo espinhoso de

    vrtebras torcicas craniais. Este ligamento situa-se profundamente na

    musculatura cervical dorsal (DYCE, 1997).

    3. ETIOLOGIA

    As causas de trauma medular podem ser divididas em exgena e

    endgena. Dentre as causas exgenas esto os acidentes por automveis,

    projeteis e traumas provocados por animais, humanos ou objetos em

    movimento. Como causas endgenas esto as hrnias de disco tipo I, fraturas,

    malformaes congnitas e instabilidades vertebrais. Para os autores a

    extruso de disco intervertebral a causa mais comum de trauma espinal,

    seguido por acidentes veiculares e pelas mordidas (ARIAS, SEVERO,

    TUDURY, 2007).

    Em estudos realizados pela Universidade Federal de Santa Maria

    (UFSM) e pelo Laboratrio de Patologia Veterinria (LPV), com finalidade de

  • pesquisar as causas de morte por atropelamento automotivo, conclui que em

    (89 %) havia leses que explicavam a morte ou a razo para a eutansia

    destes ces. Essas leses incluram traumatismo esoinhal-medular 43 (27,7&)

    ruptura de rgos parenquimatosos 40 (25,8%) traumatismo cranioenceflico

    28 (18,1&) ruptura de rgos ocos 16(10,3%) fratura de costelas com lacerao

    de rgos parenquimatosos 15(9,7%) e ruptura de diafragma com

    deslocamento de vsceras abdominais para cavidade torcica 10 (6,4%).

    4. FISIOPATOLOGIA DO TRAUMA MEDULAR

    O trauma medular agudo resultado de leses por meio de dois mecanismos. A leso primaria decorrente de foras que causam dano

    instantneo aps o evento traumtico como lacerao, compresso,

    transseo, flexo. No momento do trauma ocorre a ruptura e esmagamento de

    elementos neuronais e vasculares, essa ruptura inclu a ruptura de corpos

    celulares nervosos, axnios e estrutura suporte( clulas de glia), o que resulta

    na interrupo morfolgica e ou fisiolgica de impulsos nervosos.( ARIAS,

    SEVERO, TUDURY, 2007)

  • A leso secundaria acontece dias ou minutos aps o ocorrido de leso.

    causada devido a alteraes locais intracelulares e extracelulares,

    associadas a leses sistmicas como hipoxia, hemorragia entre outras

    decorrentes do trauma. O traumatismo inicial pode causar uma cascata de

    eventos destrutivos que causam perda do tecido neuronal que inicialmente no

    est comprometido.( WHEELER J. S; SHARP, 1999)

    Diversas alteraes sistmicas, focais e celulares caracterizam as

    leses secundrias, que resultam em mudanas biomecnicas e patolgicas

    que podem causar deteriorao funcional e comprometer a integridade

    estrutural da medula espinhal.(ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007)

    Existem quatro mecanismos bsicos na leso de medula espinhal:

    interrupo anatmica, compresso, concusso e isquemia.

    A interrupo anatmica (Figura 1) do parnquima da medula espinhal

    a lacerao fsica do tecido nervoso, cujos efeitos so considerados como no

    tratveis e irreversveis.( ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007).

    Figura 1: Interrupo anatmica de medula espinhal (Fonte MACHADO, 2009).

    Na compresso medular h presena da massa que promove o

    aumento da presso no interior do canal vertebral. Essa compresso (Figura 2)

    decorrente da extruso de disco e determinada pela massa do ncleo

    extruso degenerado dentro do canal. (ARIAS, SEVERO, TUDURY, 2007).

  • Figura 2: Extruso de disco (Fonte: FOSSUM, 2007).

    A concusso decorrente de um impacto agudo da medula espinhal,

    geralmente sem compresso residual, afetando inicialmente a substancia

    cinzenta da medula espinhal, propagando para substncia branca e podendo

    levar a destruio progressiva do tecido nervoso. O processo isqumico e h

    interrupo do suprimento sanguneo arterial para medula espinhal, este

    processo de isquemia est relacionado a perda da auto-regulao do fluxo

    sanguneo no segmento medular lesionado e a sua extenso depende da

    severidade da leso inicial, sendo esta de carter progressivo (ARIAS,

    SEVERO, TUDURY, 2007).

    4.1 EFEITOS IMEDIATOS DO TRAUMA

    Aps o impacto medula espinhal h um bloqueio total da conduo

    nervosa causado ao influxo de potssio que vem de clulas lesadas

    mecanicamente. A quantidade de potssio extracelular e intracelular promovem

    a despolarizao e conseqente bloqueio da conduo. (JEFFERY, 2003)

  • 4.2 ANORMALIDADES VASCULARES

    Em seguida ao trauma ocorre perda da auto- regulao do fluxo

    sanguneo no segmento medular lesado e a presso de perfuso torna-se

    diretamente relacionada presso arterial sistmica que na maioria das vezes

    est baixa devido as leses sistmicas concomitantes, o fluxo sanguneo na

    substancia cinza reduz drasticamente durante as duas primeiras horas e

    permanecem em nveis baixos nas primeiras 24 horas, o fluxo sanguneo na

    substancia branca tambm reduz inicialmente dentre a primeira hora aps a

    leso e ate 6 horas aps, mas retorna ao normal aps o tempo de seis horas.

    ( JEFFERY, 2003)

    O aumento da concentrao de substancias vasoconstritoras no

    segmento lesado, somado a hipotenso sistmica que ocorre aps o trauma,

    pode levar a uma isquemia neuronal.( JEFFERY, 2003)

    A compresso medular pode exacerbar os eventos isqumicos da leso

    concussiva a medida que ocorra edema vasognico que esta associado ao

    aumento da presso intraparenquimatosa. Este edema causado devido a

    obstruo da drenagem venosa e as mudanas na permeabilidade dos vasos,

    que causa comprometimento das substancia cinzenta e leva a transtornos nos

    axnios e exposio de agentes lesivos e exacerbando a apoptose celular.

    (KRAUS, 2000)

    Como a medula espinhal est situada dentro de um canal vertebral no

    expansivo, a compresso tende a distribuio da presso por todo o

    parnquima, fazendo com que tenha comprometimento da sua funo, porem a

    substancia cinzenta relativamente preservada em todo o processo, a

    habilidade da medula espinhal em regular o fluxo sanguneo de dixido de

    carbono diminui, a medula tenta preservar-se perdendo mielina e axnios da

    substancia branca, para que se possa acomodar o material compressivo.

    (KRAUS, 2000)

    4.3 EVENTOS BIOQUMICOS

  • Associado a reduo de fluxo sanguneo na medula espinhal, ocorrem

    mudanas metablicas severas, logo aps ocorrer leso. Normalmente a

    concentrao de L- glutamato um neurotransmissor excitatrio, regulada por

    um mecanismo ativo e eficiente efetuado por astrcitos. O dano mecnico

    associado falta de energia local leva ao aumento da liberao neuronal de

    glutamato e decrscimo da ao do mecanismo dos astrcitos sobre o mesmo,

    elevando a concentrao deste neurotransmissor a nveis txicos. A interao

    do L-glutamato com o receptor N-metil D-aspartato(NMDA), um receptor para o

    L- glutamato nas membranas ps-sinpticas, abre os canais de ons

    ocasionando o aumento intracelular de sdio, cloreto e principalmente clcio.

    ( JANSSENS, 1991; OLBY, 1999; JEFFERY, 2003)

    O aumento da concentrao do clcio intracelular ativa proteases como

    a calpaina, que destroem o citoesqueleto e o DNA cromossomal, iniciando a

    necrose e a apoptose. O aumento dos nveis de prostaglandinas causa o

    aumento da permeabilidade vascular e vasoconstriao ou vasodilatao.

    Ocorrem tambm alteraes da funo plaquetria, que pode causar obstruo

    de vasos sanguneos e liberao de serotonina a qual tambm ativa a

    permeabilidade vascular, favorecendo a formao de edema (SMITH,

    MCDONALD, 1999).

    Ocorre uma reao que desencadeia rapidamente uma resposta

    inflamatria que contribui para a leso secundria, tais respostas inflamatrias

    contribui para produo de uma variedade de citotoxinas e agentes protetores.

    Os mediadores inflamatrios tem efeitos prejudiciais na condio inica e

    transmisso sinptica, alterando a funo neuronal (SMITH; McDONALD,

    1999)

    Durante o desenvolvimento da resposta inflamatria ocorrem duas fases

    da infiltrao celular na medula espinhal, inicialmente ocorre um influxo de

    neutrfilos que atingem os nveis mximos dentro de poucas horas, ocorrendo

    logo aps o recrutamento de macrfagos cujo pico estabelecido aps cinco a

    sete dias, a segunda fase da infiltrao celular coincide com a desmielinizao

    secundria e perda de axnios.

    Na medula espinhal lesada pode-se encontrar leuccitos

    polimorfonucleares fagcitos em seu interior e adjacente as paredes vasculares

    e as reas de hemorragia, esta hemorragia possibilita o trauma a induzir a

  • ativao de lpases da membrana, liberando vrios cidos graxos, mas

    notadamente o acido araquidnico.

    5. MANIFESTAOES CLNICAS

    Alteraes compressivas da medula espinhal resultam em uma

    variedade de inais clnicos, dependendo de vrios fatores como localizao e

    severidade da leso, sendo o principal deles a velocidade com que ocorre a

    compresso medular. (SCHULZ, 1998),

    Sinais clnicos como dor, paraparesia e paraplegia podem ser

    observados em paciente com leso medular. O sinais pode ocorrer em minutos

    ou semanas aps a leso medular, podendo progredir lenta ou rapidamente

    (LECOUTEUR & CHILD, 2002).

  • A avaliao neurolgica fundamental para localizar e avaliar a

    gravidade das eses. Os achados clnicos mais comuns em animais com

    alteraes na regio toracolombar ou lombar podem variar desde pequenos

    graus de dor ou hiperestesia no local da leso at paraparesia no ambulatria

    de neurnio motor superior (LECOUTEUR & CHILD, 2002).

    Os sinais neurolgicos mais precoces podem ser perda da

    propriocepo consciente e marcha atxica, como sinal motor mais precoce. O

    aumento da severidade das leses leva a perda da capacidade de sustentar o

    prprio peso, perda dos movimentos voluntrios, disfuno da bexiga e,

    finalmente, depresso ou perda da sensao de dor profunda, caudal ao local

    da leso (LECOUTEUR & CHILD, 1992; STILL.1988).

    6. DIAGNSTICO

    O diagnstico de leso medular se baseia nos exames fsicos e

    neurolgicos em pacientes traumatizados. Deve primeiramente obter o maior

    nmero de informaes durante a anamnese (FOSSUM, 2007).

    A anamnese deve-se comear atravs de um exame sistemtico

    adequado dos animais suspeitos de serem portadores de alteraes

    neurolgicas, a descrio est correlacionada com a localizao anatmica da

    leso. A anamnese feita para que se possa caracterizar o distrbio agudo ou

    crnico, progressivo ou esttico e persistente ou intermitente, doenas prvias,

  • histrico de vacinao, deve-se fazer o questionamento ao proprietrio sobre

    as alteraes de comportamento, convulses, desvio de cabea, andar em

    crculos ou outros sinais de anormalidades dos nervos cranianos.(FOSSUM,

    2007).

    No exame fsico deve-se fazer uma avaliao cuidadosa da histria para

    determinar a presena ou ausncia de hiperestesia (dor) ou paresia para ajudar

    a elaborao do diagnostico diferencial. (FOSSUM, 2007)

    No caso de pacientes que tenham sofrido traumatismo externos, o

    exame fsico deve ser completo e primeiramente focado em sistemas que

    comprometam a vida do animal. Dentre as conseqncias sistmicas mais

    comuns esto: hemotrax (Figura 3), pneumotrax, hemorragia abdominal e o

    choque. Nesses casos o paciente deve ser manejado de forma rpida,

    estabilizando e mantendo fora de risco. Se existe suspeita de fratura em coluna

    deve-se examinar o paciente em decbito lateral, evitando movimentos

    desnecessrios ou excessivos. O objetivo da estabilizao tem por objetivo

    prevenir um dano mecnico maior sobre a medula espinhal.

    Figura 3: Hemotrax causado por traumatismos externos (Fonte: Carvalho, 2009).

    O exame fsico feito em pacientes com provvel doena neurolgica,

    alguns distrbios metablicos, cardiovasculares e musculoesqueltico

    mimetizam a apresentao clinica de distrbios neurolgicos. Deve-se observar

    o animal na sala de atendimento durante a realizao da anamnese, isto

  • devido a deficincias visuais podem ser mais evidentes quando o animal

    colocado em um ambiente estranho. A perda da propriocepo tambm pode

    ser evidente, em um piso escorregadio (FOSSUM, 2007).

    Determinados componentes do exame neurolgico esto includos

    quando realizado o exame fsico, abrangendo o estado mental do paciente,

    ambulao, postura, evidencia do trauma, expresso facial e padro

    respiratrio. Minimizar o movimento do paciente vitima do trauma at que

    possa ser eliminada a presena e uma fratura espinhal, o exame fsico feito

    com detalhes pode auxiliar no estabelecimento da presena ou ausncia de

    doena neurolgica. (FOSSUM, 2007)

    O exame neurolgico deve ser completo e minucioso. Em primeiro lugar deve-

    se descartar o comprometimento da cabea, baseando no estado mental,

    funcionalidade dos pares de nervos cranianos, presena de convulses,

    coordenao e postura de cabea.

    Em seguida deve-se avaliar a medula espinhal, avaliando reaes

    posturais, reflexos espinais, sensibilidade paravertebral e reflexo do panculo.

    Finalmente deve-se determinar a presena ou ausncia de sensibilidade

    profunda.

    O exame neurolgico deve ser realizado em um local silencioso, com um

    bom piso, no se deve usar sedativos antes da realizao do exame, mas

    entretanto importante que o animal esteja relaxado. O exame deve ser

    iniciado fazendo uma avaliao do estado mental, postura e deambulao do

    paciente. (FOSSUM, 2007)

    Os pacientes com leso no segmento cervical manifestaro sinais de

    neurnio motor superior( NMS) nos quatros membros. Se a leso

    cervicotorcica, os sinais sero de NMS nos membros plvicos e de neurnio

    motor inferior( NMI) nos membros torcicos. Se a leso ocorrer entre T3-L3,

    apresentar sinais de MNS nos membros plvicos e, finalmente, se a leso

    no segmento lombossacro, os sinais sero de NMI nos membros plvicos.

    (Foto 4)

  • Figura 4: Tabela de localizao da leso em NMS e NMI (Fonte) Machado, 2009

    A finalidade do exame neurolgico determinar o local da leso.

    Posteriormente devem ser feitos exames complementares de acordo com os

    pr- diagnostico estabelecido, para orientar a terapia.

    6.1. EXAMES COMPLEMENTARES

    Dentre os exames complementares, o rx simples, mielografia, tomografia

    computadorizada e a ressonncia magntica podem ser utilizados para

    confirmao de leso medular.

    6.2. EXAME RADIOLGICO

    A radiografia simples a primeira ferramenta diagnstica que deve ser

    utilizada quando a suspeita de um trauma espinal. Uma vez o paciente

  • examinado e estabilizado o exame radiolgico pode ser realizado, evitando

    movimentos excessivos.( TELLO, 2009). (Figura 5)

    Figura 5: Radiografia simples em coluna cervical, (Fonte) MACHADO, 2009

    Fazer uma projeo ltero-lateral para visibilizar fraturas ou instabilidade

    cervical. Deve-se ter extremo cuidado com a manipulao da coluna vertebral,

    j que existe hipotonia da musculatura paravertebral e maior instabilidade aos

    movimentos, o que permite agravamento do paciente.

    6.3. MIELOGRAFIA

    A mielografia um exame contrastado, indicado quando no se tem

    clareza nas radiografias simples, consiste na injeo subaracnide de contraste

    para evidenciar a medula. (FOSSUM, 2007). O contraste usado na realizao

    da mielografia so o iopamidol (Isovue) e iohexol (Omnipaque). O contraste

    no inico pode ser usado o iohexol com dose 300mg de iodo-ml. (FOSSUM,

    2007).

    Deve-se fazer com cautela, principalmente em pacientes com suspeita

    de instabilidade vertebral, fazer a puno na cisterna magna ou lombar (L4-L5

  • ou L5-L6). A mielografia pode causar efeitos indesejveis como convulses, o

    que em pacientes com instabilidade vertebral poder trazer conseqncias

    graves para a medula espinhal. Para realizao do exame deve-se fazer a

    tricotomia e assepsia da pele e da regio selecionada. (FOSSUM, 2007).

    (Figura 6)

    Figura. 6 Mielografia (Fonte: MACHADO, 2009).

    Em estudo realizado pelo Departamento de Radiodiagnstico IVI para

    comparar achados radiogrficos e mielografia em ces com leses medulares

    a mielografia de vital importncia para o diagnstico de alteraes medulares,

    assim como a determinao do local e extenso das leses, este estudo foi

    realizado no perodo de 1995 a 2005 com 198 ces. Os resultados obtidos

    mostram alteraes em algum segmento da coluna vertebral perante as

    radiografias simples. Nas mielografia 31 (15,6%) ces no apresentaram sinais

    de compresso medular; 142 (71,7%) mostraram sinais variados de

    compresso medular extradural; 08 (4,0%) com leses intramedulares e 17

    (8,5%) apresentaram resultados inconclusivos, devido a fatores como processo

    inflamatrio local ou insucesso da puno lombar, 142 compresses

    extradurais, 54 (38%) localizaram-se na regio cervical; 27 (19%) na torcica;

    44 (30,9%) na traco-lombar e 17 (11,9%) na lombar. A leso extradural, 113

    (79,5%) ces apresentaram casos de discopatias, sendo 81 (71,6%) protruses

  • e 58 (51,3%) extruses; 13 (9,1%) casos de compresses extradurais foram

    relacionados a fraturas e luxaes e 16 (11,2%) a outras alteraes como

    neoplasias, hipertrofia ligamentar e hematomas ou hemorragias.

    6.4. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA

    A tomografia computadorizada o mtodo de eleio para detectar

    leses em laminas e nos elementos posteriores da coluna, tambm de

    grande ajuda para detectar fraturas do segmento C1 C2 e fissuras do corpo

    vertebral, a tomografia computadorizada capaz de mostrar luxaes ou

    fragmentos sseos que no aparecem no exame de radiografia simples.

    (TELLO, 2009)

    6.5. RESSONNCIA MAGNTICA

    A ressonncia magntica superior a mielografia e a tomografia

    computadorizada pois evidenciam leses espinais, este exame o nico

    mtodo radiolgico de confirmar a leso de medula espinhal (TELLO, 2008)

    7. TRATAMENTO

    7.1 TRATAMENTO CONSERVATIVO

  • Deve considerar a leso medular aguda uma emergncia, o tratamento

    o fator critico na limitao da degenerao e necrose tecidual, a prioridade

    neste tratamento do paciente politraumatizado a estabilizao do estado

    geral e controlar qualquer condio que ameace a vida como hipotermia e

    hipotenso, pois estas alteraes podem causar alteraes nos exames

    neurolgicos subseqentes (JERRERY, BLAKEMORE, 1999).

    O animal deve ser imobilizado em uma maca que evite o deslocamento

    de vrtebras instveis, deve-se fazer a imobilizao do paciente visando

    diminuir uma nova ocorrncia de leso primaria. Est imobilizao pode ser

    feita em local de superfcie lisa e rgida onde o paciente fique em decbito

    lateral, com auxilio de fita adesiva (JERRERY, BLAKEMORE, 1999).

    Na escolha do tratamento adequado, deve-se considerar o tipo de

    severidade da leso medula espinhal. Muitas vezes est to discreta, que a

    funo normal pode retornar sem qualquer tratamento. Outro fator que deve ser

    considerado o tempo de ocorrncia do trauma, visto que a terapia com

    neuroprotetores s efetiva quando administrada dentro de um tempo restrito

    aps a leso. (JEFFERY e BLAKEMORE, 1999)

    No momento, o tratamento para leso de medula espinhal limita-se

    utilizao de agentes neuroprotetores, drogas que, em doses adequadas, tem

    demonstrado benefcios em pacientes com trauma medular. Este pode ser

    associado ou no ao tratamento cirrgico. (JEFFERY e BLACKEMORE, 1999)

    Segundo JEFFERY; BLAKEMORE, 1999 o uso de neuroprotetores

    indicado visando prevenir ou limitar leso secundaria da medula espinhal.

    7.2. BLOQUEADORES DE CANAIS DE CLCIO E SDIO

    Os bloqueadores de canais de clcio e sdio possuem ons de Ca e

    possuem importante papel no desenvolvimento da isquemia aps o trauma,

    sugerido que se utilize os bloqueadores de clcio na terapia da leso

    medular(BRAUND, 1993). Este agente bloqueia o aumento de clcio

    intramedular, impedindo a ativao da fosfolipase A2 que por sua vez inicia a

    cascata do cido araquidnico e leva peroxidao dos lipdeos da membrana

    celular da medula (JEFFERY, 1999).

  • Constatou-se que o aumento da concentrao intracelular de clcio

    depende do aumento das concentraes de sdio de axnio, e que o bloqueio

    de canais de sdio foi benfico recuperao de leses axonais e metablicas

    na substncia branca do sistema nervoso central(SNC) (JEFFERY, 1999).

    7.3. ANTIOXIDANTES E VARREDORES DE RADICAIS LIVRES

    Agentes como as vitaminas C, E, selnio e o dimetil sulfxido (DMSO)

    tem o potencial de reduzir a magnitude da necrose tecidual aps a leso,

    protegendo a medula espinhal dos efeitos deletrios dos radicais livres

    (BRAUND, 1993). O selnio um co-fator para a peroxidade glutationa, uma

    enzima que atua removendo o perxido de hidrognio intracelular. As

    propriedades antioxidantes da vitamina E so creditados sua

    lipossolubilidade e capacidade de se intercalar entre os cidos graxos

    poliinsaturados dos fosfolipdeos da membrana celular, protegendo-a do ataque

    dos radicais livres(HALL; WOLF, 1986).

    Autores de estudos com o uso de microscopia eletrnica indicaram que

    o dimetil sulfxido (DMSO), administrando uma hora aps a contuso medular,

    protege a bainha de mielina e os axnios, reduz o edema e acelera o retorno

    da funo motora (DANILOFF; HOSGOOD, 1999)

    7.4. ANTAGONISTAS DOS OPIIDES

    A utilizao de altas doses de naloxona aps a ocorrncia de trauma

    medular experimental em felinos melhorou o fluxo sanguneo medular. Com

    isso h aumento na recuperao da funo neurolgica, quando administrada

    de uma a quatro horas aps o trauma, mostrou alguns benefcios, sendo o

    efeito dose-dependente, ele atua revertendo em hipotenso e reduo do fluxo

    sanguneo medular (BERGMAN, 2000).

    7.5. POLIETILENOGLICOL

  • A soluo de polietilenoglicol (PEG), utilizada na medula traumatizada

    de cobaias, promoveu recuperao imediata da conduo de impulsos

    nervosos e de algumas funes neurolgicas prprias da substancia branca. A

    medula espinhal de cobaias foi exposta durante a realizao de procedimento

    cirrgico e a soluo de PEG foi diretamente aplicada 15 minutos aps a leso

    medular em um grupo e oito horas a leso medular em outro grupo

    (BORGENS; BERGMAN, 2000). O PEG promoveu a conexo ou reconexo

    das membranas celulares, restaurando a excitabilidade da membrana e

    inibindo a destruio de axnios durante o processo de leso secundria

    (BORGENS; SHI, 2000).

    7.6. CORTICIDES

    7.6.1. AIEs

    Os glicocorticides podem ser utilizados em doses antiinflamatrias no

    tratamento de compresso medula espinhal, com objetivo de reduzir o

    edema, e diminuir o efeito compressivo, apresentando ainda, efeitos

    antiprostaglandina (JEFFERY, 1995).

    7.6.2. AINEs

    Antiinflamatrios no esteroidais podem ser empregados como parte da

    terapia para animais que apresentam dor ou leve paresia, perda crnica da

    sensibilidade dolorosa profundo nos membros plvicos ou aqueles animais cujo

    proprietrio no autoriza o tratamento cirrgico (WATERS, 2003).

    O maior problema do uso de antiinflamatrios no esteroidais (AINES)

    observado quando no surgem efeitos esperados, ento proposto o uso de

    glicocorticides o que pode carretar uma serie de complicaes

    gastrointestinais com o uso seguido dessas duas drogas. Da mesma forma que

    os corticosterides, a administrao de AINEs deve ser feita de forma

    cautelosa visto que o alivio da dor do animal pode levar a uma atividade

    excessiva, resultando na exacerbao dos sintomas (WATERS, 2003).

  • A dexametasona tem sido utilizada no tratamento de leses a medula

    causando efeitos colaterais como ulceraes e hemorragias gastrointestinais.

    Opiides como a morfina, butorfanol e a acupuntura so opes

    adequadas para combater dor (JEFFERY, 1995; ROGERS, 1996).

    8. TRATAMENTO CIRRGICO

  • Nos casos decorrentes de trauma medular, as indicaes para o

    tratamento cirrgico so presena de instabilidade espinhal e compresso da

    medula espinhal. A gravidade do trauma espinhal obrigar a se utilizar drogas

    neuroprotetoras para se interromper a evoluo das leses secundarias

    (FOSSUM, 2007).

    A cirurgia descompressiva est indicada nos casos de doena do disco

    intervertebral, espondilomielopatia cervical (WOBBLER), em casos graves ou

    recidivantes de instabilidade atlantoxial e na sindrome da cauda eqina ocorre

    compresso grave extradural. Como resultado do deslocamento de partes

    vertebrais fraturadas ou luxadas, da hemorragia e da extruso traumtica do

    disco intervertebral. (FOSSUM, 2007; WATERS, 2003)

    Em relao a doena do disco intervertebral ocorre dois tipos de

    alteraes: a do tipo Hansen I, que se observa freqentemente discos

    calcificados, diminuio de espao intervertebral e calcificao do material

    discal no canal vertebral. A de tipo Hansen II, as alteraes so menos visveis

    (FOSSUM, 2007).

    8.1 TCNICAS CIRRGICAS

    8.1.2. FENESTRAO DOS DISCOS INTERVERTEBRAIS

    A fenestrao de disco feita nos espaos intervertebrais C2-C3 e C6-

    C7, com exceo de C1-C2 e C7- T1. um procedimento contra indicado para

    pacientes que o disco herniou para o canal vertebral ou forame intervertebral,

    porm pode ser benfica para pacientes com dor discognica. (FOSSUM,

    2007).

    A fenestrao dos discos intervertebrais da coluna cervical importante,

    pois previne futuramente extruso de material para o canal vertebral. Para a

    coluna toracolombar, os discos de T10-T11 a L6-L7 tambm podem ser

    fenestrados.Est tcnica no utilizada para coluna lombossacra, pois no

    existe a presena de disco intervertebral. A fenestrao do disco intervertebral

    pode trazer complicao com a ruptura do anel dorsal. E conseqentemente

    instabilidade vertebral. (FOSSUM, 2007). (Figura 7).

  • Figura 7: Fenestrao de disco intervertebral (Fonte: www.neurolatinvet.com.br 2009).

    8.1.3 LAMINECTOMIA

    a remoo da lmina dorsal das vrtebras cervicais para exposio da

    medula. indicada em as leses no canal vertebral dorsal ou lateral, enquanto

    o procedimento de slot ventral indicado para leses compressiva que esto

    no canal vertebral ventral. O procedimento para a realizao da laminectomia

    depende da localizao e da causa da leso compressiva.(FOSSUM, 2007).

    (Figura 8)

  • Figura 8: Laminectomia (Fonte: www.neurolatinvet.com.br 2009).

    8.1.4 HEMILAMINECTOMIA

    A hemilaminectomia a remoo da lmina dorsal direita ou esquerda,

    de uma parte do pedculo direito ou esquerdo e de partes da faceta articular

    das vrtebras afetadas. (FOSSUM, 2007)

    8.1.5 SLOT

    Oferece a vantagem de acesso direto regio ventral do canal vertebral,

    por meio de aberturas ventrolateral, permitindo a retirada do material do disco

    sem manipulao da medula. A desvantagem no permitir o acesso

    contralateral, desta forma, necessrio um bom estudo radiogrfico para

    localizar a leso. A lacerao do seio venoso tambm pode ocorrer por

    manipulao inadequada, pois ele est localizado no assoalho do canal

    vertebral (FOSSUM, 2007).

    http://www.neurolatinvet.com.br/

  • 9. TRATAMENTO COMPLEMENTAR

    O tratamento complementar para pacientes que possuem alteraes em

    coluna vertebral deve-se comear com orientao aos proprietrios, em relao

    ao prognostico quanto ao envolvimento e cooperao no tratamento.

    9.1 FISIOTERAPIA

    9.1.2 TENS

    O TENS indicado principalmente para dor, promove boa analgesia e

    pode ser usado diariamente e em tempo integral sem contra-indicao quando

    o paciente permitir, neste caso o modo burst recomendado j que no

    ocorreria efeito da acomodao. Aps a tricotomia do local so colocados dois

    eletrodos paralelos ou quatro simultneos, com a corrente passando cruzada

    sobre a leso. No modo continuo, a intensidade da corrente deve ser alterada

    periodicamente. A vantagem do TENS sobre os frmacos a possibilidade de

    obter-se um efeito analgsico sem a intolerncia por parte do paciente.

    (PEDRO; MIKAIL, 2009).

    9.1.3 LASER

    Aplicado sobre um local determinado do local da leso para a

    aplicao, podendo ser aplicado de forma pontual com intervalos de

    aproximadamente 1 cm ou de forma conhecida como varredura. As indicaes

    do laser nas afeces de coluna devem-se s caractersticas antiinflamatrias

    e analgsicas. As radiaes do laser aceleram a cicatrizao por possuir um

    numero maior de fibroblastos, aumenta a produo de colgeno e estimula a

    microcirculao.( PEDRO; MIKAIL, 2009). (Figura 9).

  • Figura 9: Aplicao de laser (Fonte: www.fisioanimal.com.br 2009).

    9.1.4 CALOR

    O calor usado como uma forma de terapia, dividido em termoterapia

    superficial e profunda. O uso do infra-vermelho (IV) determina o aquecimento

    de aproximadamente 1 cm de profundidade , por isso classificado de

    superficial, e os seus efeitos incluem vasodilatao perifrica e relaxamento

    muscular. A distncia de aproximadamente 40 cm entre a fonte de luz e o

    paciente a incidncia dos raios perpendiculares permitem uma maior

    penetrao do calor. ( PEDRO; MIKAIL, 2009)

    9.1.5 HIDROTERAPIA

    a terapia por meio de gua, na qual so aproveitados as propriedades

    fsicas da gua para o fortalecimento muscular e equilbrio postural. Os efeitos

    hidrodinmicos da flutuabilidade, associados a temperaturas elevadas,

    contribuem para a melhora do paciente da mobilidade e reduo da dor. O

    alongamentos, atividades de relaxamento, fortalecimento muscular direcionado,

    ganho de mobilidade articular e propriocepo so utilizados como auxilio ao

    tratamento complementar (PEDRO; MIKAIL, 2009).

    http://www.fisioanimal.com.br/

  • Quando o corpo submerso na gua, ele recebe ao de duas foras

    opostas: a da gravidade e a do empuxo que a fora de flutuao, desta

    maneira a imerso do corpo inversamente proporcional ao peso que ele

    sustenta (PEDRO; MIKAIL, 2009).

    Pacientes em fase intermediria de recuperao apresentam

    incoordenao motora, atrofia muscular e dficit proprioceptivo, com

    incapacidade para sustentar o prprio peso, porem com o corpo do animal est

    parcialmente submerso a fora de flutuao contribui para a leveza do peso,

    permitindo que o portador da deficincia fsica faa movimentos que ele no

    consegue executar no solo, isto estimula a coordenao e a reao de postura.

    Os efeitos teraputicos da gua aquecida so analgesia, aumento da amplitude

    de movimento articular, aumento de flexibilidade, fortalecimento muscular e

    estimulo coordenao e postura. (PEDRO; MIKAIL, 2009). (Figura 10)

    Figura 10: Hidroterapia em animal em recuperao de alterao medular

    (Fonte:www.vetspa.com.br 2009).

    9.1.6 CINESIOTERAPIA

    A cinesioterapia uma forma de terapia que atravs de exerccios que

    podem ser passivos, ativos, de treino proprioceptivo e ainda de ganho de fora.

    Ajuda no aumento da fora muscular, no equilbrio e coordenao, no aumento

    da amplitude de movimentos, na deambulao evita contraturas e aderncias.

  • Exerccios so experimentados e selecionados aqueles que o paciente

    tolere melhor e no lhe provoquem desconforto ou stress desnecessrio. Os

    benefcios destes exerccios so aumentar a taxa de recuperao, melhorar a

    qualidade e quantidade de movimento, aumentar a performance, condio

    corporal e a resistncia. Estes exerccios podem ser realizados em casa pelo

    proprietrio,aproximando o paciente ao dono e com est aproximao o

    proprietrio observar evoluo no tratamento.(Figura 11).

    Figura 11: Paciente em cinesioterapia (Fonte: www.webanimal.com.br 2009).

    http://www.webanimal.com.br/

  • 10. ACUPUNTURA

    A acupuntura um ramo da Medicina Tradicional Chinesa (MTC),

    praticadadesde pocas remotas. As opinies sobre a sua idade e origem tm

    divergncias. Pressupe-se, com a descoberta de agulhas de pedras, que a

    acupuntura humanainiciou-se no final do perodo neoltico (16.000 - 4.000

    a.C.). A descoberta concretade agulhas de acupuntura de ouro e de prata

    ocorreu no tmulo de Lieu Scheng,que morreu por volta de 200 a.C., sendo

    que as referncias sobre acupuntura veterinria podem ser encontradas por

    volta de 900 a.C. (TORRO, 1997).

    A palavra acupuntura deriva do latim (acus: agulha e punctura: puntura).

    A acupuntura consiste na estimulao de pontos, tambm denominados

    acupontos, de rea de aproximadamente um mm, determinados e precisos na

    superfcie corporal (TORRO, 1997).

    O ponto de acupuntura pode ser estimulado por vrios agentes de

    estresse tais como agulha metlica, calor, massagem, injeo de

    medicamentos. O importante criar um sinal que ser transmitido aos centros

    nervosos para ser decodificado, analisado, memorizado, integrado em outros

    sistemas e causar, conforme sua intensidade, local e natureza, uma resposta

    benfica orientada e especfica (RUBIN, 1983).

    Apesar dos pontos serem pequenos, com rea de mximo efeito de

    tamanho similar ao tamanho da cabea de um alfinete, qualquer presso num

    pequeno raio em torno desta rea j suficiente para atingir o ponto (RUBIN,

    1983).

    O tratamento de um paciente pela MTC baseia-se em um diagnstico

    realizado pelo Qi, que estabelece a etiologia, fisiologia e patogenia do

    desequilbrio apresentado no organismo. Por isto, o paciente sempre deve ser

    analisado como um todo. Dois animais com a mesma doena podem receber

    tratamentos diferentes, pois doenas iguais podem exprimir desequilbrios

    distintos (TORRO, 1997).

    O mecanismo de ao da acupuntura para discopatia no foi totalmente

    compreendido, a acupuntura pode estimular ponto-gatilho e assim diminuir a

    dor muscular, o encurtamento muscular, a rigidez e a dor referida. Ativa o

  • crescimento dos axnios destrudos na medula espinal. A acupuntura pode

    reduzir a inflamao espinal local, o edema, a vasodilatao ou vasocontrio e

    a liberao de histamina. Isso diminui a formao de cicatrizes no tecido, a

    compresso espinal e a dor (RUBIN, 1983).

    Os pontos de acupuntura para tratar discopatia toracolombar so

    divididos em locais e distncia. Os locais so pontos no meridiano da bexiga.

    Os mais usados ficam entre B-14 a B-28, entre as vrtebras T10 a L7 (RUBIN,

    1983).Os pontos distais usados variam muito. Os principais so os do

    meridiano da bexiga (B), vescula biliar (VB) e estmago (E) (RUBIN, 1983)

    O protocolo de tratamento usando somente quatro agulhas provou ser

    eficaz quanto a um tratamento mais extensivo. Os mtodos de estimulao

    so: puntura simples, eletroestimulao das agulhas, terapia a laser e injeo

    nos pontos de acupuntura, usa-se agulhas de acupuntura esterilizada de

    calibre 32 a 38, estas agulhas devero ser mantidas no local sem estimulao

    por 10 a 20 minutos. A eletroestimulao aplicada com maquinas onde usa-

    se uma variedade de formas de ondas e padres de onda, de intervalos de

    tratamento, freqncia e amplitude, a amplitude aumentada at se observar

    contrao muscular e dor. (Figura 13) (TORRO, 1997).

    A acupuntura para tratar discopatia cervical possui uma ampla variedade

    de pontos, mtodos de estimulao e intervalos de terapias. Pontos locais e

    distncia so usados para resolver a discopatia cervical, os pontos locais so:

    VG-13; VG-16; VB-20; VB-21; TA-16; ID-15; ID-16: IG-15; IG-16; B-8; B-9; B-

    10; B-11; B-20; B-21;B-23;B-25; B-28 e pontos gatilhos locais ou dolorosos, os

    distantes so: IG-4; IG-11; ID-3 e TA-5. Os intervalos entre os tratamentos,

    mtodos e durao da estimulao e as terapias adjuntas so os mesmos do

    tratamento para doena toracolombar (TORRO, 1997).

    Os resultados do tratamento com acupuntura para doenas do disco

    cervical, so de 80% dos ces com doena de grau I se recuperando aps trs

    ou quatro tratamento em perodo de duas semanas, quase 67% dos ces com

    doena de grau II se recuperam aps cinco ou seis tratamentos em trs a

    quatro semanas (TORRO, 1997).

    A acupuntura pode ser til no tratamento de discopatia intervertebral em

    ces, para isso o animal deve ficar rigorosamente confinado, monitorado de

    perto e recebe uma boa assistncia. Quanto aos resultados com terapia

  • cirrgica, a interveno cirrgica indicada para ces com discopatia

    toracolombar de grau IV, a acupuntura para ces com doena de grau IV

    devem ser realizadas com animais que se encontram em estgios tardios do

    distrbio. (Figura 12) (TORRO, 1997).

    Figura 12: Animal em seco de acupuntura (Fonte: www.veterinariavargemgrande.com.br 2009).

    http://www.veterinariavargemgrande.com.br/

  • CONCLUSO

    O trauma medular uma afeco neurolgica, onde o paciente com

    leso medular deve ser atendido com emergncia.

    A sua interveno deve ser feita de forma rpida e adequada para evitar

    danos ao tecido neuronal.

    Deve-se realizar exames para auxiliar no diagnstico, fazer uma

    radiografia em primeiro lugar, se este exame no fechar o diagnstico fazer a

    mielografia e a tomografia computadorizada.

    Usar no tratamento de leso medular neuroprotetores para evitar leses

    secundarias, este est associado o tratamento cirrgico. O tratamento

    cirrgico feito por algumas tcnicas entre elas a fenestrao de discos,

    laminectomia, hemilaminectomia e slot.

    Associado ao tratamento cirrgico est o tratamento complementar,

    onde realizado fisioterapia, hidroterapia e acupuntura, este tratamento

    usado para auxiliar o animal em sua recuperao.

  • REFERNCIAS

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